Geladeira/Refrigerador Electrolux Frost Free - Duplex 371L DFN41 Branca 110V

Geladeira/Refrigerador Electrolux Frost Free - Duplex 371L DFN41 Branca

O refrigerador Frost Free DFN41 371 litros da Electrolux é o que faltava na sua casa. Isso porque ele possui Prateleira com porta latas reversível para 6 unidades. Prateleira que pode ser utilizada tanto como porta latas como prateleira regular. Maior organização e flexibilidade da porta com a prateleira 2 em 1. Cesta porta ovos para 12 unidades: Segurança e praticidade para seu dia a dia, formas de gelo suspensas que ocupam menos espaço e mantêm o gelo fora do contato com outros alimentos. E para garantir suas bebidas geladas em menos tempo ele conta com a função Drink Express, função acionada pelo painel para resfriar bebidas rapidamente. E seu sistema Frost Free facilita e muito o dia a dia, porque você não precisa descongelar. Leve agora esse refrigerador e tenha o melhor da Electrolux na sua casa.


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Queda em preço de energia elétrica faz inflação ser a menor para outubro desde 1998

por Diego Garcia

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Mudança na bandeira tarifária foi o principal fator para o impacto no mês

A queda no preço da energia na maior parte do Brasil contribuiu para que a inflação de outubro fosse a menor desde 1998, informou nesta quinta-feira (7) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O índice ficou em 0,10% no mês passado, menor do que os 0,45% do mesmo período de 2018 e também nos últimos 21 anos. Os dados são do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

Nos últimos 12 meses, a inflação acumulada ficou em 2,54%, abaixo do piso da meta fixada pelo Banco Central. A meta está em 4,25% ao ano, com intervalo entre 2,75% e 5,75%. Caso termine abaixo do piso da meta, o BC precisa enviar uma carta ao ministro da Economia, Paulo Guedes, explicando as razões para o descumprimento.

A mudança na bandeira tarifária foi o principal fator para que a energia elétrica tivesse um impacto de 0,13 ponto percentual negativo em outubro.

“Em setembro, estava em vigor a bandeira tarifária vermelha patamar 1 e, em outubro, passou a vigorar a amarela, cujo acréscimo é menor", disse o gerente do IPCA, Pedro Kislanov.

De acordo com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), a bandeira tarifária amarela tem custo de R$ 1,50 para cada 100 quilowatts-hora consumidor. Já a vermelha patamar 1 apresenta custo de R$ 4 para cada 100 quilowatts-hora consumidos.

A queda na energia elétrica foi demonstrada em todas as áreas pesquisadas pelo IBGE, com exceção de Salvador e Vitória, ambos com alta nos preços. Em Goiânia, o recuo chegou a 5,99%.

No acumulado do ano, o índice registrou 2,60%. Já nos últimos 12 meses, ficou em 2,54%. Segundo o IBGE, está abaixo dos 2,89% registrados anteriormente.

Dos nove grupos pesquisados pelo IBGE, três tiveram deflação de setembro para outubro. O principal destaque foi habitação (-0,61%), com uma contribuição de 0,10 ponto percentual negativo no mês.

Alimentação em domicílio teve queda pelo sexto mês seguido, influenciada pela redução nos preços da cebola (-20,84%) e da batata inglesa (-9,06%).

Por outro lado, as carnes apresentaram alta de 1,77%. Já a alimentação fora de casa passou de 0,04% em setembro para 0,19% em outubro. Refeição registrou 0,24%, enquanto lanche marcou 0,32%.

O item vestuário teve a maior inflação do mês passado, com 0,63%. O gerente da pesquisa informou que a alta é natural para a época do ano por conta da mudança de estação. "Resulta na troca de coleção das lojas", disse Kislanov.

Os destaques nesse item são altas observadas em roupa feminina (0,98%), roupa masculina (0,38%), roupa infantil (0,30%) e joias e bijuterias (2,23%).

A alta da gasolina influenciou o preço dos transportes. Com exceção de Brasília e São Luís, todas as áreas pesquisadas pelo IBGE apresentaram variação positiva no quesito combustível (1,38%).

O economista Luca Klein, da 4E Consultoria, explicou a variação no preço da gasolina. "Ela expõe as influências do aumento internacional do preço do petróleo, reflexo do choque de oferta advindo dos ataques às refinarias na Arábia Saudita", disse ele.

As passagens aéreas também aumentaram (1,93%), após dois meses com variações negativas  (-15,66% em agosto e -1,54% em setembro).

A economista do Itaú Julia Passabom explicou que o núcleo de inflação é uma medida acompanhada pelo Banco Central que procura captar a tendência dos preços sem considerar distúrbios resultantes de choques temporários. "Os núcleos vêm rodando baixos, com média de 0,2% mensais", disse ela.

Além de serviços, outro núcleo são os industriais com padrões sazonais, como etanol e cigarro. "Quando olho o núcleo combinado, serviços e industriais, é mais ou menos 38% do IPCA, e o acumulado está rodando bem abaixo da média de inflação, e tem se mantido baixo em diversas leituras", disse Júlia Passabom.

Com relação aos índices regionais, Campo Grande registrou a maior variação, com 0,31%, influenciado principalmente pela alta no preço das carnes, de 4,47%, e gasolina, 2,29%.

Em contrapartida, São Luís registrou deflação de 0,37%, especialmente pela queda de energia elétrica, que na região ficou em 4,43%. A cebola também influenciou, com 25,65% negativos.

O economista Luca Klein apontou que, em novembro, o IPCA deve ter aceleração. "Em grande parte, devido a mudança de bandeira tarifária de energia elétrica em novembro, de amarela para vermelha 1, e pela continuidade da dinâmica de alta dos preços dos combustíveis", afirmou.

Júlia Passabom, do Itaú, acredita que a inflação deve continuar tranquila, em linha com a avaliação do banco.

Fonte: Folha Online - 07/11/2019 e SOS Consumidor

Justiça proíbe dois bancos de fazer empréstimo oferecido por telefone

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Justiça de Minas impede que bancos Safra a Pan S/A façam depósito de cartão consignado conhecido como telesaque; decisão vale para todo o País

Uma decisão liminar do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), válida para todo o Brasil, proibiu dois bancos de realizar operações de crédito via telefone, especialmente aquela conhecida como telesaque .

Motivada por um grande volume de denúncias de pessoas que, sem solicitar, receberam em suas contas sob a condição de juros um empréstimo consignado , a liminar determina “multa de 100% do valor que vier a ser depositado indevidamente”.  A ação foi aberta por órgãos de defesa do consumidor de Minas Gerais.

Como funciona

O telesaque é uma operação de crédito oferecida pelo telefone. As empresas ligam e oferecem um cartão consignado  cujo o valor do crédito pode ser depositado na conta do cliente como um empréstimo.

O problema ocorre quando o cliente não aprova a modalidade ou aprova o cartão mas não o depósito, e ele ocorre do mesmo jeito.

No site Reclame Aqui, um consumidor de Caraguatatuba (SP), que se identifica como José Carlos fez uma reclamação sobre telesaque contra o Banco Pan em fevereiro deste ano. Ele relata que aprovou um cartão consignado, que nunca recebeu.

Por outro lado, teve um depósito de R$ 4.009 em sua conta bancária. Quando entrou em contato com o banco para informar que não havia aprovado o empréstimo, foi informado que poderia devolver por meio de fatura.

"A tal fatura chegou com vencimento em 07/fev, no valor fechado de (R$) 4.169,35.
Nesta fatura eles estavam cobrando o valor de 4009,00 a titulo de telesaque à vista  (que nada mais é que um empréstimo consignado disfarçado) e mais os encargos deste valor que eles estavam pedindo de volta", conta o consumidor na publicação.

Ele ainda relata que foi orientado a pagar a fatura porque o banco devolveria o valor de R$ 160,35. Quando o consumidor fez a publicação, entretanto, o dinheiro não tinha sido depositado. Na plataforma Reclame Aqui, o status da publicação era "respondida".  

O que diz a decisão do TJMG

O texto de decisão do Tribunal argumenta que a proibição não busca combater as operações do telesaque  em si, mas pretende reduzir os danos que a operação - somada à má-fé das instituições - pode trazer aos usuários.

O documento assinado pelo desembargador Manoel dos Reis Morais argumenta que as ligações por telefone são rápidas e com informações superficiais e por isso podem fazer com que os consumidores não entendam bem o seu funcionamento. Ele ainda reforça que as principais vítimas de ações desse tipo são idosos aposentados.

Entre os riscos que a operação pode oferecer, está a inadimplência que, segundo um levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), surge a partir de empréstimos em bancos ou financeiras em 69% dos casos.

Questionada sobre o assunto, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) reforçou que esses são casos isolados e que operações dessa natureza, principalmente quando sem solicitação, não são frequentes na maioria dos bancos do país.

Existem ações similares em tramitação no TJMG envolvendo outros dois bancos, mas ainda não há decisão formulada.

Fonte: economia.ig - 07/11/2019 e SOS Consumidor

A VERDADE SOBRE O SANEAMENTO BÁSICO E COMO RESOLVER O PROBLEMA!

(Arminio Fraga e Claudio Frischtak - Folha de S.Paulo, 07) Lemos as críticas ao projeto de lei de saneamento básico em discussão no Congresso que Léo Heller, relator especial da ONU para os direitos humanos à água e ao esgotamento sanitário, fez em entrevista para esta Folha na segunda-feira, 28 de outubro.
Concordamos que o saneamento básico no país está muito distante de responder às urgentes demandas da população. Os índices são inaceitáveis, seja em abastecimento de água (estamos estagnados na cobertura —83,5% da população— e nas perdas de 38,3% da água produzida), seja na coleta e no tratamento de esgoto (52,4% e 38,6% da população, respectivamente).
Numa comparação do Banco Mundial baseada no percentual de esgoto tratado, o Brasil se encontra abaixo do México, de países mais pobres como Equador, do Uruguai e muito distante do Chile.
Tal fiasco afeta o bem-estar da população, impõe custos elevadíssimos para o sistema de saúde, reduz a produtividade e a capacidade de gerar renda dos trabalhadores, além de limitar o aprendizado das crianças.
Como chegamos a essa situação?
O entrevistado aponta para duas causas básicas: instabilidade das políticas e escassez de recursos públicos direcionados ao setor, agora agravada pela crise fiscal e pela contenção dos gastos públicos. Discordamos que essas sejam as verdadeiras causas.
Primeiro, porque não há descontinuidade nas políticas. Ao contrário: temos o mesmo modelo há décadas, e uma lei que desde 2007 rege o setor. É justamente este modelo —dominado por empresas públicas e autarquias municipais pessimamente administradas e submetidas a contratos frouxos e frágil regulação— que explica o atraso.
As empresas estatais, por não terem que obedecer a contratos com metas de desempenho nem se submeter a uma fiscalização rigorosa, não cumprem seu papel.
Temos, sim, uma crise de governança nas empresas estatais, o que explica por que os investimentos estão estagnados há uma década em R$ 11,5 bilhões: para nada menos de 20 das 26 empresas estaduais de saneamento básico —as mais relevantes—, os aumentos tarifários no período 2014-2017 foram transferidos para os salários dos funcionários.
Já os investimentos nesse período ou colapsaram (em dez casos) ou se expandiram a taxas inferiores aos gastos com os funcionários.
O contraste com as empresas privadas expõe outro ângulo da questão. As despesas médias em 2017 das empresas públicas com funcionários foram 2,4 vezes superiores às das empresas privadas do setor. Não é por outra razão que estas últimas investem relativamente mais: com apenas 6% do mercado, respondem por 21% do investimento.
O sr. Heller corretamente defende os direitos humanos ao saneamento básico; deveria, portanto, ser o primeiro a denunciar os grupos de interesse que capturaram as empresas públicas, pois é por isso que não sobram recursos para investimentos que beneficiariam os sem saneamento. 
Romper o imobilismo e modernizar o setor é o objeto do projeto de lei em discussão no Congresso. O novo marco legal permitirá a concessão competitiva dos serviços à iniciativa privada, sob condições contratuais e metas transparentes, sujeitas à regulação e à fiscalização do Estado.
Os contratos serão desenhados de forma a atingir objetivos sociais e regionais mensuráveis. Em particular, permitirá a constituição de regiões de saneamento em que municípios com distintos níveis de renda farão parte de uma mesma concessão, beneficiando-se igualmente da ampliação da cobertura.
Como já ocorre em outros setores, as tarifas estarão sujeitas a revisões periódicas, que permitirão que ganhos de eficiência obtidos sejam compartilhados com a população.
Se aprovada pelo Congresso, a nova lei trará capital e eficiência ao setor, o que permitirá mais do que dobrar os investimentos do atual nível de 0,20% do PIB para os 0,44% do PIB (aproximadamente R$ 30 bilhões por ano) capazes de, em até duas décadas, universalizar os serviços no país.
Com segurança jurídica e previsibilidade regulatória, será finalmente possível incorporar aqueles historicamente desrespeitados nos seus direitos humanos ao saneamento básico.


Ex-Blog do Cesar Maia



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3 perguntas para entender a soltura de Lula

Em meio ao mar de juridiquês, entenda de forma simples e direta o que aconteceu (e o que ainda pode rolar) com o ex-Presidente.

Por Ingrid Luisa e Maria Clara Rossini

(NurPhoto/Getty Images)

Ele foi inocentado?

Não. Lula ainda é condenado em três instâncias por corrupção e lavagem de dinheiro, pelo caso do triplex de Guarujá. No entanto, ele ainda não usou todos os recursos possíveis da Justiça para argumentar por inocência. Ainda falta um julgamento por parte do Supremo Tribunal Federal.

O que o STF decidiu ontem (07) foi que pessoas condenadas em segunda instância não poderão ser presas imediatamente, como aconteceu com o ex-presidente.

Em casos de crime hediondo (homicídio, sequestro, estupro, tráfico) tudo permanece igual. A prisão é imediata após a condenação em primeira instância. Em casos de flagrante (como alguém ser pego roubando no ato). Não é o caso de Lula.

A partir de agora, o ex-Presidente só pode ser preso após o término do “trânsito em julgado”, que é justamente após um julgamento do STF.

Lula tem o direito de aguardar fora da prisão enquanto seu julgamento não vai ao Supremo E segue como réu até o final de todo esse processo.

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Ele pode concorrer às eleições de 2022?

Não. De acordo com a Lei da Ficha Limpa, sancionada pelo próprio Lula em 2010, pessoas com condenação em segunda instância não podem concorrer a cargos públicos pelo período de oito anos.

O caso de Lula é mais grave, até. Pelo caso do triplex do Guarujá (SP), Lula já foi condenado em três instâncias: a Justiça Federal, o TRF-4 – Tribunal Regional Federal da 4ª Região – que forma uma segunda instância, e o STJ (Superior Tribunal de Justiça). De acordo com a lei, ficam inelegíveis para qualquer cargo quem for condenado em crimes como corrupção passiva e lavagem de dinheiro, acusações pelas quais o ex-presidente foi condenado no caso do triplex do Guarujá, que teria sido dado como propina pela construtora OAS, uma das participantes no esquema de corrupção da Petrobras.

Mas essa situação pode mudar. O então juiz Sérgio Moro foi o primeiro a condenar Lula, em nome da Justiça Federal de Curitiba, prevendo uma pena de 9 anos e 6 meses de prisão. De acordo com a defesa de Lula, no entanto, a decisão de Moro foi parcial, e não apresentava provas suficientes.

No mesmo recurso, os advogados também questionam a atuação do ex-juiz em vários outros casos que ainda tramitam. No do sítio de Atibaia (SP), por exemplo, ele está condenado em primeira instância, também por corrupção e lavagem de dinheiro.

Se o Supremo Tribunal Federal (STF) reconhecer como válidos os argumentos da defesa, a sentença proferida na primeira instância, e ratificada pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4), poderia ser anulada. Ou seja: o presidente deixaria de se enquadrar na Lei da Ficha Limpa, e poderia ser candidato em 2022. “Se Moro for considerado suspeito, os processos de Lula voltam à fase de denúncia”, disse o ministro Gilmar Mendes à BBC no início de outubro. Ou seja: nessa caso, Lula precisaria passar por mais dois julgamentos em algum de seus processos para voltar a ser inelegível.

Ele pode ser preso novamente?

Pode – em mais de uma situação. Primeiro, é possível pedir prisão preventiva do réu em casos excepcionais, ou seja, se considerarem que a soltura de Lula ameaça a ordem pública ou afeta as investigações em aberto contra ele.

Em segundo lugar, e mais óbvio, é caso Lula seja condenado em definitivo neste mesmo processo. O caso do triplex, que colocou Lula na cadeia, irá até o STF, como já vimos. O recurso, ou seja, a revisão do processo, pode (ou não) terminar com o Supremo considerando Lula culpado. Foi o que aconteceu com Paulo Maluf, condenado pelo STF por fraudes em prestações de contas eleitorais.

O congresso também pode devolver Lula à prisão. Para isso, basta a criação de uma emenda constitucional que determine, de forma incontestável, que qualquer condenado em segunda instância deve ser preso.

Mas há um detalhe: Lula já passou 1 ano e 7 meses na cadeia pelo caso do triplex. Sua pena foi reduzida para 8 anos pelo STJ. Nesse caso, como Lula cumpriu mais de um sexto da pena, ele tem direito à chamada “progressão de regime” caso sua condenação seja confirmada.

Isso quer dizer, a princípio, que Lula teria direito à cumprir o resto da pena em regime semiaberto – mas, como tem mais de 70 anos, também tem direito à prisão domiciliar.

Sendo assim, Lula dificilmente volta à prisão nas mesmas condições de que acaba de sair. Ao menos pelo caso do triplex.

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Nota atualizada às 21h15 de sexta (08/11)



Superinteressante

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Por que o ministério que cuida da economia se chama “da fazenda”?


É um traço de português arcaico entre os brasileiros contemporâneos

Por Da Redação

Juliana Elias

Tudo bem que um terço do nosso PIB vem do campo, mas daí a chamar toda a economia de “fazenda” é demais, não? O que em outros países recebeu o nome de “Ministério da Economia” (nome usado durante o governo Collor) ou simplesmente “Tesouro”, como nos EUA, por aqui ficou sendo “da Fazenda” mesmo.

O termo talvez não soasse tão destoante num Brasil em começo de século 19 – quando dom João 6º fugiu para cá, reformulou a colônia e fundou o órgão. “‘Fazenda’ era uma palavra do português arcaico, usada para designar coisas como riqueza, renda, dinheiro”, explica Rubens Ricupero, coordenador da Faculdade de Economia da FAAP e também ex-ministro da Fazenda.

Passados dois séculos, muita coisa mudou no ministério. A atividade central, no entanto continua basicamente a mesma: pegar todo o dinheiro que o governo ganha e decidir a melhor forma de gastá-lo.
Detalhe: o nome “Fazenda” ficou só no Brasil mesmo. Em Portugal, a instituição passou por uma reforma geral ainda em 1910 e foi rebatizada de “Finanças”.


Superinteressante

A Diplomacia do K-Pop

Há 20 anos, muita gente mal sabia apontar a Coreia do Sul no mapa. Mas o investimento pesado na indústria musical transformou a imagem do país – e fez do K-Pop uma poderosa ferramenta política.

Texto: Ingrid Luisa | Edição: Ana Carolina Leonardi | Design e Finalização: Yasmin Ayumi | Ilustrações: Daki Rosi


Em junho deste ano, logo depois da reunião do G20 no Japão, Donald Trump deu um pulo na Coreia do Sul para uma visita diplomática. Foi recebido pelo presidente Moon Jae-in – e por uma boy band.

Os integrantes do grupo EXO, de pop coreano, presentearam a família Trump com CDs autografados e selfies. A escolha não foi aleatória: Ivanka Trump e o korean pop são velhos conhecidos. O governo do pai dela dialoga principalmente com homens de meia-idade – sobra para Ivanka a tarefa de se conectar com os jovens eleitores, principalmente as mulheres. E milhões delas prestam atenção quando o assunto é K-Pop.

Para a Coreia, a situação não podia ser melhor. Afinal, os artistas do EXO representam exatamente a imagem que o país quer mostrar ao mundo: de sucesso, beleza e modernidade.

Em quase todos os países, fãs se juntam para aprender coreografias e decorar letras de música em coreano. Parece estranho? Não é muito diferente do que os jovens faziam com o inglês desde a época dos Beatles. Os ídolos ainda têm cabelo tigelinha, mas esbanjam roupas e madeixas coloridas, bastante maquiagem e passos de dança elaborados.

O conjunto de apelo visual e sonoro faz parte do espetáculo que é o pop coreano, indústria que elevou a Coreia do Sul de 30º para 6º maior mercado mundial de música. A ascensão do K-Pop, porém, é um fenômeno menos espontâneo do que parece. Já são quase 20 anos desde que a Coreia decidiu injetar em sua indústria cultural grandes doses de investimento, estratégia e, como eles gostam de dizer, “trabalho duro”. Até porque, mais que apenas entretenimento, o K-Pop nasceu para vender a Coreia do Sul. E, para entender o que isso significa, precisamos voltar à história desse pequeno país peninsular.

Rebranding da nação

Embora a história do povo coreano tenha lá seus 5 mil anos, foi apenas no século 20 que eles começaram a ter contato com o Ocidente. Antes disso, o país era quase uma nação feudal com grande influência chinesa, e passou 200 anos sendo oficialmente um “império vassalo”, tendo que prestar contas a Pequim. Nessa época, a Coreia absorveu o budismo e os ensinamentos confucionistas, que pregam a busca pelo conhecimento e o eterno aperfeiçoamento pessoal, até hoje onipresentes na sociedade coreana.

O panorama político começou a mudar em 1910. O país foi dominado pelo Japão e passou 35 anos como colônia ocupada pelo vizinho. Teve seu idioma proibido e sua cultura reprimida – o que só foi acabar com o fim da 2ª Guerra Mundial e a derrota do Japão. A liberdade, porém, durou pouco tempo: em 1950, explodiu a Guerra da Coreia. Os três anos de conflito e a divisão da península desestabilizaram ainda mais o país, mas o Sul se reergueu com uma política desenvolvimentista intensa.

Tantas idas e vindas levaram a Coreia do Sul a começar do zero em quase tudo: na política, na cultura nacional e na economia – no pós-guerra, chegou a ser um país mais pobre que o Níger. Entre 1960 e 1980, sob a ditadura de Park Chung-hee (um Getúlio Vargas coreano), a industrialização promoveu a Coreia ao status de Tigre Asiático, como exportadora de insumos tecnológicos a preços baixos. O país finalmente começava a se projetar no mapa.

A essa altura, a Coreia do Sul começou a pleitear por mais contato com o resto do mundo, na intenção de transformar a maneira distorcida como era vista por muitos estrangeiros – uma terra exótica, onde carne de cachorro podia ser considerada uma iguaria, e que só servia para vender chips de computador bons e baratos.

US$ 37 bilhões é o valor total do mercado de conteúdo cultural coreano, segundo uma pesquisa feita pela Korea Creative Content Agency em 2019.

Em 1988, veio a grande oportunidade: Seul sedia os Jogos Olímpicos, o que transforma o pequeno país do nordeste asiático no centro das atenções mundiais – um bom início para o tão desejado rebranding. Os jogos estreitaram as relações com outros países, e a Coreia se tornou uma nação globalizada.

O país, porém, tinha saído de uma ditadura altamente protecionista. A entrada de produtos estrangeiros (principalmente culturais, como músicas e filmes) era extremamente restrita, como acontece hoje na Coreia do Norte. Mas uma nação globalizada não funciona assim. No mesmo ano da Olimpíada, então, o governo coreano liberou a entrada de filmes de Hollywood nos cinemas locais. Resultado? Em 1994, o conteúdo audiovisual estrangeiro dominava mais de 80% do mercado.

A invasão gringa, no entanto, fez o governo perceber que a indústria cultural podia ser incrivelmente lucrativa. Um relatório do Conselho Presidencial de Ciência e Tecnologia de 1994 aponta que um hit de Hollywood como Jurassic Park arrecadava o equivalente à venda de 1,5 milhão de carros da Hyundai, em valores da época. A Coreia decide, então, se diversificar – e cria o Departamento da Indústria da Cultura, em 1995.

O primeiro sinal de que isso poderia dar certo veio com o sucesso dos chamados K-dramas, as novelas coreanas. Elas ajudaram a reconquistar o público nacional – e, de quebra, acabaram alcançando o gigante que mora ao lado, a China. Ali, o K-drama explodiu: What Is Love?, lançada em 1997, foi assistida por 150 milhões de chineses – o equivalente a três Coreias do Sul inteiras. As novelas provaram que a expansão era possível. Mas o maior expoente da cultura coreana ainda estava por vir: a música pop.

As raízes do K-Pop

O termo “K-Pop” não foi criado na Coreia do Sul – surgiu na imprensa estrangeira. Em sua terra natal, os artistas desse gênero são conhecidos como idol groups. O criador do conceito de idol foi Lee Soo-man, empresário que revolucionou a maneira de fazer música na Coreia. Sua estratégia? Encará-la como commodity.

Soo-man morou nos EUA de 1979 a 1985. Lá, teve contato com a dance music e as grandes produções de músicos como Madonna e Michael Jackson, além da revolução provocada pelos videoclipes. Voltou com uma fórmula para aplicar em seu país.

Na Coreia, o primeiro investimento de Soo-man foi um cantor chamado Hyun Jin-young. Alto, bonito e dançarino de formação, parecia o modelo ideal para mesclar o que funcionava nos EUA e na Coreia. Em 1990, ele estreava com uma leve batida de hip-hop e uns passos de dança lentos. Mas tudo ainda muito ligado ao antigo conservadorismo musical coreano. Por lá, os hits de rádio eram baladas românticas ou canções patrióticas. A “estética” de Jin-young não era muito diferente: ele se apresentava usando um terno branco com uma gravata de fita enorme em meio a um cenário florido.

Hyun flopou, e feio. A receita perfeita de Soo-man parecia derrotada. Até que, em 1992, apareceram Seo Taiji & Boys, um trio de garotos que competiu num show de talentos na TV. Vestidos com roupas largas, bonés, botas e luvas, eles trocaram as músicas sobre pátria por um rap sincronizado e com dança coreografada. Chocados, os jurados soltaram críticas pesadas aos participantes, que perderam a competição. Só que ganharam o público. Em pouco tempo, com letras que tratavam dos dilemas da juventude, o trio virou febre entre os adolescentes do país.

Acontecia na Coreia mais ou menos o que houve nos EUA na década de 1950: a produção cultural descobriu o mercado teen. Lee Soo-man, vendo a demanda juvenil latente e o estrondoso sucesso dos Seo Taiji & Boys, resolveu mudar a imagem de seu pupilo: vestiu Hyun Jin-young com roupas largas e acrescentou uma batida pesada de rap em suas músicas. Deu certo: o segundo álbum do cantor fez mais sucesso. Mas Soo-man falhou em prever uma complicação que nada tinha de musical. Hyun foi preso, acusado de porte e consumo de maconha – um crime grave na Coreia, que ainda hoje conta com uma pesada lei antidrogas. Ao contrário dos adolescentes americanos dos anos 1950, os jovens coreanos não tinham interesse em ter um “bad boy” como ídolo. A carreira de Hyun acabou.

Lee Soo-man precisou rever suas táticas. Ele concluiu que, para ter uma estrela pop perfeita, todas as partes do processo deveriam ser cuidadosamente controladas. Não apenas as canções e a aparência dos artistas seriam moldadas por produtores, mas também suas vidas, incluindo sua personalidade em público. Nascia a S.M. Entertainment: uma empresa responsável por criar os chamados idol groups e administrar milimetricamente aquilo que eles representam. Surgem então as famigeradas “fábricas de ídolos” coreanas. Pessoas, claro, não são produtos – mas Soo-man desenvolveu uma verdadeira linha de montagem para criar boy (e girl) bands.

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(Doki Rosi/Superinteressante)

Enquanto, no Ocidente, uma pessoa que quer ser artista pop se lança no mundo até ser “descoberta” – cria vídeos no YouTube, vai cantar em barzinhos –, no K-Pop o artista é moldado por uma empresa antes de aparecer publicamente. Em uma sociedade que visa à perfeição como a coreana, talento nato pode ajudar – mas, para ser um idol de verdade, o aspirante precisa se preparar bastante antes da estreia.

Para entrar no ramo, o jovem passa por audições de canto, dança e atuação. Se for aceito como trainee, ele vai morar em dormitórios da própria empresa, e começa um longo e regrado calendário de treinos, com horários definidos para cada atividade (dança, voz, atuação, exercícios físicos), dieta balanceada e pouquíssimos dias de folga por mês. O treinamento dura pelo menos seis meses, sem limite máximo. Quando os produtores julgam que um trainee está pronto, ele passa a compor um “grupo de ídolos”, que pode ter de quatro a mais de dez integrantes.

Depois da estreia, os passos dos artistas são pragmaticamente supervisionados. Não podem falar sobre assuntos polêmicos ou se posicionar politicamente. As músicas de K-Pop geralmente possuem letras consideradas “seguras”, sem críticas ao governo ou aos pilares da conservadora sociedade coreana. O vanguardismo do gênero está mesmo nos figurinos, coreografias e na perfeição visual dos clipes.

A fórmula ficou provada quando a S.M. lançou seu primeiro grupo de sucesso, o H.O.T. Na sequência, porém, a Coreia entrou em colapso. Com a crise asiática de 1997, o PIB do país caiu 38% em dois anos, as grandes empresas quebraram e o índice de suicídios aumentou exponencialmente. O governo foi obrigado a pedir US$ 57 bilhões ao Fundo Monetário Internacional, um dos maiores empréstimos da história do FMI.

A Coreia partiu para mais uma reconstrução – dessa vez, com sucesso histórico. Em 1999, o presidente declarou que a crise estava superada. Com a nova estabilidade, os investimentos na indústria cultural mais que dobraram: um decreto oficializou que 1% do PIB seria investido em cultura – antes, esse setor angariava entre 0,3% a 0,4%.

Se antes o país era um exportador de “bom custo-benefício”, após a crise a ideia era trazer glamour à “marca” Coreia. “O governo escolheu o entretenimento para divulgar os valores coreanos, para que o mundo consumisse Coreia. Sem isso, os setores industriais do país poderiam não ter demanda suficiente, já que a população é pequena”, diz Gilmar Masiero, professor de economia da USP.

A Coreia começou a conceder crédito e subsídios para quem quisesse lançar negócios culturais. O modelo adotado por Lee Soo-man muito agradou às autoridades, que também ofereceram bolsas de estudos no exterior para quem quisesse ir, se aprimorar e voltar para criar produtos culturais exportáveis.

Em 2001, o presidente sul-coreano Kim Dae-jung chamou a cultura de “indústria sem chaminés”. Seu sucessor, Roh Moo-hyun, declarou que o objetivo era tornar a Coreia um dos “cinco principais produtores de conteúdo do mundo até 2010”. Somando K-Pop, K-Dramas, moda, comida e cosméticos, o estilo de vida coreano começou a se espalhar pelo planeta, numa “invasão” que ficou conhecida como Hallyu, a Onda Coreana.

Cultura x Diplomacia

A Hallyu, como vimos com o K-drama, deu seus primeiros passos na China – e também foi lá que o K-Pop ganhou contornos internacionais. Por causa das duras restrições que a China impõe a produtos americanos e europeus, havia um mercado enorme sedento pelo tipo de conteúdo que a Coreia produzia.

O gênero se espalhou pela Ásia. Dessa expansão, surgiu uma nova estratégia de disseminação internacional dos grupos: ter idols não só coreanos, mas de outras nacionalidades, como chineses, tailandeses e japoneses.

Em 2009, com o ritmo já consolidado na Ásia, o K-Pop começou a fazer algum barulho no Ocidente. A versão em inglês do hit “Nobody”, do girlgroup Wondergirl – que também gravou a música em coreano, chinês e japonês – foi a primeira do gênero a entrar no chart musical mais importante dos EUA, o Hot 100 da Billboard. No mesmo ano, grupos como Girls’ Generation, Super Junior, BIGBANG e 2NE1 também angariaram fãs no Ocidente.

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(Doki Rosi/Superinteressante)

Enquanto o pop coreano começava a brilhar do outro lado do mundo, porém, as relações pop-culturais entre Coreia e a China enfraqueciam. Em 2015, a cantora Tzuyu, integrante estrangeira do Twice, provocou uma polêmica tão grande que festivais e canais de TV chineses baniram o grupo, e as autoridades condenaram as ações da cantora. O motivo da confusão? Taiwan.

O governo chinês considera a ilha como parte da China – ainda que ela tenha declarado independência há mais de 70 anos. Qualquer nação (ou pessoa) que se refira a Taiwan como país se indispõe com a China. E o K-Pop com isso? Tzuyu, numa entrevista, declarou que era taiwanesa, e não chinesa, como manda o protocolo. O escândalo foi tanto que ela teve que pedir desculpas públicas.

Em 2016, o governo coreano ficou prensado entre seus dois maiores parceiros econômicos. Os EUA, para onde vão 12% das exportações do país, e cujo apoio militar é essencial para controlar as tensões na fronteira, instalaram um sistema antimísseis na Coreia do Sul, como proteção contra a Coreia do Norte. A China – que absorve 25% das exportações sul-coreanas – se opôs, dizendo que o sistema poderia ocultar tentativas americanas de espionar seu país. Como retaliação, baniu todos os produtos culturais coreanos e impôs profundas sanções ao turismo de chineses por lá, o que custou à Coreia US$ 15 bilhões só em 2017.

O K-Pop teria perdido seu maior mercado, não fossem três letras: BTS. A crise com a China coincidiu com a explosão do idol group no Ocidente. Entre 2018 e 2019, o BTS lançou três álbuns que chegaram ao primeiro lugar da Billboard em menos de 12 meses. O mesmo feito só tinha sido alcançado pelos Beatles – e eles não cantavam em coreano.

Artistas de K-Pop começaram a lotar estádios nos EUA, no Brasil e até na Arábia Saudita. A Coreia ganhou uma visibilidade inédita. Desenhava-se a agenda de soft power coreana.

Agentes políticos

“Desde a Guerra Fria não se via uma expressão cultural tão claramente usada para a geopolítica quanto o K-Pop”, afirma Thiago Mattos, funcionário da embaixada brasileira em Seul e mestre em Políticas Públicas pelo Korean Development Institute. Cidades-natal de idols batizaram bairros com seus nomes. O governo federal criou rotas turísticas baseadas nos locais de filmagem dos clipes de K-Pop, numa campanha chamada “Imagine Your Korea”, que instiga o apego emocional dos fãs: “recrie você mesmo as cenas ou simplesmente aproveite o fato de que seu bias [como é chamado o integrante favorito de uma pessoa em um grupo de K-Pop] já esteve de pé exatamente neste local, respirando o mesmo ar e vendo a mesma vista”, diz o site.

Os resultados são palpáveis: o turismo para a Coreia do Sul triplicou. 90 milhões de pessoas no planeta são filiadas a algum fã-clube relacionado à Hallyu, e o número de estudantes estrangeiros nas universidades coreanas aumentou em 20%. O interesse no idioma nunca foi tão grande, e o governo abriu 130 institutos para ensinar coreano em 50 países. O Brasil é o país que mais fala sobre K-Pop no Twitter depois da Coreia, e o número de turistas brasileiros por lá subiu de 4,8 mil em 2003 a 19,7 mil em 2018.

O uso da figura dos idols também se difundiu na política internacional. Começou com a ex-presidente Park Geun–hye: em uma visita ao Brasil em 2015, por exemplo, ela trouxe em sua comitiva o grupo Shinee e integrantes do grupo F(x), ambos da S.M. Entertainment. “Já existia essa pressão de trazer grupos de K-Pop junto ao presidente. Fazia parte do lema do governo, que era ‘economia criativa’”, explica Yoo Na Kim, fundadora do Centro Cultural Hallyu no Brasil.

Sob a gestão do presidente atual, Moon Jae-in, casos como o da família Trump se repetiram aos montes. Em visita à Indonésia, o presente de casamento do presidente Moon para a filha do presidente Joko Widodo foi uma cópia autografada de um CD do EXO e um vídeo de parabéns de Minho, integrante do grupo Shinee. “Ao mesmo tempo que os idols seguem uma cartilha ‘apolítica’, eles são instrumentalizados de uma maneira extremamente política”, comenta Mattos.

Quando o BTS foi convidado à 73ª Assembleia Geral da ONU, o grupo discursou sobre amor-próprio e aceitação – tema das músicas que fizeram deles a maior boy band do planeta. Para a Coreia, com o quarto maior índice de suicídio do mundo – e onde o assunto é tabu –, foi um jeito de tocar na ferida sem tocar na ferida. “O discurso foi hábil: promoveu o K-Pop, passou uma boa imagem do Estado e dialogou com valores ocidentais sem atiçar o conservadorismo da sociedade coreana”, explica o especialista.

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(Doki Rosi/Superinteressante)

Em 2018, o K-Pop diplomático atingiu o seu ápice. O presidente Moon levou shows de idols para sua reunião com o ditador norte-coreano Kim Jong-Un. O grupo feminino Red Velvet e a cantora Seohyun se apresentaram para oficiais do governo em Pyongyang, um marco nas relações entre os dois países – o K-Pop, vale lembrar, é ilegal na Coreia do Norte. Mas é largamente consumido no mercado clandestino.

É para isso, afinal, que soft power serve: quando você se dá conta, já dominou a mente e o coração de todo mundo – até do inimigo.


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Mercúrio está prestes a protagonizar evento raro, que só se repete em 2032


Na semana que vem, a silhueta do planetinha poderá ser vista atravessando o disco solar — e o Brasil terá visão privilegiada.

Por A. J. Oliveira

(Goddard Space Flight Center/SDO/Genna Duberstein)/NASA)

Poucos fenômenos mostram a mecânica celeste com tanta clareza como os trânsitos planetários. Mais do que isso: eles são uma chance rara de contemplar a olho nu a configuração do Sistema Solar e como nós, terráqueos, estamos inseridos nele. Na próxima segunda-feira, 11 de novembro, os brasileiros terão a oportunidade de acompanhar de camarote um desses eventos — o trânsito de Mercúrio.

Basicamente, isso acontece quando um planeta mais perto do Sol que a Terra (no caso, só Vênus e Mercúrio) passa “em frente” ao disco solar a partir da nossa perspectiva. É que os planetas não giram em torno do Sol perfeitamente alinhados: suas órbitas possuem ligeiras variações de inclinação. Há 7 graus de diferença entre a órbita de Mercúrio e a terrestre, por isso precisamos estar no momento certo (e na hora certa) para visualizar o fenômeno.

É algo relativamente raro: só ocorre quando o planetinha está em dois pontos específicos de sua órbita que coincidem com o plano da órbita da Terra. Só nesses dois momentos, os dois mundos se alinham por uma breve janela de tempo que permite observar o pequeno “eclipse” de Mercúrio transitando pelo disco solar. Tais trânsitos ocorrem nos dias 8 ou 9 de maio, e 10 ou 11 de novembro. Ao todo, vão ser 14 no século 21. Este será o quarto.

O evento ocorre em média uma vez a cada década, mas em breve entraremos em um período de “escassez” — só vai dar as caras novamente em 13 de novembro de 2032. Sua duração será de aproximadamente 5h30 e boa parte do planeta poderá observá-lo, com exceção do centro e do leste da Ásia, Japão, Indonésia e Austrália. No Brasil, todo o país terá visibilidade do fenômeno em sua completude. Se o tempo colaborar, é claro.

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Todo o trânsito é dividido em quatro partes. Começa com o contato I, quando a bordinha direita do disco escuro de Mercúrio toca a bordona esquerda do disco claro do Sol. Dois minutos depois ocorre o contato II, em que o planeta atravessa a borda e começa a transitar efetivamente pelo disco solar. Na metade do caminho há o máximo, ponto mais próximo do centro do Sol. E, por último, os contatos III e IV replicam o processo inicial – só que na ponta oposta.

No horário de Brasília, o contato I começa na manhã da segunda, às 9:35, enquanto o contato II está marcado para às 9:37. O máximo ocorrerá ao 12:35, e os contatos III e IV, às 15:02 e 15:04. Mas antes de pedir permissão ao chefe ou professor e tirar uns minutinhos de folga para contemplar o magnífico fenômeno celeste, lembre-se: é proibido olhar para o Sol sem a proteção adequada. Por isso, vale frisar, a observação não é tão simples assim.

Olhar para a nossa estrela com a visão desprotegida pode causar danos irreversíveis à retina. E tem também a dificuldade imposta pelo tamanho diminuto de Mercúrio. Ao contrário de Vênus, cujos únicos dois trânsitos do século já ocorreram em 2004 e 2012, não se pode ver o planetinha a olho nu. Então só um simples filtro ou óculos para observar eclipses solares não adiantam — é preciso olhar com um bom binóculo ou telescópio.

A ampliação mínima para observar o pontinho preto é de 50 vezes. Se você até tem o instrumento, mas não dispõe de lentes solares, ainda assim dá para ter um gostinho do trânsito. É só pôr um papel sulfite atrás da ocular que a imagem ampliada é projetada na folha. Caso tenha a possibilidade, é sempre uma boa comparecer a eventos de observação de clubes ou grupos de astronomia locais, observatórios, planetários ou universidades.

Não terá como acompanhar o trânsito, ou o tempo nublou na sua cidade? Calma: o Virtual Telescope Project vai transmitir uma live durante toda a duração do fenômeno. Para acompanhar, é só clicar aqui.


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Até preso Lula deu prejuízo aos cofres públicos

Despesas com a manutenção da cela de Lula na PF de Curitiba foram estimadas em R$ 5,7 milhões.

Para quem acha que o ex-presidiário Lula representa um perigo para os cofres públicos agora que está solto, saiba que, mesmo enquanto esteve preso, Luiz Inácio Lula da Silva trouxe prejuízos ao erário público, cujo valor aproximado é de R$ 5,7 milhões.

Os valores foram estimados pela Polícia Federal, em abril, quando requereu à Juíza da 12ª Vara Federal de Curitiba, Carolina Lebbos, a transferência do líder petista para estabelecimento prisional em São Paulo.

No Ofício de requerimento, a PF estimou em cerca de R$ 300 mil mensais as despesas com a manutenção da cela que o ex-presidiário ocupava na Superintendência da PF em Curitiba. Tais valores decorriam de despesas com diárias de policiais, passagens e deslocamentos de pessoal de outras unidades para reforçar a segurança do local.

Calculando-se essas despesas de abril do ano passado até a soltura do ex-presidente petista, ontem (08), os gastos chegam a aproximadamente R$ 5,7 milhões.

A transferência requerida pela PF nunca chegou a se concretizar, pois o Supremo Tribunal Federal, ao analisar a Petição nº 8.312, decidiu que Lula deveria ser mantido na sede da Polícia Federal de Curitiba até o julgamento da Suspeição do ministro de Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, que foi Juiz de primeiro grau no caso do Triplex.

Registra-se que essa prisão diferenciada – e cara – em relação aos demais presos pela Operação Lava Jato se deve ao cargo anteriormente ocupado por Lula, de presidente da República. A cela especial, também chamada Sala de Estado Maior, é um espaço concedido à determinadas autoridades, em razão do cargo que ocupam. Mesmo que o ex-presidiário não ocupasse mais o cargo de chefe de Estado, a condição foi assegurada.


Por Camila Greff

Advogada. Apaixonada pelo direito ambiental. Viciada em política.


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