Trump promete reação dos EUA a suposto ataque com armas químicas na Síria

Russos advertem norte-americanos sobre possíveis repercussões em caso de intervenção militar contra Assad

Russos advertem norte-americanos sobre possíveis repercussões em caso de intervenção militar contra Assad | Foto: Youssef Karwashan / AFP / CP

Russos advertem norte-americanos sobre possíveis repercussões em caso de intervenção militar contra Assad | Foto: Youssef Karwashan / AFP / CP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu nesta segunda-feira que os responsáveis por suposto ataque químico na Síria pagarão um "preço alto", enquanto Moscou advertia para as consequências de uma ação contra suas tropas naquele país. Trump prometeu para "esta noite ou pouco depois" o anúncio de sua resposta ao ataque químico, acrescentando que "todos (os responsáveis) pagarão".

"Estamos discutindo sobre o que faremos sobre este horrível ataque que ocorreu próximo a Damasco, mas será respondido com força", declarou o presidente norte-americano. "Isso é sobre a humanidade, não se pode permitir que aconteça", enfatizou.

Em conversa por telefone, Trump e o presidente francês, Emmanuel Macron, concordaram com a necessidade de "uma reação firme" da comunidade internacional, segundo o Palácio do Eliseu. O secretário americano da Defesa, Jim Mattis, apontou o papel da Rússia no ataque e advertiu que, por enquanto, não exclui qualquer opção.

O embaixador russo no Conselho de Segurança da ONU, Vassily Nebenzia, revelou que Moscou já advertiu os Estados Unidos para não colocar em risco as forças russas estacionadas na Síria.  "O uso da força sob um pretexto mentiroso contra a Síria, onde, a pedido do governo legítimo do país, estão tropas russas, poderá ter graves repercussões", declarou Nebenzia.

A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Nikki Haley, exortou o Conselho a agir diante do ataque químico, e reforçou que Washington está preparado para retaliar. "Chegou o momento de o mundo ver que está se fazendo justiça", opinou Haley durante uma reunião de emergência do Conselho.  "A história registrará isto como o momento em que o Conselho de Segurança cumpriu seu dever ou demonstrou seu completo e absoluto fracasso em proteger o povo sírio", declarou. "De qualquer maneira, os Estados Unidos reagirão a isto".

Segundo Haley, os Estados Unidos estão decididos a "fazer o monstro que atacou com armas químicas um povoado sírio a prestar contas".

Nebenzia destacou que o projeto de resolução proposto pelos Estados Unidos ao Conselho traz "elementos inaceitáveis" que vão apenas piorar a situação. "Tenho medo de que estejam procurando, acima de tudo, uma opção militar, que é muito perigosa".

Os Estados Unidos fizeram circular um projeto de resolução que pede a criação de um novo "mecanismo de investigação independente das Nações Unidas". Especialistas russos na Síria não encontraram evidências do uso de gás sarin ou cloro, afirmou Nebenzia, que ofereceu assistência russa e síria para permitir o acesso de membros da Organização para a Proibição de Armas Químicas a Duma.

Nebenzia acusou as potências ocidentais de perseguir uma "política de confrontação" com o emprego de "calúnias, insultos, retórica agressiva, chantagens, sanções e ameaças do uso da força". Grã-Bretanha, França, Estados Unidos e outros seis países solicitaram a reunião de emergência no Conselho de Segurança após o suposto uso de gases tóxicos, na sexta-feira, contra o bastião rebelde de Duma, onde 40 pessoas morreram.


AFP e Correio do Povo


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