Irã tem “vontade” de acabar com a guerra, mas exige garantias de que o conflito não se repita, diz presidente

 


31/03/2026 | 17:12
AFP
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta terça-feira (31) que seu país tem “a vontade necessária” para encerrar a guerra contra Estados Unidos e Israel, mas condicionou o fim das hostilidades a garantias concretas de que a agressão não será repetida.A declaração foi feita durante um telefonema com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, segundo comunicado divulgado pelo gabinete presidencial iraniano.“Queremos pôr fim a este conflito, desde que sejam cumpridas as condições essenciais, especialmente as garantias para evitar que a agressão se repita”, disse Pezeshkian.A declaração ocorre após mais de um mês de intensos combates, que já causaram milhares de mortes e graves prejuízos à economia mundial. Apesar dos esforços diplomáticos em curso, a guerra no Oriente Médio ainda não dá sinais claros de distensão.Bombardeios e ameaças marcam o diaNesta terça-feira, o Irã voltou a ser alvo de intensos bombardeios, com explosões registradas em Teerã e na cidade central de Isfahan. Veículos estatais também informaram danos em um centro religioso xiita em Zanjan, no noroeste do país.A Guarda Revolucionária iraniana, por sua vez, ameaçou atacar grandes empresas de tecnologia americanas no Oriente Médio — como Google, Meta e Apple — caso novos dirigentes iranianos sejam assassinados. Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, vários altos funcionários e o próprio líder supremo da República Islâmica morreram em ataques.O chefe do Pentágono, Pete Hegseth, afirmou que os “próximos dias serão decisivos” e que as negociações com o Irã “estão ganhando força”.Tensões no Estreito de OrmuzNa segunda-feira, o presidente americano Donald Trump ameaçou atacar instalações energéticas iranianas caso as negociações não avancem rapidamente e Teerã não desbloqueie “de imediato” o Estreito de Ormuz, por onde passava um quinto dos hidrocarbonetos mundiais antes da guerra.Em resposta, uma comissão parlamentar iraniana aprovou projeto de lei que impõe pedágios a navios que transitam pelo estreito e proíbe a passagem de embarcações dos Estados Unidos e de Israel.Vida sob bombardeiosEm Teerã, moradores relatam dificuldade para manter a rotina diária. “Ultimamente, tenho ficado em casa quase o tempo todo e só saio se for absolutamente necessário”, contou Shahrzad, uma dona de casa de 39 anos. “Às vezes me pego chorando. Sinto falta dos dias normais”, lamentou.Frente regionalO Irã continuou lançando ataques contra Israel e bases americanas no Golfo Pérsico. Aliados como o Hezbollah, no Líbano, e os rebeldes huthis, no Iêmen, também participam do confronto.Em Jerusalém, sirenes soaram após alerta de mísseis iranianos. Em Dubai e perto de Riade, na Arábia Saudita, explosões foram ouvidas e um petroleiro kuwaitiano foi atingido perto de Dubai.Líbano e ONUO ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que o país pretende ocupar parte do sul do Líbano após o fim da guerra. O governo libanês denunciou a intenção como uma “nova ocupação” do território.Em Nova York, o Conselho de Segurança da ONU realiza nesta terça-feira uma reunião de emergência após a morte de três soldados de paz indonésios da força Unifil no Líbano. Uma fonte de segurança da ONU informou que um dos capacetes azuis foi vítima de artilharia israelense.

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