MPF cobra explicações de ministro da Defesa sobre fala de general

Eduardo Villas Bôas afirmou em rede social que Exército está "atento às missões institucionais"

General Eduardo Villas Bôas usou as redes sociais para questionar o comportamento das instituições brasileiras | Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil / CP

General Eduardo Villas Bôas usou as redes sociais para questionar o comportamento das instituições brasileiras | Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil / CP

A Procuradoria da República no Distrito Federal cobrou explicações nesta quarta-feira do ministro interino da Defesa, Joaquim Silva e Luna, sobre as declarações do comandante do Exército, o general Eduardo Villas Bôas. Nessa terça-feira, véspera do julgamento do habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Supremo Tribunal Federal (STF), Villas Bôas afirmou em uma rede social que o Exército está "atento às missões institucionais".

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A afirmação do comandante tem sido interpretada como uma forma de pressão sobre o STF no caso da revisão da possibilidade de prisão após a 2ª instância. "Asseguro à Nação que o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à Democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais", disse Villas Bôas.

Como ministro tem foro privilegiado, o procurador Ivan Marx, que assina o pedido de explicações, pediu à Procuradoria-geral da República que encaminhe a solicitação para Silva e Luna. "Oficie-se ao ministro da Defesa (via PGR), com cópia integral do presente procedimento, para ciência e manifestação sobre eventual risco de função interventora das Forças Armadas", diz a manifestação de Marx.

A solicitação de informação do procurador foi no âmbito do Procedimento Investigatório Criminal (PIC) em que se apura as declarações de outro militar, o general Antônio Hamilton Mourão. O general, que foi para a reserva em fevereiro, afirmou em palestra realizada em setembro do ano passado que as Forças Armadas poderiam optar por uma "intervenção militar" caso o Judiciário não solucionasse o problema político do País.

No procedimento, o procurador afirma que, em tese, Mourão fez "propaganda de processo ilegal para alteração da ordem política ou social e incitou à subversão da ordem política e social, conforme vídeo divulgado e notícias vinculadas em diversos canais de comunicação". A apuração foi prorrogada pelo procurador Marx, em janeiro deste ano, após o Exército encaminhar uma resposta que não satisfez o MPF.


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Após fala de general, chefes dos três Poderes defendem Constituição

Comandante do Exército fez postagem no Twitter dizendo estar "atento às missões institucionais"

Um dia depois de o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, dizer que repudia a impunidade e "se mantém atento às suas missões institucionais", os presidentes da República, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso fizeram nesta quarta-feira a defesa da Constituição, da democracia e da autonomia da Justiça no País. Em cerimônia pela manhã, no Palácio do Planalto, o presidente Michel Temer afirmou que a democracia "é o melhor dos regimes" e que ele é "quase um escravo" do texto constitucional.

MPF cobra explicações de ministro da Defesa sobre fala de general

"Não é uma democracia simplesmente construída por pessoas, é a democracia construída pela ordem jurídica, a democracia construída pela soberania popular, a democracia que está esculpida, escrita na Constituição Federal", afirmou o presidente. O evento presidido por Temer marcou a sanção da lei que flexibiliza o horário de transmissão da Voz do Brasil. Em nenhum momento, ele fez menção à manifestação divulgada pelo comandante do Exército, contudo.

Temer, que é advogado, usou expressões em latim e em boa parte do discurso referiu-se ao texto constitucional. "Eu acho que o que dá estabilidade ao país é o cumprimento rigoroso daquilo que a soberania popular produziu ao criar o Estado brasileiro. Toda vez que eu pratico um gesto governativo eu tenho em mente o norte que me dá a Constituição", disse. "O que mais prejudica o País é desviar-se das determinações constitucionais, quando as pessoas começam a desviar-se das determinações constitucionais, quando as pessoas acham que podem criar o direito a partir da sua mente, e não a partir daquilo que está escrito, seja literalmente ou sistematicamente, você começa a desorganizar a sociedade", ponderou Temer.

Em mensagem no Twitter, Villas Bôas disse que o Exército compartilha o "anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição". Em outro trecho, ele pergunta: "Nessa situação que vive o Brasil, resta perguntar às instituições e ao povo quem realmente está pensando no bem do País e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais?" O texto saiu na véspera do julgamento do habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Supremo.

A presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, também usou tom semelhante ao defender o trabalho da Corte e dizer que ela cumpre de "maneira independente e soberana" um papel "insubstituível na democracia". "Declaro aberta a presente sessão ordinária do Supremo Tribunal Federal do Brasil, responsável pela guarda da Constituição e que atua no seu cumprimento de maneira independente e soberana", disse Cármen, ao iniciar à tarde o julgamento do habeas corpus de Lula.

Usualmente, Cármen inicia os trabalhos mencionando os processos para julgamento, sem fazer qualquer pronunciamento. A fala foi entendida na Corte como uma reação aos comentários do comandante do Exército, embora ela também não tenha se referido diretamente ao episódio. Cármen disse que, assim como em todas as sessões, os ministros cumpririam o seu dever e suas obrigações constitucionais de "decidir em última instância causas de importância maior para o Brasil e para os cidadãos brasileiros". "Toda decisão judicial é importante, entretanto, algumas têm eventualmente maior impacto que outras. Mas todas são tratadas pelos juízes com igual rigor e responsabilidade por este e por qualquer tribunal", disse ela, para acrescentar: "O rito que aqui tem início tem a significação do Poder Judiciário cumprindo o seu papel. Papel que é insubstituível na democracia, a Constituição assim determina e este Supremo Tribunal Federal assim cumpre".

No Congresso, também houve apelos a favor da garantia da Constituição e da democracia. O presidente do Congresso e do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), usou sua conta pessoal no Twitter para pregar "serenidade". "Nos momentos de tensão social e política, a missão dos líderes que têm responsabilidade institucional é transmitir serenidade à população. É garantir que a Constituição, as leis e a democracia serão respeitadas. Esse é o melhor caminho para o Brasil, sem atalhos."

O único a se referir ao comandante do Exército foi o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para quem Villas Bôas "não teve cuidado". "O ideal é que os comandantes, respeitado a hierarquia, tivessem um cuidado maior. Acho que da forma como foi feito, gerou especulação, o que no momento em que o Brasil vive, ou em nenhum momento, mas principalmente neste momento, não é a melhor forma", analisou Maia.


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Com voto de Cármen Lúcia, STF nega pedido de habeas corpus de Lula por 6 a 5

Petista fica cada vez mais perto de ser preso e mais distante de ser candidato à Presidência da República

Placar final foi de 6 a 5 contra o líder petista em uma sessão de 10 horas | Foto: Carlos Moura / SCO / STF / Divulgação / CP

Placar final foi de 6 a 5 contra o líder petista em uma sessão de 10 horas | Foto: Carlos Moura / SCO / STF / Divulgação / CP

* Com informações da Agência Brasil e AE

Lula perdeu mais uma batalha para evitar a prisão. O Supremo Tribunal Federal (STF) negou o habeas corpus preventivo ao ex-presidente. Foram 10 horas de julgamento, houve duas pausas, mas, no início da madrugada desta quinta-feira, por 6 votos a 5, a Corte decidiu dizer não ao pedido. Condenado em 2ª instância no caso do triplex do Guarujá por corrupção e lavagem de dinheiro Lula fica mais perto da prisão e cada vez mais distante da candidatura à Presidência da República para um terceiro mandato.

Votaram contra o petista o relator Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Luis Roberto Barroso, Luiz Fux, Rosa Weber, tida como o fiel da balança do julgamento e a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia. A favor de Lula votaram Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Celso de Mello, Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski. Com a decisão, Lula

Lula não deverá ser preso imediatamente. A defesa ainda tem recursos, mesmo dentro do TRF4 para serem analisados. No que diz respeito a ser o candidato do PT ao cargo de presidente, o Tribunal Superior Eleitoral é quem deve decidir o futuro do petista.

O caso

O ex-presidente foi condenado em 1ª instância pelo juiz Sérgio Moro a 9 anos de prisão. Na segunda instância, os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) mantiveram a condenação e aumentaram a pena: 12 anos e 1 mês. Lula teve negado os recursos de embargos de declaração. No Superior Tribunal de Justiça não teve sucesso no habeas corpus.

Como votaram os ministros

O ministro Edson Fachin foi relator da sessão e se manifestou contrário ao pedido de Lula. Fachin argumentou que não se pode alegar ilegalidade ou abuso na prisão de Lula por “haver respeito a precedentes e jurisprudência formados pelo STF”.

Ao dar início a seu voto, o ministro, relator do caso, destacou que não se deve discutir a tese de execução provisória após condenação em segunda instância (presentes nas ações diretas de constitucionalidade 43 e 44), mas, sim, o habeas corpus solicitado pelo ex-presidente Lula. "O que está em questão nesse julgamento é a apreciação do ato indicado como coautor, um ato concreto de um ato específico. A jurisprudência da Corte não foi revisada, salvo se acontecer nas ações 43 e 44."

"Trata-se de uma análise de um ato concreto apontado como coautor e tido como configurador de ilegalidade ou abuso de poder. Por isso, é tema circunscrito e entendo de menor amplitude em relação às ações objetivas ADCs 43 e 44. Não há hipótese de implementar nesse HC uma revisita ao tema subjacente. O objeto desse HC se coaduna em meu modo de ver com a destinação constitucional desse remédio em apreço nos termos do artigo 5º inciso 68", afirmou.

Fachin foi seguido por Gilmar Mendes, que pediu para antecipar seu voto. Mendes fez questão de dizer que a análise do habeas corpus de Lula deveria servir para o STF fazer um grande debate sobre o tempo. O ministro disse que considera perfeitamente possível rever jurisprudência em Plenário por meio de um habeas corpus. "Estamos decidindo o tema", afirmou.

A posição de Gilmar Mendes gerou um grande debate entre os ministros. Ricardo Lewandowski e Luiz Fux pediram a palavra. Fux concordou com Gilmar Mendes e disse ser também a favor de que o STF se posicione sobre a prisão em segunda instância. Gilmar Mendes acabou votando a favor do HC de Lula. Depois disso, houve uma pausa na sessão.

Na volta da pausa, Alexandre Moraes foi o ministro que leu seu voto. Para Moraes, independentemente do entendimento do STF sobre a execução provisória da pena, o ato praticado pelo STJ é regular e, por isso, não pode ser reformado, argumentou. "Não significa que um posicionamento é melhor ou pior que o outro. Esses posicionamentos, a meu ver, não podem levar à conclusão de uma ilegalidade praticada pelo Tribunal Superior, em virtude de um entendimento majoritário de nosso tribunal", disse o ministro.

O voto seguinte foi de Luís Roberto Barroso. De forma enfática, Barroso deixou claro que acima de sentimentos pessoais e paixões políticas está o primado da Constitutição. "O STF não está julgando se o julgamento (do TRF4) foi certo ou errado. O que analisamos aqui é um habeas corpus."

A respeito do argumento da defesa do ex-presidente, presunção de inocência, o ministro rebateu dizendo que a presunção é um princípío e não uma regra. Explicou que tal argumento, no momento da denúncia é muito forte, mas diminui na condenação e na sua manutenção na 2ª instância. Para ele, a ponderação deve ser feita nesses casos, devido ao interesse do sistema de Justiça, contra impunidade. Além disso, afirmou que a Constituição não diz que a prisão ocorre somente após trânsito em julgado, mas, sim após decisão de autoridade judicial competente.

Barroso afirmou que o fim da prisão em segunda instância vai acabar com as delações premiadas, instrumento que alavancou o recente combate à corrupção no país. "Esse não é o país que eu gostaria de deixar para os meus filhos, um paraíso de homicidas, de estupradores e corruptos", afirmou.

A gaúcha Rosa Weber, a quinta a votar, tida como voto decisivo, abriu sua fala citando julgamentos históricos que falaram da execução da pena antes do trânsito em julgado. Rosa elencou teorias do direito e afirmou que o processo de interpretação é, em grande parte, feito pelos tribunais. "As lacunas (da Constituição) precisam ser consideradas a partir da interpretação".

Luiz Fux proferiu o quinto voto contra a concessão de habeas corpus preventivo para evitar a execução provisória da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após fim de todos os recursos na segunda instância da Justiça Federal.

No entendimento do ministro, a Constituição não impede a execução da pena de condenados criminalmente pela segunda instância. Além disso, o ministro afimou que o entendimento da Corte que autorizou a medida deve ser mantido e não pode ser alterado casuisticamente. “A Constituição Federal quando quis imunizar determinadas pessoas da possibilidade de prisão, ela fez textualmente”, argumentou Fux.

Toffoli seguiu Gilmar Mendes e votou para que o ex-presidente Lula possa recorrer em liberdade ao STJ contra a condenação de 12 anos e um mês no caso triplex, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Na sequência, o ministro Ricardo Lewandowski votou a favor da concessão de habeas corpus preventivo para evitar a execução provisória da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após fim de todos os recursos na segunda instância da Justiça Federal.

No início de seu voto, o ministro entendeu que a Constituição determina que ninguém pode ser preso antes da uma decisão transitada em julgada, ou seja, após o fim de todos os recursos possíveis, e não após a segunda instância. Lewandowski considerou que o julgamento representa “um momento grave na história” do tribunal.

Marco Aurélio Mello votou por conceder o habeas corpus preventivo com o qual o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Meu dever maior não é atender à maioria indignada, meu dever maior é tornar prevalecente a lei das leis, a Constituição Federal”, referindo-se a manifestantes que são a favor da prisão de Lula.

O decano do STF, Celso de Mello, votou a favor da concessão de habeas corpus preventivo para evitar a execução provisória da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após fim de todos os recursos na segunda instância da Justiça Federal. Em seu voto, Mello disse que desde 1989, quando chegou ao tribunal, tem decidido que as condenações penais só podem ser executadas após o fim de todos os recursos na Justiça.

A presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, proferiu o voto de Minerva, desempatando o julgamento contra o habeas corpus. Ela justificou seu voto dizendo que o entendimento da presunção de inocência não pode levar à impunidade. "Não há ruptura ao princípio quando exaurida a fase de provas".


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Comandante do Exército fez postagem dizendo estar "atento às missões institucionais"

    General Eduardo Villas Bôas usou as redes sociais para questionar o comportamento das instituições brasileiras - Crédito: Tomaz Silva / Agência Brasil / CP Tensão na República

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                            Solenidade de formatura ocorrerá no Ginásio Gigantinho, em Porto Alegre                               


                                            

                                  
                            Brigada Militar/Brigada Militar/Divulgação
                            Novos soldados passaram por mais de 1,6 mil horas estudando e treinando para poderem ingressar na Brigada
                            A Brigada Militar terá um grande auxilio a partir da próxima sexta-feira (6). Na verdade, serão mais de 500 reforços no policiamento ostensivo do Rio Grande do Sul. Nesta data, às 10 horas, ocorrerá a formatura do Curso Básico de Formação Policial-Militar e Curso Superior de Tecnologia em Aplicação de Polícia Militar no Ginásio Gigantinho, em Porto Alegre. 

                            A turma de formandos é composta de 507 soldados que entraram na instituição em junho do ano passado, após processo serem aprovados em concurso público. As aulas foram divididas em três módulos, nos quais os alunos receberam conhecimentos específicos da atividade policial, disciplinas de direito, sociologia da violência, uso da força e da arma de fogo e outras disciplinas, totalizando 1650 horas-aula. Nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, os formandos realizaram estágio operacional supervisionado, compondo efetivos de apoio à Operação Papai Noel, Natal Luz, Operação Golfinho, entre outros eventos especiais que ocorreram no período.


                            Jornal NH




                            Melnick Even Day | Faltam 3 dias!



                            Mais informações:
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                            Sérgio Fleury–História virtual

                            Sérgio Fleury

                            Nome completo
                            Sérgio Fernando Paranhos Fleury

                            Nascimento
                            19 de maio de 1933
                            Niterói, Brasil

                            Morte
                            1 de maio de 1979 (45 anos)
                            Ilhabela, Brasil

                            Nacionalidade
                            brasileiro

                            Ocupação
                            policial

                            Influências


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                            Sérgio Fernando Paranhos Fleury (Niterói, 19 de maio de 1933 — Ilhabela, 1 de maio de 1979), mais conhecido como Delegado Fleury, foi um policial que atuou como delegado do DOPS de São Paulo durante a Ditadura Militar no Brasil. Fleury ficou conhecido por sua atuação violenta e foi acusado de tortura e homicídio de inúmeras pessoas pelo Ministério Público, mas morreu antes de ser julgado.[1]

                            Vários depoimentos, testemunhas e relatos de presos políticos apontam que, sistematicamente, Fleury torturava as pessoas durante os interrogatórios que comandava. Vários dos militantes capturados por ele não resistiram às torturas e morreram. Fleury foi o principal responsável pela tentativa de captura e morte do militante comunista Carlos Marighella. Também foi apontado como participante da Chacina da Lapa e investigado por envolvimento com tráfico de drogas e esquadrões da morte.[2][3][4]

                            Protegido dos militares que promoveram o Golpe de Estado no Brasil em 1964 e impuseram a ditadura, deles recebeu diversas homenagens, como a Medalha do Pacificador e a Medalha Amigo da Marinha. Mas em 2009 uma rua com seu nome na cidade de São Carlos foi renomeada para homenagear o cardeal católico Hélder Câmara, um dos mais conhecidos opositores do regime imposto pelo golpe.[5][6] Em 2017 um bloco carnavalesco foi proibido de homenagear Fleury.[7]

                            Índice

                            Carreira

                            Bacharel em Direito, delegado (1966), atuou no serviço de radiopatrulhamento da cidade de São Paulo, ganhando notoriedade no combate enérgico às organizações armadas de esquerda, utilizando-se também de violência.[carece de fontes]

                            Em 1968, foi requisitado pelo DOPS, para lutar contra os movimentos de oposição ao governo militar no Brasil.[carece de fontes]

                            Pela sua participação nas ações desenvolvidas pelas Forças Armadas do Brasil durante a chamada "guerra subversiva", foi condecorado pelo Exército Brasileiro com a Medalha do Pacificador e pela Marinha do Brasil com a de Medalha Amigo da Marinha.[2]

                            Atividades

                            Participou da prisão dos estudantes da UNE (Congresso de Ibiúna, 1968) e foi acusado de determinar o extermínio de militantes comunistas em São Paulo (1968-1969). Chefiou a captura, seguida da troca de tiros que matou Carlos Marighella (1969) e das buscas visando a prender diversos opositores à ditadura militar ligados a este último (1971).[8]

                            A inversão da tática

                            Ao contrário dos métodos do Exército, empregados na repressão aos movimentos subversivos nos demais estados brasileiros, que copiavam modelos empregados pela França e pelos Estados Unidos na luta contra a insurgência, envolvendo equipamentos sofisticados e até o uso de satélites, o delegado Fleury adotou a inversão dessa tática. Um artigo, publicado na revista Veja de 12 de novembro de 1969, ressaltava que o sucesso de Fleury no combate à luta armada da esquerda deveu-se a sua experiência no combate aos criminosos comuns. Para ele, a motivação política era secundária. "Um assalto a banco, praticado por um subversivo, deveria ser investigado como um assalto comum. O subversivo que roubasse um automóvel deveria ser procurado como qualquer "puxador". A tática usada no cerco a Carlos Marighella foi a mesma empregada na captura de marginais. A revista, entrevistando um delegado do DOPS paulista, obteve a seguinte informação: "quando a gente prende um malandro, ladrão ou assassino, enfim um bandido, e a gente sabe que ele tem um companheiro, obrigamos o preso a nos levar até o barraco onde o outro mora. O bandido vai lá, bate na porta, o outro pergunta: "quem é?', e o bandido responde: "sou eu". O camarada abre a porta e entram dez policiais junto com o bandido". "Foi assim que Fleury obteve sucesso no combate à subversão: em cada dez diligências, sete eram proveitosas".[9]

                            Esquadrão da Morte

                            Foi investigado e denunciado pelos Promotores de Justiça Hélio Bicudo (um dos fundadores do PT) e Dirceu de Mello por supostos assassinatos praticados pelo Esquadrão da Morte. O Delegado Fleury foi apontado pelo Ministério Público de São Paulo como o principal líder desse Esquadrão. Fleury apresentava-se na corporação policial como líder do esquadrão da morte, com a promessa de para cada policial morto, matar dez bandidos.[4]

                            Um dos casos, misturando impunidade com onipotência, ocorreu em 17 de junho de 1970, quando acompanhado por nove comparsas, entrou no Presídio Tiradentes, de onde retirou cinco presos.[4] Fleury buscava vingar a morte de um policial assassinado horas antes por Adjovan Nunes, o Guri.[4] Horas depois os cinco presos eram mortos em Guarulhos, outros cinco presidiários foram mortos nas horas seguintes, até que Adjoan foi achado morto em um matagal em Itaquera com 150 tiros.[4]

                            Nesta época o esquadrão passou a ser um estorvo para a ditadura militar pois a imprensa estrangeira e as organizações dos Direitos Humanos apresentavam-no como a banditização do regime.[4] O Palácio do Planalto teve a ideia de trocar tudo por um golpe publicitário e anunciou que os agentes do crime seriam punidos, o que mereceu o primeiro editorial do The New York Times favorável ao governo desde 1964.[4]

                            Apesar da iniciativa federal e da predisposição do judiciário paulista, o executivo paulista foi contra: o governador Abreu Sodré formou uma comissão tendo o general Luís Felipe Galvão Carneiro da Cunha, um ex-torturador, como presidente.[4] Apesar disso, Hélio Bicudo conseguiu acusar dois investigadores e um informante, além de apontar a ligação de Fleury com o tráfico de drogas e ter fotos dele antes da emboscada de um bandido em Guarulhos, fornecidas por um padre canadense.[4]

                            Fleury teve sua prisão pedida, o STF negou um habeas corpus e a reação da ditadura foi imediata: o padre canadense foi empurrado de cima da torre da igreja, mas sobreviveu. Bicudo foi afastado do inquérito e ameaçado pela Receita Federal.[4] Bicudo havia identificado 41 execuções e Fleury estava envolvido em 22.[4]

                            Apesar de algumas condenações, Fleury não chegou a cumprir pena. Foi condecorado pelo governador Abreu Sodré (1969) e foi escolhido delegado do ano em duas oportunidades (1974 e 1976), em meio a diversas acusações de tortura e homicídios.[carece de fontes]

                            Anistia política e morte

                            Em 1978, na convenção da Arena em São Paulo, apoiou a candidatura do coronel Erasmo Dias à Câmara dos Deputados. Opôs-se à anistia política promulgada em 1979.[carece de fontes]

                            Desde 1968 Fleury vinha sendo investigado por seu envolvimento com o tráfico de drogas e por ter metralhado Domiciano Antunes Filho, conhecido com Luciano, a mando de um traficante de drogas rival, José Iglesias, conhecido como Juca.[3] Em função desse crime, em 1973 teve sua prisão preventiva decretada,[3] mas foi beneficiado por uma alteração no Código de Processo Penal decretada pelo então presidente do Regime Militar, Emílio Garrastazu Médici, sob a forma da Lei 5.941, que facultava a liberdade aos réus primários e com residência fixa. A lei passou a ser conhecida como Lei Fleury[10] e considerada uma vergonha jurídica pelos especialistas.[11][12][13][14]

                            O Fleury morreu por afogamento, segundo a sua mulher, Maria Izabel Oppido, presente em sua lancha na madrugada de 1º de maio de 1979. Seu corpo foi sepultado sem ter sido necropsiado, o que gerou comentários de que ele teria sido assassinado pela esquerda como vingança ou como "queima de arquivo" pelos seus antigos colaboradores da ditadura.[15][16][17]

                            Em Memórias de uma Guerra Suja, publicado pelo ex-delegado do DOPS do estado Espírito Santo Cláudio Antônio Guerra, que assume a condição de um ex-agente da repressão aos opositores da ditadura militar, o delegado Fleury teria sido assassinado por ordem dos próprios militares. Segundo Claudio Guerra, "o delegado Fleury tinha se tornado um homem rico desviando dinheiro dos empresários que pagavam para sustentar as ações clandestinas do regime militar e não obedecia mais a ninguém, agindo por conta própria". Ainda segundo Guerra, "Fleury teria sido dopado e levado uma pedrada na cabeça antes de cair no mar, fato que justificaria a estranha ausência da necrópsia do cadáver".[17]

                            O delegado Fleury era conhecido e temido publicamente no Estado de São Paulo como agente apoiador da ditadura, torturador e assassino de opositores ao regime militar. Assim, quando sua morte foi anunciada pelo jornalista Juca Kfouri no famoso Comício do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, ainda durante o 1º de maio, a notícia de sua morte foi supostamente festejada e efusivamente aplaudida por aproximadamente cem mil pessoas.[18]

                            Cinema

                            Sérgio Fleury é interpretado por Cássio Gabus Mendes no filme Batismo de Sangue (2007), do diretor Helvécio Ratton. Também por Ernani Moraes, como Delegado Flores no filme Lamarca (1994), de Sérgio Rezende. O personagem de um delegado da repressão interpretado pelo ator Carlos Zara no filme Pra Frente Brasil (1980), também é vagamente inspirado no delegado Sérgio Fleury.[carece de fontes]

                            Ver também

                            Referências

                          • «Sérgio Paranhos Fleury». Instituto Vladimir Herzog. Memórias da ditadura. Consultado em 12 de fevereiro de 2018
                          • «No Rio o pó cala os governantes». Revista Veja. 1 de junho de 1988. Consultado em 27 de junho de 2011. Arquivado do original em 12 de março de 2008
                          • Freire, Marcelo (1 de abril de 2015). «Conheça dez histórias de corrupção durante a ditadura militar». Uol Política. Consultado em 10 de fevereiro de 2018
                          • Gaspari, Elio (2014). A Ditadura Escancarada 2 ed. Rio de Janeiro: Editora Intrínseca. p. 319. 526 páginas. ISBN 978-85-8057-408-1
                          • Toledo, Caio N. de (4 de maio de 2009). «São Carlos repudia torturador». Vi o Mundo. Arquivado do original em 21 de junho de 2009
                          • Carvalho, Luiz Maklouf (maio de 2008). «Torturador na via pública». Revista Piauí. Consultado em 10 de fevereiro de 2018
                          • Jovem Pan Notícias (9 de fevereiro de 2018), Triste país que tem Bolsonaro e pessoas que organizaram bloco como Porão do DOPS | Villa, consultado em 12 de fevereiro de 2018
                          • Ghedine, André Luiz; Alves, Danilo Janúncio; Pires, Elaine Muniz; Sérgio Bechara (2004). «Cronologia dos 40 anos do Golpe». almanaque.folha.uol.com.br. Folha de S.Paulo. Consultado em 11 de fevereiro de 2018
                          • «Estratégia para matar o terror». Revista Veja. 12 de novembro de 1969. Consultado em 10 de fevereiro de 2018. Arquivado do original em 31 de outubro de 2011
                          • Médici, Emílio Garrastazu (22 de novembro de 1973). «Lei nº 5.941, de 22 de novembro de 1973.». www.planalto.gov.br. Governo Federal do Brasil. Consultado em 10 de fevereiro de 2018
                          • MEDICI, Sérgio de Oliveira (1985). Sugestão de reforma da "Lei Fleury" (PDF). São Paulo: Revista Justitia. Consultado em 14 de dezembro de 2016
                          • Luiz Claudio Pinheiro (17 de maio de 2006). Rejane Oliveira, ed. «Promotor defende fim da Lei Fleury». Agência Câmara. Consultado em 15 de dezembro de 2016
                          • «Sérgio Paranhos Fleury». Memórias da ditadura. Consultado em 15 de dezembro de 2016
                          • Wálter Maierovitch (26 de abril de 2015). «Recuos e avanços». Erros palmares e acertos involuntários nos últimos capítulos da nossa história jurídica. CartaCapital. Consultado em 15 de dezembro de 2016
                          • «O porão de Fleury». Revista Época. 17 de maio de 1999. Consultado em 11 de fevereiro de 2017. Arquivado do original em 31 de janeiro de 2008
                          • «Ex-delegado diz que queimou corpos de militantes em usina». O Globo. 2 de maio de 2012
                          • Brasília, Tales Faria e Wilson Lima, iG (7 de maio de 2012). «Ditadura promoveu queima de arquivo em série, diz Guerra - Política - iG». Último Segundo
                            1. Kfouri, Juca (2014). «Dois 1os. de Maio antagônicos». UOL Esporte. Consultado em 10 de fevereiro de 2018


                          • Wkipédia

                            O que irá acontecer se Lula perder hoje no Supremo? Nada, por Fernando Schüler‏

                            Ainda lembro daquele dia em que o juiz Sergio Moro liberou aqueles áudios do “Bessias”, entre outros, com diálogos aparentemente pouco republicanos envolvendo Lula e a ex-presidente Dilma. Milhares de pessoas saíram às ruas e tudo pareceria que iria explodir. Não explodiu. Tempos depois veio o impeachment e muita gente acreditou que haveria uma guerra santa no país contra o “golpe”. Não houve. No lugar da guerra, muita retórica e um punhado de cursos para iniciados, em nossas universidades públicas.

                            Depois veio aquela noite de 16 de maio, quando se divulgou a conversa do presidente Temer com Joesley Batista, falando em pagar alguma coisa para Eduardo Cunha. Milhares de pessoas tomaram de assalto a avenida Paulista e a renúncia do presidente parecia ser uma questão de horas. Não foi. A conversa não era bem aquela, o presidente não renunciou, superou duas denúncias no Congresso e acena com uma candidatura em outubro. 

                            Agora andamos mais uma vez excitados. As razões são perfeitamente óbvias. Não se trata apenas de um habeas corpus ou de Lula ser ou não candidato. Trata-se do mito. Da mística que povoa há quatro décadas nosso imaginário político. E de quebra uma decisão jurídica estratégica para o país, na qual ambos os lados têm razão. Raquel Dodge tem razão em dizer que quatro instâncias “são um exagero que aniquila o sistema de justiça”; o outro lado também tem ao lembrar a clareza incômoda do artigo 5º da Constituição, estabelecendo o princípio da inocência até o trânsito em julgado.

                            Atos pelo país pedem prisão de Lula e criticam ministros do STFAtos pelo país pedem prisão de Lula e criticam ministros do STF

                              Vai aí um tema interessante. O país e o Supremo estão divididos sobre um tema cuja solução será imperfeita, seja qual for a decisão tomada. Prato cheio para nossa democracia "breaking news". A expressão é de Fareed Zakaria e serve perfeitamente para o Brasil. É a democracia da instabilidade, do exagero, da gritaria, das frases de efeito, em que se discute tudo com a mesma velocidade em que tudo é rapidamente esquecido, nos dias que correm.

                              Há uma boa dose de responsabilidade do STF neste cenário de instabilidade. Nossa Suprema Corte há muito enveredou por um caminho de interpretações criativas do texto constitucional. Em geral, com apoio popular. A destituição de Eduardo Cunha; o fim do financiamento empresarial de campanhas; a restrição ao foro privilegiado; o veto ao indulto natalino do presidente da República. A lista é grande. O ministro Barroso tem sido o homem de vanguarda desta tendência, com sua crença na função iluminista da corte constitucional, seu papel de representação da sociedade e poder de ação que pode ir muito além da letra fria da Constituição. 

                              Vamos lá: com uma Suprema Corte disposta a expressar interesses difusos e reinventar vez ou outra o texto constitucional, por que razão não haveria, em torno de suas decisões, um enorme barulho na rua e nas redes sociais?

                              Plantamos o que colhemos. É razoável que uma Corte Constitucional refaça sua decisão sobre a prisão em segunda instância, um ano e meio depois de tomada, apenas porque um novo ministro tomou posse na corte e outro mudou de opinião sobre o tema? Será essa a regra para todas as suas decisões? E se daqui a quinze meses mais algum ministro mudar de opinião? Que tipo de estabilidade jurídica nossa Suprema Corte tem a oferecer ao país?

                              A questão que parece passar despercebida, nisso tudo, é o fato simples de que instituições e procedimentos de decisão funcionam como incentivos. Se o vaivém é a regra, se a regra é não ter regra, se vale o contexto e o caso a caso, então está feito o convite à pressão, ao lobby, ao tuíte, ao manifesto. Em boa medida não há como escapar disso, o que apenas redobra a responsabilidade que uma Suprema Corte deve ter, nestes tempos dançantes, com a regra, a previsibilidade, a estabilidade.

                              Ministros do STFMinistros do STF


                                No caso do ex-presidente Lula, assistimos seu pedido de habeas corpus passando à frente de processos similares e mais antigos; assistimos à concessão do sui generis salvo-conduto de 13 dias, em função do check-in de um ministro. Assistimos a presidente do Supremo recebendo uma comitiva de parlamentares e um extenso lobby, para influir na pauta da corte, e mais recentemente um ministro discutindo o assunto em um evento no exterior.

                                O fato evidente é que se consolidou, no país, a ideia de que o STF é uma casa política, feita de maiorias estreitas e instáveis e aberta a pressões de todo tipo. Isto não deveria ser assim. E temo que nossa Suprema Corte esteja prestes a tomar uma decisão que aprofunde ainda mais esta percepção hoje generalizada, na sociedade.

                                No mais, vivemos tempos interessantes. O comandante do Exército usa o Twitter para manifestar uma posição política ao STF; comícios são realizados a favor e contra uma decisão que deveria ser estritamente técnico-jurídica (como o processo foi tratado, aliás, nas demais instâncias da justiça). E todos parecem excitados com a ideia de que vivemos uma crise institucional sem precedentes, em nossa ainda jovem democracia.

                                Não vivemos. Só andamos tropeçando. Se a decisão for positiva para o ex-presidente Lula, haverá algum barulho nas redes sociais e nada mais. Se for negativa, teremos mais do mesmo. Blogs lulistas, conhecidos de todos, arriscarão alguma manchete sombria, um abaixo-assinado será lançado pelos artistas e intelectuais de sempre, no Circo Voador, e a vida seguirá seu curso.

                                A democracia brasileira, para desgosto de gente maluca e barulhenta, à esquerda e à direita, é muito mais forte do que a histeria vazia da pequena guerra política que tomou conta de nossa democracia digital. Felizmente.

                                Fernando Schuler

                                É cientista político, professor do Insper e curador do projeto Fronteiras do Pensamento.



                                Folha de S. Paulo