Ofensiva no Vistula–Oder

Ofensiva no Vistula–Oder

Frente Leste, Segunda Guerra Mundial

FestungBreslau6V1945.jpg
Delegação de oficiais alemães indo negociar a rendição de Festung Breslau.

Data
12 de janeiro – 2 de fevereiro de 1945

Local
Centro da Polônia e leste da Alemanha

Desfecho
Vitória soviética/polonesa

Beligerantes

Alemanha Nazi Alemanha Nazista
União Soviética
Polónia Polônia

Comandantes

Alemanha Nazi Ferdinand Schörner
Alemanha Nazi Josef Harpe
(Grupo de Exércitos A)
União das Repúblicas Socialistas Soviéticas Georgy Zhukov
União das Repúblicas Socialistas Soviéticas Ivan Konev

Forças

450 000 soldados[1]
2 203 600 soldados[2]

Baixas

150 000 mortos, feridos ou desaparecidos
69 600 capturados[3]
43 476 mortos ou desaparecidos
150 715 feridos ou doentes[2]

Ofensiva no Vistula–Oder foi uma operação do Exército Vermelho na Frente Oriental do teatro europeu da Segunda Guerra Mundial. Teve inicio em 12 de janeiro e foi concluída com sucesso em 2 de fevereiro de 1945. Em menos de um mês, os soviéticos atravessaram a linha polaca do rio Vístula e cruzaram o rio Oder, na Alemanha, cerca de setenta quilômetros da capital Berlim.

As tropas da União Soviética, lideradas por Georgy Zhukov e Ivan Konev, contaram com mais de dois milhões de soldados, enfrentando defesa de 450.000 alemães. [4]

A Ofensiva no Vistula–Oder foi uma grande vitória do Exército Soviético. Em questão de dias as forças envolvidas avançaram centenas de quilômetros, tomando boa parte da Polônia e atacando os alemães dentro das fronteiras do próprio Reich. A batalha destroçou o Grupo de Exércitos A e colocou em cheque a capacidade do Exército Alemão de impor uma resistência efetiva. Contudo, o ímpeto das defesas alemãs em Silésia e na Pomerânia, além da luta contínua e feroz na Prússia oriental, acabou por adiar os planos para um ataque direto a Berlim, onde a Wehrmacht conseguira reunir tropas e montar uma boa defesa nas cercanias da cidade.

Ver também

Ligações externas

Referências

  • Duffy pp. 51, 59
  • Glantz (1995), p. 300
  • 9may.ru
    1. Duffy, C. Red Storm on the Reich: The Soviet March on Germany, 1945 Routledge 1991 ISBN 0-415-22829-8 p. 51, 59

    [Esconder]

    ve

    Segunda Guerra Mundial

    Ásia e Pacífico (China · Sudeste Asiático · Pacífico Norte e Central · Sudoeste do Pacífico) · Europa (Ocidental · Oriental) · Mediterrâneo e Oriente Médio (Norte da África · África Oriental · Itália) · África Ocidental · Atlântico · América do Norte · América do Sul · Baixas · Engajamentos militares · Conferências · Comandantes

    Participantes

    Aliados
    (líderes)

    Austrália · Bélgica · Brasil · Canadá · China · Cuba · Checoslováquia · Dinamarca · Etiópia · França · França Livre (A partir de junho de 1940) · Grécia · Índia · Itália (A partir de setembro de 1943) · Luxemburgo · México · Países Baixos · Nova Zelândia · Noruega · Filipinas (Commonwealth) · Polônia · África do Sul · Rodésia do Sul · União Soviética · Reino Unido · Estados Unidos (Porto Rico) · Iugoslávia

    Eixo
    (líderes)

    Albânia · Bulgária · Governo Nacional Reorganizado da China · Estado Independente da Croácia · Finlândia · Alemanha Nazista · Hungria · India Livre · Iraque · Itália (Até setembro de 1943) · República Social Italiana · Japão · Manchukuo · Filipinas (Segunda República) · Romênia · Eslováquia · Tailândia
    · França de Vichy (Neutralidade armada)

    Resistências

    Albânia · Alemanha · Áustria · Bélgica · Bulgária · Checoslováquia · Coreia · Dinamarca · Estônia · Etiópia · Eslováquia · França · Grécia · Hong Kong · Itália · Iugoslávia · Japão · Judeus · Letônia · Lituânia · Luxemburgo · Malaia · Países Baixos · Nordeste da China · Noruega · Filipinas · Polônia (Anticomunistas) · Romênia · Tailândia · União Soviética · Ucrânia ocidental · Vietnã (Monarquistas)

    Cronologia

    Causas

    África · Ásia · Europa

    1939

    Invasão da Polônia · Guerra de Mentira · Guerra de Inverno · Atlântico · Changsha · China

    1940

    Weserübung · Países Baixos · Bélgica · França (Armistício de 22 de junho de 1940) · Grã-Bretanha · Norte da África · África Ocidental · Somalilândia britânica · Norte da China · Estados bálticos · Moldávia · Indochina · Grécia · Compasso · Ataque a Mers-el-Kébir

    1941

    África Oriental · Iugoslava · Shanggao · Grécia · Creta · Iraque · União Soviética (Barbarossa) · Finlândia · Lituânia · Síria e Líbano · Kiev · Irã · Leninegrado · Moscou · Sebastopol · Pearl Harbor (A eclosão da Guerra do Pacífico) · Hong Kong · Filipinas · Changsha · Malásia · Bornéu

    1942

    Birmânia · Changsha · Mar de Java · Mar de Coral · Gazala · Dutch Harbor · Attu (ocupação) · Kiska · Zhejiang-Jiangxi · Midway · Rzhev · Azul · Stalingrado · Singapura · Dieppe · El Alamein · Guadalcanal · Tocha

    1943

    Tunísia · Kursk · Smolensk · Ilhas Salomão · Attu · Sicília · Cottage · Dnieper · Itália (Armistício de Cassibile) · Ilhas Gilbert e Marshall · Birmânia · Norte de Birmânia e Yunnan Ocidental · Changde

    1944

    Monte Cassino / Shingle · Narva · Korsun–Cherkassy · Tempest · Ichi-Go · Overlord · Neptune · Normandia · Ilhas Marianas e Palau · Bagration · Ucrânia ocidental · Linha Tannenberg · Varsóvia · Roménia oriental · Belgrado · Paris · Dragão · Linha Gótica · Market Garden · Estônia · Crossbow · Pointblank · Lapônia · Hungria · Leyte · Ardenas (Bodenplatte) · Filipinas (1944–1945) · Birmânia 1944-1945

    1945

    Vistula–Oder · Iwo Jima · Invasão aliada ocidental da Alemanha · Okinawa · Itália (primavera de 1945) · Bornéu · Frente Sírmiana · Berlim · Checoslováquia · Budapeste · West Hunan · Guangxi · Rendição da Alemanha · Projeto Hula · Manchúria · Manila · Bornéu · Taipei · Bombardeios atômicos (debate) · Ilhas Curilas (Shumshu) · Rendição do Japão (Fim da Segunda Guerra Mundial na Ásia)

    Aspectos

    Fome

    Fome de 1943 em Bengala · Fome chinesa de 1942-1943 · Grande fome grega de 1941-1944 · Fome vietnamita de 1945

    Geral

    Guerra Aérea · Blitzkrieg · Comparativo de oficiais de patente · Criptografia · Diplomática · Frente inicial · (Estados Unidos · Austrália · Reino Unido) · Lend-Lease · Projeto Manhattan · Condecoração militar · Equipamentos militar · Produção militar · Pilhagem nazista · Oposição · Tecnologia (Cooperação aliada) · Guerra total · Bombardeios estratégicos · Estados fantoches · Mulheres · Arte

    Consequências

    Expulsão dos alemães · Operação Paperclip · Operação Osoaviakhim · Operação Keelhaul · Ocupação da Alemanha · Mudanças territoriais da Alemanha · Ocupações soviéticas (Romênia · Polônia · Hungria · Estados bálticos) · Ocupação do Japão · Primeira Guerra da Indochina · Revolução Nacional da Indonésia · Guerra Fria · Descolonização · Tratado sobre a Regulamentação Definitiva referente à Alemanha · Julgamentos de Nuremberg · Cultura popular

    Crimes de guerra

    Crimes de guerra dos Aliados (União Soviética · Reino Unido · Estados Unidos) · Alemanha (trabalho forçado) / Crimes de guerra da Wehrmacht (Holocausto · Consequências · Resposta · Ação judicial) · Itália · Japão (Unidade 731 · Ação judicial · Croácia (Contra os sérvios · Contra os judeus)

    Estupros

    Burdês militares alemães · Bordéis do campo · Estupros durante a ocupação do Japão · Sook Ching · Mulheres de conforto · Estupros de Nanquim · Estupros de Manila · Estupros durante a ocupação da Alemanha · Estupros durante a ocupação da França · Estupros durante a ocupação da Polônia

    Prisioneiros de guerra

    Prisioneiros de guerra finlandeses na União Soviética · Prisioneiros de guerra alemães na União Soviética · Prisioneiros de guerra alemães nos Estados Unidos · Prisioneiros de guerra italianos na União Soviética · Prisioneiros de guerra japoneses na União Soviética · Prisioneiros de guerra japoneses na Segunda Guerra Mundial · Maus tratos da Alemanha de prisioneiros de guerra soviéticos · Prisioneiros de guerra poloneses na União Soviética · prisioneiros de guerra romenos na União Soviética

    Bibliografia · Categoria · Portal



  • Wikipédia

    Melnick Even Day | É hoje!

    Mais informações:
    Luis Borges
    e-mail:
    luisaugustoborges@gmail.com
    Fone: (51) 9 8039-0049

    Batalha do rio Vístula–História virtual

    Batalha do rio Vístula

    Parte da(o) Primeira Guerra Mundial

    EasternFront1914a.jpg
    Frente Oriental, Setembro de 1914.

    Data
    29 de Setembro a 31 de Outubro de 1914.

    Local
    Varsóvia, atual Polónia.

    Desfecho
    Vitória Russa

    Combatentes

    Flag of Russian Empire for private use (1914–1917) 3.svg Império Russo
    Flag of the German Empire.svg Império Alemão

    Principais líderes

    Flag of Russian Empire for private use (1914–1917) 3.svg Nikolai Ruzsky
    Flag of the German Empire.svg August von Mackensen

    Forças

    Primeiro Exército russo Décimo segundo Exército russo
    Nono Exército Alemão

    Vítimas

    15.000 mortos e 50.000 feridos
    42.000

    A Batalha do Rio Vístula, também conhecida como Batalha de Varsóvia, foi uma vitória da Rússia sobre o Império Alemão na Frente Oriental durante a Primeira Guerra Mundial.

    Batalha

    Como o exército austro-húngaro estava a ser conduzido a partir de Galícia na Batalha da Galícia, Paul von Hindenburg, comandando as forças alemãs na Frente Oriental, ordenou uma ofensiva contra as linhas russas na região de Varsóvia. A batalha teve início em 29 de setembro o nono exército comandado por August von Mackensen. Mackensen atingiu o rio Vístula dia 9 de setembro e foi a apenas 12 quilômetros de Varsóvia. A ofensiva alemã começou a esmorecer. O general Nikolai Ruzsky, comandante da Frente Noroeste da Rússia, se levantou contra o nono reforço alemão. Neste momento Hindenburg soube de uma planejada ofensiva russa na Silésia quando capturou um soldado russo. No entanto, Hindenburg continuou a ofensiva contra Varsóvia. Os alemães estavam familiarizados com a terra mas não o suficiente para trazer reforços para o Nono Exército, permitindo Ruzsky a concentrar a sua frente contra Mackensen. Em 17 de outubro Hindenburg ordenou um retiro. A batalha tinha acabado.

    Resultados

    Em 1 de novembro, o Nono Exército alemão estava de volta de onde ele havia saído, com 42.000 soldados a menos.Esta foi a primeira de uma série de tentativas de Hindenburg para capturar Varsóvia. Dez dias depois, Hindenburg fez uma nova tentativa em Varsóvia, culminando na Batalha de Łódź.Com números superiores sobre a Frente Oriental tinha dado ao exército russo a vantagem no outono de 1914.

    Bibliografia

    • Tucker, Spencer The Great War: 1914-18 (1998)

    Portal
    A Wikipédia tem o portal:

    [Esconder]

    ve

    Primeira Guerra Mundial

    Teatro Europeu: (BalcãsFrente OcidentalFrente OrientalCampanha Italiana)
    Teatro do Oriente Médio: (CáucasoMesopotâmiaSinai e PalestinaGallipoliPérsiaArábia do Sul)
    Teatro Africano: (SudoesteOcidenteOrienteNorte)
    Teatro da Ásia e Pacífico: (Cerco de Tsingtao)
    Oceano Atlântico

    Principais participantes
    (Pessoas)

    Potências da Entente

    Império Russo/RepúblicaImpério Francês: França, VietnãImpério Britânico: (Reino Unido, Austrália, Canadá, Índia, Nova Zelândia, Domínio de Terra Nova, África do Sul) • ItáliaRomêniaEstados UnidosSérviaPortugalChinaJapãoBélgicaMontenegroGréciaArmêniaBrasil

    Potências Centrais

    Império AlemãoÁustria-HungriaImpério OtomanoBulgária

    Linha do tempo

    Pré-conflitos

    Revolução Mexicana (1910–1920)Guerra ítalo-turca (1911–1912)Primeira Guerra dos Balcãs (1912–1913)Segunda Guerra dos Balcãs (1913)

    Prelúdio

    OrigensAtentado de SarajevoCrise de Julho

    1914

    Batalha das FronteirasBatalha de CerPrimeira Batalha do MarneBatalha de StallupönenBatalha de GumbinnenBatalha de TannenbergBatalha da GalíciaPrimeira Batalha dos Lagos MasurianosBatalha de KolubaraBatalha de SarikamishCorrida para o mar  • Batalha de Trindade  • Primeira Batalha de Ypres  • Trégua de Natal

    1915

    Segunda Batalha de YpresCampanha de GalípoliBatalhas do rio IsonzoGrande RetiradaConquista da SérviaCerco de Kut

    1916

    Ofensiva de ErzerumBatalha de VerdunOfensiva do Lago NarochBatalha de AsiagoBatalha da JutlândiaBatalha do SommeOfensiva BrusilovOfensiva MonastirConquista da Romênia

    1917

    Guerra submarina irrestritaCaptura de BagdáPrimeira Batalha de GazaOfensiva NivelleSegunda Batalha de ArrasOfensiva de KerenskyTerceira Batalha de YpresBatalha de CaporettoBatalha de CambraiArmistício de Erzincan

    1918

    Operação FaustschlagTratado de Brest-LitovskiFrente MacedôniaOfensiva da Primavera  • Batalha do Lys  • Ofensiva dos Cem DiasOfensiva Meuse-ArgonneBatalha de Baku, Batalha de MegidoBatalha do Rio PiaveBatalha de Vittorio VenetoArmistício com a AlemanhaArmistício com o Império Otomano

    Outros conflitos

    Revolta Maritz (1914–1915)Angola (1914–1915)Conspiração Hindu-Alemã (1914–1919)Revolta da Páscoa (1916)Revolução Russa (1917)Guerra civil finlandesa (1918)

    Pós-conflitos

    Guerra Civil Russa (1917–1921)Guerra Civil Ucraniana (1917–1921)Guerra Armeno-Azeri (1918–1920)Guerra Armeno-Georgiana (1918)Revolução Alemã (1918–1919)Guerra húngaro-romena (1918–1919)Revolta na Grande Polônia (1918–1919)Guerra de Independência da Estônia (1918–1920)Guerra de Independência da Letônia (1918–1920)Guerras de Independência da Lituânia (1918–1920)Terceira Guerra Anglo-Afegã (1919)Guerra polaco-soviética (1919–1921)Guerra de Independência da Irlanda (1919–1921)Guerra de Independência Turca incluindo a Guerra Greco-Turca (1919–1923)Guerra polaco-lituana (1920)Guerra soviético-georgiana (1921)Guerra Civil Irlandesa (1922–1923)

    Aspectos

    Guerra

    BatalhasGuerra navalGuerra AéreaUso de cavalos  •Uso de gás venenosoBombardeio estratégicoTecnologiaGuerra de trincheiraGuerra totalVeteranos sobreviventesTrégua de Natal

    Impacto civil /
    atrocidades

    VítimasGripe EspanholaViolação da Bélgica • Vítimas otomanas (genocídio armêniogenocídio assíriogenocídio grego)Cultura popularParticipantesPrisioneiros de guerra alemães nos Estados Unidos

    Acordos /
    Tratados

    Partilha do Império OtomanoSykes-PicotSt.-Jean-de-MaurienneFranco-ArmênioDamascoConferência de Paz de ParisTratado de Brest-LitovskTratado de LausanneTratado de LondresTratado de NeuillyTratado de St. GermainTratado de SèvresTratado de TrianonTratado de Versailles

    Consequências

    Pós-guerra • "Quatorze Pontos" • Liga das NaçõesNazifascismoCrise de 29Neo-otomanismoBolchevismo

    CategoriaPortal



    Wikipédia

    Diáspora judaica–História virtual

    Mapa mostrando a diáspora judaica no mundo por volta de 1490.

    Diáspora judaica (no hebraico tefutzah, "dispersado", ou גלות galut "exílio") refere-se a diversas expulsões forçadas dos judeus pelo mundo e da consequente formação das comunidades judaicas fora do que hoje é conhecido como Israel, partes do Líbano e Jordânia (por dois mil anos).

    Índice

    Primeira diáspora (galut bavel)

    De acordo com a Bíblia, a diáspora é fruto da idolatria e rebeldia do povo de Israel e Judá para Deus, o que fez com que este os tirasse da terra que lhes prometera e os espalhasse pelo mundo até que o povo de Israel retornasse para a obediência a Deus, onde seriam restaurados como uma nação soberana e senhora do mundo. De acordo com a Moderna História, a diáspora judaica aconteceu pelo confronto do povo judaico com outros povos que desejavam subjugar sua cultura e dominar o seu território.

    Geralmente se atribui o início da primeira diáspora judaica ao ano de 586 a.C., quando Nabucodonosor II — imperador babilônico — invadiu o Reino de Judá, destruindo a Jerusalém e o Templo, e deportando os judeus para a Mesopotâmia. Mas esta dispersão se inicia antes, em 722 a.C., quando o reino de Israel ao norte é destruído pelos assírios, e as dez tribos de Israel são levadas como cativas à Assíria; Judá passa a pagar altos impostos para evitar a invasão, o que não será possível negociar com Nucodonosor II.

    Diáspora na Babilônia

    Com a conquista de Judá, cerca de quarenta mil judeus foram deportados para a Babilônia, onde floresceram como comunidade e mantiveram suas práticas e costumes religiosos, associados a outros costumes herdados dos babilônios. A assimilação fez com que o hebraico perdesse sua importância em função do aramaico, que se tornou a língua comum. Com a queda do poder babilônico e a ascensão do xá aquemênida Ciro II, este permitiu que algumas comunidades judaicas retornassem para a Judeia, mas a grande maioria da população judaica preferiria permanecer em Babilônia, onde tinham uma sociedade constituída, do que retornar às vicissitudes da reconstrução de um país.

    Com o domínio romano sobre a Judeia, a maior parte dos judeus que viviam na Judeia emigrou para Babilônia, que se tornou o maior centro comunitário judaico no mundo até o século XI. Ao vencerem os partas em 226, os persas novamente conquistam a Babilônia, mas os judeus permanecem com uma relativa autonomia sob a liderança do exilarca ou Resh Galuta (Príncipe do Exílio), descendente de Davi. No século IV é compilado o Talmud Babilônico, e tem início a crise caraíta.

    A comunidade judaica na Babilônia perdurou solidamente através da história, influenciando o judaísmo mundial também na segunda diáspora, e só deixará de existir com a emigração dos judeus do Iraque no século XX.

    Segunda diáspora

    A segunda diáspora aconteceu muitos anos depois, em 70 d.C. Os romanos destruíram Jerusalém, o que acarretou uma nova diáspora, fazendo os judeus irem para outros países da Ásia Menor, África ou sul da Europa. As comunidades judaicas estabelecidas nos países do leste Europeu ficaram conhecidas como Ashkenazi (não confunda com os netos de Noé). Os judeus do norte da África (sefardins) migram para a península Ibérica. Expulsos de lá pelo crescente cristianismo do século XV, migram para os Países Baixos, Bálcãs, Turquia, Palestina e, estimulados pela colonização europeia, chegam ao continente americano. Na Etiópia a presença judaica é conhecida como Beta Israel.

    Sionismo

    O sionismo (de Sião, nome do monte onde ficava o templo de Jerusalém), surgiu na Europa em meados do século XIX. Inicialmente de caráter religioso, o sionismo pregava a volta dos judeus à Terra de Israel, como forma de estreitar os laços culturais do povo judeu em torno de sua religião e de sua cultura ancestral.

    Criação do Estado de Israel

    Estima-se que seis milhões de judeus foram exterminados nos campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. Isso impulsionou o restabelecimento do Estado de Israel, o verdadeiro lar do povo judeu, depois de quase dois mil anos em domínio estrangeiro. A diáspora terminou em 1948, com a tomada da Palestina, o que criou o Moderno Estado de Israel. Em 1996, estimou-se que havia seis milhões de judeus vivendo em Israel, cerca de 5,5 milhões nos Estados Unidos, 400000 na França, 380000 no Canadá, 375000 no Reino Unido, 190000 na Rússia, 180000 na Argentina, 120000 na Alemanha, 110000 no Brasil e 70000 no Chile.[1]

    Movimentos antissionistas

    As visões a respeito da diáspora (tefutzah) se misturam. Enquanto boa parte dos judeus apoia o sionismo (retorno a Israel), outros — uma minoria denominada Naturei Karta — e também pequenos grupos não radicais mostram oposição ao conceito de moderna nação como um Estado democrático secular, e acreditam que esta só poderá existir após a chegada do Messias.

    Referências

    1. http://www.bjpa.org/Publications/downloadFile.cfm?FileID=18230




    Wikipédia

    O Brasil tem mais assassinatos do que todos estes países somados

    Brasil = EUA, Canadá, Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Egito, China, Mongólia, Malásia, Indonésia, Austrália, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Japão, Portugal, Espanha, Reino Unido, Irlanda, França, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Alemanha, Itália, Suíça, Dinamarca, Noruega, Suécia, Finlândia, Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia, República Tcheca, Eslováquia, Áustria, Hungria, Belarus, Ucrânia, Romênia, Moldávia, Bulgária, Eslovênia, Croácia, Bósnia-Herzegóvina, Sérvia, Montenegro, Albânia, Grécia e Macedônia

    O Brasil teve 59 mil assassinatos em 2015. Dez anos antes, eram “apenas” 48 mil. São mais homicídios do que os 52 países listados no mapa. Mas 52 é um número grande demais, e essa lista inclui muitos países pequenos e ricos, você pode argumentar, e com razão. Certamente incluir a achocolatada Suíça (57 assassinatos em 2015) ou o endinheirado Grão-Ducado de Luxemburgo (QUATRO em 2014) deturparia a quantidade de nações comparadas. Além disso, somos um gigante de 8,5 milhões de quilômetros quadrados e 207 milhões de habitantes. Não seria injusto comparar com esses países pequetiticos? Até mesmo a França, que tem um dos maiores territórios da Europa, é do tamanho da Bahia, apenas o 5º maior estado brasileiro.

    Então tome o continente inteiro de uma vez. A Europa tem 10,1 milhões de quilômetros quadrados, área um tanto maior, mas ainda assim comparável à do Brasil. Mas são 743 milhões de pessoas – muito mais do que aqui. Ainda assim, o continente inteiro teve 22 mil assassinatos no último ano contabilizado. O Brasil (com uma população mais de três vezes menor), teve quase o triplo.

    Ok, mas é Europa. O continente que parece ter aprendido com suas intermináveis guerras desde que Adolf Hitler foi sorrir no inferno. O continente que se tornou, salvo guerras regionais aqui e atentados terroristas acolá, um lugar pacífico. Esqueça um pouco a xenofobia e os nacionalismos recentes. Pense no continente dos carrinhos pequenos, das bicicletas, vielas medievais, waffles, baguetes, chocolates, vinhos, cervejas, queijos, praias (artificiais ou não) de nudistas, música eletrônica controversa, direitos humanos mais respeitados que a média, Bjork, príncipe Harry, Lego. Lego, caramba! Comparar com o Brasil? Fala sério.

    Então pegue a Indonésia. Maior país de maioria muçulmana do mundo, 1,9 milhão de quilômetros quadrados, 253 milhões de almas. Um arquipélago grande, populoso e pobre: ainda assim, foram 1,2 mil assassinatos em 2014. Se for comparar conosco, não dá para o gasto: basta o Espírito Santo de 2016 para chegar ao mesmo número.

    E os Estados Unidos, cheio de crimes, atiradores compulsivos, nacionalistas raivosos e repressão policial? Foram 15,7 mil homicídios em 2015, em um território de 322 milhões de humanos. Isso dá 4,8 por 100 mil habitantes. No Brasil, 28,9 – é como se alguém de Lagarto (SE), Assis (SP) ou Iguatu (CE) convivesse com o fato de que 30 moradores da cidade foram assassinados no último ano.

    Mas calma, você ainda pode argumentar que os dados de muitos países são menos confiáveis que os do Brasil. Esse mapa mesmo inclui a Líbia, país dilacerado pela guerra desde 2011. As 156 vítimas no país em 2015 foram consideradas alheias ao conflito, mas, ainda assim, pode-se torcer o nariz para o dado. Mas é também justamente pela dificuldade em quantificar esses crimes em um cenário belicoso que as guerras não entram na conta. Afinal, guerra é outra coisa. O último dado disponível da Síria é de 2010, antes da guerra: 463 assassinatos, taxa de 2,2 por 100 mil. Naquele ano, o Brasil teve 53 mil, com taxa de 27,8.

    Em tempo, a Guerra Civil da Síria já matou, na média das estimativas, 350 mil pessoas, o que pode colocá-la na lista das 100 matanças mais mortíferas da história.

    O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), que agrega os dados de todos os países, define o seguinte: “Dentro da grande gama de tipos de morte violenta, o elemento primordial do homicídio intencional é sua completa ligação com o perpetrador direto, o que consequentemente exclui mortes causadas por guerras e conflitos, mortes autoinfligidas (suicídio), mortes devido a intervenções legais ou motivos justos (como autodefesa, por exemplo) e mortes quando houve negligência do perpetrador mas este não tinha a intenção de tirar uma vida (homicídio não intencional).”

    Guerras postas de lado, voltemos à violência urbana e rural. O mapa ainda tem Rússia, país que não é lá um sinônimo de paz. Foram 16,2 mil assassinatos em 2015, uma taxa de 11,3 mortes do tipo a cada 100 mil pessoas. Já a gigante China, com seu 1,3 bilhão de habitantes, registrou 10 mil homicídios em 2014 – mas, aqui, cabe a ressalva de que, apesar da queda expressiva de crimes nos país nas últimas décadas, os números oficiais são enganosos. Assassinatos ocorridos juntamente com roubo ou estupro podem ser descartados da estatística. Ainda assim, os números chineses precisariam ser 36 vezes maiores para se equipararem aos brasileiros.

    Se for ver com lupa, quase todo mundo vai ter asterisco e nota de rodapé. Metodologias que podem variar um pouco, burocracias falhas, corrupção governamental. Só que o problema é que mesmo se duvidarmos dos dados de todos os países, o Brasil tem tanta vantagem nesse terrível ranking que fica difícil demais contra-argumentar. Você pode fazer variações do mapa. Tem uma no Reddit que troca os Estados Unidos por um punhado de nações na África Subsaariana e no Sudeste Asiático. Entre os países mais sanguinários em números absolutos, o único que se compara ao Brasil é a Índia, com 41,6 mil homicídios em 2014. O problema, lembrar não custa nada, é que a população da Índia é mais de seis vezes maior que a nossa. O resto dos 10+ da lista está em um patamar bem inferior: México (20,7 mil), África do Sul (18,6 mil), Nigéria (17,8 mil), Venezuela (17,7 mil), os já citados Rússia e EUA, Paquistão (13,8 mil) e Colômbia (12,7 mil). Ou seja, troque os 52 países do mapa, que inclui, como vimos, países bonitinhos, fofos e civilizados, e troque por um punhado de lugares aonde você passaria férias, mas sempre ouviria da sua mãe: “cuidado por lá, é muito violento”. Combo 1: México + África do Sul + Colômbia: 52 mil. E países acossados pelo terrorismo? Combo 2: EUA + Rússia + Nigéria + Paquistão = 63,5 mil. Só um pouco mais que o Brasil.

    E em termos proporcionais? Aí o Brasil cai para 14º. Todos os países com uma realidade ainda mais violenta (de novo, sem incluir aqueles em estado de guerra) são África do Sul, Venezuela e pequenas nações da América Latina, Caribe e África.

    Mas talvez esses números e países que não nos dizem muito não sejam o problema em enxergar o tamanho da encrenca. Porque o Brasil pode ser o país com o maior número de assassinatos por ano, mas ainda assim você pode morar no Jardim Paulista, em São Paulo, tão pacífico quanto a Suécia. Ou em Nossa Senhora da Apresentação, o bairro mais violento de Natal, a cidade mais violenta do Brasil e a 10ª do mundo. Só no primeiro semestre de 2017, o bairro da capital potiguar registrou 40 homicídios .

    Um bairro, em seis meses, teve mais assassinatos do que 66 países e territórios computados pelo UNODC.

    Nossa Senhora da Apresentação, em um semestre, é mais violento que a Croácia inteira em um ano.

    Um último porém. O Brasil do mapa é o de 2015. Em 2016, ficou pior. Chegamos a 61,6 homicídios.


    Super Interessante

    Produtores estão em Curitiba para filmar 2º filme sobre Lava Jato

    Tomislav Blazic afirmou estão "aproveitando este dia" para captar cenas reais

    Sequência irá mostrar delações da JBS | Foto: Divulgação / CP

    Sequência irá mostrar delações da JBS | Foto: Divulgação / CP

    Produtores do filme "Lava Jato - A Lei é para Todos 2" estão na sede da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba para filmar a possível prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Há 10 integrantes da produtora responsável pelo filme registrando a movimentação da imprensa no local e prontos para acompanhar a eventual chegada de Lula.

    "O filme também terá cenas reais e estamos aproveitando este dia", disse ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, o produtor Tomislav Blazic. O segundo filme, com previsão de ser lançado no fim do ano, procurará retratar a Lava Jato no período após a condução coercitiva de Lula, onde o primeiro filme parou.

    A ideia inicial, conforme o produtor, era encerrar a segunda produção mostrando as delações da JBS, mas a possibilidade de Lula ser preso estendeu o trabalho. "Certamente isso dá um gás no filme. Mas não é só o Lula, a Lava Jato pegou todos", comentou o produtor.


    Estadão Conteúdo e Correio do Povo

    A epidemia de assassinatos no Brasil

    Chacina de Fortaleza segue um padrão macabro: como boa parte dos homicídios no país, ocorreu em uma área pobre da cidade, vitimando sobretudo jovens e, em sua maioria, negros e pardos.

    Caixão com vítima de assassinato em Pernambuco: em 2016, foram quase 25 mil assassinatos no Nordeste

    Caixão com vítima de assassinato em Pernambuco: em 2016, foram quase 25 mil assassinatos no Nordeste

    Passava da meia noite quando o grupo de homens armados com coletes táticos, fuzis, pistolas e balaclavas apareceu no Bairro de Cajazeiras, uma área pobre da periferia de Fortaleza. Surgiram de três carros, estacionados nas proximidades de uma casa de shows popular por ali, o Forró do Gago. Chegaram atirando. A primeira vítima foi um motorista de um aplicativo de transporte que levava uma passageira para a festa que agitava a rua Madre Teresa de Calcutá na madrugada do último sábado (27/01). Ordenaram que o homem saísse do veículo e o executaram sem nada dizer.

    A passageira tentou fugir, mas também foi atingida. Em seguida, caminharam 50 metros atirando em qualquer pessoa que estivesse na rua. Um vendedor de cachorro quente foi morto na porta da casa de shows, e seu filho de 12 anos, que o ajudava, atingido na perna. Os homens entraram no Forró do Gago atirando a esmo, escolhendo as vítimas aleatoriamente. Após 10 minutos de tiroteio, mais 12 pessoas estavam mortas e outras dez feridas. Foi a maior chacina da história do Ceará, um estado que vive uma epidemia de violência sem precedentes em sua história.

    Leia também: "Problema central é encarceramento em massa, e não facções"

    Apesar de inédita em sua dimensão, a chacina de Fortaleza segue um padrão macabro na espiral de violência sem controle que matou mais de 60 mil brasileiros apenas no ano passado e dizimou mais de meio milhão de pessoas ao longo da última década. Como boa parte dos assassinatos no Brasil, ela ocorreu em uma área pobre da cidade, vitimando em sua maioria jovens e, provavelmente, negros e pardos.

    Assim como em todo o país, os crimes estão ligados, em diferentes estágios, à disputa pelo controle territorial entre facções criminosas que nacionalizaram suas ações a partir do Sudeste, principalmente em direção aos estados do Norte e do Nordeste. Repete, também, o ciclo de ações e reações violentas que caracterizam as regiões em que o Estado é ausente ou omisso.

    "Apesar de sua dimensão assustadora, as mortes no Brasil são extremamente concentradas, tanto em faixa etária, quanto raça e localização geográfica", diz Renato Sérgio Lima, presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

    Luto pela morte de moradores da Cidade de Deus, no Rio, durante uma operação policial em 2016

    Luto pela morte de moradores da Cidade de Deus, no Rio, durante uma operação policial em 2016

    Concentração endêmica de homicídios

    Assim como em Fortaleza, a maior parte dos homicídios no Brasil ocorre em áreas periféricas, com taxa de renda média, baixa escolaridade e Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) semelhante ao de países da África Subsaariana. Além disso, há uma concentração endêmica de homicídios entre negros e pardos. "Os números assustam a qualquer um, mas a noção de que os homicídios são algo que atinge toda a sociedade brasileira de forma equânime é algo que não corresponde à realidade", diz ele.

    O Fórum Brasileiro de Segurança Pública desenvolve uma pesquisa anual com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada sobre os homicídios no Brasil. Batizado de Atlas da Violência, o estudo consegue dar uma dimensão clara das diferenças entre as vítimas da violência no Brasil.

    Apenas em 2015, último ano tabulado até o momento pelo Atlas, 41 mil homens negros e pardos foram assassinados no Brasil, enquanto o número de vítimas não negras e pardas (brancos, amarelos) chegou à casa de 15 mil. "Não conseguimos fazer uma distinção sobre classe, com base na renda, mas os números que temos e os outros estudos realizados com base neles mostram que há uma correlação entre pobreza e violência muito forte."

    Leia também: Aprisionamento em massa fortalece facções criminosas

    Fortaleza é um exemplo claro disso. O Bairro de Cajazeiras, onde o ocorreu a tragédia, tem um IDH comparado com o da República Centro Africana, um dos países mais pobres da África. De acordo com um estudo da própria Secretaria de Pública de Segurança do Ceará, a região em que Cajazeiras está inserida é uma das mais violentas de Fortaleza, que, por sua vez, tem o título de terceira capital brasileira em número de homicídios.

    Quase todos os bairros ao seu redor, onde se concentravam mais de 50% das mortes da cidade em 2012, data do último estudo, têm IDHs de nível africano. Nos bairros mais seguros, o Índice de Desenvolvimento Humano se aproxima de países do norte da Europa.

    "A classe média não é vítima dessa epidemia de violência, quem está morrendo são os pobres e os negros, são os descendentes dos escravos, aqueles que sempre foram os párias dessa sociedade absurdamente desigual”, diz o sociólogo Jessé Souza.

    Doutor em Sociologia pela Universidade Karl Ruprecht, de Heidelberg (Alemanha), Souza tem se dedicado a estudar a desigualdade no Brasil. Nos últimos 20 anos lançou mais de uma dezena de livros e estudos sobre o assunto.

    Origens e crime organizado

    Jessé Souza acredita que a extrema desigualdade da sociedade brasileira e a consequente violência que a marca são resultado das heranças escravocratas do país. Para ele, o Brasil jamais discutiu os 350 anos de escravidão e seus impactos na sociedade de uma maneira profunda. "O que vemos é uma repetição do status quo do escravismo, em que 20% da sociedade brasileira pretendem subjugar os outros 80% e manter as benesses de se ter mão de obra a preço vil para executar serviços que ela considera vil", diz ele. "Como não ter violência?"

    Bruno Paes Manso estuda há quase duas décadas as dinâmicas da criminalidade no Brasil. Jornalista e hoje pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo, Bruno passou a se interessar profundamente pelo assunto quando começou a perceber a redução abrupta dos assassinatos em São Paulo. Até os anos 2000, São Paulo era a campeã brasileira em assassinatos.

    Em 1999, o estado paulista registrava mais de 15 mil homicídios, quase o dobro do Rio de Janeiro. Tinha 44 mortes por 100 mil habitantes, ocupando a quinta posição entre os estados do país. A partir daquele ano iniciou uma redução abrupta dos homicídios, até se tornar o estado do país com o menor índice de mortes por 100 mil habitantes do Brasil em 2015, com 12 mortes por grupo de 100 mil. Em números absolutos os homicídios despencaram para cerca de 5 mil mortes. "Fiquei obcecado em entender o que estava acontecendo", conta Bruno, na época repórter do jornal O Estado de S. Paulo.

    Leia também: Brasil tem pelo menos 83 facções em presídios

    A resposta encontrada por Bruno e por outros pesquisadores da violência estava naquela que seria a maior organização criminosa do Brasil, o Primeiro Comando da Capital (PCC). Nascido após o massacre de 111 presos na Penitenciária do Carandiru pela Polícia Militar de São Paulo, o PCC surgiu com ideais de justiça e autodefesa. A ideia era unir o mundo do crime contra o chamado sistema e impedir que situações como o Carandiru voltassem a ocorrer.

    "Houve uma pacificação nas cadeias, já não era permitido oprimir o mais fraco, havia uma espécie de sistema judicial que controlava a vida no sistema prisional", conta Bruno. Logo, o PCC passou a também atrair bandidos que estavam nas ruas. Uma irmandade do crime nascia em São Paulo e logo ela se tornou hegemônica nas ruas da cidade e de todo o estado.

    "O código de conduta das prisões foi para as periferias. Já não se podia ajustar as contas com um inimigo sem o aval do PCC, já não se podia roubar determinadas áreas sem o aval do "Partido". O resultado foi uma redução profunda nos crimes de vingança que marcaram toda a década de 80 e 90 em São Paulo. Agora, para matar era preciso de autorização.

    Migração da violência

    Foi a partir de meados da primeira metade da primeira década do ano 2000 que o PCC iniciou um processo de nacionalização que viria a custar a vida de dezenas de milhares de brasileiros.

    O grupo passou a focar seus esforços no comércio e distribuição de cocaína. Para expandir o mercado, passou a se aliar a facções locais, que por sua vez tentavam repetir localmente o sucesso do grupo em São Paulo. As facções cariocas, em especial o Comando Vermelho, que já haviam iniciado um processo de nacionalização, se sentiram ameaçadas. Logo uma disputa de poder começou a se dar em áreas de grande crescimento do consumo de drogas, como no Norte e no Nordeste do país.

    "Esse é um período de expansão econômica e do consumo, é o momento em que o Brasil passa a se tornar o segundo maior consumidor de cocaína e derivados do mundo", conta Bruno, que atribui à estratégia do governo em concentrar em prisões federais os líderes regionais do crime em um incentivo à nacionalização. "As redes de contato se ampliaram."

    Em 1999 o Sudeste brasileiro produzia 26 mil cadáveres ao ano, enquanto o Nordeste tinha pouco mais de 8 mil homicídios registrados. Cerca de dez anos depois, a região conhecida por suas praias paradisíacas e pelo grande sertão já contava mais mortes que a parte mais industrializada do país. Em 2016, foram quase 25 mil assassinatos. Boa parte deles, dentro da dinâmica um dia experimentada por São Paulo.

    Foi exatamente o que aconteceu na madrugada do último sábado no bairro de Cajazeiras. A chacina, com características de um ato de terror para intimidar a população local, foi reivindicada pela organização criminosa ligada ao PCC no estado, os Guardiões do Estado, ou, G.D.E.

    A área onde ocorreram as mortes é controlada pela franquia do Comando Vermelho no estado. No sábado mesmo, pouco mais de 12 horas após os assassinatos, membros do CV, presos em uma das cadeias de segurança máxima do Ceará, enviaram um vídeo pelas redes sociais prometendo vingança.

    Só neste primeiro mês de 2018, quase 300 pessoas já foram mortas no Ceará. Ao que tudo indica, os números vão continuar a crescer.

    ----------------

    A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube | WhatsApp | App

    • Jugendgewalt Symbolbild

      MAIORIDADE PENAL PELO MUNDO

      Alemanha

      Responsabilidade penal juvenil: 14 anos
      Responsabilidade penal de adultos: 18/21 anos
      A Alemanha trabalha com um sistema de jovens adultos, segundo o qual mesmo após os 18 anos, dependendo do estudo e do discernimento, podem ser aplicadas regras do sistema de Justiça Juvenil. Após os 21 anos, a jurisidição passa a ser penal tradicional.

    123456789

    LEIA MAIS

    "Problema central é encarceramento em massa, e não facções"

    Em entrevista à DW Brasil, assessor jurídico da Pastoral Carcerária critica o que chama de debates simplistas sobre crise penitenciária e diz que mídia alimenta "fantasias" sobre guerra de facções. (12.01.2017) 

    Superlotação e precariedade abrem espaço para crime organizado nas prisões

    Violência praticada por facções criminosas na busca pelo poder é observada em todo o Brasil e tem ligação com excesso de detentos, sucateamento das unidades e corrupção de agentes públicos. (13.01.2014) 

    Brasil tem pelo menos 83 facções em presídios

    Dezenas de grupos criminosos já foram catalogados e identificados por especialistas e serviços de inteligência dos governos federal e estaduais, mas não há números oficiais. (17.01.2017) 

    Aprisionamento em massa fortalece facções criminosas

    No Brasil, prisões superlotadas estimulam ódio ao sistema e funcionam como uma "faculdade do crime". Para especialistas, políticas de ressocialização efetivas e programas de prevenção à criminalidade são urgentes. (03.01.2017) 

    O mês de janeiro em imagens

    Reveja alguns dos principais acontecimentos do mês. (21.01.2018)

    Maioridade penal pelo mundo

    O Brasil debate os prós e contra de reduzir de 18 para 16 anos a maioridade penal. Saiba como outros países lidam com a criminalidade juvenil. (08.04.2015)


    DW

    Facebook anuncia medidas para controlar melhor propaganda política

    Foto: Norberto Duarte / AFP / CP

    O Facebook anunciou nesta sexta-feira que vai querer saber quem financia qualquer propaganda política veiculada em sua plataforma e verificará a identidade do pagador, em uma tentativa de frear as influências estrangeiras nas eleições. A rede social, na mira por não se esforçar o bastante para evitar a manipulação em sua plataforma nas eleições de 2016 nos Estados Unidos, garantiu que a nova política exigirá a qualquer mensagem relacionada a candidatos ou públicos, incluir a marcação “Propaganda política”, com o nome da pessoa ou entidade que financiou.

    O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, disse que a mudança significará a “contratação de milhares de pessoas” e será executada neste ano, antes das eleições legislativas nos Estados Unidos em novembro. “Esses passos por si só não impedirão os que tentam burlar o sistema”, admitiu Zuckerberg em sua página do Facebook, “mas tornarão muito mais difícil para qualquer um fazer o que os russos fizeram nas eleições de 2016 e usem contas e páginas falsas para publicar anúncios”.


    Em um comunicado paralelo, o Facebook disse que as mudanças ajudariam a melhorar a transparência e a prestação de contas na rede. “Achamos que quando você visita uma página ou vê um anúncio no Facebook, deveria ficar claro de quem vem”, afirmou o grupo, acrescentando: “Também achamos que é importante para as pessoas poderem ver os outros anúncios que estão sendo publicados, inclusive se são ou não dirigidos a eles”.

    Para serem autorizados pelo Facebook, “os anunciantes precisarão confirmar sua identidade e localização”, afirma o texto, e eles não poderão publicar “anúncios políticos até estarem autorizados”. O Facebook fez o anúncio enquanto Zuckerberg se prepara para comparecer no Congresso na próxima semana para responder às perguntas sobre o uso dos dados de 87 milhões de usuários por parte de uma consultoria britânica que trabalhava para a campanha presidencial de Donald Trump.

    Fonte: AFP


    Jornal com Tecnologia do Correio do Povo

    Assassinatos no Brasil, por Lúcio Machado Borges*

    Resultado de imagem para assassinatos no brasilO Brasil tem mais assassinatos do que todos estes países somados


    No Brasil temos mais de 60 mil assassinatos por ano. Tem mais assassinatos do que nos Estados Unidos, Rússia, China e Escandinávia, que juntos correspondme a 60% do território mundial.

    *Editor do site RS Notícias