STF propõe ao governo acelerar execuções fiscais para ampliar receitas

Numa tentativa de dar um novo fôlego para a arrecadação dos cofres públicos em 2016, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Ricardo Lewandowski, propôs nesta quarta-feira (2) à equipe econômica a adoção de mecanismos para acelerar a chamada execução fiscal - cobrança compulsória que se faz através do Judiciário daqueles que devem para o fisco federal, estadual e municipal.

De acordo com o ministro Joaquim Levy (Fazenda), a medida tem potencial para garantir "uma dezena de bilhão de reais", o que duplicaria ou triplicaria a arrecadação. Para o ministro, os recursos poderiam ser destinados ao pagamento de programas sociais e evitaria aumento de impostos.

A ideia é desburocatrizar o sistema de execução fiscal e ampliar o uso de mecanismos judiciais como mediação e conciliação para a conclusão dos processos, além de mutirões judiciais.

Segundo dados do governo, o valor da dívida ativa da União (aquelas em que não cabem mais recursos) é de mais de R$ 1 trilhão. Dos 100 milhões de processos em tramitação na Justiça em todo o país, 30 milhões dizem respeito a execução fiscal.

"Acelerar a execução fiscal é trazer o dinheiro necessário para a gente poder continuar executando as políticas sociais, para a gente poder continuar executando o investimento que é fundamental para o Brasil continuar", disse Levy.

"[É um trabalho conjunto] para a gente poder com total equidade ter os recursos para manter o governo funcionando sem ter que sistematicamente aumentar alíquota ou criar novos impostos, ainda que algum seja necessário de se fazer. Acho que vai de mãos dadas, com outras atividades, que o governo está fazendo para garantir a segurança da economia agora em 2016", completou o ministro.

OTIMIZAÇÃO

No encontro, que contou ainda com a presença do ministro Nelson Barbosa (Planejamento), foram discutidas as linhas gerais desse acordo que será oficializado. Será estabelecido um grupo de trabalho responsável por discutir as medidas para acelerar as decisões judicias. Há a possibilidade de propor mudanças na legislação.

O objetivo é que seja fixado ainda uma espécie de filtro para arquivar processos que tem menos probabilidade de terem sucesso e poder acelerar a análise pelo Judiciário naquelas ações que têm bens com uma causa muito clara e que portanto têm maior sucesso de resultado.

"Estamos discutindo iniciativas de melhoria de gestão da cobrança da dívida ativa, de otimização de processos dentro dos poderes do Estado brasileiro e isso gerará uma economia de recursos administrativos e uma receita adicional que vai contribuir para uma melhor execução orçamentaria ano que vem e todos os anos seguintes", disse Barbosa.

Para o ministro, "isso pode propiciar uma receita adicional ano que vem substancial". A expectativa é de que o grupo de trabalho apresente dados consolidados no início de o ano que vem, com uma proposta sobre os números reais do acordo.

Segundo Lewandowski, essa medida é uma colaboração do Judiciário com o Executivo diante da crise financeira. "É uma forma de arrecadarmos verbas para fazenda pública sem necessariamente termos que aumentar os impostos".
Fonte: Folha Online - 02/12/2015 e Endividado

CONSEQUÊNCIAS POLÍTICAS E ECONÔMICAS DO PEDIDO DE IMPEACHMENT ACEITO PELO PRESIDENTE DA CÂMARA DE DEPUTADOS!

1. Um momento que o Brasil nunca viveu antes: os presidentes do poder executivo e do poder legislativo estão sob processos de impeachment. A fragilização dos dois poderes tira de ambos poder de decisão e autoridade.
   
2. O impeachment da presidente foi apresentado por dois juristas renomados. A assessoria técnica-jurídica da Presidência da Câmara de Deputados entendeu que o pedido de impeachment tem base legal.
   
3. A tramitação do processo de impeachment, antes da votação final autorizando, passa por uma grande comissão especial, abertura de prazos para a defesa da presidente, retorna à comissão especial que analisa e debate, até que opina e encaminha ao plenário, que obedecerá novos prazos de contraditório, até ser colocada em votação.
   
4. Esse processo nunca ocorrerá em prazo inferior a seis meses, devendo a conclusão ocorrer no entorno da metade de 2016. Durante todo esse processo prevalecerá a incerteza com os desdobramentos políticos, econômicos e sociais relativos.
   
5. O processo político será estressado em nível parlamentar e especialmente nas ruas. A mobilização nas ruas estimulada pelas redes por um lado e por associações e sindicatos por outro e, claro, por militantes partidários, naturalmente tenderá à radicalização.
   
6. Haverá um amplo desdobramento internacional dividindo ainda mais a América Latina e afundando a credibilidade presidencial e parlamentar brasileira.
   
7. Se as previsões para 2016 eram muito ruins, certamente haverá um deságio sobre elas, tornando-as mais graves. A imprevisibilidade e os riscos indicarão que o fundo do poço pode ter qualquer profundidade.
   
8. Não haverá como projetar cenários. O quadro geral será de um clima de salve-se quem puder.

Ex-Blog do Cesar Maia

Escândalo da Petrobras ′engoliu 2,5% da economia em 2015′

Segundo cálculos de consultorias, sem Lava Jato, porcentual de queda do PIB seria cerca de um terço de recessão prevista

Não fosse o impacto da operação Lava Jato, a recessão brasileira seria bem menor, segundo Alessandra Ribeiro, economista da Consultoria Tendências.

Pelos cálculos da consultoria, a Lava Jato deve ter um impacto negativo de 2,5 pontos percentuais no PIB deste ano.

Por enquanto, a estimativa da consultoria é de uma retração na economia brasileira de 3,2% em 2015, embora o número deva ser revisado para uma queda ainda mais brusca em função dos resultados do PIB do terceiro trimestre, divulgados na manhã da última terça-feira pelo IBGE - e piores do que o esperado.

Descontados os efeitos econômicos atribuídos às investigações, a queda do PIB seria, portanto, de algo em torno de 0,7% e 1,3% (dependendo da revisão).

"A Lava Jato paralisou setores que têm um peso grande nos investimentos totais da economia, então é natural que tenha um impacto negativo expressivo no PIB no curto prazo", explica Ribeiro.

"O lado positivo dessa história é que as instituições estão funcionando e o risco de os corruptos serem pegos está aumentando - o que tende a limitar a corrupção no longo prazo."

Outra consultoria, a GO Associados, também estima um efeito da Lava Jato no PIB da mesma magnitude. Segundo seu levantamento, os impactos diretos e indiretos da operação poderiam ser de R$ 142,6 bilhões em 2015 - algo em torno de 2,5% do PIB.

"Trata-se de um cenário relativamente pessimista, mas que reflete o peso dessas empresas e setores para a economia", diz Fernando Marcato, sócio da GO Associados.

Petrobras e construtoras

Pelos cálculos da Tendências, os investimentos da Petrobras corresponderiam a 2% do PIB brasileiro e os aportes de grandes construtoras envolvidas no escândalo em obras de infraestrutura, 2,8%.

Em seu conjunto, portanto, os investimentos de todas as empresas envolvidas na Lava Jato chegariam a quase 5% do PIB, em um país em que o nível total dos investimentos varia de 17% a 20%.

Em função da Lava Jato, construtoras como a Odebrecht e a Camargo Correa, além da própria Petrobras, revisaram seus planos de investimentos, fizeram mudanças em sua estrutura organizacional ou em contratos com fornecedores e parceiros.

Só a Petrobras reduziu em mais de 30% o volume de investimentos previstos entre 2015 e 2019, por exemplo. E muitas empresas do setor de óleo e gás ou construção civil realizaram demissões.

A operação também teria elevado os risco derivados da maior dificuldade de financiamento das empresas, que podem não conseguir "fazer frente a suas obrigações", segundo a Tendências.

Longo Prazo

Para Marcato, da GO Associados, não há como garantir que o efeito econômico da Lava Jato será positivo no médio e longo prazo.

"É claro que o resultado de uma operação como essa pode ser uma melhoria institucional, mas se comprometer a própria existência de algumas empresas terá um efeito indesejado para a economia", acredita.

"Por isso, acho que uma caça às bruxas em estilo medieval não interessaria a ninguém, e precisamos discernir entre indivíduos que cometeram falhas e as empresas, que são grandes geradoras de emprego e devem ter sua capacidade de investimento preservadas."

O professor André Biancarelli, da Unicamp, lembra que nos EUA houve situações em que empresas ameaçadas de quebrar por práticas inadequadas de seus executivos foram salvas pelo Estado.

"Não acho que o combate à corrupção deva ser subordinado à necessidade das empresas, mas é natural que haja uma preocupação com preservar empregos e companhias em determinados setores da economia", diz.

Já o consultor da Transparência Internacional Fabiano Angélico discorda que essa deva ser uma preocupação no que diz respeito à Lava Jato.

"Toda a sociedade ganha com regras claras, um ambiente mais transparente e menos corrupção porque o sobrepreço tende a desaparecer nas obras públicas e os contratos são feitos de forma mais eficiente", diz ele.

"Se algumas grandes empresas que não agiam de acordo com as regras sofrem e são obrigadas a demitir, seus funcionários certamente vão encontrar trabalho em empresas médias que acharão mais espaço e mais oportunidades para operar no mercado."

No mês passado, questionado pela BBC Brasil sobre a possibilidade de o país sair prejudicado se as construtoras da Lava Jato quebrarem, o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa do Ministério Público Federal na Lava Jato, respondeu:

"Não temos dúvida de que o que prejudica a economia e a sociedade não é o combate à corrupção, mas a corrupção em si. Usando uma analogia do juiz Sergio Moro (responsável pela operação na primeira instância), não se pode culpar o investigador que achou o cadáver resultante de um assassinato. O responsável é quem matou a vítima."

Colaborou Adriano Brito, da BBC Brasil em São Paulo




Fonte: Estadão - 02/12/2015 e Endividado

Como se chegou à pior recessão desde os anos 90?

PIB do terceiro trimestre caiu 4,5% em relação ao mesmo período de 2014; confira cinco fatores que influenciaram

Em 12 meses, pelo menos 825 mil pessoas perderam seus postos de trabalho segundo o IBGE

No início do ano já se sabia que 2015 seria um ano difícil, mas poucos poderiam prever uma deterioração tão rápida e, ao mesmo tempo, persistente da economia brasileira.

Segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo IBGE, de julho a setembro o PIB do país se retraiu 1,7% frente ao segundo trimestre do ano e 4,5% frente ao mesmo período de 2014. Na comparação interanual trata-se da pior queda desde o início da séria histórica do instituto, em 1996.

"Inicialmente a previsão do governo era que a atividade econômica cairia nos dois primeiros trimestres de 2015 e começaria a se recuperar justamente de julho a setembro", lembra o economista da Unicamp André Biancarelli.

"O que aconteceu, porém, foi que o último trimestre foi o pior de todos. Ou seja, a crise ainda está se aprofundando e, infelizmente, não temos horizonte para uma melhora."

Até o governo, que em abril falava em uma contração da economia de 0,9% em 2015, agora já admite uma queda de 3,1% no PIB, o que seria a maior recessão desde 1990.

Nos últimos 12 meses, pelo menos 825 mil pessoas perderam seus postos de trabalho segundo o IBGE. Os investimentos se paralisaram e a renda dos trabalhadores caiu.

Para completar, ainda não parece haver luz no fim do túnel. Segundo previsões do Banco Central a recessão deve durar pelo menos mais três trimestres.

"Esperamos uma queda do PIB de - 3,2% em 2015 e - 2% em 2016, ou seja, dois anos consecutivos de recessão, algo que não se via desde 1930", diz a economista da Consultoria Tendências, Alessandra Ribeiro.

"Nessa toada, o risco é que o segundo mandato de Dilma Rousseff termine com uma média de crescimento negativa", acrescenta Biancarelli.

Mas, afinal, como a situação se deteriorou a esse ponto?

Economistas consultados pela BBC Brasil listaram cinco fatores que agravaram a recessão nos últimos meses. Confira:

1 – Lava Jato e preços do petróleo

Segundo cálculos da Tendências, a operação Lava Jato deve ter um impacto de -2,5% no PIB deste ano em função das paralisações nas atividades da Petrobras e de algumas das maiores construtoras do país.

Isso significa que, não fossem os efeitos das investigações nas empresas, a queda do PIB poderia ser de 0,7% na estimativa da consultoria – que hoje projeta uma retração de 3,2% para a economia em 2015.

Empresas como a Odebrecht e a Camargo Correa, além da própria estatal petrolífera, revisaram seus investimentos e os contratos com parceiros e fornecedores, além de ter feito demissões.

"O setor de óleo e gás e a construção civil têm uma participação importante no total dos investimentos da economia – então era esperado que o efeito fosse significativo", explica Ribeiro.

André Perfeito, da Gradual Investimentos, ressalta que a Petrobras também foi afetada pela queda dos preços do petróleo.

Em agosto de 2014, o barril (tipo brent) estava na casa dos US$ 100. Hoje, não passa dos US$ 50.

"Isso altera as perspectivas para os projetos do pré-sal e obriga a empresa a revisar alguns de seus planos", diz Perfeito.

2 – Crise política

Outro fator que teria prejudicado bastante o desempenho da economia na avaliação dos economistas foi a crise política.

"No início do ano a agenda do ajuste fiscal acabou capturada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB)", diz Perfeito.

"Surgiram problemas como a ′pauta bomba′ (medidas propostas pelo Congresso que aumentavam os gastos públicos) e o resultado foi que o processo de ajuste não caminhou tão rápido como se imaginava."

Otto Nogami, professor do Insper, acrescenta que a crise política também contribuiu para agravar o clima de incertezas, que inibe investimentos.

Ninguém no início do ano poderia imaginar que alguns grupos defenderiam um impeachment da presidente e que chegaria a haver dúvidas sobre capacidade de Dilma Rousseff terminar o mandato.

"E o resultado disso tudo foi uma deterioração rápida das expectativas de investidores para a qual também contribuiu a perda do grau de investimento (pela agência de classificação de risco Stardard & Poor’s)", opina Nogami.

3 – Aperto monetário e ajuste

Muitos analistas admitem que o aperto monetário e o ajuste fiscal mais duro do que era esperado também tiveram seu papel no aprofundamento da recessão.

Os cortes de gastos anunciados em um primeiro momento não se mostraram suficientes para o governo atingir a meta de superavit primário (economia feita para pagamento dos juros da dívida), o que levou a uma revisão sucessiva da meta para 2015 e novos enxugamentos.

Para alguns economistas, o ajuste não foi rápido e contundente como deveria ser. Já outros, de linha mais heterodoxa, o problema foi que o ajuste e o aperto monetário foram duros demais.

A questão é que a recessão levou a uma queda da arrecadação – e com isso o deficit fiscal em vez de cair, cresceu. No último relatório de receitas e despesas deste ano, por exemplo, o governo confirmou a intenção baixar a meta fiscal de 2015 para um déficit primário de R$ 51,8 bilhões, ou 0,8% do PIB.

"O ajuste não foi eficiente nem sequer para produzir seu objetivo direto, que era o superávit, quem dirá em gerar crescimento", diz Biancarelli, um dos críticos ao processo de ajuste.

Como a inflação ficou acima do esperado (analistas preveem que feche o ano na casa dos 10%), o Banco Central também aumentou os juros mais do que era previsto em uma tentativa de conter os preços.

Para Nogami, do Insper, não há como negar que tanto a política fiscal quanto a monetária foram e têm sido contracionistas, mas elas são um "mal necessário".

Ribeiro, da Tendências concorda: "Já vimos tentativas de recuperar a economia ampliando os gastos do Estado e elas sempre fracassaram."

Já Biancarelli acredita que há alternativas: "Uma taxa de juros mais razoável e uma recuperação dos investimentos públicos hoje poderia dar algum alívio a economia", diz ele.

4 – Queda no consumo


Para Nogami, a recessão brusca ocorreu em parte em função do estouro do que ele chama de "bolha do consumo".

Até o fim do ano passado, mesmo com a economia desacelerando, o mercado de trabalho ia relativamente bem. A renda real média dos trabalhadores crescia e o desemprego registrava recordes sucessivos de baixa – o que dava confiança para as famílias continuarem comprando.

Além disso, Nogami diz que, até 2014, foram adotadas uma série de medidas para estimular o consumo – como a expansão do crédito.

Neste ano, com o aumento do desemprego e enxugamento do crédito, o Brasil estaria vivendo a ressaca desse processo.

"Sem aquela demanda que vinha sendo inflada artificialmente, a indústria e outros setores estão sentindo a necessidade de reajustar sua estrutura, o que muitas vezes representa um aumento das demissões", diz Nogami.

"Além disso, o enxugamento dos gastos públicos também teve um efeito significativo na demanda, já que o governo é o segundo maior ′consumidor′ da economia, depois das famílias, respondendo por 22% dos gastos totais."

5 – Cenário externo

Para Biancarelli, o cenário externo também contribuiu para que o desempenho da economia brasileira fosse pior do que o esperado em 2015.

Ele menciona que o FMI revisou sucessivamente suas expectativas de crescimento para a economia global em 2015. Neste mês, por exemplo, a estimativa passou dos 3,3%, em julho, para 3,1%.

Entre os fatores externos mais relevantes para a economia brasileira estariam a queda nos preços nas commodities e a desaceleração chinesa.

Como resultado desses dois fenômenos, o valor negociado das exportações brasileiras caiu e, mesmo com o real desvalorizado, as exportações para a China tiveram baixa de quase 20% no primeiro semestre na comparação com 2014.

"Acho que está claro que, mesmo com o real em um patamar mais baixo, não vão ser as exportações que vão puxar a economia nos próximos meses, como em 2004", diz o economista da Unicamp.


Fonte: Estadão - 01/12/2015 e Endividado

Para governo federal, recessão traz risco de ′ruptura′ no próximo ano

A equipe de Dilma Rousseff considera que, para o país sair da recessão que se aprofundou no terceiro trimestre, será preciso resolver a crise política. Caso contrário, a economia vai "afundar" e o governo corre o risco de enfrentar um processo de "ruptura" no primeiro semestre de 2016.

Segundo assessores presidenciais, o tombo do PIB mostra que o governo precisa virar rapidamente a página do ajuste fiscal para recuperar a confiança de empresários e consumidor.

Em paralelo, a presidente encomendou à sua equipe um conjunto de medidas focadas na agenda de retomada do crescimento para ser divulgado até o início de 2016. Os ministros Nelson Barbosa (Planejamento) e Joaquim Levy (Fazenda) já discutem essas ações com o setor privado.

Para superar a crise política, o Planalto definiu que precisa encontrar uma fórmula de superar a instabilidade na base aliada. Uma iniciativa será buscar reaproximar o vice Michel Temer da equipe de articulação política.

Ontem, ele já foi convidado por Dilma para participar da reunião que discutiu a votação da mudança da meta fiscal deste ano.

A prioridade é aprovar a mudança da meta fiscal, a renovação da DRU (mecanismo que desvincula receitas da União) e projetos como o da regularização de dinheiro ilegal no exterior, além de encaminhar a votação da CPMF.

Para assessores presidenciais, se o governo não conseguir aprovar as medidas do ajuste fiscal e garantir Orçamento com superavit em 2016, haverá risco de a recessão no ano que vem ser tão forte quanto a de 2015, aumentando as pressões pelo impeachment.

Em nota, o Ministério da Fazenda afirmou que o desempenho do PIB veio pior do que o esperado e indica que o período de ajuste da economia se prolongou, em meio à persistência de incertezas econômicas e não econômicas, da queda dos preços das commodities e da fraca atividade econômica mundial.

A Fazenda destacou que contribuíram para a queda de 4% nos investimentos "os efeitos diretos e indiretos da redução dos investimentos da Petrobras".

A queda de 1,5% no consumo das famílias, afirma, reflete a perda do poder de compra devido à persistência da inflação.
Fonte: Folha Online - 02/12/2015 e Endividado

Luciana Genro, chefe do PSOL é contra o Impeachment

Luciana Genro, chefe do PSOL e fã de Fidel Castro e Hugo Chávez, anuncia que seu partido de 5 deputados federais é contra o Impeachment. Não fará nenhuma diferença mas isso só comprova, mais uma vez, que o PSOL é linha auxiliar do PT...

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Quase um mês após desastre, famílias aguardam auxílio da Samarco


Mariana (MG) - Distrito de Bento Rodrigues foi atingido pela lama devido ao rompimento de duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco (Antonio Cruz/Agência Brasil)
O distrito de Bento Rodrigues, atingido pela lama devido ao rompimento da barragem de rejeitos da mineradora SamarcoAntonio Cruz/ Agência Brasil
O representante dos moradores de Bento Rodrigues na comissão criada para representar as famílias mais atingidas pela lama de rejeitos de mineração em distritos de Mariana (MG), Antonio Pereira, disse hoje (2) à Agência Brasil que a mineradora Samarco começou a entregar o cartão de auxílio financeiro na última segunda-feira (30), mas os recursos ainda não estão acessíveis.
Em comunicado, a Samarco informou que o crédito nos cartões será realizado até o 5º dia útil de cada mês e o valor será retroativo ao dia 5 de novembro. “O auxílio financeiro não representa nenhuma indenização por perdas e danos e é pago mesmo que a família receba benefícios sociais como o Bolsa Família e aposentadoria”, informou a empresa.
A medida é uma recomendação do Ministério Público de Minas Gerais, que quatro dias após o rompimento da barragem de Fundão, no dia 5 de novembro, enviou documento à mineradora Samarco, pedindo ações imediatas de garantia dos direitos das vítimas, entre elas o pagamento de um salário mínimo por família atingida, mais um adicional de 20% para cada um dos dependentes e cesta básica.
O objetivo da medida é oferecer a essas pessoas uma alternativa para pagamentos de despesas pessoais, “como contas de cartão de crédito e prestações de eletrodomésticos, por exemplo”, disse o ex-morador de Bento Rodrigues, Antonio Pereira. “Muita gente trabalhava por conta própria e agora não tem nada”, relatou.
Segundo Pereira, além de reclamarem da demora para o início do pagamento, os moradores também avaliaram que o valor proposto é insuficiente. Ele destacou que a comissão de pessoas atingidas pediu o reajuste do valor, em encontro com o presidente da Samarco, Ricardo Vescovi, nesta terça-feira (1). “Pedimos o reajuste do valor do benefício para R$ 1,5 mil reais mensais por famílias, mais 30% por dependente, além de uma verba de reestruturação no valor de R$ 10 mil reais”, afirmou.
A comissão de moradores também propôs que a Samarco dê preferência aos atingidos, no caso de contratações para as atividades de reconstrução das áreas atingidas, como a triagem de doações e a construção das casas, por exemplo. Pereira informou que a resposta oficial da Samarco às demandas das vítimas será dada em reunião marcada para esta quinta-feira (3), às 18h.
Pereira e a família viviam em Bento Rodrigues até a lama destruir todo o distrito. Ele trabalha como motorista e está comemorando o fato de não ter perdido o emprego após a tragédia, diferente da maior parte do grupo que representa. "A maioria das famílias que perderam os lares em Bento Rodrigues, Paracatu, Pedras, Camargos, Ponte do Gama e Campinas também perderam, temporariamente, a fonte de renda, e agora estão em hotéis ou moradias temporárias, dependendo da Samarco para tudo, inclusive alimentação."

Sérgio Moro condena ex-executivos da empreiteira Galvão Engenharia

O juiz federal Sérgio Moro, da Justiça Federal em Curitiba, condenou hoje (2) ex-executivos da empreiteira Galvão Engenharia, investigada na Operação Lava Jato. Na sentença, o ex-presidente da empresa Dario de Queiroz Galvão recebeu a pena de 13 anos e dois meses de prisão, e os ex-executivos Erton Medeiros, 12 anos e cinco meses, e Jean Alberto Luscher Castro, 11 anos e oito meses.
Na decisão, Sérgio Moro entendeu que a empreiteira participou do cartel de licitações na Petrobras. Segundo o juiz, o rastreamento do fluxo financeiro entre a empreiteira e as contas controladas pelo doleiro Alberto Youssef confirmam a existência do esquema criminoso. As provas também foram obtidas por meio dos acordos de delação premiada do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.
"Ambos declararam que grandes empreiteiras do Brasil, entre elas a Galvão Engenharia, reunidas em cartel, fraudariam as licitações da Petrobras mediante ajuste, o que lhes possibilitava impor nos contratos o preço máximo admitido pela referida empresa", disse o juiz.
Em nota, a empreiteira afirmou que vai recorrer da sentença. "Respeitamos a decisão de primeira instância da Justiça Federal, mas não concordamos com a condenação noticiada. Vamos recorrer da sentença, com a convicção de que a inocência dos executivos e ex-executivos do Grupo Galvão será reconhecida pela Justiça após o devido processo legal", diz o texto.