Corte no Fies leva alunos e universidades a contraírem dívidas

por FÁBIO TAKAHASHI e THAIS BILENKY

Em meio a restrições impostas neste ano pelo governo Dilma ao Fies, alunos e faculdades têm adotado alternativas para evitar a desistência em massa de calouros.

Algumas instituições decidiram arcar com parte do gasto que alunos terão no novo formato. Já os estudantes têm recorrido a empréstimos bancários, ainda que não consigam suportar as despesas.

Sem anúncio oficial, a União já tornou mais dura neste ano, em meio à crise orçamentária, as regras para financiar a mensalidade dos alunos. As instituições dizem que foram fixadas medidas como teto para mensalidades, além de dificultar a inscrição em cursos sem nota 5 na avaliação federal (de 1 a 5).

Escolas e alunos reclamam que passam dias tentando fazer a inscrição, sem sucesso. Há filas em instituições, como a FMU, de estudantes que tentam obter cadastro. A inscrição tem sido mais difícil para os novos, mas os que precisam renovar também se queixam.

Inscrita no Fies, Amanda Betega, 20, pediu transferência de faculdade no semestre passado e, desde então, ficou descoberta. A dívida com a Anhembi Morumbi chega a R$ 6.000, e sua matrícula foi barrada. Para não perder conteúdo, ela tem frequentado as aulas como ouvinte. Mas convive com a ameaça de que a catraca será trancada.

"Estou sendo tratada como um nada. Mas é culpa do governo, não minha", diz.

Trancar a matrícula custaria o mesmo que cursar o primeiro semestre na Unip. Por isso, Adriana Almeida, 23, pediu para o namorado contrair uma dívida no banco -ela não tem conta corrente.

Egressa da rede pública, a aluna contava com o Fies para realizar o sonho da família de completar o ensino superior, mas já se foram duas mensalidades e ela ainda não conseguiu se inscrever.

"Não tenho como pagar. Não sei se vou continuar", disse. "Estou revoltada. O Fies, ao mesmo tempo que abriu, fechou uma porta."

"Estamos sentindo que há limitação de vagas. Mas os critérios são obscuros, ninguém falou claramente", disse o diretor financeiro do grupo Estácio de Sá, Virgílio Gibbon.

A instituição decidiu firmar parceria com empresa que oferece empréstimo privado, o Pravaler. A escola vai pagar o que seria cobrado de juros dos alunos; a estes, caberá pagar a mensalidade, de forma escalonada, e a inflação.

Uma faculdade privada na Grande SP, que pede para não ser identificada por temer retaliação, disse que cobrará dos alunos a diferença entre a mensalidade fixada pelo ministério e o valor "real". A defasagem estaria perto de 30%.

Segundo as escolas, na definição do teto da mensalidade, o governo aplica 6,5% de reajuste, referente à inflação. Mas faculdades reclamam que o dissídio para professores e contas como água e luz geram aumentos maiores.

PROBLEMA TÉCNICO

O secretário-executivo do Ministério da Educação, Luiz Cláudio Costa, afirma que tem havido dificuldades técnicas no site devido a uma carga maior de acessos.

Mas, diz ele, "todos os mais de 1,9 milhões que já possuem financiamento terão os contratos aditados [renovados]".

A sobrecarga no site ocorre porque a pasta deixou esse sistema fechado por cerca de um mês no início deste ano, sob a alegação de que estava sendo atualizado.

Em relação a alunos que querem ingressar no programa neste ano, Costa afirmou que haverá "número significativo" de novos contratos, mas que a quantidade final depende da demanda pelo programa e em quais cursos querem se inscrever (se for nos que possuem nota 3, haverá mais dificuldade).

O secretário negou que os novos critérios do programa sejam "obscuros". "Estamos nos reunindo constantemente com as instituições, dialogando com estudantes."

Editoria de Arte/Folhapress





Endividado


Fies terá vagas de financiamento limitadas e sistema unificado

por FÁBIO TAKAHASHI e THAIS BILENKY

O governo Dilma Rousseff decidiu mudar a concessão de recursos pelo Fies, maior programa de financiamento estudantil do país, com quase 2 milhões de alunos.

Bandeira da gestão petista que teve uma explosão de gastos nos últimos anos, ele contará com um novo sistema unificado on-line que limitará a quantidade de financiamentos concedidos em cada curso e cada faculdade.

O aluno que adere ao Fies tem a mensalidade bancada pelo governo em instituição privada. O valor é restituído à União após a formatura.

Atualmente a intermediação do programa ocorre diretamente em cada faculdade e não existe nenhum limite divulgado oficialmente para a concessão de vagas.

Até 2014 conseguia acesso ao financiamento praticamente todo mundo que pleiteava vaga em curso com nota 3 ou superior em avaliação federal (que vai de 1 a 5).

Neste ano, em meio à crise orçamentária, já estão sendo aplicados novos critérios para conceder financiamento –embora sem anúncio oficial.

Na prática, foram impostos alguns obstáculos (como teto das mensalidades) que estão dificultando as inscrições, revoltando alunos e provocando filas nas faculdades à espera de cadastros.

O próximo passo será uma mudança geral no Fies, provavelmente a partir do segundo semestre deste ano.

O secretário-executivo do Ministério da Educação, Luiz Cláudio Costa, disse à Folha que a pasta já tomou a decisão de criar um sistema unificado do Fies nos moldes do Sisu (que distribui vagas das universidades federais).

A definição da quantidade de vagas no Fies considerará, primeiramente, a verba do Orçamento disponível.

A partir daí, a distribuição seguirá critérios de qualidade (quanto maior a nota do curso, mais financiamentos) e proporcionalidade (quantos alunos pedem financiamento para determinado curso historicamente).

Segundo Costa, a lógica já está sendo aplicada num momento de "transição".

Nesta quarta-feira (11), pela primeira vez, a pasta reconheceu que as mudanças no programa neste ano foram tomadas também devido a restrições orçamentárias. O discurso até então era de garantia de qualidade ao ensino.

O Fies foi reformulado em 2010 para catapultar um aumento de matrículas. Os juros da dívida do aluno passaram de 6,5% para 3,4% ao ano –financiamentos privados chegam a 2% ao mês.

O total de financiados saltou de 76 mil em 2010 para 1,9 milhão em 2014. O gasto federal no programa explodiu de R$ 1 bi para R$ 14 bi.

No fim de 2014, foi fixado que os alunos devem ter 450 como nota mínima no Enem. Até então, não havia trava. A União também passou a demorar mais para repassar verbas para faculdades.

O secretário-executivo, em audiência no Congresso, citou portaria de dezembro, que determinou que a União fará oito pagamentos às faculdades em 2015, em vez dos tradicionais 12. "Essa portaria foi feita simplesmente pensando na questão orçamentária deste ano."

Editoria de Arte/Folhapress
Fonte: Folha Online - 12/03/2015 e Endividado


A grama do vizinho é realmente mais verde?

por Samy Dana

A inveja é um sentimento natural - não é à toa que ela está nos dez mandamentos. Desejar o que os outros têm, ainda mais em tempos tão consumistas, não é nenhuma novidade. No entanto, será que todas as posses do seu vizinho são mais valiosas do que as suas - e que a grama dele é mais verde?

Esse ditado vai contra a pesquisa sobre o "efeito dotação". De acordo com estudos, nós tendemos a valorizar mais o que é nosso.

É este efeito que está por trás do fenômeno da reforma de apartamentos: todo casal que vai reformar acredita que assim vai conseguir valorizar o imóvel. Afinal, quem é que não pagaria a mais por tantas melhorias? A reforma não é o problema em si - ainda mais se ela focar apenas nos aspectos estruturais e em melhorias genéricas do apartamento, como hidráulica, elétrica e instalação de ar condicionado.

Contudo, mudanças mais radicais –como trocar os banheiros de lugar ou reduzir o número de quartos– não necessariamente agregam valor ao imóvel. Pelo contrário, podem, inclusive, depreciar o valor

Para os donos atuais do apartamento, parece óbvio que qualquer outra família amaria morar ali - e pagaria um prêmio por um apartamento tão bem cuidado. Todavia, quem procura um apartamento pode não desejar ter uma banheira no quarto do casal e, desta forma, não ver valor na reforma.

Isto explica porque tantos imóveis demoram a ser vendidos: a percepção de valor do proprietário pode ser muito superior à dos compradores. Quando ninguém mais vê tanto valor como você naquele lindo apartamento reformado, muitos preferem esperar para encontrar o comprador perfeito, a aceitar uma queda no preço.

Quanto mais apaixonados somos pelo bem - seja ele uma casa, um carro ou até um time de futebol -, mais distorcida será a nossa percepção do seu preço (ou valor). É o que está por trás da inflação constante de preços de imóveis do índice Fipe Zap - todos acham que seu imóvel é mais especial e, portanto, mais caro que os demais.

Em um experimento realizado por Daniel Kahneman e Richard Thaler, objetos de consumo simples, como canecas e canetas, eram distribuídos de forma aleatória para um grupo de estudantes. A ideia era ver quantos estariam dispostos a trocar a sua caneca por uma caneta, ou vice-versa.

Os autores descobriram que o volume de trocas era muito mais baixo do que o esperado: quem recebeu uma caneca estava feliz com ela, assim como que recebeu uma caneta.

A discussão é válida para avaliarmos nosso apego aos nossos bens de forma mais racional.

Se você quiser fazer uma reforma mais radical no seu novo imóvel, pense duas vezes: será que as mudanças são válidas para todos, ou você só está fazendo uma racionalização (a mudança vai valorizar o imóvel) para justificar um desejo seu? Se for o segundo caso, tome cuidado: por causa do efeito dotação, você pode ter criado uma percepção de valor que não corresponde à realidade.

Post em parceria com Carolina Ruhman Sandler, jornalista, fundadora do site Finanças Femininas e coautora do livro "Finanças femininas - Como organizar suas contas, aprender a investir e realizar seus sonhos" (Saraiva).
Fonte: Folha Online - 12/03/2015 e Endividado

50 mil trabalhadores perderam emprego no Rio com o escândalo da Petrobras

Suspensão de obras devido à Operação Lava Jato transformou eldorados em uma nação de desempregados desesperada em busca de novas frentes de trabalho. Em casa, a família passa necessidades com pouca comida e a moradia ameaçada

O Dia Rio - Eles não participaram das negociatas, nem meteram a mão em um centavo sequer da Petrobras e muito menos formaram cartéis para burlar as licitações. Mas, antes mesmo de políticos e empresários envolvidos no escândalo sentarem nos bancos dos réus, pelo menos 50 mil trabalhadores do Rio de Janeiro já foram condenados na Operação Lava Jato. São os primeiros sentenciados numa história onde mocinhos e bandidos trocam de lado e os operários é que vivem atrás de grades invisíveis, presos ao desemprego, à redução bruta dos salários, ao fim do sonho de tocar o próprio negócio e assiste à queda de pequenas empresas, algumas com mais de meio século.

Até a pensão dos filhos de João Hamílton ficou comprometida após ele perder o emprego de montador. Foto:  Alexandre Vieira / Agência O Dia

O Rio de Janeiro é o estado economicamente mais dependente da indústria de óleo e gás e o levantamento realizado junto às prefeituras das cidades ligadas à extração do petróleo e com obras da Petrobras expõe o tamanho da crise desde que empresários citados na Lava Jato foram para a cadeia: cidades pequenas e pacatas se transformaram em quase metrópoles e incharam o número da população com a constante oferta de empregos. Foram as primeiras atingidas pela suspensão de obras e patrocínios da estatal, sem contar a queda na arrecadação de royalties por causa do preço do barril de petróleo. Resultado: hoje tem um exército de mão de obra de braços cruzados.

A peça mais sensível neste efeito dominó está na mão de obra imigrante, que atraída pelos bons salários deixou o Nordeste e Minas Gerais para trabalhar na Petrobras e, longe da família, que sem emprego se transformou nos ciganos do petróleo. E tem como símbolo 20 baianos que há três anos desembarcaram no Comperj e ocuparam uma humilde vila de casas em Itaboraí,

com a perspectiva de ficar até 2016. A partir de dezembro, o eldorado negro ficou russo, e a redução de três mil postos de trabalho levou uma parte dos operários a fazer o caminho de casa. “O dinheiro foi acabando. O pessoal deixou tudo: TV, cama, armário. Não tinha gente para comprar e nem grana para levar”, detalha o montador João Hamilton Macedo, 37 anos, um dos últimos sete operários a continuar na vila, aonde só um continua empregado.

A persistência, até agora, só fez aumentar as dívidas. Amarga quatro meses de atraso no aluguel,
está com cartões bloqueados, luz cortada e, quase sempre, a comida só chega graças à solidariedade dos vizinhos. “É vergonhoso, mas há três meses praticamente vivo de favor. Até para comer”, conta o constrangido montador,. Ele foi obrigado a cortar até o dinheiro da pensão dos dois filhos, que ficaram em Camaçari (BA), e há dias que se mantém graças à dieta forçada de água e biscoito. Nem na pior seca nordestina enfrentou tantas vezes o prato vazio.

Veja o drama dos trabalhadores. Clique na imagem acima para ver o infográfico completo

Foto:  Arte: O Dia Online

Não é falta de tentar. Todos os dias, Hamilton segue uma rotina de trabalho bem conhecida dos quase 12 mil desempregados de Itaboraí — segundo estimativa do Sindicato dos Montadores e da prefeitura: levanta cedo e percorre pelo menos três escritórios de empresas que ainda mantêm obra no Comperj para deixa o currículo. “Outro dia, uma abriu vaga para 20 montadores. Quando chegou a minha vez, já tinha acabado. É assim, preenche rápido. Tem muita gente parada aqui”, se resigna Hamílton.

Os poucos empregos oferecidos viram trosegue uma rotina de trabalho bem conhecida dos quase 12 mil desempregados de Itaboraí — segundo estimativa do Sindicato dos Montadores e da prefeitura: levanta cedo e percorre pelo menos três escritórios de empresas que ainda mantêm obra no Comperj para deixa o currículo.“Outro dia, uma abriu vaga para 20 montadores. Quando chegou a minha vez, já tinha acabado. É assim, preenche rápido. Tem muita gente parada aqui”, se resigna Hamílton. Os poucos empregos oferecidos viram troféus.

Com 35 mil candidatos a um emprego cadastrados entre janeiro e março e apenas 1.100 enviados à entrevista em empresas, o gerente do Sine-Itaboraí reconhece a dificuldade de encontrar trabalho nas indústrias e comércios da região. “Vivemos um momento difícil, mas acho que pode complicar daqui a dois meses”, antecipa Anderson Santana, baseado numa simples análise: é quando acaba o pouco dinheiro que ainda há no bolso dos operários, graças à sobra da indenização e do seguro-desemprego. Anderson lembra da dificuldade em preencher as vagas no auge dos empregos, em 2012. “Caçava empregados até nos cursos. Tirei caldereiro da sala de aula direto para o Comperj”, recorda.

Tempo dourado acompanhado pelo mecânico Alex Correia Reis, 35 anos, outro baiano que se aventurou pelo Rio no rastro da riqueza do petróleo. Trabalhou em estaleiros em Niterói por três anos até conseguir uma vaga na Construtora Alusa e entrar no Comperj. A gordura na conta bancária levou a família a planejar o terceiro filho. Agora, seria um carioca. O sonho do salário alto e da prosperidade se transformou em pesadelo em dezembro. Atingida pela Operação Lava Jato, a empresa parou as obras e, no mês passado, pediu recuperação judicial. Deixou três mil trabalhadores sem empregos e sem pagamento. Pior: como oficialmente os operários não foram dispensados, o vínculo continua ativo e nem Alex ou nenhum outro funcionário consegue assinar novo contrato. Para fazer dinheiro, vendeu geladeira, cama, ar-condionado e foi se desfazendo dos bens. Perdeu a casa por falta de pagamento e só não parou na rua devido à ajuda de um vizinho, que, sensibilizado com o nono mês de gestação de Jaqueline Mendonça Simão, 30 anos, deu abrigo temporário à família num quarto-sala, em Guaxindiba. A alimentação consegue com doações ou com os pingados biscates. “Ninguém tem dinheiro para pagar.

Troco trabalho por comida”, destaca o mecânico, preocupado com a interrupção do pré-natal da mulher e a indefinição do local do parto desde que perdeu o plano de saúde. “Acho que não vai precisar de cirurgia. Estava tudo indo bem, mas não sei se na hora vai ter vaga no hospital”, admite a tensão, amenizada com a doação do enxoval, feito com peças usadas. “É mais um menino”, alegra-se por instantes. A história da busca do eldorado negro também enfeitiçou o mineiro Márcio Neuri Rodrigues Santos, 26 anos. Não teve dúvidas de pegar mulher e a filha e desembarcar na rodoviária de Itaboraí com proposta de emprego na Construtora RG. “Estava tudo certo com um encarregado.

Ele fez contato e chamou, mas não encontrei ninguém.” Já era tarde. O período de vacas gordas
tinha passado e bateu com a cara na porta. Trabalhou por dois anos no Porto do Açu, mas acabou dispensado com o suspensão da obra. Sem opções, o destino lhe pregou uma peça: só encontrou emprego num lava jato. O mesmo destino de outros dois jovens demitidos em dezembro e janeiro do Comperj. Washington Danilo da Silva e Alas Evangelista perderam o trabalho no Consórcio TUC e na Construtora Barbosa Melo e só conseguiram vaga no Lava-Jato do Buiu e Ducha do Zé. Aliás, Itaboraí pode ser considerada a capital fluminense dos lavas-a-jato. O Câmara dos Dirigentes Lojistas estima em 50 estabelecimentos legais — embora a maioria está na economia informal. Os jovens sentem a redução brusca dos salários. Nas empresas faturavam até R$ 2,3 mil, algo impossível de conseguir em cidade vizinha — principalmente no período que a redução empregos leva a contração dos vencimentos.

O sonho de uma vida melhor que encantou os trabalhadores de Itaboraí, também criou esperanças a poucos quilômetros dali, em Rio Bonito. Tão logo o Comperj começou a ser erguido, e pedreiros, que ganhavam R$ 80 por dia, quiseram trocar os modestos vencimentos pela perspectiva de ganhar R$ 3 mil. Na jornada de volta, além da decepção, os trabalhadores mantêm o sonho de um salário melhor. “Como a gente vai fazer? Eles querem ganhar a mesma coisa...”, lamenta o secretário de Fazenda Marcelo Soares, ao falar de um entre vários dos problemas enfrentados pela cidade.

É justamente a redução no poder aquisitivo a herança mais temida pelos soldadores Renato Silva Pereira, 48 anos, e Nicolas Gonçalves Pereira, 21. Pai e filho perderam o emprego com a suspensão das obras da Lusa e sabem que no mercado fora da Petrobras será impossível ver salários na casa dos R$ 10 mil e R$ 12 mil. No máximo, chegará a R$ 4 mil.

Participaram desta reportagem Caio Barbosa, João Antônio Barros, Leandro Resende, Luísa Brasil e Nonato Viegas
Fonte: O Dia Online - 12/03/2015 e Endividado


Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, presta depoimento à CPI da Petrobras

Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, presta depoimento à CPI da Petrobras. Acompanhe AO VIVO: http://glo.bo/1lPw7dt


Inadimplência motivou suspensão do Minha Casa Melhor, diz a presidente Dilma

o confirmar, nesta sexta-feira, 6, que o governo suspendeu o programa Minha Casa Melhor, a presidente Dilma Rousseff atribuiu a medida ao alto índice de calote. A suspensão do programa, criado em 2013 para oferecer taxas de juros mais vantajosas para compra de móveis e eletrodomésticos, foi revelada pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, no dia 26 de fevereiro. A presidente não comentou, mas o programa foi interrompido diante do cenário de restrição fiscal.

Para operar o programa, a Caixa recebeu do governo uma capitalização de R$ 8 bilhões em junho de 2013. Do valor total, R$ 3 bilhões foram direcionados para financiamentos do programa. O Broadcast apurou que esses R$ 3 bilhões foram desembolsados até o final do ano passado, 18 meses após o lançamento do programa. Os outros R$ 5 bilhões foram para outra operação. Ou seja, não há mais recursos para bancar o custo financeiro e os juros mais baixos.

Em Araguari, no Triângulo Mineiro, a presidente entregou 710 moradias do programa Minha Casa, Minha Vida, a famílias que ganham até R$ 1,6 mil por mês. Cada casa tem área privativa de 44 metros quadrados e está avaliada em R$ 60 mil. Durante o discurso, a presidente se comprometeu a dar continuidade ao programa habitacional, mas ponderou que, neste momento, o governo está fazendo ajustes e avaliando as condições para o lançamento efetivo da terceira etapa do programa. Entre os desafios, está a construção de empreendimentos em cidades grandes, onde os terrenos têm um custo mais caro.
Fonte: opovo.com.br - 06/03/2015 e Endividado


Facebook elimina status ′sentindo-se gorda′ após mobilização on-line

O Facebook removeu nessa terça-feira (10) a opção de status "sentindo-se gorda", na seção em que usuários descrevem como estão se sentindo naquele momento.

Um grupo chamado Endangered Bodies ("corpos em risco de extinção") lançou uma petição para convencer o Facebook de retirar essa opção do ar.

Reprodução/change.org
Apoiadores da petição afirmam que
Apoiadores da petição afirmam que "gordura não é sentimento"
De acordo com o Washington Post, para os apoiadores da iniciativa, colocar "sentindo-se gorda" acompanhado de um emoticon sorrindo como uma opção de status acaba normalizando a prática das pessoas de criticar os corpos umas das outras e reforça uma imagem negativa, principalmente para pessoas que sofrem de distúrbios alimentares.

Tal petição tomou grande proporção e teve mais de 16 mil assinaturas, o que levou o Facebook a retirar essa opção de status.

A mudança foi revelada em mensagem no site change.org nesta semana. A empresa diz que "continuará escutando os feedbacks para ajudar as pessoas a se expressarem no Facebook".

No entanto, nota-se que ainda existe a opção de status "sentindo-me feio" na rede social.
Fonte: Folha Online - 11/03/2015 e Endividado

Taxa de juros do cartão de crédito chega a 276% ao ano, mostra Anefac

A taxa de juros do cartão de crédito rotativo atingiu em fevereiro o patamar de 276% ao ano, o maior nível desde julho de 1999, de acordo com pesquisa da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) divulgada nesta quarta-feira (11).

Segundo a associação, os juros do cartão de crédito passaram de 11,22% ao mês em janeiro (ou 258,26% ao ano) para 11,67% ao mês (ou 276,04% ao ano) em fevereiro, pressionados pelas recentes elevações do juro básico (Selic) pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central).

Os aumentos da Selic também fizeram com que os juros médios ao consumidor atingissem, em fevereiro, o maior nível desde novembro de 2011. A taxa para pessoa física passou de 6,39% ao mês em janeiro (ou 110,29% ao ano) para 6,6% ao mês em fevereiro (ou 115,32% ao ano).

Os juros no cheque especial também subiram e atingiram o maior valor em quase 12 anos. A taxa média cobrada em fevereiro foi de 9,44% ao mês (ou 195,2% ao ano), ante 9,14% ao mês (ou 185,63% ao ano) em janeiro. É o maior nível desde julho de 2003.

De acordo com a Anefac, o atual cenário econômico eleva o risco de inadimplência, ao aliar inflação elevada com juros maiores, comprometendo a renda das famílias.

"Soma-se a esse cenário o baixo crescimento econômico, que deve promover o crescimento dos índices de desemprego, além das expectativas para 2015, que levam as instituições financeiras a aumentarem suas taxas de juros para compensar prováveis perdas com a elevação da inadimplência", diz a associação, em nota.

E a tendência é de mais aumentos do juro médio, com a possibilidade de novas elevações da Selic nas próximas reuniões do Copom, avalia a associação.

As seis linhas de crédito pesquisadas pela Anefac registraram aumentos em seus juros em fevereiro (confira abaixo):

TAXA DE JUROS PARA PESSOA FÍSICA EM FEVEREIRO



EXEMPLOS DE IMPACTO EM EMPRÉSTIMOS



PESSOA JURÍDICA

Os juros médios cobrados de empresas registraram alta em fevereiro, passando de 3,67% em janeiro (ou 54,11% ao ano) para 3,73% em fevereiro (ou 55,19% ao ano).

As três linhas de crédito analisadas viram seus juros subirem.

No capital de giro, os juros subiram de 2,10% ao mês em janeiro para 2,15% em fevereiro.

Já a taxa de desconto de duplicatas avançou de 2,66% ao mês em janeiro para 2,69% mensais em fevereiro. A conta garantida passou de 6,24% ao mês em janeiro para 6,34% ao mês em fevereiro.
Fonte: Folha Online - 11/03/2015 e Endividado








Novo recurso de ligações gratuitas do WhatsApp volta a ficar disponível

Nas últimas semanas, o novo recurso de ligações do Whatsapp foi disponibilizados para poucas pessoas e, agora, de acordo com o site Android Police, a empresa fez algumas mudanças no sistema do programa, que está funcionando para os usuários que tiverem a versão 2.11.531 do aplicativo.

Para ter acesso ao recurso, é preciso baixá-lo diretamente do site do aplicativo e receber uma ligação de algum usuário que já tem acesso às ligações.

A ferramenta, já presente em alternativas como Messenger ou Viber, permite ligar para contatos sem a necessidade de uma operadora, caso o usuário esteja conectado a uma rede wi-fi, ou utilizando os dados de uma franquia contratada.

  Reprodução  
Versão para web do WhatsApp
Versão para web do WhatsApp
Esse sistema de convite ao programa teve seu botão ligado e desligado várias vezes durante as últimas semanas e neste momento está funcionando. É preciso tomar cuidado para não cair na fraude on-line que foi revelada na quinta-feira (5).

Uma mensagem mal intencionada leva o usuário para o site whatsappcalling.com e lhe pede para convidar dez amigos, além de responder perguntas para uma pesquisa on-line. Isso faz com que o usuário passe a receber spam e passe a ver anúncios.
Fonte: Folha Online - 11/03/2015 e Endividado



Processos contra planos sobem 31,5%


Principais queixas dos consumidores no Estado do Rio são reajustes abusivos e falta de cobertura

Rio - Ações contra planos de saúde no Estado do Rio cresceram 31,5%, ou cerca de 2,5 mil casos, de 2013 para 2014. O índice se refere a contratos individuais. Os planos coletivos por adesão (intermediado por associações ou entidades de classe) corresponderam a 29%, ou 978, dos processos e os coletivos empresariais, a 20,31%, que somam 6,1 mil.

 A maioria das ações refere-se a reajustes abusivos ou negativas de convênios a cobrir tratamentos e medicamentos. Há casos em que a decisão da Justiça é sempre favorável ao consumidor, como distribuição de medicamentos quimioterápicos via oral, remédios importados (quando os brasileiros não mostram avanço no tratamento), cobertura de próteses, assistência domiciliar pedida pelo médico e reajuste das mensalidades dos planos para segurados com idade superior a 60 anos.

O levantamento no Tribunal de Justiça do Estado do Rio (TJ-RJ) foi feito pelo escritório Vilhena Silva Advogados, especializado em direito à saúde. Para que o consumidor não seja ainda mais prejudicado, o advogado Rafael Robba destacou algumas questões avaliadas hoje pelas operadoras.
Ele cita que o tipo de contrato “menina dos olhos” dos planos de saúde é o coletivo, por adesão ou empresarial, em detrimento ao individual ou familiar. “Esses dois últimos estão quase extintos e são pouco comercializados pelas operadoras, restando ao consumidor optar pelos coletivos por adesão ou planos empresariais, quando o profissional trabalha em uma organização que oferece esse benefício”, explica o advogado.

Segundo ele, os planos coletivos ou empresariais são mais baratos. Mas as operadoras são livres para aplicar os reajustes aos clientes. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão que fiscaliza o setor, determina o valor do reajuste anual somente para os planos individuais e familiares.

O reembolso de exames e consultas também é uma queixa frequente dos consumidores. A funcionária do Tribunal Regional do Trabalho no Rio, Nyrtô Santos Boaventura Magalhães, de 49 anos, reclamou que tem tido problemas frequentes quanto à devolução, mesmo que parcial, dos valores gastos com profissionais.
Ela conta que pagou consultas que variavam de R$ 150 a R$ 200, mas não obteve o reembolso. “Tive que acionar a ANS e assim conseguir receber o que é de direito”, contestou.

A advogada especializada em direito à saúde Renata Vilhena Silva critica a ANS. Para ela, a Agência poderia ser “mais incisiva” no monitoramento dos problemas com os planos, para evitar mais prejuízos aos clientes.

Para tirar dúvidas, o escritório Vilhena Silva Advogados fará no dia 19, às 19h, no Windsor Excelsior Hotel, uma palestra sobre o assunto. As inscrições são gratuitas, e as vagas, limitadas.

Orientações antes de contratar

Todas as operadoras de planos de saúde devem estar credenciadas na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). É possível encontrar a lista no site da agência, em www.ans.gov.br.

É imprescindível exigir a cópia do contrato e dos prestadores de serviço. Além de ler minuciosamente cada cláusula do contrato, o consumidor deve exigir do corretor uma cópia do documento e uma lista com a rede credenciada do plano de saúde e seus prestadores de serviços, como médicos, laboratórios e hospitais.
Segundo o escritório Vilhena Silva Advogados, é necessário ficar atento aos reajustes. “Planos individuais/familiares e coletivos/empresariais têm reajustes distintos. Os primeiros aplicam correções por faixa etária e anual, no aniversário do plano, sendo este último definido pela ANS. Já os planos coletivos aplicam os dois reajustes, embora o valor do aumento seja definido exclusivamente pela própria operadora”, explica o advogado Rafael Robba.

Ele cita que a operadora ainda é livre para aplicar o reajuste por sinistralidade, definido pela frequência de uso dos serviços. É aplicado sempre que as despesas da operadora com um grupo ultrapassam 75% do valor da mensalidade, equilibrando a receita e a despesa.

É importante ficar atento ao regime de carência, que varia de acordo com o plano.
Fonte: O Dia - IG Notícias - 12/03/2015 e Endividado


Você acreditou?... (E-mail recebido aqui no RS Notícias)

Será que o Brasileiro não lembra disso?



Dilma dá tiro no pé (E-mail recebido aqui no RS Notícias)

REPASSANDO



​O objetivo principal de sua fala era sensibilizar e desmobilizar as mulheres para que essas não participem ou não deem apoio à manifestação do próximo domingo (15 de março).
Isso foi devidamente estudado, pois os PeTistas sabem da força das mulheres   e estão lembrando a famosa Marcha da Família com Deus pela Liberdade, ocorrida em 19 de março de 1964, que foi o estopim para que as Forças Armadas deflagrassem a Contra Revolução em 31 de março de 64, em atendimento à Lei e aos anseios da sociedade que clamava por uma ação contra os desmandos, subversão e corrupção do então governo.
Medo que a História se repita!!!


Dilma dá tiro no pé monstrão
Por Alex Antunes - 09.03.2015
 



 





 
 
A inabilidade e descolamento da realidade da presidente Dilma alcançou um novo patamar neste domingo. Ao fazer um pronunciamento em cadeia de televisão, rompendo meses de silêncio, conseguiu falar não só tarde demais como errado demais, tanto no texto quanto no tom. Melhor teria sido continuar quieta.
Seu jeito é o habitual deslocado e esquisito, que passa por ventriloquismo, falsidade. Subitamente, depois da campanha eleitoral que era só otimismo, agora Dilma “descobriu” que são necessárias medidas econômicas mais duras, pediu confiança e disse que as dificuldades serão repartidas com justiça. Esse sim seria um ótimo discurso de campanha (fora o fato de que garantiria sua derrota).
O problema é que esse discurso genérico vem em um momento em que o psiquismo das massas pressente que pode haver alguma mudança de verdade. Que as pecinhas do poder – executivo, legislativo e judiciário – não estão se encaixando nada bem. Que, com um pouco de sorte, alguns picaretas de plantão podem se derrubar uns aos outros (acontece às vezes, tipo quando ACM e Jader Barbalho se torpedearam), e que o joguinho de nervos entre Dilma, o presidente da câmara Eduardo Cunha e o presidente do senado Renan Calheiros está ficando realmente engraçado.
É evidente que o que está tensionando o cenário é “a lista do Janot”: o roteiro básico para onde vão se voltar as investigações do Petrolão. Dilma, presidente da República reeleita, ex-ministra das Minas e Energia e da Casa Civil, ex-presidente do conselho da Petrobrás, evidentemente está enfiada até o pescoço nessas tramas, mesmo que não tenha culpa alguma.
Não caberia de jeito nenhum o tom olímpico e genérico que adotou no pronunciamento, como se o Brasil não estivesse vindo abaixo. Toda a habilidade que Lula já teve em não deixar colar as tretas em si, Dilma parece ter com a chave virada ao contrário. Conseguiu fazer colar nela mesma o feeling de que é o problema, de que tem a ver com “tudo de ruim que está aí”. Pior, é como se Lula (esse sim um ser olímpico de verdade) tivesse passado por duas presidencias deixando várias contas penduradas – e que agora essas contas todas, de Lula e do PT, podem ser cobradas de Dilma.
É como se toda a energia social acumulada do lulismo – e isso é muita energia – entrasse em colapso agora, junto com o projeto político do PT e tudo. As escolhas de campanha chantagistas, oportunistas e mentirosas de Dilma, de Lula e do marqueteiro João Santana estão cobrando muito cedo seu custo – desde o momento em que Dilma foi eleita, na verdade. A necessidade de aplicar uma espécie de programa econômico aecista-meia-boca fizeram dela, nas palavras de um amigo meu, aquela aluna de filmes de patricinha que não é da elite, mas que quer puxar o saco de quem é, e no fim consegue atrair a antipatia de todo mundo.
Resultado: um panelaço espontâneo durante o próprio pronunciamento, em mais de dez capitais e no distrito federal, cujo alcance ainda está sendo medido. É um hábito da esquerda ortodoxa desqualificar as manifestações que ela mesma não controla: no caso, seriam manifestações das “varandas gourmet” e, em algumas teorias conspiratórias, orquestradas pela própria CIA. Já vi gente inteligente (ou que parecia inteligente até então) postando esse tipo de coisas. Sem comentários.
Foi Dilma que escolheu o dia da Mulher para uma fala inadequada, indigna de uma presidente em exercício. Não adianta reclamar que é grosseiro com uma senhora ir à janela chamá-la de “vaca” – Dilma é, efetivamente, uma senhora, mas essa senhora também é presidente e, assim como na Copa, continua ditando seu próprio timing inconveniente. Sem querer, reorganizou toda a lógica entre madames, panelas e o dia da Mulher.
Dilma achou que a (boa) notícia da lei do feminicídio ia sustentar todo o resto – sendo que todo o resto é só o país em plena crise econômica e política. Não sustentou. Agora não resolve nada jogar a culpa toda no “ódio da direita coxinha” e misógina (por mais que isso exista). Sem dois dedos de autocrítica, a casa vai cair. Provavelmente nem há mais tempo para autocrítica.
A pergunta que deveria ser feita é: quando foi que o PT, um partido que já teve uma forte percepção social, passou a ter refém de marqueteiro? Essa “quebra” memética tem pouco a ver com razão política, e mais com as metafísicas do psiquismo. Na verdade o jogo político todo tem muito menos a ver com razão do que se supõe. Se Lula escorregou como sabonete molhado pelos períodos difíceis, é porque tinha uma espécie de procuração psíquica de massas para ir em frente, para acertar algumas mesmo errando outras.
Já Dilma, neste domingo, fez o que Fernando Collor fez em 1992, quando pediu para saírem à rua em defesa dele, vestidos nas cores nacionais e usando fitas verdes e amarelas. Conseguiu inverter a tal chavinha: transformar todo o entusiasmo que tinha carreado na campanha eleitoral em repulsa. Passou recibo; coisa que Lula tinha evitado na “janela do mensalão”, uma ou duas semanas de choque durante as quais poderia ter sido alvo de um pedido de impeachment – e o PSDB decidiu não tentar.
Apesar de serem xingadas de “varandas gourmet”, as janelas dos manifestantes espontâneos em repulsa a Dilma marcam essa virada, em que Dilma chama para si o papel de principal vilã do condomínio Brasil. O que nem é exatamente justo – a concorrência é dura e farta. Mas quem disse que a percepção política das pessoas tem algo a ver com a ver com razão e justiça? Política em boa parte é timing, é teatro, é emissão simbólica. E timing é para quem tem.
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