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Ospa Jovem e Arthur Barbosa | Foto: Maí Yandara / Divulgação / CP
No 20º Encontro de Violoncelos do RS, a Ospa Jovem se apresenta neste domingo, 17h, na Sala de Concertos da Casa da Música da Ospa, situada no Centro Administrativo do Estado (Borges de Medeiros, 1501). Sob a regência de Arthur Barbosa, tocará obras de diferentes épocas e estilos, incluindo trechos de óperas e temas de filmes. O solista será Rafael Honorio Sobrinho, 21 anos, aluno da escola e vencedor do 1º Concurso para Jovens Violoncelistas do RS. A entrada é franca.
A abertura é com “Marcha Turca”, do conjunto de peças de música incidental “As Ruínas de Atenas”, de Beethoven. Depois vem o primeiro movimento do “Concerto para Violoncelo, Cravo e Codas”, de Georg Matthias Moon; “O Barbeiro de Sevilha”, de Rossini; “Sheherazade”, de Rimsky-Korsakov; a “Dança Eslava nº 7”, inspirada no folclore; “O Trenzinho Caipira”, de Villa-Lobos; e “Suíte Chimango nº 1”, de Arthur Barbosa. A seguir será executada a abertura de “Orfeu no Inferno” de Offenbach. O final será com a suíte do filme “Senhor dos Anéis” e “Into The Storm”, da mesma trilha.
Um dos maiores pianistas do mundo, Nelson Freire, é o convidado da Orquestra de Câmara Theatro São Pedro, domingo, às 18h, e segunda, 20h, no Theatro São Pedro (Praça da Matriz, s/nº). Consagrado universalmente, com honrarias em vários países, ele já tocou neste palco inúmeras vezes, voltando agora para homenagear Eva Sopher, com o “Concerto nº 2 em Fá Menor”, de Chopin, uma das obras preferidas da ex-presidente da Fundação Theatro São Pedro, falecida em fevereiro último.
Pra começar será interpretada a abertura da ópera “As Bodas de Fígaro” e a “Sinfonia nº 40”, de Mozart, e após um breve intervalo a orquestra acompanhará Freire em sua interpretação de Chopin. Natural de Boa Esperança (MG), ele, aos 14 anos, já era considerado um grande mestre do piano. Estudou em Viena, aos 19 conquistou seu primeiro prêmio internacional, mas o grande debut foi aos 23 anos, em Londres. Um ano depois foi considerado, pela revista Time, “um dos maiores pianistas dessa ou qualquer outra geração”, pela apresentação com a Filarmônica de Nova Iorque. A partir de então, atuou ao longo de cinco décadas em cerca de 70 países.
Cantora foi vítima de uma virose e passa por bateria de exames
Não houve necessidade de alterar nenhuma data de show já que artista estava de férias | Foto: Reprodução / Instagram / CP Memória
A cantora Maria Bethânia, 72, foi internada no Rio de Janeiro neste sábado. A artista foi vítima de uma virose e decidiu aproveitar a passagem pelo Hospital Samaritano para fazer uma bateria de exames. De acordo com a assessoria de Bethânia, cuja carreira musical já soma mais de 50 anos, ela passa bem e não há qualquer gravidade em sua situação. Bethânia, que é irmã de Caetano Veloso, deve receber alta no domingo. Como a cantora estava em férias, não houve necessidade de alterar nenhuma data de sua agenda de shows.
O Estadão, em editorial, diz que se o governo conseguiu economizar R$ 9,6 bilhões cortando benefícios como auxílios-doença e aposentadorias por invalidez, é porque há muita irregularidade e fraude no INSS.
Exame ocorrerá “por precaução” após possível novo incidente envolvendo envenenamento
Reino Unido investiga novo possível caso de envenenamento | Foto: Niklas Halle'n / AFP / CP
Um hospital britânico anunciou neste sábado que estava fazendo um exame médico em um policial britânico, a pedido do mesmo, para detectar uma possível exposição ao agente nervoso Novichok, depois do envenenamento com a substância de um casal no sudoeste da Inglaterra semana passada.
O policial "pediu uma avaliação médica em relação ao incidente de Amesbury" e está sendo transferido para a cidade de Salisbury para se submeter a "exames especializados", indicou o hospital de Salisbury em um comunicado.
O texto diz que o risco para o público em geral é baixo. O escritório local da Polícia informou que os exames feitos em um de seus membros são "por precaução".
Esta semana, um homem de 45 anos e uma mulher de 44, encontrados inconscientes em uma residência de Amesbury, foram hospitalizados em estado crítico após terem sido expostos ao agente nervoso por manipular um objeto contaminado com Novichok em Salisbury no fim de semana passado, segundo a Polícia britânico.
O mesmo agente nervoso deixou à beira da morte há quatro meses o ex-agente duplo russo, Serguei Skripal, e sua filha, Yulia. Ele reside em Salisbury, não muito longe de Amesbury.
Ministério da Saúde tem dados que mostram que todas coberturas vacinais do calendário estão abaixo da meta
MS tem dados que mostram que todas coberturas vacinais do calendário estão abaixo da meta | Foto: Cristine Rochol / PMPA / Divulgação / CP
Dados do Ministério da Saúde mostram que a aplicação de todas as vacinas do calendário adulto estão abaixo da meta no Brasil – incluindo a dose que protege contra o sarampo, doença que registra surtos em, pelo menos, três estados. Entre as crianças, a situação não é muito diferente – em 2017, apenas a BCG, que protege contra a tuberculose e é aplicada ainda na maternidade, atingia a meta de 90% de imunização.
A tendência de queda nas coberturas vacinais, segundo a pasta, começou a aparecer em 2016 e vem se acentuando desde então. Em 312 municípios brasileiros, menos de 50% das crianças foram vacinadas contra a poliomielite. Apesar de erradicada no país desde 1990, a doença ainda é considerada endêmica em pelo menos três países – Nigéria, Afeganistão e Paquistão – e ensaia uma reintrodução nas Américas caso a cobertura vacinal não se mantenha em 95%.
A coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, Carla Domingues, avaliou que o sucesso da vacinação no país ao longo das últimas décadas e a consequente erradicação de doenças criaram uma falsa sensação de que as doses não são mais necessárias. Outro problema, segundo ela, é a divulgação das chamadas fake news nas redes sociais e que, no caso das vacinas, podem causar alarde e assustar a população.
“Se não tivermos a população devidamente vacinada, poderemos ter o risco de reintrodução de doenças”, alertou. “Existe, por exemplo, um fluxo constante de pessoas viajando. Se pararmos de vacinar, uma pessoa doente chega ao país e o vírus tem a chance de voltar a circular. Enquanto a doença não for erradicada no mundo, precisamos da vacinação”, completou.
Sarampo
De acordo com a coordenadora, a situação do sarampo no Brasil é a que mais preocupa. Amazonas e Roraima, juntos, já registram cerca de 500 casos confirmados e mais de 1.500 em investigação. O Rio Grande do Sul também confirmou pelo menos seis casos. Países de alta renda, segundo Carla, “relaxaram” com a vacinação. Itália, Grécia e Bulgária são exemplos de nações com baixa cobertura vacinal para a doença.
“O sarampo é um risco concreto. Mais de 450 casos confirmados no Norte, em Roraima e no Amazonas. Há casos confirmados no Rio Grande do Sul. [Estamos] Investigando casos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Podemos ter uma retransmissão do sarampo em todo o país”, alertou. “Os próprios profissionais de saúde deixaram de achar que recomendação de vacina é importante”.
A orientação do ministério é que todas as crianças, adolescentes e adultos até 29 anos recebam as duas doses previstas para imunização. Adultos com idade entre 30 e 49 anos devem receber uma dose.
Campanhas
Até 2012, o Brasil realizava duas campanhas anuais de vacinação contra a pólio – época marcada pelo personagem Zé Gotinha. Atualmente, acontecem apenas as campanhas de vacinação contra a gripe e de multivacinação, quando as doses do calendário infantil que estão atrasadas são atualizadas. Entretanto, conforme recomendação da Organização Mundial da Saúde para situações de baixa cobertura, a pasta volta a realizar este ano campanha de vacinação contra a pólio e o sarampo.
As doses, segundo Carla, devem ser distribuídas em todo o país de 6 a 31 de agosto, no formato de campanha indiscriminada. Isso significa que todas as crianças com idade entre 1 ano e menores de 5 anos que procurarem os postos nesse período vão ser imunizadas – mesmo as que já haviam cumprido as doses previstas no calendário infantil. “Será uma oportunidade de dar à criança mais um reforço e aumentar a imunidade”, explicou.
Estratégias
Ainda de acordo com a coordenadora, a estratégia do ministério frente à baixa cobertura vacinal e aos recentes surtos registrados em diferentes regiões do país é a de mobilizar a sociedade e gestores para alertar sobre os riscos. Há situações, segundo ela, que envolvem, por exemplo, bairros específicos com baixa adesão às vacinas ou ainda problemas na hora de registrar os dados no sistema.
“A população só procura vacina quando o surto está na mídia e temos pessoas morrendo. Fora isso, as pessoas não são vacinadas. Como se a vacina fosse uma ação curativa e não preventiva. Ela deve vir antes do surto. É dessa forma que você ganha imunidade. Até porque a vacina vai demorar pelo menos 15 dias para fazer efeito e, em um surto, nesse espaço de tempo, você não fica devidamente protegido.”
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Previsão de chuva e risco de ar dentro das cavernas ficar tóxico por causa do dióxido de carbono têm pressionado autoridades a agir com rapidez
Dióxido de carbono produzido pelas centenas de trabalhadores que tentam retirar os estudantes do local é outro fator que põe em risco a operação | Foto: Handout / ROYAL THAI NAVY / AFP / CP
As autoridades tailandesas avaliam que o prazo para o resgate do grupo de 12 meninos e o treinador deles, presos há duas semanas em um complexo de cavernas, está se esgotando. Segundo o jornal inglês The Guardian, o governo local estima ter entre três e quatro dias para retirar o grupo.
O principal motivo para apressar os planos é a previsão de mais chuva para a região, o que poderia elevar ainda mais o nível de água e dificultar a resgate. Além disso, o dióxido de carbono produzido pelas centenas de trabalhadores que tentam retirar os estudantes do local é outro fator que põe em risco a operação.
"Não importa quanto oxigênio nós tenhamos, não podemos sobreviver (com alto nível de dióxido de carbono) porque nosso sangue ficará tóxico", disse o governador da província de Chiang Rai, Narongsak Osatanakorn, neste sábado. Ele acrescentou que os próximos três dias são "os mais favoráveis". "Se nós esperarmos muito mais, não sabemos quanto de chuva virá", ressaltou.
Na sexta, a rede de TV norte-americana ABC afirmou que já existe um plano para que o resgate seja feito ainda neste fim de semana. No entanto, isso ainda dependia da aprovação das autoridades. Osatanakorn afirmou que na sexta-feira o nível de oxigênio na parte da caverna onde está o grupo havia caído para 15% — abaixo do recomendável, que é 21%. Ele alertou que abaixo de 12% "o corpo começa a desacelerar e as pessoas ficam inconscie
Entendimento de órgão é que Petrobras visa reduzir direitos adquiridos pela categoria
Federação de petroleiros rejeita novo plano de carreira da Petrobras | Foto: Marcelo Casal Jr/ ABr
A Federação Única dos Petroleiros (FUP) está orientando os empregados da Petrobras a não aceitar o novo Plano de Carreira e Remuneração (PCR), alegando que a intenção da companhia é retirar direitos dos trabalhadores. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o coordenador da FUP Simão Zanardi alerta que a empresa pretende gastar até R$ 1,4 bilhão na implantação do PCR, e que em quatro anos quer recuperar esse valor com a redução de direitos adquiridos pelos petroleiros.
A Petrobras iniciou nesta semana a divulgação do Plano de Carreira e Remuneração (PCR) para seus empregados, que visa substituir o Plano de Classificação e Avaliação de Cargos (PCAC). A empresa vai oferecer um bônus a quem aderir ao PCR, mas não confirmou o valor informado pela FUP, alegando que precisa terminar a adesão para saber qual será o total demandado.
"Cada empregado que migrar para o novo plano receberá um valor proporcional ao nível salarial da carreira que ocupa e correspondente regime de trabalho", informou a companhia. "O prazo para a migração voluntária dos empregados da Petrobras para o PCR vai até 14 de setembro. Apenas após esta data que a companhia terá informações sobre o número de adesões ao PCR e o valor de abono pago aos seus empregados", disse em nota.
Segundo Zanardi, o retorno dos recursos investidos para o pagamento de bônus virá da perda de direitos dos trabalhadores, que não receberão mais promoções por antiguidade como estavam habituados, em 24 meses. Pelo PCR, esse avanço será feito em 60 meses. "E por que ela (Petrobras) vai recuperar em 4 anos? Porque o PCR acaba com o avanço por antiguidade", diz Zinardi no vídeo.
Autoridades federais, estaduais e municipais não sabem qual origem do surto que atingiu quase 600 pessoas
Laboratório de Santa Maria analisa amostras de sangue | Foto: Alina Souza
A falta de informação e a incerteza sobre as causas e consequências do surto de toxoplasmose em Santa Maria, na região Central do Rio Grande do Sul, têm causado confusão e pânico. A população ainda não sabe se a fonte de contaminação é a água que chega às torneiras ou as hortaliças ingeridas, conforme informado recentemente pelo poder público, o que acaba afetando a rotina dos moradores. Há mais de dois meses uma doença misteriosa começou a ser investigada na cidade. Com os primeiros sintomas, os casos foram tratados “síndrome febril”. Em pouco mais de uma semana, o surto de toxoplasmose foi confirmado. Logo em seguida, veio o efeito dominó. Pelo menos 594 pessoas já foram diagnosticadas com a doença. A causa segue sendo apurada pelos órgãos de Saúde, municipais, estaduais e federal, por meio do Ministério da Saúde, que considera o surto como o maior do país até o momento. Na sexta-feira, uma coletiva de imprensa no município anunciou que, nas amostras de água enviadas para análise, foi encontrado um protozoário toxoplasma gondii. O organismo foi localizado em uma caixa d’água no Centro de Santa Maria. Apesar disso, a secretária de Saúde do município, Liliane Mello, disse que o DNA do protozoário é diferente daquele presente nos casos do confirmados do surto. Portanto, a investigação continuará. “O Ministério da Saúde esclarece que o surto de toxoplasmose no município de Santa Maria (RS) tem como mais provável causa a contaminação pela água, com possível contaminação de hortaliças como causa secundária. (...) Vale ressaltar que as outras possíveis causas comuns em casos de toxoplasmose foram eliminadas durante a pesquisa, como carne bovina, de frango e queijos, entre outros alimentos”, informou o órgão, por meio de nota. Diversas reuniões e análises laboratoriais vêm sendo feitas, mas, até o momento, a população precisa conviver com a dúvida. Ainda em junho, o secretário estadual de Saúde, Francisco Paz, afirmou que as causas eram desconhecidas. Um dia depois, o ministro da Saúde, Gilberto Occhi, disse que a “culpada” era a água. A declaração foi duramente criticada por especialistas e envolvidos na investigação da doença.
Entre os bairros com maior incidência da enfermidade estão o Parque Pinheiro Machado e o Urlândia, ambos perto de um novo shopping da cidade. Uma moradora da região comentou que, em decorrência das obras realizadas no local, tubulações de água foram rompidas. Isto, segundo ela, poderia estar relacionado com a origem da doença, pois ocorreu no mesmo período. Para ela, amostras coletadas após dois meses não devem mostrar o que ocorreu na época. “A água é fluida, se os casos começaram a diminuir, pode ser que agora as pessoas não estejam sendo contaminadas.” Conforme o superintendente da Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Santa Maria, Alexandre Streb, não há nenhuma obra específica que esteja no foco das investigações. “Temos a programação de cruzar os dados de todas as obras. Assim que conseguirmos esse levantamento, vamos começar o cruzamento e investigar se há relação.” Até o momento, as equipes possuem georreferência apenas das residências das pessoas diagnosticadas. “Isso não quer dizer que todos tenham se contaminado em casa, temos que entender se não foi no local de trabalho. Teremos um longo trabalho de investigação e, infelizmente, a qualificação dos dados demora.” Segundo ele, as únicas causas já descartadas pela investigação são as carnes e os embutidos. “São itens que até podem estar associados à contaminação endêmica, mas foram descartados enquanto causadores do surto. Hoje os grandes suspeitos são a água e as hortaliças”, declarou. A possibilidade de uma ou mais obras da cidade estarem relacionadas com a origem do surto não foi descartada pelas equipes da Vigilância. Outro morador que preferiu não se identificar, e admitiu que prefere preservar o nome por medo, descobriu ter a doença em maio. “Até hoje não sei como fiquei doente, eu suava todas as noites, tive muita febre e cheguei a perder quatro quilos. Minha esposa e minha filha não estão contaminadas, mas eu estou e quero saber o quanto antes o motivo. Se for a água, não há dúvida: vou entrar na Justiça”, enfatizou. Ele disse que conhece muitas outras pessoas que contraíram a doença e preferem não falar sobre o assunto: seja pelo receio de um preconceito ou até mesmo pelo constrangimento. “Estão falando que é doença de gente suja, então muitos não querem comentar.” Há quem diga que o surto de toxoplasmose “só pode ser mentira”. É o caso de Noedila Moreira da Costa, 82 anos. Ela comentou que não consegue levar o assunto a sério, justamente porque os responsáveis ainda não chegaram a uma conclusão. “Moro aqui faz 25 anos e nunca tinha ouvido falar de algo tão grave, prefiro não acreditar.” Para Noedila, é preciso desconfiar da demora.
Não consigo entender, estão desde abril tentando encontrar e nada? Não é possível.
Noedila Moreira da Costa
82 anos
A administradora Ana Laura Gonçalves, 40 anos, afirmou que o marido de uma colega de trabalho descobriu a doença em maio e teve complicações por conta da diabetes. “Para ele foi ainda pior, mas está controlando a situação com o tratamento.” Depois das primeiras notícias sobre a toxoplasmose, Ana Laura passou a comprar água mineral. “Já não tomava muita água, agora, muito menos. Compro mineral por causa da minha neta de 3 anos, mas admito que tenho medo.” Mesmo com o crescente número de casos, ela disse que está circulando a informação de que o surto foi encerrado e então as pessoas estão deixando os cuidados de lado. “Acho que todos deveriam levar o assunto a sério, mas sinto que falta informação, principalmente sobre a causa exata, parece que virou brincadeira e já tem gente deixando a questão de lado”, enfatizou. Em frente ao Pronto Atendimento 24 Horas de Santa Maria, a aposentada Cecília de Pacco Corrêa, 64 anos, aguardava o neto sair de uma consulta. Felizmente não se tratava de toxoplasmose, mas ela admitiu que a situação na região está preocupante. “Estamos confusos. Desde o início sigo as orientações e passei a higienizar melhor os legumes, coloco até vinagre para limpar, mas a carne suína, que eu gostava muito, tive que retirar do cardápio”, disse. O marido de Cecília chegou a apresentar suspeitas da doença, como febre alta e dores nas articulações, mas teve que esperar 15 dias para receber o resultado do exame. “Que bom que deu negativo, mas ficamos angustiados com a demora.”
Consequências da doença
O medo de não conseguir segurar o pequeno Muryel no colo tomou conta dos pensamentos de Camila Alberti da Silveira, que, aos 23 anos, descobriu, na véspera do nascimento do terceiro filho, que tinha sido contaminada pela toxoplasmose. Em 28 de maio, ao levar o resultado dos exames laboratoriais à Unidade Básica de Saúde, viu que também fazia parte do número de casos confirmados do surto de doença. Na mesma data, à noite, as contrações apareceram e por volta das 23h ela precisou buscar auxílio: Muryel estava chegando. Tudo aconteceu em meio à greve dos caminhoneiros, que causou transtornos em todo o Brasil, incluindo a falta de combustível generalizada. “Ligava para a Samu, a única já estava em andamento pela cidade, o Corpo de Bombeiros estava sem gasolina e a Brigada Militar não podia transportar gestante por não ter os equipamentos adequados. Então o Cristiano (marido) começou a bater de porta em porta aqui na rua”, lembrou. Depois da busca incansável, que durou mais de 1 hora, por uma carona até a Casa de Saúde, Camila e Cristiano encontraram um vizinho que poderia levá-los. “Eu fui, mas não parava de pensar e sentir aquele medo de perder meu filho.” O casal reside no bairro Nova Santa Marta, a cerca de 7 quilômetros do hospital. Camila realizou exames em janeiro, cujos resultados apontaram negativo para toxoplasmose, mas em maio, justamente no período de surto da doença, as coisas mudaram. “Não tive nenhum sintoma”, contou. Aos 45 minutos do dia 29 de maio, enfim, chegou o bebê. Com 2,235 quilos e 36 semanas, Muryel foi retirado do ventre da mãe. O momento de emoção foi atropelado por uma notícia triste: a toxoplasmose foi transmitida ao bebê. Logo após o nascimento, Muryel teve uma parada respiratória e Camila não pôde segurá-lo nos braços. “Foi um baque. Não me deixaram ver ele. Fiquei triste quando soube que tinha passado a doença pra ele.”
Após o parto, Camila permaneceu 15 dias internada. A balança começou a preocupar a mãe, pois Muryel estava perdendo peso. “Ele chegou a 1,925 quilo”, disse. Quando saíram do hospital, Camila precisou correr. O tratamento de Muryel terá duração de 1 ano e 6 meses. Durante esse período, Camila precisa alimentá-lo com um leite especial e, além disso, ficar atenta aos dias e horários dos medicamentos. Com pouco mais de 1 mês de vida, Muryel já toma três tipos de remédios, dois deles diariamente e o terceiro três vezes por semana. “Tive que correr atrás para conseguir os remédios de graça, se não conseguisse a manipulação seria R$ 400,00 por mês. Não teria condições de pagar.” O tratamento deve estabilizar a saúde de Muryel, que já nasceu com 15% da visão comprometida no olho direito. “A prioridade é e vai ser sempre ele. A importância máxima é a vida do meu bebê”, enfatizou. Conforme a médica infectologista de Santa Maria Paula Martinez, a cidade está vivendo o maior surto de toxoplasmose do mundo. “O começo foi mais turbulento porque tivemos que organizar, montar fluxos de urgência, justamente porque a demanda era imediata, mas agora o que nos preocupa é manter essa eficiência. Todos os pacientes estão sendo atendidos”, ressaltou. Para Paula, é preciso garantir a continuidade do tratamento de todos. “Ampliamos a atenção que as gestantes já tinham no Hospital Universitário (HUSM), foram abertas vagas extras e os fluxos estão consolidados. Porém, no momento que se fala em prevenção, diagnóstico e tratamento, é preciso ter a garantia.” Até o final de junho, tanto os atendimentos quanto os medicamentos foram pagos com recursos do município e do Estado. “Isso nos preocupa.” Os tratamentos, de acordo com Paula, nem sempre são rápidos e, em certos casos, são superiores a um ano. “São tratamentos longos e a medicação precisa ser garantida. Precisamos manter a eficiência do atendimento para garantir que os pacientes que têm um problema possam resolvê-lo ou no mínimo amenizá-lo."
Gestantes em risco
O maior alerta está direcionado às gestantes. De acordo com a secretária de Saúde de Santa Maria, Liliane Mello Duarte, é fundamental que as mulheres evitem a gravidez durante o período do surto. A infectologista Paula Martinez reitera: “Tudo se torna difícil na gestação, comer, tomar remédio. É uma medicação que dá muito efeito colateral, além dos efeitos da gestação, tem que tomar o medicamento em prol do bebê e ainda há toda uma pressão psicológica”. Se a mulher descobre a toxoplasmose antes de engravidar e faz o tratamento, a imunidade contra o parasita é repassada ao bebê e ele não será prejudicado. Durante a gestação, porém, há fatores que complicam tanto o tratamento, quanto a saúde da criança. O exame que detecta a presença da doença é realizado no pré-natal do primeiro trimestre e do último, segundo determinação do Ministério da Saúde. “Se o diagnóstico é feito no primeiro trimestre, a gestante precisa ingerir seis comprimidos por dia, até as 18 semanas. Depois disso, são 11”, explicou Paula. Estes casos são mais raros, segundo ela, mas podem ser mais devastadores. “Geralmente os abortos ou óbitos fetais ocorrem neste período”, comentou. O tratamento psicológico para as mulheres que perderam os bebês ainda está sendo organizado. “É uma coisa nova, ainda não temos um fluxo formado para isso, mas uma demanda está existindo. Vamos encaminhar essas pacientes para psicólogos e psiquiatras, se necessário. A pauta já está na Secretaria da Saúde”, garantiu. Se a toxoplasmose é descoberta no final da gestação, os bebês já estão formados, mas correm os mesmos riscos que os adultos. “Podem ter lesão neurológica, ocular, miocardite (inflamação da camada média da parede do coração), tudo o que podemos ter. Por isso é necessário fazer uma bateria de exames, coletar a sorologia e buscar minimizar os problemas, saindo com a prescrição da medicação direto do hospital”, detalhou. A medicação ainda é uma luta para os órgãos de Saúde. “Não temos apresentação pediátrica para o remédio. É a mesma medicação que as gestantes tomam, mas não temos em forma de xarope, por isso é necessário manipular”, disse. A questão da dificuldade de acesso ao medicamento para os bebês e o enfrentamento da doença foram tratados em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal, realizada em Brasília no dia 28 de junho.
Audiência Pública
Para a secretária da Saúde, Liliane Mello Duarte, a reunião foi fundamental. “A bancada gaúcha nos deu total apoio, foram dados alguns encaminhamentos importantes.” A toxoplasmose é uma doença endêmica, que está presente em todo o Brasil e no mundo inteiro, mas ultimamente foram constatados surtos – este ano em Santa Maria e, em 2015, em São Marcos, na Serra Gaúcha, registrado em menor escala, com 146 casos confirmados. “Precisamos que sejam revistas algumas políticas públicas a nível nacional, foi isso que tratamos no encontro. A principal, que já existe um projeto de lei, é a ampliação da sorologia do Teste do Pezinho para incluir o exame da toxoplasmose, onde será possível constatar se há a presença da doença congênita.” Segundo Liliane, mesmo que a gestante não tenha descoberto a doença, é importante iniciar o tratamento no bebê. Entre os encaminhamentos feitos na audiência pública, conforme Liliane, está a solicitação para que o exame que identifica a toxoplasmose seja realizado mensalmente durante o pré-natal. “Atualmente o Ministério da Saúde prevê que o exame ocorra no primeiro e no terceiro trimestre, mas isso precisa ser revisto. Para nós, teria que ser mensal, principalmente na região Sul”, disse. O atendimento para pacientes com sequelas oculares e para as crianças com toxoplasmose congênita também foi solicitado. Sobre a medicação que as crianças com toxoplasmose congênita precisam ingerir, Liliane ressaltou que é necessário que o Ministério da Saúde tome uma atitude. “Hoje a medicação é manipulada e isso é um caos. Então que o Ministério entre em acordo com a indústria farmacêutica e que exista um xarope pronto para dar para as crianças. É uma questão de ser fabricado em larga escala. Que o Ministério faça isso para essas mães, pois isso não é um caso isolado de Santa Maria, temos a doença no Brasil inteiro, aqui houve um surto, mas o problema está espalhado.”
Hoje a medicação é manipulada e isso é um caos. Então que o Ministério entre em acordo com a indústria farmacêutica e que exista um xarope pronto para dar para as crianças.
Liliane Mello Duarte
Secretária de Saúde de Santa Maria
O envio de recursos para o Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) também esteve em pauta. “O HUSM é a nossa referência para alto risco. Ele foi habilitado, mas não recebeu um centavo. Sinalizaram a possibilidade de atendimento, mas não efetuaram nenhum repasse. É isso que está acontecendo. O HUSM atende e não recebe verba federal nem estadual para isso.” O município faz a triagem das pacientes, realiza os exames e, se a doença for constatada, a gestante é então encaminhada para realizar o tratamento no HUSM. Outro problema de repasse identificado por Liliane foi o da medicação. “O município e o Estado bancaram a medicação, mas até quando teremos? Isso já é de competência do Ministério da Saúde desde 2017, mas os remédios ainda não chegaram”, lamentou. As maiores preocupações da Secretaria da Saúde, segundo ela, são as gestantes e os casos de crianças com toxoplasmose congênita. “As mães precisam rigorosamente fazer o pré-natal e usar a medicação para que tudo dê certo. São muitas variáveis. Se não usar a medicação, há risco de aborto ou óbito fetal, mas também as crianças podem nascer com sequelas neurológicas graves.” No caso das crianças que adquirem a doença através da mãe, Liliane ressaltou que também é fundamental que sejam medicadas. “Se não tomar o remédio, pode ter lesões, pois o protozoário anda pelo organismo e pode acarretar complicações hepáticas, neurológicas - que são as mais graves - ou oftalmológicas, entre outras. Então a criança nasceu, está bem, mas foi diagnosticada com a toxoplasmose: é preciso administrar a medicação.”
Luta pelo diagnóstico
A educadora física Andressa Rodrigues Messias, 35 anos, descobriu que estava grávida em janeiro de 2018. Realizou todos os exames para iniciar o pré-natal, inclusive aquele que poderia apontar a toxoplasmose, cujo resultado foi não reagente. Na metade de março, começou a sentir os sintomas da doença e buscou atendimento médico. “Os médicos alegavam que o que eu sentia eram sintomas naturais da gestação e não me pediram nenhum exame.” Sem o diagnóstico e com dores de cabeça cada vez mais agudas, Andressa seguiu a luta pelo temido diagnóstico ao longo de um mês. “Era muita dor de cabeça, náusea e vômitos. Para os médicos era normal, porque eu estava grávida, mas como as dores eram muito fortes e eu já tenho um filho de 14 anos, sabia que não era normal. Estava insuportável, tinha vezes que eu pensava que não ia aguentar, aquilo não era normal.” Após passar por pelo menos quatro médicos que descartaram a possibilidade de Andressa ter contraído a toxoplasmose, na metade de abril, quando a gestação chegava às 12 semanas, uma médica solicitou exames para que fosse possível entender o que estava acontecendo. “Praticamente na mesma semana, as Unidades de Saúde começaram a chamar as gestantes do pré-natal para fazer o teste da toxoplasmose, pois já estavam com a suspeita de que havia um surto”, lembrou. A preocupação que Andressa tinha sobre a doença se tornou realidade. O exame para toxoplasmose deu positivo. “Comecei o tratamento, mas continuava sentindo as dores e eu tinha encaminhamento para fazer o ultrassom. Como ia demorar muito para fazer pelo SUS, preferi pagar para saber como estava o bebê, que era minha prioridade”, disse. O exame confirmou o que ela imaginava. O bebê estava sem vida. Com a voz embargada, Andressa lembra de cada passo sofrido que precisou dar a partir da constatação do óbito. Ela foi encaminhada para o HUSM para fazer uma indução. Após, uma análise do feto confirmou: a culpada foi a toxoplasmose, cujo diagnóstico demorou para chegar. “Ainda estou sofrendo os reflexos disso, mas sei que posso contar com a família e os amigos e isso me dá mais forças”, afirmou. Em 29 de abril deste ano, Andressa voltou para a casa, após ficar três dias no HUSM por causa da indução. Ela trabalhava no próprio hospital, no setor de nutrição, e atendia diretamente gestantes e bebês. “O retorno ao trabalho foi muito difícil, tudo voltava para minha mente, ter que estar lá dentro, onde tudo aconteceu, foi muito doloroso. Acabei não conseguindo voltar e perdi o emprego. Além disso, ainda não consegui um acompanhamento psicológico”, declarou. A situação financeira da família foi afetada e Andressa ainda não conseguiu acessar o benefício do INSS do período em que precisou se afastar do emprego por conta das complicações. Por conta da série de problemas que chegaram junto com a descoberta da doença, Andressa não teve tempo de pensar na própria dor. “Tenho sido forte, mas não sei por quanto tempo. Afinal de contas, quem vai responder pelo que aconteceu comigo?” A primeira roupinha do bebê ainda está guardada. Um pequeno tip top amarelo e dois pares de meias.
A investigação
Em busca da causa do surto, a Vigilância em Saúde de Santa Maria e do Estado estão acompanhando a limpeza dos reservatórios de água e realizando coletas que serão encaminhadas para análise. A afirmação é do superintendente da Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Santa Maria, Alexandre Streb. “Com certeza é o maior surto da doença do Rio Grande do Sul, e provavelmente do país inteiro”, diz Streb. Segundo ele, até o final de junho, todas as análises da água chegaram a resultados negativos. “Verificamos vários pontos da cidade e todos que fizemos, até o momento, deram a qualidade da água como excelente. Agora estamos fazendo uma coleta de água do lodo, do fundo dos reservatórios, o que é possível realizar somente durante a limpeza”, afirmou. Conforme Streb, a logística da análise deve seguir a mesma linha das anteriores. Primeiro a água é coletada, posteriormente enviada a Porto Alegre e depois para um laboratório em Londrina, no Paraná. Algumas amostras ainda estão sendo analisadas em laboratório. Ainda que o surto esteja em declínio conforme as pesquisas da Vigilância, Streb destacou que a população “não deve relaxar”. “Com o último apontamento, mais focado na água e nas verduras, precisamos que todos tenham cuidados principalmente nesses dois itens de maior risco. Sabemos que a causa nem sempre é encontrada em grande parte dos surtos. O agente causador pode ter infectado e ter sido inativado, tem essa possibilidade, mas não vamos desanimar, vamos continuar até que a última pessoa precise da gente”, pontuou. As equipes, segundo ele, ainda têm esperança de encontrar a causa exata, mas também trabalham com a possibilidade de não localizar. Além da limpeza dos reservatórios e coleta de amostras da água, a Vigilância iniciou investigações direcionadas às hortaliças. “Vamos verificar onde poderia ter uma contaminação cruzada, onde essas hortaliças poderiam estar sendo contaminadas”, declarou.
Em relação à água, Streb lembrou que a doença não é transmitida para pessoas que lavam as mãos, tomam banho ou escovam os dentes utilizando a água da torneira ou do chuveiro. “É muito pouco provável que haja contaminação. A pessoa tem que ingerir uma boa quantidade de oocistos que estejam na água para que contraia a doença”, explicou, mas lembrou que verduras e legumes que ficam de molho, por exemplo, têm maior risco e, lavados em água corrente, não seria o suficiente para contaminar. “Recomendamos que a população mais frágil, como gestantes e imunodeprimidos, tentem não ingerir nenhum tipo de legume que não seja cozido. A população menos suscetível deve, pelo menos, higienizar bem esses alimentos e a água que for para consumo deve ser fervida.” Por conta do grande número de casos que ainda estão investigação, que passam de 1 mil, o número de pessoas contaminadas segue aumentando. “Temos um declínio na curva epidemiológica de casos novos, mas não podemos relaxar, pois ainda não temos certeza se que o fator de contaminação está inativo ou se novos casos não estão chegando pelos novos hábitos adotados pela população em geral. Devemos, pelos próximos meses, permanecer atentos aos cuidados até termos certeza de que o surto foi realmente encerrado, o que ainda não ocorreu”, afirmou. Para a equipe da Vigilância em Saúde, não é possível afirmar que o surto chegou ao fim. “Temos dados preliminares dos locais de foco, que são a água e as verduras, mas não temos como ter certeza de que não há mais contaminação”, assinalou.De acordo com Streb, quando os dados chegam à Vigilância, são realizados questionários com as pessoas diagnosticadas e triagens. “Aqueles que entram nos parâmetros, que seriam febre, dores musculares e dor de cabeça intensa, são encaminhados para exames na rede conveniada de laboratórios ou nas Unidades Básicas de Saúde.” Em caso de positivo para a doença, parte do material coletado é encaminhado ao Lacen/RS, para confirmação. Tanto o diagnóstico como o tratamento estão sendo oferecidos gratuitamente a toda a população que apresenta os sintomas. Em casos de lesões oculares, Streb garantiu que chegam a sobrar vagas para atendimento com oftalmologistas. Sobre os medicamentos, ele ressaltou que todos estão disponíveis. “Temos o comprometimento do Ministério da Saúde de que não vai faltar medicação. Todos são distribuídos gratuitamente.” A responsável pela farmácia da 4ª Coordenadoria Regional da Saúde, Glenda Caraffa Mori, diz que o atendimento tem sido tranquilo. “Damos prioridade para as pessoas com toxoplasmose. A farmacêutica está fazendo a distribuição dos medicamentos e tem funcionado.”
O que diz a prefeitura
O prefeito de Santa Maria, Jorge Pozzobom (PSDB), esclarece que a “demora” para anunciar o surto ocorreu porque dependia de análise técnica. “Não anunciamos antes pois um surto tem características. Primeiro havia a síndrome febril, nesse período avaliamos que era um surto de toxoplasmose e todas as equipes se debruçaram nas investigações”, explicou. Segundo ele, desde os primeiros casos, todos os órgãos de Saúde municipais estiveram envolvidos e o Estado também foi acionado. Até o momento, os medicamentos distribuídos em Santa Maria foram disponibilizados por município e Estado.
Já investimos R$ 100 mil em saúde, mas esse dinheiro era competência exclusiva da União, conforme portaria publicada em 2017 referente a surtos de toxoplasmose. Até hoje, a União não mandou medicamento
Jorge Pozzobom
Prefeito de Santa Maria
O Estado auxiliou na distribuição de remédios remanejados de outros estados, como Paraná e São Paulo. Apesar do desencontro de informações sobre o envio dos medicamentos por parte da União, Pozzobom declarou que o governo federal encaminhou equipe do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do Sistema Único de Saúde a Santa Maria, com o objetivo de auxiliar na investigação das causas do surto. “Não posso ser ingrato com uma questão tão importante, porque além da prevenção que estamos tratando e do atendimento, era fundamental a investigação. Nesse ponto o Ministério da Saúde foi extremamente diligente.” O aparecimento das hortaliças como possível origem do surto, para Pozzobom, “foi um grande fato novo”. Análises têm sido feitas em supermercados e propriedades rurais. “É algo complexo, mas antes de criar pânico, vamos fazer o trabalho técnico com muita serenidade.” Sobre as obras da cidade, Pozzobom garantiu que tudo está sendo investigado. “O que podemos garantir para a população é que fizemos e estamos fazendo tudo o que pode ser feito com serenidade, responsabilidade e absoluta transparência”.
A água
A limpeza dos reservatórios da Corsan começou no fim de junho. “Isso é feito periodicamente, uma vez por ano, em todos os municípios atendidos”, explicou a chefe da unidade local da Corsan, Andreia Zanini. Segundo ela, os meses escolhidos para esse tipo de serviço são aqueles de menor consumo de água na cidade, geralmente junho ou julho. “São os meses mais frios, em que a população consome menos água. Nós sempre optamos por fazer entre esses dois meses. Em 2017 foi em julho.” Há 29 reservatórios da Corsan no município. Este ano, por conta do surto, as atividades estão sendo acompanhadas pela Vigilância em Saúde, tanto do município, quanto do Estado. Amostras da água estão sendo coletadas para análise. A limpeza dos reservatórios deve terminar na primeira quinzena de julho. Além das coletas feitas nos reservatórios durante a limpeza, Andreia explicou que são recolhidas amostras da água periodicamente. “Essas análises são feitas na Estação de Tratamento, de hora em hora, desde quando chega das barragens como água bruta, para fazer um comparativo, e também a cada etapa do tratamento.” Nos pontos de distribuição também existe rotina de coletas.
Após a constatação do surto, segundo Andreia, a Corsan está atuando diretamente com os profissionais da Saúde. Dezenas de coletas foram encaminhadas para um laboratório em Londrina, no Paraná. “Estamos participando de todas as reuniões para que possamos encontrar, em conjunto, ações e estratégias para resolver a questão.” Andreia ressaltou que apesar de a Corsan atender 124 mil economias em Santa Maria e 100% da zona urbana, a concessionária não é a única fonte de distribuição. “Temos em torno de 8 mil fontes alternativas, entre poços enterrados e poços artesianos, por exemplo, dos quais a Corsan não garante a qualidade.” Durante o surto, algumas pessoas acabaram descobrindo que a água que chegava às torneiras não era de responsabilidade da Corsan. Sobre manutenções nas proximidades das obras no entorno do novo shopping de Santa Maria, Andreia disse que na região não existem grandes eixos de abastecimento de maior capacidade de distribuição. “Temos três grandes adutoras na cidade, mas elas não estão naquele ponto”, disse. A secretária da Saúde de Santa Maria, Liliane Mello Duarte, diz que as investigações não descartam nenhuma hipótese. “Estamos analisando e investigando todo tipo de distribuição, seja da concessionária ou das fontes alternativas”, destacou. Diversos pontos da cidade, além dos reservatórios da Corsan, estão sendo alvo de coletas da pasta, que posteriormente serão analisadas para investigar a existência de contaminação.
Domingo terá momentos de sol, mas com possibilidade de chuva em Porto Alegre | Foto: Mauro Schaefer / CP Memória
Massa de ar frio impulsionada por centro de baixa pressão a sudeste do Rio Grande do Sul, no Atlântico, invade o Estado neste domingo, conforme a MetSul Meteorologia. A temperatura declina e estará mais baixa, com sensação de frio em muitas regiões.
A nebulosidade predomina no território gaúcho no decorrer do dia, apesar de aberturas passageiras em diversos pontos. Persiste a possibilidade de chuva e garoa principalmente no Sul e no Leste do Estado, onde o domingo ainda deve ter vento moderado com rajadas.
Em Porto Alegre, existe a possibilidadede chuva e até mesmo chuva forte em determinados momentos. O vento sopra fraco no quadrante Sul, com as mínimas ocorrendo à noite. A temperatura oscila entre 11°C e 16°C.