⛽ Crise dos Combustíveis: Defasagem recorde de 85% no diesel ameaça o abastecimento no Brasil

 


A escalada bélica no Oriente Médio, que empurrou o preço do petróleo Brent para a casa dos US$ 100 a US$ 120 o barril, instalou um cenário de incerteza crítica no setor de energia brasileiro. Com a paralisia das importações e uma defasagem de preços histórica, especialistas alertam para o risco real de desabastecimento de diesel nas próximas duas semanas.

⚠️ O "Nó" da Importação e o Risco de Escassez

Cerca de 30% do diesel consumido no Brasil depende de importação. Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), as compras externas foram suspensas porque o preço internacional subiu drasticamente, enquanto o preço de venda interno, ditado pela Petrobras, permanece congelado.

  • Paralisia: Não há registro de novas cargas chegando ao país desde o agravamento do conflito.

  • Prazo Crítico: Os estoques atuais garantem o abastecimento por apenas mais 15 dias.

  • Pressão nas Refinarias: Com os importadores fora do jogo, filas de caminhões têm se formado nas refinarias da Petrobras, que agora precisa suprir sozinha uma demanda que não consegue atender integralmente.

💸 Defasagem Recorde e Inflação

A diferença entre o preço praticado no Brasil e o valor no mercado internacional atingiu níveis alarmantes, pressionando a estatal e o governo federal:

CombustívelDefasagem AtualReajuste Necessário (por litro)
Diesel85%R$ 2,74
Gasolina49%R$ 1,22

Enquanto a Petrobras mantém os preços inalterados há quase um ano, refinarias privadas, como a de Mataripe (Bahia), já elevaram o diesel em 26% apenas em março. Mesmo com essa alta, as empresas privadas ainda operam com 42% de defasagem, evidenciando o tamanho do choque de oferta global.

🌍 O Contexto Global: O Fator Ormuz

A alta do petróleo não é fruto de um evento único, mas da consolidação de que o conflito no Oriente Médio será prolongado. Ataques à infraestrutura energética e o bloqueio do Estreito de Ormuz interromperam fluxos vitais.

Para conter a crise, o G7 estuda liberar reservas de emergência, similar ao que ocorreu em 2022. No entanto, analistas como Isabela Garcia, da Stonex, alertam que essas medidas são paliativas. Sem uma articulação diplomática para repor o volume de óleo retirado do mercado nos últimos dez dias, a pressão sobre os preços deve continuar subindo.


A situação é especialmente delicada para o setor de transportes e para o agronegócio, que dependem diretamente do diesel. 

🌍 Braço de Ferro Global: Irã desafia Trump e afirma ter o controle sobre o desfecho da guerra

 


O cenário geopolítico atingiu um novo ápice de tensão nesta segunda-feira (9). Em resposta direta às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Guarda Revolucionária do Irã emitiu um comunicado contundente afirmando que o encerramento das hostilidades não será determinado por Washington, mas sim pelas forças de Teerã.

⚔️ Retórica de Guerra e Operações Militares

Enquanto Trump assegura em coletivas na Flórida que o conflito "terminará muito em breve", os números no campo de batalha contam uma história de destruição em larga escala:

  • Ofensiva Americana: O exército dos EUA reportou o ataque a mais de 5 mil alvos em apenas dez dias, incluindo a destruição de mais de 50 embarcações iranianas.

  • Ataques de Israel: Tel Aviv anunciou uma ofensiva "em grande escala" contra a capital, Teerã, na noite de segunda-feira.

  • Resistência Iraniana: Teerã mantém o uso intensivo de drones e mísseis balísticos no Golfo Pérsico, negando que a capacidade militar do país esteja perto do colapso.

🛢️ A "Arma" Econômica: O Estreito de Ormuz

O grande ponto de estrangulamento do conflito reside na logística energética global. O Irã, através de Ali Larijani (chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional), alertou que o Estreito de Ormuz permanecerá intransitável enquanto a guerra persistir.

A importância estratégica desta via não pode ser subestimada:

  • Por ali transita 20% da produção mundial de petróleo e GNL (Gás Natural Liquefeito).

  • Trump ameaçou uma retaliação "extremamente dura" caso o fluxo de energia seja permanentemente bloqueado, o que já causou volatilidade imediata nos mercados internacionais de commodities.

🏳️ Objetivos e Impasses

Washington sustenta que o objetivo da campanha é neutralizar o programa balístico iraniano e impedir o acesso de Teerã a armas nucleares. Por outro lado, a liderança iraniana nega pretensões atômicas e afirma que a "equação futura da região" agora é ditada por suas forças armadas, e não pela pressão externa.

🛡️ Segurança como Vitrine: Eduardo Leite depõe na CPI do Crime Organizado em Brasília

 


O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), comparece nesta quarta-feira (11), às 9h, à CPI do Crime Organizado no Congresso Nacional. O depoimento ocorre em um momento estratégico: apenas cinco dias após o lançamento de seu "Manifesto ao Brasil", que oficializou sua pré-candidatura à presidência da República em 2026.

📍 O RS no Cenário Nacional

Convidado pelo relator Alessandro Vieira, Leite falará como representante de um dos estados que apresentam os melhores indicadores de segurança do país, segundo o Ministério da Justiça e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O Rio Grande do Sul compõe o grupo dos estados "mais seguros" ao lado de:

  • Paraná (governo Ratinho Júnior, seu concorrente interno no PSD);

  • Santa Catarina;

  • Distrito Federal.

Em contrapartida, a CPI também ouvirá gestores de estados com índices críticos, como Amapá, Bahia, Pernambuco, Ceará e Alagoas.

🚀 A Estratégia Presidencial

Para Leite, a segurança pública é a joia da coroa de sua gestão. Os resultados do programa RS Seguro, que acumula quedas sucessivas em crimes patrimoniais e latrocínios, são utilizados como prova de competência administrativa para o eleitorado nacional. A audiência em Brasília é vista por seus aliados como um "palco de ouro" para consolidar sua imagem como um gestor técnico e equilibrado.

⚠️ Os Pontos de Atenção

Apesar dos avanços, o governador deve ser questionado sobre dois temas sensíveis que desafiam o "vitrinismo" do setor:

  1. Feminicídios: A escalada desses casos no estado, embora seja um fenômeno nacional, pressiona as políticas de proteção à mulher no RS.

  2. Violência Policial: Operações recentes que resultaram em vítimas fatais sob circunstâncias questionadas colocaram em pauta o uso da força e a necessidade de câmeras corporais e maior controle externo.

⚖️ Choque no X: Alessandro Vieira e Eduardo Bolsonaro trocam ataques sobre nova CPI do STF

 


O clima político esquentou nas redes sociais nesta segunda-feira (9) com um embate direto entre o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O pivô da discussão é o requerimento de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

🛡️ O Embate: Passado vs. Presente

Alessandro Vieira, autor do pedido da CPI, foi alvo de críticas de apoiadores bolsonaristas devido à sua autoria no antigo projeto de lei das "Fake News". Em resposta, o senador utilizou seu histórico para confrontar a família Bolsonaro:

  • Argumento de Vieira: Relembrou que foi o mentor da "CPI da Lava Toga" e de pedidos de impeachment contra os mesmos ministros no passado. Segundo o senador, na época, Flávio e Eduardo Bolsonaro teriam resistido às medidas para proteger interesses pessoais ligados ao caso das "rachadinhas".

  • Reação de Eduardo: Classificou Vieira como um "senador perigosíssimo" e exigiu respeito ao mencionar aliados que estão no exterior.

"Você já atrapalhou o Brasil demais, tá na hora de descansar", disparou Vieira em tréplica, sugerindo que Eduardo deveria "curtir o Mickey" em vez de interferir no trabalho legislativo.

📝 A Mudança de Postura de Flávio Bolsonaro

Um ponto central do debate é a mudança de comportamento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Se em 2019 ele atuou para barrar investigações contra o Judiciário, desta vez ele assinou o requerimento de Vieira. A assinatura de Flávio foi a de número 29 — ocorrendo somente após a CPI já ter garantido o mínimo de 27 apoios necessários para o protocolo. Atualmente, o documento conta com 35 assinaturas.

🔍 O Estopim: Mensagens e o Banco Master

A pressão pela CPI ganhou força após a revelação de mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro. Os dados sugerem uma proximidade atípica entre o empresário e os ministros:

  • Controle de Convidados: Mensagens indicam que Vorcaro consultou Alexandre de Moraes sobre a lista de um fórum jurídico em Londres, resultando no "bloqueio" de Joesley Batista do evento.

  • Prestação de Contas: O banqueiro teria informado o ministro sobre negociações de venda do banco e discutido detalhes de inquéritos sigilosos.

  • Elo com Toffoli: Investigações apontam ligações entre empreendimentos de familiares de Dias Toffoli e fundos associados ao Banco Master.

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✈️ Ameaça de bomba causa atraso em voo da Latam no Aeroporto de Brasília

 


Um voo da Latam com destino ao Aeroporto de Guarulhos (SP) precisou ser adiado nesta segunda-feira (9) após uma ameaça de bomba ser registrada antes da decolagem. O voo LA4677, que deveria ter partido de Brasília às 9h55, foi retido para uma inspeção detalhada pelas autoridades competentes.

🛡️ Protocolos de Segurança

Assim que o aviso foi emitido pela concessionária Inframerica e pela companhia aérea, o protocolo de segurança aeronáutica foi prontamente ativado. A aeronave foi isolada e os passageiros, juntamente com suas bagagens, foram submetidos a um novo processo de desembarque e inspeção rigorosa.

🔍 Varredura da Polícia Federal

Equipes especializadas da Polícia Federal realizaram uma varredura completa na aeronave, nos passageiros e em todos os volumes despachados. Após a averiguação, a PF confirmou que a ameaça não passou de um alarme falso, não sendo identificados riscos, explosivos ou qualquer irregularidade.

  • Impacto nas operações: A aeronave foi liberada por volta das 13h e decolou às 14h04, sem comprometer a malha aérea ou a operação do Aeroporto de Brasília.

  • Posicionamento das empresas: A Latam reforçou que a operação seguiu os mais elevados padrões internacionais de segurança. A Inframerica confirmou que, apesar do transtorno aos passageiros do voo LA4677, o fluxo geral do terminal não foi prejudicado.

🌽 17º Fórum do Milho: Especialistas analisam manejo de pragas, irrigação e desafios geopolíticos no RS

 


Durante a abertura da 26ª Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque, o 17º Fórum do Milho reuniu pesquisadores e lideranças do setor para debater o futuro da cultura. Em um cenário marcado por instabilidades climáticas e geopolíticas, o evento reforçou a necessidade de tecnologia e gestão estratégica para garantir a rentabilidade no campo.

🐛 O retorno das pragas: Novos desafios no manejo

O pesquisador da CCGL, Glauber Sturmer, trouxe um alerta preocupante sobre o ressurgimento da lagarta do gênero Spodoptera. Segundo o especialista, o uso prolongado de biotecnologias criou uma pressão de seleção, tornando o inseto mais resistente.

  • Recomendação: A estratégia atual não depende de um único produto, mas da integração entre táticas químicas e biológicas.

  • Foco no timing: Sturmer enfatizou que a falha muitas vezes não está na eficácia do defensivo, mas na aplicação atrasada. Observar o momento correto do manejo é, hoje, uma necessidade crítica.

💧 Segurança através da irrigação

O engenheiro agrônomo André Scharlau destacou a irrigação como o principal pilar para a estabilidade da safra. Ao comparar dados produtivos, o especialista defendeu que a tecnologia vai além do aumento de produtividade, oferecendo segurança alimentar, especialmente para pecuaristas que dependem da silagem.

  • Benefícios: Estabilidade produtiva, mitigação de riscos climáticos, maior eficiência no uso de insumos e viabilização técnica da safrinha.

🌍 Guerra e Mercado: O impacto global no preço gaúcho

O gerente comercial da Cargill, Heverton Gugelmin, trouxe uma perspectiva cautelosa sobre as exportações. Com cerca de 50% do milho gaúcho sendo exportado para o Oriente Médio, a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã gera incertezas.

  • Logística e Oferta: Se os fluxos de exportação forem interrompidos, o excedente no mercado interno gaúcho pode pressionar os preços para baixo.

  • Custos: O conflito tende a impulsionar o preço do petróleo, o que encarece o diesel e eleva diretamente o custo de produção para o agricultor brasileiro.

O Fórum consolidou o setor como um dos mais atentos às variações globais.


☁️ Instabilidade persiste no Rio Grande do Sul nesta terça-feira

 


O Rio Grande do Sul segue sob influência de uma massa de ar instável nesta terça-feira (10). A tendência para o dia é de predomínio de nebulosidade em grande parte do estado, embora o sol consiga aparecer entre nuvens, especialmente nas regiões da Metade Oeste.

🌦️ Onde deve chover?

As áreas mais afetadas pela instabilidade — com previsão de chuva fraca ou garoa persistente — concentram-se nas faixas Norte, Leste e Nordeste do estado. Essa condição abrange a região da Grande Porto Alegre, a Serra Gaúcha e o Litoral.

🌡️ Temperaturas amenas

O clima permanece com características de outono/inverno ameno em grande parte dos municípios gaúchos. A sensação térmica será mais fria nas áreas de maior altitude, como a Serra e os Aparados, onde a nebulosidade deve ser mais densa ao longo do dia.

Resultados parciais da guerra

 Ao completar-se uma semana da guerra travada por Estados Unidos e Israel contra o Irã, Israel está conseguindo parte do que queria

Por Jurandir Soares

Ao completar-se uma semana da guerra travada por Estados Unidos e Israel contra o Irã já dá para se tirar algumas conclusões. Israel está conseguindo parte do que queria. O principal era acabar com a possibilidade de o Irã vir a ter a bomba atômica. Esta possibilidade para Teerã se arrefeceu com os ataques de junho de 2025 e foi praticamente eliminada com os presentes ataques.


Da mesma forma, Israel conseguiu outro objetivo que é enfraquecer o sistema de defesa iraniano. Principalmente, os seus lançadores de mísseis. Não conseguiu, pelo menos até agora, o terceiro objetivo, que é a mudança de regime. A execução do aiatolá Ali Khamenei representa apenas a mudança de um ocupante de posto. Israel prometeu matar um a um os que forem indicados para a sucessão. Também não resolverá se não cair o regime.


REVIDE


Ao se ver massacrado, o Irã revida procurando espalhar o caos, envolvendo o maior número possível de países. Assim, atacou cinco das seis monarquias do Golfo, Kuwait, Catar, Bahrein, Arábia Saudita e Emirados Árabes. Só sobrou Omã. Na sequência, atacou no Chipre, na Turquia e no Azerbaijão. Além de ter tido um combate, com o afundamento de uma de suas fragatas, na costa do Sri Lanka. E tem ainda o envolvimento do Líbano no conflito, não por iniciativa de Israel, mas do Hezbollah, o movimento terrorista apoiado pelo Irã, que resolveu atacar o território israelense.


As monarquias do Golfo, pelo fato de abrigarem bases dos EUA, foram alvo de ataques diversos, que afetaram um dos setores que mais cresce na região, o turismo. Só em Dubai foram atingidos o moderníssimo aeroporto e dois hotéis de arquitetura marcante. O Al Arab, em formato de barco, e o Palm Jumeirah, na área de aterro em forma de palmeira. Bahrein e Arábia Saudita tiveram refinarias incendiadas.


ORMUZ


Todavia, um grande trunfo do Irã se dá com o bloqueio do Estreito de Ormuz. Com isto fica sem sair o petróleo que abastece a Ásia e boa parte do Ocidente. E petróleo, todo mundo sabe, quando cai a oferta sobe o preço e ocorre convulsão no mercado internacional. Com reflexos em todos os setores da economia e a consequente alta da inflação. Fatores que já estão se refletindo no país que atacou o Irã: Estados Unidos. Nunca o preço da gasolina esteve tão alto no mercado americano.


Os reflexos do fechamento de Ormuz chegam até aqui ao Brasil, pois deixam de vir os fertilizantes e adubos que importamos, além de outros produtos menos importantes, e ficamos impossibilitados de mandar as carnes de gado e de frango que exportamos para a região.


CONFIANÇA


Outro abalo que a guerra está dando – e, em consequência favorece o Irã – é na confiança dos aliados dos EUA. Vide o caso das monarquias do Golfo. Por darem suporte às ações americanas, foram atingidas e não tiveram a devida proteção por parte dos Estados Unidos. Não foi sem razão que Reino Unido e Espanha provocaram a ira de Trump ao se negarem a dar apoio às ações dos EUA. Esses dois países levaram em conta as advertências do Irã.


Com suas ações, Teerã está apostando também no desgaste do governo Trump. O que se dá pelos reflexos na economia dos EUA e pelo fato de os próprios americanos estarem cansados dos envolvimentos de seu país em guerra. E o que menos querem é envolvimento como os ocorridos no Vietnã, Iraque e Afeganistão, com os soldados americanos voltando para casa envoltos em sacos plásticos.


MUDANÇA


Porém, o que está sendo constatado é que sem a presença de tropas por terra não se mudará o regime. A advertência já foi feita pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, de que não se muda um regime apenas com ações aéreas. Assim, entramos na segunda semana de um conflito que se mostra indefinido. Trump fala em mais quatro a cinco semanas e Israel em mais uma a duas semanas.


Outra constatação é de que o custo já está alto, tanto em vidas quanto em materiais. Mais de 1.200 iranianos mortos, dez israelenses e quatro americanos. E, em 100 horas de guerra, foram queimados 3,7 milhões de dólares. O custo diário é de 890 milhões de dólares. Enfim, por enquanto só resultados parciais desta estupidez humana que se chama guerra.

Correio do Povo



Henrique IV de França: O "Bom Rei" que Unificou uma Nação

 


Henrique IV (Henri de Bourbon; 1553–1610), carinhosamente conhecido como "le bon roi Henri" (o Bom Rei Henrique), foi um dos monarcas mais transformadores da história francesa. Primeiro rei da Casa de Bourbon, ele assumiu o trono em um momento em que a França estava destroçada por décadas de guerras civis religiosas. Sua trajetória é marcada pela resiliência, pragmatismo político e uma visão de governo voltada à prosperidade de seus súditos.


Origens e Ascensão ao Trono

Nascido no Castelo de Pau, em Navarra, Henrique era filho de Antônio de Bourbon e de Joana III de Navarra. Criado inicialmente sob a fé protestante (huguenote), sua juventude foi forjada no calor das Guerras Religiosas na França.

Após a morte de seu primo Henrique III de Valois em 1589, Henrique de Navarra tornou-se o herdeiro legítimo do trono francês. Contudo, seu protestantismo era um obstáculo insuperável para a maioria católica do país. Em uma manobra de realismo político — imortalizada na frase "Paris vale bem uma missa" — Henrique converteu-se ao catolicismo em 1593 para pacificar a nação e garantir sua coroação em 1594.


Principais Legados de Seu Reinado

1. Tolerância Religiosa: O Édito de Nantes

Talvez o seu maior feito tenha sido a promulgação do Édito de Nantes (1598). Este documento foi revolucionário para a época ao conceder liberdades civis e religiosas aos protestantes, encerrando efetivamente o ciclo de violência fratricida que assolava a França há 30 anos.

2. Reconstrução Econômica e Mercantilismo

Com o auxílio de seu ministro e braço direito, o Duque de Sully, Henrique IV implementou políticas precursoras do mercantilismo. Suas ações focaram em:

  • Recuperação da agricultura e manufatura: Implementou reformas fiscais que normalizaram o tesouro real.

  • Infraestrutura: Reconstruiu estradas, pontes e incentivou o mercado interno.

  • Bem-estar social: Seu desejo, segundo a tradição popular, era que cada camponês francês tivesse "uma galinha na panela" aos domingos.


Vida Pessoal e Estilo de Governo

Conhecido como Le Vert-Galant devido à sua energia e romances, Henrique IV levou uma vida pública e privada intensa. Casou-se duas vezes:

  • Margarida de Valois (La Reine Margot): Um casamento político que visava unir católicos e huguenotes, mas que foi marcado pelo trágico Massacre da Noite de São Bartolomeu, ocorrido poucos dias após as núpcias em 1572.

  • Maria de Médici: Com quem consolidou a dinastia Bourbon e teve seis filhos, incluindo o futuro Luís XIII.

Além dos herdeiros legítimos, Henrique teve uma extensa prole ilegítima, mantendo um ambiente doméstico pouco convencional para a época, onde educava filhos legítimos e bastardos em conjunto em Fontainebleau.


O Fim Trágico e o Mistério da Relíquia

Em 14 de maio de 1610, Henrique IV foi assassinado em Paris pelo fanático católico François Ravaillac, que o apunhalou em sua carruagem. O motivo alegado pelo assassino foi o medo de que o rei declarasse guerra ao Papa.

O Destino de seus Restos Mortais: Após a profanação de seu túmulo na Basílica de Saint-Denis durante a Revolução Francesa (1793), a cabeça embalsamada do rei perdeu-se por séculos. Em 2010, uma equipe multidisciplinar liderada pelo médico forense Philippe Charlier confirmou, através de sofisticadas técnicas antropológicas e de radiocarbono, que uma cabeça encontrada em uma coleção particular pertencia, de fato, a Henrique IV. O rei foi finalmente honrado com um funeral nacional em 2011.