Consumidores lotam supermercados para carregar celulares

 Correria esvaziou prateleiras de papel higiênico, ovos e verduras



Muitas pessoas recorreram a supermercados em Porto Alegre, neste domingo, para carregar celulares e outros aparelhos eletrônicos. No bairro Moinhos de Vento, o Zaffari, localizado na rua Coronel Bordini, registrava filas ao redor de réguas próximo aos caixas e também nos banheiros.

O comerciante Paulo Dias, 43 anos, contou que está sem luz desde as 11h de sábado. Ele, a mulher, a sogra e um bebê de 7 meses moram na rua Marquês do Pombal e temem ficar sem água. “Estamos só com o que ainda resta na caixa d’água”, informou. Moradora da mesma rua, Carine Custódio, 45 anos, também carregava telefones no local, ao lado da médica Rosângela Merg, 66 anos, que contou que, em parte da avenida Cristóvão Colombo, também estava sem energia elétrica há mais de 24 horas.

Além do acúmulo de pessoas que se dirigiram ao supermercado para carregar eletrônicos, havia muitas nos corredores procurando itens de higiene e alimentos. Porém, parte das prateleiras estava vazia. Um funcionário informou que os ovos foram os primeiros produtos a acabar, assim como o papel higiênico, as verduras e garrafas d’água. Conforme ele, problemas na logística estão dificultando a reposição.

No domingo, o local fecha as 21h30min, mas um aviso foi colocado na porta, indicando que as operações iriam encerrar mais cedo, às 20h. Muitos funcionários moradores da Região Metropolitana não conseguiram chegar à loja, que ficou desfalcada.

Correio do Povo

Bolsonaro é internado em Manaus para tratar de uma infecção de pele

 Ex-presidente está no Amazonas desde sexta-feira e, segundo aliados, deve retornar a Brasília nesta segunda



Após passar pelo hospital e receber alta neste sábado, Jair Bolsonaro voltou a ser internado hoje em Manaus para tratar de uma infecção de pele. O ex-presidente está no hospital Santa Júlia para o tratamento de uma erisipela, uma infecção que atinge o braço e a perna.

No sábado, Bolsonaro chegou a discursar para apoiadores com o braço enfaixado. Em uma das falas, revelou que havia sido internado para tratar do problema, além de uma desidratação. Neste domingo, contudo, voltou ao centro médico, onde permaneceu sob observação.

"Quando cai a imunidade da gente por problemas variados, a erisipela é comum de acontecer. Então já estou medicado, tranquilo", afirmou.

De acordo com o deputado federal pelo Amazonas Capitão Alberto Neto, o ex-presidente deve retornar nesta segunda-feira para Brasília. Bolsonaro chegou ao Amazonas na sexta-feira, onde se encontrou com aliados políticos e participou de um evento do PL com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Correio do Povo

Fotos mostram diversos pontos da Zona Sul de Porto Alegre embaixo d'água

 No Pontal, moradores de Eldorado do Sul também chegam em embarcações, enquanto a situação começa a se complicar nos principais pontos da região



A situação na Zona Sul de Porto Alegre permanece crítica devido às intensas chuvas que têm assolado a região nos últimos dias. As inundações e os transtornos decorrentes afetam diversos pontos e deixam diversos locais embaixo d'água.

Áreas como o trecho 3 da Orla e o Parque Marinha do Brasil se encontram submersas, tornando áreas de lazer e recreação inacessíveis. Os prejuízos materiais são expressivos, e a população local enfrenta desafios diante da destruição causada pelas enchentes.

No Pontal, antigo estaleiro, um ponto de coleta foi estabelecido para receber donativos e auxiliar as famílias afetadas. Além disso, muitos moradores resgatados de Eldorado do Sul estão sendo desembarcando no local, de onde são direcionados para abrigos.

Outra situação que causa atenção é o iminente alagamento da rua Diário de Notícias, o que deve resultar no fechamento do trânsito nas próximas horas, caso o nível da água continue subindo. Com isso, a rua Icaraí será o único acesso da Zona Sul para o Centro, juntamente com a avenida Beira Rio.

O Shopping Praia de Belas também está sofrendo com as águas, com parte de suas instalações submersas. Na avenida Ipiranga, o Arroio Dilúvio está com nível muito elevado, acima do talude, quase alcançando a altura das pontes. Além dessas áreas afetadas, pessoas foram retiradas de barco na Avenida Ganzo.






Correio do Povo

Moradores da Vila dos Papeleiros ainda aguardam por resgate em Porto Alegre

 No bairro Farrapos, com auxílio de embarcações, diversas pessoas foram resgatadas e ações solidárias eram avistadas por todos os lados



Enquanto Porto Alegre luta contra as consequências das intensas chuvas que causaram a maior enchente da história do Guaíba, depois de terem assolado várias regiões do Estado, centenas de moradores encontram-se em situações delicadas, aguardando resgates em meio às inundações. Até as 16h deste domingo, uma cena dramática era observada na rua Câncio Gomes, onde pessoas esperavam por barcos para resgatar famílias na Vila dos Papeleiros.

Segundo relatos, cerca de 300 famílias conseguiram deixar o local no sábado, mas aproximadamente 20 famílias ainda permaneciam na região. No bairro, o nível da água era alto e já ocupava praticamente todo o primeiro andar das residências, impedindo a tentativa de saída das casas atingidas sem o auxílio de embarcações.

Enquanto isso, nas proximidades, na avenida Cristóvão Colombo, outra operação de resgate estava em andamento. Muitos barcos seguiam em direção à avenida Farrapos, de onde retornavam com pessoas que foram resgatadas de áreas inundadas.

Em um dos barcos, voluntário distribuiu água pelas ruas do bairro Floresta, partindo da rua Câncio Gomes. Em outra situação, uma senhora, acompanhada pelo marido e dois cachorros, foi resgatada na esquina da avenida Pernambuco com a avenida Berlim. O desembarque ocorreu na esquina das ruas Porto Alegre e Santa Rita, por volta das 16h35.

Moradora foi resgatada na esquina da avenida Pernambuco com a avenida Berlim Moradora foi resgatada na esquina da avenida Pernambuco com a avenida Berlim | Foto: Poti Silveira Campos/Especial/CP

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'ENEM DOS CONCURSOS' É ADIADO / MAURO CID SAI DA PRISÃO - 3 EM 1 - 03/05/24

 

Dmae prevê de 7 a 10 dias para nível do rio Guaíba chegar a 4 metros

 Informação foi divulgada pelo diretor-geral do Departamento nesta segunda-feira



Em coletiva realizada na tarde desta segunda-feira, o diretor-geral do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), Maurício Loss, afirmou que o rio Guaíba deve demorar de 7 a 10 dias para retornar a 4 metros, ainda um metro acima da cota de inundação. Pesquisadores do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) indicam uma regressão lenta do nível das águas, e afirmam que o nível do Guaíba deve permanecer entre 5 e 5,5 metros nos próximos dias.

Depois, o nivel deve reduzir lentamente até os 4m. O Guaíba deve se manter acima da cota de inundação, que é de 3m, por pelo menos dez dias. A nota do IPH pondera que a chuva prevista para o final de semana pode alterar esse cenário e fazer o nível retornar aos 5m.

Às 15h de hoje, o nível do rio era de 5,27m, segundo informações divulgadas pelo Centro Integrado de Coordenação de Serviços da Prefeitura de Porto Alegre. Na história enchente de 1941, o Guaíba demorou 32 para retornar à marca de 3 metros.

Casa de bombas

Na coletiva, Loss ainda citou a desativação de casas de bombas na capital. Das 23 existentes, 19 não estão em funcionamento. A medida serve para evitar que a população leve choques em contato com a água, segundo o Dmae. As casas de bombas fazem parte do sistema de drenagem da cidade. São elas que possibilitam que a chuva vinda de redes de esgotos e canais seja drenada para o rio Guaíba.

Correio do Povo

Após ‘equívoco’ de comunicação com a CEEE Equatorial, Melo não tem previsão para religamento de casas de bombas

 Na tarde desta segunda-feira, desligamento de energia elétrica em uma casa de bombas obrigou a evacuação de moradores do Menino Deus e Cidade Baixa



Conforme relatos de moradores dos bairros Menino Deus e Cidade Baixa, em Porto Alegre, a queda de energia elétrica na região ocorreu por volta das 13h desta segunda-feira. Em um vídeo publicado nas redes sociais, gravado às 14h36min, o prefeito Sebastião Melo orientou a evacuação dos moradores das localizações. A falta de energia elétrica ocasionou o desligamento da casa de bombas número 16, próximo da Rótula das Cuias, alagando com intensidade os bairros.

Sobre a demora para o aviso à população, o prefeito disse, em entrevista coletiva concedida no Centro Integrado de Comando (Ceic), que “houve equívoco de comunicação" da concessionária do serviço na Capital, a CEEE Equatorial, com a prefeitura. "Essa prefeitura não esconde nada. Se eu tivesse tomado conhecimento antes do desligamento, eu teria feito vídeo antes do desligamento”, argumentou Melo.

Respondendo, o presidente da empresa, Riberto Barbanera, afirmou que “há momentos em que é esperada e requerida ação imediata” e o da casa de bombas 16 “foi uma dessas ações". Conforme Melo, ambos vão “afinar mais isso.”

Questionado sobre o religamento nas casas de bombas, o prefeito não precisou. “Não dá para dizer se vamos ligar amanhã, hoje ou daqui dez minutos”. “Não vamos colocar operador ou famílias em risco”, ressaltou.

Um dos principais motivos para a inativação do bombeamento de água em diversas regiões, segundo o diretor de Desenvolvimento e Obras do Departamento Municipal de Águas e Esgoto (Dmae), Marco Faccin, foram as reclamações de moradores que estavam levando choque ao entrarem em contato com a água. No total, em Porto Alegre, são 23 casas de bombas. Apenas quatro, no entanto, estão funcionando, conforme o diretor-geral do Dmae, Maurício Loss.

Correio do Povo

Sol entre nuvens predomina no RS, nesta terça-feira, com chuva no Sul e Fronteira

 Máximas devem superar os 30ºC em diversos pontos


O sol aparece com nuvens na maioria das regiões do Rio Grande do Sul nesta terça-feira. Uma massa de ar muito quente que cobre o Brasil segue definindo as condições do tempo na maior parte das localidades. No Oeste e no Sul, especialmente na fronteira com o Uruguai, Campanha e o Sul, o dia tem mais nuvens e chuva em vários pontos, que será localmente forte e com alto risco de raios e temporais isolados.

Onde o sol aparece, o dia é quente com máximas perto e acima de 30ºC. Porto Alegre, que na segunda teve sol e máxima de 32,8ºC, hoje registrará sol e nuvens com tarde de 32ºC a 33ºC. Pode fazer 35ºC no Vale do Sinos, em pleno maio.

O cenário se complica no RS nos próximos dias, porque as condições meteorológicas, agora excelentes, não vão seguir assim. Na quarta, as áreas atingidas pelas enchentes na Grande Porto Alegre e nos vales podem voltar a ter chuva, mas não será precipitação com volumes altos que venha a interferir no nível dos rios.

Na quinta, o ingresso de ar frio sem forte intensidade, além de trazer um refresco, vai ser responsável por causar vento do quadrante Sul no Norte da Lagoa dos Patos. O efeito será represamento do Guaíba que pode apresentar alta ou mesmo ter sua queda estancada ou reduzida por cerca de um dia.

A maior preocupação está nos indicativos dos modelos numéricos de que entre os dias 10 e 14 de maio haveria um novo episódio de instabilidade com risco de chuva excessiva no Rio Grande do Sul. Os volumes não serão como os do final de abril e do começo de maio, mas podem atingir acumulados bastante elevados. A chuva afetaria Porto Alegre e as cabeceiras dos rios que desembocam no Guaíba, trazendo mais problemas e prolongando a crise.

Além de interferir nos níveis dos rios, a chuva poderá trazer outro desdobramento. Como a rede pluvial está inundada em Porto Alegre pelas águas do Guaíba e por outros rios nas cidades do entorno, a água da chuva não vai conseguir escoar. Não será absorvida pela macrodrenagem, já saturada e colocando água para fora hoje por bueiros e bocas de lobo sob tempo ensolarado.


MetSul Meteorologia e Correio do Povo

Agas reitera que RS não sofre risco de desabastecimentos nos supermercados

 Porto Alegre precisou evacuar Menino Deus e Cidade Baixa



A Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) garante que o Rio Grande do Sul não sofre com nenhum risco de desabastecimentos nos supermercados do Estado.

Apesar do avanço das águas nesta segunda-feira, a Agas reitera que "não há nenhum risco de completo desabastecimento de alimentos nas lojas".

Em nota, a associação explica possíveis ocorrências: "Algumas lojas estão com dificuldades de abastecimento em produtos como água mineral, ovos e hortifruti, mas são situações logísticas. O abastecimento irá se normalizando a partir da liberação das estradas".

Correio do Povo

Com casas destruídas pela enchente, moradores de Novo Hamburgo improvisam apoio entre si

 Tanto no bairro Santo Afonso quanto na Lomba Grande, eles relatam também falta de apoio do poder público



Dependendo, por ora, apenas da própria sorte, moradores da Vila Kroeff, no bairro Santo Afonso, e do bairro rural de Lomba Grande, ambos locais com grande vulnerabilidade social em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, lutam como podem e dizem se sentir desamparados pelo poder público diante da maior enchente da história. Ainda que a água do rio dos Sinos e suas várzeas estejam em trajetória de baixa, a área mais baixa do município ainda vive o caos, com ruas intransitáveis e somente acessíveis de barco, ou, em alguns casos, por veículos maiores.

Na rua Humberto de Campos, um pequeno porto foi improvisado. Por ele, moradores da área alagada buscam pertences ou animais em suas casas, ou mesmo vão até suas casas na busca de ver o cenário aterrador. Na tarde deste domingo, muitas residências ainda estavam inundadas até o telhado, enquanto outros habitantes permaneciam ilhados nas residências. Conforme eles, nenhuma ajuda chegou.

Milton Strassburger, aposentado, foi conduzido pelo barqueiro Ismael Barros Maciel, vendedor em uma madeireira, para que pudesse dar comida aos seus quatro gatos que não queriam sair. Quando chegou nela, pulou na água, mas desistiu. A profundidade era tamanha que ele retornou ao caiaque, amedrontado. "Volto amanhã, quando estiver mais rasa", afirmou ele. "Moro neste local há 18 anos, e estamos tristes porque a Prefeitura não faz nada, não traz um banheiro químico, e estamos todos pousando na rua". O barco pertence a Cláudio Gilberto, que disse também ter perdido a maioria dos itens.


"Cama, roupeiro, pia, fogão, freezer, nada consegui tirar. Mas vamos ajudar a quem precisa. Vou fazer o que aqui? Ficar olhando os outros? Graças a Deus, ninguém perdeu a vida aqui", comentou Gilberto. Outro morador do entorno, Sérgio Abílio Gomes Teixeira, estacionou na rua um caminhão, usado normalmente para a venda de verduras, para pôr itens de diversos vizinhos. "Tem gente que não tem para onde sair, então estou ajudando. As pessoas vão trazendo, colocando aqui. Antes da chuva, ergui tudo o que foi possível, mas ninguém adivinhava uma enchente desse tamanho", relatou ele.

Na rua Itaperuna, ao lado, mais relatos da falta de atuação das autoridades. "Foi muita água mesmo. Nunca tinha visto água aqui, ela veio até onde estamos, depois baixou", disse o aposentado Luiz Paulo de Oliveira. Os habitantes locais atribuem parte do problema a uma obra da Comusa, companhia municipal de abastecimento de água, que aterrou uma área mais acima, fazendo com que o fluxo escoasse até onde antes não chegava.


Ali, voluntários da Associação de Moradores da Vila das Flores, no bairro Canudos, chegaram com lanches e água, e distribuíram aos necessitados. Na comunidade da Integração, próximo à Lomba Grande, a Estrada Leopoldo Petry está bloqueada devido à correnteza que inundou casas, empresas, a estação de captação de água da própria Comusa, impedindo o abastecimento para o município, e ainda está passando por cima da via. A Prainha da Lomba, local turístico, está inacessível.

"Estamos com dois jipes, mais um veículo da família ajudando, passando o pessoal de um lado para outro. Há 800 pessoas ilhadas na Lomba Grande, 500 mantidas em uma igreja e 300 na Sociedade Gaúcha de Lomba Grande. A situação está bem feia para nós", relatou o estudante Bernardo Marcellus Rost. Segundo ele, a Prefeitura e demais autoridades apenas passam pelo local e não param para auxiliar.

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