Estónia ou Estônia, oficialmente República da Estónia é um dos três Países Bálticos, situado na Europa Setentrional, constituído por uma porção continental e um grande arquipélago no mar Báltico

Eesti Vabariik
República da Estónia

Bandeira da Estónia

Brasão de armas da Estónia

Bandeira
Brasão de armas

Hino nacional: Mu isamaa, mu õnn ja rõõm
"Minha terra natal, minha alegria e deleite"

Menu

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Gentílico: estoniano, estónio[1] ou estónico[2]

Localização da Estónia

Localização da Estónia (em vermelho)
Na União Europeia (em branco).

Capital
Tallinn
59º26'N 24º45'E

Cidade mais populosa
Tallinn

Língua oficial
Estoniano¹

Governo
República parlamentarista

- Presidente
Kersti Kaljulaid

- Primeiro-ministro
Jüri Ratas

- Presidente do Parlamento
Eiki Nestor

Independência
do Império Russo

- Declarada
24 de fevereiro de 1918

- Reconhecida
2 de fevereiro de 1920

- Ocupada pela URSS
16 de junho de 1940

- Redeclarada
20 de agosto de 1991

Entrada na UE
1 de maio de 2004

Área

- Total
45 339 km² (132.º)

- Água (%)
4,46%

População

- Estimativa para 2013[3]
1 266 375 hab. (157.º)

- Censo 2000
1 376 743 hab.

- Densidade
29 hab./km² (173.º)

PIB (base PPC)
Estimativa de 2014

- Total
US$ 35,398 bilhões*[4] (52.º)

- Per capita
US$ 26 555[4] (20.º)

PIB (nominal)
Estimativa de 2014

- Total
US$ 26,363 bilhões*[4] (32.º)

- Per capita
US$ 19 777[4] (8.º)

IDH (2015)
0,865 (30.º) – muito elevado[5]

Gini (2005)
34,0

Moeda
Euro3 (euro)[6] (EUR)

Fuso horário
(UTC+2)

- Verão (DST)
(UTC+3)

Clima
Continental oceânico

Org. internacionais
UE, OTAN, OMC, Conselho da Europa

Cód. ISO
EST

Cód. Internet
.ee

Cód. telef.
+372

Website governamental
www.valitsus.ee

Mapa da Estónia

1. Nas províncias do sul, o võro e o seto são as línguas oficiais juntamente com o estoniano
2. Também .eu, compartilhado com outros Estados-membros da União Europeia.
3. Antes de 2011, Coroa estoniana.

A Estónia (português europeu) ou Estônia (português brasileiro) (em estoniano: Eesti, pronunciado: [ˈeːsti]), oficialmente República da Estónia (em estoniano: Eesti Vabariik, pronunciado: [ˈeːsti ˈʋɑbɑriːk]) é um dos três Países Bálticos, situado na Europa Setentrional, constituído por uma porção continental e um grande arquipélago no mar Báltico. Limita-se ao norte com o golfo da Finlândia que o separa da Finlândia, a leste limita-se com a Rússia, ao sul com a Letônia e a oeste com o mar Báltico, que o separa da Suécia. Possui pouco mais de um milhão e trezentos mil habitantes, distribuídos em 45 mil quilômetros quadrados. A Estónia é membro da União Europeia desde 1 de maio de 2004 e da OTAN desde 29 de março de 2004.

Os estonianos são um povo fínico íntima e etnicamente ligado aos finlandeses e aos lapões. O país tem ligações culturais e históricas com os países nórdicos,[7] particularmente com a Finlândia, a Suécia e a Dinamarca.

A língua estoniana faz parte do grupo fino-úgrico e é próxima do finlandês e distantemente ligada ao húngaro, outras duas línguas pertencentes ao grupo fino-úgrico. Juntamente com o finlandês, o húngaro e o maltês, o estoniano forma o grupo de línguas oficiais da União Europeia que não é de origem indo-europeia.

O nome atual de Estónia provavelmente provém do historiador romano Tácito, que em seu livro Germânia (ca. 98 d.C.) descreveu o povo que morava na região da atual Estónia como os éstios, um povo bárbaro que era distinto dos outros povos da região. Igualmente, havia nas antigas sagas escandinavas relatos sobre a região da Estónia como Eistland. Em latim arcaico e em outras fontes da Antiguidade, o nome pode ser encontrado como Estia e Hestia descrevendo as terras estonianas. Mas a primeira vez que os próprios estonianos se chamaram assim foi durante o período de fortalecimento da cultura estoniana no meio do século XIX, os "habitantes das terras do leste" ou Eesti.

Durante séculos os estonianos tiveram a sua terra ocupada por outros povos, o que caracteriza um pouco da influência da Rússia, Dinamarca, Suécia, Finlândia e Alemanha na cultura estoniana. A noção de país veio muito mais tarde, apenas na metade do século XIX, com um forte crescimento cultural somado ao crescimento da população urbana, em decorrência da industrialização e da elevação do nível cultural da população, o que favoreceu a união de povos de mesma origem, resultando em um Estado autônomo, estabelecido com a promulgação da constituição de 1917.

Índice

História

Ver artigo principal: História da Estónia

Supõe-se que os primeiros povos que habitaram o atual território da Estónia tenham sido os éstios, nômades de origem fínica que viviam em tribos semi-organizadas, mas sem unidade. No século XIII, a Igreja Católica organizou, por meio do rei Valdemar II da Dinamarca, uma cruzada para cristianizar as tribos pagãs do mar Báltico.[8] A luta que se seguiu por quase 20 anos acabou por delimitar o território estoniano ao norte pela Dinamarca e ao sul por uma divisão entre vários bispados e a Ordem dos Livônios, uma poderosa ordem cristã que conseguiu derrotar todas as tribos locais e dominar a maior parte do território.[9][10]

Em 1248, Reval (atual Tallinn) adotou um governo autônomo baseado na lei de Lübeck e, anos depois, teve a sua entrada aceita na Liga Hanseática, tornando a região importante comercialmente e assinalando a perda do domínio dinamarquês na região. Mesmo após diversos tratados com o Grão-Ducado da Lituânia e com o Império Russo, a Dinamarca não conseguiu conter o aumento do poderio militar dos vassalos, influenciados pela Vestfália e outros pela Livônia, até que, em 1343, os estonianos, até então subjugados pelos vassalos e tidos apenas como servos dos nobres, organizaram a Revolta da Noite de São Jorge,[11] na qual renunciaram ao cristianismo e lutaram contra a servidão. A Ordem Teutônica, que comandava a Livônia, acabou com a revolta dois anos depois e comprou o território à Dinamarca. Assim, iniciava-se o período do domínio teutônico sobre a Estónia.[12]

Domínio sueco

Confederação da Livônia, em 1260. Mostram-se os territórios da Estónia Dinamarquesa ao norte, os Bispados de Dorpat e Ösel-Wiek, e os territórios da Ordem Livoniana.

Dois séculos depois, o território da Estónia tornou a ter importância. O recém-formado Império Russo, na sua sede de imperialismo e favorecido pelo enfraquecimento da Ordem Teutônica, devido ao litígio com a União Lituano-Polonesa no sul, invadiu a Livônia, considerando-a terra de seus ancestrais. Enquanto isso, Dinamarca, Suécia e Polônia, que não aprovavam o avanço russo sobre terras tão próximas de seus domínios, contituiram uma aliança militar para conter o avanço russo na região.[13]

Teve início então, em 1559, a Guerra da Livônia, na qual lutaram dinamarqueses, suecos e poloneses, para obter o território da Livônia e conter o avanço russo, que já havia conquistado o bispado de Dorpat. Quando os suecos dominaram a região norte, os poloneses a região sul e os dinamarqueses as ilhas do Bispado de Ösel-Wiek, teve início outra guerra, a Guerra Nórdica dos Sete Anos (1563-1570).[14] Aí consolidou-se o avanço e o subsequente domínio sueco na região, derrotados os russos em Narva, e conquistadas em 1629 as terras da Livônia, até então controladas pelos poloneses.[15]

Então, em 1645, após a nova derrocada da Dinamarca,[16] os suecos foram o terceiro povo a dominar o território da Estónia, mas o que mais trouxe benefícios aos estonianos, antes tidos como apenas servos dos nobres que dominavam a região. Foi nessa época que surgiram as primeiras escolas nas vilas estonianas, que eram capazes de ensinarem o povo a ler alguns ensinamentos religiosos. Foi aberta também, pelo rei Gustavo II Adolfo, em Tartu, a primeira universidade na Estónia.[17] Anos depois, após a Guerra dos 30 anos, mestres alemães vieram à academia de Tallinn ministrar aulas como nas academias alemãs, aumentando a influência que os alemães sempre tiveram na Estónia.[17]

Império russo

Vitória em Narva
O rei Carlos XII derrota os russos em Narva, durante a Grande Guerra do Norte.
Gustaf Cederström, 1905, Museu Nacional de Belas-Artes da Suécia

Depois de uma guerra com o príncipe de Brandemburgo, a Suécia fez uma reforma[18] nas terras dos nobres na Estónia, gerando um descontentamento e propiciando o retorno de outras nações ao território estoniano. Gerou-se então, em fevereiro de 1700, a Grande Guerra do Norte, mais uma vez com participação de Dinamarca, Polônia, Rússia e Saxônia, contra os suecos. Depois de muitas batalhas e reviravoltas, como a Batalha de Poltava, os russos conseguiram derrotar as tropas pessoais do rei Carlos XII e conquistar Tallinn, dominando finalmente a Estónia e a Livônia, fato requerido desde a época do czar Ivã IV.[19]

Durante o século XVIII, a criação das universidades na Estónia propiciou um forte crescimento cultural da população, com a maior utilização do idioma próprio (o estoniano) e de valorização da cultura estoniana. Foi a primeira vez que os estonianos se viram como um povo e os intelectuais buscavam a criação de uma nação. Aproveitando a inevitável queda do Império Russo, e já descontente com algumas medidas do império, se revoltaram em conjunto com a Revolução Russa de 1905 e foram fortemente reprimidos pelo exército russo. Mas esse foi o primeiro passo real para a independência que seria alcançada após a Revolução Russa de 1917, que daria pela primeira vez uma terra independente aos estonianos, a República da Estónia. As cores da bandeira têm o seguinte significado: o azul representando a fé, a lealdade e devoção, bem como os lagos e o céu; o preto simboliza o passado negro e o sofrimento do povo estoniano; o branco representa as virtudes e a felicidade do povo, mas também a casca da bétula, a neve e a luz do sol.[20]

Estónia independente

Declaração de Independência da Estônia

Durante os primeiros 22 anos de independência (1918-1940),[21] a Estónia passou por uma conturbada vida política com dissolução de partidos e o primeiro presidente sendo eleito apenas em 1938. Mas no aspecto cultural, foi um período muito forte, com a criação de muitas escolas que lecionavam em estoniano e a garantia da autonomia cultural das minorias,[22] única em todo o Leste Europeu. Mas devido a essa política de neutralidade, a Estónia foi alvo da ocupação durante a Segunda Guerra Mundial. Em decorrência de uma artimanha soviética,[23] a Estónia foi ocupada em 1940 pela URSS. Em 1942, os alemães invadiram a União Soviética e começaram por tomar também a Estónia. Naquele primeiro momento, o povo estoniano ficou contente, devido à antiga aproximação com os alemães e também por sonhar com a volta da Estónia independente, fato que logo foi descartado pelo governo de Adolf Hitler. Quando a invasão alemã na URSS fracassou e os alemães saíram da Estónia, a nova invasão soviética se mostrou inevitável, devido ao desgaste do país na guerra. Assim se estabeleceu a República Socialista Soviética da Estônia.[24]

Durante os 52 anos de ocupação soviética, muitos movimentos de revolta e até de guerrilha se formaram na Estónia, sendo o mais conhecido o Metsavennad,[25] mas todos foram suprimidos pelo governo de Moscou. Apenas em 1989, com a queda da União Soviética, é que começou uma reestruturação dos países soviéticos. A independência se seguiu em 1992, sendo Lennart Meri o primeiro presidente da nova era independente. Após a saída do exército russo em 1994, a Estónia aumentou seus laços comerciais com o resto do leste europeu e obteve um alto crescimento econômico nos anos 2000. Teve seu ingresso aceito na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em 29 de março e na União Europeia em 1º de maio de 2004.[26]

Geografia

Ver artigo principal: Geografia da Estónia

Imagem de satélite da Estônia

Com uma área de cerca de 45 000 km², a Estónia é maior que muitos países europeus, como a Dinamarca e a Suíça, mas sua área equivale a metade da área de Portugal ou à do estado do Espírito Santo, no Brasil. Suas dimensões se estendem 350 km de leste a oeste e 240 km de norte a sul. As ilhas oceânicas correspondem a 1/10 do território, enquanto os lagos detêm 5%.[27]

Em contrapartida, a população é relativamente pequena. Segundo o censo de 2000, apenas 1 361 242 pessoas habitam a Estónia, o que dá uma densidade de apenas 30,2 habitantes/km².

A maior cidade da Estónia, e também capital, é Tallinn, onde reside 1/3 da população (398.434 pessoas). Outras maiores cidades são a universitária Tartu (101 140 habitantes), a industrial Narva (68 117 pessoas) e a de veraneio Pärnu (45 040 pessoas).[28] Pärnu é apreciada no verão, devido ao seu vento ameno e à temperatura da água agradável, que lembra bastante o litoral do Mediterrâneo.[29]

A maior cidade próxima de Tallinn é Helsínquia, capital da Finlândia, que dista 85 km pelo golfo da Finlândia. Outras próximas são Riga, 307 km, São Petersburgo, 395 km e Estocolmo, 405 km.[30]

Clima

Pinheiros no inverno, em Männiku

O clima na Estónia divide-se entre o oceânico e o continental. O fator principal que afeta o clima na Estónia é o oceano Atlântico, principalmente a corrente Norte-Atlântica, cujas atividades cíclicas na parte norte do oceano provocam variações abruptas de temperaturas, bem como o aparecimento de ventos fortes e um grande nível de precipitação (750 mm/ano para o clima marítimo).[13][31]

O principal fator que caracteriza a diferença climática entre o litoral e as planícies do interior é a distância do mar Báltico. No inverno, as correntes de ar mantêm o litoral mais quente, enquanto o interior fica cerca de 4 °C mais frio. Na primavera, essa situação se inverte. As terras das planícies esquentam mais rápido do que as águas do mar Báltico, mantendo a temperatura no interior 3,5 °C mais quente do que no litoral, fato que não acontece no verão.

O inverno na Estónia é rigoroso, sendo a média em fevereiro de -9 °C. A primavera é suave e com poucas chuvas. O verão é relativamente quente, sendo que a média em julho é de +16 °C. O outono é longo e ameno. A temperatura média ao longo do ano na Estónia fica entre 4,3 °C e 6,5 °C.[32] O dia mais quente da história aconteceu em Võru, em 11 de agosto de 1992, +36,5 °C. O mais frio foi de -43,5 °C, em Jõgeva, dia 17 de janeiro de 1940.[33]

O clima, em geral, na Estónia é úmido, com uma média anual de umidade relativa entre 80% e 83%. A neve, frequente, ocorre em 75 a 135 dias por ano, cobrindo durante todo o inverno as terras altas do interior e chegando, ocasionalmente, às bordas costeiras e às ilhas como Saaremaa.

Médias de Temperatura e Chuvas em Tallinn, Estónia[34]

Clima

Mês
Média de
Luminosidade
(horas)

Temperatura
(°C)

Umidade relativa
(%)

Precipitação
(mm)

Média
Recorde

Mín.
Máx.
Mín.
Máx.
Dia
Noite

Janeiro
1
-10
-4
-30
5
87
86
39

Fevereiro
2
-11
-4
-30
3
87
83
30

Março
4
-7
0
-25
12
89
77
21

Abril
6
0
7
-13
21
84
66
31

Maio
7
5
14
-3
27
79
63
44

Junho
11
10
19
0
31
72
55
40

Julho
10
12
20
5
29
79
59
68

Agosto
8
11
19
2
31
85
64
78

Setembro
5
9
15
-3
28
87
69
71

Outubro
2
4
10
-7
19
89
79
68

Novembro
1
-1
3
-21
11
90
86
56

Dezembro
0
-7
-1
-25
7
88
87
39

Tabela mostrando a variação de temperatura e chuvas ao longo do ano, na cidade de Tallinn, com clima marítimo. A alta umidade relativa do ar e a inexistência de um período sem chuvas são as características do clima estoniano.

Relevo

A Estónia está localizada ao norte da Europa, limitando-se ao norte com o golfo da Finlândia, na ilha de Vaindloo (59° 49' 17" N 26° 21' 31" E), e ao sul com a Letônia, próximo à Mõniste, Võrumaa (57° 30' 33" N 26° 37' E). A oeste depara-se com o mar Báltico, à ilha de Nootamaa (58° 19' 20" N 21° 45' 51" E) e no leste o ponto extremo é Narva, Ida-Virumaa (59° 22' 13" N 28° 12' 36" E), na divisa com a Rússia.

Lago Peipus, o maior lago da Estónia, situado na fronteira entre a Estónia e a Rússia

A maioria do território se localiza entre 75 e 100 m acima do nível do mar, sendo o ponto mais alto o monte Munamägi a 317 m. Os planaltos ocupam praticamente todo o território do sul, enquanto as planícies (majoritárias em quase metade do território) são encontradas no oeste.

São nas planícies que se encontram os lagos estonianos, em tal quantidade que ocupam 4,7% do território. O território estoniano pode ser dividido, então, em quatro bacias:

Do lago Peipsi ao golfo da Finlândia, corre o maior e mais importante rio da Estónia, o Narva. Mas só o Emajõgi é navegável. Outros rios importantes são o Pärnu, Pirita, Ahja e o Võhandu.

Em todo o território pode-se encontrar cerca de 1 200 lagos, resultantes do degelo do mar Báltico no fim da era glacial, e grande parte se encontra nos planaltos do Sul, em Vaaremaa e um pouco em Pandivere. Mais complexos de lagos podem ser encontrados ao longo de todo o território. Na grande maioria são lagos pequenos, sendo considerados grandes apenas o Peipsi e o Võrtsjärv, e apenas 42 têm mais do que 1 km². Quanto à profundidade a maioria também não passa de 20 m. O mais profundo é o Rõuge Suurjärv com 38 m de profundidade.

O solo fértil dessa região contribuiu para o surgimento de grandes florestas, de natureza boreal como as florestas russas e finlandesas, importantes para a economia do país, em parte baseada na madeira.

Fauna

Os ursos pardos podem ser encontrados nos diversos parques e reservas nacionais de preservação.

Extensas áreas de floresta intocada no território estoniano permitiram a sobrevivência de uma grande quantidade de lince europeu, javalis selvagens, ursos pardos, lobos e alces, dentre outros animais.[35] A maior população de ursos pardos pode ser encontrada no nordeste da Estônia nos condades de Ida e Lääne Viru.[36] O número de ursos, linces e lobos caiu drasticamente durante a ocupação soviética no país quando os animais eram duramente perseguidos. Depois disso, os animais foram protegidos pelo estado, e então a quantidade desses animais atingiu seu pico no início dos anos 1990, mas após teve uma queda devido à forte caça que ainda ocorre. A Estônia é o habitat de 450-550 ursos pardos, 600-800 linces e 100-150 lobos.[37] Estimava-se que em 1970, existiam apenas 10 lobos no território estoniano.

Sua população de aves inclui a águia-real e a cegonha-branca. Tem uma dúzia de parques nacionais e áreas de proteção, incluindo o Parque Nacional de Lahemaa, o maior parque do país, na costa norte. O Parque Nacional de Sooma, próximo a Pärnu, é conhecido por seus antigos pântanos. Reservas como a Reserva de pássaros da Baía de Käina e o Parque Nacional de Matsalu (um pântano de importância internacional sob a Convenção de Ramsar) são também populares com locais para turismo e apoio a larga variedadade de pássaros.[38]

Demografia

Pirâmide etária da população estoniana. Em azul os homens, em rosa as mulheres. A base estreita revela a taxa baixa de nascimentos.

Ver artigo principal: Demografia da Estônia

Os indicadores econômicos e sociais da Estónia vêm se tornando melhor nos últimos anos para a população estoniana. A taxa de desemprego caiu de 10,3% da população economicamente ativa (PEA) em 2002 para 5,9% no primeiro trimestre de 2007.[39] A esperança de vida é de 67,3 anos para os homens e de 78,14 anos para as mulheres.[40] O nível de fertilidade é de 1.55 filhos por mulher (2006),[40] abaixo do indicado pela ONU que é de 2,1 filhos por mulher, e a taxa de mortalidade infantil é de apenas 4,4 a cada 1000 nascidos vivos, considerado extremamente baixo nos padrões internacionais.[40] As taxas de inflação vêm se mantendo estáveis, num patamar de 4,0%.[39]

Mas nos últimos anos vem se observando um decréscimo na população, algo em torno de apenas 0,5%, fato que foi observado também durante muitos anos em outros países da Europa como Alemanha e Hungria. O não crescimento populacional estoniano poderá trazer alguns malefícios ao país como a perda de mão de obra, e envelhecimento da População Economicamente Ativa.

vereditar

Cidades mais populosas da Estónia
Censo 2008

Ayuntamiento, vistas panorámicas desde Toompea, Tallin, Estonia, 2012-08-05, DD 21.JPG
Tallinn
Town Hall23 2008.JPG
Tartu

Posição
Localidade
Subdivisão
Pop.
Posição
Localidade
Subdivisão
Pop.
Narva traffic circle.jpg
Narva
Tammiku-Ahtme2009.JPG
Kohtla-Järve

1
Tallinn
Harjumaa
403 500
11
Võru
Võrumaa
14 555

2
Tartu
Tartumaa
101 169
12
Valga
Valgamaa
13 930

3
Narva
Ida-Virumaa
68 680
13
Haapsalu
Läänemaa
11 774

4
Kohtla-Järve
Ida-Virumaa
47 679
14
Jõhvi
Ida-Virumaa
11 455

5
Pärnu
Pärnumaa
45 500
15
Paide
Järvamaa
9 751

6
Viljandi
Viljandimaa
20 274
16
Keila
Harjumaa
9 386

7
Rakvere
Lääne-Virumaa
16 698
17
Kiviõli
Ida-Virumaa
6 925

8
Sillamäe
Ida-Virumaa
16 567
18
Tapa
Lääne-Virumaa
6 559

9
Maardu
Harjumaa
16 570
19
Põlva
Põlvamaa
6 510

10
Kuressaare
Saaremaa
14 919
20
Jõgeva
Jõgevamaa
6 349

Etnicidade

Os estonianos, como um grupo étnico, são um povo fínico. Do total de 1,3 milhão de pessoas que falam o estoniano, aproximadamente 70% é formado pela população de etnia estoniana.

A primeira e a segunda gerações de imigrantes de várias partes da ex-União Soviética (principalmente da Rússia) constituem a maior parte dos 30% restantes. Dentre as minorias étnicas, destaca-se a russa, localizada predominantemente na capital, (Tallinn), e nas áreas urbanas industriais do nordeste da Estónia (região de Ida-Viru). Há também um pequeno grupo de descendentes de finlandeses, principalmente da Ingermanland (Íngria).

Uma parte significativa de nativos germano-bálticos deixou a Estónia durante o começo da década de 1920, depois que aconteceram reformas agrárias e até mesmo desapropriações no país. Mas a maioria dos germano-bálticos deixou o país no final de 1939, depois que a Alemanha Nazista e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, por intermédio do Pacto Molotov-Ribbentrop, concordaram em colocar a Estónia dentro da 'esfera de influência' soviética. Historicamente, grande parte do noroeste do litoral e ilhas da Estónia havia sido povoada por uma população étnica de suecos nativos chamada de rannarootslased ("suecos do litoral"), cuja maioria fugiu para a Suécia em 1944, escapando do avanço do exército soviético. Somente algumas centenas permaneceram na Estónia.

De acordo com informações publicadas pelo Instituto Estoniano de Estatística em 2006, a população da Estónia era constituída dos seguintes grupos étnicos:[41]

Composição étnica da Estónia

Etnicidade
População
% do total

Estonianos
923.908
68,56

Russos
345.168
25,67

Outras nacionalidades[42]
77.509
5,88

Religião

Igreja ortodoxa localizada na Cidade Velha em Tallinn. Foi construída em 1894, como influência do Império Russo.

De acordo com a mais recente pesquisa de opinião pública do Eurostat, em 2005,[43] apenas 16% dos cidadãos estonianos responderam que "Acreditam que exista um Deus", enquanto que 54% responderam que "Acreditam que exista algum tipo de espírito ou força vital" e 26% que "Não acreditam que exista qualquer tipo de espírito, Deus, ou força vital". Isto, segundo a pesquisa, faria dos estonianos o povo menos religioso de entre os então 25 membros da União Europeia. Historicamente, contudo, a Estónia foi um baluarte do Luteranismo devido a sua forte ligação com os países nórdicos. Durante o período de russificação, muitos camponeses foram convertidos à Igreja Ortodoxa, mas poucos permaneceram após a queda dos czares em 1917 e a lei de liberdade religiosa de 1920.

Uma pesquisa do Instituto Gallup, de 2009, indica que os estonianos são o povo menos religioso do mundo. Apenas 16% da população considera que a religião desempenha um papel importante em suas vidas.[44]

Idiomas

Ver artigo principal: Língua Estoniana

A língua oficial do país é a estoniana, uma língua fino-ugriana que é intimamente ligada ao finlandês. Foi influenciada pelo alemão e como o finlandês possui muitas palavras suecas. A língua russa é também muito empregada, como sua segunda língua, por um grupo de estonianos formado por pessoas entre trinta e setenta anos de idade, devido ao russo ter sido ensinado compulsoriamente como a segunda língua do país durante a era soviética. Muitos jovens estonianos sabem falar o inglês, após o terem aprendido como sua primeira língua estrangeira. Alguns russos residentes na Estónia não falam o estoniano, mas muitos daqueles que permaneceram após a queda da União Soviética começaram a aprendê-lo.[45]

Política

Ver artigo principal: Política da Estónia

Fachada do parlamento estoniano. As sessões do Riigikogu são transmitidas pela TV e na Internet, em tempo real.

O sistema de governo da Estónia é o parlamentarismo, no qual um primeiro-ministro governa o país. O primeiro-ministro é nomeado pelo Parlamento, com indicação do presidente da república. Geralmente, é o líder do partido com maior bancada no Parlamento, e é ele quem nomeia outros ministros, e nomeia diretamente no máximo 3, dos 12 existentes. Os mais importantes são o de Finanças, o Social e o de Relações Exteriores. Na Estónia, os ministros têm uma espécie de chanceler, que aconselha e comanda os ministérios,[46] sem o poder político inserido na figura do ministro. De acordo com a lei, nenhum ministro pode ser demitido ou perder seus direitos políticos, ou seja, ele pode dar as ordens que bem entender, sem nenhum questionamento. Se um subordinado receber uma ordem que ele ache que está fora da lei, pode comunicá-la ao superior, mas essa deve ser feita na forma de um informe escrito.

O parlamento ou Riigikogu é formado por 101 deputados, eleitos por voto direito da população, e que não podem ser reeleitos.[47] Os parlamentares vêm de diferentes modos de vida, e por incrível que pareça, muito poucos são economistas ou advogados, e seguem a vida política segundo o seu modo de ver, e não o de um partido político, apesar de eles serem bem influentes no país.

O sistema judiciário estoniano é baseado na constituição; qualquer pessoa tem o direito de recorrer à justiça. Sendo assim, a justiça estoniana tem três instâncias: Tribunal de região ou de cidade,[48] Tribunal de Apelação[49] e a Supremo Tribunal, esta última contendo 19 juízes, que os mantém independentes e isentas de influência política do governo.[50]

Forças armadas

Ver artigo principal: Forças Armadas da Estônia

Soldados estonianos em exercício de treinamento

Por estar num setor geopoliticamente importante, a defesa militar do país é tratada de forma delicada e apoiada sobre três documentos principais:

  • Bases for the Security Policy of the Republic of Estonia ("Bases para a Segurança da República da Estônia") [BSPRE], aprovado no Riigikogu em 6 de março de 2001.
  • Guidelines of the National Defence Policy of Estonia ("Guia para a Defesa Nacional da Estônia") [GNDPE], aprovada no Riigikogu em 7 de maio de 1996.
  • The Military Defence Strategy of Estonia ("A Estratégia Militar de Defesa da Estônia") [MDSE], aprovada pelo Governo da República em 28 de fevereiro de 2001.

Elas ditam alguns dos pontos principais da política de defesa do território e do governo estoniano.

Atualmente, a Estónia, como parte da OTAN, atua em diversas frentes da organização. O exército estoniano está presente com tropas no Afeganistão, no Iraque e no Kosovo. Mas, provavelmente, a parte mais importante da participação estoniana é a grande capacidade de enfrentar uma ciberguerra. Os enormes avanços tecnológicos na área de proteção de redes de informática que a OTAN irá instalar na Estónia o seu centro de cyber-espionagem e cyberterrorismo,[51] na qual os estonianos formarão profissionais em defesa virtual, nas instalações da OTAN.[51]

A Estónia acedeu à União Europeia em 1 de maio de 2004, após negociações que vinham desde 24 de novembro de 1995. Entrou ao mesmo tempo que as outras duas nações bálticas, Letônia e Lituânia.

Divisões administrativas

O Ato de Divisão Administrativa Territorial, adotado em 1995, dividiu o país em três divisões: regiões, cidades e municípios rurais. A cada período de tempo é denominado um novo ato de organização, que eleva os municípios rurais que têm área urbana em distritos.

Hoje, a Estónia é dividida em 15 regiões, que são divididos em Municípios (Rurais e Urbanos). Os municípios são 227, 34 urbanos e 193 rurais.

Regiões

Ver artigo principal: Regiões da Estónia

Et-Harju maakond-coa.svg
Região de Harju (Harjumaa)
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Região de Hiiu
(Hiiumaa)
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Região de Ida-Viru (Ida-Virumaa)
Jarvamaa coatofarms.png
Região de Järva (Järvamaa)
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Região de Jõgeva (Jõgevamaa)

Laanemaa coatofarms.png
Região de Lääne (Läänemaa)
Lääne-Virumaa vapp.svg
Região de Lääne-Viru (Lääne-Virumaa)
Parnumaa coatofarms.png
Região de Pärnu (Pärnumaa)
Põlvamaa vapp.svg
Região de Põlva (Põlvamaa)
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Região de Rapla (Raplamaa)

Saaremaa coatofarms.png
Região de Saare (Saaremaa)
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Região de Tartu (Tartumaa)
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Região de Valga (Valgamaa)
Viljandimaa vapp.svg
Região de Viljandi (Viljandimaa)
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Região de Võru (Võrumaa)

A divisão por regiões da Estónia

A Estónia é dividida em quinze regiões (em estoniano maakonnad), listados acima. Uma região é comandado por um governador, indicado pelo governo nacional e que representa o mesmo, localmente. Seu mandato é de cinco anos, assim como o do presidente e tem como função básica, fazer a ligação entre os departamentos do seu estado e as prefeituras da região com o governo nacional.[52]

A principal região é a de Harju, onde está localizada a capital Tallinn e onde reside 38,8% da população da Estónia.[53] Outras regiões importantes são as de Pärnu, Ida-Viru e de Tartu.

Municípios

Ver artigo principal: Municípios da Estônia

Os municípios (em estoniano omavalitsus) na Estónia são divididos em rurais e urbanos. Por toda a história da Estónia, as divisões de municípios foram sendo modificadas. Quando a servidão foi abolida no século XIX, as colônias rurais foram formadas e tiveram a sua própria organização, que apenas foi oficialmente adotada no Ato de Organização dos Municípios Rurais (em estoniano vald).

A constituição da Estônia não menciona nada sobre os conselhos legislativos (assembleias) e o poder executivo, cabendo aos atos de organização ditar essas regras. Para os municípios urbanos (em estoniano linn), existem os distritos e as cidades. Ao todo existem apenas 34 municípios com direitos de cidade, enquanto existem 193 colônias rurais (a grande maioria com menos de três mil habitantes).

Cada município estoniano conta com um conselho legislativo, eleito pela população por três anos. O conselho é quem escolhe os membros do órgão executivo, incluindo o chefe do executivo municipal (equivalente ao prefeito no Brasil e ao presidente da câmara em Portugal), também para um mandato de três anos.

Economia

Ver artigos principais: Economia da Estônia, Comunicações da Estônia e Turismo na Estônia

Vista do centro financeiro de Tallinn

O setor de serviços praticamente não existia na era soviética, e obteve um incrível e rápido crescimento no início dos anos 1990.

O país tentou aderir ao euro em 2007, mas foi barrado pela inflação alta, obtendo êxito ao adotá-lo oficialmente em 1 de janeiro de 2011.[54]

O PIB da Estónia registrou decréscimo em 2008 (-5,1%) e em 2009 (-13,9%), mas voltou a crescer em 2010, com controle da inflação, déficit fiscal e dívida pública.[54]

A alcunha de tigre báltico é o resultado da transição de economia centralizada para a de mercado, com características como investimento estrangeiro, aumento do crédito e consumo interno, além do trabalho barato e produção industrial de baixo valor agregado.[54]

O PIB da Estónia, em 2006, ficou em 26,85 bilhões de dólares, com um crescimento de 11,4% de 2005. O Poder de Compra per capita é de 20 300 dólares US$ e o nível de desemprego é de apenas 4,5%. O nível de investimento chega a 32,4% do PIB e a dívida pública não passa de 3,6% do PIB.[quando?][55]

Os principais produtos agrícolas são: batata, vegetais, peixe e leite. Quanto aos setores da indústria estoniana, que cresceu 8% em 2006, os principais são os de engenharia, eletrônica, madeira e derivados, têxtil, tecnologia da informação e telecomunicações.[55]

Exportação

A Estónia exporta 2/3 de tudo o que produz, sendo destes 1/3 só em serviços, principalmente turismo. Em 2006, as exportações da Estónia somaram 9,68 bilhões de dólares, tendo como principais produtos de exportação e principais parceiros.[55]

Principais parceiros comerciais da Estónia[56]

Exportação

País
Principais produtos de exportação

Finlândia
Finlândia
Máquinas e Equipamentos: 47%

Madeira bruta; papel e móveis: 18%

Produtos para a Indústria Elétrica: 11%

Suécia
Suécia
Máquinas e equipamentos: 36%

Madeira bruta, papel e móveis: 21%

Produtos para a indústria elétrica: 13%

Veículos: 11%

Alemanha
Alemanha
Máquinas e equipamentos: 38%

Madeira bruta, papel e móveis: 30%

Produtos alimentícios: 8%

Letónia
Letônia
Veículos:

Químicos:

Metais:

Máquinas e equipamentos:

Lituânia
Lituânia
Produtos alimentícios:

Veículos:

Químicos:

Metais:

Máquinas e equipamentos:

Rússia
Rússia
Máquinas e equipamentos:

Produtos alimentícios:

Veículos:

Importação

Há uma grande variedade de importações: máquinas e equipamentos, combustíveis, metais, madeira, roupas, alimentos, aparelhos eletrônicos. Esses três últimos quase não são produzidos na Estónia, então são produtos fortes de importação.

A maioria das importações vem da União Europeia, em especial da Finlândia (19,7%), devido ao grande número de empresas finlandesas instaladas em terras estonianas. Como principais parceiros tem-se também a Alemanha (13,9%) e a Suécia (8,9%). Da Rússia (9,2%) e da Ásia Central, importantes parceiros também, vêm suprimentos para ferrovias, combustíveis e algodão.

Mas os outros dois Países Bálticos são quem fornecem a maioria dos produtos importados à Estónia. A Lituânia (6%) fornece combustível, químicos e produtos alimentícios (inclusive tabac]). Da Letônia (4,7%) vêm produtos de engenharia, químicos e equipamentos para a indústria alimentar.

Das importações que somaram 12,03 bilhões de dólares em 2006, gerando assim um déficit da balança comercial de 1,9 bilhão de dólares, a maioria é de máquinas e equipamentos (33%), produtos químicos (11%), têxteis (10,3%), alimentos (9,4%) e suprimentos para ferrovias (8,9%).[55]

Cultura

Ver artigo principal: Cultura da Estônia

Arquitetura

Em todos os anos de domínio dos diversos povos (germânicos, suecos e russos), a arquitetura estoniana sofreu diversas influências. A síndrome dessas influências - a raiva, o medo, a humilhação - deram características interessantes à arquitetura dos seus monumentos, tornando o Gótico estoniano, único dentre as arquiteturas góticas do norte. E os outros estilos são refletidos, de uma forma suave e calma, entre igrejas medievais, detalhes renascentistas, castelos barrocos, casas clássicas e vilas em Art Nouveau.

Como símbolos arquitetônicos nacionais tem-se a medieval Tallinn, a barroca Narva, a clássica cidade universitária de Tartu e, Pärnu, uma cidade litorânea com arquitetura da década de 1920.

Teatro

A história do teatro na Estónia remonta a 1784, quando August von Kotzebue fundou uma escola de teatro amador em Tallinn. A maioria das peças na época eram comédias voltadas para a diversão da nobreza local do Báltico. Em 1809, uma escola de teatro profissional foi estabelecida com seu próprio prédio em Tallinn. O repertório era principalmente em alemão, mas espetáculos em estoniano e em russo também foram realizados.[57]

Após os séculos de escravidão onde a população nativa da Estónia havia caído desde a Cruzada Livónia, a escravidão foi finalmente abolida no país em 1816. Assim, a primeira sociedade musical estoniana nativa, Vanemuine, foi criada em 1865. O Primo de Saaremaa, de Lydia Koidula, encenado pela sociedade vanemuina, marca o nascimento do teatro nativo da Estónia, em 1870. A sociedade vanemuine foi liderada por August Wiera de 1878 a 1903. Em 1906, um novo edifício foi erguido para a sociedade e Karl Menning tornou-se diretor da escola de teatro. Participaram deste ato escritores ocidentais como Henrik Ibsen e Gerhart Hauptmann, o escritor russo Maksim Gorky e escritores estonianos como August Kitzberg, Oskar Luts e Eduard Vilde. Semanas depois, em Tallinn, Theodor Altermann e Paul Pinna começavam o teatro profissional na capital. Após isso outros grandes nomes do teatro estoniano surgiram como Voldemar Panso, Evald Hermaküla e Priit Pedajas.[57]

O Teatro Estônia é uma sala de concertos em Tallinn. Foi construído como um esforço nacional liderado pela sociedade estoniana em 1913, e foi aberto ao público em 24 de agosto do mesmo ano. Na época, era o maior edifício na capital da nação.[58]

Em 2004, havia 20 teatros na Estônia. Em torno de 46% da população urbana e 40% da população rural visitaram os teatros do país em 2009.[59]

Literatura

Friedrich Reinhold Kreutzwald, escritor estoniano do épico Kalevipoeg

Desde os primeiros relatos estonianos no século XVII, a literatura sempre tomou uma direção parecida com o que o resto da Europa passava. Essa orientação ocidental foi afirmada com a utilização do alfabeto latino, resultado da cristianização e depois pela reforma. A literatura na Estónia teve várias utilidades, como difundir a língua estoniana pelo país, a divulgação das ideias da independência do povo estoniano e a literatura propriamente dita.

Desde o crescimento do sentimento de nação do povo estoniano no século XIX, vários escritores nacionalistas surgiram e escreveram textos memoráveis como o épico Kalevipoeg (O filho de Kalev) por Friedrich Reinhold Kreutzwald, evidentemente influenciado pelo romantismo alemão. Ao lado de Kreutzwald lutava a poetisa patriótico-romântica Lydia Koidula. Mas os esforços desse incipiente nacionalismo foram frustrados pela russificação da Estónia, a partir de 1880.

O primeiro realista foi Juhan Liiv, autor de Kümme lugu (Dez histórias). Mas a renovação literária foi realizada por Eduard Vilde, que durante sua longa vida mudou várias vezes de estilo, ficando, porém, fiel ao nacionalismo estoniano e ao socialismo revolucionário. Sua obra principal é o romance Mäeküla piimamees (O leiteiro de Mäeküla). Vilde foi um dos fundadores do movimento Noor-Eesti (Jovem Estónia), ao qual pertenceram Anton Hansen Tammsaare Tõde ja õigus (Verdade e justiça) e Gustav Suits Lapse sünd (Nascimento de uma criança), as duas maiores figuras da literatura estoniana.

O poema Toomas ja Mai (Toomas e Mai) de Villem Grünthal-Ridala e três longos poemas de August Annist também fazem parte desse período, além do poeta Friedebert Tuglas, que evoluiu do Realismo para um neo-romantismo fantástico. Essa evolução do movimento renovador provocou a oposição de Vilde, que indicou novos modelos no estrangeiro. A poetisa Marie Under aderiu, em Hääl varjust (A voz das sombras), ao expressionismo alemão. O romancista August Gailit criou, seguindo modelos russos, a prosa moderna. Kalju Lepik praticou o Surrealismo. Enfim, o estabelecimento do regime soviético fez vencer o realismo socialista, cujos representantes principais são Karl Ristikivi e August Jakobson.[60]

Música

Ver artigo principal: Música da Estônia

O grupo estoniano de rock Vanilla Ninja, na sua formação de 2005

As primeiras representações de música na Estônia, provavelmente surgiram das tradicionais canções-runo estonianas, derivadas de canções de trabalho e baladas épicas. Com o estudo dessas canções começaram a surgir diversas manifestações populares do folclore estoniano por toda a Estônia, mas duramente suprimidas nos períodos da invasão russa. Durante a década de 1960, a União Soviética encorajou suas repúblicas a fortalecerem o folclore nacional. Com o apoio surgiram primeiramente os grupos de coral Värka e Leiko. Em 1967, foi lançado o primeiro LP com música tradicional estoniana, Eesti rahvalaule ja pillilugusid (Canções populares e peças instrumentais estonianas).

A Estônia produziu também alguns compositores clássicos, como Artur Kapp (1878-1952), Lepo Sumera (1950-2000), Eduard Tubin (1905-1982), Arvo Pärt (1935-) e Veljo Tormis (1930-), o que deu uma significativa reputação à música clássica estoniana.

Atualmente, a música estoniana é representada por alguns grupos de rock e metal, tais como Vanilla Ninja, Metsatöll e o grupo de música folclórica Laudaukse Kääksutajad, além da cantora pop Kerli.

Esportes

Ver artigo principal: Esporte na Estônia

Durante muitos anos, a Estónia cedeu os seus atletas a outros países. Primeiro à Rússia (1900-1912) e depois à União Soviética (1948-1988), mas quando participou dos Jogos Olímpicos de Verão sob sua bandeira trouxe 8 medalhas de ouro, 7 de prata e 14 de bronze. Nos jogos de inverno, a Estónia participou de menos edições (7) mas foi mais eficiente, trazendo mais medalhas de ouro, 4 no total, contra apenas 1 de prata e 1 de bronze.

Andrus Veerpalu, bicampeão de saltos nos Jogos Olímpicos de Inverno

O maior atleta olímpico da Estónia é o esquiador Andrus Veerpalu. Ele tem três medalhas, duas de ouro e uma de prata, em Salt Lake City 2002 e Turim 2006.

No ciclismo, o mais notável é Jaan Kirsipuu, que ganhou várias etapas da Volta da França. No automobilismo, Marko Asmer tornou-se campeão da Fórmula 3 inglesa em 2007, e foi o primeiro piloto estoniano a pilotar um Fórmula 1, em testes para a Williams em 2003. Tõnis Kasemets representou a Estónia na temporada de 2006 da extinta Champ Car, tendo um décimo-primeiro lugar no GP de Edmonton como melhor resultado. Kevin Korjus, atualmente na GP3 Series, e Sten Pentus, hoje na Auto GP, são os outros representantes estonianos no automobilismo de fórmula. Markko Märtin, que disputou 86 provas de rali entre 1997 e 2005, é o principal nome do país na modalidade.

No futebol, a Estónia não tem nenhum(a) time/equipa expressivo/a internacionalmente, e sua seleção jamais se classificou para uma Copa do Mundo ou para a Eurocopa. A sua melhor campanha foi nas Eliminatórias da Euro de 2000, quando conseguiu 3 vitórias, e terminou em 3.º na chave que tinha República Tcheca/Checa e Escócia. O goleiro Mart Poom foi eleito em 2004 o melhor jogador estoniano dos 50 anos da UEFA, mas o mais conhecido futebolista nascido no país é Valeriy Karpin, de ascendência russa e que por isso jogou pela Rússia.

Cultura popular

O folclore popular na Estónia vem de muitos séculos antes das primeiras ocupações no século XIII. Os primeiros grandes influenciadores foram os finlandeses, que por sua proximidade com o norte[61] e com a língua,[62] promoveram uma aproximação cultural.[63] O primeiro grande impacto estrangeiro ocorreu quando os católicos chegaram à Estónia no século XIII, e tentaram suprimir a cultura pagã em virtude da cristã. O que ocorreu foi a mistura dessas culturas, o que fez ao longo dos anos surgir a cultura do povo estoniano.

Durante o século XVIII, com a popularização da língua estoniana pelo povo, e no século XIX com o forte sentimento nacionalista que surgia, a cultura popular se assentou como predominante pelo povo. Muitas canções antigas foram ressuscitadas e outras criadas. Elementos da religião pagã ressurgiram dentre o povo e se atrelaram à elementos da religião cristã.[64] Antigamente eram feitos sacrifícios de animais e pessoas para os deuses pagãos, para ter boas culturas de alimentos e uma boa vida. Esse elemento ficou no passado, devido à modernização não permitir isso entre as pessoas da cidade, mas as bruxas, magos e demônios tiveram uma visão diferente na cultura estoniana, eles eram aliados para trazer o bem, diferente da pregada pelo cristianismo.

Gastronomia

Ver artigo principal: Culinária da Estônia

A culinária da Estônia foi influenciada ao longo dos séculos pelos seus tradicionais e mais poderosos vizinhos. A Dinamarca, Alemanha, Suécia, Polônia e Rússia chegaram a governar todo ou parte de seu território, mas a característica principal da gastronomia local é sua origem camponesa.

A maior parte dos estonianos era de origem rural antes do último século e quando a comida tornava-se escassa, eles precisavam ser inventivos conservando e aproveitando ao máximo a pouca carne de que dispunham. Mais tarde, quando a urbanização ficou mais intensa, devido à industrialização do país, os tipos mais comuns de carnes e batatas fritas tornaram-se o padrão, como no restante da Europa.

Isto é o que provavelmente será encontrado nos cardápios dos bares locais hoje em dia, juntamente com uma porção de sauerkraut.

Felizmente, entretanto, as receitas estonianas mais exclusivas ainda são preparadas em muitas famílias e servidas em vários restaurantes ao redor de Tallinn. Entre os pratos tradicionais estão: Marineeritud angerjas, enguia marinada, servida fria; Keel hernestega, outro aperitivo servido frio cujo ingrediente principal é língua; Sült, carne de porco cozida em geleia. A geleia é feita fervendo a carne de porco desossada, às vezes os pés ou a cabeça. É feita frequentemente em grandes quantidades e depois armazenada em jarros; Verivorst (morcela), é um enchido (ou embutido) sem carne, recheado principalmente com sangue coagulado e arroz, de cor escura característica. É um prato estoniano muito típico de inverno e da noite de Natal. É servido acompanhado de uma geleia vermelha de frutos silvestres; Mulgikapsad, chucrute guisado com carne de porco, servido com batatas cozidas; Silgusoust, espécie de arenque pequeno do mar Báltico com toucinho no creme de leite; Karask, um bolo semelhante ao pão de cevada; Kali, uma bebida fermentada ligeiramente alcoólica e adocicada feita de pão preto ou de centeio.

Referências

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    Ver também

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    Moro diz que embargos de embargos constituem "patologia protelatória"

    Juiz federal afirmou declaração em despacho histórico que manda executar prisão de Lula

    Moro diz que embargos de embargos constituem

    Moro diz que embargos de embargos constituem "patologia protelatória" | Foto: Nelson Almeida / AFP / CP

    "Hipotéticos embargos de declaração de embargos de declaração constituem apenas uma patologia protelatória e que deveria ser eliminada do mundo jurídico." Quem afirma é o juiz federal Sérgio Moro, em despacho histórico desta quinta-feira em que mandou executar a prisão do condenado Luiz Inácio Lula da Silva.

    O petista, que aos 72 anos, tem que se apresentar até as 17 horas desta sexta-feira na Polícia Federal em Curitiba, para iniciar o cumprimento da pena de 12 anos e 1 mês em regime fechado por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá.

    A decisão saiu no mesmo dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF), por 6 votos a 5, negou o habeas corpus preventivo de Lula, que pedia que não fosse cumprida a ordem do Tribunal Regional Federal da 4.ª (TRF-4) - a segunda instância da Lava Jato de Curitiba -, até o transitado em julgado de todo o processo, incluindo a fase de recursos especial e extraordinário, apresentados em última instância.

    A ordem foi da 8.ª Turma Penal do TRF4, em 24 de janeiro julgou a apelação criminal de Lula, em que recorreu contra a sentença de Moro no caso triplex de 9 anos e 6 meses de prisão. Por unanimidade, os três desembargadores, João Pedro Gebran Neto, Leandro Paulsen e Victor Laus, confirmaram a condenação, aumentaram a pena para 12 anos e 1 mês e determinara que a prisão fosse executada pela primeira instância - origem do processo -, assim que esgotados os recursos no tribunal.

    O que ocorreu com o julgamento dos chamados embargos de declarações, que foram negados em 26 de março por unanimidade no TRF4. No mesmo dia, os advogados de defesa de Lula, Cristiano Zanin Martins e José Roberto Batochio afirmaram que iriam analisar os recursos a serem apresentados, mas que o processo não estava encerrado na segunda instância. Os pedidos considerados como os embargos dos embargos, não têm efeito suspensivo considerado na Lava Jato. "Não cabem mais recursos com efeitos suspensivos junto ao Egrégio Tribunal Regional Federal da 4ª Região", destaca.

    Moro no despacho desta quinta, depois de ser comunicado pelo TRF-4 para cumprir a ordem de prisão. "Não houve divergência a ensejar infringentes. De qualquer modo, embargos de declaração não alteram julgados, com o que as condenações não são passíveis de alteração na segunda instância." Moro não comenta as decisões, mas tem declarado que no caso das execuções de pena, apenas cumpre a ordem do TRF-4.

    O comunicado do tribunal chegou à Curitiba às 17h31 assinado pelos magistrados Nivaldo Brunoni - substituto de Gebran Neto, relator da Lava Jato - e Paulsen, presidente da 8ª Turma. "Considerando o exaurimento dessa instância recursal - forte no descabimento de embargos infringentes de acórdão unânime -, deve ser dado cumprimento à determinação de execução da pena", escreveram os magistrados.

    "Destaco que, contra tal determinação, foram impetrados Habeas Corpus perante o Superior Tribunal de Justiça e perante o Supremo Tribunal Federal, sendo que foram denegadas as ordens por unanimidade e por maioria, sucessivamente, não havendo qualquer óbice à adoção das providências necessárias para a execução", concluem. Com o documento eletrônico anexado ao processo do triplex, Moro despachou no mesmo dia, como fez no processo do ex-presidente da Engevix Gerson Almada, que teve execução de pena decretada, assim que comunicado pelo TRF-4.

    "Deve este Juízo cumprir o determinado pela Egrégia Corte de Apelação quanto à prisão para execução das penas", afirma Moro, ao mandar Lula se apresentar para iniciar o cumprimento de sua pena, em uma cela especial preparada na sede da Polícia Federal, em Curitiba.


    Estadão Conteúdo e Correio do Povo

    Marco Aurélio pode levar liminar contra prisão em 2ª instância a plenário

    Ministro do STF disse que tendência é apresentar questão ao colegiado até quarta-feira

    Ministro do STF disse que tendência é apresentar questão ao colegiado até quarta-feira | Foto: Fellipe Sampaio / STF / Divulgação CP

    Ministro do STF disse que tendência é apresentar questão ao colegiado até quarta-feira | Foto: Fellipe Sampaio / STF / Divulgação CP

    O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello afirmou, nesta quinta-feira, que pode levar para julgamento, na próxima quarta, a liminar na qual o Partido Ecológico Nacional (PEN) pede que a Corte garanta, monocraticamente, a liberdade de condenados que ainda possam recorrer às cortes superiores. A ação pretende rever a decisão do STF, tomada em 2016, que autoriza a prisão após o fim dos recursos na segunda instância. Dessa forma, seria derrubado o resultado do julgamento que negou o habeas corpus para evitar a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    "Eu tenho que ver. O tribunal está reunido, quarta-feira tem sessão, a tendência é trazer. Se eu entender que há uma urgência maior, não se podendo aguardar, a tendência é trazer ao colegiado", projetou. Apesar de o ministro ter dito que pode levar a questão para julgamento na próxima semana, não está descartada a possibilidade dele conceder a liminar pleiteada pelo partido, individualmente, a qualquer momento. Se a decisão for tomada até esta sexta, pode impedir a prisão de Lula, que por determinação de Sérgio Moro deverá se entregar à Polícia Federal até as 17h.

    O partido, que tem advogados de investigados da Operação Lava Jato em sua cúpula, pretende superar o entendimento da presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, de não colocar em pauta duas ações declaratórias de constitucionalidade, que já foram rejeitadas, e analisam, de forma mais ampla, a questão da validada da prisão após o fim de todos os recursos em segunda instância. Recentemente, Cármen disse que trazer novamente a questão para revisão seria “apequenar a Corte”.


    Agência Brasil e Correio do Povo

    Ordem de prisão de Lula surpreende Planalto

    Governo sabe que a decisão contra o petista pode futuramente influenciar a situação de diversos políticos

    No momento do pedido de prisão, Temer estava com alguns auxiliares, entre eles, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha | Foto: Alan Santos / PR / CP

    No momento do pedido de prisão, Temer estava com alguns auxiliares, entre eles, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha | Foto: Alan Santos / PR / CP

    A notícia da decretação da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva surpreendeu o Palácio do Planalto pela velocidade com que aconteceu. Auxiliares do presidente Michel Temer afirmaram que o momento pede "serenidade" e que é preciso avaliar o impacto da prisão do ex-presidente tanto na situação atual do País - que passa por uma admitida crise institucional - como no cenário eleitoral.

    Oficialmente, o Planalto informou que não iria comentar. Interlocutores destacam que ter um ex-presidente da República preso, além de inédito, é uma situação grave para o País institucionalmente e justamente por isso é preciso aguardar o desenrolar dos fatos com serenidade.

    No momento da notícia de que o juiz Sérgio Moro havia decretado a execução da pena e dado um prazo até amanhã as 17h para se entregar, Temer estava com alguns auxiliares, entre eles, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Segundo interlocutores, ao receber a noticia, Temer estava em uma ligação e depois atendeu outros telefonemas. Uma explicação para o motivo da cautela nas declarações de aliados de Temer é que o governo sabe que a decisão contra o petista pode futuramente influenciar a situação de diversos políticos, incluindo os caciques do MDB e de outros partidos, que são investigados.

    Segurança

    A maior preocupação neste momento, ressaltam, é com a segurança, já que aliados de Lula já iniciaram manifestações pelo País. Conforme mostrou o jornal O Estado de S. Paulo na semana passada, o episódio de tiros disparados contra ônibus da caravana do ex-presidente Lula elevou a preocupação com a segurança do presidente, principalmente, caso ele leve adiante o plano de disputar a reeleição. Autoridades do governo avaliam que se instaurou no País, de maneira inédita, um clima de rivalidade e ódio político, como ficou patente nos confrontos entre militantes petistas e opositores ao longo do trajeto da caravana de Lula.

    Segundo uma fonte ouvida sob a condição de anonimato, o "humor" da campanha preocupa e não haveria como oferecer "garantia absoluta" de segurança a Temer. Até agora, Temer não pensa em cancelar nenhuma das agendas programadas para os próximos dias, incluindo a viagem para Salvador amanhã à noite, mesmo sabendo que a capital baiana é um importante reduto petista.

    Temer vai a capital baiana na sexta para participar da cerimônia de posse da diretoria da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) e das comemorações dos 70 anos da entidade. No sábado deve ir a Foz do Iguaçu para o Simpósio nacional de Varejo e Shopping.


    Estadão Conteúdo e Correio do Povo

    Moro determina a prisão de Lula

    Juiz federal estipulou prazo até sexta para ex-presidente se apresentar na PF

    Moro estipulou a Lula que se apresente até as 17h | Foto: Miguel Schincariol / AFP / CP

    Moro estipulou a Lula que se apresente até as 17h | Foto: Miguel Schincariol / AFP / CP

    O juiz federal Sérgio Moro deu prazo até esta sexta ao ex-presidente Lula para se apresentar "voluntariamente" à Polícia Federal em Curitiba, base da Operação Lava Jato. Em despacho desta quinta, Moro estipulou a Lula que se apresente até as 17h.

    Lula já passou 31 dias na prisão quando era sindicalista

    “Relativamente ao condenado e ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, concedo-lhe, em atenção à dignidade cargo que ocupou, a oportunidade de apresentar-se voluntariamente à Polícia Federal em Curitiba até as 17h do dia 06/04/2018, quando deverá ser cumprido o mandado de prisão”, anotou.

    Moro proibiu o uso de algemas em Lula. “Esclareça-se que, em razão da dignidade do cargo ocupado, foi previamente preparada uma sala reservada, espécie de Sala de Estado Maior, na própria Superintência da Polícia Federal, para o início do cumprimento da pena, e na qual o ex-Presidente ficará separado dos demais presos, sem qualquer risco para a integridade moral ou física”, escreveu.

    O magistrado ainda indicou que ‘os detalhes da apresentação deverão ser combinados com a Defesa diretamente com o Delegado da Polícia Federal Maurício Valeixo, também Superintendente da Polícia Federal no Paraná’.

    O que diz a defesa de Lula

    “Como o processo não terminou no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4) essa providência da decretação da prisão, esse açodamento na decretação da prisão do ex-presidente configura a mais rematada expressão do arbítrio no século XXI.”

    A medida foi tomada após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que negou nessa quarta um habeas corpus protocolado pela defesa para mudar o entendimento firmado pela Corte em 2016, quando foi autorizada a prisão após o fim dos recursos naquela instância. Lula foi condenado a 12 anos e um mês na ação penal do tríplex do Guarujá (SP), na Operação Lava Jato.

    Trajetória pessoal

    A vida do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi marcada de reviravoltas imprevisíveis e agora está dependendo de uma sentença do Supremo Tribunal Federal, que nesta quarta-feira pode deixá-lo a um passo da prisão. Da miséria do nordeste à Presidência do Brasil, passando pela liderança das greves de operários contra a ditadura militar, Lula luta agora para que sua trajetória extraordinária não acabe atrás das grades, por acusações de corrupção.

    Confira as principais datas que marcaram sua vida:

    27 outubro de 1945: nasce em uma família de agricultores pobres em Caetés, interior de Pernambuco. Assim como outros retirantes, sua família saiu dali quando ele tem sete anos, rumo a São Paulo, para fugir da fome.

    1975: torna-se presidente do sindicato dos metalúrgicos, representando colegas da profissão que exerce desde os 14 anos.

    1978-80: lidera as grandes greves na região industrial paulista, em plena ditadura (1964-1985). É preso durante 31 dias.

    1980: cofundador do Partido dos Trabalhadores (PT). Participa, em 1983, da criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

    1º janeiro de 2003: torna-se o primeiro presidente brasileiro de origem operária. É reeleito em 2006. Graças a seus programas sociais, 29 milhões de brasileiros saem da miséria, apesar de o país permanecer muito desigual.

    2005: decapita a direção do PT depois dos escândalos de corrupção do 'Mensalão'.

    Março de 2016: no dia 4, o juiz federal de primeira instância Sérgio Moro, de Curitiba, determina levar Lula a prestar depoimento em condução coercitiva, no âmbito das investigações da Operação 'Lava Jato' sobre um esquema de corrupção montado na Petrobras. Residências de pessoas vinculadas a Lula são revistadas. No dia 17, o juiz federal do Distrito Federal Itagiba Catta Preta Neto suspende a nomeação de Lula como ministro da Casa Civil de Dilma Rousseff, ainda na Presidência, sob o pretexto de que sua entrada no governo só visava a assegurar-lhe o foro privilegiado, protegendo-o da Justiça comum. O juiz diz ter agido para preservar a harmonia entre os poderes, evitando interferências no Judiciário.

    12 de julho de 2017: o juiz Moro condena Lula a nove anos e meio de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro por ter se beneficiado de um apartamento tríplex no Guarujá, litoral de São Paulo, oferecido pela empreiteira OAS, investigada na 'Lava Jato', em troca de mediação para obter contratos na Petrobras.

    24 de janeiro de 2018: o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), um tribunal de segunda instância, confirma a sentença e eleva a pena a doze anos e um mês de reclusão.

    22 de março de 2018: Por maioria, o Supremo Tribunal Federal decidiu que o ex-presidente Lula não pode ser preso até o julgamento do mérito do habeas corpus preventivo. Os ministros deferiram uma liminar solicitada pela defesa do líder petista.

    26 de março de 2018: TRF4 rejeita as últimas objeções apresentadas pela defesa de Lula.

    4 e 5 de abril de 2018: O Supremo Tribunal Federal (STF) nega habeas corpus preventivo por 6 votos 5.

    Leia o despacho do juiz Sérgio Moro


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    Estadão Conteúdo e Correio do Povo

    Defensor público suspeito de desviar dinheiro de medicamentos de paciente com esclerose múltipla é afastado no RS

    Ministério Público ajuizou ação contra José Salvador Cabral Marks e pediu a indisponibilidade dos bens do agente. Defensoria Pública do estado afirmou que, além do afastamento, abriu um procedimento administrativo disciplinar para apurar o caso.


    Por Giovani Grizotti, RBS TV

    Defensor público suspeito

    O defensor público José Salvador Cabral Marks, suspeito de desviar dinheiro que seria destinado à compra de remédios de uma paciente com esclerose múltipla em São Sepé, na Região Central do Rio Grande do Sul, foi afastado do cargo. O Ministério Público estadual também ajuizou uma ação civil pública contra o agente nesta quarta-feira (4), além de solicitar a indisponibilidade de seus bens.

    Conforme o MP, a dona de casa Jurema Claudete Pinto Guterrez ingressou com uma ação judicial contra o estado em 2008 para o fornecimento de medicamentos especiais. O pedido tinha caráter emergencial, porque, de acordo com o próprio defensor público, "a ausência da medicação ocasiona grave risco de vida para a exequente".

    Em junho daquele ano, a Justiça determinou o bloqueio judicial da quantia e expediu alvará judicial no valor de R$ 60.362,10. O valor foi recebido por José Salvador Cabral Marks, que disse em agosto de 2008 que informou a paciente para ela comparecer à Defensoria Pública Estadual e receber a quantia.

    Em depoimento, a mulher garantiu que nunca recebeu valores do defensor público e que sempre retirava a medicação na Secretária de Saúde, jamais recebendo dinheiro em espécie. Ela somente soube que teria direito a receber a quantia ao ser chamada para fazer a prestação de contas na Defensoria Pública.

    "Daí cheguei lá e o defensor perguntou se eu tinha algum conhecimento de um alvará de medicamento. Eu disse que não sabia de nada. Eu disse pra ele: 'mil reais já é um monte de dinheiro, já pensou 60 mil'", lembra Jurema.

    A dona de casa reforçou, inclusive, que não poderia comprar o medicamento, porque ele não é fornecido em farmácias comerciais, somente em hospitais e clínicas.

    Jurema Claudete Pinto Guterrez tinha direito a mais de R$ 60 mil para compra de medicamentos especiais, mas conforme o MP foi lesada pelo defensor público (Foto: Giovani Grizotti/RBS TV)

    Jurema Claudete Pinto Guterrez tinha direito a mais de R$ 60 mil para compra de medicamentos especiais, mas conforme o MP foi lesada pelo defensor público (Foto: Giovani Grizotti/RBS TV)


    A promotoria afirma que houve diversas solicitações judiciais para prestação de contas a respeito dos valores. No entanto, o defensor nunca informou que houve levantamento do alvará judicial e reiterou, inúmeras vezes, que iria apresentar as notas.

    Apenas em novembro de 2016, com a chegada de nova defensora pública na Comarca de São Sepé, houve uma petição da Defensoria Pública, junto à rede bancária, que informou o resgate do valor total do depósito, em agosto de 2008, e apresentou recibo avulso em nome de José Salvador Cabral Marks.

    Ele fez o saque do dinheiro porque tinha procuração da paciente. A informação foi confirmada pelo banco à juíza que atua no processo.

    "Como não houve a juntada de notas, de comprovantes e de gastos daquele valor sacado com medicamentos, foi pedido um ofício para o Banrisul para que fornecesse dados acerca da destinação destes valores. O que se sabe é que houve um saque do alvará e esse alvará saiu em nome do procurador", afirma a juíza Paula Machado Ferraz.

    O defensor também é suspeito de desviar R$ 8 mil na época em que era presidente do Conselho Comunitário que gerenciava verbas liberadas pela Justiça para o presídio da cidade. O dinheiro seria para instalar telas e colunas ao redor da penitenciária, obra nunca realizada.

    Segundo o MP, em janeiro de 2015, houve a prestação de contas à Corregedoria do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, referente ao ano de 2014, no qual consta que foi repassado ao Conselho da Comunidade o valor de R$ 8 mil, para a colocação de tela soldada e colunas no pátio do presídio da cidade, obra que não foi realizada.

    O defensor, em nenhum momento, seja no procedimento judicial das Penas Alternativas ou no inquérito civil do MP, negou ter sacado a verba que era destinada ao Conselho da Comunidade.

    Ainda de acordo com o MP, ele foi intimado inúmeras vezes para prestar contas sobre a utilização dos recursos públicos que lhe foram destinados, e nunca apresentou qualquer documento de justificativa dos gastos. Diante das cobranças realizadas, apenas insistiu em pedir concessões de novos prazos.

    Ao G1, por volta das 17h, José Salvador Cabral Marks disse que conversava com seu advogado para avaliar como irá se defender. "Eu estou sabendo agora disso. Estou com o meu advogado aqui tratando desse assunto e vou me manifestar oportunamente através do meu advogado, e esclarecer toda essa situação", disse.

    Mais tarde, pouco depois das 19h, o advogado Jader Marques, que assumiu a defesa de Marks nesta quarta, afirmou que seu cliente nega os crimes, mas que não irá fazer manifestações neste momento.

    Por meio de nota, a Defensoria Pública do estado informou que abriu processo administrativo para apurar o caso envolvendo o defensor público, atualmente lotado em Caçapava do Sul.

    Leia a nota na íntegra:

    "A Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul informa que, a partir do conhecimento de graves fatos ocorridos na cidade de São Sepé e do eventual envolvimento de agente da Instituição, a Corregedoria-Geral do órgão requereu ao Defensor Público-Geral a abertura de procedimento administrativo disciplinar (PAD) e o afastamento cautelar do agente, o que foi integralmente acolhido no dia 28 de março, em razão da necessária apuração.

    O procedimento instaurado visa à apuração de conduta irregular praticada pelo agente da Defensoria Pública.

    A Defensoria Pública do Estado reitera seus valores de ética, de credibilidade e de transparência, e reforça seu compromisso com a apuração e o esclarecimento dos fatos."


    G1

    O liberalismo na Estônia, por Lúcio Machado Borges*

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    A Estônia é um dos países mais liberais do mundo. Nas eleições, é possível votar até pela internet. A Estônia saiu do inferno do período comunista soviético para o céu do modelo de liberdade econômica.

    É possível abrir uma empresa na Estônia em apenas quinze minutos.

    *Editor do site RS Notícias