Renda de aposentadoria por doenças graves é isenta de Imposto de Renda

Os rendimentos de aposentadoria e reforma recebidos por portadores de diversas moléstias profissionais são isentos do IR. A isenção inclui complemento recebido de entidade privada.

Todo o valor recebido é isento. Também são isentos os rendimentos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os recebidos por portadores de moléstia profissional.

O valor recebido é informado na linha 07 da ficha Rendimentos isentos e não tributáveis. É preciso indicar nome e CPF do beneficiário, nome e CPF/CNPJ da fonte pagadora e o 13º salário.

Se o contribuinte tiver outras fontes de renda (salário, aluguel etc.), elas deverão ser tributadas. Para isso, devem ser informadas nas fichas referentes a rendimentos recebidos de PJ ou recebidos de pessoas físicas e do exterior, conforme o caso.

As doenças que dão isenção são Aids, alienação mental, cardiopatia grave, cegueira, contaminação por radiação, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), doença de Parkinson, esclerose múltipla, espondiloartrose anquilosante, fibrose cística (mucoviscidose), hanseníase, hepatopatia grave, nefropatia grave, neoplasia maligna, tuberculose ativa e paralisia irreversível e incapacitante
Fonte: Folha Online - 07/03/2015 e Endividado

Saiba quais despesas podem ser deduzidas do IR

por JULIANA CUNHA

Deduzir custos com saúde, educação, contribuições à previdência e pensões alimentícias é a melhor forma de reduzir o tamanho da mordida do Leão. Ao informar esses custos, o contribuinte reduz a base de cálculo do imposto de renda e diminui o valor devido, ou engorda sua restituição.

Na hora de preencher o formulário do IR, o contribuinte pode optar entre fazer a declaração simplificada, que conta com um desconto padrão de 20% da renda tributável; e a completa, que beneficia quem teve um volume maior de despesas deduzíveis. No IR de 2015, o desconto padrão da declaração simplificada está limitado a R$ 15.880,89, valor 4,5% maior do que o do ano passado.

O advogado Augusto Andrade, especialista em imposto de renda do escritório Domingues e Pinho Contadores, explica que o próprio programa do IR, no resumo, mostra quais as possibilidades de restituição ou pagamento de imposto para cada um dos modelos. "O que o contribuinte precisa fazer é preencher a restituição no modelo completo e observar se a restituição será melhor dessa maneira", afirma.

Confira os tipos de despesas que podem ser deduzidas e seus limites:

- Dependentes:
Até R$ 2.156,52 por pessoa. Confira quem pode ser considerado dependente.

- Pensão alimentícia:
Quando a pensão é judicial ou acordada em divórcio, a pessoa que paga esse valor pode deduzir o valor integral de seu imposto de renda. Vale notar que valores extra e despesas pagas por fora da pensão não podem ser descontadas. É importante ressaltar que não vale deduzir o valor da pensão e ainda por cima incluir o filho como dependente do mesmo contribuinte.

- Gastos com educação:
Até R$ 3.375,83 por ano para cada membro da família. Mensalidades em creches, escolas de educação infantil, ensino fundamental, ensino médio, curso superior, cursos de especialização e profissionalizantes podem ser inclusas. Cursinhos, cursos livres e aulas de idioma ficam de fora.

- Despesas médicas:
Não há limite. Vale incluir gastos com exames, consultas e até com o plano de saúde. Caso o contribuinte tenha um plano de saúde subsidiado pela empresa, mas que ele pague uma parte da mensalidade, pode incluir a parcela que fica a seu encargo. As despesas médicas dos filhos que estão cadastrados como dependentes também são dedutíveis. O importante é só declarar despesas médicas das quais a pessoa tenha o recibo ou o relatório de reembolso do plano de saúde já que despesas médicas têm levado muita gente à malha fina.

- Contribuição à Previdência Social:
Todas as contribuições pagas à Previdência Social em 2014 podem ser deduzidas sem limite. Vale incluir contribuições como trabalhador empregado ou como contribuinte individual ou facultativo.

- Contribuição à Previdência Privada:
Pessoas que contribuem com o INSS e fazem uso de previdência privada nos planos PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e Fapi (Fundo de Aposentadoria Programada Individual) em valores que correspondam a até 12% da sua renda tributável podem deduzir esse investimento do imposto de renda.

- Contribuição à Previdência Social do empregado doméstico:
Quem paga contribuições patronais à Previdência Social referentes a um empregado doméstico pode deduzir até R$ 1.152,88 (incluindo 13º salário e férias). O valor corresponde à contribuição de 12% paga pelo empregador ao INSS.

- Livro-caixa:
Profissionais autônomos podem deduzir despesas escrituradas em seu livro-caixa como remuneração de terceiros com vínculo empregatício e os respectivos encargos trabalhistas e previdenciários. Vale, por exemplo, declarar o salário pago ao contador, o aluguel do escritório e demais despesas que, na visão da Receita, garantam que esse autônomo tenha condições de trabalhar.

- Aposentadorias e pensões de maiores de 65 anos:
Pode ser deduzida a quantia de R$ 1.787,77 por mês, incluindo o 13º salário, correspondente à parcela isenta dos rendimentos das aposentadorias e pensões pagas pelos setores públicos ou privados a partir do mês em que o contribuinte completar 65 anos de idade.

- Doações:
Pessoas físicas que fizeram doações a entidades de amparo à criança e ao adolescente autorizadas pelo governo durante o ano de 2014 podem deduzir essas doações de seu imposto, respeitando o limite de até 6% do imposto devido. Quem não fez doações durante o ano também pode optar por doar até 3% do imposto devido para essas entidades na hora de declarar o IR, reduzindo o valor a ser pago ou incrementando sua restituição.
Fonte: Folha Online - 06/03/2015 e Endividado


Qual a melhor opção: ser autônomo ou abrir empresa?

por Samy Dana

Inúmeras atividades podem ser desempenhadas sem que o contribuinte necessite ter uma empresa (um CNPJ). Nesses casos, os profissionais (médico, psicólogo, dentista, engenheiro, arquiteto, advogado, etc.) emitem recibos contendo o seu CPF e, depois, pagam Imposto de Renda mediante um procedimento chamado livro caixa.

Esse documento é um controle onde o profissional registra todas as receitas e despesas profissionais de um determinado mês, explica Vicente Sevilha Junior, CEO da Sevilha Contabilidade.

Para Telmon Oliveira, da Prolink Contábil, a vantagem de ser autônomo é a possibilidade de exercer sua atividade profissional sem um vínculo empregatício. Por outro lado, todos os riscos estarão por conta do profissional. Além disso, é necessário fazer inscrição na prefeitura do município e recolher o ISS (Imposto sobre Serviços).

Haverá uma retenção na fonte de 11% para o INSS e de 27,5% para Imposto de Renda, dependendo dos rendimentos.

Outro detalhe importante, segundo Oliveira, é que a empresa contratante pagará 20% de INSS sobre o rendimentos pago a cada profissional autônomo, o que poderá ocasionar uma restrição para a sua contratação. Na prática, podemos dizer que, ao contratar um autônomo, as empresas acabam pagando mais caro pelo serviço, o que torna pouco interessante a opção.

E é exatamente por esse motivo que a maioria das empresas, ao contratarem autônomos, exigem a emissão de nota fiscal de prestação de serviço.

Agora se o profissional escolhe abrir uma empresa, ter um CNPJ e emitir notas fiscais, a empresa pagará impostos de maneira totalmente diferente. Como a maioria das profissões opta pelo Lucro Presumido, nesse modelo o total de impostos a pagar é geralmente de 13,33% (incluindo 2% do ISS) sobre o valor de cada nota fiscal emitida.

Algumas cidades, como São Paulo, no caso de sociedades de profissionais que exercem uma mesma atividade, dispensam o recolhimento do ISS sobre as notas emitidas e cobram apenas uma taxa fixa anual por profissional.

Vamos a uma simulação feita pela Prolink Contábil:

Pessoa Física - Rendimentos: R$ 15.000

INSS a recolher: R$ 482,93 (4.390,24 x 11%). O valor de R$ 4.390,24 é o valor máximo de contribuição do INSS.

Cálculo do IR (desconsiderando dependentes e despesas dedutíveis ao imposto de renda): R$ 15.000 - R$ 482,93 de INSS = 14.517,07 x 27,5% = R$ 3.992,19 - R$ 826,15 = R$ 3.166,04 de IR a recolher

Total dos custos como pessoa física: R$ 3.648,97 (R$ 3.166,04 de imposto de renda + R$ 483,933 de INSS)

Pessoa Jurídica - Serviços Prestados: R$ 15.000

Total dos Custos como Pessoa Jurídica: R$ 1.999,50 (15.000,00 x 13,33%)

Dependendo dos rendimentos mensais recebidos pelo Recibo de Profissional Autônomo (RPA) por pessoa física, existem benefícios de redução de carga tributária, pois a alíquota do imposto de renda pode ser de 15% a 27,5% e também haverá desconto de 11% a título de INSS.

Comparando todos esses custos em relação à pessoa jurídica, há possibilidade de economia de impostos, haja vista que alíquota da pessoa jurídica de serviços profissionais é de 13,33%.

Importante lembrar que nestes casos, haverá necessidade de maior controle, pois, dependendo do caso, os rendimentos mensais não comportarão a formalização do negócio.
Fonte: Folha Online - 06/03/2015 e Endividado

Feminicídio: aprovação de projeto é avanço na luta das mulheres



Rio de Janeiro - Grupo faz passeata pelas ruas da Lapa em defesa dos direitos das mulheres e contra a violência (Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Em desfile na Lapa, integrantes do Bloco Arrastão Feminista defendem os direitos das mulheres e protestam contra a violênciaArquivo/Tânia Rêgo/Agência Brasil
A aprovação pela Câmara dos Deputados, na terça-feira (3), do Projeto de Lei 8305/14 do Senado, que tipifica o feminicídio como homicídio qualificado e o inclui no rol de crimes hediondos, é considerada  por especialistas ouvidas pela Agência Brasil um avanço na luta pelos direitos das mulheres. O texto modifica o Código Penal para incluir o crime – assassinato de mulher por razões de gênero – entre os tipos de homicídio qualificado. O projeto aguarda sanção presidencial.
Para a representante da ONU Mulheres Brasil, Nadine Gasman, a aprovação do projeto representa avanço político, legislativo e social. “Temos falado há muito tempo da importância de dar um nome a esse crime. A aprovação coloca o Brasil como um dos 16 países da América Latina que identificam o crime com nome próprio”, disse.
Segundo Nadine, a tipificação do feminicídio poderá aprimorar procedimentos e rotinas de investigação e julgamento, com a finalidade de coibir assassinatos de mulheres. “Essa lei dá uma mensagem muito clara para os perpetradores [da violência contra a mulher] de que a sociedade está identificando o feminicídio como um fenômeno específico. Esse tipo de lei tem caráter preventivo”.
A proposta aprovada estabelece que existem razões de gênero quando o crime envolver violência doméstica e familiar ou menosprezo e discriminação contra a condição de mulher. O projeto foi elaborado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Violência contra a Mulher.

Brasília - O metrô da cidade já conta com um vagão exclusivo para mulheres. Conhecido como Vagão Rosa, a maioria das usuárias disse se sentir mais segura contra abuso sexuais (Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Vagão exclusivo para mulheres no metrô de Brasília Arquivo/Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
As penas podem variar de 12 anos a 30 anos de prisão, dependendo dos fatores considerados. Além disso, se forem cometidos crimes conexos, as penas poderão ser somadas, aumentando o total de anos que o criminoso ficará preso, interferindo assim no prazo para que ele tenha direito a benefícios como a progressão de regime.
O projeto prevê ainda aumento da pena em um terço se o crime acontecer durante a gestação ou nos três meses posteriores ao parto, se for contra adolescente menor de 14 anos, uma pessoa adulta acima de 60 anos ou ainda pessoa com deficiência e se o assassinato for cometido na presença de descendente ou ascendente da vítima.
A diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, Jacira Melo, destacou que o feminicídio é motivado pelo ódio, pelo desprezo e pelo sentimento de perda da propriedade sobre a mulher em uma sociedade machista e marcada pela desigualdade de gênero. “O lugar mais inseguro para a mulher é dentro de casa, onde ela deveria estar mais protegida. Os assassinos e agressores são parceiros e ex-parceiros que se aproveitam da vulnerabilidade da mulher pelo fato de conhecer sua rotina e saber como invadir sua propriedade”, disse.
Segundo Jacira, a aprovação do projeto é um recado claro de que a sociedade e a Justiça não toleram a violência de gênero. Para ela, as novas regras terão repercussão importante na redução desse tipo de crime. “É uma vitória do movimento feminista em aliança com a bancada feminina. No Brasil afora, o homem não suporta que a mulher queira sair de uma relação violenta. Essa tipificação pode intimidar fortemente os agressores que ainda veem [o feminicídio] como crime menor”.
Na justificativa do projeto, a CPMI destacou que, de 2000 a 2010, 43,7 mil mulheres foram assassinadas no Brasil, sendo que mais de 40% das vítimas foram mortas dentro de suas casas, muitas pelos companheiros ou ex-companheiros. Além disso, a comissão informou que a estatística colocou o Brasil na sétima posição mundial de assassinatos de mulheres.
A aprovação do projeto era uma reivindicação da bancada feminina no Congresso e ocorreu na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher (8 de março).
A secretária-geral da Comissão da Mulher Advogada na Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal, Aline Hack, considera a tipificação do feminicídio um novo marco na busca dos direitos da mulher. Para ela, a promulgação da Lei Maria da Penha, em 2006, foi a primeira conquista da luta feminina para a redução da violência de gênero.
A advogada destacou, no entanto, que outros desafios da luta feminina persistem e destacou o combate ao machismo. “Essa conscientização deveria ocorrer nas escolas e nos meios de comunicação. A mídia ainda retrata a mulher como um objeto. Isso atrapalha a aplicação da lei e tudo pelo que nós estamos lutando: a igualdade de gênero e o reconhecimento da mulher”.

Ativistas feministas defendem direitos das mulheres durante a passeata Marcha das Vadias na praia de Copacabana (Fernando Frazão/Agência Brasil)
Ativistas defendem direitos das mulheres durante marcha na Praia de CopacabanaArquivo/Fernando Frazão/Agência Brasil
A representante da ONU Mulheres Brasil também acredita que o machismo existente no país tem que ser questionado e o debate sobre o tema levado a diversas áreas: educação, cultura, políticas públicas e mídia. “Há ainda muitos desafios. O Brasil tem leis e programas que estão sendo implementados, mas os serviços de atendimento à mulher precisam ser expandidos”.
A diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão também avalia que a violência doméstica e a desigualdade de gênero devem ser tratados no âmbito da família, da escola e nos meios de comunicação. “A rede de atendimento à mulher no Judiciário, nos serviços de saúde e nas delegacias não corresponde a 10% da demanda, está muito aquém. É preciso ter políticas públicas e orçamento público à altura em todas as instâncias: federal, estadual e municipal”, acrescentou.

Agência Brasil

Inadimplentes devem quase oito vezes o que ganham

Uma pesquisa sobre recuperação de crédito no Brasil realizada nas 27 capitais e encomendada pelo SPC Brasil e pelo Portal Meu Bolso Feliz mostra que, em média, o consumidor brasileiro inadimplente tem o seguinte perfil:


  • Está com o nome sujo há dois anos;
  • Deve para três ou quatro empresas diferentes;
  • Adquiriu essas dívidas por meio do cartão de crédito e de lojas;
  • Possui um débito total médio de R$ 21.676 junto às empresas credoras (já consideradas multas e taxas por atraso).
Esse valor de R$ 21.676 equivale a 768% da renda familiar mensal do consumidor participante da pesquisa (quase oito vezes mais), que era de R$ 2.822.

Outro dado preocupante mostra que a diferença entre a dívida inicial e a final é 70% maior (obedecendo o cenário médio após dois anos e cobrança de juros e multas desse período). A dívida inicial que era de R$ 12.776 (comprometimento de 453% da renda média considerada) passou a valer R$ 21.676 (768% da renda) após as cobranças monetárias.

Principais vilões para atrasos e nome sujo no mercado

  • Cartão de crédito (atraso nas faturas): 61%;
  • Cartões de loja (atraso nas parcelas): 51%;
  • Pagamento de empréstimos (atraso nas parcelas): 31%;
  • Boletos bancários (atraso nas faturas): 37%;
  • Cheques sem fundo (20%);
  • Cheque especial (não pagar ou atrasar): 18%;
  • Parcelas de financiamentos (não pagar ou atrasar): 15%.
A pesquisa indica que 53% das parcelas não são pagas e, quanto ao cartão de crédito, as compras foram divididas em seis vezes, sendo que 3,6 parcelas ficaram em atraso, o que corresponde a 59%, em média.

Motivos que originaram as dívidas

  • Falta de planejamento no orçamento pessoal: 48%;
  • Perda do emprego: 28%;
  • Diminuição da renda: 21%;
  • Atraso de salário: 17%;
  • Compras além do orçamento: 16%.
  • 71% dizem que vão pagar a dívida por acreditarem ser a ação correta;
  • 41% dizem que a negociação está fora de suas possibilidades;
  • 21% dizem que o custo está muito acima de seus ganhos;
  • 19% reclamam dos prazos de pagamento;
  • 19% desejam negociar, mas não sabem como;
  • 17% tem dificuldade para deixar de comprar para quitar o débito.
Uma forma de compreender esses números sobre a inadimplência dos brasileiros passa pelo aumento da incerteza no Brasil somado à falta de planejamento financeiro do brasileiro.

Como foi mostrado, quase 30% temem perder seus empregos, muito por causa da crescente alta da inflação, impactando na alta de bens necessários (alimentos, aluguel, transportes, etc) e na alta do custo do crédito. Com esse cenário, vemos na prática o aperto do orçamento e, com isso, a falta de dinheiro para pagar os compromissos financeiros.
Fonte: Folha Online - 08/03/2015 e Endividado




Nunca antes neste país...

Por Eliana Calmon, ministra aposentada do STJ e ex-corregedora nacional de justiça.
Venho observando as notícias sobre as investigações da operação "Lava Jato". Como a maioria dos brasileiros, permaneço cética em relação aos resultados concretos, sempre adiados e depois esquecidos por todos, inclusive pelos mais revoltados cidadãos brasileiros. Procuramos o culpado (ou culpados), pelo frustrante resultado e infelizmente, não sabemos a quem debitar a conta.
Como magistrada participei de diversas operações policiais grandiosas envolvendo autoridades. Fui juíza rigorosa e atenta, mas pouco pude ver de concreto nos processos que consumiram grande parte do meu tempo como julgadora. O que vi foram resultados muito aquém dos esforços e gastos na condução do processo.
Portanto, falo com a propriedade de quem conhece o sistema nas suas entranhas. Os únicos processos grandes, envolvendo corrupção da cúpula do poder com resultados visíveis foram: o determinante do impeachment de Collor, quando ficou provado ele ter recebido propina - representada por um Fiat; o Mensalão, quando as provas evidentes do processo deixaram o STF, sem alternativa senão a condenação.
Para não parecer pessimista, basta lembrar dentre os maiores escândalos financeiros envolvendo altos figurões da República e desvios de recursos públicos, cujo destino já se sabia de antemão - iriam para as campanhas eleitorais e engordariam as contas pessoais dos candidatos e seus parceiros:
* Anões do Orçamento (1989 a 1992, 800 milhões dentro do Congresso Nacional);
* Vampiros (1990 a 2004, 2,4 bilhões, fraude a licitações dentro do Ministério da Saúde);
* TRT de São Paulo (1992 a 1999, 923 milhões, envolvendo o senador Luiz Estevão e o juiz conhecido como Lalau);
* BANESTADO (1996 a 2000, 42 milhões, no Estado do Paraná);
* Banco Marka (1999, 1,8 bilhões, dentro do Banco Central;
* Pobre Amazônia (1998 e 1999, SUDAM, 214 milhões);
* Máfia dos Fiscais (1998 a 2008, 18 milhões, Câmara dos Vereadores de São Paulo);
* Mensalão (2005, 55 milhões, Câmara Federal, envolvendo o PT);
* Sanguessugas (2006, 140 milhões, envolvendo 3 senadores e 70 deputados);
* Operação Navalha (2007, 610 milhões, envolvendo o Ministério das Minas e Energia, nove Estados, o DF e a empresa Gautama).
Todos esse escândalos foram investigados pela Polícia Federal, monitorados pelo Ministério Público Federal e processados pela Justiça.
Mas, houve punição adequada?
Como vemos, a descoberta das falcatruas na Petrobras, conhecidas por todos desde as eleições de 2010, foram repetidas com maior perfeição nas eleições de 2014 e antes do segundo turno o governo se mobilizou politicamente para abafar as investigações: esvaziou a CPI da Câmara, tentou desconsiderar o magistrado Sérgio Moro, disse que se tratavam de investigações de cunho político-partidário patrocinadas pela oposição e conseguiu retardar o que só depois veio à tona, com força total.
Hoje comprova-se que não é especulação ou invenção eleitoral e sim uma certeza - pelo que já está apurado por documentos e declarações - trata-se do maior escândalo de corrupção do Brasil, alcançando a cifra de 60 bilhões retirados de uma única empresa, a Petrobras. Os mandantes e beneficiários estão ligados diretamente ao governo federal, pertencem ao PT e aos partidos que dão sustentação política a Dilma, via as maiores empreiteiras do país. Os empreiteiros, presos provisoriamente, já com a experiência do Mensalão, de que os figurões políticos conseguem a liberdade, estão aderindo maciçamente ao instituto da delação premiada.
Diante do quadro que se tem no momento, quando tudo parece levar ao caso do – sem saída para o governo que promoveu, ou ao menos chancelou o absurdo desfalque, somos surpreendidos com a fala presidencial, que se apossou da corrupção perpetrada para dizer em alto e bom som: "nunca antes neste país o Governo promoveu tão séria e severa investigação pela MINHA Polícia Federal, pelo MEU Ministério Público e pela MINHA Justiça Federal". Tudo virou Governo (e do Governo), porque não mais se tem a noção do que seja Estado e do que seja Governo. Tudo é uma coisa só.
O Ministro da Justiça, no mesmo diapasão, com a voz embargada por uma teatral indignação, disse: "estamos investigando, a Presidenta quer o maior rigor nas apurações, mas não vamos admitir o terceiro turno".
E como já é de costume, como aconteceu no caso do Mensalão, alias, o governo afirma nada saber. Porém, é difícil acreditar que a milionária campanha eleitoral governista, tenha sido bancada unicamente com o dinheiro do fundo partidário e doações espontâneas das empresas. Não acredito que assim pensem a Polícia Federal (quase sucateada nesses quatro últimos anos) e o Ministério Público. E muito menos, que se acredite que os brasileiros são cegos a ponto de não verem o que está realmente acontecendo.
A Presidente se elegeu com 53 milhões de votos e com o auxílio de 39 milhões de eleitores que lavaram as mãos ao darem seu voto em branco ou nulo. Mas nós estamos vigilantes e mobilizados em nome da verdadeira democracia, da ética e da cidadania para, como oposição e testemunhas históricas, exigirmos maior rigor e pudor nas condenações.
Não vamos esmorecer. Exigimos apuração séria e competente não pela “Polícia de Dilma”, mas pelas instituições democráticas deste país, nascidas antes do PT.
Realmente, nunca antes neste país se viu roubalheira igual.
Fonte: Espaço Vital - www.espacovital.com.br - 06/03/2015 e Endividado

 

REFORMA POLÍTICA!


1. No Chile, o parlamento debate, neste momento, uma reforma eleitoral. O sistema eleitoral chileno é binominal. Em cada distrito são eleitos os 2 deputados mais votados. Isso provocou a coligação dos partidos de Centro e  Centro-Esquerda (a Concertación) por um lado e dos partidos de Centro e Centro-Direita (a Aliança) por outro. Esse sistema dá estabilidade ao parlamento. As duas coligações tendem sempre a um quase empate.
O debate avança, no parlamento chileno, na direção de adotar um sistema proporcional e, assim, desfazerem-se as duas grandes coligações.
2. Nas eleições parlamentares na Espanha, neste final de ano, que decidirá a maioria que governará o país, surgiram duas forças que tiveram origem nas redes sociais e que foram ganhando opinião pública: o Podemos e o ‘Cidadãos’. Na eleição para o parlamento europeu, o Podemos conquistou alguma cadeiras. O 'Cidadãos' ainda não foi testado.
3. Podemos lidera pesquisa Metroscopia divulgada por El País (08). Os quatro partidos estão num empate técnico. Podemos lidera com 22,5%, seguido do PSOE com 20,2%, PP com 18,6% e ‘Cidadãos’ com 18,4%. A rejeição ao governo Rajoy é extremamente alta, variando de 74% a 50% conforme a pergunta. Veja o gráfico. Assim, Podemos e ‘Cidadãos’ discutem a construção de uma coligação eleitoral, de forma a constituir uma bancada majoritária de maioria simples.
4. A eleição do final do ano vai ser um teste importante para o sistema eleitoral espanhol.  Vai permitir verificar se o sistema de Lista por Distrito, adotado na Espanha, inibe ou não que a expressão de opinião pública do Podemos e ‘Cidadãos’ não se confirme em número de deputados eleitos. Ou seja, se os partidos tradicionais, com capilaridade, estrutura, com governos (nacional, regionais e municipais), PP e PSOE, no sistema eleitoral espanhol de Lista por Distrito, inibirão a expressão, em votos, dos partidos que crescem aquecidos pela opinião pública (Podemos e Cidadãos).
5. No Reino Unido, a formação de uma maioria parlamentar para governar levou o partido Conservador a se coligar com o Liberal-Democrata. Mas, para isto, o governo conservador se comprometeu a submeter a plebiscito o atual sistema de pequenos distritos uninominais. Nesse sistema atual, os maiores partidos (Conservador e Trabalhista) elegem proporcionalmente mais deputados que a proporção de votos que obtêm. Curiosamente a ampla maioria dos eleitores (mais que 60%) optou por manter o sistema eleitoral atual.
6. Não há modelo ideal de sistema eleitoral.  Em cada país se adota o modelo que for mais adequado politicamente na conjuntura em que se decide. O sistema eleitoral brasileiro é único no mundo (voto proporcional aberto) e, em nome da proporcionalidade, termina gerando esquemas para a produção de legendas e, assim, eleger mais deputados. Isso ocorre através dos puxadores de legenda (Tiririca, Enéas...), ou contratando lideranças locais ou corporativas, que mesmo sem nenhuma chance de se eleger, agregam 2, 3, 4 mil votos cada à legenda, ajudando a eleger mais deputados.
7. Nesse sentido, e é assim em todos os sistemas eleitorais nos regimes democráticos do pós-guerra, o desenho do novo sistema eleitoral é muito mais matéria para os políticos que para os cientistas políticos. E assim será agora no Brasil, através da decisão a ser tomada pela Comissão de Reforma Política, já constituída. 

 

Ex-Blog do Cesar Maia

 

Inflação acumulada em doze meses é a maior desde maio de 2005

por Nielmar de Oliveira

A inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula alta de 7,7% nos últimos 12 meses (a taxa anualizada), de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado, divulgado hoje (6), é o maior desde os 8,05% registrados em maio de 2005 e supera o teto da meta fixado pelo Banco Central para este ano em 6,5%.
Em fevereiro, a taxa variou 1,22%, 0,02 ponto percentual abaixo do resultado de janeiro deste ano (1,24%), mas ainda é a mais alta para os meses de fevereiro desde o 1,57% de 2003. Com a alta, a taxa passou a acumular nos primeiros dois meses do ano inflação de 2,48% – superior ao 1,24% dos primeiros dois meses do ano passado.
O principal impacto no IPCA de fevereiro foi a elevação nos preços da gasolina e de outros combustíveis, resultado do aumento de impostos como o PIS e a Cofins e também do IPI sobre os automóveis novos.
Para Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índice de Preços do IBGE, as pressões em fevereiro se deram de forma bastante diferenciada. “O mês de fevereiro em geral se caracteriza pela pressão forte das escolas, mas este ano houve outras pressão, em especial a gasolina que, junto com outros combustíveis, foram os que mais pressionaram a taxa. Em contrapartida, a gente observou neste mês de fevereiro uma desaceleração dos preços dos alimentos que, embora continuem em alta, com variação expressiva, impactaram um pouco menos que no mês anterior e ajudaram a segurar um pouco a taxa, impedindo que ela fosse ainda maior.”
Segundo os dados fornecidos pelo IBGE, os preços da gasolina subiram 8,42%, exercendo impacto de 0,31 ponto percentual na composição do IPCA e, por isso, respondendo, por um quarto do IPCA: 25,41%. “Também o álcool, talvez também como consequência da alta da gasolina, subiu 7,19%, o que fez com que os gastos com transporte por parte das famílias subissem 2,2% em fevereiro. No todo, o grupo transporte apresentou o mais elevado impacto do mês (0,41 ponto percentual)."
Os dados do IBGE indicam que, entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados, a variação mais elevada foi registrada no grupo educação, que atingiu 5,88%, refletindo os reajustes do início do ano letivo, especialmente nos valores das mensalidades dos cursos regulares, que subiram 7,24%. Em habitação (1,22%), o destaque ficou com a energia elétrica (3,14%).
Com alta de 0,86%, o grupo despesas pessoais refletiu os reajustes ocorridos em itens como excursão (6,93%), cabeleireiro (1,09%) e manicure (1,04%). No grupo saúde e cuidados pessoais (0,60%) destacaram-se os serviços médicos e dentários (1,14%) e os artigos de higiene pessoal (0,89%).
Já no grupo artigos de residência (0,87%), a alta foi puxada pelos eletrodomésticos, cujos preços elevaram-se em 2,15%, e pelos serviços de conserto e manutenção de equipamentos domésticos, que subiram 1,70%. No grupo alimentação e bebidas, com alta de 0,81%, houve redução no ritmo de crescimento de preços, tendo em vista a taxa de 1,48% registrada no mês anterior. Os alimentos consumidos fora de casa (0,95%) tiveram aumentos acima dos consumidos em casa (0,74%).
Fonte: Agência Brasil - 06/03/2015 e Endividado

 

COMO ERA ESPERADO, A BOLHA IMOBILIÁRIA ESTOURA!


(Globo, 08) 1. Lançamentos em série, vendas meteóricas, escalada de preços. Esqueça. Tudo isso ficou no passado do mercado imobiliário brasileiro. Com a crise político-econômica, os negócios no setor esfriaram. Houve estabilização de preços e, com o freio no consumo, os estoques de unidades prontas cresceram.
2. Ano passado, as vendas de imóveis encolheram 35% e não dão sinal de recuperação. Para ganhar a confiança do agora supercauteloso consumidor, construtoras e imobiliárias já oferecem promoções de até 20% de desconto e negociam melhores condições de pagamento. No segmento de imóveis usados, que precisa concorrer com a grande oferta de novos, as reduções de preço são mais frequentes, mesmo em cidades como o Rio, considerada a melhor praça do setor no país.
3. Nesse cenário, a exemplo do que já fizeram ano passado, as construtoras vão reduzir lançamentos em 2015. Em São Paulo, o estoque de imóveis prontos é recorde, com mais de 27 mil unidades à espera de comprador. Em Brasília, as vendas caíram pela metade, puxando redução de até 20% nos preços.

 

Ex-Blog do Cesar Maia

 

ISRAEL: ELEIÇÃO EM 17/03: FRAGMENTAÇÃO E IMPREVISIBILIDADE!


(El País, 09) 1. Todas as pesquisas refletem um empate técnico entre as grandes forças que disputam as eleições legislativas e por elas o governo, no próximo dia 17 de março.  O conservador Likud do primeiro ministro Netanyahu e a coalizão de centro-esquerda União Sionista liderada pelo trabalhista Isaac Herzog e a ex-ministra Tzipi Livni, disputam  cabeça com cabeça, numa campanha eleitoral marcada pela fragmentação do voto e o crescimento dos pequenos partidos. A emergência de forças de novo perfil, e a aliança das formações árabes-israelitas contribuem a agregar incerteza sobre as urnas.
2. O antigo debate político entre uma direita mais preocupada com segurança e uma centro-esquerda que busca transformações sociais já não atrai a atenção dos eleitores. À volatilidade dos partidos personalistas e as contínuas cisões surgidas nas grandes forças, se soma a presença de partidos religiosos judeus em seus dois grandes vetores –sefardi e askenazi- que tentam se incorporar às coalizões, governe quem governe, para defender seus interesses.
3. Das cadeiras em disputa as duas forças que lideram as pesquisas teriam 23 cada ou 19% cada. As demais 9 forças que disputam o poder teriam entre 5% e 10%.
4. As últimas pesquisas.

 

Ex-Blog do Cesar Maia

Juiz do caso Eike é suspeito de sumiço de dinheiro, diz revista

Após ser afastado de todos os processos contra o empresário Eike Batista, o juiz federal Flávio Roberto de Souza teve seu nome envolvido em suposto desaparecimento de dinheiro que estava guardado na 3º Vara Criminal da Justiça Federal do Rio, da qual o magistrado era titular.

Segundo reportagem da revista "Veja", teriam sumido parte dos R$ 116 mil apreendidos na casa de Eike no mês passado e mais R$ 600 mil de um traficante espanhol, preso em 2013.

O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) afastou no final de fevereiro Souza do caso Eike depois que fotos revelaram o juiz dirigindo um Porsche, um dos veículos de luxo apreendidos na residência do empresário a mando do juiz.

Como consequência da decisão do CNJ e da repercussão negativa, Órgão Especial do TRF-2 (Tribunal Regional Federal) no Rio e Espírito Santo, decidiu na quinta (5) destituir Souza das funções do cargo de titular da 3ª Vara Federal Criminal.

De acordo com a revista, a corregedoria do tribunal determinou que um grupo de juízes investigassem a ações de Souza à frente da 3ª Vara. Surgiram, então, rumores sobre o sumiço do dinheiro.

A partir das suspeitas, diz a publicação, o grupo indagou ao juiz sobre o paradeiro do dinheiro. Souza teria apontado o local onde o dinheiro estava guardado, mas os magistrados descobriram que a totalidade dos valores não estava no cofre indicado pelo próprio juiz Flávio Roberto de Souza, de acordo com a revista.

A reportagem não esclarece qual valor retido do empresário Eike Batista desapareceu. Relata, porém, que Souza pode não estar relacionado ao suposto desvio do dinheiro, pois outras pessoas tinham acesso ao cofre onde ele estava guardado.

Por esse motivo, o grupo de magistrados continua a investigar o paradeiro dos recursos, segundo a publicação.

A Folha tentou contato com a corregedoria do Tribunal Regional Federal, mas não obteve resposta neste sábado (7). Procurado, o juiz Flávio Roberto de Souza não atendeu aos telefonemas.

Atualmente, os processos contra Eike Batista estão parados. Aguardam sessão do CNJ em que se definirá a vara e o juiz que serão responsáveis pelo caso.

Além de suspender o juiz, o TRF anulou todos os seus atos nos processos. Apenas os bloqueios de bens do empresário foram mantidos pelos desembargadores do tribunal.

Eike Batista é réu por supostamente ter cometido "insider trading" (negociação de ações com informação privilegiada) e manipulação de mercado, na venda de ações da OGX e da OSX. A defesa do empresário nega as acusações.
Fonte: Folha Online - 07/03/2015 e Endividado

Jihadistas do Boko Haram se unem ao Estado Islâmico

Publicado em 8 de mar de 2015
O líder do grupo jihadista nigeriano Boko Haram, Abubakar Shekau, jurou lealdade ao Estado Islâmico (EI) em uma mensagem de áudio divulgada no sábado.
Crédito: AFP

Novos direitos nas Teles

Novas regras do Regulamento Geral de Direitos do Consumidor dos Serviços de Telecomunicações, que entram em vigor dia 10, devem facilitar a vida do consumidor se forem cumpridos pelas Teles. Transparência na relação e acesso às informações já são garantidos pelo Código de Defesa do Consumidor, mas foi preciso a Resolução da Anatel n. 632/2014, que escalonou prazos para cumprimento das novas normas que valem pra clientes de telefone fixo e celular, banda larga fixa e TV por assinatura.

As operadoras, com exceção das pequenas, deverão disponibilizar, na suas páginas na internet, mecanismo de comparação de Planos de Serviço e ofertas promocionais que permita aos  consumidores identificar a opção mais adequada ao seu perfil de consumo. O cancelamento automático antes possibilitado pelo telefone, sem passar por atendente, agora poderá ser feito também pela internet. A rescisão do contrato por meio do espaço reservado deve ser processada de forma automática, sem intervenção de atendente.

As operadoras terão que disponibilizar no atendimento por Internet, espaço reservado ao Consumidor. Ele será acessível mediante inserção de login e senha. Eles deverão ser fornecidos no momento da contratação do serviço ou a qualquer momento, a pedido do Consumidor.

Nesse espaço reservado, o consumidor deverá ter acesso, no mínimo: à cópia do seu contrato do Plano de Serviço de sua opção, e outros documentos aplicáveis à oferta a qual estiver vinculado, inclusive ao contrato de permanência, quando for o caso.

Também deverá estar disponível o sumário do contrato, contendo as principais informações sobre o Plano de Serviço ou oferta promocional contratados, incluindo reajustes de preços e tarifas, alterações nas condições de provimento do serviço e promoções a expirar, e o término do prazo de permanência.

Terá que haver informações  nesse espaço do consumidor sobre novos serviços contratados;  e estar disponíveis os documentos de cobrança dos últimos seis meses, assim como o relatório detalhado dos serviços prestados nesse período. E deve haver opção de solicitação de cópia da gravação de suas interações, quando for o caso.

O consumidor terá também acesso ao histórico de suas demandas registradas nos últimos seis meses; e a recurso que lhe possibilite o acompanhamento adequado do uso do serviço contratado, assim como ao perfil de consumo dos últimos três meses; e, ao registro de reclamação, solicitação de serviços, pedidos de informação e rescisão de seu contrato, ou qualquer outra demanda relacionada ao serviço da Prestadora.
Fonte: Folha Online - 06/03/2015 e Endividado

ONU apela ao mundo para impedir destruição de locais históricos no Iraque

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, manifestou nesse domingo (8) a sua indignação com a destruição, pelo grupo extremista Estado Islâmico, de locais culturais históricos no Iraque e pediu ao mundo que ajude a impedir essas ações.
“O secretário-geral apela urgentemente à comunidade internacional para acabar com a hedionda ação terrorista e combater o tráfico de objetos culturais”, diz comunicado divulgado pelo seu porta-voz.
“A destruição deliberada da nossa herança cultural comum constitui crime de guerra”, afirmou, destacando que os que praticam esses atos devem ser responsabilizados.
Militantes do Estado Islâmico devastaram a antiga cidade assíria de Nimrud, um dos principais sítios arqueológicos do Iraque e uma das cidades mais importantes da antiga Mesopotâmia, assim como o Museu da Civilização de Mossul, visando também à milenar cidade de Hatra, no Norte do país.
Ban Ki-moon manifestou-se “ultrajado”, ao citar recentes informações sobre a destruição em Hatra, cujas ruínas, com cerca de 2.300 anos, classificadas como Património Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), foram destruídas pelo Estado Islâmico.

Agência Lusa e Agência Brasil


O dólar ainda está barato

por Vinicius Torres Freire

O dólar a R$ 3 parece caro. Esse pico recente causa certa vertigem. Ouve-se que o dólar voltou ao valor "mais alto em dez anos". De resto, a moeda americana virou o ano a R$ 2,65. No início de 2015, o preço previsto pelo "mercado" para o final do ano era R$ 2,80.

As aparências enganam. O dólar ainda está barato.

Primeiro, note-se que o real pode derreter até, digamos, R$ 4 em caso de besteirada na política, na política econômica ou de tumulto mundial (devido à alta dos juros americanos). Mas, na média do ano, o dólar está em R$ 2,85. Convém ter um pouco de paciência antes do pânico.

Segundo, é fácil perceber que R$ 3 em 2015 valem menos que R$ 3 em 2004 (houve inflação). Embora variações violentas do dólar possam no curto prazo bagunçar as empresas e, por tabela, a economia, não dá para pensar em efeitos mais duradouros e gerais do preço do dólar nesses termos, nominais.

Terceiro, feita uma conta mais certinha, constata-se que a taxa de câmbio está em nível parecido com a de fins de 2007. Trata-se aqui da "taxa de câmbio efetiva real", que leva em conta inflações e o peso de cada moeda no comércio exterior brasileiro. Outra medida do custo relativo do país, porém, indica que o Brasil ainda está caro, longe dos anos "competitivos" de 2003-07. É o que se nota no caso da relação câmbio/salário, grosso modo salários medidos em dólares, ajustados pela produtividade.

Quarto, mesmo depois de três anos de desvalorização do real e de crescimento baixo (zero em 2014), o Brasil ainda tem deficit externo enorme, de mais de 4% do PIB (trata-se aqui do saldo das transações de bens e serviços com o exterior). Mesmo com economia parada, o país ainda consome muito mais que produz.

Ou seja, simplificando, mas não muito, o dólar está barato o bastante para permitir tamanha importação de bens e serviços, ainda que a renda nacional tenha estagnado. Mas, pelo menos na presente situação brasileira e dado o contexto mundial desfavorável, viria bem a calhar uma redução do deficit externo, desde que tal reversão não fosse caótica (megadesvalorização súbita). Seria um caminho possível para alguma retomada econômica, mais adiante.

Desvalorizações reais da moeda em geral reduzem o deficit externo (e vice-versa), ainda que com efeito retardado. O real desvalorizado ("dólar caro") contribuiu para os superavit externos entre 2003 e 2007, embora a conta dos fatores que influenciaram tal resultado não seja simples assim.

Talvez agora seja necessária uma desvalorização maior do real. Ao contrário do período 2002-08, o mundo cresce pouco, o preço dos nossos produtos principais de exportação desaba e a concorrência no mercado de manufaturas é muito mais difícil, até porque continua a liquidação de bens industriais no mundo, ao passo que nossos custos ainda sobem muito.

Pelo menos em relação ao fim de 2007, o câmbio ainda não compensou o efeito combinado de alta de salários e produtividade estagnada. Além do mais, as desastrosas políticas industrial e de comércio exterior de Dilma 1 parecem ter feito a indústria regredir em capacidades. Mesmo após a desvalorização do real, o deficit externo continuou nas alturas.
Fonte: Folha Online - 08/03/2015 e Endividado



Agências de viagens oferecem pacotes com preço até 50% mais baixo

Ideal é comprar viagem com antecedência para conseguir as melhores ofertas. Descontos são ofertados para baixa temporada

Rio - Quem pretende tirar uns dias para fugir da rotina e conhecer lugares novos já pode começar a fazer as malas. Agências de viagens, hotéis e companhias aéreas estão com descontos de até 50% para a baixa temporada, com opções de pacotes no Brasil e no exterior. O ideal é comprar a viagem com antecedência para conseguir as melhores ofertas.

Gerente de contas de um e-commerce de turismo, Rafaela Vila Barbosa, 33 anos, aproveitou a experiência nesse mercado para planejar as férias com o marido e a filha. Os três estão com viagem marcada para Bonito (MS) e conseguiram promoções de 53% no hotel e de 40% na passagem aérea.

“Na baixa temporada, normalmente as empresas já oferecem preços bem mais baixos. Mas nós compramos com bastante antecedência, então conseguimos valores ainda mais em conta. Para dois adultos e uma criança de dez anos pagamos R$ 790 de hospedagem para oito dias e mais R$ 1.190 de passagem aérea”, conta Rafaela.

Já a designer Juliana Nieri, 27 anos, optou por viajar com o namorado para Amsterdã (Holanda) e Bruxelas (Bélgica). Ela conta que teve a ideia de viajar após a falha na KLM que vendeu passagens internacionais por R$ 600. “Fiquei animada com a promoção, tentei comprar compulsivamente, mas não consegui e fiquei frustrada. Aí comecei a ficar de olho em outras ofertas. Consegui comprar a passagem para Amsterdã por R$ 1.800 ida e volta. Achei o preço muito bom. Ano passado, quando fui para Londres, não encontrei bilhetes por menos de R$ 4 mil”, explica.

Para Gilberto Braga, economista do Ibmec e da Fundação Dom Cabral, mesmo com a moeda norte-americana em alta é possível encontrar bons preços para viagens internacionais. “Com o dólar a mais de R$ 3 no turismo, as agências trabalham com os chamados bloqueios, que é uma cota antecipada de reservas que elas têm que honrar. Então começam a dar descontos em dólar para compensar o aumento do câmbio e fazer com que os pacotes saiam”, diz o especialista.

No Hotel Urbano, por exemplo, o pacote para Lisboa (Portugal) e Veneza (Itália), com passagem aérea e hotel é encontrado a partir de R$ 2.590 por pessoa, com possibilidade de parcelamento em dez vezes. Já na CVC, o pacote de seis noites para Cancun, incluindo aéreo, hospedagem com café da manhã, translado e city tour custa agora a partir de R$ 6 mil, podendo ser parcelado em dez vezes sem juros. O valor é 21% mais baixo que na alta temporada.

Mas segundo Antônio Gomes, diretor comercial do Hotel Urbano, as melhores promoções ainda são para destinos nacionais. “Até junho, os melhores lugares para viajar dentro do Brasil continuam sendo Região dos Lagos (RJ), Nordeste, Gramado e Foz do Iguaçu. As condições climáticas são boas e os preços estão bem competitivos”, afirma.

Um pacote de três noites para Fortaleza (CE), com aéreo de ida e volta, além de hospedagem com café da manhã, está pela metade do preço na CVC, em comparação à alta temporada. Custa hoje a partir de R$ 760.

No entanto, é preciso prestar atenção às datas dos feriados na hora de planejar uma viagem para dentro do país. Gilberto Braga explica que nessas ocasiões os preços sobem, voltando para os valores de alta temporada. Outra dica, de acordo com o economista, é pesquisar os hotéis oferecidos em sites de viagem.
“Muitas vezes, o mais barato não é o que tem a melhor localização ou não atende às necessidades do consumidor. É importante pesquisar e nunca comprar por impulso”, alerta.

ESCOLHA SEU DESTINO 
NATAL (RN)

Para quem gosta de sol e praia, o Nordeste é o ideal em todas as épocas do ano. No Hotel Urbano, o pacote para Natal com passagem aérea de ida e volta, quatro noites de hospedagem em Natal e três em Pipa, sai por R$399 por pessoa.

BARILOCHE
A cidade argentina tem atrações em todas as épocas do ano. Na CVC, o pacote de sete dias com aéreo, hotel, translado e passeio sai pelo valor de R$ 5.884,42. O preço pode ser parcelado em 10 vezes sem juros.

FOZ DO IGUAÇU (PR)
O pacote com duas noites custa a partir de R$ 890 por pessoa em site de viagem. Esse valor inclui passagem aérea e hospedagem com café da manhã.

GRAMADO (RS)
No Hotel Urbano, o pacote para quatro dias em Gramado sai por R$ 1.299 por pessoa, com passagem aérea, hospedagem e jantar romântico com champanhe.

CANCUN
Na CVC, o pacote para seis dias sai por R$ 6 mil, com aéreo e hospedagem.

Idosos aquecem mercado na baixa temporada

Com cada vez mais disposição, os idosos têm se tornado grandes viajantes neste período de baixa temporada. Pesquisa do Ministério do Turismo mostra que pessoas com mais de 60 anos fizeram pelo menos 18 milhões de viagens no ano passado, um aumento de 11% nos últimos quatro anos. Hoje, essa faixa etária já responde por 15% da carteira de clientes das agências de viagem.
Ao contrário dos mais jovens, os turistas mais experientes costumam ter disponibilidade para viajar em períodos de baixa ocupação e a maioria (70%) tem independência financeira, de acordo com o Banco Mundial.

Boletim mensal que mede a intenção de viagem do brasileiro mostra que boa parte dos idosos (32%) está disposta a arrumar as malas pelos próximos seis meses. Entre o público que tem até 35 anos, a intenção de viajar se reduz a 22% nesse período.

Já as famílias que só podem viajar nos feriados, em função do trabalho e do calendário escolar, vão movimentar R$ 18,66 bilhões na indústria de turismo. A pasta estima que os feriados vão acrescentar 20 dias ao calendário nacional de viagens e motivar cerca de 10,9 milhões de passeios domésticos extras por todo o país.

O feriado que mais deve aquecer a economia é o de 12 de outubro. A expectativa é que o Sudeste atraia a maior parte dos visitantes.
Fonte: O Dia Online - 08/03/2015 e Endividado

 

Lei do Feminicídio será sancionada nesta segunda-feira, diz Dilma

A presidenta Dilma Rousseff anunciou que vai sancionar nesta segunda-feira (9), em cerimônia às 15h, no Palácio do Planalto, a Lei do Feminicídio. A assinatura ocorrerá antes de esgotar o prazo estabelecido após a aprovação pelo Congresso Nacional e encaminhamento para a Presidência da República, estabelecido pela Constituição em 15 dias úteis para sanção ou veto. A presidenta fez a revelação hoje (8) à noite, em pronunciamento feito em cadeia nacional de rádio e televisão, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher.

“Quero anunciar um novo passo no fortalecimento da justiça, em favor de nós, mulheres brasileiras. Vou sancionar, amanhã, a Lei do Feminicídio que transforma em crime hediondo o assassinato de mulheres decorrente de violência doméstica ou de discriminação de gênero”, disse.

Saiba Mais

Dilma ressaltou que, com a aprovação, o crime passará a ter penas mais duras e que a medida “faz parte da política de tolerância zero em relação à violência contra a mulher brasileira”. O crime do feminicídio é aquele em que a mulher é assassinada por questões de gênero.

O Projeto de Lei 8.305/14, aprovado na última terça-feira (3) pela Câmara dos Deputados, depois de ter tramitado no Senado Federal, classifica o feminicídio como crime hediondo e modifica o Código Penal incluindo o crime entre os tipos de homicídio qualificado.

O texto prevê o aumento da pena em um terço se o assassinato acontecer durante a gestação ou nos três meses posteriores ao parto; se for contra adolescente menor de 14 anos ou contra uma pessoa acima de 60 anos ou, ainda, contra uma pessoa com deficiência. A pena é agravada também quando o crime for cometido na presença de descendente ou ascendente da vítima.

O projeto foi elaborado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Violência contra a Mulher e estabelece que existem razões de gênero quando o crime envolver violência doméstica e familiar ou menosprezo e discriminação contra a condição de mulher.

Na justificativa do projeto, a CPMI destacou que, entre os anos 2000 e 2010, 43,7 mil mulheres foram mortas no Brasil, vítimas de homicídio. Mais de 40% delas foram assassinadas dentro de suas casas, muitas pelos companheiros ou ex-companheiros.

 

Agência Brasil

 

Cobrar seguro não solicitado na fatura de luz enseja pagamento de dano moral

por Jomar Martins

Concessionária que inclui a cobrança de serviços não solicitados pelo consumidor na fatura mensal de energia elétrica causa dano moral. Afinal, deixa de atender ao dever de prestar as informações necessárias relativas ao contrato celebrado. O  entendimento levou a 11ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul a manter sentença que condenou, solidariamente, a Rio Grande Energia (RGE) e a ACE Seguradora a indenizarem em R$ 3 mil um consumidor que estava pagando, além da tarifa, a apólice de seguro de vida não contratado.
Nos dois graus de jurisdição, ficou entendido que a concessionária não conseguiu provar a contratação do serviço de seguro nem qualquer autorização, de parte do seu cliente, que lhe permitisse fazer esta cobrança mensalmente. Também ficou claro que o fato de o cliente, espontaneamente, ter pago mensalmente a fatura não demonstra ‘‘contratação inequívoca’’, não se constituindo em ato jurídico capaz suprir a invalidade provocada pela seguradora. Afinal, inexistiu a emissão de apólice.
Para a juíza Káren Bertoncello, da 1ª Vara Cível da Comarca de Sapiranga (RS), a falta de informação adequada caracteriza falha na prestação do serviço, o que leva à responsabilização do fornecedor — independentemente da existência de culpa. Logo, enseja a reparação dos danos, como diz o artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor. ‘‘O dano causado ao demandante é evidente, sendo considerado in re ipsa, independente de comprovação, notadamente em face da surpresa do desconto de valor indevido, e aborrecimentos causados pela falha das demandadas na prestação dos serviços’’, escreveu na sentença.
O relator da Apelação, desembargador Luiz Roberto Assis Brasil,  reformou a sentença apenas no ponto em que a julgadora de origem estipulou prazo de cinco anos, anteriores à data da propositura da ação, para devolução em dobro dos valores — a chamada ‘‘repetição de indébito’’. Para o desembargador, em se tratando de pedido de restituição de valores, o prazo prescricional deve ser o trienal, previsto no artigo 206, parágrafo 3º, inciso IV, do Código Civil.
Ação declaratória
O autor ajuizou Ação Declaratória de Inexistência de Débito  cumulada com Indenização por Danos Morais e Repetição de Indébito contra a Rio Grande Energia (RGE) e a ACE Seguradora, alegando que a primeira inseriu cobrança de seguro de vida no boleto do pagamento de tarifa de energia, sem lhe consultar. Informou que sofre descontos mensais, no valor de R$ 3,99, desde meados de 2006, sem ter solicitado este tipo de serviço.
Em sua defesa, a seguradora acenou com a prescrição do direito do autor. No mérito, argumentou que o seguro é contratado por adesão espontânea do segurado — mediante o pagamento opcional da fatura enviada junto com a de energia elétrica —, e não por contrato assinado. Ou seja, se pagou, na primeira vez, de forma espontânea, e continuou pagando mensalmente, concordou com a contratação de seguro.
A RGE alegou prescrição trienal, além de ilegitimidade passiva. No mérito, sustentou que a cobrança é legal, uma vez que o seguro é contratado por ′′adesão espontânea do segurado′′, mediante o pagamento opcional de fatura. Esclareceu que o consumidor recebe, junto com a fatura de energia elétrica, um folder informativo — o que atende satisfatoriamente seu direito básico à informação.
Clique aqui para ler a sentença.
Clique aqui para ler o acórdão.

Fonte: Conjur - Consultor Jurídico - 07/03/2015 e Endividado

 

Passado o boom, desencanto leva executivos a deixar o Brasil

por JOANA CUNHA e ÉRICA FRAGA

A euforia virou desencanto e tem levado profissionais que se animaram com as perspectivas do país em meados da década passada a buscar uma porta de saída.
Mais de 80% dos executivos brasileiros, por exemplo, se diziam dispostos a deixar o país para trabalhar no exterior no ano passado. Em 2013, eram 62,6%, segundo pesquisa feita pela multinacional de recrutamento Hays em parceria com o Insper.
A Michael Page, outra gigante do setor de recursos humanos, diz que, de cada dez altos executivos que aborda atualmente, três ou quatro mencionam o interesse de trabalhar no exterior. Em 2008 e 2009, essa relação não passava de 10%.
Muitos profissionais qualificados têm transformado essa intenção em ação.
A tendência começa a se refletir em dados como o aumento nos pedidos de vistos para alguns países desenvolvidos após uma fase de recuo que coincidiu com o boom da economia brasileira e a crise financeira internacional.
O economista Bruno Amaral, 30, havia voltado para o Brasil em 2010 após uma temporada trabalhando fora.
"O país estava explodindo de crescimento [alta do PIB de 7,5% em 2010]. Eu queria ser parte daquilo", diz. Dois anos após voltar, conta ter percebido que se equivocou.
"Tinha trocado de emprego no Brasil e ido para o setor automotivo para cuidar da área financeira. Mas minha principal missão era redução de custos. Já era um sinal de que as coisas não iam bem."
Acabou conseguindo que a multinacional Chassis Brakes International, para a qual trabalha, o transferisse para a França no fim de 2013 como o principal executivo de finanças na Europa.
Segundo Amaral, a capacidade dos brasileiros de enfrentar turbulências é considerada um ativo por empregadores estrangeiros.
"A experiência com crises faz você ser visto como alguém capaz de reagir rápido a cenários adversos."
O percurso econômico turbulento do Brasil, marcado por altos e baixos conhecidos como "voos de galinha", faz com que a história vivida recentemente por profissionais como Amaral não seja nova.
A trajetória instável perpetua alguns freios importantes ao desenvolvimento econômico do país.
Empresários relatam ter de operar com sobra excessiva de caixa no país, o que os torna menos eficientes.
O embarque de estudantes estrangeiros, que poderia contribuir para resolver a falta de mão de obra qualificada, perde fôlego a cada crise.
Fonte: Folha Online - 08/03/2015 e Endividado