Defesa de Lula prestou informação falsa à sociedade, afirma força-tarefa da Lava-Jato

MPF do Paraná rebateu declarações sobre a ata de uma reunião da diretoria da Petrobras e disse que a defesa teve acesso ao documento

Por: Estadão Conteúdo

 

Defesa de Lula prestou informação falsa à sociedade, afirma força-tarefa da Lava-Jato Reprodução,divulgação/Divulgação

Foto: Reprodução,divulgação / Divulgação

A força-tarefa da Operação Lava-Jato divulgou nesta quinta-feira (11) uma nota em que afirma que a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva"prestou informação falsa à sociedade" em coletiva nesta quarta-feira (10) após odepoimento do petista ao juiz Sergio Moro, em Curitiba (PR).

O Ministério Público Federal (MPF) do Paraná, que montou a denúncia originária do processo contra Lula, rebateu as declarações dos advogados sobre a ata de uma reunião da diretoria da Petrobras e disse que a defesa teve acesso ao documento, diferentemente do que foi afirmado pelos defensores.

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"A informação é falsa, uma vez que o documento está no processo desde 14/09/2016, data da acusação criminal. Isso pode ser verificado por qualquer pessoa, mediante acesso ao evento 3, 'COMP25', dos autos eletrônicos n.º 5046512-94.2016.4.04.7000", pontua o comunicado.

Os procuradores ainda apontam que ocorreram "muitas contradições" no testemunho do ex-presidente e que se manifestarão oportunamente no processo. "Quanto às muitas contradições verificadas no interrogatório do ex-presidente Lula, à imputação de atos a sua falecida esposa, à confissão de sua relação com pessoas condenadas pela corrupção na Petrobras e à ausência de explicação sobre documentos encontrados em sua residência, o Ministério Público Federal se manifestará oportunamente, no processo, especialmente nas alegações finais".

Em entrevista na quarta-feira (11), o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima disse que o MPF pretende pedir novas diligências na ação antes das alegações finais. Lima também criticou os advogados pelas informações fornecidas na declaração quando falaram que eram usados papéis que não estavam nos autos.

— Talvez a defesa devesse olhar os autos com mais cuidado. Todos os documentos que embasam a acusação, inclusive mostrados na audiência, constam nos autos e foram mencionados, inclusive onde constam — afirmou o procurador.

Para Lima, as afirmações da defesa de Lula foram feitas "talvez, para confundir" e são "inadmissíveis".

 

Zero Hora

O programa ''Agora”, apresentado por Gabriel Jacobsen e Vitória Famer na Rádio Guaíba virou palanque político para o PT, por Lúcio Machado Borges*

Estava escutando na manhã desta quinta-feira (11) o programa “Agora”, apresentado por Gabriel Jacobsen e Vitória Famer na Rádio Guaíba e mais uma vez me chamou a atenção, a alienação. A lobotomização e a forma como estes dois jornalistas foram doutrinados na faculdade. Ambos são apoiadores do “coitadismo” e da Justiça do Trabalho. Outra coisa que me chamou a atenção nestes dois apresentadores na manhã desta terça-feira é para o fato de que eles leram várias mensagens de pessoas que escreveram para o programa para dar apoio ao ex-presidente Lula, que ontem foi interrogado pelo juiz Sérgio Moro e pelo Ministério Público Federal.

No entanto, eles citaram que chegou várias mensagens, criticando o ex-presidente Lula e o PT, mas em nenhum momento eles leram alguma mensagem sobre isso.

*Editor do site RS Notícias

Daniela Bruzarrosco, advogada e vereadora do PTC de São Paulo

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Delegada Sheila, vereadora de Juizde Fora

 

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Reclama com a Dilma, Lula

 

Depois dessa eu teria ido dormir chorando...

Fonte: https://www.facebook.com/CanalAmericaUncut/videos/1899439840081977/?hc_ref=NEWSFEED

Desde 2013, 22 ônibus foram incendiados em Porto Alegre

Número de coletivos queimados voltou a crescer em 2017 e empresas já precisaram investir R$ 7 milhões para repor frota

Número de coletivos queimados voltou a crescer em 2017 e empresas já precisaram investir R$ 7 milhões para repor frota | Foto: Fabiano do Amaral / CP

Número de coletivos queimados voltou a crescer em 2017 e empresas já precisaram investir R$ 7 milhões para repor frota | Foto: Fabiano do Amaral / CP

 

  • Daiane Vivatti / Rádio Guaíba

Desde janeiro de 2013, 22 ônibus foram incendiados em Porto Alegre – 20 deles pertencentes a empresas privadas e dois à Carris. Somente nas últimas 24 horas, dois coletivos foram queimados: um veículo da linha 731 – Parque dos Maias/Sertório, no terminal Parobé, no Centro da Capital, e outro da linha 149 – Icaraí, na zona Sul da cidade. O levantamento foi produzido pela Rádio Guaíba.

Em 2017, criminosos já atearam fogo em cinco ônibus. O primeiro crime ocorreu em 4 de janeiro, quando um coletivo da linha T3 foi atacado na avenida Moab Caldas, na zona Sul, o que causou prejuízo de aproximadamente R$ 150 mil à Carris. Há um mês e meio, em 29 de março, ocorreu ataque a um ônibus da linha 376 – Herdeiros, na zona Leste, e duas semanas atrás, outro incêndio foi registrado na Vila Cruzeiro, em um veículo da linha 264 – Prado.

Em 2016, só um ônibus havia sido queimado em Porto Alegre. O ano com maior número de ocorrências foi 2015, quando 12 ônibus foram incendiados, dez deles pertencentes ao consórcio Viva Sul. A maioria dos crimes foi registrada na vila Cruzeiro.

Conforme o Sindicato das Empresas de Ônibus de Porto Alegre (Seopa), cada ônibus custa, em média, R$ 350 mil, mas o prejuízo estimado depende dos anos de uso do coletivo. Com isso, as empresas tiveram de investir mais de R$ 7 milhões para recompor a frota queimada.

Brigada Militar vê crime como represália à polícia

O comandante de Policiamento da Capital, coronel Jefferson Jacques, considera que foram diversas as motivações para os crimes, como represália a ações de segurança e protestos contra a Copa das Confederações, em 2013. O oficial acredita, porém, que em 2017 há relação direta das ocorrências com o tráfico de drogas.

Conforme Jacques, após os casos, uma série de medidas é tomada: “Sempre que acontece um fato dessa natureza, a nossa tendência é trabalhar na redução do dano e do medo da população. Nós patrulhamos a área, entramos em contato com o gestor do transporte público, com os trabalhadores, no sentido de dar proteção e garantia de funcionamento e restabelecimento da normalidade no ambiente”, explica.

 

Correio do Povo

Lula tinha forma "bem-humorada" de falar caixa 2, diz João Santana

Marqueteiro e esposa foram responsáveis pelas campanhas do PT à Presidência de 2006 a 2014

Lula tinha forma

Lula tinha forma "bem-humorada" de falar caixa 2, diz João Santana | Foto: Nelson Almeida / AFP / CP

 

"O presidente Lula tinha também uma forma bem-humorada de tratar dos pagamentos por fora que estavam em atraso. Para demonstrar que estava preocupado (...) vez por outra pergunta a João: 'E aí, os alemães têm lhe tratado bem?' (os alemães, no caso, era a Odebrecht)", diz anexo da delação premiada de João Santana, tornada pública nesta quinta-feira. João Santana e a mulher, Mônica Moura, foram responsáveis pelas campanhas do PT à Presidência da República em 2006, 2010 e 2014.

O anexo de delação premiada é o documento em que o delator informa ao Ministério Público Federal (MPF) o que vai contar no processo de delação. A colaboração de João Santana, assim como a de sua mulher, Mônica Moura, e de André Santana, funcionário do casal, foi assinada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Isso significa que, a partir de agora, o que foi dito à Lava Jato pode ser usado como base para a abertura de inquéritos ou reforçar investigações já em curso.

• Leia as última notícias sobre o ex-presidente Lula

Ajuda

De acordo com João Santana, tanto Lula como a ex-presidente Dilma Rousseff sabiam que os atrasos nos pagamentos feitos ao casal se referiam a recursos não contabilizados. Segundo o anexo da delação premiada de Santana, a primeira abordagem direta com Lula sobre caixa 2 se deu em 2009, "no episódio de ajuda à campanha de Mauricio Funes, em El Salvador, quando ele mandou João procurar diretamente Emilio Odebrecht".

Já com Dilma Rousseff, o tema teria sido abordado em "várias oportunidades" durante o seu primeiro mandato. "Isso ocorreu, por exemplo, quando ela informou João no primeiro semestre de 2014 que havia viabilizado um meio de saldar, antecipadamente, todo o pagamento não oficial da sua campanha de reeleição. Algo em torno de R$ 35 milhões. A operação, segundo Dilma informou a João, seria articulada por Guido Mantega, por fora, sem registro contábil. Todavia isso não se efetivou", diz o anexo da delação.

De acordo com o delator, o tema caixa 2 e depósitos no exterior foram abordados ainda mais diretamente em setembro de 2014, quando Dilma perguntou se os depósitos no exterior feitos pela Odebrecht

foram feitos de forma segura. A mesma pergunta teria sido feita por Dilma Rousseff à empresária Mônica Moura, em novembro de 2014, quando a chamou às pressas para um encontro em Brasília.

Defesa

Procurada, a assessoria do ex-presidente Lula informou que não vai comentar "declarações de pessoas que buscam benefícios judiciais" e que "delações, pela legislação brasileira, não são provas". A assessoria de Dilma Rousseff informou que a defesa da petista ainda não teve acesso aos autos e que deve se pronunciar até o final do dia.

Já a defesa de Mantega ainda não foi localizada. Em depoimento à Justiça Eleitoral, Guido Mantega disse que não pediu ao empreiteiro Marcelo Odebrecht doações nem para o PT nem para a campanha de Dilma ao governo em 2014. Mantega negou que tenha se envolvido na captação de recursos da campanha e sustentou que a participação foi restrita à formulação de propostas econômicas e à preparação de respostas para debates eleitorais da ex-presidente.

 

Estadão Conteúdo e Correio do Povo

Depoimento de Lula a Moro foi do futebol ao bullying infantil

Ex-presidente foi interrogado por mais de cinco horas pelo juiz responsável pela Lava Jato

Depoimento de Lula a Moro foi do futebol ao bullying infantil | Foto: Justiça Federal do Paraná / Reprodução / CP

Depoimento de Lula a Moro foi do futebol ao bullying infantil | Foto: Justiça Federal do Paraná / Reprodução / CP

 

O interrogatório de quase 5 horas que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu ao juiz federal Sérgio Moro resultou em diálogos dignos de um romance judicial, com espaço, inclusive, para diálogos sobre futebol ou bullying.

Vídeo mostra depoimento de Lula com ângulo ampliado

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Leia mais sobre o ex-presidente Lula

Lula foi interrogado por suspeitas de que teria ganhado um tríplex no Guarujá, no litoral de São Paulo, como retribuição de favores outorgados à empreiteira OAS, envolvida no escândalo de propinas na Petrobras.

O ex-presidente de esquerda (2003-2010), de 71 anos, negou as acusações e denunciou o processo liderado pelo jovem juiz - convertido em um emblema nacional anticorrupção - como uma "farsa" destinada a bloquear seu retorno ao poder em 2018.

Moro: "qualquer desavença pessoal" - Ao iniciar o interrogatório, Moro disse a Lula que ele seria tratado com "o máximo respeito" e, para que fique "absolutamente tranquilo", afirmou que seu depoimento era rotineiro e que não concluiria sua prisão preventiva, após rumores apontarem para isso.

Moro: "senhor ex-presidente, eu queria deixar claro que embora existam algumas alegações nesse sentido, da minha parte não tem qualquer desavença pessoal em relação ao senhor ex-presidente. Quem vai definir o resultado [do julgamento] são as provas e a lei".

Lula: "pelo amor de Deus, apresentem uma prova!" - Visivelmente incomodado em boa parte de seu depoimento, Lula lançou: "se cometi um crime, prove que eu cometi um crime. Apresente à sociedade e o Lula será punido tanto como qualquer cidadão [...]. Mas pelo amor de Deus, apresentem uma prova!".

"Ninguém sabia" da corrupção na Petrobras

Quando Moro perguntou ao ex-presidente se ele estava ciente da má gestão na Petrobras, Lula respondeu: "Não. Nem eu, nem o senhor, nem o Ministério Público, nem a Petrobras, nem a imprensa, nem a Polícia Federal. Todos nós só ficamos sabendo das primeiras suspeitas quando foi pego no grampo".

Moro replicou: "o senhor que indicou ele  ao Conselho de Administração da Petrobras. É uma situação diferente de mim".

Lula e o "bullying" a seus netos

Em sua declaração final, Lula disse ser vítima da "maior caçada jurídica que um presidente ou político brasileiro já teve", algo que atribui ao seu passado como operário.

Lula: "Quando eu fui eleito em 2003, eu tinha um compromisso de fé [...]. Eu dizia para mim, todo santo dia, que eu não tinha o direito de errar, porque se eu errasse, a classe trabalhadora nunca mais iria eleger alguém do andar de baixo. Presidência da República não foi feita para metalúrgico, para quem não tinha diploma universitário [...]".

Moro o interrompeu: "senhor presidente, as declarações finais não servem para [dar] posições políticas, mas sim as relativas ao processo".

Lula: "doutor Moro, espero que o senhor tenha paciência".

Moro: "não sei quanto vai durar seu pronunciamento final, não é para fazer um apanhado do que você fez no seu governo, não é programa eleitoral".

Lula: "é que eu estou sendo julgado pelo que eu fiz no governo [...]. Eu sou obrigado a dizer o que foi feito comigo. Eu tenho 71 anos de idade, cinco filhos e oito netos. Nunca ninguém que me acusou considerou que netos meus, com cinco anos, que estão na escola, sofrem bullying todo santo dia por conta de mentiras".

As 12 partidas do Barça

Lula denuncia um cerco midiático e do MP - que o assinala como o "líder máximo" da rede de corrupção - como se fosse um bandido de faroeste "procurado vivo ou morto". O símbolo da esquerda fez uma compilação das vezes que a grande mídia "falou mal" dele e relembrou as mais de 18 horas em que, para ele, foi o principal tema do Jornal Nacional, da TV Globo, no último ano.

"Sabe o que significa 18 horas falando mal de um cidadão? Significa 12 partidas de futebol entre o Barcelona e o Atlético de Madrid!", se exaltou Lula.

Ao fim do interrogatório, Lula questionou o próprio Moro sobre os constantes vazamentos judiciais à imprensa.

Lula: "o senhor, sem querer, talvez, entrou no processo. O vazamento de conversas com minha mulher, e dela com meus filhos, foi o senhor quem autorizou. [...] Agora queria lhe avisar uma coisa: esses mesmos que me atacam hoje, se tiverem sinais de que serei absolvido... Prepare-se, porque os ataques ao senhor serão muito mais fortes [...]".

Moro: "infelizmente já sou atacado por muita gente, inclusive por blogs que supostamente patrocinam o senhor. Padeço dos mesmos males que o senhor, em certa medida. Entretanto, vou encerrar aqui essas declarações, mas lhe asseguro que será julgado com base nas leis e nas provas do processo. Fique seguro quanto a isso".

"Assim espero, doutor", concluiu Lula.

 

AFP e Correio do Povo

Funcionário Público – Estável ou Não: Eis a Questão

O economista Gustavo Franco suscitou, nesta semana que finda, um debate que, vez por outra, volta à tona, e ele o fez por meio de uma postagem curta mas deveras eloquente:

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Interessante notar que a crítica aventada subdivide-se, na verdade, em outras duas:

1) Questiona, implicitamente, o fato de que funcionários púbicos de baixo desempenho (pra dizer o mínimo) ou indisciplinados raramente são demitidos(não há que se falar aqui em exonerar, visto que este tipo de rescisão de vínculo com o Estado não configura punição por ações praticadas ou omissão; demissão, sim), em prejuízo da eficiência da administração pública e da prestação de serviços;

2) Chama à atenção, por outro lado, para a dificuldade que se apresenta aos gestores estatais quando da travessia de momentos de dificuldades financeiras, tendo em vista a pouquíssima margem de manobra com a folha de pagamento de salários permitida pela legislação vigente – e eles, em consequência, visando reequilibrar as contas públicas, são obrigados a cortar gastos em áreas mais sensíveis e relevantes ao cidadão pagador de impostos, como saúde, educação e investimentos em infraestrutura.

O primeiro aspecto do instituto da estabilidade funcional maldito pelo articulista supracitado é também aquele que mais revolta a vasta maioria de nossa população – e não sem razão. Se o cidadão comum precisa, a cada dia de labuta, provar para a empresa na qual labora que segue sendo merecedor daquela oportunidade de trabalho (ou seja, que produz tanto quanto ou além do valor constante em seu contracheque), muito justo seria que o mesmo sucedesse com aquele cuja remuneração é provinda de parte da riqueza gerada pelo primeiro, correto?

Ao menos é o que parece. Há, todavia, um fator que desorganiza esta lógica, e que faz com que esta comparação entre a iniciativa privada e o serviço público fique capenga: aquela é fortemente afetada e influenciada pelos mecanismos de estímulo do livre mercado (lucro e prejuízo); este não. E esta constatação altera por completo o cenário em comento. Vejamos, para melhor compreensão, como esta conjuntura manifesta-se em um caso hipotético – mas que ocorre corriqueiramente pelas repartições públicas Brasil afora:

Pedro é Procurador do Ministério Púbico Estadual. Para auxiliá-lo em suas tarefas rotineiras, o órgão destina verba para contratação de dois assessores. Pedro, então, empossa em tais cargos João e José.

Ambos foram selecionados sem concurso público ou qualquer outra forma de seleção objetiva (prática que visa, em tese, preservar os princípios constitucionais da impessoalidade, legalidade, moralidade, eficiência e publicidade dos atos administrativos), visto que, no caso em tela, as tarefas a serem realizadas requerem alto grau de confiança da autoridade para com os contratados – motivo pelo qual faz-se a opção pela criação de cargos de livre nomeação (comissionados).

Ou seja, João e José não possuem estabilidade em seu trabalho, pois foram admitidos (e podem ser despedidos) nos moldes do setor privado (em tese).

João é altamente comprometido com suas obrigações. Nunca se atrasa ou falta, realiza seus afazeres com qualidade e presteza, colabora para gerar um ambiente saudável no gabinete e é um exemplo de responsabilidade e ética.

José é o oposto disso tudo, mas com uma ressalva: é extremamente bajulador, o típico “boa praça” que conta piadas o dia inteiro e chama pra tomar cerveja no fim de semana.

Digamos que, por considerar José um “bom sujeito”, Pedro nunca o demita. João, por óbvio (e como se observa rotineiramente), precisará levar todo o serviço (o seu e o de João) “nas costas”, acumulando tarefas e comprometendo, constantemente, o resultado do trabalho.

Quais seriam, então, as consequências nefastas geradas pela situação fática narrada para o referido órgão governamental? Ora, podemos afirmar sem receio de errar: nenhuma!

Não estamos lidando, afinal, com um agente econômico submetido à permanente avaliação de seus clientes, como ocorre com todos os empresários do setor privado (ou, pelo menos, com aqueles cujos segmentos de atuação não estão protegidos por barreiras à entrada de novos investidores e concorrentes – principalmente estrangeiros). O Ministério Público não irá falir nem fechar as portas, mesmo porque o Estado pode imprimir moeda sem lastro e contrair empréstimos para manter sua máquina “funcionando”, ainda que aos trancos e barrancos (e ao custo de gerar inflação e juros altos).

Em outras palavras: não há significativos incentivos para que Pedro demita José (embora possa fazê-lo sem nem mesmo apresentar justificativa), muito menos para que José esmere-se no ofício como João – o qual não recebe nem um centavo a mais por sua dedicação extra (nem pode receber, à luz do ordenamento jurídico pátrio). Pior: é possível que João, case manifeste descontentamento, acabe indo ele mesmo para a rua.

Vale dizer: não há estabilidade nas relações trabalhistas envolvidas no exemplo proposto, e ainda assim o funcionário relapso não será desligado.

E tal procedimento costuma ser adotado por chefes de seções e gerentes de RH de determinadas empresas privadas? Sem sobra de dúvida que sim. Mas estes empreendimentos estarão com os dias contados caso mantenham tal prática por muito tempo, visto que, no longo prazo, seus quadros funcionais estarão repletos de indivíduos improdutivos, o que causará reflexos na qualidade dos bens ofertado aos consumidores.

Uma vez reprovado pelo crivo de seus clientes, os próximos passos são a recuperação judicial e o leilão dos bens para quitar dívidas com fornecedores – destino este que não está reservado, em absoluto, para órgãos da administração pública direta (aqueles ligados diretamente a um dos três Poderes). Eis aí onde reside o busílis – ou pelo menos sua primeira parte.

Sim, pois na administração pública indireta (entidades que possuem personalidade jurídica própria, dispondo, portanto, de patrimônio, autonomia administrativa e orçamento específico para seus fins), fenômeno assaz semelhante pode ser observado.

Não é estável o empregado de sociedade de economia mista (Petrobrás, Banco do Brasil, Correios) ou de empresa pública (Caixa Econômica Federal, Infraero), conforme dispõe o artigo 173, § 1º, inciso II, da Constituição Federal. É muito mais simples para estas entidades, portanto, livrar-se de empregados infrutíferos, já que eles não são contemplados pela prerrogativa do artigo 41 da Magna Carta – mesmo aqueles concursados.

O que se nota, todavia, é a mesma tendência verificada no gabinete do Doutor Pedro: empregados pouco produtivos escondendo-se atrás do esforço dobrado de colegas “otários”, travando todo o processo produtivo e saindo ilesos de tal expediente.

Aqui convém ressaltar que não se confunde dispensa por justa causa com a dispensa motivada: a primeira ocorre ocorrendo quando o empregado comete infrações de naturezas diversas; a dispensa motivada, a seu turno, pode se fundar em motivo disciplinar, técnico, econômico ou financeiro.

Diante desta previsão legal diferenciada, estatais deficitárias como a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, por exemplo, já poderiam (e deveriam, dada a gravidade da situação de seus balanços contábeis) estar promovendo uma reengenharia de seus processos visando reduzir seus rombos de caixa e incrementar sua produtividade – mas o que se vê, quando muito, são diligências muito tímidas neste sentido, mantendo seus efetivos inchados e seus números no vermelho (demandando, cedo ou tarde, aportes do Tesouro Nacional em seu socorro).

Cumpre enfatizar que estatais que exploram atividades econômicas deveriam, em teoria, estar igualmente sujeitas àqueles mecanismos de estímulo do livre mercado já mencionados. Seu destino deveria, sim, em caso de insolvência, ser o encerramento das atividades ou sua transferência para investidores privados – providências essas, aliás, que já vem sendo tomadas desde o ano passado por governos como o do Rio Grande do Sul, e que eventualmente precisarão entrar na agenda de todos os governadores estaduais.

Ocorre que, a partir da vigência da Lei 11.101/2005 ( Lei de Falência e Recuperação de Empresas), a discussão ganhou novos contornos, porque este diploma legal, em seu artigo 2º, inciso  I, deixa expresso que seus ditames não se aplicam à empresas públicas e sociedades de economia mista, sem proceder a qualquer distinção entre aquelas prestadoras de serviços públicos (Sabesp) e as exploradoras de atividade econômica (Petrobrás).

Ou seja: desde então, não há motivos para que tais companhias preocupem-se (muito) com sua competitividade e sua liquidez. E lá se vão os incentivos do livre mercado ralo abaixo.

Gestão de recursos humanos baseada em mérito, com padrões objetivos de avaliação do trabalho? Não é a mesma coisa, e até pode servir de instrumento para mascarar serviços de péssima qualidade com índices atingidos que supostamente comprovariam eficiência – sim, isso existe em profusão na esfera governamental. Não tem jeito: quem deve(ria) julgar o que está sendo mal ou bem feito é sempre o usuário do serviço, e não se discute com sua decisão subjetiva. Ou tenta-se agradá-lo a todo custo, ou pede-se o chapéu.

Diante do exposto até aqui, resta escancarado de uma vez o fato de que, no contexto em questão, o elemento cultural desempenha um papel muito mais relevante do que o Direito positivado em textos legais: ora, se os funcionários públicos que não são estáveis dificilmente são despedidos no Brasil (em decorrência da natural deficiência dos mecanismo de estímulos capitalistas que acomete seus empregadores), de que adianta clamar pelo fim da estabilidade daqueles que a possuem sem mudar a mentalidade de nosso povo?

Ademais, ainda dentro deste aspecto comportamental típico do brasileiro, é preciso deixar claro que nomeações e exonerações por motivações puramente políticas seriam a regra caso a estabilidade fosse extinta por completo.Na verdade, o único intento que poderia ser alcançando com a extinção irrestrita da estabilidade seria desprover da autonomia determinados funcionários que dela muito precisam para desempenhar sus funções.

Bater de frente com pessoas poderosas (normalmente políticos e metacapitalistas como Marcelo Odebrecht) sem garantia alguma? O pessoal da Lavajato é corajoso, mas nem tanto: não fosse a estabilidade com a qual contam Moro, Deltan e demais valorosos membros da força-tarefa, a capital do Paraná jamais teria se transfigurado na República de Curitiba. Ao primeiro telefonema do Ministro da Justiça, a operação teria se desmantelado ao coro uníssono de “sim, senhor ministro”. E o mesmo se aplica a outros profissionais do Estado que precisam falar grosso com peixes grandes eventualmente.

AL III

Muito bem dito por Alexandre Borges: para algumas carreiras ela é justificável. Deveria ser, portanto, a exceção da regra (tal qual ocorre em nações de economia mais liberal, como os Estados Unidos), e não a regra, como ocorre em nosso país.

Mas aqui, entretanto, nos encontramos novamente no impasse anterior: de que vale retirar a estabilidade de quem a possui se nem mesmo aqueles que não a tem costumam ser demitidos, mesmo havendo, em muitas ocasiões, razões para tal?

Ora, se este conflito de complexa resolução consiste em apenas mais um dos muitos elementos que nos levam a concluir que o Estado é um mal necessário, fica evidente a solução: reduzir a área de incidência deste mal, enxugando o aparato estatal. Se um cachorro peludo está com sarna, a primeira medida a ser tomada é aparar seu pelo bem curto. Com o big government não é diferente.

Já que mencionamos a América, não pense que por lá a realidade é muito diferente, por exemplo, nos departamentos de trânsito (DMV), notórios por testar a paciência dos usuários. A grande diferença é que, por haver muito menos governo, a população deles sente com bem menos intensidade os efeitos desta falta de mecanismos de estímulos do livre mercado já explicada.

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É sabido que a imensa maioria daqueles que buscam uma colocação na administração pública o fazem por causa do desemprego alto. É aí que a estabilidade ganha contornos dourados para aqueles que lotam as salas de aulas de cursinhos preparatórios. A melhor forma, portanto, de transformar este vantagem em algo bem menos importante e desejável é melhorar as perspectivas de trabalho no setor privado.

E como se faz isso? Da forma como todos sabemos: menos intervenção estatal na economia visando proteger amigos do Rei, menos gasto público acima da orçamento previsto, enfim: menos governo estrangulando a atividade produtiva. Nenhum segredo. Mais liberdade econômica. E aquela mudança cultural necessária acima referida entrará definitivamente em curso – prescindindo, inclusive, de eventuais rixas entre funcionários públicos e privados.

 

Por um Brasil sem Populismo!

Por que os habitantes das metrópoles tendem a ser de esquerda?

Chamou minha atenção um artigo recente da Foxnews que dava destaque ao esforço do candidato “de centro” (pero no mucho) à presidência da França, Emmanuel Macron, em busca de votos de moradores de áreas rurais daquele país – os quais, conforme costuma mostrar a experiência prática, favorecem candidatos mais à direita (ao menos em comparação com aqueles residentes em capitais e circunvizinhanças).

Este fenômeno, em verdade, não é uma particularidade adstrita à França, visto que, nas eleições americanas realizadas em 2016, Donald Trump também amealhou votos especialmente de eleitores do countryside, isto é, residentes em condados do interior, ao passo que Hillary Clinton foi favorecida principalmente por eleitores de cidades situadas em regiões litorâneas, grandes centros urbanos e suas cercanias. É claro que, no episódio em questão, os autoproclamados intelectuais não perderam tempo e logo rotularam os primeiros de caipiras e “red necks” ignorantes e desprovidos de cultura – este tipo de preconceito, aparentemente, não provoca “microagressões” que possam sensibilizar o povo politicamente correto.

E como esquecer que, no mesmo sentido, foram os ingleses que não vivem na capital Londres que garantiram a vitória do Brexit? Ou que os votos do interior do país definiram a vitória do “não” no plebiscito da Colômbia que rejeitou o “acordo de paz” com as FARC?

Map

Quais fatores seriam, pois, os responsáveis por esta notória discrepância em termos de preferências políticas em função da localização geográfica, que também costuma ser observada em diversos outros cantos do planeta – e não apenas dentro dos estados ou províncias, mas também quando se traça um paralelo entre diferentes regiões dos países?

Antes de dar início ao estudo de caso, é bom esclarecer que considera-se esquerda e direita como visões dinstintas essencialmente por “defenderem mais ou menos intervenção estatal na sociedade, na economia e na vida de cada indivíduo; verem o estado como a locomotiva da sociedade, seu ente de razão, seu guia para um futuro glorioso e “progressista”, ou acreditarem que a evolução social é feita pelos indivíduos com sólidas bases morais e livres para buscar trocas mutuamente benéficas com outros indivíduos, com a menor participação estatal possível no processo, num sistema que se retroalimenta das informações que nascem destas transações e que se sofistica, portanto, de baixo para cima, do individual para o coletivo, organicamente”, conforme ensina Flávio Morgenstern.

O mais importante dos fatores a serem considerados, por certo, é o fato de que os residentes nas grandes cidades encontram-se, via de regra, mais afastados dos processos produtivos que permitem que haja comida em sua mesa, roupas em seucloset, material de higiene em seu banheiro, e assim por diante. Por outro lado, os habitantes das cidades interioranas (ainda que adjacentes a grandes cinturões urbanos) estão mais próximos das plantações, dos silos, e da maioria das empresas de beneficiamento e transformação.

Em decorrência desta conjuntura, aqueles acabam por esquecer, com o passar do tempo e o suceder das gerações, o quão complexa, intrincada e dependente da iniciativa humana é a cadeia de produção que torna possível que os bens de consumo que possibilitam seu conforto lhes sejam disponibilizados. Esses, a seu turno, conseguem ver com mais facilidade que nada cai do céu, que pão não dá em árvore, que o boi não pula dentro da bandeja de carne voluntariamente. Esta realidade é narrada na canção “Cio da Terra”, de Milton Nascimento:

Debulhar o trigo
Recolher cada bago do trigo
Forjar no trigo o milagre do pão
E se fartar do pão

Decepar a cana
Recolher a garapa da cana
roubar da cana a doçura do mel
Se lambuzar de mel

Afagar a terra
Conhecer os desejos da terra
Cio da terra propícia estação
E fecundar o chão

Ou seja, os cosmopolitas tendem a, paulatinamente, olvidar-se da importância do sistema de troca voluntárias para sua subsistência e para a geração de tudo aquilo que torna sua vida muito mais digna que a de seus antepassados. E passam, por consequência, a serem muito mais facilmente convencidos de que possuem direito a uma fração qualquer do valor gerado a partir do empenho diuturno de outras pessoas. São, portanto, alvos preferenciais de propagadores de teorias socialistas, segundo as quais sempre houve uma dada quantidade de riqueza imutável no mundo, e que nos basta reivindicar nossa fatia para que tudo seja mais “justo”.

Já os provincianos, por colocarem a mão na massa com muito mais frequência que seus conterrâneos dos grandes conglomerados urbanos, tendem a compreender melhor o esforço contíguo e a extensa cadeia de trabalho que são necessários para dar origem aos produtos e serviços que, hoje, parecem (só parecem) ter sempre estado por aí disponíveis a todos – mesmo aqueles de mais baixa renda. Destarte, vira tarefa bem mais árdua convencer esse pessoal de que alguém além deles mesmos pode melhorar a qualidade de suas vidas.

 

Outro fator fundamental a ser considerado nesta análise é a diferença de importância conferida à família lá e cá: não há dúvida de que os provincianos dão muito mais valor aos laços de parentesco, uma vez que costumam viver mais próximos uns dos outros e, devido ao relativamente maior isolamento a que são submetidos, a conservar hábitos e costumes – até mesmo pedir “a bênção, pai”.

Além disso, em decorrência de maior escassez de recursos em comparação com regiões metropolitanas,  eles tendem a precisar apoiar-se uns nos outros com bem mais frequência, a precisar contar com aqueles em quem confiam – e, nestas horas, nada melhor do que um ser humano consanguíneo (ou que comungue de laços similares) para pedir socorro.

Muitos dos cosmopolitas, entretanto, não apenas olham com profundo desdém para núcleos tradicionais (muito embora nenhum deles, até onde se sabe, tenha sido criado em chocadeira), como também acreditam que haja uma boa dose de “opressão” nas relação familiares – sob forte influência do ambiente intelectual “progressista” destas localidades.

Alexandre Borges, em artigo publicado pelo Instituto Liberal ainda em 2013, ao abordar o sucesso de um programa de TV americano intitulado “Os Robertsons” (uma espécie de reality show protagonizado por uma típica família do interior da Luisiana), foi direto ao ponto quando afirmou:

O sucesso estrondoso de gente como os Robertsons são um pesadelo para qualquer um que trabalha por uma sociedade tutelada pelo estado, com o povo prestando juramento a líderes carismáticos e marchando nas ruas em paradas comemorando o aniversário da revolução. A família é a maior célula de resistência contra o estado e é por isso que é alvo dos ataques dos totalitários há mais de 100 anos. Hitler dizia que não ia se casar porque era “casado com a Alemanha”, por exemplo. Num tipo de estado como o sonhado por socialistas e fascistas, você deve se casar com o estado e tanto os Robertsons quanto os valores que representam são um inimigo a ser derrotado.

Precisa falar mais sobre este aspecto? Não creio.

Por último, mas não menos importante, há o fato de que os cosmopolitas tendem a experimentar menos contato humano direto (tanto no trabalho quanto em sua folga), e a comunicar-se com outras pessoas preferencialmente pela via digital, reduzindo suas vidas a uma espécie de confinamento ideológico, uma bolha virtual. Assim sendo, os problemas da vida real ficam reduzidos a abstrações, tão palpáveis quanto o sofrimento do personagem da novela.

A partir daí, escancarar as fronteiras para “imigrantes” ou sair soltando bandidos na rua como quer a globalista ONU passam a parecer boas ideias – quando observadas, claro, a partir de posições encasteladas, do alto da comodidade da vida moderna, sem precisar imaginar (ou sentir na pele) as verdadeiras consequências de tais medidas (não, pelo menos, até o dia em que a realidade chutar a porta do idealismo; até lá, dá pra brincar de ser a favor do desarmamento e contra a redução da maioridade penal).

Já os provincianos, por passarem, em média, menos tempo nestes enclausuramentos cibernéticos e mais tempo praticando atividades no mundo físico (sejam elas lúdicas ou laborais),  tendem a encarar com bem mais ceticismo certos delírios multiculturalistas e  outros devaneios do gênero. Eles passam, portanto, a  preferir o familiar ao desconhecido, preferir o tentado ao não tentado, o fato ao mistério, o real ao possível, o limitado ao ilimitado, o próximo ao distante, o suficiente ao superabundante, o conveniente ao perfeito, a felicidade presente à utópica – como diria Michael Oakeshott.

 

 

Eis porque candidatos de esquerda costumam precisar suar a camisa para angariar alguns míseros votos do pessoal interiorano. Outros fatores, em especial a formação cultural de um povo, também influenciam sobremaneira neste processo (às vezes, inclusive, revertendo esta expectativa), mas são basicamente os três supracitados que costumam alinhar cosmopolitas à esquerda e provincianos à direita – especialmente ao conservadorismo.

Para se ter uma noção deste fenômeno em nosso território nacional (muito embora ele não se manifeste com tanta força por aqui quanto em outras nações mais politizadas), basta comparar, por exemplo, o desempenho do PT e seus partidos satélites no Rio de Janeiro e no Sul do Brasil (excetuando-se o Rio Grande, cuja herança do Positivismo de Comte deixou um legado assistencialista e paternalista que até hoje perdura). Quem conhece o Paraná e Santa Catarina, e leu este texto com atenção, vai entender e concordar.

Outro dia vivi uma cena hilária: questionei duas senhoras, no interior de Santa Catarina, as quais estavam criticando a crise econômica que atravessamos, se preferiam a volta de Dilma ao poder, ao que responderam em uníssono: “Deus o livre, homem!”. É a indestrutível sabedoria daqueles tidos como capiaus por alguns esnobes do asfalto. Pois sim!

E o que vai acontecer na França? Difícil prever, mas ainda é possível que o “homem comum esquecido”, que já se fez ouvir na América ano passado, fale mais alto na Europa também…

 

Por um Brasil sem Populismo!