Estudo aponta que inflação de alimentos no Brasil é fenômeno estrutural e superou em 62% a inflação geral em 20 anos

 


31/03/2026 | 18:12
Agência Brasil
Um estudo divulgado nesta terça-feira (31) pela ACT Promoção da Saúde, em parceria com a Agência Bori, conclui que a inflação dos alimentos no Brasil tem caráter estrutural, ou seja, resulta de problemas permanentes do modelo econômico e não apenas de fatores temporários ou sazonais.Elaborado pelo economista Valter Palmieri Junior, doutor em desenvolvimento econômico pela Unicamp, o levantamento mostra que, entre junho de 2006 e dezembro de 2025, o custo da alimentação subiu 302,6%, enquanto a inflação oficial (IPCA) acumulada foi de 186,6%. Isso significa que a alta dos alimentos superou em 62% a inflação geral no período.Diferentemente do que ocorre nos Estados Unidos, onde os preços dos alimentos subiram apenas 1,5% acima da inflação geral no mesmo intervalo, no Brasil o encarecimento é persistente e difícil de reverter mesmo após crises.Alimentos saudáveis x ultraprocessadosA pesquisa revela que a inflação atinge com muito mais força os alimentos in natura e minimamente processados. Os grupos que mais encareceram foram:
  • Frutas: 516,2%
  • Carnes: 483,5%
  • Tubérculos, raízes e legumes: 359,5%
Como consequência, o poder de compra do brasileiro para frutas caiu cerca de 31% e para hortaliças e verduras, 26,6%, quando comparado ao salário mínimo. No mesmo período, o poder de compra aumentou para produtos ultraprocessados, como refrigerantes (+23,6%), presunto (+69%) e mortadela (+87,2%).Segundo o economista, os ultraprocessados ficam mais baratos porque dependem de poucos ingredientes básicos (trigo, milho, açúcar e óleo vegetal) e aditivos industriais, que têm menor oscilação de preço e são produzidos em larga escala em monoculturas.Principais causas apontadas pelo estudoO relatório identifica vários fatores estruturais para a inflação persistente da comida:
  1. Modelo agroexportador: O Brasil se tornou um dos maiores exportadores de alimentos do mundo. As exportações saltaram de 24,2 milhões para 209,4 milhões de toneladas entre 2000 e 2025, enquanto a produção destinada ao mercado interno perdeu espaço. Isso faz com que os preços internos sejam fortemente influenciados pelo dólar e pela demanda externa.
  2. Concentração de terra: A área plantada com soja, milho e cana-de-açúcar quase dobrou (de 41,93 para 79,30 milhões de hectares), enquanto a destinada a arroz, feijão, batata, trigo, mandioca, tomate e banana encolheu significativamente.
  3. Alta no custo de insumos: Fertilizantes, herbicidas, inseticidas e máquinas agrícolas tiveram aumentos exorbitantes (fertilizantes subiram 2.423% em reais, por exemplo), encarecendo a produção mesmo para pequenos agricultores que não exportam.
  4. Concentração da cadeia produtiva: Poucas empresas estrangeiras dominam os mercados de sementes, pesticidas e máquinas agrícolas, além de grande parte da indústria alimentícia.
  5. Inflação invisível: Redução da qualidade dos produtos (menos leite no sorvete, menos cacau no chocolate) sem alteração no preço final, o que não é captado pelos índices oficiais.
Soluções propostasO estudo defende que o preço da comida não é apenas uma questão econômica, mas uma escolha política e civilizatória. Entre as recomendações estão:
  • Desconcentração produtiva e fortalecimento das economias locais
  • Reequilíbrio entre exportação e abastecimento interno
  • Fortalecimento da Conab e das Ceasas
  • Maior acesso à terra por meio de reforma agrária
  • Crédito rural condicionado à produção para o mercado interno
Palmieri Junior argumenta que países desenvolvidos realizaram reformas agrárias no passado e que tornar a terra mais acessível contribui para a soberania alimentar e, indiretamente, beneficia outros setores da economia, pois deixa mais renda disponível para o consumo de bens e serviços.

Congo de Kidiaba e mais três seleções garantem vaga na Copa do Mundo de 2026

 


31/03/2026 | 21:52
Correio do Povo
A Copa do Mundo de 2026 ganhou mais quatro classificados nesta terça-feira (31). Congo, República Tcheca, Turquia e Suécia garantiram suas vagas no Mundial que será disputado nos Estados Unidos, Canadá e México.O destaque ficou por conta do Congo, que voltou a se classificar para uma Copa do Mundo após cinco décadas. A seleção africana, comandada pelo ex-goleiro e atual preparador Kidiaba — ídolo do Mazembe que ajudou a eliminar o Internacional no Mundial de Clubes de 2010 —, venceu a Jamaica por 1 a 0 na prorrogação. Os congoleses vão integrar o grupo com Portugal, Colômbia e Uzbequistão.A República Tcheca também garantiu a classificação de forma dramática. Após empatar com a Dinamarca no tempo normal e na prorrogação, os tchecos venceram por 3 a 1 nos pênaltis. A equipe abriu o placar aos três minutos de jogo, sofreu o empate no segundo tempo e viu a partida ser decidida nas penalidades. A República Tcheca caiu no Grupo A, ao lado de México, África do Sul e Coreia do Sul.A Turquia confirmou seu retorno ao Mundial após 24 anos. Com vitória por 1 a 0 sobre o Kosovo, os turcos voltam à Copa desde a edição de 2002, quando terminaram em terceiro lugar. Eles integrarão o Grupo D, com Estados Unidos, Paraguai e Austrália.Por fim, a Suécia sofreu, mas garantiu a vaga com uma vitória por 3 a 2 sobre a Polônia. Os suecos saíram na frente, cederam o empate duas vezes, mas venceram com um gol decisivo de Viktor Gyökeres. A Suécia disputará o Grupo F, ao lado de Holanda, Japão e Tunísia.Com essas quatro classificações, o número de seleções já garantidas na Copa do Mundo de 2026 segue avançando rumo ao total de 48 participantes.

Mapa eleitoral do Rio Grande do Sul se define, mas incógnita no PT persiste

 


31/03/2026 | 21:00
Taline Oppitz
O cenário eleitoral para o governo do Rio Grande do Sul ganha forma, mas ainda resta uma grande indefinição: o posicionamento do PT na disputa ao Piratini.Com a confirmação da aliança entre o PSD e o governador Eduardo Leite, a majoritária em torno do pré-candidato do MDB, vice-governador Gabriel Souza, avançou rapidamente. A chapa deve contar com Ernani Polo (PSD) como vice, além de Germano Rigotto (MDB) e Frederico Antunes (PSD) disputando as duas vagas ao Senado.Pelo PL, o pré-candidato Luciano Zucco terá como vice Silvana Covatti (PP), cuja indicação deve ser oficializada na próxima semana. Ubiratan Sanderson (PL) e Marcel Van Hattem (Novo) serão os candidatos ao Senado.O PSDB apresentará chapa pura: Marcelo Maranata como candidato a governador, Betty Cirne Lima como vice e Cláudio Diaz para uma das vagas ao Senado. A segunda vaga ainda será definida, mas também ficará com um nome do partido.A grande incógnita: PT e o palanque único para LulaA principal dúvida no mapa eleitoral gaúcho continua sendo o futuro da pré-candidatura de Edegar Pretto (PT) ao governo do estado. O PT nacional insiste na construção de um palanque único para o presidente Lula no Rio Grande do Sul, o que poderia obrigar o partido a recuar da candidatura própria e apoiar a trabalhista Juliana Brizola (PDT).Lideranças dos dois partidos esperam um desfecho para o impasse na próxima semana, após a Páscoa. No entanto, não há pressa para ceder: enquanto Edegar Pretto segue com caravanas pelo interior, rumores semanais questionam a manutenção de sua candidatura. Já Juliana Brizola permanece em pré-campanha, mas isolada, já que o PDT não consegue formar aliança sem o apoio do PT e de outros partidos que já declararam apoio a Pretto.Reunião inconclusiva em BrasíliaNa segunda-feira, Edegar Pretto e o presidente estadual do PT, Valdeci Oliveira, foram a Brasília para uma reunião com a direção nacional do partido. O presidente Lula não compareceu, por problemas de agenda. Os dois foram recebidos pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva.Segundo Valdeci Oliveira, o recado foi para que o PT gaúcho continue conversando com o PDT no esforço de viabilizar o palanque único para Lula. Ele afirmou que, por enquanto, Edegar Pretto segue como o candidato do partido ao governo e disse não acreditar em intervenção da cúpula nacional no diretório gaúcho.O cenário eleitoral gaúcho deve ganhar maior clareza nas próximas semanas, especialmente após a Páscoa.

Fala, Professor! Ep. 82 | A FARSA DA CPI DO INSS: O "NEGÓCIO" DE LULA

 



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Trump afirma que EUA sairão do Irã “muito em breve”, em duas ou três semanas

 


31/03/2026 | 20:14
AFP
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira (31) que os EUA vão encerrar suas operações no Irã “muito em breve”, em um prazo de duas ou três semanas.Ao ser questionado sobre o aumento dos preços dos combustíveis nos Estados Unidos desde o início do conflito, Trump respondeu: “Tudo o que tenho que fazer é sair do Irã, e vamos fazer isso muito em breve, e [os preços] virão abaixo”. Ele reforçou o prazo estimado de “duas, talvez três semanas”.Trump alternou entre ameaças e disposição para negociar. “Queremos eliminar absolutamente tudo o que eles têm. É possível que cheguemos a um acordo antes disso, porque vamos atacar pontes, e já atacamos algumas... tenho algumas pontes muito boas em mente”, disse. Na sequência, acrescentou: “Mas se eles se sentarem à mesa, será bom. Embora não importe se eles venham ou não”.“É irrelevante se vamos chegar a um acordo ou não”, frisou o presidente americano.Trump tem oscilado publicamente entre posturas agressivas e sinais de abertura ao diálogo com o governo iraniano. Ele apresentou aos iranianos um plano de 15 pontos, que inclui a interrupção total de qualquer projeto nuclear, o desmantelamento de grande parte das capacidades balísticas e o fim do apoio a grupos armados que atuam na região. Segundo Teerã, a proposta está sendo analisada.A declaração de Trump ocorre em meio a mais de um mês de hostilidades no Oriente Médio, que já causaram milhares de mortes e impactos significativos na economia global, incluindo a alta nos preços do petróleo e dos combustíveis.