Governo está seguro sobre defesa de Dilma, diz Edinho Silva


Brasília - O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República Edinho Silva, concede entrevista exclusiva à Agência Brasil (Wilson Dias/Agência Brasil)
Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, o ministro Edinho Silva disse que o governo está preparado para se defender de ataques e ameaçasWilson Dias/Agência Brasil
Em meio à tensão política em torno da decisão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, de aceitar o pedido de abertura de processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff, o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva – auxiliar direto da presidenta –, disse hoje (3) que o Palácio do Planalto está seguro para a defesa jurídica caso o processo avance, criticou a tentativa da oposição de resolver questões políticas com ruptura institucional e disse que o governo está preparado para se defender de ataques e ameaças.
“Estão afrontando não o governo da presidenta Dilma, mas a democracia brasileira, a imagem internacional do Brasil como um país democrático”, avaliou o ministro, em entrevista exclusiva à Agência Brasil, concedida no Palácio do Planalto em meio a reuniões da cúpula do governo.
Na conversa, Edinho Silva afirmou que Dilma vai manter o ritmo de trabalho durante o andamento do processo na Câmara e minimizou o risco de paralisia nas ações do governo enquanto a nova crise política durar.
Ele disse que “não é bom para o Brasil” que haja uma “guerra política” nas ruas brasileiras, afirmou que o governo não quer continuar em um embate direto com Eduardo Cunha, mas que vai se defender “toda vez que se sentir agredido”.
Leia a entrevista completa:
Agência Brasil: Qual a estratégia da defesa do governo diante da abertura do processo deimpeachment?
Ministro Edinho Silva: Em primeiro lugar, o impeachment depende de um fato jurídico. Nós não temos nenhum fato jurídico caracterizado que justifique o pedido de impeachment. Se nós temos um problema político, você resolve no debate político, e o Brasil é um país democrático em que as instituições funcionam, temos eleições a cada dois anos. É assim que a sociedade resolve contradições que possam existir entre um projeto político e a vontade da sociedade.
Um país que é uma das principais democracias do planeta, como o Brasil é, não pode resolver suas questões políticas com ruptura institucional, abrindo precedentes autoritários. Então, primeiro, não tem nenhuma caracterização que justifique o pedido de impeachment. Os argumentos colocados e divulgados, que tentam justificar o pedido, já foram esclarecidos pelo governo. Portanto são questões contábeis, de execução orçamentária, plenamente explicáveis dentro da jurisprudência, dentro das normativas que estão em vigor no país. E, mesmo que tiver algum problema de execução orçamentária, a prática no Brasil é que você pactue uma mudança na jurisprudência. Porque não tem nada que foi feito pelo governo da presidenta Dilma dentro da execução orçamentária que não possa ser corrigido com a mudança de jurisprudência no tribunal de contas, com a mudança normativa. Portanto, não se caracteriza um fato de tamanha gravidade, com características criminais, que justifique um pedido deimpeachment. Eu penso que estão afrontando não o governo da presidenta Dilma. Eu penso que estão afrontando a democracia brasileira, a imagem internacional do Brasil como um país democrático, em que as instituições mesmo sendo tão recentes – porque a nossa democracia é recente – são instituições que internacionalmente sempre inspiraram outros países. Então, é lamentável que estejam utilizando um instrumento jurídico tão potente, e que deve ser utilizado em características tão definidas, com o objetivo de desgaste político.
Agência Brasil: O governo está seguro do argumento de que as chamadas pedaladas fiscais não sustentam o pedido de impeachment?
Edinho Silva: O governo está seguro porque, primeiro, tem uma jurisprudência criada no tribunal e tem uma normativa no Banco Central. Se nós vamos alterar a jurisprudência, a normativa, que se faça. Eu fui prefeito e lembro que diversas vezes o Tribunal de Contas do Estado pedia para que prefeitura alterasse a forma de execução orçamentária, de contabilização, interpretação da legislação contábil, da contabilidade pública, e nós estamos vendo os governadores enfrentando situações semelhantes. Estamos vivendo uma crise econômica onde muitos governadores estão com dificuldades imensas de execução orçamentária. Estão tirando do contexto a questão que é facilmente explicável, que é facilmente corrigível do ponto de vista contábil de execução orçamentária, transformando isso numa falsa questão jurídica para justificar uma questão política.
Agência Brasil: O senhor acredita que a aprovação da nova meta fiscal deu uma segurança a mais ao governo nessa argumentação?
Edinho Silva: Vamos colocar aqui o debate que tem que ser feito de forma muito clara. O Brasil é o único país no mundo que trabalha com déficit fiscal? Não. Tivemos inclusive recentemente o Canadá que, depois de seis anos consecutivos de déficit, conseguiu fechar sua execução orçamentária de forma equilibrada. Os países da Zona do Euro, quantos países estão vivendo dificuldades de execução orçamentária? Nós vimos os Estados Unidos também com dificuldades, inclusive teve uma grande pendência com o Congresso americano por conta da capacidade de endividamento. O déficit fiscal é uma meta a ser alcançada. Portanto, aquilo que é meta é aquilo que você busca alcançar, e muitas vezes você não consegue. Você tem que perseguir, muitas vezes você não consegue. Você não consegue naquele ano, você pode conseguir no ano seguinte, no outro. Você sempre vai conseguir. O importante é que quando você leia a execução orçamentária você consiga identificar o esforço governamental para buscar a meta. A meta não pode ser uma camisa de força para execução orçamentária onde você engesse completamente o governo.
A presidenta Dilma deu outra orientação, mas nós poderíamos muito bem projetar a redução do déficit orçamentário até 2018. Estabelecer até 2018 metas para serem alcançadas ano a ano até que nós pudéssemos zerar o déficit. Isso, por exemplo, é uma prática costumeira em diversos países, nas empresas, muitas vezes quando se endividam. Então as instituições, sejam elas públicas ou privadas, muitas vezes projetam a redução de déficit no tempo. E mostra para os organismos fiscalizadores, demonstram ao mercado qual vai ser a meta ano a ano a ser perseguida até que você equilibre a execução orçamentária ou mesmo você busque um superávit. Nós poderíamos ter escolhido esse caminho.
Agência Brasil: Mas a orientação da presidenta foi outra? Qual?
Edinho Silva: De buscar, com muita austeridade, reduzir o máximo possível o déficit orçamentário buscando superávit já. Ela escolheu um caminho, que é um caminho duro, que mostra austeridade, que mostra compromisso com o equilíbrio fiscal. Mas ela poderia ter escolhido um outro caminho que era diminuir o déficit no tempo. Estou dando esses exemplos para mostrar que meta é algo que você busca, que você persegue. O importante é que você, quando auditar as contas, você perceba vontade política do executor orçamentário, no caso o governo, de busca pelo equilíbrio, até que você busque o superávit. Fazer disso uma questão jurídica para legitimar uma questão política, uma divergência política, eu penso que é, desculpe aqueles que defendem essa posição, eu penso que é brincar com a democracia brasileira.
Agência Brasil: Deputados do PT já ingressaram com liminares no STF para pedir a nulidade do ato de Eduardo Cunha. O governo também vai entrar com ações nesse sentido, via AGU (Advocacia-Geral da União) ou algum outro órgão?
Edinho Silva: Eu não sei se essa iniciativa vai existir. Não tem nenhuma orientação da presidenta Dilma nesse sentido. Mas o Judiciário está aí para impedir que haja ilegalidades, que haja exageros. Para isso existe o Judiciário, para que, à luz da legislação, possa se garantir a estabilidade das instituições, possa se garantir a estabilidade constitucional e jurídica depois.
Agência Brasil: Como vai ser a mobilização de outros setores para essa defesa? Isso já foi conversado com as centrais sindicais, com movimentos de apoio ao governo? Os senhores pretendem levar as pessoas às ruas para defender o mandato da presidenta?
Edinho Silva: Não, o governo, nós, estamos lidando com essa questão de forma muito tranquila, de forma muito pacífica. É evidente que, se existir um processo de luta política, não tem nenhuma dúvida que os setores sociais que defendem o governo vão também se mobilizar. Agora, eu penso que isso não é bom para o Brasil. Se for necessário, é democrático que se mobilize. Agora, nós poderíamos estar discutindo neste momento uma agenda de interesse nacional. Uma agenda que unificasse governo e oposição, que o Brasil pudesse nesse momento de crise internacional criar as condições para a retomada do crescimento, para que o Brasil fosse mais competitivo internacionalmente. Eu penso que essa era a agenda prioritária para o Brasil neste momento. Uma agenda que unificasse todos os setores políticos do país, todas as posições políticas. Que a gente pudesse ter um grau de unidade para que o Brasil efetivamente saísse desse momento da crise econômica internacional mais forte e mais competitivo.
Agência Brasil: O governo não corre o risco de ficar paralisado durante o andamento desse processo na Câmara?
Edinho Silva: De forma alguma. A presidenta Dilma está governando. Continua governando. Vai continuar visitando o país, vai continuar lançando programas, projetos, participando de inaugurações. Não vamos paralisar o Brasil. Até porque, penso que o Brasil tem que ser maior que as divergências políticas conjunturais, do que a disputa política conjuntural. O Brasil tem que ser maior, e nós temos que colocar neste momento. Eu penso que aí é que muitos setores da política estão errando. Devemos colocar neste momento os interesses brasileiros acima dos interesses político-partidários conjunturais no momento.
Agência Brasil: O senhor disse que não seria bom para o Brasil que houvesse mobilizações nas ruas [pró e contra o impeachment]...
Edinho Silva: Não seria bom que se abrisse uma guerra política nas ruas brasileiras. Eu penso que não é bom. Mobilização a favor, mobilização contra o governo. Isso não é bom. Eu penso que isso é ruim. Não pode ser bom para o Brasil vivermos uma guerra política nas ruas do país. É por isso que eu digo: quando a gente tem poder de liderança, capacidade de liderança, temos que exercer com muita responsabilidade. Agora, é evidente, se você tiver uma guerra política deflagrada para um setor político brasileiro, é evidente que os outros setores se sentem legitimados para fazer o mesmo, para se mobilizar.
Agência Brasil: Mas vai haver convocatória do governo?
Edinho Silva: De forma alguma. O que o governo quer é pacificar a conjuntura política, é criar mecanismos de diálogo, é a construção de uma agenda de interesse nacional. O que o governo quer é enxergar muito mais os pontos de união na política nacional do que os pontos de divergência. Repito: estamos vivendo uma crise econômica nacional que é grave e ela é de longo prazo. Se o Brasil criar as condições adequadas, estaremos preparando o Brasil para que ele cresça na retomada do crescimento econômico.
Agência Brasil: O senhor avalia que o governo não ficará paralisado, mas esse ambiente dificulta o processo de recuperação, de retomada do crescimento econômico, porque o Congresso vai ficar paralisado e votações de projetos importantes para o ajuste ainda não foram concluídas...
Edinho Silva: O governo vai continuar governando, vamos continuar dialogando com o Congresso Nacional, construindo uma agenda de interesse do país, a presidenta Dilma vai continuar visitando o Brasil, lançando programas, inaugurando obras, conversando com a sociedade brasileira. Temos clareza da importância desse momento na história do país, temos clareza do nosso papel histórico nesse momento do país e a presidenta Dilma tem dito e vai continuar dizendo e agindo nesse sentido: queremos fortalecer as instituições brasileiras. Os governos passam, as instituições ficam. Os governos passam e a democracia pode ficar mais forte ou mais enfraquecida e a presidenta vai lutar o tempo todo para que as instituições se fortaleçam e para que no fim de seu governo, nosso processo democrático esteja mais sólido, que a sociedade civil tenha maior controle sobre o Estado, que as instituições funcionem independente de quem está no controle, independente do partido que está no governo. Essa é a vontade da presidenta Dilma, porque a vida dela é a vida de uma mulher que se dedicou à construção da democracia. Estamos falando de uma mulher honesta, íntegra, que não tem uma mácula na sua trajetória política, e que muitas vezes inclusive é vítima de machismo, de uma cultura machista que existe no país, onde muitas vezes não se admite a mulher no exercício do poder, no exercício de um governo. O tempo todo a presidenta luta por suas convicções, luta pelo Brasil que acredita e tem que lutar ainda contra o preconceito, contra o machismo, que infelizmente ainda existe no país.
Agência Brasil: Mas estamos falando de votações específicas, como a (DRU) Desvinculação de Receitas da União, da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), a repatriação de recursos não declarados. Como ficam essas negociações nesse contexto da abertura do impeachment?
Edinho Silva: Não encerramos a agenda do governo no Legislativo. Vamos continuar trabalhando para que essa agenda avance. Ontem, tivemos uma vitória importante do governo, importante para a nossa economia, estamos aprovando medidas que vão garantir as bases para que o Brasil em breve retome o crescimento econômico e o projeto de geração de empregos, distribuição de renda.
Agência Brasil: Mas há clima para isso?
Edinho Silva: O clima se constrói, não existe clima dado. Tenho dito o seguinte, é uma coisa que digo sempre, antes mesmo de ser ministro: quem não gosta de dialogo, de tomar cafezinho, tem muita dificuldade na política. Como é que se constrói o ambiente: é conversando, achando pontos de unidade e esta tem sido a vontade da presidenta Dilma. Achar pontos que unifiquem uma agenda de interesse nacional, que unifiquem inclusive setores da oposição, porque sabemos que as agendas de mudanças estruturantes do nosso país, para que o Brasil se torne mais competitivo, essa agenda será construída também em consenso com setores da oposição.
Agência Brasil: Mas essa troca de declarações de hoje entre o presidente Eduardo Cunha e o ministro Jaques Wagner sobre quem mentiu sobre a barganha política com o Congresso não dificultam o diálogo?
Edinho Silva: Ninguém nega que o momento da política brasileira é um momento complicado, difícil, de instabilidade. É claro que estamos vivendo um momento de embate. Ontem tivemos um embate desencadeado, em torno desse embate, declarações são ditas e o governo, por mais que procure a construção da paz política, ele vai se defender. Toda vez que o governo achar importante se defender, ele vai se defender. Agora, acreditamos que o Congresso Nacional terá maturidade para enxergar os interesses do país, acima de toda essa disputa política que está colocada neste momento.
Agência Brasil: Em relação à defesa, passa por um embate direto com o presidente Cunha, com manifestações da presidenta, falando diretamente a ele?
Edinho Silva: O governo não quer embate com ninguém. Quem está no governo quer céu de brigadeiro, quer paz política. O melhor ambiente para se governar é a paz política. Agora, toda vez que o governo se sentir agredido, é evidente que vamos nos defender até para que a verdade prevaleça junto à sociedade. O governo vai exercer seu direito à defesa. Agora, não queremos, não estamos trabalhando para embate, para disputa, pelo contrário, estamos trabalhando e queremos continuar trabalhando para pacificação política do país. Mas quando for necessário, o governo vai se defender.
Agência Brasil: Vai haver alguma tentativa de conversa, de aproximação com algum setor da oposição?
Edinho Silva: As portas do governo estão abertas o tempo todo para o diálogo e para propostas, independentemente da filiação partidária das lideranças políticas, todos sabem disso.
Agência Brasil: Mas o governo vai procurá-los, vai bater na porta da oposição?
Edinho Silva: Quando tivermos uma sinalização de construção de uma agenda conjunta, o governo está aberto ao diálogo. Agora, essa construção é de mão dupla. O governo tem vontade política, mas a oposição também tem que querer construir uma agenda de interesse do povo brasileiro.
Agência Brasil: O governo já está fazendo um levantamento, uma estimativa do número de votos que terá no plenário da Câmara em caso de votação do processo de impeachment? Já sabe se vai conseguir o mínimo de 170 votos (para impedir a aprovação do impeachment)?
Edinho Silva: Não estamos preocupado com isso. Queremos é mostrar, primeiro, que não há nenhum fato que justifique um processo de impeachment. Como já disse, o impeachment tem que estar baseado num fato jurídico. Não temos um fato jurídico, o que existe é um grande embate político, onde estão usando esse instrumento para provocar uma ruptura institucional para o país para resolver questões que são políticas. Questões políticas se resolvem com debate e no processo eleitoral, que no Brasil acontece a cada dois anos. Não podemos resolver diferenças políticas com ruptura institucional, isso é uma inconsequência.
Agência Brasil: Não tem preferência: plenário, comissão especial? 
Edinho Silva: De forma alguma, vamos continuar trabalhando e mostrar que não existe nenhum fato jurídico que justifique um processo de ruptura institucional.
Agência Brasil: O vice-presidente Michel Temer, que tem um papel importante nesse cenário, ainda não se posicionou oficialmente sobre a decisão de Cunha e vai passar os próximos três dias em São Paulo. Na conversa que ele teve hoje com a presidenta Dilma ele realmente se ofereceu, como jurista e conhecedor da Constituição, a auxiliar a presidenta na defesa ou fez apenas uma análise de cenário?
Edinho Silva: Ele está com um problema particular, justificou isso à presidenta Dilma e por isso vai ficar em São Paulo. Não enxergamos isso como um problema. O vice-presidente Michel Temer tem tido uma postura extremamente correta com a presidenta Dilma, como o homem correto que é, como o homem íntegro que é, uma liderança política extremamente respeitosa. A trajetória do Michel é a trajetória de um democrata, de um estadista e essa tem sido a postura dele com a presidenta. Eles têm dialogado o tempo todo. Hoje, inclusive, ele retardou uma viagem para estar com a presidenta, num gesto que só pode ser interpretado como um gesto de solidariedade e de companheirismo. Ele suspendeu um voo e veio ao palácio conversar com a presidenta Dilma, num gesto que foi muito reconhecido por ela. Ele tem tido uma postura muito colaborativa com o governo, foi durante bom tempo o principal operador político do governo, com a reforma política e ministerial. Essa função passou a ser desempenhada pelo ministro Ricardo Berzoini, mas é importante que se diga que tivemos vitórias importantíssimas no Congresso sob a coordenação política do vice-presidente Michel Temer. Portanto, é alguém que colabora com o governo sempre que é chamado a colaborar. E o diálogo dele com a presidenta Dilma foi nesse sentido.
Agência Brasil: Mas houve pedido de colaboração jurídica? Ele é um constitucionalista conhecido...
Edinho Silva: Não sei. Boa parte da conversa ocorreu entre os dois, mas ele sempre tem tido uma postura colaborativa, uma postura de um estadista, de um democrata, de um líder que tem responsabilidade com o Brasil, com a estabilidade institucional e jurídica do país e ele e a presidenta Dilma tem dialogado o tempo todo nesse sentido. Penso que o papel de uma presidenta e de um vice é esse: um trabalho em sintonia, diálogo constante e esse espaço eles têm conseguido manter.
Agência Brasil: Não faltou uma nota, uma manifestação oficial do vice?
Edinho Silva: Não houve manifestação dele nem de boa parte dos ministros, porque essa é uma questão que se dá no momento certo, quando ele tiver a oportunidade. Não tem sentido ele soltar nota, como não tem sentido nenhum ministro soltar nota. Os ministros falam quando indagados pela imprensa, quando têm oportunidade de conversar. Tenho certeza que quando houver oportunidade de se manifestar, ele vai se manifestar como um democrata, um estadista que ele é.
Agência Brasil: Quais são os próximos passos da articulação do governo? A presidenta fará mais reuniões no fim de semana? A agenda de amanhã com o presidente eleito da Argentina, Maurício Macri, está mantida?
Edinho Silva: Não sei o que a presidenta reserva para o fim de semana, mas é evidente que, se tiver necessidade, ela vai chamar o ministro para o diálogo. Não estamos minimizando o momento que estamos vivendo, é um momento de instabilidade e que vai ser superado com o exercício da democracia e com o funcionamento das instituições brasileiras. A agenda com Macri está mantida.
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Petistas desistem de ação no STF para barrar processo de impeachment

Logo depois de ter entrado hoje (3) com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal para anular a decisão do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que aceitou pedido de abertura do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, deputados petistas desistiram da ação.
A decisão foi tomada após o ministro Gilmar Mendes ter sido sorteado relator. No pedido formal, os deputados Paulo Teixeira (PT-SP), Paulo Pimenta (PT-RS) e Wadih Damous (PT-RJ) solicitaram a desistência, sem explicar o motivo.  
Para os petistas, Cunha deflagrou o processo de impeachment com objetivo de retaliar o PT, pelo fato de três parlamentares do partido terem se manifestado esta semana a favor da abertura do processo de cassação dele no Conselho de Ética da Câmara. O presidente da Casa é alvo de investigação da Procuradoria-Geral da República sobre ter contas não declaradas em bancos na Suíça.
Com a retirada do mandado de segurança, duas ações para anular a decisão de Cunha tramitam no STF. Estão na Corte uma ação do PCdoB e outra do deputado federal Rubens Pereira Júnior (PCdoB-MA).
Supremo Tribunal Federal
Nos bastidores, os ministros da Corte admitem que terão que se posicionar sobre a legalidade da condução do processo pelos parlamentares, no entanto, consideram nula a chance do STF mudar a decisão de mérito do Congresso sobre eventual afastamento da presidenta Dilma, que só pode ocorrer se 342 deputados, número equivalente a dois terços dos parlamentares, votarem a favor.
Na avaliação do ministro Gilmar Mendes, o Tribunal poderá se posicionar novamente sobre a constitucionalidade da Lei 1.079/50, que regulamentou as normas de processo e julgamento doimpeachment, Para o ministro, a norma pode ter possíveis incongruências e imperfeições por ter sido feita sob a vigência da Constituição de 1946.
A questão sobre a validade da lei foi discutida em 1992, quando os ministros julgaram recurso do então presidente Fernando Collor para barrar seu processo de impeachment. Na ocasião, os magistrados decidiram que a lei foi recepcionada, em grande parte, pela Constituição.

ScienceCasts: Taking the Wild out of Wildfire #NASA

Publicado em 3 de dez de 2015
A new NASA-funded tool is taking some of the ‘wild’ out of wildfires by making it possible for U.S. fire managers to better spot dangerous blazes.

Active fire maps of the United States: http://activefiremaps.fs.fed.us




Licença: Licença de atribuição Creative Commons (reutilização permitida) Faça um remix com este vídeo.
Vídeos de origem: https://www.youtube.com/watch?v=NH7z4...


Visit http://science.nasa.gov/ for more.


Credit ScienceAtNASA

Lula defende rapidez na decisão do Congresso sobre o impeachment


Rio de Janeiro - O governador Luiz Fernando Pezão e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva falam à imprensa (Cristina Índio do Brasil/Agência Brasil)
O  ex-presidente Lula diz que o país não pode ficar esperando por muito tempo sem uma definição desta questão políticaCristina Índio do Brasil/Agência Brasil
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu rapidez na decisão do Congresso sobre o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Para ele, o país não pode ficar esperando por muito tempo sem uma definição desta questão política. Ele fez a declaração hoje (3) após se reunir por meia hora com o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, no Palácio Guanabara, sede do governo do Rio.
"A tarefa maior, neste instante, é não permitir que essa loucura que o Eduardo Cunha fez ontem tenha prosseguimento. Acho que é preciso decidir isso logo. Decide logo, porque se a gente for esperar passar o Natal, passar fevereiro, passar o carnaval, passar não sei das quantas, qual será o clima político deste país? Qual investidor que vai querer investir aqui no Brasil? Qual o empresário brasileiro que vai querer colocar dinheiro na economia, se o sistema político não tiver pelo menos apaziguado?", afirmou.
O ex- presidente sugeriu uma aliança dos governadores com Dilma, para não aceitarem a teoria do quanto pior, melhor. Ele informou que já existe um manifesto de governadores do Nordeste em apoio à presidenta. "Acho que o Pezão pode arregimentar muitos governadores para apoiar a presidenta Dilma. Inclusive, ele sugeriu, hoje de manhã, uma reunião com governadores, dentro do Palácio do Planalto, para dizer que impeachment é coisa de gente irresponsável.”
Lula disse que “aprendeu” a admirar Pezão enquanto estava na Presidência da República e quis fazer o encontro para saber como o governador está vendo o atual momento do país. Segundo ele, Eduardo Cunha não deveria colocar um problema pessoal acima dos interesses do país. Ele destacou que presidenta faz "um esforço incomensurável" para conseguir a aprovação dos ajustes necessários, enquanto o presidente a Câmara age ao contrário.
"Tem muitos deputados querendo contribuir, mas o presidente da Câmara, me parece, tomou a decisão de não se preocupar com o Brasil. Me parece que a prioridade dele é se preocupar com ele, quando este país de 210 milhões de habitantes é mais importante do que qualquer um de nós", ressaltou.
Para Lula, sem as reformas – que na sua avaliação estão demorando demais – a economia não vai voltar a crescer. "O país está, há um ano, passando por uma conturbação. A reforma que já era para ter sido votada está demorando demais, e sem aprovar a reforma a gente não consegue fazer a economia voltar a andar como ela deve andar.”
Ele destacou, ainda, que a decisão de Eduardo Cunha veio justamente no dia em que o governo conseguiu uma vitória no Congresso. "No dia em que a presidenta consegue aprovar as novas bases para o orçamento de 2015, o que a gente percebe é que ela recebe, como prêmio, um gesto de insanidade, com o pedido de impeachment dela. Acho que o Brasil não merece isso. Acho que as pessoas sérias deste país não podem aceitar isso", destacou.
Na avaliação de Lula, será por um motivo muito pequeno se a decisão do presidente da Câmara para dar andamento ao processo de impeachment tiver relação com uma falta de apoio de parlamentares do PT a ele, no Conselho de Ética. "Se isso estiver na cabeça de Eduardo Cunha é uma atitude muito pequena, subordinar um país inteiro, os interesses de mulheres, homens, brancos, negros e crianças deste país a uma visão corporativa, pessoal, de vingança. Eu quero crer que não seja verdade, porque se isso for verdade é muita leviandade.”
O ex- presidente descartou a possibilidade de Dilma ter feito barganha com Eduardo Cunha para não ter a abertura do processo de impeachment. "Eu conheço a Dilma, e é muito difícil alguém imaginar que a Dilma faz barganhas. É muito difícil", avaliou.
Lula criticou o tipo de oposição feita pelo PSDB e, ainda, os que que há um ano fazem "oposição sistemática" à presidenta Dilma. Ele disse que é normal ter oposição, lembrou que já fez, no passado, e chegou a dizer que ninguém perdeu mais eleições no Brasil do que ele, acrescentando que se houvesse olimpíada para isso, ganharia medalha de ouro para o país. "Acho que, neste momento, estamos vendo as pessoas tentando ver, na proposta de impeachment do Eduardo Cunha, uma chance de botar a discussão de outubro do ano passado.”

Escorpião amarelo pica morador na Lomba do Pinheiro em Porto Alegre, RS


Espécie é nova no estado e chegou pelo transporte de madeiras.
G1.GLOBO.COM

Não interessa a Dilma esticar processo de impeachment, diz Jaques Wagner

O ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, disse hoje (3), ao falar sobre os desdobramentos do pedido de abertura de impeachment acatado ontem (2) pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que a presidenta Dilma Rousseff  “está com pressa” e tem “preocupação não exclusivamente” com seu governo, mas “com o país”.
Brasília - O ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, durante coletiva após reunião de coordenação política com a presidenta Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto (Wilson Dias/Agência Brasil)
Brasília - O ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, durante coletiva após reunião de coordenação política com a presidenta Dilma Rousseff, no Palácio do PlanaltoWilson Dias/Agência Brasil
“Ela realmente quer apressar, não interessa ficar esticando isso. Ela prefere que eles [parlamentares] próprios tomem essa decisão. Não me parece razoável que o Parlamento [Congresso] se desligue. Já que se abriu um processo de tentar votar um impedimento, e esse impedimento é votado na Câmara, é meio estranho que as pessoas achem: 'Ah, tudo bem, vamos sair de férias e quando voltar a gente decide'”, afirmou o ministro em referência à possibilidade de o recesso parlamentar ser cancelado.
Após participar esta tarde da reunião convocada por Dilma, no Palácio do Planalto,  que contou com a presença de 23 ministros do governo, Wagner afirmou ainda que a presidenta vai buscar apoio de governadores e das organizações sociais, independentemente do partido e alinhamento político. 
"Não se trata só dos torcedores da presidenta Dilma. Queremos juntar os torcedores da institucionalidade e da democracia. Entendemos que a tentativa de utilização do processo de impedimento sem lastro previsto na Constituição afronta a institucionalidade e a democracia", disse o ministro.
Segundo Wagner, a partir da semana que vem, a presidenta deverá começar a se reunir com os governadores. "O guarda-chuva é maior do que a presidenta Dilma e o governo", disse. "Se a moda pega, vai começar a se banalizar um instrumento tão nobre como o impedimento. Se eventual ou passageira impopularidade é motivo para sacar alguém com mandato com prazo marcado, vamos entrar em uma democracia muito fragilizada", acrescentou. 

Cygnus Poised For Scientific Supply Run #NASA

Publicado em 3 de dez de 2015
Orbital ATK's Cygnus spacecraft is poised atop a United Launch Alliance Atlas V rocket for launch to the International Space Station on a NASA mission taking more than 7,300 pounds of equipment and supplies to the orbiting laboratory.

Dilma recebe o presidente eleito da Argentina, Mauricio Macri

A presidenta Dilma Rousseff recebe hoje (4) o presidente eleito da Argentina, Mauricio Macri. O encontro, a convite de Dilma, terá o formato de uma audiência, pois o argentino ainda não assumiu o cargo.
Segundo a assessoria de imprensa da Presidência, não há uma pauta específica para ser discutida, a intenção é tratar dos temas da agenda de integração bilateral, bem como de assuntos de interesse comum nos planos regional e internacional. O encontro está marcado para as 10h no Palácio do Planalto. O Brasil será o primeiro destino internacional do presidente eleito da Argentina.
O novo chefe de Estado e de Governo do país vizinho toma posse no próximo dia 10. A viagem ocorre em meio a divergências entre Macri e Dilma em relação à adoção da cláusula democrática contra a Venezuela no âmbito do Mercosul. A cláusula democrática prevê desde a aplicação de sanções comerciais atá a suspensão do país acusado de romper a ordem democrática, mas precisa de consenso para ser aplicada.
Em sua primeira entrevista após a eleição, na semana passada, Macri prometeu invocar a cláusula "pelos abusos que [o governo venezuelano] está cometendo, como a perseguição de opositores e [a suspensão] da liberdade de expressão”.
No dia 30 de novembro, durante entrevista em Paris, onde participou da abertura da Conferência do Clima, a COP21, Dilma discordou de Macri sobre posicionamentos a serem tomados no âmbito do Mercosul. Ela disse que não vai apoiar a utilização da cláusula democrática, como pretende o argentino, com o objetivo de retaliar a Venezuela.
Segundo a presidenta, é necessário um fato determinado para que a medida seja adotada no bloco regional que reúne, além dos três países, o Paraguai e o Uruguai. A próxima cúpula de líderes do Mercosul está marcada para o dia 21 de dezembro, na capital paraguaia, Assunção.
Após a visita a Brasília, Macri segue para São Paulo, onde vai se reunir com empresários.

Mendes rejeita desistência e nega pedido de liminar contra impeachment

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF),   negou hoje (3) pedido de desistência do mandado de segurança protocolado por deputados petistas para contestar a decisão do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de aceitar pedido de abertura do processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff.
O pedido foi feito pelos deputados Paulo Teixeira (PT-SP), Paulo Pimenta (PT-RS) e Wadih Damous (PT-RJ), horas após Mendes ter sido sorteado relator da ação.
Gilmar Mendes classificou a desistência como tentativa de fraude à distribuição processual. Para o ministro, o partido não pode escolher o juiz que vai julgar sua causa. Ele ainda determinou que a decisão seja encaminhada para a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para que a entidade apure eventual responsabilidade disciplinar do advogado da causa.
"Ninguém pode escolher seu juiz de acordo com sua conveniência, razão pela qual tal prática deve ser combatida severamente por esta Corte, de acordo com os preceitos legais pertinentes", argumentou o ministro. Após rejeitar o pedido de desistência dos deputados, Gilmar Mendes julgou o pedido liminar e rejeitou anulação da decisão de Cunha. Para o ministro, o ato do presidente da Câmara não foi ilegal pelo fato de Cunha estar em pleno exercício das suas funções.
"Eventuais interesses político-partidários divergentes da autoridade apontada como coatora [Cunha] em face da Presidente da República, que poderiam revelar, inclusive, a existência de inimizade, não significariam a violação das garantias decorrentes da organização e procedimento do processo vindouro, iniciado com o ato ora atacado", disse Mendes.
Para os petistas, Cunha deflagrou o processo de impeachment com objetivo de retaliar o PT, pelo fato de três parlamentares do partido terem se manifestado esta semana a favor da abertura do processo de cassação dele no Conselho de Ética da Câmara. O presidente da Casa é alvo de investigação da Operação Lava Jato por suspeita de corrupção.

Subprocuradora diz que houve negligência e omissão da Samarco em Mariana


Mariana (MG) - Rompimento de duas barragens de rejeitos ( produtos de mineração) da empresa Samarco deixou cenário de muita lama, barro e destruição. O que restou lembra uma cidade fantasma (Antonio Cruz/Agência Brasil)
Rompimento de barragem de rejeitos (produtos de mineração) da empresa Samarco em Mariana (MG) deixou cenário de muita lama, barro e destruiçãoAntonio Cruz/ Agência Brasil
As causas e os impactos do rompimento da barragem de rejeitos de mineração da Samarco, empresa controlada pela Vale e pela BHP Bilinton, em Mariana (MG) ainda estão sendo investigados. A subprocuradora-geral da República, Sandra Cureau, afirma que já é possível dizer que houve “negligência e omissão” da empresa no caso.
Em entrevista à Agencia Brasil, a coordenadora da Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do Ministério Público Federal disse que há vários indícios de descuido, como a falta de um plano de contingência e de controle técnico sobre o volume que a barragem de rejeitos suportava. “A coisa foi tão negligenciada que nem a Samarco sabia exatamente o que estava acontecendo. Eles chegaram a falar em duas barragens rompidas, mas só se rompeu a de Fundão. Quer prova maior de negligência que isso?”
Durante a conversa, Sandra defendeu que a Samarco deve arcar com todos os prejuízos, criminais e cíveis decorrentes do desastre. Ela explicou que se a empresa não puder pagar pelo estrago, as controladoras da mineradora, a brasileira Vale e a australiana BHP Billiton, podem ser acionadas. “Não vai ser o contribuinte que vai pagar pelos prejuízos do desastre”, declarou.
A onda de lama formada a partir do rompimento da barragem de Fundão, em 5 de novembro, destruiu o distrito de Bento Rodrigues e deixou mais de 600 desabrigados. Já foram confirmadas 11 mortes,  dois corpos aguardam identificação e oito pessoas estão desaparecidas. Desde que chegou ao Rio Doce, a lama impediu a captação de água em muitas cidades, provocou a morte de toneladas de peixes e destruiu a paisagem local, até alcançar o mar no Espírito Santo.
Confira os principais trechos da entrevista:
Agência Brasil: As causas do rompimento da Barragem de Fundão ainda estão sendo investigadas. Quais são as falhas já observadas no caso?

Sandra Cureau: Houve negligência e omissão por parte da Samarco, indiscutivelmente. Barragens de rejeitos são construídas, normalmente, mais ou menos baixas, e depois vão sendo elevadas, na medida em que se coloca mais e mais resíduos. No caso era lama - mas havia também mercúrio, havia resíduos até de outras mineradoras. Para fazer a elevação de barragens é preciso que haja  controle técnico, é preciso saber quanto a barragem vai suportar, até quando está segura. E isso não foi feito, tanto que a barragem simplesmente se rompeu de uma hora para outra.
A Samarco não tinha um plano de contingência, não tinha sirene, alarme ou qualquer maneira de avisar à população. A barragem ficava na parte mais elevada da região, juntamente com os escritórios da Samarco, enquanto a comunidade e o distrito todo ficavam na parte mais baixa. Se a empresa tivesse, por exemplo, uma sirene, as pessoas imediatamente saberiam que a barragem se rompeu e talvez todas tivessem sido salvas. Porque as pessoas que conseguiram fugir, subiram. Os que não conseguiram subir a tempo, morreram.
Em um primeiro momento, eles disseram que tinham avisado o prefeito de Mariana, depois já era o líder da comunidade, que ninguém sabe quem foi. Eu participei de uma audiência pública na Câmara Federal e foi passado o depoimento de uma moradora que disse que, na verdade, ninguém avisou ninguém. No primeiro momento, a Samarco se recusou a falar com a população.
A coisa foi tão negligenciada que nem a Samarco sabia exatamente o que estava acontecendo. Eles chegaram a falar em duas barragens, mas só se rompeu a de Fundão. Quer prova maior de negligência que isso?
Agência Brasil: As empresas que controlam a mineradora Samarco -  a Vale e a BHP Billiton - podem ser responsabilizadas legalmente pela tragédia?
Sandra Cureau: Não há dúvida de que a barragem pertencia à Samarco e também não há dúvida de que quem controla a Samarco são a Vale e a Billiton. A Billiton já tem um histórico de desastres mundo afora.

A denúncia criminal pode ser feita para uma pessoa jurídica, mas tem que envolver também as pessoas físicas dos diretores. Em princípio, a denúncia será contra a Samarco e os diretores da empresa. Na responsabilidade civil, se a Samarco se tornar insolvente, aí as controladoras podem ser chamadas. Se a Samarco não tiver bens, quem vai pagar são as controladoras. Não vai ser o contribuinte que vai pagar pelos prejuízos do desastre.
Agência Brasil: Como a senhora avalia a lei de segurança das barragens de rejeitos de mineração no Brasil?
Sandra Cureau: O grande problema no Brasil, em relação a praticamente tudo que diz respeito ao meio ambiente, é ter pessoas para fiscalizar o cumprimento das leis. Leis, a gente tem boas e bastante, mas não tem ninguém para fiscalizar. Por exemplo, há uma quantidade imensa de mineradoras em Minas Gerais. Mas pelo que se apurou, havia quatro fiscais na Fundação Estadual do Meio Ambiente, responsável por fiscalizar. E se não há fiscalização, não adianta a lei ser boa.
Agência Brasil: O Ministério Público faz essa fiscalização?
Sandra Cureau: Não faz porque não compete ao Ministério Público. O exercício do poder de polícia compete aos órgãos ambientais estaduais e federal. Pela lei que regulamenta o Artigo 23 da Constituição Federal, a maioria das atribuições do Ibama [Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis] foi repassada para órgãos estaduais, que hoje não têm gente.
Não adianta ter leis maravilhosas se a gente não tem uma maneira de cumpri-las. Ou seja, se são dadas licenças que não podem ser dadas, se não há fiscalização das atividades. Nessa área de mineração, é uma coisa muito comum a ausência de fiscalização.
E depois, normalmente, quando termina a atividade de mineração, as empresas vão embora, deixam ali um passivo horroroso e ninguém sabe como lidar com aquilo. Isso aí é comum. A gente sempre fala isso, o Brasil tem ótimas leis, agora elas não funcionam porque os órgãos que teriam que exercer o poder de polícia, no sentido de controlar se elas estão sendo cumpridas, não fazem isso.
Agência Brasil: O Ministério Público Federal e os estados de Minas Gerais e do Espírito Santo estão trabalhando de forma coordenada?
Sandra Cureau: Pedimos ao procurador-geral da República [Rodrigo Janot] a formação de uma força-tarefa com todos os procuradores envolvidos e mais um procurador de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, que atuou no caso de Cataguases (MG), porque ele tem experiência no assunto.
Estamos tentando aproximar o máximo possível a atuação dos dois ministérios públicos, de Minas Gerais e do Espírito Santo, e a atuação do Ministério Público Federal nos dois estados. Há uma intenção de trabalharmos conjuntamente.
A Câmara de Meio Ambiente atuou, com o procurador-geral, para a criação da força-tarefa e na contratação de uma empresa de perícia. Porque os nossos peritos, levando em conta a dimensão do desastre, não teriam condições de fazer o levantamento de todos os danos, de todos os prejuízos ao meio ambiente e às famílias que viviam do rio, sem deixar de fazer o resto do trabalho.
Agência Brasil: Especialistas dizem que os impactos da lama de rejeitos ainda estão ocorrendo. Já é possível estimar os prejuízos do rompimento da Barragem de Fundão?
Sandra Cureau: Um fato que influiu no nosso trabalho foi que, quando os resíduos do rompimento da barragem entraram no Rio Doce, tivemos que aguardar para ver até onde iriam, para ter uma dimensão dos danos. A gente precisa ter um levantamento total para poder ajuizar uma ação, daí a necessidade de fazer exames periciais. Porque o rio morreu, os peixes morreram. Os pescadores, que tiravam seu sustento do rio, não têm mais sustento. Os animais, que bebiam a água do rio, vão ser afetados. Tudo isso tem que ser levantado.
Para ajuizar uma ação, é interessante que já se tenha uma ideia, pelo menos, do tamanho do desastre. Mesmo não sabendo o valor do dano, mas pelo menos das dimensões do desastre. Em casos como esse, vale a pena aguardar mais um pouco e ter a dimensão total.
Agência Brasil: A senhora criticou o decreto da Presidência da República que autorizou as vítimas da tragédia a sacar o FGTS. Por quê?
Sandra Cureau: A presidenta baixou um decreto no qual dizia que, para fins da lei do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, se entendia como desastre natural o rompimento da barragem da Samarco. Não é um desastre natural. Não se pode dizer isso. O Executivo falou que teria sido para propiciar que as pessoas atingidas levantassem seu FGTS.
As pessoas atingidas devem levantar o FGTS para fazer face a alguma doença, ou à velhice, não para pagar um prejuízo que não causaram e no qual não tiveram nenhuma participação. Simplesmente se repassa o prejuízo para as vítimas e com um agravante. Se para tirar o Fundo de Garantia isso é considerado desastre natural, será que não vai poder ser usado depois pela defesa da empresa para tentar descaracterizar um desastre que não é natural?
E mais: a maioria daquelas pessoas é muito pobre, é um distrito muito pobre. Que grande FGTS essas pessoas vão ter? Elas ficaram sem casa, sem móveis, sem nada. É jogar para torcida. O Fundo de Garantia não tem essa finalidade. Quem tem que pagar os prejuízos é a Samarco, não são as pessoas com seu Fundo de Garantia.