Pesquisadores defendem linhas de financiamento para energia solar

Pesquisadores brasileiros em energia solar defendem a criação, pelo governo, de linhas de crédito especial para a aquisição de equipamentos e a instalação de energia solar fotovoltaica (que transforma energia solar em energia elétrica) em residências. O tema foi discutido durante a 1ª Escola Internacional de Energia Solar, que ocorreu na última semana na Universidade de Brasília (UnB).
Para o professor da UnB Rafael Shayani, um dos organizadores do evento, esse modelo de microgeração distribuída, com a instalação de painéis nas casas, é bem promissor, pois não ocupa grandes áreas como as usinas solares, e o excedente de energia é enviado à rede pública, em um sistema de compensação. “Poucas pessoas sabem disso, é como se o relógio rodasse para trás. Com essa expectativa de que a energia elétrica vai subir 40%, a solar não vai ficar mais tão cara, se houver subsídio do governo”, disse.
Shayani explica que isso não vai ocorrer da mesma forma em todo o país. Segundo ele, em Minas Gerais, por exemplo, há mais procura porque é um estado com incidência solar favorável e onde o preço da concessionária de energia é mais alto, então o retorno do investimento será mais rápido.
Segundo o professor da Universidade Federal de Santa Catarina Ricardo Rüther, investir em geração de energia não é papel do consumidor final, mas é ele quem acaba pagando a conta, então precisa de condições de financiamento. “É um assunto que não está bem equacionado no Brasil. O financiamento é o gargalo. Comparando com a indústria automobilística, se o consumidor é bom pagador, hoje ele sai da concessionária com carro financiado até com juro zero. Como consumidor de energia elétrica, todo mundo é bom pagador, então por que não posso entrar em uma loja e sair com um contrato, para inclusive gerar recursos para pagar um telhado solar?”
Rüther explica que o investimento em um sistema de energia solar fotovoltaica é maior que no de aquecimento solar, usado geralmente em chuveiros, e pode variar de R$ 12 mil a R$ 15 mil, de acordo com a média de consumo das famílias. O retorno financeiro desse sistema vai variar de cinco a dez anos, com o uso de um equipamento que vai durar 25 anos em média.
De acordo com o professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Fernando Martins, o Brasil já tem regulamentação para o uso dessa energia, então as pessoas só dependem de mais incentivo e informação. “O benefício é a longo prazo, com o tempo as famílias vão economizar e ajudar o país a enfrentar uma crise hídrica, consumindo a energia da própria residência, enquanto os reservatórios possam ser enchidos”, disse.
Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) indicam que existem hoje no Brasil 317 empreendimentos em operação gerando energia solar fotovoltaica, com potência de 15,1 mil kilowatts (kW), 0,01% da energia utilizada no país. As usinas hidrelétricas produzem 62,55% da energia consumida.
Essa foi a primeira de três escolas internacionais, um projeto que envolve várias instituições para a disseminação do conhecimento das tecnologias de energias renováveis. “Tivemos um público de 300 pessoas, a maioria estudantes. A ideia da escola é fomentar a capacitação de recursos humanos. A escola está desmistificando o uso da energia solar. O Brasil tem uma visão conservadora, talvez pouco inovadora, que ninguém vai saber usar, mas existem dezenas de países que já a utilizam há 25 anos”, disse Rafael Shayani.
Para Rüther, apesar dos incentivos do governo e dos projetos estratégicos da Aneel, essa é uma área muito carente de mão de obra. “Precisamos dessa massa crítica. Essas novas gerações incluem os tomadores de decisões do futuro, que vão, então, fazer isso de forma mais acertada.”
Fernando Martins explica que os impactos ambientais da geração fotovoltaica são bem menores do que de qualquer fonte de energia, e a integração urbana em telhados é uma ótima saída e não necessita de infraestrutura de transmissão. “Mesmo uma grande usina fotovoltaica não traz mais danos que uma hidrelétrica, conseguimos a mesma energia com área muito menor e podemos também usá-la para outros fins, por exemplo, se a área tiver também um potencial eólico. Uma forma não prejudica a outra, existem tecnologias de aproveitamento.”
“O importante é deixar claro que o Brasil tem recursos renováveis suficientes para atender à demanda de energia elétrica do país. Precisamos criar alternativas e informar às pessoas o potencial que temos”, argumentou Martins.

Agência Brasil



 

Moradores de favelas movimentam R$ 68,6 bilhões por ano, mostra estudo


Comunidade da Rocinha, localizada na Zona Sul da cidade (Tomaz Silva/Agência Brasil)
Pesquisa Data Favela mostra situação econômica de moradores. Na foto, a comunidade da Rocinha, localizada na zona sul do Rio Tomaz Silva/Agência Brasil
Os moradores de favelas movimentam R$ 68,6 bilhões por ano, segundo pesquisa do Data Favela, feita com o apoio do Data Popular e da Central Única das Favelas (Cufa). A pesquisa mostra ainda que o aumento da renda média, proporcionado principalmente pelo crescimento real do salário mínimo e do emprego formal, tem permitido que os 12,3 milhões de pessoas que vivem nessas comunidades participem do mercado de consumo.
Os dados preliminares do estudo, divulgados hoje (2), indicam que, em 2015, 75% das casas têm máquina de lavar roupas. No levantamento de 2013, o índice era 69%. Em relação à posse de TV de plasma, LED ou LCD, os aparelhos estão presentes em 67% das residências, contra 46% em 2013. O estudo revela ainda que subiu de 20% (em 2013) para 24% o percentual de moradores que têm carro.
Também cresceu, no entanto, o número de moradores de favelas endividados. Em 2013, 27% deles tinham dívidas, em 2015 são 35%. A faixa etária entre 35 e 49 anos tem o maior percentual de endividados, 45%. A inadimplência ficou no mesmo nível: 22% têm contas atrasadas há mais de 30 dias, 53% dizem que está difícil manter as contas em dia e 80% têm medo da inflação.
A pesquisa foi feita, em fevereiro deste ano, com base em 2 mil entrevistas de moradores de 63 favelas, em dez regiões metropolitanas – São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Curitiba, Porto Alegre e Brasília. A pesquisa completa será divulgada amanhã (3) no 2º Fórum Nova Favela Brasileira, no Complexo Ohtake Cultural, zona oeste da capital paulista.

Agência Brasil



 

Grupos envolvidos na Lava Jato pedem R$ 31 bilhões ao BNDES

Lista de Ricardo Janot deixa Congresso sob tensão

Ainda não há uma data definida para a retomada dos serviços - Crédito: Tarsila Pereira
Trânsito

Adiado reajuste da Área Azul de Porto Alegre

 

Técnicos destacataram primeiro grande exemplo para paz no futebol - Crédito: Samuel Maciel
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Técnicos exaltam "ideia maravilhosa" da torcida mista

 

Inter teve mais controle do jogo, mas Grêmio foi perigoso no empate  - Crédito: Ricardo Giusti
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Bastante disputado, clássico termina em 0 a 0

 

ONU pede a países que "olhem para si" sobre violações de direitos humanos


Nações Unidas
ONU apela para que países cumpram tratados na área de direitos humanos
O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos criticou hoje (2) todos os países por apontar a outros e não a si mesmos sobre ações de desrespeito aos direitos fundamentais das pessoas que vivem em seus territórios.
Em discurso na 28ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que começou nesta segunda-feira, Zeid Ra'ad Al Hussein dirigiu-se aos 192 países que formam a organização e a outros, pedindo-lhes que se olhem no espelho, que façam um exercício de introspeção crítica, que se analisem e cumpram o que assinaram e ratificaram.
“Se tiverem assinado a Carta das Nações Unidas, se tiverem assinado e ratificado tratados, devem cumpri-los e implementá-los”, disse. “Não há desculpas. Os Estados alegam situações excepcionais. Escolhem os direitos. E, sob essas circunstâncias, justificam as prisões arbitrárias e de tortura, ao espionar os seus cidadãos em nome do contraterrorismo, discriminam as minorias porque não querem mais imigrantes”, acrescentou o alto comissário.
“Tenho de recordá-los da universalidade dos tratados. A Lei Internacional dos Direitos Humanos não pode ser minimizada ou ignorada, deve ser cumprida totalmente”.
Al Husseiun mostrou-se “muito incomodado” pelo pouco respeito quando recebem os relatórios especiais e os especialistas independentes eleitos pelo próprio Conselho, muitos dos quais têm recebido insultos e ameaças nos últimos meses”. “Dirijo-me a todos e digo-vos que se concentrem no conteúdo e não nas pessoas.”
O alto comissário destacou que os países devem aceitar e aplicar as recomendações da Revisão Periódica Universal, que é a avaliação feita pela Comissão de Direitos Humanos da ONU a todos no que se refere aos direitos humanos.
Ele observou que todas as vítimas de abusos contra os direitos humanos têm características em comum: privação e discriminação, seja baseada na etnia, no gênero, na religião, orientação sexual, classe ou na casta.
“Essa discriminação não é gerada espontaneamente. A maioria das violações dos direitos humanos é resultado de uma escolha política, que limita a liberdade e a participação e cria obstáculos para a partilha de forma justa dos recursos e das oportunidades”, explicou o alto comissário.
“Penso que o trabalho que fazemos no Conselho de Direitos Humanos é vital. Apelo a todos que implementem as recomendações do conselho e dos seus mecanismos e que o trabalho que fazemos aqui saia desta sala e chegue às ruas e às casas”, afirmou Al Hussein.

Agência Lusa e Agência Brasil


Ucrânia: conflito já matou mais de 6 mil pessoas


Crimeia imagem
Segundo a ONU, durante dez meses de conflitos na Ucrânia (mapa), foram registrados 5.809 mortos e 14.740 feridos                                                
A Organização das Nações Unidas (ONU) informou hoje (2) que mais de 6 mil pessoas já morreram no conflito separatista no Leste da Ucrânia e que os recentes combates próximo ao aeroporto de Donetsk e na cidade de Debáltsevo deixaram centenas de mortos.
No último balanço sobre a situação na Ucrânia, divulgado nesta segunda-feira em Genebra, o gabinete de Direitos Humanos da ONU diz que em dez meses meses e meio de conflito entre as forças de Kiev e os rebeldes pró-russos foram registrados 5.809 mortos e 14.740 feridos.
O organismo acrescenta que o número de mortos depende de informações dos conflitos mais recentes, mas pode ser considerado um número superior a 6 mil, entre civis e militares.
Para a ONU “é imperativo que sejam cumpridos os acordos de Minsk” de forma a cessarem as hostilidades.
O relatório, elaborado com base em dados colhidos por observadores na área de conflito, informa ainda que o período entre dezembro e meados de fevereiro – coincidente com o cessar-fogo – foi o mais violento, deixando 1.012 mortos e cerca de 3.800 feridos.

Agência Lusa e Agência Brasil


Emitido Alerta Epidemiológico para dengue

BC diz que tomará providências sobre vazamento de lista de contas no HSBC - Crédito: Fabrice Coffrini / AFP / CP
Swissleaks

BC diz que tomará providências sobre vazamento de contas

 

Tabaré Vazquez inicia terceiro governo consecutivo da Frente Ampla


Monica Yanakiew - Correspondente da Agencia Brasil/EBC Edição: Graça Adjuto
Presidenta Dilma Rousseff durante encontro bilateral com o senhor Tabaré Vázquez, Presidente do Uruguai (Roberto Stuckert Filho/PR)
A presidenta Dilma Rousseff durante encontro bilateral com o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez Roberto Stuckert Filho/PR
O presidente do Uruguai, Tabaré Vazquez, inicia nesta segunda-feira (2) as atividades no terceiro governo consecutivo da Frente Ampla – a coligação de partidos de esquerda que ele instalou no poder em 2005, quando conquistou o primeiro mandato presidencial.
No primeiro discurso após a posse nesse domingo (1º), Tabaré lembrou que o Uruguai comemora este ano o 30º aniversário do retorno à democracia e prometeu criar uma comissão para investigar os crimes cometidos durante a ditadura militar (1973-1985). Ele também disse que pretende rever as políticas do governo anterior para acolher refugiados políticos da guerra na Síria e prisioneiros de Guantánamo.
A cerimônia de posse de Tabaré atraiu a atenção da imprensa internacional. Era a despedia de José Pepe Mujica – o ex-guerrilheiro tupamaro que, depois de ficar 13 anos preso, conquistou fama mundial como " o presidente mais pobre do mundo": ele doava quase todo o salário a obras sociais; vivia numa chácara com a mulher e a cadela Manuela, de três patas, e dizia o que pensava, sem medir palavras.
A presidenta Dilma Rousseff despediu-se de Mujica no sábado (28), inaugurando um parque eólico construído pelos dois países e com um artigo, publicado no jornal El Pais, elogiando o homem que soube correr atrás de uma “utopia” sem perder a noção da realidade. Depois da despedida de Mujica e antes da posse de Tabaré, Dilma passou por um supermercado de Montevidéu e tirou fotos com os clientes.

Mas o que causou furor nas redes sociais foi o registro dos carros usados pelo ex e pelo atual presidente do Uruguai. O fusca azul de 1987, que José Pepe Mujica usou para ir e voltar da posse de Tabaré, passou para a história quando um xeque quis comprá-lo e ofereceu US$ 1 milhão. Mujica se recusou a vendê-lo. Tabaré fez o percurso do Congresso até a Praça da Independência em uma caminhonete de 1951. Foi o primeiro carro que teve, que um amigo restaurou e deu de presente ele.
O grande desafio de Tabaré vai ser manter as políticas sociais que empreendeu no primeiro mandato e que prometeu continuar, em uma conjuntura econômica adversa.

Agência Brasil


Nível do Cantareira aumenta de fevereiro para março


Flávia Albuquerque – Repórter da Agência Brasil Edição: Denise Griesinger
O nível do Sistema Cantareira passou de 11,1% na sexta-feira (27) para 11,7% hoje (2). Segundo dados da Companhia Estadual de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), em fevereiro choveu 322,4 milímetros (mm) – acima da média histórica para o mês, que é 199,1mm. Nos primeiros dias de março, há registro de 2,1 mm de chuva no reservatório. A média histórica para o mês é 178 mm.
No Alto Tietê, o nível subiu de 18,3% para 18,8%. Em março, choveu 20,8 mm e a média histórica é 172,4 mm. No Guarapiranga, o nível também subiu ao passar de 60,1% para 62,3%, com 36,4 mm de precipitação nos dois primeiros dias de março (média para o mês de 153,2mm). No Sistema Rio Grande, o nível passou de 83,1% para 85,7%. A chuva na região no início deste mês soma 75,4 mm e a média é 186,3 mm.
No Sistema Alto Cotia, os números passaram de 38,6% da capacidade em 27 de fevereiro para 40,9%. Em março, já choveu 7,2 mm e a média histórica é 149,1 mm. Os dados indicam ainda que, no Sistema Rio Claro, o nível subiu de 35,8% em 27 de fevereiro para 38,3%, com 70,6 mm de chuva nos primeiros dias de do mês e média de precipitação de 245,9mm.

Agência Brasil



Dilma inaugura Túnel Rio 450 e exalta importância histórica da zona portuária


Vinícius Lisboa - Repórter da Agência Brasil Edição: Armando Cardoso
Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia de Inauguração do Túnel Rio 450 (Roberto Stuckert Filho/PR)
O governador Fernando Pezão, a presidenta Dilma Rousseff e o prefeito Eduardo Paes inauguram o Túnel Rio 450, um dos principais projetos viários da reforma da zona portuária da cidadeRoberto Stuckert Filho/PR
A presidenta da República, Dilma Rousseff, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, e o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, inauguraram na tarde de hoje (1º) o Túnel Rio 450. A obra completa a Via Binário do Porto, uma dos principais projetos viários na reforma da zona portuária do Rio.
A presidenta parabenizou a cidade pelos 450 anos e disse que a revitalização da zona portuária coloca o Rio na vanguarda internacional das transformações urbanísticas.
"Apesar de várias cidades terem recuperado sua área portuária, nenhuma delas recuperou, ao mesmo tempo, o centro histórico de um país. O coração onde esse país começou a viver e a bater. Sei que a saída da capital do Rio de Janeiro trouxe um risco para a cidade, mas, ao mesmo tempo, também trouxe a possibilidade de se transformar na cidade mais querida do Brasil", disse a presidenta.
Dilma Rousseff destacou que, além de episódios "tristes" da história do Brasil, como a chegada de escravos pelo Cais do Valongo, o centro histórico do Rio foi palco de momentos de afirmação, como a coroação de dom Pedro I, a proclamação da República, os comícios das reformas de base de João Goulart e as manifestações pedindo a redemocratização durante o regime militar. "Uma parte importantíssima da história do Brasil passou-se nesta cidade, em especial na área que hoje está sendo revitalizada, modernizada e transformada".
O prefeito do Rio de Janeiro foi enfático ao destacar as transformações urbanas da zona portuária do Rio. Segundo Eduardo Paes, nenhuma democracia ocidental vive processo semelhante atualmente. "Você pode até ir para países mais autoritários e monarquias em que existem transformações urbanas como essas. A transformação urbana é financiada pela iniciativa privada e só é possível pela pujança, força, capacidade do Brasil e pela parceria entre governos".
Paes também defendeu os Jogos Olímpicos. Explicou que eles não antecipam políticas públicas, mas tiram o atraso de ações que já deveriam ter sido executadas. O prefeito lembrou, ainda, que, em seu aniversário de 400 anos, a cidade vivia um momento de angústia, de "transformação ao contrário". "O Rio perdia a condição de capital federal, entrava em uma quase crise existencial, não sabia que rumo iria seguir e passou uma parte importante desses 50 anos sem avançar".
Para o governador do estado, Fernando Pezão, a recuperação da zona portuária é um sonho antigo da cidade. "Estou na política há 32 anos e sempre ouvi falar da revitalização da área portuária".
Batizado de Túnel Rio 450, a passagem subterrânea inaugurada hoje tem 1,48 mil metros de extensão e ligará a Via Binário do Porto à Avenida Primeiro de Março, conectando a zona portuária à região da Praça 15. Com três faixas, o túnel foi projetado para receber 55 mil carros por dia.
A velocidade máxima permitida no interior do túnel será 60 quilômetros por hora. Os carros trafegarão em sentido único, da Primeiro de Março à Via Binário do Porto.
O túnel, com 40 metros de profundidade, é o primeiro a ser construído na cidade abaixo do nível do mar. Para a drenagem das águas pluviais, a estrutura tem uma cisterna com capacidade para 370 mil litros de água e cinco bombas. A rotina do túnel será acompanhada por 28 pessoas, por meio de 32 câmeras de segurança.

Agência Brasil



 

'Ricos nutrem ódio ao PT e a Dilma', afirma ex-ministro

'Ricos nutrem ódio ao PT e a Dilma', afirma ex-ministro. http://uol.com/byd81P #noticias   #poder  
 
O pacto nacional-popular articulado pelos governos do PT desmoronou pela falta de crescimento. Surgiu um fenômeno novo: o ódio político, o espírito golpista dos


COMENTÁRIO GEOPOLÍTICO 217 de 28 de fevereiro de 2015
Assuntos: Cenários Políticos

Os Cenários que podem acontecer
Qualquer que seja a situação os Estados Maiores de todos os  Exércitos iniciam por levantar os cenários possíveis. Quando há uma força inimiga em frente, os cenários iniciam pelo que o inimigo pode fazer: atacar, defender,retrair, reforçar... e os sub cenários – onde ,como, quando, com que valor, para que...  
Os cenários políticos não seriam obrigações dos Exércitos, mas eles não tem como deixar de levantá-los, ao menos para saber o que podem esperar. O resumo de levantamento destas linhas, traçadas sumariamente é apenas para conhecimento geral do que certamente está sendo estudado no Estado Maior do Exército, com muito, muito maior profundidade.
Vamos partir da situação geral: A economia está em dificuldades, o descontentamento aumenta, o Judiciário perde a pouca confiabilidade que tinha,o Legislativo se afunda entre mordomias exageradas sem mostrar serviço algum. A população despertou no horror à corrupção existente com a fúria até então reprimida e tende a não mais aceitar contemporizações. Em todas as camadas da sociedade é manifesto o desejo de mudança. As paixões políticas antes limitadas aos comunistas fanáticos se acendem também em outros setores. A insegurança pública atinge a níveis alarmantes e é notória a insensibilidade em todos os níveis de governo, a iniciar pelos legisladores que tentam acovardar a população, apesar de ligeira melhoria nos equipamentos bélicos, a sensação de debilidade militar angustia as Forças Armadas e a todos que pensam no assunto.
 Há crença geral que alguma mudança seja necessária e esteja para acontecer. Em cada cenário espera-se uma determinada atitude das Forças Armadas, as principais guardiãs da nacionalidade.

Cenário nº 1-   O Impeachment
Interessados: O PMDB (presumivelmente o principal beneficiário), a oligarquia financeira internacional (usando o PSDB) e os comunistas partidários do quanto pior, melhor.
O impeachment interessa ao PMDB, mas só depois da metade do mandato para que o vice presidente assuma legalmente. Do contrário haveria nova eleição e o provável beneficiário seria o PSDB, considerando que o Congresso é dominado pelo PMDB, é provável que o citado partido impeça o impeachment até lá. Entretanto, caso a sucessão de escândalos eleve a rejeição ao Governo a mais de 85% a pressão popular forçará o Congresso a levar adiante um processo de impeachment antes do prazo desejado pelo PMDB.
Em qualquer desses sub-cenários as Forças Armadas tendem a se manter apenas observando, apesar dos insistentes pedidos que receberá para intervir, prosseguirá apagando “incêndios” por ordem do Governo, sem aceitar, a não ser em casos extremos, o pedido de intervenção feito por algum dos Poderes, como permite a Constituição. Pode acontecer que, indignadas por alguma atitude governamental que as humilhe ou que seja considerada de lesa-pátria as Forças Armadas façam algumas exigências que, naturalmente, serão atendidas imediatamente não só por serem necessárias mas principalmente para evitar uma reação maior.

Cenário 2 – A estrutura Governamental conseguir se manter.
Interessados: O PT e aliados próximos, pessoas em cargos governamentais, os acomodados que temem mudanças (a grande maioria) e os que desejam evitar um tipo de mudança que pareça provável.
Com algumas medidas corretas que corrijam ou atenuem os motivos do descontentamento popular, com o possível entusiasmo despertado pelas olimpíadas, com a desmoralização dos demais poderes da República, pela inépcia dos postulantes ao cargo máximo e quem sabe em função de algum desafio internacional o Governo, mesmo claudicando pode chegar até o final, espera-se, sem ceder as pressões estrangeiras, para a desnacionalização da Petrobrás ou para a secessão de terras indígenas, o que poderia ser motivo para uma intervenção militar.

Cenário 3 – Convulsão social-popular
Interessados: Oligarquia internacional, elementos radicais de diversos matizes, pessoas e grupos indignados, injustiçados ou espoliados e os que detestam tanto o governo que preferem qualquer coisa a ele.
O descontentamento geral é um barril de pólvora e uma reação inadequada a uma passeata ou a uma greve pode servir de espoleta. Neste momento está em curso uma greve de caminhoneiros com bloqueio de estradas. Claro que isto prejudica a economia, mas a determinação do uso da força pode servir de “acionador”, conforme o descontentamento popular. Se esse movimento for bem resolvido, sabemos que haverão outros e mais fortes. Na Traição do Lula na Raposa-Serra do Sol o Exército se recusou a cumprir as ordens e esteve a um passo de se opor em força à imbecil decisão governamental. Outra traição destas certamente não permitirá.
Entretanto, só haverá uma intervenção militar autônoma em caso de grave convulsão, causada por forças antagônicas reativas ou contra alguma medida que ameace a segurança da Pátria ou ao menos ameace fortemente o interesse nacional e que a intervenção seja desejada por parte significativa da população. Fora desses casos, é improvável que as Forças Armadas decidam consertar a confusão que os civis resolveram fazer, embora as soluções para todas as mazelas sejam de fácil execução e certamente já estão estudadas e esquematizadas para implementação em caso de necessidade.

Dois pesos e duas medidas
O MST, inspirado no movimento comunista internacional, bloqueia estradas e promove invasões de propriedades privadas – A Força Nacional é enviada para protegê-los.
Índios, orientados por ONGs estrangeiras, expulsam os não índios, bloqueiam estradas, cobram pedágios ilegais, torturam e matam – A Polícia Federal é acionada para protegê-los.
Se algum setor produtivo fizer algum movimento reivindicatório, mesmo dentro da legalidade, todas as forças policiais serão acionadas CONTRA o movimento.

 Quando descumprir ordens)
Talvez muitos militares ainda pensem que a disciplina é um fim em si mesma, mas não é. A Disciplina é um excelente meio de conjugar esforços, mas passa a ser prejudicial quando é usada pelo chefe para tolher as iniciativas ou quando  usada pelos subordinados apenas para evitar responsabilidades, ou seja, para encobrir a covardia.
Consta da literatura militar que Frederico II da Prússia, recriminando a falta de iniciativa de certo comandante de batalhão, ao ouvir a justificativa de que apenas cumpria ordens teria declarado: “O Rei não faria do senhor um oficial se imaginasse que não saberia quando descumprir ordens”. Diz-se que existe uma referência a esta frase numa parede da Academia Militar alemã. Até Clausewitz afirmava que, sob certas circunstâncias, a consciência de um oficial  falava mais alto do que a obediência cega.
 Agora temos um Ministro da Defesa decididamente inadequado, que já demonstrou sua aversão aos que consideramos heróis e seu apreço aos que combatemos com armas nas mãos. Não sabemos que tipo de ordens pensa em nos dar. Sabemos que não podemos ter confiança nele. Supomos que ele, como sindicalista que é, saberá distinguir o que não pode fazer. Veremos.
Que o Senhor dos Exércitos ilumine as nossas decisões



Gelio Fregapani




ADENDO

Exemplo de Quando “descumprir” ordens

A revolta de sargentos em Brasília

 Gen. Durval Antunes Machado Pereira de Andrade Nery.

12 de setembro e 1963
Em Brasília um movimento revolucionário que pregava uma ampla indisciplina contra a hierarquia militar e contra a autoridade e a legitimidade do Poder Judiciário, representado pelo tribunal mais alto, que é o Supremo Tribunal Federal, toma de assalto a capital do País e cria a "República Sindicalista Comunista do Brasil".
O Exército determina o deslocamento da 1ª Companhia de Fuzileiros Pára-quedista para Brasília, com a seguinte missão: "Realizar um salto de combate para libertar Brasília, dos revoltosos".
Eu comandava esta companhia. Abaixo, transcrevo, o meu testemunho sobre a rebelião de Brasília. São fatos que presenciei e constam do meu depoimento publicado na página 169, do Tomo 10 - História Oral do Exército - 31 de Março – 1964
"... Em 1963, saí da Companhia de Petrechos Pesados e assumi o comando da 1ª Companhia de Infantaria Paraquedista, Companhia de pronto emprego, do Regimento de Infantaria Paraquedista. Demos um nome à companhia – "Companhia Cobra". Essa Companhia deveria estar pronta para se deslocar em uma hora. Um dia, às 5h da manhã, recebi ordem para desencadear o plano de chamada e preparar a Companhia para uma missão. Pelo horário, teria sido mais fácil esperar a chegada dos soldados, às seis horas no quartel.
Às 7 horas, estava com a Companhia pronta, tudo pronto. O material ficava realmente enfardado. O efetivo era em torno de duzentos homens. O Coronel me chama e ao seu Estado-Maior. Entra o General Pinheiro –Comandante do Núcleo da Divisão Aeroterrestre, indagando: "- Qual é a Companhia que vai cumprir a missão"?"  "- A 1.ª Companhia". "- Quem é o Comandante?"  "- Eu,Tenente Nery". "- Tenente, aqui!".
 Fiquei em pé, ao lado dele. Ele abriu em cima daquela mesa grande, no cassino dos oficiais, local da reunião, a carta de Brasília. Quando olhei, entendi o que já sabíamos durante a noite. Tinha havido uma rebelião em Brasília, a Base Aérea fora tomada, alguns quartéis já estavam tomados, alguns oficiais presos e a cidade estavam na mão de uma rebelião. Só não sabíamos a extensão do problema, naquele momento. Mas era sério. O presidente, os ministros e as principais autoridades estavam propositadamente fora de Brasília. Na verdade, foi tudo planejado. Inclusive, deputados participaram daquele levante. O General Pinheiro disse: "Tenente, não está acontecendo nada em Brasília. Você vai levar a sua tropa, desembarca, vai desarmado. Você vai fazer um desfile semelhante ao de Sete de Setembro, no Dia da Pátria, na alameda dos ministérios"
Sabíamos que não era aquilo. Acabáramos de ouvir na rádio – estávamos sempre atentos, ligados, tínhamos informações. A realidade era outra. Brasília estava sublevada, era a rebelião de sargentos, a maioria da Marinha e da Aeronáutica. Obedeciam a um intelectualizado comando civil, não se restringiria apenas a Brasília e devia estender-se por todo o País. Da chefia da rebelião, participavam os deputados Neiva Moreira, do PSP-MA, Hércules Correia, Marco Antonio, do PCB-GB e Max da Costa Santos, do PSB-GB, sob a liderança de Leonel de Moura Brizola. Pela ordem os revoltosos pretendiam: depor o presidente da república; fechar o Congresso; acabar, sumariamente, com o Supremo Tribunal Federal, classificado como órgão inútil e dispensável; desvirtuar o regime e implantar uma República (ditadura) Socialista; transformar totalmente as Forças Armadas.
Os prédios dos ministérios da Marinha e da Aeronáutica estavam ocupados e os revoltosos já estavam no terraço, na cobertura, no telhado dos pavilhões nos esperando. aabiam que a tropa paraquedista ia saltar. Seríamos eliminados como pombos. Íamos saltar e desfilar desarmados. Disse para o general: "General, não é isso..." Não completei a frase! Quando ia começar a falar levei uma "botinada", por debaixo da mesa. Eu estava em pé e os outros oficiais do Estado-Maior do Regimento, sentados. O Oficial de Operações, Major Giácomo Jannuzzi Neto, me deu um pontapé. Eu entendi. Era para ficar calado. Calei-me e ouvi a missão – desfilar desarmado.
Ao sair dali, fui falar com o Major Jannuzzi. Ele me disse: "- Nery, é rebelião, se você for  desarmado, você vai morrer, sua tropa vai ser eliminada. É guerra! Eles ocuparam Brasília e já leram o manifesto de criação da república sindicalista comunista do Brasil".
Eu pergunto: "- Como é que eu vou, Major?" "- Vá armado, claro! Você vai para a guerra!
Qual é a minha missão?"  "- Você vai saltar para libertar Brasília." Saltar, para libertar Brasília das mãos dos revoltosos, ou seja, conquistar Brasília. Essa foi a missão. "- Onde estão os revoltosos?" "- Ocupando os prédios dos ministérios militares. Já existem oficiais presos. Você tem que libertá-los – descobrir onde eles estão e libertá-los". Naquele momento, minha maior preocupação era armar a Companhia –duzentos homens. E a munição? Veio a informação que tinham trancado a munição.  O Oficial de Munições do Regimento, Tenente Eglair Barcelos Alves me disse: "- Nery, vou me virar. Deixa comigo!" E saiu, para conseguir a munição. Comecei a pegar o armamento, quando chegou uma parte da munição. Tinha que "enfardar". Dei ordem para colocar a munição no carregador e levá-la também no cinto. O grosso da munição seria acondicionado em um cunhete, com um pára-quedas em cima para ser lançado do avião. Após o salto, você sai correndo para procurar a munição, pegá-la e levá-la com você. Sabendo que precisava de muitos pára-quedas, mandei buscá-los. Chegou a informação:
 "- O Major encarregado dos pára-quedas fechou a baiúca" – como nós chamamos o local de acondicionamento dos mesmos – "e não vai distribuir os pára-quedas para você, por ordem do General." – o pára-quedas da munição!  Na hora, imediatamente, dei a ordem para que os cunhetes fossem abertos. Mandei distribuir a munição pelos bolsos. Iríamos saltar com a munição dentro do bolso, em quantidade. Aí, surgiu um problema. Soubemos que a rebelião era dos sargentos de Brasília, com o foco principal na Marinha e na Aeronáutica.  Em virtude dos acontecimentos de 1961, quando o General Santa Rosa, Comandante dos pára-quedistas, elogiou os sargentos por não terem cumprido ordem de seus superiores hierárquicos, e do Governador Brizola mandando os sargentos matarem seus oficiais, criou-se um ambiente de mal-estar dentro da tropa. Aquilo foi sendo alimentado numa seqüência, agora essa rebelião em Brasília, era o dia 12 de setembro de 1963... Apesar de preocupado, mandei distribuir a munição para os sargentos. Não podia duvidar da lealdade dos sargentos. Paguei para ver.
Estávamos em pleno aprestamento, tínhamos que preparar a munição, preparar os fardos. O subtenente, aquele homem mais antigo, aquele sargento que foi alçado à função de subtenente, o administrador da carga da Companhia, chegou para mim e disse: "- Tenente, preciso falar com o senhor, aliás, todos os sargentos querem falar com o senhor."Eu disse:"- Bom, o que houve? Vou lá." Eles estavam numa sala, reunidos. O subtenente iniciou: "- Tenente, o senhor mandou distribuir a munição para todos nós, sargentos. O senhor confia nos sargentos da Companhia?"Chamei a atenção dele: "- Em algum momento, desconfiei de vocês? Em algum momento, pensei isso? Vocês viram isso aqui entre os oficiais e sargentos do Regimento Santos Dumont? Não estou entendendo o que vocês estão falando!" "- Tenente, a reunião é para agradecer a confiança. Conte conosco. Em nenhum momento, o senhor deixará de contar com a nossa lealdade. Conte conosco".
Assim, fui para Brasília. Eram 14 aviões. Até aeronave em manutenção decolou. Os antigos aviões C-82 voavam de porta aberta. Cruzando a serra de Petrópolis e Teresópolis, e seguindo para Brasília, fazia muito frio, eu sentado ao lado da porta olhando o vôo em formação, vi um avião pegar fogo – o avião do Tenente Maia Martins. Retornou para os Afonsos. Mais adiante, o avião do Valporto, também, pega fogo e pronto, o efetivo estava se reduzindo. Depois, eles chegaram a Brasília – dois dias depois– não houve problema. A nossa viagem foi longa. Foi aquilo que eu disse: dentro do avião, você olha para o soldado e ele está lhe olhando, você vai para lá e ele olha  para lá, você vem para cá e ele olha para cá. E eu me dei conta que eu tinha dado a ordem, antes de decolar:
"- Nós vamos saltar na alameda dos Ministérios. O suposto inimigo está ocupando os telhados dos quatro prédios e vai atirar em nós. Todos os oficiais e sargentos deverão tirar a arma do invólucro e durante a queda atirar em tudo o que se mover." Eu, como comandante, tinha que dar uma ordem que protegesse a minha tropa e que permitisse o cumprimento da missão. Sabia que, com duzentos homens, tinha que libertar Brasília. O que é isso? A cabeça não funcionava. Qual a verdadeira dimensão disso. Brasília é muito grande. Aonde eu iria procurar esse pessoal? A ordem estava dada.
Durante o vôo, fiquei pensando: vou chegar em Brasília às cinco horas da tarde, o expediente está terminando, os funcionários estão cruzando a alameda dos Ministérios. São pessoas que vão estar se movimentando. Nós vamos atirar? Muita gente vai morrer, muita gente inocente. O mestre de salto, o comandante em cada avião, vai com o fone no ouvido, escutando os pilotos. Eu ouvia a conversa dos pilotos. Não ia haver combustível para prosseguir o vôo depois de Brasília. Eles diziam:
"- Nós vamos pousar em qualquer lugar". A situação era difícil e preocupava. Confesso que, sozinho – não tinha ninguém para conversar, eu era o único oficial no meu avião, os outros tenentes estavam nas demais aeronaves – fiquei preocupado, muito preocupado.
Aí, me veio a história de um outro livro – o emprego dos pára-quedistas belgas no Congo – quando houve um levante e muitos reféns, mais de 1.500 reféns. A tropa pára-quedista foi empregada com sucesso – eles não saltaram em cima do objetivo. Você, na sua introdução, falou na nossa EsAO, não foi? A Escola, que aplica a doutrina no seu laboratório, que é o campo, associando tática e técnica com o tiro real, o mestrado do oficial, a última escola onde aprendemos e aplicamos a tática da Arma. É errado, no planejamento pára-quedista, você traçar a sua zona de lançamento em cima do objetivo – você não salta em cima do inimigo. Ah! Que felicidade! No avião, lembrei-me disso. Então, me veio aquela sensação de satisfação – não devo saltar em frente aos ministérios –tenho que saltar longe. Fazer como os pára-quedistas belgas: pegaram tudo o que andava, tudo o que tivesse roda e foram correndo para o objetivo e libertaram os homens que estavam presos, seus patrícios.
Então, imaginei: vou saltar em outro lugar, assim nós vamos evitar atirar em tudo o que se mova. Tudo que se mova seriam os funcionários terminando o expediente, saindo de Brasília. Adquiri confiança e disse para o Comandante da aeronave – ele me avisaria vinte minutos antes, com um toque de sirene dentro do avião: "Comandante, determine a entrada em formação cerrada – para as aeronaves se aproximarem – dê uma rasante em cima da alameda dos Ministérios. Depois, vou dar a final para você". Nós íamos saltar, eu tinha decidido saltar depois da alameda dos Ministérios, bem distante. Preferia ir a pé, correndo, para o objetivo.
Quando ele cerrou, dez minutos antes de chegar em Brasília, o meu ala esquerda – eu via, a distância é curta – o meu ala esquerda estourou o motor e pegou fogo. Era, justamente, a aeronave do Tenente Brandão. Pegou fogo no motor. Aquilo foi imediato! Mudei a missão! Eu disse para o Comandante da aeronave: "- Mande que siga direto para o aeroporto" - O aeroporto estava nas mãos dos revoltosos - "Mande-o seguir direto para o aeroporto e vamos todos para lá, vamos desembarcar."
Salto de viatura em movimento – nós sabíamos fazer isso. Quando a aeronave tocar no chão, nós saltamos sem pára-quedas, ou seja, salta e rola. É claro que nós íamos ter baixas com isso, mas nós estávamos treinados. Saltávamos de viatura em movimento até na Avenida Brasil. Nós fazíamos esse adestramento.
Ele falou: "- O aeroporto está nas mãos dos revoltosos!" Porém, eu sabia que um pelotão de Goiânia já estava se dirigindo para lá– uma Companhia de Goiânia – a comando do então Tenente Machado Borges, o mesmo que chegou a General. Quando a primeira aeronave, que era a do Brandão, tocou na pista, ele comandou o salto. Todo mundo pulou da aeronave – joga a arma e salta feito um fardo, feito uma roda. Você encolhe todo o corpo e sai girando, pois machuca menos. Nós pousamos em seguida, mas houve uma ocorrência. Realmente, o aeroporto ainda estava nas mãos dos sargentos revoltosos. Um deles, ao ver o avião pegando fogo no motor, comentou que aquele ali já está sendo destruído pelo fogo e que ele iria acabar com ele, jogando uma granada. E correu na direção do avião para jogar a granada. Acontece que ele estava perto da cerca e parece que era o estacionamento dos táxis, no aeroporto de Brasília. Os motoristas ouviram aquilo e pularam a cerca, começando a correr atrás dele!
Foi uma cena inusitada! Os motoristas se abraçaram com aquele sargento que tinha uma granada na mão, enquanto ele gritava: "- Vou soltar a granada!"
Quando o Brandão chegou, com alguns homens, a granada não tinha nem mais grampo. Estava sendo presa pelo capacete, na mão, e o sargento já com medo de soltar a granada. Após ser preso, ele confirmou que ia jogar a granada para destruir a aeronave, que sabia ser da tropa pára-quedista.
Neste ínterim, desembarcamos, corremos para frente do aeroporto e pegamos todas as viaturas, carros, caminhões e ônibus que apareceram por ali. Desloquei-me em comboio com a minha tropa – duzentos homens – chegamos na alameda dos Ministérios, do outro lado dos ministérios militares. Fiz o sinal para parar e logo a seguir o de avançar. Não falei mais nada. Nós desembarcamos correndo, tomamos de assalto os ministérios, fomos do primeiro piso até o último e fizemos setecentos prisioneiros. Todos estavam armados.
É preciso lembrar que ocorrera uma ação de um pelotão da Polícia do Exército (PE), na véspera. Naquela noite, o Tenente era o Uchoa. Mas o que houve com ele? Acontece que no momento do ataque dos sublevados ao Ministério da Aeronáutica, ele estava com o pelotão guarnecendo e resistiu ao ataque. Foram disparados muitos tiros contra o pelotão dele. Que era composto de "catarinas", lembra? Naquela época, a PE incorporava somente soldados do Sul do Brasil – os "barrigas-verdes" catarinenses – os "catarinas". Ele deu ordem de fogo porque tinha que impedir o ataque – era um ataque mesmo! Nenhum soldado atirou! Nenhum soldado atirou! Ele tomou o fuzil de um soldado e atrás de uma coluna gastou a munição, rolou para outra coluna – todos os soldados estavam atrás das colunas do Ministério. Ele foi de soldado em soldado e resistiu ao ataque sozinho, atirando, porque os soldados não o fizeram!
 A Biblioteca do Exército tem um livro, de 1958, "Homens ou Fogo". Eu li muito esse livro e se eu não me engano é do General Omar Bradley que fez um inquérito na Segunda Guerra Mundial sobre o porquê do homem não atirar, quando está em combate. (1)
 Após uma operação numa das ilhas do Pacífico, ele colocou dois ou três regimentos de "quarentena", vamos dizer assim, numa ilha do Pacífico e ouviu do comandante ao último soldado. Onde você estava na hora do ataque? O que houve? Por que você não atirou? Etc. E concluiu, dizendo o seguinte: "O fator psicológico". Ele tem uma referência interessante: o jovem, principalmente – é o nosso caso que incorporamos recrutas – o jovem é criado para não maltratar até os animais. É aquele negócio, não amarrem uma lata no rabo do gato, não maltratem o animal e de uma hora para outro, dos dezessete para os dezoito anos ele se apresenta no quartel e nós vamos ensiná-lo a atirar para matar
Disse isso, quando estava na Academia Militar das Agulhas Negras "- Nós estamos aqui para ensinar a vocês a matar, mas a matar em defesa da Pátria!" O tenente Uchoa ficou abismado. Como é que o soldado dele não atirava? Não houve jeito dele atirar! No livro, Omar Bradley diz: "- O maior índice de aproveitamento de tropas na Segunda Guerra Mundial foi com a tropa pára-quedista e de comandos." Os pára-quedistas russos chegavam a ter 18 % dos que atiram, no máximo 20%. Ou seja: de cada grupo de combate de infantaria só dois homens atiram quando se deparam com o inimigo, mesmo quando ele está correndo a dez metros de distância. Um grupo de combate tem um sargento e um cabo. Se, dos dez integrantes, dois atiram, somente o sargento e o cabo atiravam. Os soldados, não. Os recrutas não atiram, é preciso muito treinamento. Uma prova foi o que ocorreu com o Tenente Uchoa. Com a tropa pára-quedista, o rendimento é maior, mas chegamos ao último andar dos quatro prédios dos ministérios e fizemos setecentos prisioneiros.
Quantos tiros nós demos? Nenhum. Prendemos a todos, depois de tomarmos de assalto o local. Foram colocados num andar e ficamos no outro andar, embaixo. Durante 45 dias, nós ficamos ali guarnecendo. Nós dormíamos no chão. Eles dormiam no andar de cima, também, no chão, o mesmo espaço, as mesmas condições sanitárias – nós estávamos no andar de baixo e eles sabiam que não podiam descer, eram sargentos.
Já à noite, reorganizei minha tropa. Veio uma informação rápida: acabaram de entrar num bloco de apartamentos, em uma superquadra e cortaram os pulsos da esposa de um oficial, porque queriam prender o marido. Ela foi salva pelos vizinhos. Cortaram os dois pulsos porque ela não dizia onde estava o marido. Ela também não sabia. Ele tinha saído para ir ao quartel. Ela nem sabia se ele já estava preso. Queriam o seu marido. Era um oficial do Exército, um capitão, e cortaram os pulsos dela. Fiquei com medo, porque aquilo poderia representar para a tropa uma reação maior, a partir dali. Graças a Deus não foi preciso.
Outra informação: na rodoviária de Brasília, a última passagem, a mais baixa, naquela época 1963, – a Rodoviária não estava concluída, ainda estava em obra – fora fechada pelos revoltosos. Eles fecharam de um lado e do outro. Deixaram uma porta e escreveram no muro – Paredão –e colocaram, em posição, um pelotão da tropa dos fuzileiros navais, com metralhadoras. Iam começar o fuzilamento dos oficiais que já estavam presos.
Peguei um grupo e mandei ao comando do Tenente Valporto, para a Rodoviária. Prendemos todo o pelotão, com as metralhadoras em posição, prontas para fuzilar os oficiais.
Essa foi a minha vivência em 1964 e antes de 1964, em 1963. Prendemos o pelotão e abriu-se o inquérito. Nós até fizemos um comentário, porque o inquérito foi feito na Marinha. A maioria dos sublevados era da Marinha. Conversando com o encarregado do inquérito lhe disse:  "- Comandante, daqui a 15 dias vão estar todos de volta, como se nada tivesse ocorrido". Esses presos foram trazidos de avião, por nós, para o Rio de Janeiro. Ficaram no navio- prisão.
Há um fato que gostaria de acrescentar. Quatro ou cinco dias depois, chegou a Brasília um Batalhão do Regimento Santos Dumont. Não trazia munição. O General não tinha deixado. Passaria a integrá-lo
O negócio estava quente, porque, ainda, estávamos fazendo a limpeza de Brasília. Informei ao Major que havia reunido toda a munição que trouxera, em uma sala no pavilhão do ministério."- Tem suficiente?" – Perguntou. -Eu respondi: "- Tenho munição para um batalhão, por um ano!" Na nossa corrida, com a proibição de sair armado, foi tanta gente levando munição, ao sairmos do Rio! O Barcelos - Eglair Barcelos Alves, Oficial de munições... Lembro-me que, já com todas as aeronaves "taxiando", motor ligado, ele chegou com a viatura e foi jogando os cunhetes pela porta dos aviões. Os pilotos ficaram preocupadíssimos! Tinha muita munição! O Batalhão cumpriu a sua missão e nós retornamos para o Rio.
O Comandante do Batalhão, Major Giácomo Jannuzzi Neto, chamou-me, aqui no Rio, depois da operação e me disse: "- Nery, você vai fazer uma relação dos militares que
vão receber condecoração, por bravura, nesta operação, você faz isso?" "- Claro, indico os homens da minha Companhia que merecem a medalha!"  Chamei o meu sargenteante e pedi que ele me desse o mapa da força –o manifesto de vôo de lançamento dos pára-quedistas - para que todos fossem incluídos, todos os militares que foram para Brasília comigo, que tomaram Brasília de assalto e que tinham consciência de que libertaram Brasília.
Entreguei ao Major Jannuzzi, Comandante do Batalhão, a relação de toda a Companhia. Ele disse: - O que é isso? Eu pedi para você o nome daqueles que merecem..."  Eu lhe disse: "- Major, todos nós fizemos a mesma coisa. O que um fez, o outro fez também. Todos fomos além do dever!" Palavras dele: "- Nery, só vou indicar você, porque condecorar duzentos por ato de bravura vai desmoralizar a medalha".Sendo assim, somente eu seria indicado . "- Major, essa eu não vou receber. O senhor me desculpe – ou concede para todos ou não me mantenha na relação! E, realmente, foi isso que ocorreu. Aqueles que estavam em Brasília, foram condecorados. Os Tenentes, Sargentos e Soldados pára-quedistas que, numa ação enérgica e eficaz, sufocaram um movimento revolucionário que pregava uma ampla indisciplina contra a hierarquia militar e contra a autoridade e a legitimidade do Poder Judiciário, representado pelo tribunal mais alto, que é o Supremo Tribunal Federal, não foram reconhecidos.
Essa era a situação vivida naquela época, que levou à eclosão da Revolução de 1964".

Entrevista concedida em 18 de dezembro de 2001, pelo Gen Durval Antunes Machado Pereira de Andrade Nery.


(1)   O Gen Nery se enganou quanto ao livro citado, o que em nada deslustra seu brilhante feito. O livro “Homens ou Fogo”, de autoria do Gen Marshal, é um estudo feito na Guerra da Coréia embora cite também exemplos de outas guerras. Realmente já foi constatado que poucos realmente combatem, só os que tem a índole de combatente em seus gens ou por determinada criação. A grande maioria acompanha os companheiros como zumbis, mais por medo de matar do que de morrer (estranho, não?) Mas parece ser verdade!
O Gen Marshal atribuía muito dessa atitude irracional ao isolamento do sistema americano de entrincheiramento da época, e comenta que no sistema alemão de”ninho de metralhadoras”
o soldado se sentia mais amparado pela vista dos camaradas e combatiam melhor, enquanto os americanos na Coréia , isolados em sua trincheira individual, frequentemente ficavam agachados no fundo, atirando ruidosamente para cima, sem nenhum efeito, até serem mortos a baioneta pelos chineses que avançavam impunentemente, mais por medo de matar do que de morrer. Coisas talvez dos valores da civilização moderna, que entre nós só pode piorar com o acovardamento oficial. GF



Comando Nacional do Transporte convoca caminhoneiros a fechar Brasília


Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil Edição: Valéria Aguiar
O Comando Nacional do Transporte divulgou neste final de semana um vídeo no qual Ivar Luiz Schmidt, um dos líderes do movimento do tranporte, convoca os caminhoneiros para um buzinaço hoje (2), com o intuito de “fechar Brasília”. Os caminhoneiros se manifestam contra o recente aumento do óleo diesel, além de pedir a definição de um valor mínimo para o frete.
As manifestações continuam, em menores pontos, após a proposta do governo federal ter sido aceita pela Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos e pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística.
Na proposta apresentada, o governo prometeu sancionar sem vetos a Lei dos Caminhoneiros, prorrogar por 12 meses o pagamento de caminhões, conforme o Programa Procaminhoneiro, além de criar, por meio de negociação entre caminhoneiros e empresários, uma tabela referencial de frete.
Nos vídeos divulgados pelo Comando Nacional do Transporte, Schmidt convoca os caminhoneiros a se dirigir aos postos de combustíveis localizados nas proximidades de Brasília, para organizar a logística do buzinaço, prometido para esta segunda-feira, por volta das 18h, na capital federal. “Conclamo todos a fechar Brasília”, disse o caminhoneiro.

Agência Brasil


Começa a funcionar novo número do BC para reclamações e dúvidas


Mariana Branco - Repórter da Agência Brasil Edição: Graça Adjuto
Banco Central
Ligação para a nova Central de Atendimento do BC tem custo de chamada local para todo o país Arquivo/Agência Brasil
A partir de hoje (2), clientes que desejarem reclamar ou tirar dúvidas sobre serviços bancários devem ligar no novo número da Central de Atendimento ao Público do Banco Central (BC), 145. De acordo com a instituição, o número anterior, 0800 979 2345, sai de operação nesta segunda-feira.
Segundo comunicado da autoridade monetária, com a alteração, a instituição se adequa ao padrão de três dígitos uniformizado por regulamento da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para serviços de utilidade pública. A ligação terá custo de chamada local para todo o Brasil.
"A alteração faz parte do processo de modernização da estrutura tecnológica da central, cujo objetivo é melhorar o serviço prestado pelo BC à sociedade", informa a nota. As ligações para a Central de Atendimento são um dos instrumentos que o BC utiliza para consolidar o ranking dos bancos sobre os quais recai maior número de reclamações, além de queixas feitas em atendimentos presenciais.

Agência Brasil


Innside - Rotta Ely

Para maiores informações, entrar em contato com o corretor de imóveis Lúcio Borges (51) 9194 3742 ou através do e-mail: luciomachadoborges@gmail.com