O ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, um dos delatores da Operação Lava Jato, disse que repassou propina para mais de 20 políticos de vários partidos. As declarações de Machado estão nos depoimentos de delação premiada tomados pela força-tarefa de investigadores da Operação Lava Jato, que foram tornados públicos hoje (15), após decisão do ministro Teori Zavascki, por meio da decisão que retirou o sigilo das oitivas.
Sérgio Machado ficou no comando da subsidiária da Petrobras de 2003 a novembro de 2014Agência Petrobras/Divulgação
Em um trecho do depoimento, de mais de 400 páginas, Machado citou os políticos que também teriam recebido propina. “O depoente repassou propina, via doação oficial, para os seguintes parlamentares e ex-parlamentares: Cândido Vaccarezza (PDT-SP), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Luis Sérgio (PT-RJ), Edson Santos (PT-RJ), Francisco Dornelles (PP-RJ), Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), Ideli Salvatti (PT-SC), Jorge Bittar (PT-RJ), Garibaldi Alves (PMDB-RN), Valter Alves (PMDB-RN), José Agripino Maia (DEM-RN), Felipe Maia (DEM-RN), Sergio Guerra (PSDB-PE, morto em 2014), Heráclito Fortes (PSB-PI) e Valdir Raupp (PMDB-RO). Michel Temer pediu ao depoente que obtivesse doações oficiais para Gabriel Chalita, então candidato a prefeito de São Paulo”, acrescentou o depoimento.
Machado ficou no comando da subsidiária da Petrobras de 2003 a novembro de 2014. Segundo ele, os políticos indicavam aliados para cargos em empresas estatais para conseguir “maior volume possível de recursos ilícitos tanto para campanhas eleitorais quanto para outras finalidades”. De acordo com Machado, a função dos diretores indicados era administrar as empresas e “arrecadar propina para os políticos que os indicaram”.
No primeiro depoimento, Sérgio Machado declarou aos investigadores que os responsáveis por sua nomeação foram os senadores Renan Calheiros, Jader Barbalho, Romero Jucá, Edison Lobão e o ex-senador José Sarney.
De acordo com os termos do acordo de delação, divulgados hoje, após decisão do ministro Teori Zavascki, Sérgio Machado vai devolver R$ 75 milhões. Desse total, R$ 10 milhões deverão ser pagos 30 dias após a homologação, que ocorreu no mês passado, e R$ 65 milhões parcelados em 18 meses. Por ter delatado os supostos repasses de recursos da Transpetro para políticos, Machado vai cumprir regime domiciliar diferenciado.
Em outro depoimento, Machado afirmou que foram repassados ao PMDB “pouco mais de R$ 100 milhões”, que tiveram origem em propinas pegas pelas empresas que tinham contratos coma Transpetro.
Renan calheiros
O presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), comentou nesta quarta-feira a publicidade da delação premiada do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que disse, entre outras coisas, ter repassado a ele mais de R$ 30 milhões em propinas.
Renan afirmou que nunca autorizou ninguém a falar em seu nome e que todas as doações de campanha que recebeu foram “legais, com contas prestadas à Justiça e aprovadas”. “De modo que não tenho nada, absolutamente, a temer.”
O presidente do Congresso também se disse satisfeito com a publicização das informações e cumprimentou os ministros do Supremo Tribunal Federal por adotarem esse procedimento e evitar vazamentos seletivos das declarações prestadas em delação premiada.
“Quero cumprimentar o Supremo Tribunal Federal e acho que o pior que pode acontecer nessas delações fantasiosas é você ser acusado sem saber do que é acusado. E ainda depois de vazamentos propositados. É muito boa essa decisão do Supremo, que torna essas delações públicas. Eu queria cumprimentá-los.”
As declarações de Machado estão nos depoimentos de delação premiada tomados pela força-tarefa de investigadores da Operação Lava Jato, que foram tornados públicos após decisão do ministro Teori Zavascki, por meio da decisão que retirou o sigilo das oitivas.
Valdir Raupp
Em nota, o senador Valdir Raupp disse que repudia “com veemência as ilações do sr. Sérgio Machado na sua delação e afirmou que nunca solicitou ao delator doações para campanhas eleitorais”. O senador finalizou a nota dizendo que as citações feitas por Machado são “mentirosas e descabidas”.
Gabriel Chalita
Também por meio de nota, Gabriel Chalita afirmou que não conhece Sérgio Machado. “Portanto, nunca lhe pedi recursos ou qualquer outro tipo de auxílio à minha campanha. Esclareço, ainda, que todos os recursos recebidos na minha campanha foram legais, fiscalizados e aprovados pelo Tribunal Regional Eleitoral", informou.
Edison Lobão, Romero Jucá e José Sarney
O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, que representa os senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Edison Lobão (PMDB-MA) e também o ex-presidente José Sarney, disse que seus clientes “negam peremptoriamente terem recebido qualquer montante, a qualquer título, do delator”.
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“Esta delação tem que ser vista com muita ressalva dada as circunstâncias em que foi feita, para impedir a prisão dos filhos dele [Sérgio Machado]”, conclui a nota divulgada pelo advogado.
O PMDB também divulgou nota na qual informa que “sempre arrecadou recursos seguindo os parâmetros legais em vigência no país. Doações de empresas eram permitidas e perfeitamente de acordo com as normas da Justiça Eleitoral nas eleições citadas. Em todos esses anos, após fiscalização e análise acurada do Tribunal Superior Eleitoral, todas as contas do PMDB foram aprovadas não sendo encontrado nenhum indício de irregularidade”.
Cândido Vacarezza
O ex-deputado Cândido Vacarezza disse que nunca pediu ao ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, para que ele arrecadasse dinheiro para sua campanha e que a declaração que ele deu na delação premiada é falsa. “Nunca apresentei nenhum empresário a ele. Nunca tive relação de amizade e nem intimidade com Sérgio Machado para falar de dinheiro ou de contribuição para campanha”, afirmou o ex-líder do PT.
Agripino Maia
Em nota, o Senador José Agripino (DEM-RN) disse que, apesar de desconhecer o inteiro teor da delação do ex-senador Sérgio Machado, a quem conhece e conviveu no período em que Machado foi senador, as doações que, como presidente do DEM tem a obrigação de buscar, obedecendo a legislação vigente, “foram obtidas sem intermediação de terceiros, mediante solicitações feitas diretamente aos dirigentes das empresas doadoras”.
Segundo Agripino, as doações recebidas – "todas de origem lítica" – foram objeto de prestação de contas, devidamente aprovadas pela Justiça Eleitoral. “Presidente de partido de oposição que sou, não teria nenhuma contrapartida a oferecer a qualquer empresa que se dispusesse a fazer doação em troca de favores de governo”, concluiu o senador.
Felipe Maia
O deputado Felipe Maia (DEM-RN), também citado na delação de Machado, disse que foi surpreendido com a citação de seu nome pelo ex-senador e que, como deputado da oposição há dez anos, não teria como condicionar doação à troca de favores de governo.
“Todas as doações recebidas na minha campanha foram devidamente contabilizadas e aprovadas pela Justiça Eleitoral. Em 2014, as doações recebidas de empresas privadas, dentro do que regia a legislação vigente, foram arrecadadas pelo Diretório Nacional do meu partido e sem intermediários”, disse Felipe Maia por meio de nota.
Jandira Fhegali
Também por meio de nota, a deputada Jandira Fhegali (PCdoB-RJ) disse que nunca negou que esteve em algumas ocasiões com o então presidente da Transpetro, Sérgio Machado. “Foram encontros públicos, reuniões do setor da indústria naval, inaugurações, episódios vinculados aos mais de 30 anos de luta em apoio e soerguimento do setor naval e defesa de seus trabalhadores”.
A deputada afirmou que todas as doações que recebeu em suas campanhas eleitorais foram lícitas, registradas e aprovadas pela Justiça Eleitoral e que nunca conheceu ou participou de qualquer esquema criminoso envolvendo a Transpetro e jamais aceitaria doações se pudesse supor serem de origem ilícita.
“Repudio a tentativa de criminalizar as doações feitas segundo as leis à época vigentes, portanto legais e públicas, e qualquer tentativa de vincular meu nome ao recebimento de propina”. A deputada acrescentou que, pelas afirmações, Machado será criminalmente processado por calúnia e difamação.
Luiz Sérgio
A Assessoria do deputado Luiz Sérgio (PT) informou que o deputado recebeu doações, mas que elas foram todas lícitas.
Heráclito Fortes
A assessoria do deputado Heráclito Fortes (PSB-PI) disse que o deputado soube da notícia da citação do seu nome na delação de Sérgio Machado, no Panamá, onde se encontra em missão pela Câmara e que ele falará amanhã (16) em Brasília sobre o assunto.
Jader Barbalho
O senador Jader Barbalho (PMDB-PA), afastado do Senado por problemas de saúde, desclassificou o ex-presidente da Transpetro e suas declarações em delação premiada. “Sergio Machado é um canalha, que roubou a Transpetro de todas as formas. Somos incompatíveis desde que deixei o Senado em 2001. Não falo e nem tenho nenhum tipo de aproximação com ele há 15 anos. Jamais recebi nenhum tipo de favor desse canalha. Estou à disposição da Justiça para verificação de minha conta bancária", afirmou o senador por meio de nota.
* A matéria foi alterada às 16h47 para inclusão do posicionamento do presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros, às 17h33 para incluir nota do senador Valdir Raupp, às 17h44 para inclusão de nota de Gabriel Chalita, às 19h32 para inclusão da nota da defesa de Sarney, Jucá e Lobão, às 20h15 para inclusão dos posicionamentos do ex-deputado Cândido Vacarezza, do senador Agripino Maia e dos deputados Felipe Maia, Jandira Fhegali, Luiz Sérgio e Heráclito Fortes e às 20h28 para o posicionamento do senador Jader Barbalho.
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Senado aprova PEC que assegura ajuda a mulheres vítimas de violência
Mariana Jungmann - Repórter da Agência Brasil
O plenário do Senado aprovou, em segundo turno, a proposta de emenda constitucional que inclui mulheres vítimas de violência doméstica como beneficiárias de programas sociais previstos na Constituição.
A PEC tem por objetivo proteger mulheres que, ao deixarem os maridos em razão da violência, passam por dificuldades financeiras. O texto iguala as mulheres nessas condições às crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade e estabelece que elas devem receber ajuda independente de terem contribuição previdenciária.
O texto já tinha sido aprovado em primeiro turno ontem (15) e em ambas as votações foi aprovado pela unanimidade dos senadores presentes em plenário. A matéria segue agora para a Câmara dos Deputados, onde também será votada em dois turnos, além de tramitar nas comissões da Casa.
Festival em São Paulo faz 80 sessões com curtas sobre direitos humanos
Daniel Mello - Repórter da Agência Brasil
São Paulo - Cena do curta Cuscuz Peitinho, que será apresentado no Festival EntretodosDivulgação
Com 25 filmes, o Entretodos - Festival de Curtas de Direitos Humanos fará 80 sessões gratuitas na cidade de São Paulo. As exibições ocorrem em 22 pontos da capital de hoje (16) a quarta-feira (22). Das produções, 19 são brasileiras e seis internacionais.
Apesar da complexidade dos temas que envolvem o tema da mostra, a curadoria busca selecionar curtas que tragam abordagens mais leves e inovadoras. “Que você traga um discurso de direitos humanos sem que seja aquela coisa didática, ostensiva. Um discurso mais lúdico, poético, subjetivo, que você, no final do filme, aprendeu algumas coisas que no fundo estão falando de direitos humanos”, enfatiza um dos curadores, Jorge Grinspum.
Neste ano, o nono consecutivo de realização do festival, têm destaque as produções que tratam das questões de gênero. Segundo Grinspum, esse ponto acabou se impondo no diálogo feito com os realizadores e pela quantidade de curtas enviados com essa temática. Inicialmente, a ideia era fazer uma mostra com foco no tema dos refugiados. Porém, a organização e a curadoria perceberam que os cineastas apontavam em outras direções.
“A gente acrescentou a palavra mudanças, porque nos filmes que a gente recebeu, nas pessoas que começaram a ligar e falar, percebemos uma tendência muito forte de tratar de mudanças que estão ocorrendo tanto no Brasil, quanto no mundo. São mudanças tanto na questão de gênero, nas relações políticas”, explicou Grinspum sobre como acabou sendo definido o tema deste ano - Refúgios e Mudanças.
Jovens
“A gente tem essa dinâmica que não é nada engessada, justamente para dar essa liberdade, que é muito a cara do Entretodos”, acrescenta o curador sobre a flexibilidade do festival, condizente com a aproximação com o público jovem, outra característica da mostra. “Claro que todos os públicos são importantes. Mas o que a gente quer mais ter conosco é a criança e o jovem. É uma maneira de colocarmos da uma maneira lúdica e agradável uma questão que é muito tensa e densa, que são os direitos humanos”, ressalta Grinspum.
Janot afirma que Cunha continua usando mandato em benefício próprio
André Richter – Repórter da Agência Brasil
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), continua usando “seu mandato e poder político” em benefício próprio. As conclusões de Janot estão no pedido de prisão de Cunha, enviado à Corte no dia 23 de maio.
Ontem (14), o ministro do Supremo Teori Zavascki concedeu prazo de cinco dias para que a defesa de Cunha se manifeste sobre o pedido de prisão. A medida foi tomada após o vazamento do pedido. Na mesma decisão, o ministro determinou a retirada do sigilo do pedido de prisão.
De acordo com o procurador, mesmo após ser afastado do cargo de presidente da Câmara e do mandato de deputado federal pelo STF, Eduardo Cunha continua atuando em benefício próprio. Janot cita a decisão da Mesa Diretora que manteve as prorrogativas do parlamentar, como autorização para continuar na residência oficial, uso de aviões da Força Aérea Brasileira (FAB), e declarações dele à imprensa, nas quais diz que vai continuar frequentando a Casa e seu gabinete. Para Janot, Cunha tenta ainda influenciar na indicação de integrantes do governo do presidente interino, Michel Temer.
Além da prisão, Janot pediu ao ministro Teori Zavascki que Cunha seja proibido de frequentar a Casa, obrigado a cumprir recolhimento domiciliar durante o período de funcionamento das atividades da Câmara e proibido de manter contato com outros parlamentares e investigados na operação.
Nós e Lula
Por Diogo Mainardi
Lula denunciou O Antagonista.
Você já sabe disso. Ele até fez um site para reproduzir o pedido de abertura de inquérito policial contra nós.
O pedido diz:
“Apenas nos meses de setembro e outubro foram mais de 160 (cento e sessenta) publicações que aviltam a honra e a imagem do Noticiante”.
Os trechos citados pelos advogados de Lula foram:
“Se você fosse Lula, já estaria preso”.
“Lula, bom, já deveria estar preso”.
“Lula vai ser preso”.
“Lula na cadeia”.
“O destino de Lula será a prisão”.
De lá para cá, o Noticiante foi alvo de um pedido de prisão por parte dos promotores de São Paulo, foi levado para depor pela PF, teve suas propriedades escarafunchadas pela Lava Jato, tentou se refugiar na Casa Civil, foi desmascarado pelos grampos de Sergio Moro, comprou deputados no Golden Tulip, tentou subornar Nestor Cerveró, passou a ser investigado no STF como chefe do quadrilhão.
Oito meses depois de sua denúncia contra O Antagonista, Lula finalmente será julgado pela Lava Jato.
E repetiremos mais 160 (cento e sessenta) vezes: “Lula na cadeia”.
O MELHOR DO DIA
Nome de Temer surge na Lava Jato
Na sua delação premiada, Sérgio Machado afirma que Michel Temer lhe pediu dinheiro para a campanha de Gabriel Chalita... [veja na íntegra]
Teori devolve para Janot pedido contra Dilma
Teori Zavascki devolveu para Rodrigo Janot o pedido de abertura de inquérito contra Dilma Rousseff, Lula, Aloizio Mercadante e JEC... [leia mais]
O mensalão da Transpetro
Em sua delação, Sérgio Machado disse que só pedia propina a empresários com quem conseguia desenvolver uma "relação de confiança"... [veja na íntegra]
TCU abre prazo para Dilma explicar contas de 2015
O Tribunal de Contas da União aprovou, por unanimidade, um prazo de até 30 dias para que a defesa de Dilma Rousseff explique as 23 irregularidades identificadas... [veja mais]
- Sobram crimes também em 2015
Lula preso em 2018
Segundo o Estadão, “o maior risco que o ex-presidente enfrenta não é a prisão cautelar, avaliam investigadores ouvidos em caráter reservado...” [leia na íntegra]
- Lula já ganhou tempo demais
- Os 14 milhões de reais de Luleco
- Os inquéritos de Lula serão enviados para Curitiba
- O estratagema criminoso que beneficiou Lula
A bancarrota do PT
O PT será extinto. Quantas vezes já repetimos isso? Mas é o que vai ocorrer. O Valor, nesta quarta-feira, publica aquilo que estamos antecipando... [veja o texto completo]
- A bancarrota do PT (e do PMDB e do PP)
Esquerda e direita querem saquear o Brasil
O fato de os deputados terem desfigurado a nova lei geral das estatais mostra que o Brasil ainda está muito longe de pensar em ser um país civilizado... [veja o texto completo]
- O loteamento não pode parar
Delator confirma propina em Belo Monte para PT e PMDB
O engenheiro e delator Luiz Carlos Martins, ligado à Camargo Corrêa, confirmou em depoimento no final de março que a empreiteira... [leia na íntegra]
O teto elástico de Temer
A Lei de Responsabilidade das Estatais já deixou de ser a Lei de Responsabilidade das Estatais. Agora o teto do gasto público corre o risco de deixar de ser o teto do gasto público... [veja mais]
- A sabotagem de Renan
José Sarney e o esgoto da política
O esgoto da política brasileira não para de transbordar. Em 29 de janeiro, Ribamar Alves, prefeito de Santa Inês, no Maranhão, foi preso em flagrante... [leia mais]
Desabamento de igreja em Diadema deixa três pessoas soterradas
Bruno Bocchini – Repórter da Agência Brasil
Três pessoas foram soterradas pelo desabamento do templo da Assembléia de Deus Madureira em Diadema (SP), que, segundo a prefeitura, estava em obras sem autorização do municípioBruno Bocchini/Agência Brasil
O desabamento de uma casa, onde funcionava uma igreja da Assembleia de Deus Madureira, na cidade de Diadema, no ABC Paulista, deixou três pessoas soterradas.
O Corpo de Bombeiros informou, às 19h25, que tinha contato visual com duas das vítimas, que estavam conscientes. Uma mulher, de nome Vanda, ainda não havia sido localizada.
De acordo com os bombeiros, a retirada dos escombros está sendo feita com as mãos, sem máquinas pesadas, para evitar novo desmoronamento.
Além das três vítimas ainda soterradas, quatro pessoas foram retiradas do local com ferimentos leves, encaminhadas a o hospital Quarteirão da Saúde, na mesma cidade, e passam bem.
De acordo com a Assembleia de Deus Madureira, no momento do desabamento estava sendo realizado um culto denominado Tarde de Libertação, do qual participavam entre 10 e 15 pessoas.
A prefeitura de Diadema informou que o prédio estava em obras, mas sem autorização da administração municipal. Uma notificação foi entregue à igreja na última segunda-feira determinando a paralisação das obras.
O advogado da igreja, kaique Nicolau de Lima, disse que as obras estavam paralisadas há cerca de duas semanas, por determinação da própria igreja, já que a reforma estava sendo feita sem autorização da prefeitura.
No momento, cerca de 70 bombeiros trabalham no resgate.
Renan acusa MPF de abuso de poder e de tomar decisões "esdrúxulas e ridículas"
Mariana Jungmann - Repórter da Agência Brasil
Renan Calheiros lembrou que três membos da força-tarefa da Lava Jato tiveram indicações rejeitadas pelo SenadoArquivo/Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), acusou hoje (15) membros do Ministério Público Federal (MPF) de agirem com “abuso de poder” na força-tarefa da Operação Lava Jato no que se refere a investigações de senadores. Em discurso no plenário da Casa, Renan classificou de “esdrúxula” e “ridícula” a decisão do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de pedir, semana passada, sua prisão e de outros membros da cúpula do PMDB.
Renan começou o discurso afirmando que já arquivou quatro pedidos de impeachment do procurador-geral e que vai analisar “com isenção” o novo pedido de impedimento apresentado ontem (14). Disse ainda que vai se declarar “impedido” de determinar sobre o pedido se constatar que ele faz referências a seu nome.
“Se os pedidos forem ineptos, e os analisarei, irei arquivá-los. Se, do ponto de vista pessoal, fizerem alguma citação a mim, não posso vincular a instituição ao meu interesse pessoal, absolutamente. Eu me tornarei publicamente impedido”, adiantou.
Renan lembrou que três membros da força-tarefa da Lava Jato foram recentemente rejeitados pelo Senado em indicações do procurador-geral para o Conselho Nacional do Ministério Público (CNPM) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ele cobrou que essas pessoas também sejam impedidas de investigar senadores “pelo constrangimento que significaram as rejeições” pelo Senado.
“Talvez o bom senso não recomendasse que essas pessoas continuassem investigando o Senado Federal como instituição, investigando senadores, abusando de poder, fazendo condução coercitiva sem fato que a justifique, busca e apreensão na casa de senador, prisão em flagrante claramente orientada, gravações de senadores de forma ilegal com pessoas colocadas na convivência de senadores”, acrescentou.
Saiba Mais
Renan lembrou que o ex-senador Delcídio do Amaral, cassado pela unanimidade do plenário do Senado, teria acertado um acordo para que sua delação só fosse publicizada após seis meses, quando ele teria tempo para circular na Casa, gravando conversas com senadores – o que Renan chamou de “delação predatada”.
“Ou seja, o senador Delcídio, que chegou ao cúmulo de gravar o então ministro [da Educação] Aloízio Mercadante por meio do seu gabinete, da sua assessoria, ficaria durante seis meses aqui no Senado gravando os senadores para que essas gravações servissem de materialidade a acusações sem provas”, afirmou.
Cristovam Buarque pediu cautela a Renan na análise do impeachment do procurador-geralArquivo/Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Em referência direta ao pedido de sua prisão e também do ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP), do presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do senador Romero Jucá (PMDB-RR), o presidente do Senado disse que “o que pareceu na esdrúxula decisão da semana passada é que eles [Ministério Público] já haviam perdido seus limites constitucionais. Com aquele pedido, perderam o limite do bom senso e o limite do ridículo”.
Após o discurso, alguns senadores pediram a Renan “extrema cautela” ao tratar do assunto, em especial ao analisar o pedido deimpeachment do procurador-geral. “O senhor tem a obrigação de zelar pelas prerrogativas, mas também pela imagem do Senado”, destacou o senador Cristovam Buarque (PPS-DF).
“Mesmo com todo o rigor, mesmo com toda a prerrogativa, se passar a imagem de que estamos tentando impedir a Lava Jato de ir adiante será um desastre de proporções inimagináveis para todos nós”, completou Buarque.
O senador João Capiberibe também pediu cautela e lembrou que o país passa por um momento delicado na vida política.
“Isso pode transparecer uma atitude individual de vossa excelência, porque esse momento é delicado da vida política brasileira. As instituições estão funcionando muito bem. Estamos diante de uma crise política terrível, mas eu solicitaria que continue nessa conduta que vossa excelência tem tomado em relação a todos os demais casos”, concluiu Capiberibe.
A assessoria de comunicação da PGR informou à noite que o procurador Rodrigo Janot não iria se pronunciar sobre as declarações do senador Renan Calheiros.
Machado diz que repassou R$ 1 milhão para candidatura de Aécio à Câmara
André Richter e Mariana Jungmann - Repórteres da Agência Brasil
O ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, um dos delatores da Operação Lava Jato, disse que repassou ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) recursos para viabilizar a candidatura dele à presidência da Câmara dos Deputados em 1998. Na época, Machado era senador e ocupava o posto de líder do partido no Senado.
De acordo com o delator, parte dos recursos foram obtidos no exterior. “Os recursos foram entregues aos próprios candidatos ou a seus interlocutores. Que a maior parcela dos cerca de R$ 7 milhões arrecadados à época, foi destinada ao então deputado Aécio Neves, que recebeu R$ 1 milhão em dinheiro. Que, com frequência, Aécio recebia esses valores através de um amigo de Brasília que o ajudava nessa logística”, acrescentou trecho do depoimento.
De acordo com o delator, à época o então presidente do PSDB, senador Teotônio Vilela (AL), e Aécio, então deputado federal, definiram “um plano de eleger a maior bancada federal” para viabilizar a candidatura à presidência da Casa. Segundo Machado, a forma encontrada foi ajudar financeiramente cerca de 50 deputados se elegerem.
Nota
Saiba Mais
- Sérgio Machado diz que Temer pediu R$ 1,5 milhão para campanha de Chalita
- Sérgio Machado diz que repassou propina a mais de 20 políticos
Em nota, o senador Aécio afirmou que as acusações de Machado são falsas e covardes para ganhar os benefícios da delação premiada.
“Qualquer pessoa que acompanha a cena política brasileira sabe que, em 1998, sequer se cogitava a minha candidatura à presidência da Câmara dos Deputados, o que só ocorreu muito depois. Essa eleição foi amplamente acompanhada pela imprensa e se deu exclusivamente a partir de um entendimento político no qual o PSDB apoiaria o candidato do PMDB à presidência do Senado e o PMDB apoiaria o candidato do PSDB à presidência da Câmara dos Deputados. A afirmação feita não possui sequer sustentação nos fatos políticos ocorridos à época”, disse o senador.
PSDB
O PSDB também divulgou nota afirmando que “as delações premiadas são uma conquista da sociedade e não podem se transformar em acusações sem provas, em instrumento de manipulação da verdade e em esconderijo de interesses inconfessáveis de criminosos.”.
“O PSDB repudia as falsas acusações feitas pelo delator Sérgio Machado, envolvendo lideranças do partido. As mentiras ditas e que fazem referência a nomes do PSDB na articulação e recebimento de recursos de caixa 2, na campanha eleitoral de 1998, são afirmações feitas no desespero de quem está tentando se livrar da responsabilidade pelos crimes que cometeu”, afirmou o texto.
O partido considerou ainda que as delações de Sérgio Machado são “afirmações descabidas e contraditórias, que não guardam qualquer relação com os fatos políticos da época”. A nota reiterou que o partido “confia que as investigações revelarão a verdade dos fatos, assim como os interesses dos que se escondem por trás das calúnias”.
Ministério da Saúde confirma 30 novos casos de microcefalia
Aline Leal - Repórter da Agência Brasil
Na última semana, o Ministério da Saúde confirmou o diagnóstico de microcefalia e outras alterações no sistema nervoso em 30 bebês, todos sugestivos de terem sido causados por infecção congênita. Ao todo, agora são 1.581 casos registrados de outubro do ano passado até o dia 11 de junho. Outros 3.047 bebês com suspeita de malformações ainda não tiveram os exames concluídos para diagnóstico preciso.
Do total de confirmados, 226 tiveram exames laboratoriais comprovando que foram causados pelo vírus Zika. Entretanto, para o Ministério da Saúde este número não reflete a realidade. Para a pasta, a maior parte dos confirmados foram causados pelo vírus Zika, mas, por dificuldades de diagnosticar a doença, a situação não foi comprovada em laboratório.
O novo boletim registrou 3.308 casos descartados por apresentarem exames normais, por apresentarem microcefalia, malformações confirmadas por causa não infecciosas ou não se enquadrarem na definição de caso.
Os 1.581 casos confirmados em todo o Brasil ocorreram em 562 municípios, localizados em 25 unidades da Federação e no Distrito Federal. A maior parte dos registros (1.394) foi registrada no Nordeste.
Mais de 45 pessoas detidas em desocupação de secretaria em Porto Alegre
Daniel Isaia – Correspondente da Agência Brasil
A Brigada Militar (BM) deteve mais de 45 pessoas durante a desocupação da Secretaria Estadual da Fazenda, em Porto Alegre. O prédio havia sido invadido por estudantes, que reivindicam verba de R$ 240 milhões para melhorias nas escolas gaúchas e o fim do Projeto de Lei (PL) 44, que, segundo eles, permite a privatização da educação pública no estado.
Pelo menos 35 entre os detidos são menores de idade e foram levados ao Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca). Dez pessoas, maiores de idade, foram encaminhadas à 3ª Delegacia de Polícia Civil de Porto Alegre.
A secretaria foi invadida no fim da manhã de hoje (15). O Batalhão de Choque da BM usou gás de pimenta para retirar as pessoas que invadiram o prédio.
Os estudantes reclamaram da forma como foram retirados do local. “A desocupação de um prédio público, da forma violenta como foi, não leva a lugar nenhum. Protesto é uma coisa pacífica, é um direito nosso”, afirmou o estudante Lucas dos Santos Fagundes, de 16 anos. Para Lucas, a melhor forma de o governo lidar com os manifestantes é tratar a educação como prioridade: “Muita gente está dizendo que a invasão vai prejudicar o ano letivo, mas meu professor de sociologia disse que o ano já começa prejudicado quando não há condições de dar aula.”
Os estudantes detidos fizeram exame de corpo de delito para identificar possíveis lesões e ferimentos contraídos durante a desocupação. Os menores permaneceram detidos no Deca durante a tarde. Do lado de fora do departamento, mães e pais dos detidos manifestavam apreensão por não poder falar com os filhos. Indignada com a forma como a desocupação foi feita, Tara Burke, mãe de um dos menores, disse ter entendido que não havia ordem de reintegração de posse. "A polícia pensa que pode agir sem ordem de juiz, e isso significa ditadura”, afirmou Tara.
Os menores de idade vão ser denunciados por dano qualificado e liberados ainda hoje na presença dos responsáveis.
Maiores serão presos
Os dez detidos que têm mais de 18 anos vão ser indiciados por associação criminosa, corrupção de menores, prejuízo ao trabalho coletivo e dano qualificado ao patrimônio público, este último, inafiançável. Por isso, todos eles serão encaminhados para o Presídio Central ou para a Penitenciária Feminina Madre Pelletier.
Entre os maiores de idade, está o jornalista Matheus Chaparini, repórter do Jornal Já. A empresa diz, nas redes sociais, que Chaparini identificou-se como jornalista perante a Brigada Militar durante a desocupação, mas que os policiais o detiveram afirmando que “não faz diferença nenhuma”.
Desocupação negociada
A detenção de pelo menos 45 pessoas ocorre no dia seguinte ao acordo entre representações estudantis e governo do estado para que mais de 100 escolas em várias cidades gaúchas fossem desocupadas. O acerto havia sido feito no final da terça-feira (14), quando o governo prometeu que não iria incluir o PL 44 na pauta de votação deste ano.
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