Mongólia, Espanha, Rússia, Brasil, Tuvalu... Entenda o que realmente significa o nome de cada país.

Texto: Ana Carolina Leonardi | Design: Carol Malavolta | Ilustrações: Leonardo Yorka

Um monte de gente sabe que Venezuela significa “pequena Veneza”, e Japão, “Terra do Sol Nascente”. Mas e México, Egito, Nigéria? Todo nome de país vem de algo palpável. Tipo: Niger, o país africano, vem do Rio Niger, que cruza a Guiné, o Mali, o Niger e a Nigéria.

Mas e o nome do rio, vem de onde, então? Opa: da palavra ger-n-ger, um termo antigo que significa “rio dos rios”. Então Niger é “rio dos rios”, e Nigéria, “terra do rio dos rios”. Ufa. E claro: o sufixo “ia”, de Nigéria, Rússia, Áustria, que vem do latim, significa “terra” – igual o germânico “land” (“solo”), e que virou “lândia” em português. Também tem o o persa “istão”. Significa “assentamento” – e, olha só, vem da mesma raiz que deu origem aos verbos stare, em latim, e stand, em inglês.

Alguns países chamam só o equivalente a “nossa terra”. Outros, algo como “o lugar dos que sabem falar” (caso de Arábia ou Eslováquia). Ou seja: refletem a infância da civilização, quando era possível imaginar que quem falava línguas estranhas estava só balbuciando.

É isso. Agora role a tela e descubra muito mais. Boa viagem.

Europa

Albania = Montanhas

A parte “Alb” do nome tem raízes no protoindoeuropeu, a língua que deu origem à maior parte dos idiomas ocidentais. Quer dizer “montes”, ou “montanhas”. Do mesmo termo, inclusive, deriva a palavra “Alpes”.

Alemanha = Nossa Terra

Deutschland, o nome do país para os alemães, vem do alemão arcaico diutisciu (da gente) adicionado ao sufixo land (terra).

Andorra = Terra dos Arbustos

Do dialeto navarro-aragonês, andurrial é “terra dos arbustos”. Também pode vir do termo árabe al-durra, “a floresta”.

Áustria = Reino do Leste

O império de Carlos Magno (742 – 814) estabeleceu postos militares para evitar invasões do povo eusário conhecido como “Ávaros”. Um dos postos se chamava, justamente, Ostmark, “marca do leste”. A região do posto, portanto, passou a ser o “reino do leste”, Ost Reich, mesmo significado da grafia atual, Österreich. Os povos de língua latina passaram a transcrever o som de Österreich como Austriaca, por pura semelhança sonora. Mais tarde, o nome acabou abreviado para Áustria. Ou seja: o nome do país não tem nada a ver com o termo “austral” (sinônimo de “do sul”). Esse é o caso da Áustrália – estrela da última seção aqui do nosso atlas.

Bélgica = Bélica

O império romano teve uma província na região chamada Gallia Belgica, onde vivia um povo conhecido como Belgae, constantemente em conflito com as populações vizinhas. A própria palavra vem do proto-indoeuropeu bhelgh-, “inchar”. Dessa raíz derivou o protocelta *belg-, “inflar de raiva” e o inglês arcaico belgan, “estar com raiva”. A palavra “bélica”, que usamos aqui, é latina e tem outra origem, mas cai bem para esse país de etimologia esquentadinha.

Bielorrúsia =  Rússia Branca

A raíz bel, de Belarus, ou Bielorrúsia, quer dizer “branco”. O motivo da “brancura” do país não é bem estabelecido – já foi associado aos cabelos ou às vestimentas claras de seus habitantes eslavos. Outro sentido já proposto seria branco como limpo, livre ou não conquistado. Essa teoria diz que, durante a invasão do Império Mongol em todo o território do estado de Rus’ (ver Rússia), a terra de Belarus jamais foi subjugada. Nesse contexto, as regiões seriam chamadas ou de “Rus’ taxada”, dominada pelos mongóis, ou de “Rus’ branca”, ou seja, livre.

Bósnia e Herzegovina = Rio e Terra do Duque   

Bósnia vem do rio Bosna, que quer dizer “água corrente”. Em alemão, “duque” é Herzog. Óvina é “terra” na língua servo-croata. Porque o país tem esse nome composto? É que, no século 15, o príncipe Stjepan Vukčić Kosača, não reconheceu o rei Tomas da Bósnia, e autoproclamou seu território como um ducado independente. Não adiantou muito: pouco tempo depois, tanto Stjepan quanto Tomas tiveram as terras dominadas pelo Império Otomano. Fuén. Mas o nome ficou.

Bulgária = Agitadores

Vem da tribo dos bulgars (ou protobúlgaros), e a raiz seria o termo bulğha, que significa “misturar” ou “agitar”. A dúvida dos pesquisadores é se ela significa “miscigenar”, dando o sentido de “povo mestiço”, ou então de “agitação, perturbação”, fazendo dos bulgars o “povo desordeiro”.

Croácia = Família das Lagoas

O nome original é Hrvatska. Ska é algo como “família”. Sobre o Hrvat , a origem é polêmica. Alguns pesquisadores defendem que vem do iraniano Harahvait, que quer dizer “aquele que se derrama em lagoas”. No século 19, linguistas defendiam uma conexão com o termo protogermânico hruvat (“chifre”), com o sentido de “guerreiros de armaduras pontudas”. Aqui, ficamos com o “lagoas” mesmo.

Dinamarca = Floresta Plana

Vem da raiz, den, termo proto-indoeuropeu para “terra plana”, somada a mǫrk, que significa algo como “floresta fronteiriça”. Na mitologia dinamarquesa, o nome vem do rei lendário Dan, cuja história é contada nos poemas escandinavos medievais. Mas é provável que a história tenha surgido porque o país já chamava algo como denmǫrk, e que evoluiria para a forma moderna: Danmark.  

Escócia = Terra da Multidão          

Vem de scoti, o termo latino usado pelos romanos para designar o povo gaélico que invadia as terras britânicas sob o domínio de Roma. É possível que o termo tenha derivado sgaothaich – “horda” ou “multidão” em gaélico.

Eslováquia = Terra Dos Que Falam

Vem dos eslavos (slavs). E slav vem de slovo, que quer dizer, veja só, “palavra”. Os eslavos, então, eram “o povo que falava” – mais especificamente, que falava a mesma língua. O termo antigo usado para “estrangeiro” está no mesmo contexto: němci, literalmente “os mudos”, ou “que murmuram”. De slovo, aliás, deriva slava, que quer dizer fama ou glória. Alguém famoso, afinal, é alguém sobre o qual as pessoas falam.

Eslovênia = Terra Dos Que Falam 

Também vem dos eslavos (ver Eslováquia)

Espanha = Terra dos Coelhos

A interpretação mais tradicional é que Hispania seja um termo cunhado pelos fenícios, vindo de I-saphan-im, “costa dos coelhos”. Outra possibilidade é que tenha simplesmente derivado da palavra sphan (“norte” no idioma fenício). Faz sentido, já que a Espanha ficava ao norte da antiga cidade de Cartago (que antes de ser destruída pelos romanos ficava na atual Tunísia). E Cartago era uma fenícia.

Estonia = Terra do Leste

É a terra (ia) do Eest, termo proto-germânico para “leste”, já que os estonianos viviam à leste das terras alemãs. O nome que o povo da Estônia dá a si mesmo é Maarahvas, “gente do solo”.

Finlândia = Terra

É a “terra dos finns”, mas a origem de finn é difícil de cravar. Uma hipótese é que o nome do povo tenha a ver com fennia, termo germânico para “terra de pântanos”. O finlandês, porém, não é uma língua germânica – nem do proto-indoeuropeu o idioma veio. Na língua local, que é por si só um fóssil etimológico, o lugar conhecido como Finlândia chama Süomi. E esse termo pode ter relação com o protobáltico źemē, ou “terra”.

França = Terra dos Ferozes

Vem dos francos, o povo germânico que tomou o território das mãos dos romanos no século 5, com a queda Império. Significa “ferocidade” ou “coragem”. Depois que eles conquistaram a região, “franco” ganhou também o sentido de homem livre, em oposição aos servos ou escravos.

Grécia = Filhos de Heleno 

Os romanos chamavam a região de Graecia, graças ao povo que vivia no noroeste grego, os Graikoi – possivelmente um grupo que se considerava descendente de Greacus, filho de Zeus na mitologia. Em grego, o país tem outro nome. Chama-se Hellas, a “terra dos descendentes de Heleno” – outro personagem da mitologia grega (ou helênica, como queira).

Holanda = Terra da Madeira         

Holt = madeira, land = terra. Já Nederlanden, o nome oficial do país, quer dizer “terras baixas” – ou “países baixos” mesmo, como todo mundo aprendeu.

Hungria = Dez Flechas

Vem de Ungri, a versão latina de On-Ogur, nome de uma aliança tribal que significa “dez flechas”, nome simbólico para as dez tribos que teriam se unido. Já os húngaros chamam seu país de Madgyar-Orzag, Nação dos Magiares – a etnia dominante por lá.

Inglaterra = Canal Estreito

Os anglos, que dominaram a Grã-Bretanha junto com os saxões dão o nome ao país principal do Reino Unido (Engle+land = England). O nome possivelmente se originou na terra de onde os anglos migraram, a Anglia, atual território da fronteira da Alemanha com a Dinamarca. A raiz da palavra seria angh, estreito, por conta dos canais de água ao redor da península da Anglia. Por coincidência, a terra que os anglos adotaram também é separada do continente por um canal estreito de água (o Canal da Mancha, claro).

Irlanda = Terra da Fartura

Eireland, Terra de Eire, vem de Ériu, deusa da fertilidade e fartura dos celtas. O nome dela é derivado do termo protoindoeuropeu para “gorda” – no sentido de “abundância”. Mas pode chamar de “gordolândia” se sua criança interior insistir.

Islândia = Terra do gelo     

Da raíz íss, que quer dizer gelo – e que tem um ancestral linguístico comum com ice, do inglês contemporâneo. De acordo com as lendas nórdicas, a ilha foi descoberta por um viking do século 8 chamado Naddod (só Naddod mesmo, sem sobrenome), que teria trombado por acidente ali, e que batizou o lugar de Snæland (Terra da Neve). Mas a colonização só começaria no século seguinte, com o viking Hrafna-Flóki Vilgerðarson, que teria se maravilhado com o lugar a over a Islândia ficar verdinha no verão. A história é dramatizada na série Vikings, do History Channel.

Itália = Terra dos Bezerros

A Itália como estado unificado foi fundada em 1861, mas o nome já era usada para partes da península desde o século 5 a.C. A teoria mais aceita é que o nome derive da expressão víteliú – “Terra dos Bezerros” em oscano, um idioma ancestral da península – a palavra “vitela”, você sabe, segue viva com o significado de “carne de bezerro”.

Kosovo = Campo dos Pássaros

Vem do sérvio kosovo polje, que quer dizer “campo dos melros”. Melros são pássaros pretos comuns na região – em inglês, são chamados de “blackbirds”, sendo, portanto, a espécie que dá nome à canção Blackbird, dos Beatles.

Letônia = Rio

A raíz let ou liet é associada a rios da região báltica (ver Lituânia)

Liechtenstein = Pedra brilhante

Do alemão stein = pedra, licht = luz.

Lituânia = Rio          

Pode ter vindo do rio Lietava, do termo lituano lieti, derramar.

Luxemburgo = Pequena Fortaleza

Vem de Lucilin (pequeno) + burugh (castelo).

Macedônia = Terra das Pessoas Altas

O nome vem do grego makos, similar à makro (grande), que quer dizer “longo”. Era uma referência à grande estatura dos macedônios (literalmente, povo alto).

Malta = Mel

Há duas origens possíveis, ou do grego meli, “mel” e melitta, “abelha”, ou do fenício maleth, refúgio.

Moldávia = Rio de Lama      

Vem do rio Molda, cuja origem seria mulda, poeira ou lama.

Mônaco = Templo Único     

Vem de Monoikos: “templo de um só deus”, em grego.

Montenegro = Monte Negro

Os venezianos teriam batizado a região como “montanha escura” por conta das árvores de madeira escura que revestem o monte Lovćen, perto do Mar Adriático.

Noruega = Caminho do Norte        

Dos termos nórdicos norðr e vegr, “o caminho do norte”.

País de Gales  = País dos Compatriotas

Vem de Waelas, “estrangeiros” para os saxões, povo germânico que, junto com os anglos, dominaram a Grã-Bretanha a partir do século 5. Mas esse é o nome que os invasores deram. Os próprios galeses, que já estavam lá antes e têm raízes celtas, se chamavam de Cymry, “compatriotas”.

Polônia = Campo

Os poloneses chamam a si memos de pols, e ao seu país, de Polska – “família dos pols”. O nome vem da tribo do protoeslavo pole – “campo” ou “planície”.

Portugal = Porto-Porto

Vem da junção de Portus Cale. Portus era latim para porto. E Cale era um povoado no norte de Portugal onde fica hoje a Vila Nova de Gaia (vizinha da cidade do Porto). O nome parece vir dos celtas – talvez de uma das divindades deles, Cailleach – mas que, no dia a dia, era sinônimo de abrigo, ancoradouro ou… porto. Ironicamente, isso faz com que a palavra Portugal signifique “porto-porto”.

República Tcheca = República do Čech

A mitologia do povo tcheco diz que Čech foi o líder que levou seu povo a migrar para a região da Boemia na Europa central – mas o significado original do nome é desconhecido hoje.

Romênia = Romanolândia  

O povo romeno viria da assimilação do povo dácio e trácio pelos romanos – motivo pelo qual eles derivam seu nome de “romanos”.

Rússia = Remadores

Vem do povo Rus’, que chegou a comandar um território que ia do Mar Branco ao Mar Negro, até ser desmantelado pelos mongóis no século 13. Os bizantinos chamam a região de Rossiya, terra dos Rus’. Os antepassados dos Rus’ eram escandinavos que viajaram para o sul, e seu nome vem da raiz nórdica antiga rods, “remo” ou “remadores”. Gradualmente, os nórdicos de Rus’ assimilaram a população eslava local.

Na época da União Soviética, porém, as origens nórdicas da Rússia eram vistas com maus olhos. Nessa época, os acadêmicos soviéticos criaram pseudoetimologias alternativas, chamadas de “Anti-Normanistas”. Daí nasce a lenda de que Rússia quer dizer “ruivo” – é uma tentativa de atribuir a origem do nome aos eslavos, que chamam os ruivos de “ryzhiy”. A maior ironia? Os únicos ruivos da região eram os descendentes dos escandinavos.

Sérvia = Terra dos Homens

A tese mais aceita é que seja a junção de ser (“homem”) com bi, um sufixo de plural.

Suécia = Reino da Família  

O nome em sueco é Sverige. Rige quer dizer reino, e Svear é o nome do povo, cuja raíz proto-indoeuropeia é suo ou swe, “os parentes de alguém” – ou seja, família.

Suíça = Queimadas 

A Suíça já foi a Confederação Suíça de estados independentes conhecidos como cantões. Um dos principais cantões era Schwyz, de onde deriva Schweiz, como os suíços chamam o país. A raíz de Schwyz vem do alemão arcaico suedan ou do celta sveit. Ambos querem dizer “queimar”, uma referência à prática dos primeiros habitantes de tocar fogo aos bosques para abrir espaço para vilarejos e campos de cultivo.

Ucrânia = Fronteira

Por muito tempo, foi conhecida como Malo Rossiya, ou Rússia Pequena. Mas Ucrânia, em si, vem de krai, que quer dizer “terras próximas à fronteira”.

América do Norte, América Central e Caribe

América do Norte

Alasca = Grandelândia

Não é país, claro, mas entra como bônus aqui, já que é bem grandinho no mapa-múndi. Alasca vem de Alakchak, nome usado pelos nativos para chamar a gigantesca península – que quer dizer, sem grande criatividade, Terra Grande. Os russos é que espalharam o nome, primeiro adaptado para Aliaska.

Canadá= Aldeia

Num clássico mal-entendido da colonização, a história de origem tida como oficial é de que o explorador francês Jacques Cartier, pedindo indicação de direções aos nativos, ouviu que deveria seguir até kanata – que nada mais quer dizer do que vilarejo, ou conjunto de cabanas. Era o século 16, e o povoado em questão ficava na atual cidade do Québec, mas era só mais um assentamento – Cartier é que passou a chamar assim o território todo. 330 anos depois, o país adotou oficialmente o título derivado de kanata.

Estados Unidos = Confederação de Américo Vespúcio

Os EUA, no início, eram isso mesmo: estados vizinhos que, cada um com a sua identidade e interesses, se juntaram para declarar independência da Inglaterra. Por estarem no continente americano, adotaram a homenagem a Vespúcio. E aí cresceram e se multiplicaram: em 1776, na independência, eram 13 estados. Hoje, você sabe, são 50 unidade federativas.

Groenlândia = Verdelândia

A tradição nórdica atribui o batismo da maior ilha do mundo a Erik Thorvaldsson, um explorador viking do século 10 que teria sido exilado da Islândia por assassinato. Erik decidiu explorar as terras geladas e distantes, até encontrar uma região desabitada e cheia de bosques – no extremo sul da ilha que Trump hoje quer comprar – , que batizou de Terra Verde, para onde teria atraído cerca de mil colonos. A ideia de que o nome foi uma “jogada de marketing” do viking, já que as terras glaciais de lá não são tão verdes assim, é lenda urbana. O sul da Groenlândia tem uma vegetação bem verdinha no verão. E, sim, a Groenlândia não é exatamente um país, mas uma região autônoma, com governo próprio, que pertence à Dinamarca. Nota: regiões que fazem parte de outros países não entram neste atlas – tratamos a Groenlândia como exceção, porque, tal como o Alasca (que nem autônomo é) ocupa uma área gloriosamente grande no mapa – ainda que haja muita distorção aí, como você pode ver aqui.

México = Umbigo da Lua

A origem é incerta. Mas pode vir da junção das palavras astecas mētztli (Lua) e xīctli (umbigo, no sentido de “centro”). O “Lua” viria do apelido do lago Texcoco – “Lago da Lua” para os nativios. O centro do tal lago, que não existe mais, era a cidade de Tenochtitlán, a ilha lacustre que fazia o papel de capital dos astecas.

América Central e Caribe

Antígua e Barbuda = Figueira e Nossa Senhora

Cristóvão Colombo batizou Antígua em homenagem a uma igreja de Sevilla que cultua Nuestra Senhora de la Antígua. A origem do título seria o fato de que Maria mãe de Jesus cumpriu as profecias do Antigo Testamento. Em todo caso, Virgem Maria de La Antígua é a padroeira do Panamá. E Barburda é uma figueira – a Ficus barbata.

Bahamas = Maré baixa

Vem de baja mar. “Maré baixa” em espanhol.

Barbados = Figueira

Olha a Figus barbata aí de novo. O nome do país não tem nada a ver com barba de gente, e sim com a aparência do tronco dessa espécie de figueira, vista por lá pelos conquistadores.

Belize = Águas Barrentas

Vem do nome do rio Belize, que corta a região, e foi documentado em 1677 como Rio Balis – a origem seria a palavra Balix, que no dialeto maia, significa “águas cobertas de lodo”.

Bermudas = Bermudelândia

Terra de Juan Bermúdez, navegador espanhol cuja grande realização na vida foi achar o arquipélago de 150 ilhas em 1522.

(Ilhas) Cayman = Ilhas Crocodilo

O explorador e pirata Frances Drake decidiu chamar as ilhas de “cayman” em 1586. A palavra significa “crocodilo” em taino, o idioma nativo.

Costa Rica = Costa Rica

Sim, o nome é auto-explicativo, mas tem duas origens possíveis, ambas com cara de mito. A primeira é que Colombo, descobridor da região, teria se impressionado com os adornos que os nativos usavam. A segunda remete ao sonho dos exploradores espanhois, já instalados no Panamá, de encontrar na costa do Atlântico incríveis minas de ouro. Elas tinham até nome lendário: El Tisingal, que ficaria justamente na região onde hoje é a Costa Rica, mas ninguém nunca encontrou as tais minas.

Cuba = Lugar Central

Ou vem de cubanacan, que quer dizer “lugar central” no idoma taino, ou de ciba – “gruta”, na língua siboney.

Dominica = Domingueira

Simples. É que a ilha foi descoberta por Cristóvão Colombo em um domingo (3 de novembro) de 1493.

El Salvador = Jesus Cristo

Chamada pelos nativos de Cuzcatlán (“Cidade de riquezas”), a colônia espanhola foi batizada de “Provincia De Nuestro Señor Jesus Cristo, El Salvador Del Mundo”. Mais tarde, abreviaram.

Granada = Granada Americana Trata-se de uma homenagem à cidade de Granada, na Andaluzia. Os espanhóis acharam as montanhas verdes parecidas. Granada na Espanha significa terra de romãs, mas o batismo da ilha não tem nada a ver com romãs, logicamente.

Guatemala = Montão de Árvores

Vem do termo quauhtemallan, de origem asteca, que já designava a região antes da chegada dos espanhóis, e quer dizer “lugar repleto de árvores”.

Haiti = Terra Montanhosa

Haiti vem do nome aruaque ayti, que quer dizer “Terra montanhosa”, e era o título dado aos nativos para toda a ilha que hoje se divide em Haiti e República Dominicana.

Honduras = Profundezas

Honduras quer dizer “funduras”, em espanhol – águas profundas que os marinheiros procuravam para se aproximar ao máximo da costa sem encalhar.

Jamaica = Manancial

Vem de xaymaca, que em aruaque quer dizer terra de bosques e agua, ou terra dos mananciais.

Nicarágua = Lago do Cacique

A tribo nativa da região ficou conhecida como Nicarao – possivelmente graças ao cacique da tribo, que tinha o mesmo nome, e liderava o povo quando o explorador espanhol Gonzálvez Dávila conheceu a região. A parte “Água” do nome vem do língua espanhola, mesmo: os nicaraos viviam perto de um grande lago (hoje, Lago Nicarágua, a “água dos nicaraos”).

Panamá = Longe, Bem Longe

Foi o nome da primeira cidade espanhola fundada no Pacífico. A teoria mais aceita pelos linguistas panamenhos é de que o nome seja uma corruptela do termo bannaba, que no idioma do povo Kuna quer dizer “muito distante”. Uma lenda bem humorada diz que quando os exploradores espanhois vinham perguntar onde é que ficavam as minas de ouro, os nativos respondiam “bannaba, bannaba…”

Porto Rico = Porto Rico

Originalmente, Ilha de São João Batista. Teve a capital portuária chamada de porto rico na esperança que tivesse riquezas minerais (vide Costa Rica).

República Dominicana = República da Ordem dos Dominicanos

Durante a colonização (primeiro espanhola, depois francesa) da ilha que o país divide com o Haiti, a maior cidade do lugar era Santo Domingo, em homenagem ao santo patrono dos dominicanos, os evangelizadores que fizeram a mesma função lá que os jesuítas no Brasil. Quando o território insular se separou em dois países, a porção oriental, de maioria católica, adotou o nome da capital, se tornando a República Dominicana.

Trinidad e Tobago = Santíssima Trindade e Tabaco

Como a maioria dos nomes dados por Colombo, Trinidad é uma ilha batizada com nome religioso: a Santíssima Trindade, entre Deus, Jesus e o Espírito Santo. Sua ilha irmã, Tobago, tem um nome mais curioso. Vem da madeira de tabaga, que era usava pra fazer cachimbo, onde, veja só, fuma-se tabaco – e o nome da madeira deu origem ao da planta fumável. Nota: no idioma nativo, o vegetal com nicotina era chamado de cohiba – daí o nome daquela marca famosa de charutos cubano.

América do Sul

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(Leonardo Yorka/Superinteressante)

Argentina = Terra do Prata

Argentina é adjetivo. A palavra vem do latim Argentum (prata). Mas a ideia nunca foi chamar o país inteiro de Terra da Prata – a história começa com o rio principal que cruza o país. Ali, os exploradores europeus sonhavam em encontrar minerais preciosos, e ele acabou batizado de Rio da Prata. A palavra argentino foi usada pela primeira vez para descrever as pessoas que viviam perto do rio. O primeiro nome oficial da Argentina foi “Províncias Unidas do Rio da Prata” – e, hoje, em República Argentina, o termo principal ainda é adjetivo: “República do Prata”.

Bolívia = República (mais ou menos) de Simón Bolívar

O fundador do país, General Antonio José de Sucre, queria pedir a independência da região, mas não queria ofender o revolucionário Simón Bolívar, que era contra a fragmentação dos territórios sul-americanos. Propôs então que a nova região independente ganhasse o nome dele: “República Bolívar”. O apelo para o ego deu certo e ganhou o apelo de Bolívar – mas poucos meses depois da independência da região, ele mudou de ideia e pediu que o novo país não tivesse exatamente o seu nome (ele, afinal, era a figura política mais importante de todos os outros países da costa). Nascia a Bolívia.

Brasil = Vermelho-fogo

A hipótese mais aceita é de que o batismo tenha, sim, a ver com o pau-brasil. Tinturas vermelhas produzidas a partir de árvores já eram bastante comuns ao redor do mundo. O termo “brasil”, portanto, já existia nesse contexto, vindo do francês brésil – usado para tinturas vermelhas com cor de brasa (que por sua vez vêm do latim brasile). Em última instância, todos os termos designam pigmentos.

Chile = Limite do Mundo

Há pelo menos 3 hipóteses para a origem do nome: um pássaro da região, chamado de Trile pelos aborígenes mapuches; o nome de um cacique que dominava a região antes dos incas; por último, o termo tili ou chili, que os índio aimarás usaram para batizar o Vale do Aconcágua, e quer dizer “lugar onde a terra termina”, uma espécie de fim do mundo. Fato é que na sua primeira viagem ao sul do Peru, o explorador Diego de Almagro conheceu homens que se descreviam como “os homens de Chile”, e o nome pegou.

Colômbia = Terra de Colombo

Bolívar ataca novamente: quando o Libertador fundou um país que contemplava a área dos atuais Venezuela, Colômbia, Equador e Panamá, quis reparar uma injustiça histórica. Ele não achava nada legal que o continente tivesse sido batizado em homenagem a Vespúcio, e não a Colombo. Fez a sua parte chamando o país de Grande Colômbia. Quando Venezuela e Equador se separaram do território conjunto, o país que restou foi chamado de República de Nova Granada (nome da colônia espanhola ali fundada anos antes), mas o nome proposto por Bolívar foi retomado em 1886.

Equador = Equalizador

Sim, o nome vem da Linha do Equador – que tem esse nome por “equalizar” o mundo, dividindo-o em duas partes iguais. Mas porque só o Equador tem esse nome se a linha cruza uma boa dúzia de territórios? Bom, a academia de Paris enviou a Quito, então uma colônia espanhola, um grupo de cientistas que queria medir o arco meridiano terrestre. Era a única cidade da época, cruzada pela linha, que realmente tinha contato civilizado com a Europa. Dessa aventura científica, a região herdou o nome de “Terras do Equador”.

Guiana e Guiana Francesa = Terra Rodeada de Água

Os inúmeros rios, riachos e o litoral da região facilitam essa: as Guianas foram batizadas com o termo usado pelos nativos para designar terras rodeadas por água. Até pouco tempo atrás, vale lembrar, o Suriname também era uma Guiana, a Holandesa (vide Suriname).

Venezuela = Pequena Veneza

Quando Alonso de Ojeda passou pela Venezuela em 1499, lembrou da cidade italiana por causa das casas onde vivam os indígenas, que ficavam na beira da água – ou, em alguns casos, no meio do rio, erguidas em palafitas – formando uma espécie de cidade alagada similar à europeia.

Paraguai = Rio dos Marinheiros

O nome do país é, simplesmente, o nome do Rio Paraguai. Já para a origem do termo Paraguai, duas teorias principais existem: a primeira, de que é um ligação direta com um termo do idioma guarani. paraguá, que quer dizer marinheiro, somado a “i” ou “u”, água ou rio. A segunda aposta que seria uma corruptela de payaguá, nome de uma das tribos que viviam na região. Nesse caso, o significado seria “pessoas nascidas ao redor do Rio”.

Peru = Birúlândia

No ano 1515, exploradores espanhóis ainda não conheciam o sul da América Latina. Alguns dos exploradores pioneiros que foram ao Sul do Panamá voltaram contanto histórias de um grande cacique chamado Berú, ou Birú. A teoria mais aceita é que a corruptela desse termo deu origem ao nome Peru – mas todos os documentos deixam claro que esse não era o nome que os próprios nativos davam à terra, e sim um apelido adotado pelos colonizadores.

Suriname = Terra dos Surinen

A antiga Guiana Holandesa só ganhou o nome atual em 1975, depois de conquistar a independência da Holanda. O novo título homenageia a tribo mais antiga a habitar a molhada região, o povo surinen. O significado original de surinen, porém, foi perdido.

Uruguai = Rio dos Caracóis

O ípsilon de Uruguay é igual o do Paraguay: quer dizer “rio”, em guarani. Já o resto do nome é disputado: uruguá quer dizer caracol, mas uru é um pássaro bonito e comum na região, e gua quer dizer algo como habitat, por isso a tradução “Rio dos Pássaros” às vezes é preferida a “Rio dos Caracóis”. A polêmica continua.

África

África do Sul = Terra Sem Frio do Sul       

O termo Africa teria sido popularizado pelos romanos, que chamavam de “Terra dos Afri” tudo aquilo que ficava ao sul da cidade de Cartago na Antiguidade. Mas não existem consenso: há também a teoria de que a origem seria o grego A-frikke, ou seja, “sem frio”. Outros historiadores veem relações com o termo fenício afar (poeira), ou a palavra berbere ifri, que quer dizer caverna.

Argélia = As Ilhas

A cidade fortificada de Argel foi batizada como Al-jaza´ir, título inspirado nas ilhas próximas ao país. Os espanhois adaptaram o nome para “Alger” e os portugueses inverteram as segunda e a última letras. Com o passar dos anos o país todos ficou conhecido como Argélia (ou Algeria; a troca de letras permanece).

Angola = Soberano  

Os portugueses chamaram o território pelo nome mais importante que ouviram: Ngola, que era o título dado pelos ndongos ao seu líder, equivalente a “rei”.

Benin = Terra do Aborrecimento e da Irritação       

Antes conhecido como Daomé, Benin ganhou nome novo após a independência em 1975. O nome é uma homenagem ao antigo reino africado, cuja sede era a atual cidade de Benin (que fica na Nigéria). A palavra “Benin” é criação dos portugueses, corruptela de “Ubinu” – esse, sim, o nome original de uma cidade do Reino de Benim. A tradição diz que um dos herdeiros do rei visitou a cidade a contragosto e, com raiva, chamou a região de Ile Ibinu, que quer dizer terra de aborrecimento e irritação.

Botsuana = Tsuanalândia

Os tsuanas são o grupo étnico majoritário no território, e “Botsuana” significa povo tsuana ou terra dos tsuanas. Originalmente, eles não usavam esse nome para se referir a si mesmos – eram chamados assim por um povo vizinho, os Xhosa, e o significado do apelido é desconhecido.

Burkina Faso = Pátria da Dignidade

A palavra burkina quer dizer “dignidade” ou “integridade”, e fasso é “terra paterna” – ou seja, pátria.

Burundi = Rundilândia      

No idioma Kirundi, quer dizer “país do povo Rundi” – mais uma etimologia perdida sob a poeira do tempo

Camarões = Camarões        

O nome é gastronômico mesmo – exploradores portugueses teriam encontrado, em 1472, uma concentração enorme de um certo tipo de crustáceo de estuário, onde a água doce e a salgada se misturam: o camarão de mangue, que no Brasil atende pelo apelido de “corrupto”. Eles batizaram o atual Rio Wouri de Rio dos Camarões – e o título acabou aplicado para o país como um todo.

Cabo Verde = Ilha Verde

Cabo é uma península estreita, que se estende para o mar a partir do continente. O Cabo Verde é uma ilha – não um cabo. Os portugueses já conheciam uma península no Senegal que batizaram de Cabo Verde (hoje Cap-Vert), e aí replicaram o nome para as ilhas que eram usadas estrategicamente durante o tráfico de escravos para a América.

República Centro-Africana = República Centro-Africana

Autoexplicativo.

Chade = Lago

O lago Chade, próximo à capital do país, deu nome à nação inteira. Chade quer dizer “Grande extensão de água” no dialeto nilo-saariano, segundo o linguista Edgardo Otero (ergo Lago Chade = “Lago Grande Lago”).

Comores = Lua

O nome hoje se refere apenas às ilhas menores vizinhas de Madagascar, mas já foi usado para batizar todo o território insular. Ele vem do árabe kamar, ou kumr, e quer dizer lua.

Congo = Montanhas

O rio principal da região é o Congo, derivado do termo bantu para “montanhas”. O nome do rio também batizou diversos reinos e grupos étnicos da região. Uma segunda hipótese levanta a possibilidade da raiz de kongo ser a palavra n’kongo, que quer dizer caçador.

(República Democrática do) Congo = Montanhas

Vide Congo

Costa do Marfim = Costa do Marfim         

O nome, dado à região por exploradores franceses e portugueses, era diretamente ligado ao produto comercial mais importante dali: o marfim, proveniente do comércio de presas de elefante.

Djibuti = Plana/Derrota da Ogra  

Duas origens são preferidas para o nome do território – uma legal e uma chata (quer dizer, mais pé no chão). A chata é que a palavra viria de gabouti, na língua afar, que quer dizer “plano”. A segunda, menos geográfica e mais lendária, tem origem na mitologia do povo nômade que vivia na região. O mito começa com um troll fêmea, uma mulher ogra chamada Buti, que trazia morte, discórdia e maus agouros. As terras de Djibuti, diz a lenda, foram onde a Buti finalmente foi vencida – Djibuti, portanto, significaria “a derrota da ogra Buti”.

Egito = Templo da Alma de Ptá

Derivada de hūt-kā-ptah, “Templo (hut) da Alma (ka) do Deus Ptá”, marido da deusa Sekhmet na mitologia. Em grego, foi simplificado para Gea Ptah, “Terra de Ptah”, e daí virou Aegyptos.

Guiné Equatorial = Terra Equatorial dos negros

Outro adendo para diferenciar o país das outras Guinés. É a Guiné mais próxima do Equador, mas nenhuma parte do seu território é tocada pela linha equalizadora.

Eritréia = Mar Vermelho    

O mar mais famoso da Bíblia é vizinho do país e empresta seu nome – Eritréia vem do nome latino do mar, Mare Erythraeum, que por sua vez vem do grego antigo (erythros = vermelho).

Etiópia = Terra dos Bronzeados

Do grego aithiops, quer dizer literalmente “Terra dos Faces Enegrecidas pelo Sol”.

Gabão = Sobretudo 

Sabe aquela roupa que você usa pra se proteger do frio? Pois é: os marinheiros portugueses sentiam que a costa do país protegia seus barcos da mesma maneira, por isso chamaram a costa de Gabão, ou “baita casaco”.

Gâmbia = Rio

O estreitíssimo país acompanha seu rio principal até hoje, e dele tira seu nome. Ainda que o agitado comércio facilitado pelo rio tenha levado alguns historiadores a acreditar que “Gâmbia” vem do português “câmbio”, é mais provável que a palavra derive de kambaa, que queria dizer rio no idioma nativo do povo mandinga.

Gana = Guerreiro-chefe      

Como Benin, a Gana escolheu o nome de um império antigo para batizar o país após a independência. O reino em questão era Wagadou, que ficava na região atual de Mali. Ele ficou erroneamente conhecido como Gana porque era assim que seus generais de guerra eram conhecidos (ver Angola).

Guiné  = Terra dos negros 

Exploradores portugueses ouviram de mercadores marroquinos que existia ao sul um terra rica chamada Guineua, habitada por homens negros (que os portugueses chamaram de guineus). O reino não existia, mas pode ter sido inspirada pela cidade comercial de Djenné, na região atual de Mali. Outra vertente afirma que “Guiné” é a versão aportuguesada do termo berbere aginau, “aquele que fala uma língua incompreensível” ou do também berbebre Akal-n-Iguinawen, terra dos homens negros. Esta aí uma etimologia difícil.

Guiné-Bissau = Terra dos íntegros

“Bissau” é o nome da capital, e foi adicionado para diferenciar o país da Guiné vizinha. Não se sabe a origem de “Bissau””, mas pode estar relacionada a etnia dos Bijagós, habitantes do país e do arquipélago vizinho. Bijagó, segundo o autor Álvaro Nóbrega, viria da junção de Be e odjogo, significando pessoas inteiras ou íntegras.

Quênia = Montanha listrada          

Diferentes culturas viviam perto do monte Quênia, que empresta o nome ao país. Todas o chamavam de algo parecido com “montanha com listras”. O monte tinha grande importância simbólica: era onde habitava o deus dos quicuios, Mwene Nyaga. Similar,portanto, ao monte Olimpo dos gregos.

Lesoto = Sotolândia 

O país encapsulado pela África do Sul quer dizer “Terra dos Sotos” (um nome cujo significado original se perdeu).

Liberia = Livrelândia

Libéria vem de liberdade mesmo – o país foi fundado como assentamento de escravos libertos nos EUA que toparam retornar ao continente africano. O sufixo “ia” completa o significado: Terra dos Livres.

Líbia = Terra à Oeste/dos Libus    

Os gregos antigos já chamavam todo o Norte da África a oeste do Egito de Libúē – possivelmente porque os egípcios chamavam de “Libus” os membros de tribos berberes que se aproximavam do Nilo – o significado original dessa palavra foi perdido.

Madagascar = Trono do Xá

A culpa é do explorador Marco Polo: ele registrou em suas notas um nome que ouviu de nativos perto da costa como se fosse o nome da ilha. Estava mal informado: eles se referiam a uma grande cidade portuária da Somália, que existe até hoje: Mogadishu. Sua fundação teve uma particiação importante de árabes e persas – motivo pelo qual pesquisadores acreditam que o nome seria derivado da frase maqad shah, “o assento do xá”, ou o “trono do rei”.

Malauí = Reflexo brilhante

Vem de malavi, que no idioma local quer dizer “luz refletida”, ou “neblina brilhante”– efeito visto no início do dia, quando o sol ilumina a superfície do grande lago da região, o Niassa.

Mauritania = Terra dos Negros     

Mauritânia é “Terra dos Mouros”. “Mouro” já foi usado como sinônimo de “árabe” – durante a ocupação islâmica na Península Ibérica, no século 8. O termo “mouro”, porém, é mais antigo. A origem exata é desconhecida. Mas o fato é que a palavra se espalhou em grego antigo – os helênicos chamavam habitantes negros do norte da África de maurós. Da mesma palavra, amaurós, termo em grego moderno que quer dizer “escuro”.

Mali = Hipopótamo 

O país assumiu o nome do antigo Império Mali – o termo, originalmente, significaria “hipopótamo” no idioma madinka, mas como um elogio, como conotação da força do império.

Marrocos = Reino do Poente

Os espanhóis traduziram a cidade de Marrakesh para “Marruecos” – e o nome passou a designar o país todo. Os marroquinos chamam o país de al-Mamlakah al-Maghribiyah, Reino do Poente (al-maġhrib, que deu origem a Magreb, quer dizer “onde o sol se põe”. É, dessa maneira, o oposto do Japão.

Moçambique = Moisés, o sultão comerciante       

O nome foi primeiro dado à ilha e depois ao país. A origem mais aceita é o nome do comerciante árabe que dominava o território quando os portugueses o conheceram: Mussa Bin Bique. Mussa é o nome islâmico equivalente ao Moisés judeu.

Namíbia = Vasto vazio

Vem de namib, “grane vazio” no idioma Khoekhoe. O tal do vazio é o próprio deserto da Namíbia – que nem é tão vasto assim – um pouco menos que Pernambuco.

Níger = Rio dos Rios

Vem do rio que corta Guiné, Mali, Níger e Nigéria – e, em diversas línguas locais, quer dizer “grande rio” – o termo mais antigo talvez seja o de origem berbere, ger-n-ger, rio dos rios ou rio entre rios.

Nigéria = Terra do Rio dos Rios      

Vide Niger

Ruanda = Grande Domínio

No idioma Kinyarwanda, o significado mais aceito para Ruanda é “domínio”, ou “grande área ocupada por um enxame”. Pode ter relação com o termo kwanda (expandir).

São Tomé e Príncipe = 21 de dezembro e João II

A Ilha de São Tomé foi descoberta no dia da celebração do santo, 21 de dezembro. E o príncipe de Portugal à época de descoberta da ilha vizinha era João II, apelidado de “Príncipe Perfeito”.

Senegal = Canoa      

Há três hipóteses sobre a origem do nome, que primeiro foi dado ao rio Senegal. No idioma uolofe, senyu gal significa “nossas canoas”. Mas gal quer dizer corpo d’água, e Rog Sene era um divindade de uma tribo local, junção equivalente a “Rio Divino”. Por último, a origem menos empolgante é que o nome venha de um povo berbere que vivia ali perto, os Zenaga.

Seychelles = Ilha do Ministro das Finanças          

Corneille Nicholas Morphey, comandante da Companhia Francesa das Índias Orientais, tomou posse do arquipélago e batizou-a para puxar o saco do Ministro das Finanças do rei Luís XV, Jean Moreau de Séchelles.

Serra Leoa = Leoa deitada 

O relevo das serras do país, segundo os exploradores portugueses que popularizaram o nome, lembrava a forma de uma leoa relaxando.

Somália = Terra dos vaqueiros      

Somália é a “terra dos somalis”. Um certo Samaale seria o lendário antecestral desse grupo étnico. A palavra em si viria de so (ir) e maal (leite) ou saac (vaca) e maal (leite) – relacionada ao ato de ordenhar animais. É possível, portanto, que Samaale não fosse um nome próprio, mas sim a função do ancestral: O Grande Pastor Ordenhador, simbolicamente pai de todo o povo.

Sudão e Sudão do Sul – Terra dos Negros

Sudão vem do árabe bilad as-sudan – e uma forma latinizada, Nigricia, chegou a ser usada por geógrafos em mapas.

Suazilândia – Terra de Mswazi      

O povo Swazi herdou o nome de seu líder, Mswazi II, que unificou tribos de diferentes origens em uma só e expandiu o território dos swazis no meio do século 19.

Tanzania = Navegar na mata e Costa Negra        

“Ia”, como sempre, é sufixo de lugar. Tan e Zan são as primeiras sílabas das duas nações fundidas em 1964: Tanganyika (que quer dizer navegar, tanga, em swahili, na mata selvagem, nyika) e Zanzibar (do árabe Zanjibār, derivado do Persa Zangibar – zangi é negro e bâr, costa.

Togo = Margem       

O nome veio primeiro para o Lago Togo, cujo significado aproximado é “à margem da água”.

Tunísia = Pernoite  

Vem da cidade de Tunis, que existe desde o século 4 antes de Cristo. Seu nome é associado à deusa fenícia Tanit, e a um radical do idioma berbero, “tns”, relacionado a “passar a noite”. Próxima a estradas sob domínio romano, ela tinha o título de mutatio, lugar de parada ou descanso, o que corrobora a segunda hipótese sobre o nome.

Uganda = Reino da família 

Corruptela de Buganda – o prefixo bu significa “reino” ou “terra” – dos Ganda, no caso. O conjunto de clãs que forma a maior parte da população se autodenomina Baganda. A língua é Luganda. Todos alterações do radical ganda – que supõe-se vir do proto-Bantu, e quer dizer… família.

Zâmbia = Terra do Grande Rio      

O nome vem de zambeze (“grande rio”, num dialeto de lá). Grande mesmo: o rio Zambeze, que banaha a Zâmbia, é o quarto maior da África.

Zimbábue = Grandes casas de pedra       

No dialeto local, dzimba = casa, mabwe = pedras.

Oriente Médio e oeste asiático

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(Leonardo Yorka/Superinteressante)

Arábia Saudita = Saudilândia         

A palavra Saudi deriva do rei que escolheu o nome em 1932, Ibn Saud. Já “árabe” vem de l’rab, “aqueles que falam com clareza”, em oposição a ajam, usado para estrangeiros, e que significa “os falam de modo incompreensível”.

Afeganistão = Nação dos Cavaleiros          

O sufixo “istão” remete a lugar – é o lugar dos afegãos. Já a origem de “afegão” mais aceita por estudiosos é que venha do sânscrito Aśvakas, cavaleiros. Nota aleatória: na poesia persa, afhan (“afegão”) é usado como sinônimo de fhan (“lamento”).

Armenia = Terra dos descendentes de Noé         

Os armênios chamam o país de Hayastão, e o tal Haya seria o ancestral lendário da nação – de acordo com a tradição local, ele era tataraneto de Noé. Já a palavra “Armênia”, que nada tem a ver com Hayastão, aparece na Bíblia, no livro de Jeremias, como o reino de Mini – e o nome seria derivado daí.

Azerbaijão = Protegida por Fogo Santo    

Homenagem ao general persa Atropates, cujo nome ver de atrupat, “protegido pelo fogo santo” – referência às chamas consideradas sagradas pelo zoroastrismo.

Barein = Dois mares

De Thnain Bahr, dois mares, referente às águas que contornam a península.

Chipre = Cobre

Os depósitos de cobre são explorados na ilha desde mais de um milênio antes de Cristo. Kypros significa cobre em grego – mas não se sabe se o mineral deu o nome à ilha ou se o apelido pelo que se conhecia a ilha é que foi transplantado ao mineral. Se for o segundo caso, outra possível origem do nome da ilha é a deusa Cibele, deusa-mãe da mitologia local, chamada ali de Kipris.

Emirados Árabes Unidos = Emirados Árabes Unidos     

Os Emirados (Estados autônomos governados por um emir) Árabes Unidos são formados por al-Fujairah e Umm al Qaywayn (cujas etimologias são desconhecidas), além de Abu Dhabi (abu = pai, dhabi = uma espécie de gazela endêmica à região), Dubai (cuja origem está associada ao verbo “arrastar-se”, também usada para um tipo de lagosta) , Ajman (pequena Omã), Sharjah (sharq = leste) e Ra’s al-Khaymah (“topo da tenda”, uma terra cheia de tendas ou cabanas feitas de palmeiras, e que fica na pontinha da península). É isso.

Georgia = Terra dos Lobos 

Os persas chamavam os habitantes da região de gurğ, que quer dizer lobo. O nome se espalhou pelo Ocidente, mas os georgianos chamam o país de Skartavelo, derivado de Karts, uma das primeiras tribos a viver na proto-Georgia. A origem mitológica é mais legal: diz que os georgianos descendem de Kartlos bisneto de Jafé, personagem bíblico que é filho de Noé.

Iêmen = Felicidade ao sul  

A origem é disputada, mas as duas versões são curiosas: ou viria do árabe yumn, benção e felicidade (associada à fertilidade da terra no país) ou do radical ymt, associado ao sul, posição do Iêmen na península.

Irã = Terra de nobres

Os iranianos adotaram esse nome pois, em sânscrito, ayriana significa “nobres”. Ayriana virou “arianos” – essa é a mesma raiz linguística do conceito nazista de “ariano”, no sentido de “raça nobre”. Bom, “arianos” virou “iranianos”, e a terra deles foi batizada de Irã.

Iraque = Terra baixa

A teoria mais aceita é que venha do vem do persa erak, “terra baixa”. Outros pesquisadores associam o nome à cidade de Uruk, no território atual do Iraque, vindo da raíz suméria uru, que quer dizer cidade. Uruk teria virado Erech no hebraico, e então derivado para Iraque. Duas regiões próximas a Mesopotâmia recebiam o nome Iraq: Irab Arabi, referente a uma província árabe na região, e Iraq Ajemi, província dos “sem língua”, ou seja, estrangeiros, que não entendiam o árabe.

Israel  = Aquele que luta com Deus          

Na Bíblia, Jacó é rebatizado de Israel após lutar com Deus e prevalecer. Etimologicamente, é a mesma coisa: vem de sara (lutar, prevalecer) e El (força, poder… termo comum para Deus).

Jordânia = Rio Que Flui Para Baixo

A Jordânia, antes Transjordânia (terra além do rio Jordão) foi batizada em nome do rio bíblico – o mesmo onde, falando em batismo, Jesus foi imerso João Batista. Jordão, por sua vez, significa “que flui para baixo”, em direção ao Mar Vermelho, ao sul.

Kuait = Fortalezinha

Diminutivo do Árabe kūt, fortaleza à beira d’água.

Líbano = Branco

O radical de origem semita ibn quer dizer branco, referente à neve no topo do Monte Líbano.

Omã = Assentamento

A origem mais aceita é do árabe amoun, que quer dizer “pessoas assentadas”, ou “estabelecidas”, em oposição aos grupos nômades da região.

Paquistão = Purolândia

Paquistão quer dizer “terra dos puros”, mas a escolha do nome foi completamente artificial. Ele foi criado no século 20, como um acrônimo de várias terras mulçumanas (P de Punjab, A de Afgania, K de Kashmir, S de Sind.). As letras foram organizadas para começar com “pak”, que quer dizer pureza no dialeto urdu. Um equivalente a BRICS, só que mais poético.

Palestina = Terra dos Filisteus      

A raiz seria palash ou pelechtim – “migração”, ou “emigrantes”. A raiz é a mesma dos “filisteus” da Bíblia, povo do qual faz parte o personagem Golias. Faz sentido que eles fossem chamados de algo parecido com “estrangeiros” pelo povo judeu.

Qatar = Pingo d’Água         

Vem de Qatara, que pode ter sido derivada de Zubara, uma cidade comercial da região. Outros vocábulos árabes podem estar relacionados: qutr quer dizer região, e qutra é pingo d’água. A forma moderna da palavra gota, inclusive, é quatara.

Quirguistão = Terra dos Nômades

É a terra dos quirguizes, um povo nômade cujo nome, em turco, quer dizer… nômade.

Síria – Cidade do Deus Supremo   

O reino da Assíria (cujo centro ficava no atual Iraque) emprestou o nome à Síria quando dominou o território – o historiador grego Heródoto chamava tanto os fenícios (sírios) quanto os assírios (iraquianos) de Suria. O nome do império Assírio deriva da capital Aššur, que por sua vez ganhou o nome do deus supremo dos assírios, Ashur.

Tadjiquistão = Lugar dos Muçulmanos    

É a terra (istão) do povo tadjique – cujo nome vem do termo tāzīk, persa para “muçulmano”. Era um termo bastante usado para nomear povos muçulmanos não-árabes – os turcos usavam a mesma palavra para denominar todos os seus adversários islâmicos.

Turquia = Raízes Ancestrais

Turquia é “terra dos turqs”. E turq quer dizer “raíz, ancestralidade, linhagem”.

Turcomenistão = Terra dos Quase Turcos

O povo turcomeno surgiu quando um povo de origem turca, que falava o idioma oguzo, se uniu a outras tribos da região. “Turcomeno” une a palavra “turco”o com o termo iraniano manand, que quer dizer “parecido” “que lembra”.

Uzbequistão = Lugar dos Senhores de Si Mesmos

Terra dos uzbeques, sendo uz “próprio” e bez nobre – senhores de si mesmos.

Ásia e Oceania

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(Leonardo Yorka/Superinteressante)

Ásia

Bangladesh = País do Sol   

O sufixo desh quer dizer “país” – é o País dos Banga, o povo que fala a língua bengali. A origem do “Banga” é associada à palavra bonga, nome de uma divindade solar.

Brunei = Terra

Possivelmente deriva do sânscrito bhūmi, terra. A tradição diz que o primeiro nome do país, Barunai, nasceu da exclamação dos primeiros exploradores, que gritaram “Barunah!” ou “Ali!” quando encontraram um local seguro onde desembarcar e acessar a região.

Butão = Terra do Dragão

O nome oficial do país é Druk Gyal Khap, Terra, ou Reino, do Druk, o “dragão do trovão”. A palavra Butão em si vem de Bhot, que significa Tibet – é provavelmente derivado do sânscrito Bhot-ant, “fim do Tibet”.

Cambodia = Kambulândia

A origem muito disputada do nome geralmente é associada ao sábio Kambu Swayambhuva, figura lendária que aparece nos Vedas do hinduísmo.

Cazaquistão = Terra dos Errantes

Ao pé da letra, é Terra dos cazaques (não confundir com os cossacos!). Trata-sede um grupo étnico turco, cujo nome quer dizer “nômade”, “errante”.

China  = Império do Meio  

O nome “china”remete à dinastia Tsin, ou Chin, que tomou o poder no século 3 a.C. e foi responsável pela construção da Muralha. Mas esse é o nome que os estrangeiros sempre deram ao lugar. Lá dentro, em mandarim, o nome oficial do país é outro: Zhōngguó – cuja tradução é “Império do Meio”.

Coreia (norte+sul) = Alto e Belo    

Remete à dinastia Koryŏ, que reinou do século 10 ao 14. (918–1392). O nome pode ser traduzido como “bonito e alto”.

Fiji = Pátria  

Viti quer dizer “nossa terra” – foi derivado para Fidchi, e depois virou Fiji.

Filipinas = Ilhas do Rei Felipe II    

O arquipélago asiático foi batizado em homenagem ao príncipe que se tornaria rei da Espanha, Felipe II.

Índia = Terra do rio oceânico

A região é conhecida como India em grego e latim desde o século 4 antes de Cristo. Quer dizer “terra do Rio Indo”. Já o nome do rio vem do sânscrito sindhu, que quer dizer “como um oceano”, geralmente usado para grandes corpos d’água.

Indonésia = Ilhas da Índia 

Nesos é grego para “ilhas”, e o “Indo” vem de Índia mesmo.

Japão = Terra do Sol Nascente

Vem de Geppun, corruptela que teria sido provocada por Marco Polo, ao tentar escrever o nome que os chinese davam o Japão: Rìběn, ou origem do sol. Nihon, que é o termo japonês, também tem o significado de “grande país de onde sai o Sol”.

Laos = Terra das pessoas

Os franceses batizaram o território em nome do povo Lao. Os pesquisadores que investigaram a raiz de “Lao” conseguiram reconstruir dialetos austroasiáticos até chegar no fonema k.raw que quer dizer “pessoa”.

Malasia = Cidade das montanhas 

No original, o nome do país é Melayo. Vem de Malai (montanha) e ur (cidade).

Maldivas = Guirlanda de Ilhas       

Do sânscrito maladvipa, que é interpretado como “pequenas ilhas”, ou “guirlanda de ilhas”.

Mongólia = Intrépidolândia

No idioma mongol, mong quer dizer “intrépido” – mas pode ser derivado de Hmong, que é o nome de uma etnia milenar do Sudeste Asiático – e que significa “pessoas livres”.

Myanmar = Povo forte e veloz      

O nome original é “Myanma”, derivada do termo mien, que significa forte. Segundo a tradição local, porém, Myanmar significaria “os primeiros habitantes do mundo” – mas o sentido aí é mais simbólico do que etimológico.

Nepal = Casa da lã  

A origem é associada ao termo tibetano nebal, que significa “casa da lã”, ou nepa, “cuidadores de gado”. Em sânscrito, o nome do país é Nipa Alaya, que significa “ao pé da montanha” (do Himalaia).

Sri Lanka = Ilha Sagrada    

Sri = sagrado, lanka = ilha

Tailândia = Terra dos Homens Livres

“Tai”, no idioma local, teria sido usada inicialmente para designar “pessoa” ou “ser humano”. Historiadores afirmam, porém, que “tai” era um nome que designava os homens livres, separando-os dos servos.

Taiwan = Aterro da Baía

Do mandarim, quer dizer a plataforma de areia que se forma no litoral. Uma segunda hipótese diz que o nome viria do idioma siraya, onde tayw = homem e an = lugar

Timor Leste = Leste-Leste  

Timor vem do malaio timur, que quer dizer leste. O Leste extra veio para diferenciar os dois territórios da mesma ilha: a parte oriental (o Timor Leste, de fato) é independente da ocidental, que pertence à Indonésia.

Tonga = Sul

Quer dizer “sul” no idioma de Samoa porque, bem, fica ao sul de Samoa.

Vietnã – Povo do Sul

Vietnã era originalmente Nam Viet, com nam significando “sul”, e viet, sendo um dos grupos étnicos que vivem ali, e que também são conhecidos como baiyue.

Oceania

Austrália = Terra do Sul     

No século 5, já havia mapas que mostravam terras imaginárias no hemisfério sul, que nunca tinham sido visitadas. O motivo? Uma teoria de que o mundo teria que ser “equilibrado”, e a massa de terra do sul teria que existir para contrabalancear a que existia no norte. Já nesses mapas as terras mais ao sul se chamam Terras Australis, ou Terra Australis Incognita, ou “Terra desconhecida do sul”.

Ilhas Marshall = Ilhas de John Marshall   

O tal Marshall é o capitão britânico que chegou ao arquipélado no século 18, e motivou a colonização dessas ilhas do Pacífico.

Ilhas Salomão = Ilhas das Minas do Rei Salomão

No século 16, o explorador espanhol Álvaro de Mendaña de Neira encasquetou que as lendárias riquezas bíblicas do Rei Salomão teriam vindo, em parte, de minas escondidas nessas ilhas. A fonte infindável de riquezas não estava lá, claro, mas o nome pegou.

Micronésia = Pequenas ilhas

Aqui é puro grego. Mikros = pequeno, nesos = ilhas.

Nauru = Vou à Praia

O nome Nauru era pronunciado naoero pelos nativos, e pode ser derivado de anaoero, que quer dizer “vou à praia”.

Nova Zelândia = Terra da Longa Nuvem Branca  

Zee quer dizer mar, e land, claro, é terra. É que a Zelândia original é uma região litorânea cheia de ilhas e terrenos alagadiços nos Países Baixos. Essas ilhas da Oceania formariam então as “Novas Terras do Mar”. Só que os maoris, nativos de lá, chamam o país de Aotearoa, “A terra da grande nuvem branca” – na mitologia local, um explorador maori descobriu o lugar depois de seguir em busca de terra firme guiado pela tal nuvem.

Palau = Aldeia        

Vem de Belau, nome nativo cuja raiz etimológica é provavelmente beluu, vilarejo, aldeia. Mas há uma origem mitológica curiosa para o nome: diz a tradução que ele viria de aibebelau, que quer dizer “respostas indiretas”. O mito de criação das ilhas de Palau diz que a filha de uma deusa, Chuab, cresceu até se tornar gigantesca, e exigia ser alimentada pela população com cada vez mais comida. Quando os lagos já estavam sem peixes e as árvores sem frutos, eles descidiram matar a giganta, empilhando lenha nos seu pés. Chuab, confusa, perguntava o que estava acontecendo, mas só recebia respostas indiretas. Quando atearam fogo e a gigante morreu, seu corpo se desfez em vários pedaços, que teriam dado origem às ilhas de Palau.

Papua Nova Guiné = Nova África de Cabelo Cacheado

Papuwah quer dizer “encaracolado” ou “frizado”, em malaio – e a palavra batizou o país provavelmente em referência aos cabelos dos nativos. A parte Nova Guiné foi dada pelos portugueses, em referência às colônias africanas dos lusitanos – eles chamavam a África inteira de “guiné” – vide Guiné aqui no atlas.

Samoa = Centro Sagrado    

Sa = sagrado, moa = centro.

Tuvalu = A união das oito ilhas

Tuvalu é um arquipélago com nove ilhas. Mas uma delas não é habitada. Logo, o país ganhou o nome de “união das oito” – tuvalu, no idioma local.

Vanuatu – Nossa Terra Para Sempre

É o que significa vanuatu no idioma bichlamar.

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PARA SABER MAIS

A Origem dos Nomes dos Países, de Edgardo Otero

Superinteressante

TIM BELL, O FUNDADOR DAS FAKE NEWS!

(O Estado de S. Paulo - The Economist, 02) Tim Bell abominava regras. Em seu escritório de Mayfair, bairro chique de Londres, o homem que fez a indústria de relações públicas britânica famosa (e desacreditada) zombava da proibição de fumar. Mesmo no inverno, a fumaça de seus dois maços diários de Dunhills escapava pelas janelas abertas. Na rua embaixo, seu motorista o esperava para levá-lo para almoçar num restaurante a apenas 200 metros. Justificando sua opção por uma vistosa Ferrari vermelha, ele dizia: “Gosto de ser admirado”. No escritório a TV estava sempre ligada, ou na fala da premiê ou num jogo de críquete. Numa mesa, Bell mantinha fotos da família e da cliente, amiga e ídolo, cuja descomplicada devoção à liberdade combinava com a dele.
Na vida e na morte, o papel de Bell nas três eleições de Thatcher tem sido exagerado. Seu trabalho – primeiro na agência de publicidade Saatchi & Saatchi e depois em sua própria empresa – era conquistar clientes, não criar slogans. Thatcher acreditava em sua magia e o trouxe para a eleição de 1987, mesmo depois de a Saatchi o proibir de trabalhar na campanha após um desentendimento interno. Bell era o homem de Thatcher “no ônibus de Clapham”, aquele que conseguia captar a opinião das pessoas comuns.
Ele se tornou um cortesão, distribuindo elogios em tom solene em reuniões familiares e no almoço do dia de Natal. “O 26 de dezembro (‘Boxing Day’, feriado comemorado em países de língua inglesa) é só para o gabinete e para pessoas que dão dinheiro ao partido”, dizia ele. Quando Thatcher gravava peças de propaganda na TV, Bell sentava-se por perto e cuidava para que ela relaxasse e falasse como se se dirigisse a uma só pessoa, não a uma multidão.
Thatcher, apesar de seu puritanismo, perdoava a vida irregular de Bell. Ela riu muito quando ele, despertando de uma noite regada a champanhe, atendeu seu telefonema percebeu subitamente que havia sido assaltado. Foi lorde Bell quem anunciou a morte da ex-primeira-ministra, em 2013.
Seu legado mais significativo é fazer de Londres um polo do que ele chamava de “trabalho geopolítico”, mas outros chamavam de “centro de lavagem de reputações”. No auge da fama, Bell passou de publicidade para relações públicas. “Sua proximidade com a premiê não atrapalhava os negócios”, diz Bernard Ingham, ex-secretário de imprensa de Thatcher. Bell conseguiu um de seus primeiros clientes, F. W. de Klerk, então presidente da África do Sul, com um telefonema em nome de Thatcher. Mais tarde, ele diria que o telefonema fora “pelo menos 10% verdadeiro”.
Colegas diziam que ele era amigo só nos bons momentos e tinha uma inclinação para a esperteza. Bell, alegando que “moral é função de padre, não de homem”, ajudou o ditador chileno Augusto Pinochet a escapar da extradição para a Espanha por acusações de tortura, e melhorou as reputações de Alexander Lukashenko, homem forte da Bielorússia, e Asma al-Assad, mulher do presidente da sírio.
Num mesmo ano, ele participou de campanhas contra e a favor do tabagismo. Sua agência, Bell Pottinger, que ele fundou em 1998, criou blogs falsos e contas falsas na mídia social. Ele não levava muito a sério os fatos, dizendo que “as pessoas não levam”. E explicava que, “uma vez que o diabo está no detalhe, não precisamos da p... do detalhe”. Até onde suas campanhas funcionaram ainda está em aberto. Ele assessorou o ministro das Finanças de Pinochet e o francês Jacques Chirac em eleições que ambos perderam, e criou a estratégia de comunicação para a “transição para a democracia” do Iraque, em 2004.
Bell tinha um talento especial para jogar nos outros a culpa de seus erros. Ele insistiu para que David Mellor, um parlamentar adúltero inglês, fizesse uma desastrosa foto com a família. A ideia impopular de servir sanduíches de presuntada nas comemorações do 50º aniversário do Dia D foi sugerida, segundo ele, “pelos fuzileiros navais ingleses, não por mim”.
Felizmente para Bell, os resultados contavam menos que seu charme, o que lhe valeu contratos com o metrô de Londres, com o Sindicato Nacional de Professores, cuja política ele atacava, e com a BBC, meses depois de propor que a emissora fosse vendida.
No fim, a exemplo de seu ídolo, ele foi longe demais. Resistiu a sugestões para melhorar a imagem da Bell Pottinger. A agência entrou em colapso em 2017 após a revelação de uma campanha secreta feita por ela para manipular a opinião pública da África do Sul contra o “monopólio branco do capital”. Nessa altura, Bell havia renunciado à direção da agência, como sempre, jogando em outros executivos a culpa pelos problemas da empresa.
Ele não se aposentou e fundou outra agência. Também não abriu mão dos prazeres. Uma amiga que o visitou dias antes de ele morrer o encontrou grudado na TV, vendo um jogo de seu adorado críquete. Aí ele pediu a ela que lhe acendesse um cigarro.
O estrategista Tim Bell tinha um talento especial para jogar nos outros a culpa de seus erros.


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Por que às vezes não sentimos dor logo após sofrer um ferimento muito grave?

Por SUPER

(Thunder Rockets/Superinteressante)

Por causa de um fenômeno chamado analgesia induzida pelo estresse (SIA). Seu corpo – que ainda reage como o de um Homo sapiens pré-histórico – não está tão preocupado em sofrer com o machucado. A prioridade é não deixar o estrago aumentar – e te ajudar a fugir do animal feroz e dentuço que te ataco, por exemplo.

A SIA, portanto, é o jeito que o seu corpo dá de impedir que você preste atenção ao ferimento para fazer coisas mais importantes. Ela faz isso graças a um coquetel de substâncias como adrenalina (que aumenta sua capacidade de concentração) e opioides endógenos (analgésicos da família da morfina, só que produzidos pelo próprio organismo), que bloqueiam o caminho da dor pelos nervos. São eles, afinal, que “avisam” o cérebro que você se machucou, ligando as extremidades do corpo ao cérebro via coluna vertebral.

A diminuição da resposta da dor nem sempre vai ser completa. O grau em que a dor é bloqueada varia de pessoa para pessoa.

Fonte: Artigo Stress-induced analgesia, Ryan K. Butler e David P. Finn.


Superinteressante

Como o decote de Jennifer Lopez inventou o Google Imagens

Uma foto da atriz no Grammy de 2000 com um vestido Versace derrubou o Google – e fez o CEO Eric Schmidt idealizar o sistema de busca de imagens.

Por Bruno Vaiano

(Scott Gries/Getty Images)

A história a seguir é boa demais para ser verdade. Ao contrário da maioria das histórias desse tipo, porém, ela de fato é verdadeira.

O maior decote já criado desde que existem vestidos talvez seja o de uma peça da Versace usada pela atriz Jennifer Lopez na 42ª edição do Grammy, no ano 2000. Dá uma olhada:




Em 24 de fevereiro daquele ano, o mundo estava ensandecido para ver o tal vestido de novo (com a Jennifer Lopez dentro, é claro). Aquele foi o maior número de buscas que o Google havia registrado até então – e, por tabela, o maior número de decepções, pois ninguém encontrou o que buscava.

Tudo porque o Google não tinha a opção de oferecer imagens como resultados de busca – só links. A solução para os curiosos era clicar em todos os resultados que apareciam, um por um, até encontrar um que contivesse a tal foto do look fatal. A maioria não tinha.

O CEO que entrou logo depois, Eric Schmidt, viu uma oportunidade na crise (papo de coach, peço desculpas). Em 2015, ele escreveu em um artigo para o siteProject Syndicate: “Na época, foi o termo de busca mais popular que nós já havíamos visto. Mas nós não tínhamos um tiro certo que pudesse dar aos usuários exatamente o que eles queriam: JLo usando aquele vestido. Assim nasceu o Google Imagens.”

Foi só a partir daí que o Google procurou um jeito de extrair todas as fotos ligadas a uma palavra-chave e juntá-las em uma segunda “aba” das páginas de busca. E o mundo nunca mais foi o mesmo.

A história passou um bom tempo perdida na internet até que a própria Jennifer Lopes postou no YouTube um vídeo contando sua versão do causo. Ela estava voltando de uma gravação com cavalos em um set distante e poeirento, chegou em cima da hora para o Grammy e a única opção de vestido chiquérrimo disponível era essa, com estampa de folhagem.

Ela até usou fita dupla face para fixar o decote nos seios e não acabar mostrando demais sem querer. Quando subiu no palco com o ator David Duchovny, ele não resistiu e fez uma gracinha: “essa é a primeira vez em cinco ou seis anos que eu tenho certeza de que ninguém está olhando para mim.”

No dia seguinte, JLo foi capa do L.A. Times sem ter ganhado nenhum prêmio – e o guitarrista mexicano Carlos Santana, que faturou oito Grammys naquela noite pelas canções do álbum Supernatural, ficou só com uma notinha de rodapé.

Só de brincadeira, o Google fez um cartãozinho de visitas para a atriz: Jennifer Lopez, Chief Inspiration Officer, CIO (algo como diretora de inspiração, em vez de CEO, que é diretor executivo).



Assim, o Google Imagens entra para a lista de coisas inventadas por motivos realmente nonsense. É o caso dos sucrilhos, ideia de John Harvey Kellogg, um puritano radical que queria abolir a masturbação e acabou revolucionando o café da manhã (conheça a história nesta reportagem da SUPER).

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Também é o caso da Coca-Cola, criação de um farmacêutico veterano da Guerra Civil Americana viciado em morfina. Ele bolou o drink com uma pequena dose de anestésicos opioides para servir como uma espécie de cigarro eletrônico ou chiclete de nicotina, que o ajudasse a largar a droga. Se deu certo para a saúde dele, ninguém sabe. Mas o bolso agradeceu.


Superinteressante

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A explosão da solidão

Nunca estivemos tão conectados. Mas a maioria das pessoas sente algum grau de solidão – e isso pode ser tão letal quanto fumar 15 cigarros por dia.

Texto Bruno Garattoni e Ricardo Lacerda, com reportagem de Fernanda La Cruz

Ilustração Rafael Sica | Cores Yasmin Ayumi | Design Juliana Caro


Em 1973, o americano Robert King foi preso pela terceira vez. A polícia o levou para a cadeia de Nova Orleans, onde ele conheceu membros dos Panteras Negras: um grupo que misturava ativismo com violência e havia matado pelo menos três policiais nos EUA. King se juntou a eles numa greve de fome para exigir melhores condições carcerárias. Não conseguiu, e foi transferido para a Penitenciária Estadual da Louisiana, também conhecida como Angola (no século 19, lá ficava uma plantação onde trabalhavam escravos trazidos desse país). Ao chegar, foi colocado na solitária – na qual passaria os 29 anos seguintes. Foram três décadas incrivelmente, absurdamente, sozinho. King recebia as refeições por baixo da porta e só podia sair do cômodo, de 2×2,5 metros, uma hora por dia (quando ficava isolado numa gaiola de arame farpado, sem poder falar ou se aproximar dos outros presos).

Em 2001, aos 59 anos de idade, ele foi solto. Ao tentar se readaptar à vida em sociedade, descobriu que não conseguia mais reconhecer rostos nem seguir rotas para ir a algum lugar, e se tornou objeto de interesse da ciência – em novembro do ano passado, King foi convidado a contar sua história no congresso da Sociedade Americana de Neurociência. O caso dele é notável porque nunca um ser humano havia sido submetido a um período de isolamento tão longo e mesmo assim sobrevivido com lucidez para contar como foi. A solitária geralmente enlouquece suas vítimas, e há razões concretas para isso. Estudos com ratos de laboratório revelaram que um mês isolado deforma o hipocampo (região cerebral que coordena a formação de memórias), desregula a atividade da amígdala (ligada ao medo e à ansiedade), mata 20% dos neurônios do cérebro – e, após o primeiro mês, começa a destruir as conexões entre os que sobraram. Um mês representa bem mais tempo, na vida de um rato, do que um mês na vida humana. Mas, em ambos os casos, a conclusão é a mesma: isolamento prolongado tem conse-
quências neurológicas.

Ficar sozinho pode fazer muito mal. E não só para quem está trancafiado numa cela. Você já deve ter se sentido solitário, e sabe o quão desagradável isso é. A solidão pode ser objetiva, ou seja, derivada de um isolamento real, ou subjetiva, uma sensação criada pela mente (esse tipo de solidão se manifesta, por exemplo, quando nos sentimos sós mesmo estando cercados de outras pessoas). Em ambos os casos, ela é um alerta do organismo para que busquemos a companhia de outras pessoas, o que aumenta nossas chances de sobrevivência. Isso era tão verdadeiro na Pré-História (o homem das cavernas precisava da ajuda do grupo para caçar e se defender de predadores) quanto é no mundo de hoje – se você não fizer networking, fica muito mais difícil conseguir um bom emprego. A novidade é que, por motivos ainda não elucidados, a solidão parece estar aumentando – a ponto de se tornar uma epidemia. Nos EUA, nada menos que 76% das pessoas apresentam níveis moderados ou altos de solidão, segundo um estudo da Universidade da Califórnia1. Na década de 1980, cada americano tinha em média 2,94 amigos “do peito”. Em 2011, a média nacional havia caído para apenas 2,03 amigos próximos. Na Inglaterra, 66% da população apresenta sintomas de solidão crônica; e quase 50% das pessoas acham que o mundo está ficando mais solitário.

Não há números a respeito no Brasil, mas os indicadores mais relevantes apontam na mesma direção. Entre 2004 e 2014, o número anual de divórcios aumentou 250% (12 vezes mais que o aumento no número de casamentos). Entre 1991 e 2019, a quantidade de pessoas que moram sozinhas subiu 340% (dez vezes mais que o crescimento da população como um todo).

Em suma: a solidão é onipresente, e está crescendo. O problema é que ela mata. Solitários têm 29% mais chances de sofrer de doenças cardíacas; 32% mais risco de ter um AVC; e são 200% mais propensos a desenvolver Alzheimer. Em mulheres solitárias, a reincidência de câncer de mama é 40% maior, e a propensão à letalidade chega a 60%. Quem já experimentou um grau elevado de solidão tem três vezes mais chances de cair em depressão2. Somando todos os fatores envolvidos, a solidão crônica (ela é medida pelo UCLA Loneliness Scale, teste que foi desenvolvido pela Universidade da Califórnia e você pode fazer no final desta página) aumenta em até 50% o risco de morrer, segundo uma pesquisa publicada pela psicóloga americana Julianne Holt-Lunstad, que analisou os dados de 148 estudos3.

A solidão é mais letal do que a obesidade (que eleva em 20% o risco de morrer) e o alcoolismo (30% a mais de risco), e consegue ser tão nociva quanto o tabagismo; é tão mortal quanto fumar 15 cigarros por dia. Mas quase ninguém se dá conta disso. “Apesar de estar associada a altos índices de mortalidade, a solidão é uma questão de saúde pública amplamente ignorada”, afirma a psicóloga Michelle Lim, do Centro de Pesquisas em Ciências Cerebrais e Psicológicas da Universidade de Swinburne, na Austrália, e especialista no assunto.

Mas como a solidão, um fenômeno psicológico, pode ter efeitos tão profundos sobre o resto do organismo, a ponto de matar? E por que ela se tornou uma epidemia no mundo moderno?

1. High prevalence and adverse health effects of loneliness in community-dwelling adults across the lifespan. Ellen E. Lee e outros, 2018.
2. Loneliness and social isolation as risk factors for mortality: a meta-analytic review. Julianne Holt-Lunstad e outros, 2015.
3. Social Relationships and Mortality Risk: A Meta-analytic review. Julianne Holt-Lunstad e outros, 2010.

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(Rafael Sica e Yasmin Ayumi/Superinteressante)

A vida sem afeto

Em 1966, o ditador romeno Nicolae Ceausescu proibiu a contracepção e o aborto, criando um sistema de premiação às famílias que procriassem. Para ele, quanto mais pessoas no país, melhor. Sem condições econômicas, porém, os pais não davam conta de criar os filhos. Milhares de recém-nascidos iam parar em orfanatos. Neles, uma pessoa cuidava de pelo menos 20 crianças. Não havia abraços ou sorrisos – e as relações afetivas eram paupérrimas. Quando esses orfanatos foram expostos ao mundo, em 1989, agentes estrangeiros de saúde encontraram crianças com 3 anos de idade que não choravam e não falavam. Além disso, alguns tinham apenas 30% do tamanho ideal e estavam muito atrasados em desenvolvimento motor e cerebral.

Guardadas as devidas proporções, o que aconteceu na Romênia encontra eco numa experiência feita por cientistas da Universidade James McGill, nos EUA, com ratos de laboratório4. Os pesquisadores formaram dois grupos de cobaias. No primeiro, as fêmeas tinham liberdade para cuidar de seus bebês. No outro, os filhotes tinham pouco contato com as mães – algo como as crianças romenas, que ficaram conhecidas como “órfãos de Ceausescu”. Os ratinhos que haviam passado a infância sozinhos apresentavam sinais de depressão e altos níveis de corticosterona, um hormônio liberado em situações de estresse. “Em humanos, o processo é semelhante”, diz o psiquiatra Pedro Antônio Lima, do Instituto do Cérebro da PUC-RS.

O isolamento social faz o corpo humano aumentar a produção de cortisol, um hormônio similar à corticosterona. E isso, como mostrou um extenso estudo publicado pelo neurologista John Cacioppo, da Universidade de Chicago5, tem dois grandes efeitos sobre o organismo. O primeiro, ainda não plenamente compreendido, é enfraquecer o sistema imunológico. O cortisol aumenta a quantidade de neutrófilos, um tipo de glóbulo branco, e diminui o de linfócitos (outra categoria de células de defesa). Isso possivelmente desequilibra o sistema imunológico. O outro efeito do cortisol é aumentar o grau de inflamação nos tecidos do corpo. A longo prazo, isso danifica os órgãos e pode estar relacionado ao surgimento de diabetes, aterosclerose (endurecimento das artérias), doenças neurológicas e até na transformação de tumores em metástases.

Além disso, a rejeição e a falta de contato social atingem as mesmas regiões do cérebro ativadas pela dor física. Foi o que constataram pesquisadores da Universidade do Kentucky, nos EUA, após fazer uma experiência com um jogo de computador chamado Cyberball. Na primeira etapa, o participante interage com outros jogadores, que lhe passam a bola. Na fase seguinte, o voluntário é excluído dessa troca de passes – sem saber que se trata de uma atitude proposital. Exames de neuroimagem revelaram que essa rejeição causava um aumento de atividade na ínsula anterior, região do cérebro que é ativada quando alguém está com náusea ou dor, e do cíngulo anterior, ligado à sensação da dor.

A descoberta foi tão surpreendente que os pesquisadores resolveram testar uma hipótese: se a dor da solidão atua no organismo tal qual a dor física, será que ela pode ser combatida com analgésicos? Então eles fizeram um estudo6 que avaliou o efeito do paracetamol em pessoas solitárias. 62 voluntários tomaram um comprimido ao acordar e outro ao dormir durante três semanas. Metade deles estava consumindo 500 mg do analgésico; os demais, placebo. Os participantes registravam seu estado de espírito em um diário. Quem ingeriu o medicamento teve menos solidão. É um resultado instigante, mas não significa que você deva se automedicar com paracetamol (ou qualquer outro remédio) quando estiver se sentindo só. Inclusive porque, em algum nível, a sensação de solidão independe de qualquer ação sua: você já nasce com ela.

Todo mundo precisa de convívio social – mas essa necessidade é diferente para cada pessoa. Tem gente que fica bem sozinha, e já se satisfaz com um pouquinho de interação com outras pessoas; e também há quem procure a companhia dos outros em todos os momentos possíveis, e se sinta solitário após poucas horas sem ela. Uma pesquisa liderada pelo psiquiatra Abraham Palmer, da Universidade da Califórnia7, analisou o genoma e o comportamento de 10.760 voluntários e fez uma descoberta inédita: a genética de uma pessoa é responsável por 14% a 27% do grau de solidão que ela sente. Outro estudo do tipo, feito na Holanda, acompanhou 513 pares de irmãos gêmeos durante duas décadas8 e chegou a um número mais alto: segundo ele, a genética determina 48% do grau médio de solidão que cada pessoa experimenta durante a vida. Os dados divergem, mas apontam na mesma direção. Sim: como praticamente tudo o que é humano, a solidão tem um pé no DNA. E ela não está só escrita nos nossos genes. Também pode ser capaz de fazer algo ainda mais impressionante: interferir com eles.

4. Epigenetic programming by maternal behavior. Michael Meaney e outros, 2004.
5. The Neuroendocrinology of Social Isolation. John Cacioppo e outros, 2015.
6. Acetaminophen reduces social pain: behavioral and neural evidence. CN Dewall e outros, 2010.
7. Genome-wide association study of loneliness demonstrates a role for commonvariation. Abraham Palmer e outros, 2017.
8. Genetic and Environmental Contributions to Loneliness in Adults: The Netherlands Twin Register Study. D. Boomsma e outros, 2005.

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(Rafael Sica e Yasmin Ayumi/Superinteressante)

A epigenética da solidão

Hitler estava perdendo a guerra. O desembarque dos Aliados na Normandia, em junho de 1944, mudou a relação de forças na Europa. Parte da Holanda foi libertada, e os trabalhadores ferroviários no resto do país, que permanecia sob domínio alemão, decidiram entrar em greve. A ideia era atrapalhar a movimentação de tropas e suprimentos do exército nazista, e ajudar o avanço dos Aliados. Não deu certo. O país continuou sob as garras do Führer, e ele resolveu se vingar barrando a entrada de comida. Tinha início a Fome Holandesa, um dos episódios mais cruéis da história. Conforme os alimentos foram acabando, a ração diária caiu para níveis alarmantes: em fevereiro de 1945, cada adulto de Amsterdã tinha acesso a míseras 500 calorias por dia. A fome durou até o final da guerra, e afetou 4,5 milhões de pessoas. Mas as consequências persistem até hoje – porque afetaram o DNA do povo holandês.

As mulheres que estavam grávidas durante aquele período, e passaram fome durante a gestação, deram à luz filhos mais propensos a vários problemas de saúde de base genética, como obesidade e diabetes. Isso aconteceu por causa das chamadas alterações epigenéticas, um fenômeno que é desencadeado por fatores externos e tem o poder de alterar o funcionamento do DNA. Quando uma pessoa é exposta de forma crônica a certas coisas, como fome ou estresse, o organismo dela reage ligando e desligando conjuntos de genes. A sequência de “letras” que compõem o DNA não é reescrita; ela continua lá, inalterada. Mas algumas delas são metiladas, ou seja, se ligam a moléculas de radical metil (CH3). Isso altera o funcionamento daqueles genes, tornando-os mais ou menos ativos – e essas mudanças passam para os descendentes.

Como o povo holandês não tinha o que comer, os corpos das pessoas sofreram alterações epigenéticas que reduziram seu gasto calórico e os tornaram capazes de absorver mais gordura dos alimentos. E essas modificações, como comprovou um estudo publicado ano passado9, foram transferidas para os bebês nascidos naquela época. Experiências feitas em ratos de laboratório constararam que outros fatores além da fome, como estresse, sedentarismo ou obesidade, provocam alterações epigenéticas10que passam para os descendentes. Em tese, níveis crônicos de solidão também poderiam desencadear esse fenômeno – possibilidade que começou a ser discutida em 2015, em um artigo assinado por sete pesquisadores especializados na neurologia e na genética da solidão11. Mas será necessário fazer mais estudos para comprovar a tese.

E, mesmo se ela for comprovada, os fatores ambientais (como, onde e com quem uma pessoa vive) continuarão sendo determinantes. “Não é como se os genes de algumas pessoas pudessem forçá-las a ser solitárias. Eles influenciam”, diz Palmer, da Universidade da Califórnia. A sociedade é, e continuará sendo, o elemento crucial. Mas ela também está mudando – nem sempre para melhor.

9. DNA methylation as a mediator of the association between prenatal adversity and risk factors for metabolic disease in adulthood. Elmar Tobi e outros, 2018.
10. Implication of sperm RNAs in transgenerational inheritance of the effects of early trauma in mice. Isabelle Mansuy e outros, 2014.
11. The Genetics of Loneliness: Linking Evolutionary Theory to Genome-Wide Genetics, Epigenetics, and Social Science. Luc Goossens e outros, 2015.

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(Rafael Sica e Yasmin Ayumi/Superinteressante)

A ideologia de estar só

Somos animais sociais. Em estado selvagem, só conseguimos sobreviver se estivermos em grupo. Um tigre solitário se vira bem. Um humano desgarrado tende a virar comida do tigre. Por isso, nossos antepassados hominídeos desenvolveram um profundo senso de comunidade, que está impresso em nosso DNA. “A evolução selecionou genes que favoreciam o prazer da companhia, e produziam inquietude quando se estava sozinho”, afirma John Cacioppo, neurocientista da Universidade de Chicago e especialista no estudo da solidão.

Até a Idade Média, as salas das casas eram usadas para tudo: cozinhar, comer, receber convidados, fazer negócios e, à noite, dormir. (É por isso, aliás, que as peças de mobília se chamam móveis.) Mas a revolução industrial mudou tudo. “A casa se transformou num refúgio da individualidade”, diz José Machado Pais, sociólogo da Universidade de Lisboa e autor do livro Nos Rastros da Solidão: deambulações sociológicas. Isso pode ser notado no próprio nome que damos ao tipo mais comum de residência moderna: “apartamento”, palavra que significa “separação”. Na década de 1950, o sociólogo americano Robert Stuart Weiss já investigava os efeitos dos padrões modernos de trabalho e comportamento. “A perda dos encontros naturais rotineiros na varanda, nas ruas ou na drogaria da esquina tornam mais difíceis o intercâmbio de experiências e a resolução de problemas”, escreveu ele no livro Loneliness: the experience of emotional and social isolation, lançado em 1973. Weiss parecia saber o que estava por vir. A solidão física se propaga para as relações econômicas, e acaba contaminando até a cultura. Isso deu origem a uma espécie de ideologia da solidão, em que o individualismo é sinal de bom gosto, sucesso e bem-estar.

Depois piorou. As pessoas sempre dependeram umas das outras, e continuam dependendo. Mas essa relação está cada vez mais rasa e efêmera. “A interação no mercado e na economia de hoje geralmente tem vida curta, sem senso de obrigação como havia antes”, observa Victor Tan Chen, sociólogo da Virginia Commonwealth University e autor do livro Cut Loose – Jobless and hopeless in an unfair economy (“Cortado: sem emprego e esperança numa economia injusta”, não lançado no Brasil). Se antes as pessoas conheciam o jornaleiro da esquina, os motoristas do ponto de táxi e o dono da mercearia do bairro, hoje são atendidas por funcionários anônimos – ou por aplicativos. E quem está do outro lado, dirigindo Uber ou entregando comida do iFood, também não conhece as pessoas que está atendendo. Na cidade grande, ninguém conhece ninguém.

E mesmo entre as pessoas que conhecemos, a distância tende a aumentar – pois temos cada vez menos pontos em comum com elas. Você já deve ter reparado que as pessoas estão discordando cada vez mais, e de forma mais intensa. E os poucos pontos em que muita gente concorda (como “a exposição da Tarsila do Amaral no Masp é imperdível”, ou qual a série mais legal do momento no Netflix, por exemplo) são rapidamente descartados, sucedidos por outras novidades culturais. Não duram tempo bastante, ou carregam peso suficiente, para construir ou fortalecer vínculos sociais. Antes você ficava amigo das pessoas que gostavam de ouvir e ver as mesmas coisas que você. Hoje, há muito mais opções culturais – e, inevitavelmente, menos pontos de convergência entre elas. É maravilhoso ter opções. Mas isso também possui um lado negativo, que é possuir cada vez menos coisas em comum com os outros. “Quando uma pessoa percebe que deixou de ter significado para os outros, ela se descobre em solidão”, diz Machado Pais.

Estamos mais sozinhos. Mas o corpo e a mente continuam precisando de companhia. “Por mais saudáveis e tecnológicas que as nossas sociedades tenham se tornado, sob a superfície somos as mesmas criaturas vulneráveis que se aconchegavam juntas contra o terror das tempestades 60 mil anos atrás”, diz Cacioppo. Somos só um bando de primatas assustados. Mortos de medo de ficar sozinhos, e do mundo solitário que acabamos construindo.

Nem sempre percebemos isso. E então vamos vivendo sem dar muita atenção aos outros, fumando 15 cigarros metafóricos por dia, morrendo aos poucos sem saber. Um destino terrível. Mas há alguns caminhos para escapar dele. Se você se sente só, o primeiro passo é admitir isso. Vale também buscar a ajuda de um psicólogo ou psiquiatra para entender os eventuais motivos pessoais, e profundos, que podem ter levado você a essa situação (como ansiedade ou depressão, por exemplo).

De toda forma, segue aqui uma dica que serve para todos os humanos: pare e pense nos sentimentos que você tem em comum com as outras pessoas. A começar por este: elas, assim como você, também estão se sentindo meio isoladas. Percebeu? Todo mundo anda meio solitário – e, exatamente por isso, você não está sozinho.

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(Rafael Sica e Yasmin Ayumi/Superinteressante)

O homem mais solitário do mundo

Ele não tinha ninguém com quem falar. Mesmo.

Em 1904, depois de visitar o Congo, um missionário americano levou para os EUA o pigmeu congolês Ota Benga, um membro do povo batwa. A ideia era exibi-lo na Feira Mundial de Saint Louis e depois mandá-lo de volta. Antes de retornar para casa, contudo, o rapaz recebeu a notícia de que sua tribo havia sido dizimada. Ele era o último dos batwas, para sempre e no planeta inteiro.

É difícil até imaginar o grau de solidão que Ota deve ter sentido. Mas a resposta que o mundo deu a ele com certeza a tornou ainda maior. O pobre pigmeu foi levado para o Zoológico do Bronx, em Nova York, onde virou atração ao lado de chimpanzés. Diariamente, mais de 40 mil pessoas conferiam in loco aquela “criatura” exótica que passava o tempo atirando flechas num horizonte perdido.

O pigmeu desenvolveu um comportamento errático. Acabou libertado do zoológico, mas nunca se encaixou em nenhum lugar, transitando entre orfanatos e lares adotivos. Seus dentes pontudos, afiados seguindo a tradição batwa, chegaram a ser cobertos com capas. Doze anos depois do exílio, e sem nenhuma perspectiva de retornar ao Congo, Ota Benga arrancou a capa que cobria seus dentes, acendeu uma fogueira ritualística e se matou com um tiro no coração. A vida não fazia sentido daquele jeito.

John Cacioppo, neurocientista da Universidade de Chicago, comenta o caso em seu livro Solidão – A natureza humana e a necessidade de vínculo social. Para ele, o isolamento elimina a sensação de propósito da vida de qualquer pessoa. “Os resultados disso podem ser devastadores não apenas para os indivíduos, mas também para as sociedades”, escreve.

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(Rafael Sica e Yasmin Ayumi/Superinteressante)

Teste: qual o seu grau de solidão?

Descubra com o UCLA Loneliness Scale, teste criado pela Universidade da Califórnia e adotado como padrão nos estudos sobre o tema. Vá somando a sua pontuação e confira o resultado no final.

1. Você se sente infeliz ao fazer coisas sozinho(a)?

Nunca: 1 ponto
Raramente: 2 pontos
Às vezes: 3 pontos
Sempre: 4 pontos

2. Você sente que não tem ninguém a quem recorrer?

Nunca: 1 ponto
Raramente:
2 pontos
Às vezes:
3 pontos
Sempre:
4 pontos

3. Você acha insuportável ficar sozinho?

Nunca: 1 ponto
Raramente:
2 pontos
Às vezes:
3 pontos
Sempre:
4 pontos

4. Você sente que ninguém te entende?

Nunca: 1 ponto
Raramente:
2 pontos
Às vezes:
3 pontos
Sempre:
4 pontos

5. Você fica esperando as pessoas responderem às suas mensagens?

Nunca: 1 ponto
Raramente:
2 pontos
Às vezes:
3 pontos
Sempre:
4 pontos

6. Você se sente completamente só?

Nunca: 1 ponto
Raramente:
2 pontos
Às vezes:
3 pontos
Sempre:
4 pontos

7. Você tem dificuldade em falar com as pessoas em volta?

Nunca: 1 ponto
Raramente:
2 pontos
Às vezes:
3 pontos
Sempre:
4 pontos

8. Você sente falta de companhia?

Nunca: 1 ponto
Raramente:
2 pontos
Às vezes:
3 pontos
Sempre:
4 pontos

9. Você tem dificuldade em fazer amizades?

Nunca: 1 ponto
Raramente:
2 pontos
Às vezes:
3 pontos
Sempre:
4 pontos

10. Você se sente excluído pelas outras pessoas?

Nunca: 1 ponto
Raramente:
2 pontos
Às vezes:
3 pontos
Sempre:
4 pontos

RESULTADO

20 a 24 pontos Normal
25 a 29 pontos Solidão moderada
30 ou mais pontos Solidão intensa


Superinteressante

Astronauta da Nasa é acusada de ter cometido o primeiro crime no espaço

A bordo da estação espacial internacional, Anne McClain teria acessado a conta bancária da esposa sem permissão enquanto vivia um divórcio conturbado.

Por A. J. Oliveira

(Divulgação/NASA)

Nada de espaçonaves piratas ou cowboys durões tocando o terror pela galáxia. Esqueça o velho clichê do fora da lei espacial que filmes e séries de ficção científica cristalizaram em nossas mentes. Tudo indica que temos o primeiro crime cometido fora da Terra, e ele está longe de ser fruto de algum vilão. Não é nada do nível de um homicídio ou de um roubo. Foi um crime de natureza passional, burocrática. Mas mesmo assim um crime – se comprovado, é claro.

Tão inusitado quanto a própria história criminal é quem assina sua autoria. Anne McClain é militar condecorada e astronauta respeitada na Nasa. Antes de entrar para a agência, em 2013, já era tenente-coronel do exército dos Estados Unidos, tendo pilotado helicópteros de combate por mais de 800 horas na Guerra do Iraque. Na Nasa, ela é (ou era?) cotada para se tornar a primeira mulher a pisar na Lua em 2024.

Mas sua imagem construída em cima de uma carreira exemplar foi ofuscada por uma polêmica envolvendo a esposa, Summer Worden, que trabalhava para o serviço de inteligência da Força Aérea dos EUA. Conforme relatou o New York Times, as duas passaram boa parte do último ano em um processo conturbado de divórcio. A principal causa dos conflitos é um garoto de 4 anos, filho de Worden, que tinha um ano quando elas se conheceram.

Anne McClain, astronauta da Nasa

Anne McClain, astronauta da Nasa (Divulgação/NASA)

Após se casarem, em 2014, McClain insistiu para adotar a criança. A mãe biológica resistiu, mas cedeu. No início de 2018, com o casamento já desgastado, a astronauta foi até um juiz pedir a guarda compartilhada do menino e a prioridade na escolha do lar, caso as partes não chegassem a um acordo no divórcio. Alegou que Worden tinha comportamento explosivo e não lidava bem com as finanças, por isso queria validar o vínculo parental na justiça.

A situação piorou quando, por volta da mesma época, ela postou em seu Twitter fotos com seu traje de astronauta ao lado do garoto. Worden ficou ainda mais ressentida: não queria que ela se passasse por mãe de seu filho em público. Meses depois, entrou com pedido de divórcio e, em outubro de 2018, McClain partiu para a estação espacial internacional (ISS).

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Foi por lá que cometeu o suposto delito: acessou a conta bancária da esposa a bordo da ISS para checar as finanças. Worden descobriu que o acesso veio da Nasa e protocolou uma queixa junto ao inspetor geral da agência. De volta à Terra desde o final de junho, McClain prestou depoimento na semana passada e garantiu que estava apenas fazendo o que sempre havia feito, com permissão da ex-esposa.

Ela declarou que não foi avisada de que, depois das brigas, não deveria mais fazer checagens do tipo – e que fez o acesso usando a mesma senha que era dividida entre as duas. Tudo apenas para saber se havia recursos para pagar as contas e para cuidar do garoto. Mas, na visão de Worden, a ex teria ido longe demais: acusou-a de roubo de identidade e quebra de sigilo bancário. Se comprovados, será a primeira vez na história que crimes foram cometidos no espaço.

Autoridades estão investigando para descobrir se as acusações procedem, ou se tudo não passou de um grande mal-entendido conjugal. Fato é que, mesmo que até agora não tenham precisado acioná-los, as cinco agências espaciais envolvidas no consórcio da ISS já haviam criado procedimentos caso crimes fossem cometidos dentro do complexo orbital. E, daqui para frente, a tendência é que essas regras sejam cada vez mais necessárias.

É que a economia espacial está cada vez mais pujante, por isso um número crescente de agências espaciais e empresas privadas desenvolvem atividades no espaço. Países como China e Índia estão se tornando potências espaciais. E uma coisa é certa: onde o homem vai, ele leva encrenca junto. Temos a primeira investigação de um crime em órbita, mas com o voo espacial se tornando rotina, pode ter certeza que não será a última.


Superinteressante

Preso por fraude no Fies doou meio milhão a João Doria

Por Claudio Dantas

Preso hoje pela Polícia Federal na Operação Vagatomia, o empresário José Fernando Pinto da Costa, dono da Universidade Brasil (Uniesp), doou R$ 500 mil para a campanha de João Doria ao governo de São Paulo.

Pinto da Costa é acusado de comandar esquema de fraude na concessão do Fies e também na comercialização de vagas e transferências de alunos do exterior, principalmente Paraguai e Bolívia, para o curso de medicina em Fernandópolis (SP).

O empresário também doou R$ 2 mil a José Aníbal, candidato a deputado federal não eleito.

O Antagonista

Smartphone Samsung Galaxy S10e 128GB Branco 4G - 6GB RAM Tela 5,8” Câm. Dupla + Selfie 10MP Branco

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O Samsung Galaxy S10e Branco é o Smartphone da próxima geração e foi projetado para não só se destacar, mas para se diferenciar.Ele possui leitor de impressão digital que o desbloqueia com um toque através do botão liga/desliga, localizado próximo ao polegar ou ao dedo enquanto você segura o celular.Conta também com processador Octa-Core, 128GB de armazenamento interno, 6GB de RAM, tecnologia 3G/4G e é Dual Chip.Além de tudo, tem tela infinita de 5,8", câmera dupla traseira Tele-objetiva de 12MP OIS (F1.5/F2.4) + Ultra Wide 16MP (F2.2) e câmera selfie de 10MP.O modo de economia de energia adaptável gerencia a duração da sua bateria com base na previsão do seu dia. Com capacidade de bateria de 3.100 mAh (padrão), você pode viver mais e passar menos tempo carregando.Com certificação IP68, o mais alto padrão de resistência a água e poeira para dispositivos móveis, protege em caso de acidente. O otimizador inteligente de desempenho reconhece seus hábitos, otimizando a maneira com que você interage com ele — e até antecipa suas necessidades pré-carregando seus aplicativos usados com frequência para que eles carreguem instantaneamente.

Link: https://www.magazinevoce.com.br/magazinelucioborges/p/smartphone-samsung-galaxy-s10e-128gb-branco-4g-6gb-ram-tela-58-cam-dupla-selfie-10mp/3963994/

Doria também contra a “ideologia de gênero”

Assim como Jair Bolsonaro, seu potencial adversário em 2022, João Doria foi ao Twitter nesta manhã para atacar a “ideologia de gênero” nas escolas.

“Fomos alertados de um erro inaceitável no material escolar dos alunos do 8º ano da rede estadual. Solicitei ao Secretário de Educação o imediato recolhimento do material e apuração dos responsáveis”, tuitou o governador de São Paulo.

“Não concordamos e nem aceitamos apologia à ideologia de gênero.”

O Antagonista