"Vamos restaurar nossos valores e abrir nossa economia", afirma Bolsonaro em Davos | Clic Noticias

Presidente disse que vai reduzir a carga tributária e que vai tirar a questão ideológica das relações comerciais
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“Vamos restaurar nosso valores a abrir nossa economia”, afirma Bolsonaro em Davos | Foto: Fabrice Coffrini / AFP/ CP
Em seu primeiro discurso internacional como presidente do Brasil, Jair Bolsonaro destacou que o país está “de braços abertos” para o mundo e que quer “mostrar para o mundo o momento único em que vivemos”. Falando na abertura da conferência de Davos, ele disse que vai “restaurar nossos valores e abrir nossa economia” e que sua equipe “goza de credibilidade para fazer as reformas de que precisamos e que o mundo espera de nós”.
“Queremos governar pelo exemplo e que o mundo restabeleça a confiança que sempre teve em nós. Vamos diminuir a carga tributária, simplificar as normas, facilitando a vida de quem deseja produzir, empreender, investir e gerar empregos. Trabalharemos pela estabilidade macroeconômica, respeitando os contratos, privatizando e equilibrando as contas públicas”, disse em sua intervenção de seis minutos.


“O Brasil ainda é uma economia relativamente fechada ao comércio internacional, e mudar essa condição é um dos maiores compromissos deste governo. Tenham certeza de que, até o final do meu mandato, nossa equipe econômica, liderada pelo ministro Paulo Guedes, nos colocará no ranking dos 50 melhores países para se fazer negócios”, garantiu.
O presidente disse que assumiu o Brasil em uma profunda crise ética, moral e econômica após, ser atacado durante a campanha. “Temos o compromisso de mudar nossa história. Pela primeira vez no Brasil um presidente montou uma equipe de ministros qualificados. Honrando o compromisso de campanha, não aceitando ingerências político-partidárias que, no passado, apenas geraram ineficiência do Estado e corrupção,” falou apresentando ao público o ministro Sérgio Moro, a quem chamou de “o homem certo para o combate à corrupção e o combate à lavagem de dinheiro”.
Bolsonaro ainda afirmou que as relações internacionais serão dinamizadas pelo ministro Ernesto Araújo, “implementando uma política na qual o viés ideológico deixará de existir”. “Para isso, buscaremos integrar o Brasil ao mundo, por meio da incorporação das melhores práticas internacionais, como aquelas que são adotadas e promovidas pela OCDE. Buscaremos integrar o Brasil ao mundo também por meio de uma defesa ativa da reforma da Organização Mundial do Comércio, com a finalidade de eliminar práticas desleais e garantir segurança jurídica das trocas comerciais internacionais”, avaliou.
Um dos tópicos mencionados pelo presidente foi a defesa dos valores da família e dos “verdadeiros” Direitos Humanos. “Vamos proteger o direito à vida e à propriedade privada e promover uma educação que prepare nossa juventude para os desafios da quarta revolução industrial, buscando, pelo conhecimento, reduzir a pobreza e a miséria”, disse, em tom firme. “Estamos aqui porque queremos, além de aprofundar nossos laços de amizade, aprofundar nossas relações comerciais”, completou.
“Somos o país que mais preserva o meio ambiente”
A questão ambiental não ficou de fora de sua intervenção. Bolsonaro disse que o Brasil é o país que mais preserva o meio ambiente e que os setores que o criticam têm que aprender com ele. “Nenhum outro país do mundo tem tantas florestas como nós. A agricultura se faz presente em apenas 9% do nosso território e cresce graças a sua tecnologia e à competência do produtor rural. Menos de 20% do nosso solo é dedicado à pecuária. Essas commodities, em grande parte, garantem superávit em nossa balança comercial e alimentam boa parte do mundo”, argumentou. O desafio, conforme ele, é “avançar na compatibilização entre a preservação do meio ambiente e da biodiversidade com o necessário desenvolvimento econômico, lembrando que são interdependentes e indissociáveis”.
“Temos a maior biodiversidade do mundo e nossas riquezas minerais são abundantes. Queremos parceiros com tecnologia para que esse casamento se traduza em progresso e desenvolvimento para todos. Nossas ações, tenham certeza, os atrairão para grandes negócios, não só para o bem do Brasil, mas também para o de todo o mundo. Estamos de braços abertos. Quero mais que um Brasil grande, quero um mundo de paz, liberdade e democracia. Tendo como lema ‘Deus acima de tudo’, acredito que nossas relações trarão infindáveis progressos para todos”, analisou.
Correio do Povo

Bolsonaro promete Brasil entre os “50 mais” | Clic Noticias

Em Davos, Jair Bolsonaro repete que vai “governar pelo exemplo”, que vai diminuir e unificar tributos, “resgatar valores” e “abrir a economia”.
O presidente diz que, em sua gestão, com a liderança de Paulo Guedes, o Brasil estará no ranking dos 50 melhores países para fazer negócio.
O Antagonista

Leia a íntegra do discurso de Bolsonaro em Davos

Bolsonaro no bandejão da Suíça | Clic Noticias

Jair Bolsonaro não apenas almoçou sozinho em Davos como foi no bandejão de um supermercado local, informa o Estadão.
O presidente foi clicado por Alan Santos, fotógrafo da Agência Brasil, enquanto se servia no restaurante repleto de funcionários do do Fórum Econômico Mundial.
O Antagonista

VÍDEO: O discurso de Bolsonaro em Davos | Clic Noticias

Assista ao discurso de Jair Bolsonaro no Fórum Econômico de Davos:


O Antagonista

A pressa do PT em condenar adversários | Clic Noticias



Não é de surpreender ninguém, mas a militância petista e psolista, que defende o corrupto e lavador de dinheiro condenado em segunda instância Lula – e até outro dia o terrorista de extrema esquerda condenado na Itália à prisão perpétua Cesare Battisi –, agora pede, inflamada pelas notícias que ligam funcionários e homenagens de Flávio Bolsonaro a milicianos, a prisão do filho do presidente, que, antes da suspensão determinada por Luiz Fux, vinha sendo investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro na área cível por improbidade administrativa, assim como continuam sendo outros 26 deputados estaduais, entre eles André Ceciliano, do próprio PT, e Eliomar Coelho, do PSOL, além de Carlos Minc, ex-ministro de Meio Ambiente do governo Lula e hoje no PSB, como já registramos.
Todos, obviamente, devem ser cobrados e investigados e, se houver provas de ilicitudes – para além de movimentações bancárias suspeitas –, punidos nos termos da lei. Só é curiosa a pressa condenatória dos defensores de criminosos condenados.
O Antagonista

Onyx tenta dissuadir Simone Tebet de disputa com Renan | Clic Noticias



Onyx Lorenzoni encarregou Leonardo Quintão de tentar dissuadir Simone Tebet de disputar com Renan Calheiros a presidência do Senado, conta Igor Gadelha em Crusoé.
Como O Antagonista publicou mais cedo, o DEM de Onyx ainda aposta em Davi Alcolumbre.
Quintão –que, assim como Simone, é do MDB– não obteve sucesso.
Leia a reportagem:
Crusoé
O Antagonista

Bolsonaro sinaliza que Brasil segue no Acordo de Paris | Clic Noticias

Presidente se reuniu com empresários após discurso no Fórum Econômico Mundial
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Por ora, Brasil segue no Acordo de Paris | Foto: Fabrice Coffrini / AFP / CP
O presidente Jair Bolsonaro disse nesta terça-feira, em reunião com empresários, em Davos, que o País vai continuar no Acordo de Paris, o tratado assinado por 195 países para estabelecer esforços conjuntos para tentar conter o aumento da temperatura do planeta a menos de 2°C até o final do século.
Ele deu a declaração após ser cobrado pelos empresários sobre o que ele pretendia fazer sobre o problema das mudanças climáticas. Além de falar que fica no acordo, disse que não vai aceitar ser acusado de ser responsável por degradação ambiental. Depois, a jornalistas, o presidente disse apenas: “Por ora, será mantido”.
O jornal “O Estado de S. Paulo” apurou no Itamaraty que deverão, porém, ser cobradas contrapartidas. Entre elas, a de que os países desenvolvidos cumpram a promessa de dar US$ 100 bilhões ao ano, a partir de 2020, para ajudar os países em desenvolvimento a fazer sua transição para uma economia de baixo carbono.
Na reunião com empresários, que tinha representantes da Nestlé, Arcelor Mittal, Embraer e de bancos internacionais, o presidente também foi questionado sobre Amazônia e sobre a situação dos povos indígenas. Segundo empresários presentes à reunião, Bolsonaro disse que o fato de haver mudanças no governo na área indígena não significa que os povos serão prejudicados. Em um dos primeiros atos do governo, a tarefa de demarcação de terras indígenas passou da Funai para o Ministério da Agricultura. Mais cedo, após fazer seu discurso oficial, Bolsonaro deu, pela primeira vez, uma declaração no sentido de que vai trabalhar para combater as mudanças climáticas. “Nós pretendemos estar sintonizados com o mundo na busca da diminuição de CO2”, afirmou a Klaus Schwab, fundador do fórum.
A declaração chamou atenção porque até então a posição do novo governo em relação ao problema era bastante incerta. Depois de Bolsonaro ter dito diversas vezes que deixaria o acordo, o governo começou a dar sinais de que voltaria atrás, como informado pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, mas sempre com condicionais.
No Brasil, entidades ambientalistas receberam com ressalvas a falas de Bolsonaro. “É a primeira vez que o presidente menciona luta contra a mudança climática de forma positiva, sem senões ou condicionantes”, disse Carlos Rittl, secretário executivo do Observatório do Clima.
O Greenpeace destacou que “ser o país com mais recursos naturais não quer dizer ser o que melhor preserva o meio ambiente”. A ONG lembra que entre junho de 2017 e agosto de 2018 “o Brasil registrou o maior índice de desmatamento dos últimos 10 anos”.
Estadão Conteúdo e Correio do Povo


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‘Não vai me abalar’, diz Datena sobre acusação de assédio sexual | Clic Noticias

Apresentador se pronunciou ao vivo no ‘Brasil Urgente’ após ser denunciado pela ex-repórter Bruna Drews
José Luiz Datena e Bruna Drews
José Luiz Datena e Bruna Drews Foto: Werther Santana / Estadão | Instagram / @brudrews
José Luiz Datena falou a respeito das denúncias de assédio sexual das quais vem sendo alvo por parte da ex-repórter da Band, Bruna Drews. O apresentador comentou o caso no Brasil Urgente desta segunda-feira, 21.
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Em seu pronunciamento, Datena afirmou que se se sentiu abatido com as denúncias, “mas não vai me abalar a ponto de quebrar minhas pernas”. Ele ainda ressaltou que “defende todas as mulheres”, “vai continuar trabalhando” e confia que a “Justiça mostre o que é verdadeiro”.
Por fim, fez um apelo: “Acredita em mim”.
“Faz 17, 18 anos que, só nesse tipo de programa, eu venho defendendo as mulheres brasileiras contra todo tipo de crime. Calúnia, assédio sexual, abuso sexual, feminicídio… E vou continuar fazendo isso. Eu defendo todas as mulheres.”
Em seguida, Datena criticou Bruna Drews: “Agora, se uma pessoa, independente de ser mulher ou não, me acusa de uma maneira vil, é claro que eu vou ter que responder a isso e pedir que a Justiça faça justiça, mostre a pura verdade.”
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Wilton Junior / Estadão | Danny Moloshok / Reuters
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O apresentador também revelou que as denúncias mexeram com ele: “Eu vou continuar trabalhando. Fazendo meu papel, que sempre fiz. Me abater, é claro, abate qualquer ser humano, mas não vai me abalar a ponto de quebrar minhas pernas.”
“Já enfrentei muita gente perigosa, enfrento até hoje. Já enfrentei muita calúnia, muita mentira, gente que achava que iria me destruir porque eu falo a verdade. Não é dessa vez que vou dobrar os meus joelhos, de forma alguma.”
“Espero só que a Justiça mostre o que é verdadeiro. Tô dizendo isso não é pra imprensa, nem pra ninguém. É pra você, que me assiste há tanto tempo. Pra você, que me para na rua pra me tirar foto, pra sua família, que eu tenho o maior respeito.”
“É por você, telespectador da Band. Acredita em mim. Porque eu tô dizendo a verdade. Eu jamais mentiria pra você. Acredita em mim, o pai de família, pai de cinco filhos e avô de seis netos, casado há 41 anos. Acredita em mim, porque a Justiça vai provar que o que eu digo é verdade”, encerrou.
Confira um trecho do discurso de Datena abaixo:
Vídeo incorporado
Televizona @TeIevizona
Datena voltou a apresentar o #BrasilUrgente e falou pela primeira vez na TV sobre as supostas acusações de assédio sexual feita pela ex-repórter do programa, a jornalista Bruna Drews!
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Entenda as denúncias de assédio sexual contra José Luiz Datena
Em entrevista ao Fofocalizando, do SBT, na última sexta-feira, 18, Bruna confirmou denúncias envolvendo Datena que foram publicadas pelo site Notícias da TV, afirmando que o fato teria ocorrido por volta do meio do ano passado.
Segundo as acusações, em uma confraternização com a equipe em um restaurante, Datena teria dito frases como “já bati muita p*** pra você, você nem imagina o quanto” e “é um desperdício você namorar uma mulher, não deve ter conhecido o homem certo”.
Posteriormente, o apresentador negou as acusações, afirmando que trata-se de “calúnia” e alegando que a profissional sofreria de problemas psicológicos.
“Ele falou muito que estou delirando, que estou doente, mas eu confirmo todas as informações de assédio que foram publicadas”, afirmou Bruna.
Bruna também ressaltou alguns momentos que ocorriam durante suas participações no Brasil Urgente, em que o apresentador falava sobre sua beleza durante as reportagens.
“Já me sentia muito constrangida com o assédio que sofria no ar. Era nítido meu constrangimento, sabe? Meus pais ficavam envergonhados. Mas eu precisava do salário, pagava coisas pros meus pais, tinha que sustentar uma casa, então eu aguentava.”
“Quando aconteceu o assédio real, frente a frente, num restaurante, aí eu decidi mesmo que devia procurar a Justiça e denunciar. Procurei um advogado logo depois que esse assédio foi feito.”
Em seguida, a repórter explicou o motivo de ter esperado meses para realizar a denúncia: “Eles pediram pra segurar um pouco pra gente fundamentar toda a nossa história. O prazo pra gente divulgar o assédio é de seis meses. A gente esperou até o último momento pra que a gente fundamentasse a história, tivesse testemunhas.”
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Emais Estadão
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Bruna afirma que enviou uma carta à Band comunicando sobre o assédio, mas ficou decepcionada com a postura da emissora. Como resposta, teria recebido a sugestão: “Fica em casa um tempo, descansa.”
“Ouvi frases de funcionários da Band, superiores, inclusive, falando: ‘Isso é típico do Datena. Ele faz isso com quem ele gosta’. Espero que ele seja punido e que a verdade seja mostrada. Alguém precisa parar esse homem, e espero que eu seja essa pessoa. “
“Já desisti da minha carreira, exatamente por causa dele e por causa da Band. Tô bem destruída por dentro, não tenho mais esperança nenhuma em voltar à televisão, por isso que hoje tô abrindo o jogo”, concluiu.
Após a repercussão do caso, Bruna usou seu Instagram para publicar uma mensagem.
“Estou do lado da verdade! Consciência limpa e tranquila! Faço isso por todas as mulheres que são obrigadas a passar por isso diariamente!”, escreveu, ao lado das hashtags “Mexeu com uma, mexeu com todas” e “Ninguém solta a mão de ninguém”.
O lado de Datena
“Isto é calúnia”, afirmou Datena sobre as acusações em nota enviada ao Fofocalizando. O apresentador afirmou que Bruna possui problemas “psicológicos, problemas de família, pessoais e trabalho” e que a teria apoiado como faz com todos os profissionais com quem trabalha.
“Com boa parte da equipe [presente], eu reiterei a ela que era bonita e competente e que não precisava emagrecer mais para trabalhar em TV. Preocupado com sua saúde, quanto às opções [sic] sexuais dela, eu respeito como sempre respeitei publicamente as opções [sic] de cada um. Dia depois, ela me procurou agradecendo meus conselhos.”
Datena também garantiu que irá tomar providências jurídicas contra Bruna Drews, “em respeito à minha mulher com quem sou casado há 41 anos, aos meus cinco filhos e seis netos.”
VEJA TAMBÉM: Personalidades que já se envolveram em casos de assédio ou abuso sexual
https://www.instagram.com/p/BPYs0c9lVrA/ / Globo/Paulo Belote / Epitácio Pessoa/AE
Ver Galeria 22

“Espero que resolva seus problemas psicológicos, que são muitos e anteriores aos fatos que ela descreve, de outra forma que não seja tentar destruir pessoas que quiseram ajudá-la.”
“Você me conhece. Tenho muitos defeitos, mas este não está entre eles. Minha vida profissional tem sido, em grande parte, pautada pela defesa da mulher, diariamente no programa que eu faço”, encerra o apresentador.
Band
Procurada pelo E+ na ocasião das primeiras denúncias de assédio na sexta-feira, 18, a assessoria da Band enviou a seguinte nota: “O processo trabalhista em questão tramita em segredo de Justiça, a pedido, inclusive, da própria autora. A Band está impedida de se manifestar sobre o assunto.”
E+ também entrou em contato com o advogado de Bruna Drews, Vitor Kupper, que informou que “existem os processos trabalhista e criminal em andamento”, e que “ambos correram em segredo de Justiça”.
“Não posso dar maiores detalhes sobre o caso, apenas que as medidas judiciais estão sendo tomadas para apuração dos fatos e responsabilização dos envolvidos”.


Estadão

Temer perdoou R$ 47,4 bi de dívidas de empresas, maior anistia em 10 anos | Clic Noticias

Débitos tributários. Valor só perde para Refis da crise feito por Lula no fim de 2008 que anistiou R$ 60,8 bi, mas daquela vez firmas sofriam impacto brutal da crise financeira global; governo é contra concessão de novos programas

Adriana Fernandes, O Estado de S. Paulo
BRASÍLIA – O último grande Refis, concedido pelo governo federal durante a gestão do ex-presidente Michel Temer, perdoou R$ 47,4 bilhões em dívidas de 131 mil contribuintes, de acordo com o balanço final do programa de parcelamento de débitos tributários, obtido pelo ‘Estadão/Broadcast’. O restante – R$ 59,5 bilhões, ou pouco mais da metade da dívida original – foi parcelado em até 175 prestações.
Os parcelamentos especiais permitem que empresas refinanciem dívidas com descontos sobre juros, multas e encargos. Em troca, o governo recebe uma parcela da dívida adiantada, mas abre mão de uma parcela do que ganharia com juros e multas.
Michel TemerValor anistiado por Temer só perde para Refis da crise, feito por Lula no fim de 2008, que anistiou R$ 60,8 bi Foto: EVARISTO SA / AFP
Parlamentares, muitos deles inclusive com dívidas com o Fisco, fizeram ao longo de 2017 forte pressão sobre o governo Temer para melhorar as condições do Refis, lançado em janeiro e que acabou virando lei só em outubro do mesmo ano. Em meio às investidas, o governo cedeu de olho num futuro apoio à reforma da Previdência – que acabou sendo engavetada. Os descontos chegaram a até 70% em multas e 90% em juros.
Com os abatimentos, a renúncia do Refis do ano passado – oficialmente chamado de Programa Especial de Regularização Tributária (Pert) – só foi menor que o perdão de R$ 60,9 bilhões do Refis da Crise, lançado no fim de 2008, depois que as empresas brasileiras foram atingidas pelo impacto da crise financeira internacional.
Os dados oficiais já estão nas mãos do secretário especial da Receita Federal, Marcos Cintra, que disse contar com aumento da arrecadação com a certeza dos contribuintes de que na gestão do ministro da Economia, Paulo Guedes, não haverá mais programas de parcelamento de débitos tributários. Cintra é contrário aos parcelamentos especiais e está à frente da elaboração de um programa de combate ao devedor contumaz. Para ele, os Refis têm sido usados como artifício protelatório por devedores viciados nesse tipo de programa.
“A principal mensagem e missão frente à Receita é fazer todos pagarem, pois assim os atuais contribuintes pagarão menos, e a pressão fiscal poderá diminuir”, diz Cintra ao Estadão/Broadcast. “Em princípio, defendo a proibição de novos programas de parcelamentos incentivados”, acrescenta.
Acomodação. Os dados entregues a Cintra apontam que a concessão reiterada de parcelamentos “criou acomodação nos contribuintes, que não se preocupam mais em liquidar suas dívidas”. No balanço final dos parcelamentos, o Fisco identificou que um grupo importante de contribuintes participou de três ou mais modalidades de Refis, o que para a Receita caracteriza utilização contumaz desse tipo de parcelamento. A Receita avalia que há uma clara estratégia dos devedores em ficarem “rolando” a dívida.
O raio-X dos últimos grandes Refis revelou que os contribuintes que aderiram a três parcelamentos ou mais detêm uma dívida superior a R$ 160 bilhões. Desse valor, quase 70% são de empresas que têm faturamento anual superior a R$ 150 milhões e estão sujeitas a acompanhamento diferenciado pelo Fisco.
A metade dos contribuintes, historicamente, após a adesão se torna inadimplente, seja das obrigações correntes com o pagamento dos impostos seja das parcelas do programa. O calote leva à exclusão do programa e o contribuinte e o fim dos benefícios.
A justificativa do Congresso para tentar ampliar os descontos do último programa era sempre dar condições aos empresários afetados pela crise para regularizar a situação, voltar a ter capacidade de investir e poder pagar suas obrigações em dia. Mas, segundo os dados da Receita, as empresas optantes dos programas apresentaram crescimento de lucros nos anos de parcelamento e queda no período anterior, em movimento contrário ou de maior proporção ao das companhias que não fizeram a adesão ao programa.
Além de fechar as brechas para novos Refis, o novo governo quer simplificar a legislação e eliminar os pontos de conflito que geram disputas judiciais com os contribuintes.
Estadão