INVESTIR NO PARAGUAI: SUGESTÕES SEDUTORAS

 

MAIS SOBRE INVESTIR NO PARAGUAI

Face ao interesse manifestado por inúmeros leitores quanto às sugestivas declarações feitas pelo ministro de Indústria e Comércio do Paraguai, Marco Riquelme, em recente evento do grupo Mercado&Opinião, em São Paulo, com pedidos de mais informações sobre as reais vantagens de INVESTIR NO PARAGUAI, que foram alvos do editorial de ontem, 25 , com o título - PARAGUAI - A PASÁRGADA LATINO-AMERICANA-, eis aí o que o governo do nosso país vizinho está oferecendo, por exemplo, às pessoas físicas:  


INVESTOR PASS

Para começar, como bem refere Rafael Balago, repórter internacional da Exame, em abril o PARAGUAI lançou NOVAS MODALIDADES DE VISTO DE RESIDÊNCIA PARA INVESTIDORES. Neste modelo, chamado de INVESTOR PASS, quem abrir um negócio ou investir no país GANHA DIREITO A UM DOCUMENTO DE RESIDENTE PERMANENTE, O QUE PERMITE PAGAR MENOS IMPOSTOS. O programa possui QUATRO CATEGORIAS DE INVESTIMENTO, que exigem A PARTIR de US$ 70 mil (R$ 350 mil na cotação atual).


QUATRO CATEGORIAS DE INVESTIMENTOS

1- INVESTIMENTO EM NEGÓCIOS COMERCIAIS OU INDUSTRIAIS - Para tanto se faz necessário empregar ao menos cinco cidadãos paraguaios.

2- INVESTIMENTO FINANCEIRO - O interessado precisa investir ao menos US$ 200 mil (R$ 1 milhão) no mercado de ações do Paraguai, ou em outros tipos de investimento financeiro, e manter o dinheiro nele ao menos por DOIS ANOS. 

3- INVESTIMENTO EM IMÓVEIS - É preciso investir ao menos US$ 200 mil (R$ 1 milhão) em um projeto imobiliário, como a compra, a construção ou a operação do imóvel, que não pode ser para uso pessoal.

4- INVESTIMENTO EM TURISMO - O estrangeiro deve investir ao menos US$ 150 mil em serviços, infraestrutura ou atividades relacionadas ao turismo. O Paraguai tem interesse especial em desenvolver o turismo em Ciudad del Este, vizinha de Foz do Iguaçu. A região já recebe fluxo intenso de turistas e compradores, e o país quer oferecer mais opções a eles, bem como aumentar seu faturamento no setor.


DIREITO OFERECIDO PELO INVESTOR PASS

Em caso de aprovação, o estrangeiro recebe um VISTO DE RESIDÊNCIA PERMANENTE -VÁLIDO POR DEZ ANOS- QUE PODE SER RENOVADO. O documento dá direito a trabalhar no país e a pagar menos impostos, na comparação com estrangeiros que não possuem o visto. A taxação de dividendos cai de 15% para 8%A permissão vale apenas para o aplicante. Outros membros da família precisam fazer pedidos de residência temporária separadamente. Após dois anos, eles também podem pedir a residência permanente.


REQUISITOS

DETALHE: O RESIDENTE NÃO PRECISA MORAR NO PAÍS PARA MANTER O DOCUMENTO. Basta comparecer para retirar o documento. A solicitação pode ser feita online. O interessado precisa apresentar certidões de antecedentes criminais, declarar a origem dos recursos e, depois, demonstrar o andamento dos investimentos para o governo paraguaio. De acordo com o governo paraguaio, os pedidos de residência passaram de 28.000 para 47.000 em 2025, com a expectativa de atingir 80.000 em 2026. A maioria deles vem do Brasil.


Pontocritico.com

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Gargantilha folheada a ouro, contendo medalha Sol e Mar.


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Rio Grande do Sul registra uma das menores taxas de desmatamento

 Segundo levantamento do MapBiomas, em 2025 o Estado reduziu em 73% a área desmatada e respondeu por apenas 0,1% do total nacional


O Rio Grande do Sul segue entre as unidades da federação com os menores índices de área desmatada do país, conforme dados do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD 2025), divulgado na quarta-feira, 27, pelo MapBiomas.


Em 2025, foram registrados 1.089 hectares de vegetação nativa suprimida no território gaúcho, o equivalente a 0,1% da área total desmatada no Brasil, mantendo o Estado fora das regiões com maior pressão sobre a cobertura vegetal, segundo divulgação da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura.


Na comparação com 2024, o resultado é ainda mais significativo: o RS apresentou redução de 73% na área desmatada, em um contexto de recuperação após os eventos meteorológicos extremos que impactaram o território. O indicador reforça a retomada das condições ambientais e a efetividade das ações de controle adotadas no período.


“O Rio Grande do Sul demonstra que é possível conciliar desenvolvimento e preservação ambiental com responsabilidade e seriedade. Temos uma atuação firme da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) e da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) no monitoramento, na fiscalização e no cumprimento das regras ambientais, sem qualquer flexibilização ou descuido com a proteção dos nossos biomas. Ao mesmo tempo, estamos construindo uma nova lógica de desenvolvimento sustentável, que entende a preservação como parte do crescimento econômico e da geração de oportunidades para as pessoas, garantindo equilíbrio entre produção, conservação e qualidade de vida para as futuras gerações”, afirma o governador Eduardo Leite.


“O resultado reflete o fortalecimento das políticas públicas ambientais e das ações de fiscalização e monitoramento, com ampliação das operações em campo, uso de tecnologia e atuação integrada com os municípios. Também está conectado à conscientização da população e dos setores produtivos, com adoção de práticas de uso sustentável dos recursos naturais. A combinação dessas estratégias contribui para a prevenção de irregularidades e para a conservação dos recursos naturais no território gaúcho”, destaca a titular da Sema, Marjorie Kauffmann.


No ranking nacional, o Estado ocupa a 18ª posição entre as unidades da federação com maior área desmatada, consolidando-se entre os dez que menos desmatam no país. O desempenho reforça o papel do Rio Grande do Sul na proteção dos biomas Pampa e Mata Atlântica, que apresentam características ecológicas únicas e elevada importância para a biodiversidade.


Investimento contínuo


Esse cenário é impulsionado pelo investimento contínuo do governo estadual na agenda ambiental. Entre 2018 e 2025, foram aprovados 1.905 Projetos de Recuperação de Áreas Degradadas (PRADs) e aplicados cerca de R$ 43 milhões em iniciativas técnicas de Reposição Florestal Obrigatória (RFO).


No mesmo período, foram implementados 769 ações de plantio de mudas, realizadas 208 compensações por equivalência ecológica, desenvolvidos 270 projetos de certificação agroflorestal, 50 iniciativas de extrativismo sustentável e 1.220 ações voltadas ao cultivo de espécies nativas, reforçando a recuperação ambiental e o uso sustentável dos recursos naturais.


Nesse contexto, ganha destaque o Programa Estadual de Recuperação da Vegetação Nativa (Proveg-RS), instituído para qualificar as políticas públicas de restauração ecológica no RS e alinhar as estratégias estaduais às diretrizes nacionais do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg).


A iniciativa estrutura ações voltadas ao monitoramento da recuperação ambiental, à restauração em áreas prioritárias, à recuperação produtiva, à conservação da biodiversidade e ao fortalecimento das cadeias da sociobiodiversidade, além de incentivar a pesquisa e a atuação em rede.


Fiscalização ambiental


Em 2025, as ações de fiscalização ambiental coordenadas pela Fepam também foram ampliadas. No bioma Pampa, as atividades somaram 60 propriedades monitoradas em 21 municípios.


Já na Mata Atlântica, uma das operações fiscalizou 55 alertas de desmatamento e 13 denúncias em 33 municípios, com uso combinado de monitoramento de campo, análises remotas e atuação conjunta com órgãos municipais de meio ambiente, incluindo a verificação da regularidade das intervenções.


O esforço foi evidenciado pela participação do Estado na Operação Nacional Mata Atlântica em Pé. A ação fiscalizou 53 alertas de desmatamento em 35 municípios e abrangeu cerca de 249,6 hectares, evidenciando o uso integrado de inteligência e atuação coordenada no combate ao desmatamento ilegal.


Sobre o MapBiomas


O MapBiomas é uma iniciativa colaborativa criada em 2015 que reúne diversas instituições para mapear anualmente o uso da terra no Brasil e monitorar mensalmente a água e o fogo desde 1985. Utilizando tecnologias como o Google Earth Engine, o projeto busca tornar acessíveis informações sobre o território, além de apoiar a conservação ambiental e o combate às mudanças climáticas.


Correio do Povo

França avança para revogação de lei sobre escravidão colonial

 Deputados franceses apoiam por unanimidade a anulação de normas obsoletas que definiam pessoas escravizadas como "bens móveis"


Os deputados franceses apoiaram por unanimidade, nesta quinta-feira (28), a revogação de uma legislação obsoleta que definia as pessoas escravizadas em suas colônias como "bens móveis", um gesto simbólico no momento em que o país confronta seu passado colonial. Os franceses foram os terceiros maiores traficantes de escravizados da Europa, atrás dos britânicos e dos portugueses.


Segundo estimativas de especialistas, navios que partiam de portos franceses entre os séculos XVII e XIX transportaram à força mais de 1 milhão de homens, mulheres e crianças da África para a escravidão, muitos deles destinados a plantações em suas colônias no Caribe.


A França aboliu a escravidão em 1794, durante a Revolução, e novamente em 1848, após Napoleão tê-la restabelecido.

Em 2001, o país reconheceu a escravidão e o tráfico de escravizados como "crimes contra a humanidade". No entanto, uma série de decretos reais dos séculos XVII e XVIII que estabeleciam o estatuto jurídico das pessoas escravizadas em suas colônias nunca havia sido explicitamente revogada.


Nesta quinta-feira, todos os grupos parlamentares votaram por unanimidade a favor da revogação. Para sua abolição definitiva, o Senado deverá agora votar este projeto de lei em data ainda a ser determinada.


AFP e Correio do Povo

Irã diz que chance de nova guerra é baixa, mas Trump não descarta retomada dos ataques

 Casa Branca descarta acordo parcial e exige abertura total do Estreito de Ormuz


O governo do Irã afirmou, nesta quarta-feira (27), que considera pouco provável a retomada das hostilidades com os Estados Unidos, mas o presidente americano, Donald Trump, disse que ainda não está "satisfeito" com as propostas iranianas para encerrar a guerra.


A partir do conflito, o Irã praticamente fechou o Estreito de Ormuz, via marítima crucial para os fluxos de energia mundiais, e os Estados Unidos responderam com um bloqueio naval aos portos iranianos.


Trump, no entanto, deu a entender que não tem pressa para chegar a um acordo com o Irã.


"O Irã está empenhado, querem muito chegar a um acordo. Até agora, não conseguimos. Ainda não estamos satisfeitos com isso, mas estaremos", disse o presidente durante uma reunião de gabinete na Casa Branca.


"Ou isso ou teremos que terminar o trabalho", afirmou, em alusão a retomar as hostilidades.


Quando foi questionado sobre um possível acordo de curto prazo para reabrir o Estreito de Ormuz sob a condição de que Irã e Omã controlem a passagem de navios, Trump foi categórico: "Não, o estreito vai estar aberto para todo mundo".


"São águas internacionais e Omã vai se comportar como todos os outros ou teremos que explodi-los", acrescentou, ameaçando o país que até agora teve um papel fundamental na mediação do conflito, assim como tem sido alvo dos ataques de Teerã.


Mais cedo, Mohammad Akbarzadeh, vice-chefe político da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica, declarou que "a possibilidade de guerra é baixa devido à fragilidade do inimigo" e advertiu que "as Forças Armadas estão em alerta, com os carregadores cheios".


"Não duvidem de que transformaremos a área de Chabahar até Mahshahr em um cemitério para os agressores", acrescentou, ao mencionar cidades em cada extremo da vasta costa sul do Irã.


As declarações foram feitas um dia após Teerã acusar Washington de violar o cessar-fogo e advertir que estava preparada para adotar medidas de represália após os ataques mais graves desde o início da trégua, em 8 de abril.


A guerra no Oriente Médio começou no final de fevereiro com ataques americanos e israelenses contra o Irã, mas se propagou rapidamente em várias frentes, o que afetou todo o Oriente Médio e provocou uma crise no mercado mundial de energia.


Depois que as duas partes deram indícios de avanços nas negociações, a TV estatal iraniana afirmou que Washington tinha se comprometido a suspender o bloqueio naval sobre o Irã, a restabelecer o tráfego no Estreito de Ormuz e a retirar as forças americanas da região do Golfo.


O informe citou um esboço de memorando de entendimento, mas a Casa Branca o desmentiu de imediato, assegurando que se tratava de uma "invenção total".


"Ninguém deveria acreditar no que a imprensa estatal iraniana está publicando. OS FATOS IMPORTAM", destacou a Casa Branca no X.

"Haverá ataques com mísseis esta noite?"

Na terça-feira, a imprensa estatal iraniana reportou explosões na cidade portuária de Bandar Abbas, perto do Estreito de Ormuz, e a Guarda Revolucionária afirmou que suas forças derrubaram um drone americano que entrou no espaço aéreo do país e abriram fogo contra um caça F-35.


O porta-voz do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), capitão Tim Hawkins, havia anunciado novos ataques americanos contra o Irã em "legítima defesa".


Em uma aparente tentativa de devolver a normalidade ao país, as autoridades iranianas restabeleceram parcialmente o acesso à internet global na terça-feira, após um corte de três meses.


Mas os iranianos continuam expressando seu desassossego.


"Sinto que ainda não há nada certo, embora o cessar-fogo siga de pé e haja notícias de um possível acordo. Mas o que nos perguntamos a cada dia é: 'Haverá ataques com mísseis esta noite?'", disse à AFP Amir, um analista de sistemas de 27 anos, morador de Teerã.


Israel declara uma "zona de combate" no Líbano

No front libanês, Israel prosseguiu com os ataques contra o movimento islamista pró-Irã Hezbollah, apesar da trégua instaurada em 17 de abril.


Nesta quarta-feira, o Exército israelense advertiu que vai considerar como "zona de combate" toda a área do território libanês ao sul do rio Zahrani, que se estende a cerca de 40 km da fronteira entre Israel e Líbano, e ordenou a evacuação desta área. Horas antes, ele tinha instado a saída dos moradores de Tiro, também no sul do país.


Na terça-feira, pelo menos 31 pessoas morreram em bombardeios na cidade meridional de Nabatiye, segundo o Ministério da Saúde libanês.


AFP e Correio do Povo

PF não vai dar mais chance para delação de Vorcaro

 

A Polícia Federal (PF) encerrou as negociações de delação premiada com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

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Assista à íntegra: https://youtube.com/live/M4kJJnA9Ruc

Fonte: https://www.facebook.com/reel/2170398810479053

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Inter encara duelo decisivo antes da pausa e mira novo cenário após a Copa do Mundo

 Colorado pode se aproximar do G-5 em caso de vitória sobre o Bragantino, mas direção mantém discurso cauteloso e já projeta mudanças no elenco para a sequência do Brasileirão


O Inter entra em campo neste domingo, diante do Bragantino, no Estádio Cícero de Souza Marques, carregando um peso que vai além dos três pontos. A partida, válida pela última rodada antes da pausa do calendário para a disputa da Copa do Mundo, pode alterar significativamente o ambiente colorado durante as seis semanas sem jogos oficiais, período que os jogadores sairão em férias de 20 dias e passarão, em seguida, por um período especial de treinos.


O pior cenário, porém, está praticamente descartado. A possibilidade de o time gaúcho entrar na pausa dentro da zona de rebaixamento é remota e depende de uma combinação improvável de resultados. Com 21 pontos, o Inter tem três de vantagem sobre o Santos, primeiro integrante do Z-4 neste momento.


Para terminar entre os quatro últimos, o Colorado precisaria ser derrotado por ampla diferença de gols, enquanto o Santos teria de vencer e ainda tirar a desvantagem no saldo. Além disso, Grêmio e Corinthians também teriam que empatar o seu jogo.


Apesar da distância em relação ao grupo dos rebaixados, o duelo deste fim de semana é tratado como determinante em outros aspectos. Uma vitória pode levar o Inter até a oitava colocação, deixando a equipe mais próxima do G-5 e reacendendo a esperança de disputar vaga na próxima Libertadores. Já um tropeço tende a manter o clube preso em uma faixa intermediária da tabela, cenário que reduz as perspectivas de ambições maiores.


Internamente, contudo, o discurso permanece conservador. Dirigentes e integrantes da comissão técnica reconhecem as limitações do elenco, a escassez de alternativas e o equilíbrio do campeonato. Por isso, a orientação segue sendo a mesma desde o início da temporada: encarar 2026 como um período de reconstrução e priorizar uma campanha sem grandes sustos.


A estratégia adotada é trabalhar rodada a rodada, redefinindo metas conforme a evolução. Nos bastidores, há também a convicção de que o Brasileirão sofrerá mudanças importantes após a Copa, especialmente em razão das movimentações no mercado. A expectativa é de que alguns clubes se fortaleçam, enquanto outros percam peças.


Diante deste cenário, a direção admite mudanças. A tendência é de que um ou dois jogadores sejam negociados para fechar as contas, ao mesmo tempo em que o clube intensifica a busca por reforços. Assim, embora o confronto diante do Bragantino seja fundamental para definir o clima no Beira-Rio durante a pausa, o entendimento é de que o Campeonato Brasileiro será outro após a Copa do Mundo.


Correio do Povo


TCU identifica assimetria disfuncional em benefícios do Bolsa Família

 Beneficiários que descumprem regras e não são localizados continuam recebendo pagamentos de forma automática, aponta tribunal

Para o TCU, a situação representa "falha estrutural de extrema gravidade" Foto : Valter Campanato / ABr / Divulgação / CP

O Tribunal de Contas da União (TCU) informou nesta quarta-feira, 27, que identificou uma "assimetria disfuncional" na operação das condicionalidades do Bolsa Família, em auditoria que apontou falhas estruturais no acompanhamento de beneficiários nas áreas de saúde e educação.


Segundo o tribunal, famílias que permanecem visíveis ao sistema e descumprem regras do programa sofrem punições progressivas, enquanto beneficiários não localizados continuam recebendo pagamentos de forma automática.


"A auditoria identificou vários problemas que impedem a interrupção no ciclo de pobreza no Brasil. O pior é a assimetria disfuncional criada na operacionalização do programa. A família que permanece visível e desconfia da condicionalidade sofre consequências progressivas, começa com alerta e chega-se ao cancelamento do benefício. Por outro lado, a família que desaparece absolutamente da sociedade não sofre nenhuma consequência e os pagamentos continuam a ser feitos de forma absolutamente automática", afirmou o ministro relator, Walton Alencar, durante sessão plenária.


De acordo com a auditoria, por causa de família sem paradeiro conhecido, 35,8% das crianças vinculadas ao programa na área da saúde - mais de 6,8 milhões - não são acompanhadas pelo sistema. Na educação, 13,7% dos beneficiários, o equivalente a cerca de 5,2 milhões de crianças, estão classificados como não localizados. Para o TCU, a situação representa "falha estrutural de extrema gravidade", diante do risco de crianças estarem fora da escola, sem vacinação ou acompanhamento nutricional adequado.


O relator criticou o desenho operacional das repercussões aplicadas às famílias que descumprem as condicionalidades do programa. Segundo Walton, o tempo mínimo para cancelamento do benefício pode ultrapassar 18 meses na educação e 30 meses na saúde, prazos considerados incompatíveis com a urgência do acompanhamento da primeira infância.


A auditoria também apontou baixa cobertura do trabalho social voltado às famílias em fase de suspensão do benefício. Segundo o levantamento, apenas 7% dessas famílias recebem acompanhamento social. Para os ministros, a ausência desse monitoramento reduz a capacidade do programa de interromper o ciclo intergeracional da pobreza, limitando a atuação estatal ao pagamento da transferência de renda.


O Tribunal determinou que o ministério elabore, em até 180 dias, plano de ação para enfrentar a inclusão de beneficiários no ciclo de repercussões após esgotadas tentativas de busca ativa.


Entre as medidas propostas estão a criação de canais simplificados e remotos para atualização cadastral das famílias e a revisão dos prazos de repercussão, especialmente na área da saúde. Para o TCU, "não é razoável que o sistema trate de forma mais gravosa a família que permanece visível, mas descumpre algum critério, enquanto a família que desaparece do radar não sofre consequências".

Estadão Conteúdo e Correio do Povo

HPV leva a 7,5 mil mortes anuais por câncer no Brasil

 Vacinação é a forma mais eficaz de prevenção



Os cânceres causados por HPV provocaram cerca de 7,5 mil mortes e 29 mil hospitalizações anuais no Brasil, e 85% dos afetados são mulheres. A maioria desses casos é considerada prevenível, com a identificação das chamadas lesões precursoras, que podem ser tratadas antes que se tornem câncer e, principalmente, com vacinação.


Os dados fazem parte de um estudo publicado na revista científica Human Vaccines & Immunotherapeutics, que analisou dados oficiais do Ministério da Saúde. O objetivo foi identificar as tendências de hospitalização e mortalidade, por isso a análise englobou o período de 2011 a 2019, anterior à pandemia de covid-19, que impactou diversos indicadores de saúde.


De acordo com a líder do estudo, a diretora executiva de Pesquisa de Dados de Mundo Real da farmacêutica MSD, Cintia Parellada, um dos destaques é o alerta a respeito dos diversos tipos de câncer que o HPV pode causar. Para chegar aos resultados, os pesquisadores coletaram todas as ocorrências e estimaram quantas foram causadas pelo vírus, considerando as proporções consolidadas pela literatura médica.


O câncer de colo do útero permanece como a maior preocupação, correspondendo a 74,3% das hospitalizações e 77,3% das mortes ocorridas no período analisado. Mas isso significa que um a cada quatro pacientes desenvolveu a doença em outro local, somando mais de 50 mil hospitalizações.


"O foco no colo do útero pode passar uma falsa percepção de que só a mulher tem que se vacinar. Mas, na verdade, o HPV é responsável por oito tipos de cânceres, que atingem mulheres e homens: colo do útero, vagina, vulva, ânus e pênis, e orofaringe, laringe e cavidade oral, que são os cânceres de cabeça e pescoço", complementa a diretora executiva.


O câncer anal foi o tipo que apresentou maior aumento nas ocorrências, de 3,1% nas hospitalizações e de 10,9% na mortalidade. Homens que fazem sexo com homens e pessoas imunosuprimidas são especialmente vulneráveis.


Cintia também chama a atenção para o fato dos cânceres de cabeça e pescoço acometerem quatro vezes mais homens do que mulheres.


"Nos países que já conseguiram atacar o problema do câncer do colo do útero, o problema do HPV está maior nos homens por causa disso. E nesse tipo de câncer não existe lesão precursora que possas ser tratada. A prevenção é apenas a vacinação", alerta a médica.


O estudo também mostra uma tendência preocupante com relação ao câncer do colo do útero. De 2011 a 2016, as hospitalizações caíram 4,7%, mas, de 2016 a 2019, o movimento foi o inverso, com crescimento de 3,9%. A mortalidade apresentou o mesmo padrão, com queda de 0,7% no primeiro período e alta de 1,5% no segundo.


Outro dado preocupante vem da análise etária. Enquanto todos os outros tipos começam a ter maior incidência a partir dos 40 ou 50 anos, no caso do câncer de colo do útero, as hospitalizações já são expressivas a partir dos 30. A a média de idade das pacientes é de 47 anos, pelo menos dez a menos do que nos outros tipos de câncer. A idade média das pessoas que morreram pela doença também é menor: 56 anos.


"Hoje o câncer do colo do útero é o câncer que mais mata mulheres em idade reprodutiva e é o que tem maior nível de incidência [nessa faixa etária]. A gente sabe que apenas 40% das mulheres fazem o papanicolau de maneira periódica como é recomendado. Então, elas são diagnosticadas quando já têm um tumor invasivo", reforça Cintia.


O papanicolau ou exame preventivo é o procedimento ginecológico que deve ser feito periodicamente para detectar a presença do HPV ou de lesões precursoras no colo uterino, possibilitando que a paciente seja acompanhada com mais cautela ou receba o tratamento, em caso de lesões, evitando que elas evoluam para câncer.


No ano passado, o Ministério da Saúde atualizou as diretrizes para esse exame de rastreamento. Agora, todas as mulheres e outras pessoas com útero, entre 25 e 64 anos, devem fazer o teste DNA-HPV oncogênico, que detecta não somente a presença do vírus, como também identifica de que tipo ele é, já que apenas alguns tem potencial cancerígeno.


Em caso negativo, o exame só precisa ser repetido depois de cinco anos. Em caso positivo, a paciente deve ser encaminhada para outros exames, para confirmar ou descartar lesões ou o câncer já instalado, e realizar o tratamento. As autoridades de saúde acreditam que, com rastreamento organizado, tratamento oportuno e vacinações com alta cobertura, o câncer de colo do útero pode ser eliminado em 20 anos.


Cintia Parellada reforça que apesar dos desfechos agressivos, este é um tipo de câncer que oferece grande oportunidade de prevenção. "Depois que uma pessoa se infecta, ela demora dois anos para ter a lesão precursora. E da lesão precursora até o câncer, esse caminho pode ser de dez anos."


Por outro lado, isso também demonstra a importância da vacinação precoce. "Uma pessoa que começou a atividade sexual com 15 anos, quando ela chega nos 30, já pode ter o câncer do colo do útero", alerta.

A vacina contra o HPV foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2014, e estudos já mostram que ela ajudou a reduzir a incidência de câncer e das lesões precursoras. No entanto, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) projeta que mais de 19 mil novos casos serão diagnosticados por ano no país, durante o período 2026-2028, um aumento de 14% em comparação ao triênio anterior.


A vacina é recomendada a todas as crianças e adolescentes, de 9 a 14 anos, porque sua eficácia é maior se for tomada antes do início da vida sexual. O Ministério da Saúde está com uma campanha vigente de resgate vacinal para todos os jovens de até 19 anos que não foram vacinados na idade correta.


Além disso, também devem receber a vacina: pessoas imunodeprimidas, vítimas de abuso sexual, pessoas com papilomatose respiratória recorrente, usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) e pacientes que já tiveram lesões pré-cancerosas de alto grau. Para outros públicos, a vacina está disponível em serviços privados de saúde.

Agência Brasil e Correio do Povo