Da Agência Sputnik
Park Geun-hye é a primeira liderança democraticamente eleita da Coreia do Sul demitida do cargo -Mauricio Duenas Castaneda/EPA/Agência Lusa - Direitos Reservados
O Parlamento da Coreia do Sul aprovou hoje (9) moção para impugnar a presidente Park Geun-hye. É a primeira liderança democraticamente eleita da Coreia do Sul demitida do cargo. A informação é da agência Sputnik.
Nesta votação histórica, 234 deputados votaram a favor do impeachment, 56 votaram contra. Dois parlamentares se abstiveram e sete cédulas foram consideradas nulas.
O processo de impeachment agora tem que ser aprovado pelo Tribunal Constitucional do país. O tribunal tem até 180 dias para decidir. Park será formalmente retirada do cargo se seis dos nove juízes do tribunal apoiarem a decisão. Nesse caso, o país deverá realizar novas eleições presidenciais no prazo de 60 dias.
O escândalo político torno da presidente sul-coreana estourou depois que Park Geun-hye se desculpou publicamente pelo chamado "vazamento" de dezenas de textos dos discursos presidenciais, mesmo antes de eles serem pronunciados, para sua amiga Choi Soon-sil.
Além disso, houve especulações de que Choi Soon-sil teria se apropriado de US$ 70 milhões, ou seja, de uma parte da fortuna de grandes empresas sul-coreanas, visando a comprar bens imóveis e pagar a educação de sua filha em uma das universidades mais conceituadas do país. Nas últimas seis semanas, durante todos os sábados, houve manifestações exigindo que Park Geun-hye deixasse o cargo. Pesquisas de opinião mostram grande apoio da população aoimpeachment.
Agência Brasil
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Comunidade apoia ampliação dos Veadeiros, mas reclama de desinformação
Luana Lourenço – Enviada Especial da Agência Brasil*
Planta conhecida como Candombá, uma das mais comuns na região do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros Marcelo Camargo/Agência Brasil
Na feirinha de sábado de Alto Paraíso de Goiás, principal município da região da Chapada dos Veadeiros, no nordeste do estado, a ampliação do parque nacional que protege o ecossistema é assunto corrente entre moradores e turistas.
Em meio a barracas que vendem produtos típicos do Cerrado, como iguarias à base de castanha de baru, jenipapo e buriti, cosméticos naturais, vegetais orgânicos e outros produtos da agricultura familiar, o aumento da área de conservação federal é visto com simpatia pela maioria, mas também é motivo de preocupação, principalmente entre os que produzem em áreas no entorno do território atualmente protegido.
O governo federal quer aumentar a extensão do parque de 65 mil hectares para 222 mil hectares, em área praticamente contígua. No processo de negociação, algumas propriedades rurais consolidadas e produtivas foram retiradas do desenho original da ampliação e serão mantidas.
Em outros casos, os donos das terras se comprometeram a criar Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs). Mas algumas áreas terão de ser desapropriadas para dar lugar ao novo desenho do parque, e, como o processo e os valores das indenizações ainda não estão definidos, a expectativa gera insegurança em alguns moradores, como a agricultora familiar Conceição Moura Santos, do povoado do Moinho, vizinho ao Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.
Conceição Moura Santos, produtora rural e moradora do município de Alto Paraíso
Marcelo Camargo/Agência Brasil
“Vendo aqui coisas que produzo em casa, verdura, açafrão, frutas, docinho de leite, tudo eu que faço. Estou sabendo da ampliação do parque. Tem uma parte que é muito boa, que é a proteção da natureza, agora tem outras partes que eu não entendo muito e que a gente fica com medo de estar em um lugar, na terra da gente, onde a gente mora e talvez ter que sair. Tem uma parte muito boa, mas por essa outra parte eu fico insegura, preocupada”, pondera a agricultora, que nasceu na região.
Dona Conceição não participou das audiências públicas sobre a ampliação dos limites do parque realizadas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em 2015 e diz que nunca teve acesso a informações mais precisas sobre o projeto. “Lá no Moinho ninguém nunca foi, o que a gente fica sabendo é pelo rádio, pelo que as pessoas comentam, por isso a gente fica meio insegura”, acrescenta.
Fernando Tatagiba, chefe do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros Marcelo Camargo/Agência Brasil
De acordo com o chefe do parque, o analista ambiental do ICMBio Fernando Tatagiba, o povoado do Moinho não está incluído na proposta federal de ampliação da unidade de conservação, apenas as montanhas que cercam a região.
O produtor de orgânicos Rodrigo Machado vive e planta ainda mais perto do parque nacional, aos pés do Morro da Baleia, um dos principais cartões-postais da unidade de conservação, batizado assim por imitar o formato do mamífero marinho gigante. Na feira, diante de sua barraca com a vistosa produção de folhagens, frutas e outros vegetais, Machado também mostrou preocupação com a situação dos pequenos produtores caso a expansão da área protegida seja concretizada.
“Acho interessante a proposta desde que tomem cuidado com a sustentabilidade daqueles que vivem ali, de quem está de fato ali, que tira dali o seu sustento. É interessante para a humanidade, mas tem a questão particular dos que estão ali há muito tempo e que terão que sair”, destaca.
Ampliação do parque deve levar em conta famílias que vivem e produzem de forma sustentável
na região, afirma o produtor de orgânicos
Rodrigo Machado Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Machado cobra principalmente a diferenciação entre os que têm terras na região, mas vivem em cidades, e os que de fato produzem.
“Planto folhas em geral, rúcula, salsa, coentro, cebolinha, brócolis, tomate, vagem, morango na época de morango, um pouco de banana. Cultivo tudo isso em meio hectare. Tem gente que veio e destruiu o Cerrado para fazer uma mansão, uma quadra de futebol, uma piscina. O lugar que eu planto às vezes é menor que a quadra de futebol do meu vizinho”, compara.
No atual desenho, o limite do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros passa no topo do Morro da Baleia. A proposta de ampliação do ICMBio leva esse limite até a base, mas sem incluir as chácaras produtivas e até uma pequena fazenda localizada na região, segundo o chefe do parque.
“Ao incluir todo o Morro da Baleia, a ideia é inclusive garantir a preservação da paisagem, para evitar que comecem a construir casas de veraneio na encosta”, explica Fernando Tatagiba.
Paisagem
A mudança da paisagem natural da Chapada dos Veadeiros por causa do avanço da fronteira agrícola é lembrada pela líder espiritual Darshan de Freitas, que há quase 30 anos trocou Olinda (PE) por Alto Paraíso de Goiás. “A mudança foi muito rápida de um tempo para cá, principalmente por causa da monocultura. Antes, quando você vinha de Brasília para cá, só até Formosa tinha monocultura, agora ela chegou até aqui na beira da estrada. Imagina dentro da Chapada em si.”
Darshan espera que o aumento do parque consiga frear a degradação do Cerrado na região, considerada um centro de energia para várias vertentes místicas e religiosas.
Alto Paraíso de Goiás (GO) - Há quase 30 anos na região, a líder espiritual Darshan de Freitas diz que o avanço da agropecuária alterou a paisagem natural da Chapada dos Veadeiros Marcelo Camargo/Agência Brasil
“A ampliação do parque é uma situação vital, planetária, não é local, não é brasileira, é planetária, é vital. No planeta são muito raras essas partes íntegras, inteiras. Sem o parque, se não tiver uma organização da ocupação, vai ser um grande caos.”
O novo desenho do Parque dos Veadeiros também é assunto da política local. Recém-eleito para um mandato coletivo de vereador, iniciativa inédita no Brasil, Ivan Diniz diz que o grupo de cinco legisladores que se revezarão no posto defenderá a ampliação em área contígua, sem fragmentação.
“Recentemente tivemos uma posição por parte da Faeg [Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás] e da pressão da produção rural, de monocultura principalmente, querendo de alguma forma desconstruir tudo aquilo que foi construído, de transformar o que seria uma área só em um mosaico de área protegidas. Então, pretendemos defender a ampliação do parque dentro dos moldes que já foram acordados, que tinham sido acordados anteriormente”, adianta.
O vereador Ivan Diniz defende a ampliação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros de acordo com a proposta original do ICMBio
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Diniz pondera que, na eventual indenização dos atuais ocupantes das áreas a serem anexadas ao território de proteção federal, devem ser consideradas as diferenças entre grandes e pequenos produtores. Segundo ele, muitas vezes a situação dos agricultores familiares é usada como estratégia para defesa de interesses do agronegócio e da monocultura.
“Os interesses econômicos e a pressão desses grandes produtores é muito grande sobre os pequenos. Eles acabam, de certa forma, sendo iludidos, acreditando que estão do mesmo lado, quando, na verdade, quem mais está perto dos pequenos produtores são os ambientalistas, são os que estão querendo preservar o Cerrado. Porque essa biodiversidade toda está se perdendo e cada vez vai ficando menor. E é bem difícil a gente conseguir integrar essa polarização”, acrescenta.
O vice-presidente da Comissão de Meio Ambiente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Marcelo Lessa, nega o favorecimento aos grandes proprietários de terra. “A federação não distingue o pequeno, o médio e o grande. A federação é dos produtores rurais, não trabalha em defesa somente do grande, isso é um mito. É lógico que o grande vai se manifestar, vai buscar uma influência ou outra, mas não existe isso de subterfúgio para travar a ampliação do parque, a federação não distingue o tamanho das propriedades, mas sim que tem um produtor ali.”
De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos de Goiás (Secima), cerca de 515 propriedades estão na área de expansão. Dessas, estima-se que 230 famílias precisam ter as terras tituladas para ter direito à indenização na desapropriação.
Agência Brasil
Ampliação adequada do Parque dos Veadeiros pode garantir proteção a 50 espécies
Luana Lourenço – Enviada Especial da Agência Brasil*
Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, no município de Alto ParaísoMarcelo Camargo/Agência Brasil
O simpático pato mergulhão, de penacho na cabeça e bico longo e serrilhado para capturar peixes diretamente dentro d'água, tem apenas 200 exemplares em todo o mundo, 70 deles na região na Chapada dos Veadeiros (GO), de acordo com o pesquisador da Universidade de Brasília (UnB) e doutor em ecologia Reuber Brandão. Considerado uma das dez aves aquáticas mais ameaçadas do planeta, o pato-mergulhão está na lista das 32 espécies da fauna e 17 da flora que podem ser extintas caso a ampliação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros não seja feita de acordo com a proposta formulada pelo Ministério do Meio Ambiente, contestada pelo governo de Goiás.
O projeto original prevê o aumento dos atuais 65 mil hectares para 222 mil hectares, em área contígua. No entanto, uma contraproposta apresentada pelo governo de Goiás na última semana autoriza a anexação de apenas 90 mil hectares à unidade de conservação, excluindo da ampliação as terras que dependem de regularização fundiária, formando uma espécie de peneira de áreas protegidas.
Apesar de não ser a maior unidade de conservação do Cerrado, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros tem uma importância estratégica para a proteção da região, segundo a pesquisadora e professora do Departamento de Ecologia da UnB Mercedes Bustamante. “O parque é extremamente importante para a região e para o bioma por tratar-se de áreas de Cerrado de altitude com endemismos (representantes de flora e fauna restritos a essa região) significativos”, destaca.
Flor de Caliandra, noParque Nacional da Chapada dos Veadeiros Marcelo Camargo/Agência Brasil
A lista de animais ameaçados de extinção identificados na área também inclui a onça-pintada (Panthera onca), o socó boi jararaca (Tigrisoma fasciatum), a águia-cinzenta (Harpyhaliaetus coronatus), o cachorro do mato vinagre (Speothos venaticus) e duas espécies símbolo do Cerrado: o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) e o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla).
Para a flora, a ampliação do parque vai garantir a conservação de formações vegetais do Cerrado até agora desprotegidas, como a mata seca, predominante na região do Pouso Alto, a mais alta do Planalto Central, hoje fora dos limites oficias do parque. Além dessa, mais oito formações vegetais do bioma fazem parte do novo desenho da unidade: matas de galeria, cerradão, cerrado sentido restrito, parque cerrado, vereda, campo sujo, campo limpo e campo rupestre.
Segundo especialistas em Cerrado, pelas características do bioma, a demarcação fragmentada das áreas a serem protegidas não garante o grau de preservação que cabe a uma unidade de conservação de proteção integral. “A fragmentação reduz a sua efetividade da área protegida, com redução do fluxo gênico, impactos sobre a funções importantes dos ecossistemas como ciclos do carbono e da água, e aumenta o impacto que as transformações no entorno das áreas tem sobre o interior protegido”, ressalta Mercedes.
Além disso, o modelo de “peneira”, com áreas não protegidas no interior do parque, inviabiliza a sobrevivência de algumas espécies ameaçadas, como a onça-pintada e o lobo-guará, que precisam de áreas extensas para suas atividades e reprodução.
Reuber Brandão, professor e pesquisador da Universidade de Brasília Marcelo Camargo/ABr
“Se pensarmos nas populações de antas, onças, lobos-guará e gaviões, estamos falando de animais que precisam de grandes extensões para caçar e sobreviver. A águia-cinzenta, que habita a região, já não tem sido vista pelos pesquisadores com a mesma frequência”, explica Brandão.
Já o pato-mergulhão precisa de águas cristalinas para capturar seu alimento diretamente dos rios. Se os cursos d´água são afetados pela atividade agropecuária, instalação de pequenas centrais hidrelétricas ou até pela mineração – ameaça que ainda ronda a Chapada dos Veadeiros – o bicho não consegue sobreviver e desaparece. O pato-mergulhão é reconhecido inclusive como espécie bioindicadora, ou seja, a presença dele em uma determinada área revela um bom estado de preservação do ambiente, justamente o que está em risco na região dos Veadeiros neste momento.
Espécie de cacto presente no Parque Nacional
da Chapada Marcelo Camargo/Agência Brasil
“É preciso garantir a preservação dessas espécies para que a gente possa reverter o quadro de ameaça de extinção”, diz a especialista em pato-mergulhão Gislaine Disconzi, coordenadora do Censo Neotropical de Aves Aquáticas no Brasil.
“A proposta [do governo de Goiás] vem com uma colcha de retalhos, é uma fragmentação tão grande do sistema que não ajuda, não melhora as condições atuais. Não tem valor científico, não foram levados em conta os critérios de biodiversidade. O que essa colcha de retalhos vai trazer é o decaimento do ecossistema e isso a gente não quer, a gente quer áreas que possam ser o mais conectadas possível. A proposta que o ICMBio [Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade] e o MMA fizeram é a correta, em área contígua, e contempla critérios de biodiversidade, é para isso que se quer a ampliação”, acrescenta a bióloga.
Responsável pela descoberta de 11 espécies de anfíbios, nove delas na Chapada dos Veadeiros, Reuber Brandão destaca o potencial de novos achados científicos na região, atividade que pode ser estimulada com a decretação da nova área do parque. Sua última descoberta foi em novembro: uma rã ainda não batizada, encontrada na Reserva Natural Serra do Tombador, uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) a cerca de 20 quilômetros do parque federal.
Saiba Mais
Em 2015, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros recebeu 136 projetos de pesquisa, quase dez vezes mais que em 2008. Considerando 2016, o total de pesquisas na unidade nos últimos nove anos chega a 467, procedentes de 38 instituições.
O secretário executivo do Conselho Estadual de Meio Ambiente de Goiás, Rogério Rocha, reconhece que a ampliação fragmentada pode não ser a ideal para a biodiversidade e para a implementação administrativa da nova área do parque, mas diz que a contraproposta priorizou a situação das famílias que vivem na área, algumas há décadas. Segundo ele, após a regularização fundiária de todas as áreas, o governo de Goiás vai dar o aval para a extensão do parque também nessas terras.
Cerca em área conhecida como Jardim de Maytrea estabelece atual limite do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros Marcelo Camargo/Agência Brasil
“Tem um motivo essa autorização de fazer esses 90 mil hectares agora, é uma sinalização para o Ministério do Meio Ambiente de que nós somos a favor da ampliação. Goiás nunca foi contra, mas é que tem que ter uma expansão com responsabilidade social. A gente não pode garantir abstratamente ou juridicamente a proteção de uma área e esquecer de 230 famílias, essa é a questão”, argumenta.
Além disso, segundo Rocha, a intenção do governo de Goiás é criar na região do parque a Estação Ecológica Nova Roma, um tipo de unidade de conservação de uso ainda mais restrito que um parque nacional. “É uma área com nível máximo de proteção. São 7 mil hectares que são só para pesquisa e pesquisa com autorização. Isso está no meio do parque”, pondera.
Água e clima
A conservação dos recursos hídricos, que dão ao Cerrado a fama de “caixa d'água do Brasil”, pela quantidade e importância das nascentes do bioma, também pode ganhar fôlego com os novos limites do Parque dos Veadeiros, beneficiando atividades como o ecoturismo com foco nas belas cachoeiras da região e até a agropecuária, essencial para Goiás.
“A ampliação vai proteger centenas de nascentes que abastecem os rios da região, garantindo água inclusive para o agronegócio, que sustenta a economia do estado. Os rios que nascem na Chapada também alimentam a Bacia Amazônica”, lembra Brandão. O Rio Preto, por exemplo, cuja nascente hoje está fora da área de proteção no parque, deságua no Rio Tocantins, braço da Bacia Araguaia-Tocantins, uma das mais importantes do Brasil.
A Cachoeira dos Cariocas, no Parque Nacional da Chapada dos VeadeirosMarcelo Camargo/Agência Brasil
Por causa do impacto direto das mudanças da cobertura vegetal no regime de chuvas do Cerrado, o gestor ambiental da Fundação O Boticário, Danilo João Tenfen, diz que o impacto da decisão de não proteger determinadas áreas vai muito além dos efeitos sobre a fauna e a flora.
O gestor ambiental da Fundação Grupo O Boticário, Danilo Tenfen, destaca o papel da preservação do Cerrado para a mudança climáticaMarcelo Camargo/Agência Brasil
“Acima de tudo, a espécie mais vulnerável na verdade é a nossa, porque a não proteção de áreas significa devastação e desflorestamento. Converter esses ambientes naturais, florestas e fitofisionomias em plantações, monoculturas extensivas e pastos vai modificar o clima, o ciclo hidrológico e quem é mais afetado? Quem vai viver num planeta possivelmente inabitável?”, questiona.
A pesquisadora e professora da UnB Mercedes Bustamante destaca que, por causa das mudanças climáticas, “as áreas de altitude estão entre as mais vulneráveis e devem ter sua proteção priorizada”, como é o caso de parte da Chapada dos Veadeiros, que chega aos 1,6 mil metros de altitude em alguns pontos ainda não abarcados pelo parque nacional.
Agência Brasil