Com fim do 0303, empresas de telemarketing encontram terreno fértil para incomodar

 Como alternativa, Anatel determina autenticação de chamadas, mas medida não se mostra suficiente para evitar abusos

Código foi criado em 2021 pela Anatel para identificar ligações de telemarketing Bruno Peres/Agência Brasil/Arquivo

Desde que a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) decidiu revogar a obrigatoriedade do código 0303 nas chamadas de empresas de telemarketing, os consumidores voltaram a ficar “expostos” a ligações indesejadas.

A medida, em vigor desde o início deste mês, dificulta o reconhecimento de ligações comerciais antes de o usuário atender a chamada — o que pode ampliar o bombardeio de ligações, como explica Stefano Ferri, especialista em direito do consumidor.

“Vai dificultar a distinção entre ligações legítimas e indesejadas, além de aumentar o número de golpes virtuais”, observa.

Segundo ele, com isso, criminosos conseguem se passar por empresas de telemarketing mais facilmente, para enganar os consumidores e oferecer serviços que não existem.

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O motivo da retirada da obrigatoriedade, segundo a agência, foi a estigmatização das chamadas que utilizam o prefixo, ou seja, a ideia de que qualquer chamada originada de um número 0303 seria inoportuna.

Essa análise foi feita após recursos e petições protocolados por empresas e entidades, como a Fenapaes (Federação Nacional das Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais). De acordo com a Anatel, o 0303 segue vigente, porém a utilização é opcional para as empresas.

Contudo, os brasileiros não gostaram da novidade. A dona de casa Irailma Figueredo chegou ao ponto de não atender chamadas de número desconhecidos para não ser incomodada.

“Com o código antes das ligações, ficava fácil identificar. A pior coisa que existe é você estar ocupada, e uma empresa ligar para te vender algo e ainda ficar insistindo, te prendendo na chamada”, desabafa.

Agora, com a revogação, ela deve voltar à antiga estratégia. “Se não dá para saber, vou parar de atender novamente. É o jeito. Quem realmente precisa falar comigo, encontra outras formas”, acredita.

Autenticação

O 0303 foi criado em 2021, pela Anatel, com o objetivo de reduzir chamadas indesejadas. No dia 5 de janeiro deste ano, a agência ampliou o uso do código, determinando que as empresas ou organizações que realizam mais de 10 mil chamadas diárias deveriam adotar o prefixo, independentemente do motivo. Antes, o 0303 era aplicado apenas às empresas de televendas.

Com a revogação, uma mudança que já estava prevista foi antecipada: a autenticação de chamada para empresas que realizam mais de 500 mil ligações por mês, no prazo de 90 dias.

“Com base nos dados decorrentes de monitoramento da rede e acompanhamento técnico da questão, a Agência entendeu que é mais efetivo focar seus esforços na obrigação de utilização do mecanismo de autenticação de chamadas como forma de reduzir o incômodo sofrido pelos consumidores”, declara a Anatel.

O mecanismo vai verificar a origem real da ligação e bloquear chamadas que utilizam práticas como o spoofing — mascaramento de número, abrangendo 50% das chamadas cursadas na rede. No entanto, quem tem aparelhos mais antigos pode não ser beneficiado pelo novo sistema.

Na avaliação de Ferri, a medida representa um retrocesso. “O 0303 oferecia uma identificação clara aos consumidores, permitindo que decidissem se atendiam ou não a ligação. Essa medida de autenticação de chamadas deveria ser adotada de forma complementar, mantendo-se o código nacional que servia de proteção aos consumidores″, opina.

A agência reforçou que estão em andamento outras medidas para ampliação do bloqueio de empresas irregulares — com foco na redução da quantidade de ligações, maior transparência ao usuário e combate ostensivo às fraudes —, mas não detalhou quais seriam elas.

Alternativas para consumidores

De acordo com Ferri, resta aos consumidores utilizar alguns artifícios para se proteger e reduzir o incômodo.

Uma das alternativas é o bloqueio de chamadas de forma individual por aplicativos. Em alguns estados, como São Paulo, há iniciativas nesse sentido.

“O cadastro no ‘Não Me Ligue’, do Procon, permite bloquear ligações de telemarketing de empresas cadastradas dos setores de telecomunicações e instituições financeiras”, recomenda.

Ele ressalta a importância de registrar queixas em casos de abusos. “Órgãos como Procon e Anatel podem adotar medidas para coibir práticas ilegais”, conclui Ferri.

Perguntas e Respostas

Qual foi a decisão da Anatel em relação ao código 0303?

A Anatel decidiu revogar a obrigatoriedade do código 0303 nas chamadas de empresas de telemarketing, o que expõe os consumidores a ligações indesejadas.

Como essa mudança afeta os consumidores?

A medida dificulta o reconhecimento de ligações comerciais antes de atender a chamada, aumentando o número de ligações indesejadas e a possibilidade de golpes virtuais, segundo o especialista em direito do consumidor, Stefano Ferri.

Qual foi o motivo para a revogação do código 0303?

A Anatel alegou que o código estava estigmatizando as chamadas que utilizavam o prefixo, levando a uma percepção negativa de qualquer ligação originada de um número 0303.

O que os consumidores estão fazendo em resposta a essa mudança?

Consumidores, como a dona de casa Irailma Figueredo, estão evitando atender chamadas de números desconhecidos para não serem incomodados, afirmando que a identificação anterior facilitava a escolha de atender ou não.

O que foi estabelecido como alternativa à revogação do código 0303?

A Anatel implementou a autenticação de chamadas para empresas que realizam mais de 500 mil ligações por mês, com o objetivo de verificar a origem real das ligações e bloquear práticas como o spoofing.

Quais são as críticas em relação à nova medida de autenticação de chamadas?

Stefano Ferri considera que a autenticação de chamadas representa um retrocesso, pois o código 0303 oferecia uma identificação clara para os consumidores, permitindo que decidissem se atendiam ou não a ligação.

Quais medidas adicionais a Anatel está considerando para combater as ligações indesejadas?

A Anatel está desenvolvendo outras medidas para aumentar o bloqueio de empresas irregulares, mas não detalhou quais seriam essas ações específicas.

Como os consumidores podem se proteger contra ligações indesejadas?

Os consumidores podem utilizar aplicativos para bloquear chamadas individualmente e se cadastrar no programa ‘Não Me Ligue’ do Procon, que permite bloquear ligações de telemarketing de empresas cadastradas.

Qual a importância de registrar queixas sobre ligações abusivas?

Registrar queixas em órgãos como Procon e Anatel é importante, pois essas entidades podem adotar medidas para coibir práticas ilegais de telemarketing.

R7 

Vídeo - UM AGOSTO DE MUITAS EMOÇÕES

 



Fonte: https://www.rsnoticias.top/2025/08/um-agosto-de-muitas-emocoes.html

Primeira-ministra italiana denuncia vazamento de fotos íntimas manipuladas e pede reação imediata

 

Meloni, a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra na Itália, afirmou que os responsáveis pelos roubos e manipulações devem ser identificados e punidos “com a máxima severidade” o quanto antes. (Foto: Reprodução/Twitter)

A primeira-ministra italiana Giorgia Meloni instou nesta sexta-feira as mulheres a denunciarem imediatamente quem compartilhe online fotos íntimas sem o seu consentimento, depois de ter se tornado ela própria vítima dessa prática.

— Estou enojada com o que aconteceu — disse Meloni ao jornal Il Corriere della Sera em meio a um grande escândalo pelo descobrimento de fotos manipuladas de várias mulheres — entre elas a própria primeira-ministra e a líder da oposição Elly Schlein — em um site pornográfico.

As imagens, que iam desde fotografias em comícios políticos até registros de férias roubados de contas pessoais em redes sociais, foram alteradas para destacar ou sexualizar partes do corpo das vítimas.

As fotos foram publicadas em um fórum online chamado Phica — um trocadilho com um termo vulgar usado em italiano para se referir à vagina —, que tinha mais de 700 mil inscritos antes de ser fechado na quinta-feira, sob a alegação de que os usuários haviam violado suas regras.

Outro escândalo semelhante estourou na semana passada, quando foi revelada a existência de um grupo italiano no Facebook, agora encerrado, chamado “Minha esposa”, em que homens publicavam fotos de suas companheiras acompanhadas de comentários vulgares, sexistas e violentos.

— Quero expressar minha solidariedade e apoio a todas as mulheres que foram ofendidas, insultadas e violentadas — declarou Meloni.

— É desalentador constatar que em 2025 ainda há quem considere normal e legítimo pisotear a dignidade de uma mulher e atacá-la com insultos sexistas e vulgares, escondendo-se atrás do anonimato ou de um teclado — acrescentou a primeira-ministra.

Cultura do estupro

Meloni, a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra na Itália, afirmou que os responsáveis pelos roubos e manipulações devem ser identificados e punidos “com a máxima severidade” o quanto antes.

— O conteúdo que se considera inofensivo pode, nas mãos erradas, tornar-se uma arma terrível, e todos devemos estar conscientes disso — disse.

“A melhor defesa que temos para nos proteger e proteger aqueles ao nosso redor” é “denunciar imediatamente” esses crimes, declarou, dirigindo-se às vítimas.

Schlein, por sua vez, afirmou que as publicações fazem parte de uma “cultura do estupro” que não apenas está “normalizada e justificada online”, mas também é amplificada por canais específicos usados para “a expressão dos piores impulsos”.

O site Phica existe desde 2005 e permaneceu ativo apesar de numerosas denúncias à polícia ao longo dos anos, segundo o portal digital Post.

A publicação relatou que o site organizava atividades chamadas “cum tributes” (“homenagens de sêmen”), nas quais homens enviavam fotos provando que haviam se masturbado com imagens de suas esposas ou das parceiras de outros usuários.

Uma vítima, Mary Galati, contou que descobriu fotos suas no site em 2023 e que, para investigar mais, precisou criar uma conta usando os documentos de identidade do pai, já que o Phica só aceitava usuários homens.

O site era “um inferno”, segundo o Post, que citou Galati dizendo que ali “maridos compartilhavam fotos de suas esposas e homens expunham suas parceiras ou familiares”.

“Inclusive pais subiam fotos de suas filhas muito pequenas — meninas de quatro ou cinco anos — sendo sexualizadas. Fotos de seus pés, de seus corpos, acompanhadas de comentários sexistas e pedófilos”, acrescentou a reportagem.

A ministra da Igualdade, Eugenia Roccella, disse que o governo estava trabalhando em reformas culturais para combater a “barbárie do terceiro milênio”, enquanto defensores dos direitos das mulheres anunciaram a possibilidade de uma ação coletiva contra o site. Com informações do portal O Globo.

O Sul

"Pai do Pix" deixa o Banco Central após 23 anos e assume posto no FMI: brasileiro vai integrar equipe global de pagamentos e levar experiência do Pix para o sistema financeiro mundial

 

“Pai do Pix” Carlos Brandt deixa o BC após 23 anos e assume posto no FMI. Criador do Pix levará a experiência brasileira para transformar pagamentos no mundo.

Depois de mais de duas décadas dedicadas ao Banco Central do Brasil, o economista Carlos Eduardo Brandt, conhecido como o “Pai do Pix”, anunciou sua saída em 2025 para assumir um cargo no Fundo Monetário Internacional (FMI). A mudança representa não apenas o fim de um ciclo de 23 anos em Brasília, mas também o reconhecimento internacional de um modelo brasileiro que se tornou referência mundial em inovação financeira.

A fala do protagonista — o que Brandt disse ao anunciar a mudança

Honrado em me juntar ao Fundo Monetário Internacional, no time de Pagamentos e Infraestruturas do Mercado Financeiro. Bastante animado para ampliar meus conhecimentos e apoiar o fortalecimento dos sistemas de pagamento globalmente!

Com essa declaração publicada no seu perfil oficial do linkedin, Brandt deixou claro que seu próximo desafio será contribuir com a modernização das infraestruturas financeiras em escala mundial, levando a experiência bem-sucedida do Pix para outros países.

Do Banco Central ao multilateralismo

No Banco Central, Brandt esteve à frente da Gerência de Gestão e Operação do Pix e da Gestão de Relacionamento e Fiscalização de Instituições de Pagamento, funções que o colocaram no centro do maior projeto de inclusão financeira do país.

No FMI, passará a atuar em um ambiente multilateral, colaborando com governos e bancos centrais na implantação de sistemas de pagamento instantâneo, na busca por maior eficiência operacional e no fortalecimento da inclusão.

Pix: a revolução que mudou o Brasil

Lançado em novembro de 2020, o Pix se consolidou rapidamente como o principal meio de pagamento do Brasil. Hoje, são mais de 159 milhões de pessoas físicas cadastradas, 15 milhões de empresas, além de 858 milhões de chaves ativas.

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Somente em junho de 2025, o sistema movimentou R$ 2,8 trilhões; no acumulado do primeiro semestre, o volume já chegava a quase R$ 16 trilhões. Esses números mostram a força de uma ferramenta que uniu praticidade, velocidade e baixo custo, e que se transformou em um dos maiores cases de inovação financeira do mundo.

O legado de Brandt no Banco Central

A carreira de Carlos Brandt no Banco Central começou em 2002 e foi marcada por sua atuação em projetos estruturantes, como a reforma do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) e a implementação do Sistema de Transferência de Reservas (STR). Mas foi com o Pix que ele deixou sua marca definitiva.

Sob sua liderança, o Banco Central desenhou uma arquitetura única: liquidação em tempo real, custo zero para pessoas físicas, disponibilidade 24 horas e uma governança que integrou bancos, fintechs e instituições de pagamento em uma mesma rede.

O sucesso do Pix não passou despercebido fora do Brasil. O modelo brasileiro passou a ser estudado em organismos multilaterais e por bancos centrais de diferentes países, sendo citado como exemplo de política pública inovadora e de alto impacto social.

A ida de Brandt ao FMI representa a consagração desse reconhecimento: um dos responsáveis pelo sistema agora atuará para apoiar países no desenvolvimento de suas próprias soluções de pagamentos digitais, aproveitando o aprendizado acumulado no Brasil.

O desafio global: interoperabilidade e inclusão

No FMI, Brandt terá como missão apoiar projetos voltados a:

  • Implantação de sistemas de pagamento instantâneo;
  • Estudos de interoperabilidade entre diferentes plataformas nacionais;
  • Promoção de inclusão financeira em países emergentes;
  • Integração de novas tecnologias, como moedas digitais de bancos centrais (CBDCs).

Essa agenda está diretamente conectada ao movimento global de digitalização financeira e à busca por sistemas mais baratos, eficientes e seguros.

A saída de Carlos Brandt do Banco Central e sua chegada ao FMI simbolizam um marco histórico para o sistema financeiro brasileiro e global. Ele deixa para trás o legado de um projeto que transformou a forma como o país paga, transfere e se relaciona com o dinheiro, e agora assume a responsabilidade de compartilhar essa experiência em escala internacional.

Mais do que o “Pai do Pix”, Brandt se torna o embaixador de uma revolução financeira brasileira, levando ao mundo a prova de que inovação, eficiência e inclusão podem caminhar juntas.

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