Casa Branca descarta ataque químico sírio sem apoio de Rússia e Irã

Estados Unidos sugerem que Irã não teria condições de fazer o ataque sem apoio

Estados Unidos sugerem que Irã não teria condições de fazer o ataque sem apoio | Foto: Youssef Karwashan / AFP / CP

Estados Unidos sugerem que Irã não teria condições de fazer o ataque sem apoio | Foto: Youssef Karwashan / AFP / CP

Os governos da Rússia e do Irã têm responsabilidade nos supostos ataques químicos lançados nesta segunda-feira na Síria, informou a Casa Branca, sugerindo que Damasco não teria tido condições de fazê-lo sem a ajuda de seus dois aliados.

"A Rússia e o Irã também têm responsabilidade porque estes atos não teriam sido possíveis sem seu apoio material", disse a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders.


AFP e Correio do Povo



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MARCO AURÉLIO E LEWANDOWSKI: O PERSISTENTE SERVIÇO À IMPUNIDADE

Por Percival Puggina

Na última quarta-feira (04/04), nem os mais distraídos observadores da sessão do STF, fossem devotos do réu, fossem seus antagonistas, deixaram de observar o empenho com que os ministros Marco Aurélio e Lewandowski se dedicaram à defesa do ex-presidente Lula. Os dois magistrados tinham torcida nacional a favor e contra. Os favoráveis se empenhavam na leitura labial daqueles cochichos, na escuta de apartes e grosseiras repreensões aos colegas; emergiria dali algum estratagema salvador de seu ídolo? Os contrários presenciavam as cenas e manobras em meio a interjeições e adjetivos muito pouco qualificativos.

Não me lembro de já haver observado algo assim. Duvido que, se voz tivesse, a banca inteira de advogados contratados, e ali sentados, litigasse com igual combatividade. Nessa tarefa, os dois ministros se ergueram bem acima dos também denodados Toffoli e Gilmar, que não costuma deixar barato o trabalho da divergência. Era como se, longe dos votos, das mais sadias expectativas nacionais por justiça, o réu cujo nome estava inscrito na capa do processo exigisse de ambos o sacrifício da própria respeitabilidade. E eles foram para o holocausto! Ao final da longa jornada, reeditando o advogado Battochio da sessão anterior, coube a Marco Aurélio cobrar de seus pares a concessão de um novo salvo-conduto ao réu, até que o STF revisitasse o tema da prisão provisória após condenação em segunda instância! Nessa treta, nesse gambito, isolaram-se ambos. Nem os demais parceiros os acompanharam.

Por quê? Se lhes déssemos atenção apenas às palavras, pareceria que serviam à mais essencial causa humana depois da Paixão de Cristo. Eram arautos, a um só tempo, da liberdade, da dignidade humana, dos direitos do homem e do cidadão, da Constituição da República e da carta de princípios do Flamengo. No entanto, não era assim. A prisão do réu, uma dentre milhares, cumpria decisão do próprio STF sobre a constitucionalidade do cumprimento provisório das penas após condenação em segunda instância, etapa a partir da qual a culpa dos réus é assunto que não mais pode ser discutido.

Interpretação diferente não corresponde ao bom Direito e constituiria caso singularíssimo no mundo civilizado. Se o texto constitucional é ruim e instaura a impunidade eterna, não será um Congresso Nacional tomado por corruptos que o revisará. Isso só pode ser tarefa de uma Suprema Corte formada por verdadeiros magistrados. No período em que foi exigido o trânsito em julgado (2010-2016), constatou-se o quanto se tornou impossível combater a criminalidade no consequente ambiente de impunidade.

O Mecanismo que assaltou a nação começou a cair quando, em 2016, para inconformidade de criminosos e seus advogados, em exercício ou potenciais, o STF adotou a atual jurisprudência. A leitura meramente silábica da norma constitucional, afastada do mundo dos fatos, tomada como mensagem inscrita no céu por arcanjos para anjos, é um disparate que se traduz em impunidade por prescrição ao alcance de quem tenha uma boa conta bancária. Ainda que fornida, essa conta, por recursos de crime que ficará impune.

Os arcanjos da justiça, que leem na Constituição normas feitas para tais anjos, não são ingênuos. Estes, os ingênuos, têm lugar na cadeia alimentar dos mal intencionados. Mas não é o caso dos ministros que quebraram e continuam quebrando lanças e espadas em defesa do império da impunidade. A quem servem esses senhores, junto com os parceiros Celso, Toffoli e Gilmar, que nada têm de ingênuos, quando falam em “punitivismo” no país da impunidade?


Rodrigo Constantino

G1: Rio tem 150 pontos de uso de crack com quase 2 mil dependentes

Segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio, quase 2 mil pessoas frequentam pontos onde o crack é usado: https://goo.gl/x39yjy

G1: Rio tem 150 pontos de uso de crack com quase 2 mil dependentes

G1.GLOBO.COM

FBI vasculha escritório de advogado de Donald Trump

Investigação apura laços entre a Rússia e a campanha eleitoral do republicano

Investigação apura laços entre a Rússia e a campanha eleitoral do republicano | Foto: Nicholas Kham / AFP / CP

Investigação apura laços entre a Rússia e a campanha eleitoral do republicano | Foto: Nicholas Kham / AFP / CP

Agentes do FBI deram uma batida nesta segunda-feira no escritório de Michael Cohen, advogado pessoal do presidente americano, Donald Trump, informou seu defensor, Stephen Ryan. O presidente norte-americano qualificou a batida de "situação vergonhosa" e "novo marco de injustiça".

Ryan declarou em um comunicado que a decisão de vasculhar o escritório de Cohen, "totalmente imprópria e desnecessária", foi tomada pelo procurador especial Robert Mueller, que investiga os laços entre a Rússia e a campanha eleitoral de Trump. Cohen foi advogado de Trump e seu confidente durante anos, e aconselha o atual presidente em negócios imobiliários e questões pessoais.

Segundo documentos judiciais, Cohen pagou 130 mil dólares a ex-atriz pornô Stormy Daniels dias antes da eleição de Trump, em 2016, para que ela se calasse sobre a relação que manteve com o magnata há dez anos. "A decisão do procurador de realizar esta investigação utilizando tais ordens para batidas é totalmente imprópria e desnecessária e resultou no acesso a comunicações sigilosas e protegidas entre um advogado e seu cliente", declarou Ryan.

Na semana passada, Trump rompeu seu silêncio sobre o pagamento a Stormy Daniels, cujo nome real é Stephanie Clifford, e negou ter pago qualquer valor à ex-atriz em troca de seu silêncio. Sobre o eventual pagamento feito por Cohen, o presidente declarou não saber.


AFP e Correio do Povo

Trump promete reação dos EUA a suposto ataque com armas químicas na Síria

Russos advertem norte-americanos sobre possíveis repercussões em caso de intervenção militar contra Assad

Russos advertem norte-americanos sobre possíveis repercussões em caso de intervenção militar contra Assad | Foto: Youssef Karwashan / AFP / CP

Russos advertem norte-americanos sobre possíveis repercussões em caso de intervenção militar contra Assad | Foto: Youssef Karwashan / AFP / CP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu nesta segunda-feira que os responsáveis por suposto ataque químico na Síria pagarão um "preço alto", enquanto Moscou advertia para as consequências de uma ação contra suas tropas naquele país. Trump prometeu para "esta noite ou pouco depois" o anúncio de sua resposta ao ataque químico, acrescentando que "todos (os responsáveis) pagarão".

"Estamos discutindo sobre o que faremos sobre este horrível ataque que ocorreu próximo a Damasco, mas será respondido com força", declarou o presidente norte-americano. "Isso é sobre a humanidade, não se pode permitir que aconteça", enfatizou.

Em conversa por telefone, Trump e o presidente francês, Emmanuel Macron, concordaram com a necessidade de "uma reação firme" da comunidade internacional, segundo o Palácio do Eliseu. O secretário americano da Defesa, Jim Mattis, apontou o papel da Rússia no ataque e advertiu que, por enquanto, não exclui qualquer opção.

O embaixador russo no Conselho de Segurança da ONU, Vassily Nebenzia, revelou que Moscou já advertiu os Estados Unidos para não colocar em risco as forças russas estacionadas na Síria.  "O uso da força sob um pretexto mentiroso contra a Síria, onde, a pedido do governo legítimo do país, estão tropas russas, poderá ter graves repercussões", declarou Nebenzia.

A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Nikki Haley, exortou o Conselho a agir diante do ataque químico, e reforçou que Washington está preparado para retaliar. "Chegou o momento de o mundo ver que está se fazendo justiça", opinou Haley durante uma reunião de emergência do Conselho.  "A história registrará isto como o momento em que o Conselho de Segurança cumpriu seu dever ou demonstrou seu completo e absoluto fracasso em proteger o povo sírio", declarou. "De qualquer maneira, os Estados Unidos reagirão a isto".

Segundo Haley, os Estados Unidos estão decididos a "fazer o monstro que atacou com armas químicas um povoado sírio a prestar contas".

Nebenzia destacou que o projeto de resolução proposto pelos Estados Unidos ao Conselho traz "elementos inaceitáveis" que vão apenas piorar a situação. "Tenho medo de que estejam procurando, acima de tudo, uma opção militar, que é muito perigosa".

Os Estados Unidos fizeram circular um projeto de resolução que pede a criação de um novo "mecanismo de investigação independente das Nações Unidas". Especialistas russos na Síria não encontraram evidências do uso de gás sarin ou cloro, afirmou Nebenzia, que ofereceu assistência russa e síria para permitir o acesso de membros da Organização para a Proibição de Armas Químicas a Duma.

Nebenzia acusou as potências ocidentais de perseguir uma "política de confrontação" com o emprego de "calúnias, insultos, retórica agressiva, chantagens, sanções e ameaças do uso da força". Grã-Bretanha, França, Estados Unidos e outros seis países solicitaram a reunião de emergência no Conselho de Segurança após o suposto uso de gases tóxicos, na sexta-feira, contra o bastião rebelde de Duma, onde 40 pessoas morreram.


AFP e Correio do Povo


Por que a Justiça teve paciência demais com Lula


Por Rodrigo Constantino

Carta a meus filhos: essa semana a democracia, que quase morreu com o PT, foi salva!


Por Rodrigo Constantino

Marco Aurélio e Lewandowski: o persistente serviço à impunidade


Por Rodrigo Constantino

Jornalistas apanham de petistas… e pedem mais!


Por Rodrigo Constantino

A ausência total do Estado, por Lúcio Machado Borges*

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Em Porto Alegre, há moradores de rua no viaduto Dom Pedro, no arroio Dilúvio, gente morando no Parque Marinha do Brasil e do Viaduto Otávio Rocha. Ou seja, é a ausência do Estado na questão social. No entanto, o Estado se mete em questões que não deveria, através de estatais como a CRM, a Procempa, a Procergs, o Banrisul e a Carris.

Em 2017, a Carris deu um prejuízo aos cofres públicos de R$ 61 milhões. É dinheiro que faz falta em questões importantes com as áreas social, da saúde e da educação.

*Editor do site RS Notícias

Exportações do agronegócio crescem 4,1% até março de 2018

Setor teve vendas totais para o exterior de mais de 9 bilhões de dólares

Setor teve vendas totais para o exterior de mais de 9 bilhões de dólares | Foto: Arthur Puls / CP Memória

Setor teve vendas totais para o exterior de mais de 9 bilhões de dólares | Foto: Arthur Puls / CP Memória

As exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 9,08 bilhões em março, um crescimento de 4,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior (quando as vendas chegaram a US$ 8,73 bilhões). Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultura nesta segunda-feira.

Já as importações, registraram valor de US$ 1,29 bilhão, o que representa queda de 6,9% na comparação com março de 2017. Por causa disso, o saldo da balança comercial do último mês (exportações menos importações) foi de US$ 7,79 bilhões. Os produtos do agronegócio representaram 45,2% do total das vendas externas brasileiras no período, com aumento de quase dois pontos percentuais de participação comparado a março do ano passado.

No período de avaliação, as exportações foram puxadas principalmente por produtos de origem vegetal, como é o caso da celulose, com 75,4% de incremento (vendas de US$ 765 milhões), e as carnes, que somaram US$ 592 milhões em vendas, um aumento de 22,1% na comparação com março do ano passado. Também contribuíram para esse crescimento as vendas de produtos como sucos (US$ 107,51 milhões); cereais, farinhas e preparações (US$ 93,55 milhões); fumo e seus produtos (US$ 78,84 milhões) e fibras e produtos têxteis (US$ 27,97 milhões).

Em termos de valor exportado, o complexo soja (soja em grão, farelo de soja e óleo em soja) representou 44,3% do total de vendas (US$ 4,03 bilhões), enquanto carnes (in natura e industrializada) e produtos florestais (papel, celulose e mandeira) responderam, respectivamente, por 14,8% (US$ 1,34 bilhão) e 13,9% (US$ 1,2 bilhão). O complexo sucroalcooleiro (açúcar e álcool) somou 7% do total em vendas (US$ 636 milhões), seguido do café, com 4,5% (US$ 349 milhões) do montante. Os cinco setores representam 84,4% das exportações totais do agronegócio. O restante inclui itens como fumo, couro, frutas, cereais e farinhas, pescado e lácteos.

Importações

As importações de produtos do agronegócio sofreram queda de US$ 96,09 milhões em março deste ano na comparação com março de 2017. Os principais produtos adquiridos pelo Brasil foram: pescados (US$ 142,72 milhões); álcool etílico (US$ 135,19 milhões); trigo (US$ 87,73 milhões); papel (US$ 78,73 milhões) e vestuário e produtos têxteis de algodão (US$ 58,35 milhões). Além dos pescados e do trigo, outros produtos que tiveram as maiores reduções em importações foram arroz (-US$ 30,93 milhões); lácteos (-US$ 22,53 milhões) e malte (-US$ 15,24 milhões).

A Ásia se manteve como principal região de destino das exportações do agronegócio, somando US$ 4,65 bilhões. A União Europeia ocupou a segunda posição no ranking de blocos econômicos e regiões geográficas de destino das vendas externas do agronegócio brasileiro no mês. Houve crescimento de 22,9% nas vendas ao mercado, decorrentes, principalmente, do aumento das exportações de celulose (162,6%); soja em grãos (59,7%); sucos de laranja (38,8%); fumo não manufaturado (120,2%) e farelo de soja (12,9%).


Agência Brasil e Correio do Povo

Maluf apresenta metástase de câncer da próstata e trombose venosa

Dias Toffoli concedeu prisão domiciliar após político ser hospitalizado

Dias Toffoli concedeu prisão domiciliar após político ser hospitalizado | Foto: Nelson Antoine / Folhapress / CP Memória

Dias Toffoli concedeu prisão domiciliar após político ser hospitalizado | Foto: Nelson Antoine / Folhapress / CP Memória

O hospital Sírio-Libanês informou em boletim médico, nesta segunda-feira, que o deputado federal afastado Paulo Maluf (PP-SP) está com metástase decorrente do câncer de próstata e com uma trombose venosa profunda na perna esquerda. Maluf está internado desde a última quinta-feira.

“O paciente Paulo Salim Maluf foi submetido a uma série de exames que confirmaram uma síndrome paraneoplásica e uma trombose venosa profunda no membro inferior esquerdo. Ele está com quadro de incontinência urinária, metástase óssea na região sacral decorrente do câncer de próstata, alterações da marcha com perda de força muscular e atrofia em ambas as pernas, que confere ao paciente a condição de cadeirante”, diz o boletim médico.

Segundo o hospital, Maluf continua sendo tratado de uma broncopneumonia e não tem previsão de alta nos próximos dias. Os médicos que estão acompanhando o deputado são Sergio Nahas, Miguel Srougi, Ronaldo Kairalla, Roberto Basile Jr e Cyrillo Cavalheiro Filho.

No final de março, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu prisão domiciliar ao parlamentar, que cumpria pena no presídio da Papuda, em Brasília, por ter sido condenado pelo crime de lavagem de dinheiro. A decisão liminar será analisada na próxima quarta-feira (11) pelos demais ministros do STF.


Agência Brasil e Correio do Povo

Batalha do Somme–História virtual

Batalha do Somme

Primeira Guerra Mundial

British infantry Morval 25 September 1916.jpg

Data
1 de julho a 18 de novembro de 1916.

Local
Região do Rio Somme, nordeste da França.

Desfecho
Sem vencedor definido;

  • Forças alemães recuam 64 km até a Linha Hindenburg entre fevereiro e março de 1917[1]
  • Favorecimento tático e estratégico aos Aliados (controverso)[2][3][4]

Beligerantes

Reino Unido Império Britânico

França França
Flag of the German Empire.svg Império Alemão

Comandantes

Reino Unido Douglas Haig
Reino Unido Henry Rawlinson
Reino Unido Hubert Gough
França Ferdinand Foch
França Émile Fayolle
Flag of the German Empire.svg Erich von Falkenhayn
Flag of the German Empire.svg Príncipe Rodolfo
Flag of the German Empire.svg Max von Gallwitz
Flag of the German Empire.svg Fritz von Below

Forças

1 de julho
Reino Unido 390 000 em 13 divisões
França 330 000 em 11 divisões
Novembro
Reino Unido 1 530 000 em 50 divisões
França 1 440 000 em 48 divisões
1 de julho
Império Alemão 315 000 em 10 divisões
Novembro
Império Alemão 1 500 000 em 50 divisões

Baixas

620 000 mortos, feridos, desaparecidos ou capturados,
100 tanques destruídos e
782 aviões perdidos[5]
450 000 mortos, feridos, desaparecidos ou capturados[6]

A Batalha do Somme, também conhecida como Ofensiva do Somme, foi travada entre julho a novembro de 1916, sendo considerada uma das maiores batalhas da Primeira Guerra Mundial.

Tratou-se de uma ofensiva anglo-francesa, com o objetivo de romper as linhas de defesa alemãs, ao longo de 12 milhas (19 km), estacionadas na região do Rio Somme (França). As baixas foram elevadíssimas para ambos os lados, sobretudo para o Reino Unido, ainda mais pelo fato de o objetivo não ter sido atingido.

Em verdade, a Ofensiva do Somme foi concebida para ser uma manobra secundária, cujo objetivo era desafogar o peso das forças alemãs sobre Verdun, palco dos combates mais violentos até então. No entanto, a violência dos combates no rio Somme fez as perdas para ambos os lados ultrapassar as perdas de Verdun. A infantaria dos Aliados enfrentou um pesadelo de granadas, fogo de metralhadoras, arame farpado, lama, mas, em vinte dias de luta, não conseguiu avançar mais do que 8 km, porquanto os alemães encontravam-se em posição de vantagem no terreno, estrategicamente entrincheirados, quando se deu o ataque principal na frente norte do Rio Somme. Essa vantagem foi decisiva para o desfecho do confronto.

Se Verdun tornou-se um ícone que afetaria a consciência nacional da França, o Somme teria o mesmo efeito em gerações de cidadãos britânicos. A batalha é mais lembrada pelo seu primeiro dia, 1 de Julho de 1916, data em que os britânicos sofreram 57.470 baixas (19.240 mortos), considerado o mais sangrento dia na história do Exército britânico. Pela primeira vez, a sociedade britânica foi exposta aos horrores da guerra moderna, com o lançamento, em agosto, do filme A Batalha de Somme, que utilizava vídeos reais, a partir do primeiro dia da batalha.

Com mais de 1,2 milhão de vítimas (entre mortos e feridos), em cinco meses de combate, a luta no Somme foi uma das operações militares mais violentas da história da humanidade. E, levando-se em conta os ganhos territoriais (cerca de 300 quilômetros quadrados), foi, debativelmente, uma das mais inúteis. Nunca em toda a história militar tantos pereceram por tão pouco. A batalha também marcou a estreia dos tanques de guerra.

Índice

Antecedentes

A estratégia dos aliados para o ano de 1916 foi amplamente formulada durante uma conferência em Chantilly, realizada entre 6 e 8 dezembro de 1915. Foi decidido que ofensivas simultâneas seriam montadas pelos russos, no leste, os italianos (que haviam recentemente se unido à Entente), nos Alpes, e os anglo-franceses sobre a Frente Ocidental, comprimindo assim as potências centrais de todos os lados.

No final de dezembro de 1915, o general Douglas Haig substituiu o General Sir John French como Comandante-em-Chefe da Força Expedicionária Britânica (BEF).

Haig era favorável a uma ofensiva britânica na região do Flandres, uma vez que os inúmeros canais e portos da região poderiam favorecer o abastecimento das tropas. Sua ideia inicial era neutralizar os alemães a partir da costa do Mar do Norte, na Bélgica, local de onde os submarinos alemães partiam para afundar os navios que se dirigiam às Ilhas Britânicas.

Os preparativos da ofensiva

Plano de ataque aliado, 1 de julho de 1916.

Como os franceses se comprometeram, a qualquer custo, defender Verdun, a sua capacidade para desempenhar as suas funções no Somme desapareceram, e os encargos da ofensiva recaíram, portanto, sobre os britânicos. A França contribuiria com três corpos para a abertura do ataque (o I Exército Colonial, o XX e o XXXV Corpo do Exército).

Assim, o Conselho Interaliado julgou adequado aprazar a nova ofensiva para fins de junho.

A estratégia do ataque

O plano que finalmente surgiu podia ser dividido em três fases: primeiro, uma tremenda barragem de artilharia para matar os alemães e destruir suas trincheiras, posições fortificadas e obstáculos de arame farpado; segundo, o avanço e captura dessas posições pela infantaria; e terceiro, uma grande carga da cavalaria, que seguiria para o norte, atacando as posições alemãs remanescentes.

Apesar disso, Férran e o General Péti Henry Rawlinson, comandante do 4º Exército britânico, tinham consideráveis dúvidas a respeito da capacidade profissional dos soldados do novo exército. Tanto os generais alemães quanto os britânicos consideravam que tais tropas estavam insuficientemente treinadas, devido ao curto espaço de tempo decorrido. Rawlinson temia que as unidades se rompessem e se desorganizassem se corressem pelo terreno. Conseqüentemente, ele ordenou às suas tropas que marchassem para a frente em formação de parada. Essa decisão teria um efeito devastador no desenrolar da batalha.[7]

Haig teria ao todo 27 divisões (750 000 homens), 14 das quais apenas no assalto inicial. A participação francesa se limitaria a 5 divisões que iriam atacar ao sul. A ideia que prevalecia, desde o simples soldado aos oficiais do Estado Maior, era que a infantaria só teria que ocupar e colher o fruto maduro.

O bombardeio

Canhão de 8 polegadas abrindo fogo perto de Mametz.

Nos dias 25, 26, 27 e 28 de junho, o bombardeio continuou ininterruptamente e a chuva intensa contribuiu também para o atoleiro em que se tinha transformado o campo de batalha. Aqui e ali as trincheiras desabavam, bloqueando largos setores e soterrando as entradas de muitos abrigos. Ao fim desse período, alguns setores da linha da frente estavam já irreconhecíveis, transformados em autêntica paisagem lunar.

Desde o dia 26, densas nuvens de cloro pairando sobre a terra de ninguém foram avistadas pelas sentinelas alemãs, deslocando-se na direção de Serre, Beaumont e Fricourt. O gás, mais denso que o ar, descia por todos os buracos, como uma coisa viva e infiltrava-se em todas as aberturas.

Na ocasião, os ingleses lançaram mão os torpedos aéreos (obus).

O fatídico 1º de Julho de 1916

A corrida para o parapeito no início da ofensiva. 1 de julho de 1916.

Na maior parte das Divisões foi servida uma refeição quente que contribuiu para reconfortar as tropas depois da friagem da noite. Por volta das 06h30 da madrugada eclodiu um bombardeio sem paralelo contra toda a frente, desde o norte do Ancre até ao sul do rio Somme. Na hora seguinte "parecia que todos os fogos do inferno tinham sido lançados para nos destruir".[8] segundo a descrição de um soldado alemão. Às 7 horas algumas metralhadoras alemãs começaram a bater os parapeitos das trincheiras aliadas.

Uma massa de homens, cavalos e equipamentos em direção a Mailley-Maillet.

As sentinelas alemãs, espreitando pelos periscópios, puderam então ver uma massa de capacetes a crescer nas trincheiras aliadas. A batalha estava prestes a começar. E o seu primeiro ato seria a "corrida pelo parapeito", um desafio mortal que para os aliados começaria na sua linha de trincheiras e acabaria no outro lado da terra de ninguém. Para os alemães começaria no fundo dos abrigos e terminaria no topo dos degraus desses mesmos abrigos. Quem perdesse a corrida provavelmente morreria. Toda a infernal preparação de artilharia dos últimos sete dias visava, em última instância, impedir os alemães de ganhar a corrida.

O aparente otimismo logo seria substituído pela amarga desilusão. Poucos segundos depois foram recebidos por mortíferos fogos de metralhadora e, de um modo geral, aqueles poucos que conseguiram chegar às trincheiras alemãs, deparavam com grandes extensões de arame farpado ainda intacto e nele se emaranhavam perdendo o ímpeto, sendo logo a seguir ceifados pelos fogos das metralhadoras ou queimados pelos lança-chamas.

Os alemães contavam com 6000 baixas entre mortos e feridos, de um total de 35 000 que guarneciam a frente.

O General Sir Douglas Haig, após o fracasso da ofensiva do dia anterior, resolveu abdicar de qualquer tentativa de surpresa e viu-se forçado a concentrar o fogo de artilharia em pequenos setores da trincheira que a infantaria ocuparia a seguir. Contudo os alemães rapidamente perceberam que teriam mais hipóteses de sobrevivência caso se abrigassem em crateras e buracos devidamente cobertos, em vez das trincheiras, nas quais se concentravam os fogos inimigos. Assim, quando os aliados avançavam eram logo colhidos por intensos e flanqueantes fogos de metralhadora e espingarda, oriundos dos locais mais diversos.

A batalha continua

Regimento Cheshire entocado em um trincheira perto de La Boiselle.

No dia seguinte, um grande ataque logrou penetrar a 2ª linha alemã entre Ginchy e Contalmaison e, novamente, a cavalaria explorou em direcção a High Wood, mas os alemães contra-atacaram com êxito, e a frente ficou consolidada ao longo da linha Ovillers-Contalmaison-Hardecourt-Barleux-Berny-Lihons.

A 15 de julho, a Brigada Sul-Africana entrou na luta, atacando através do bosque de Delville. A brigada acabou dizimada numa luta particularmente selvagem que se estendeu até o fim do mês.

Os ataques ingleses e franceses sucederam-se de 15 a 17 de julho, tentando forçar as linhas na direção de Bapaume e Peronne. As perdas formam enormes uma vez que o emprego massivo e sistemático da artilharia precedendo cada nova ofensiva impedia qualquer exploração do efeito surpresa, apanhando sempre os alemães devidamente preparados. Em 16 de julho, começou a luta por Pozières. A aldeia foi investida novamente nos dias 22 e 25 de julho, sempre sem sucesso

No lado alemão, a 17 de julho, a frente do Somme foi dividida em duas e o setor norte desde o Somme até Monchy-au-Bois (cerca de 30 km) foi atribuído ao recém-formado 1º Exército, para onde transitou quase todo o QG do 2º Exército. O 2º Exército ficou com o sector sul.

No dia 19, a defesa alemã foi reorganizada, com a ala meridional formando um novo exército, o 1º, sob o general Max von Gallwitz. A batalha orientava-se agora em 3 direções: a NE em direção a Bapaume, a leste para a Peronne, e a Sudeste, em direção a Nelles. A 20 de julho foi lançada uma nova ofensiva aliada combinada, que obteve poucos ganhos e viria a parar 5 dias mais tarde.

As tropas ANZAC

As tropas neozelandesas sofreram 8 mil baixas em seis semanas - perto de 1% da população do país à época. Para se ter uma ideia da violência dos combates, essas perdas foram equivalentes às perdas sofridas nos oito meses em que os neozelandeses lutaram na Batalha de Gallipoli.

Os combates de setembro e a estreia do tanque de guerra

Progresso da Batalha do Somme - julho/novembro de 1916.

No fim de agosto o ritmo da ofensiva foi bastante reduzido pelo mau tempo. De qualquer modo, ao entrar setembro, as trincheiras alemãs haviam recuado o máximo de 8 km, no setor de Flaucourt, atribuído ao I Corpo Colonial, do 6º Exército Francês e encontravam-se agora sobre a linha Barleux-Villers-Carbonnel-Reugny. Do lado Alemão, Hindenburg havia sucedido a Falkenhayn em 29 de agosto.

De 3 a 14 de Setembro os Aliados desencadearam duas ofensivas que levaram a batalha a Barleux e Bouchavesnes, sendo esta última capturada.

Um tanque Mark I, setembro 1916.

A 20 de Setembro os alemães contra-atacaram em Bouchavesnes, mas foram repelidos e a 26 os ingleses entraram em Combles, um formidável reduto fortificado em cujos subterrâneos foram encontrados mais de 2000 cadáveres alemães.

Os ingleses haviam abandonado a ofensiva, e essa data - 17 de Novembro – se convencionou como o fim da 1ª Batalha do Somme.

Conclusões

Do lado inglês, as baixas do Somme, tiveram um efeito a longo prazo sobre a mentalidade dos britânicos, que perceberam, aturdidos, que a guerra que sempre tinham visto ao longe, podia ameaçar de morte todos os seus filhos.

Mais tarde, já durante a 2ª Guerra Mundial, numa ocasião em que o General Marshall se encontrava em Inglaterra apresentando lógicos e convincentes argumentos a favor de uma invasão imediata do continente, Lord Cherwell retorquiu-lhe: "não vale a pena, o senhor está a argumentar contra as baixas do Somme".[9]

O futuro ditador alemão, Adolf Hitler, na época soldado da 6ª Divisão Bávara da reserva, lutou na Batalha do Somme e foi ferido com um tiro na perna em 7 de outubro de 1916.[10]

Para a maioria dos analistas, o avanço aliado de 9,7 km não justificou, nem de longe, as enormes perdas sofridas. Assim, a batalha que seria o ponto de virada da guerra em favor dos anglo-franceses acabou terminando em um impasse estratégico. Os alemães também sofreram muito. Ao fim de 1916, o general Erich von Falkenhayn foi substituído por Paul von Hindenburg e Erich Ludendorff no comando do exército imperial alemão.[11]

Referências

  • Griffith, Paddy (1994). Battle Tactics of the Western Front; The British Army's Art of Attack 1916–1918. [S.l.]: Yale University Press. p. 84. ISBN 0-300-05910-8
  • Gilbert, Martin (2006). The Somme: Heroism and Horror in the First World War. [S.l.]: Henry Holt and Company. p. 243. ISBN 0-8050-8127-5 - Os Aliados ganharam perto de 10 km de novos terrenos ao termino da batalha.
  • Williams, John Frank (1999). ANZACS, The Media and The Great War. [S.l.]: UNSW Press. p. 162
  • Sheffield 2003, p. 156
  • The Battle of the Somme, historylearningsite.co.uk
  • Prior & Wilson p. 128
  • http://www.clubesomnium.org/arquivos/militaria/batalhas/Batalha_do_Somme.pdf)
  • KEEGAN, Jonh, O Rosto da Batalha, Editorial Fragmentos,Ltda.
  • KEEGAN,Jonh,O Rosto da Batalha,Editorial Fragmentos ,Lda.
  • William L. Shirer, The Rise and Fall of the Third Reich, (Simon & Schuster, 1960), p. 30.
    1. Prior, R.; Wilson, T. (2005). The Somme. Yale University Press. ISBN 0-300-10694-7.

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    Referências bibliográficas

    • AAVV,Cours Commun D'Histoire Militaire,Tome IV,École Spéciele Militaire Interarmes.
    • AAVV,Lecciones de História Militar-Escuela Superior del Ejército
    • ESPOSITO,Colonel Vincent,The West Point Atlas of American Wars,Vol II,Frederick A.Praegen Publishers,New York
    • DIXON,Norman F.,Psicologia da Incompetência Militar,Publicações Dom Quixote,Lisboa,1977
    • FALKENHAYN,Erich von,Le Commandement Supreme de L'Armée Allemand,Paris,1921
    • JONES,Archer,The Art of War in the Western World,"Oxford Paperbacks-Oxford University Press"
    • KEEGAN,Jonh,O Rosto da Batalha,Editorial Fragmentos ,Lda.
    • MANGIN,Géneral-Comment Finit La Guerre,Librairie Plon,Paris
    • MIQUEL,Colonel,Enseignements Stratégiques et Tactiques de la Guerre de 1914-1918,2ª Edition,Charles-Lavauzelle & Cie,Editeurs Militaires,PARIS,1931
    • NORMAND Colonel ,L'evolution de la fortification de campagne en France et en Allemagne (1914-1918)-"Paris Berget-Leunault Editeurs-1921"
    • WYNNE,Capitão G.C.,If Germany Attacks,Faber,1940

    [Esconder]

    ve

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    (Pessoas)

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