Ex-presidente do Banco Central conta que Brasil enfrentou 15 anos de hiperinflação contínua, acumulando índices superiores a 1.000% ao ano e marcando a pior experiência do mundo moderno

 O Brasil viveu a mais longa experiência de hiperinflação já registrada na história contemporânea. Entre 1980 e 1994, foram 15 anos consecutivos com taxas anuais superiores a 100%, chegando a ultrapassar os 1.000% em alguns períodos, segundo estudos citados por Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central. Esse cenário colocou o país à frente até mesmo de episódios clássicos como a Alemanha em 1923 e a Hungria em 1946, que, apesar da intensidade, duraram pouco mais de um ano.

A hiperinflação corroeu salários, destruiu o poder de compra e desestruturou a economia nacional. Enquanto países que enfrentaram crises semelhantes conseguiram estabilizar rapidamente suas moedas, o Brasil passou mais de uma década sem controle, tornando o caso um marco global de instabilidade econômica prolongada.

Por que a inflação fugiu do controle

A hiperinflação brasileira foi resultado de um conjunto de desequilíbrios fiscais e monetários. Governos sucessivos recorreram a emissões de moeda para cobrir déficits públicos, sem respaldo em políticas de ajuste fiscal. Além disso, medidas como congelamentos de preços e tabelamentos criavam alívio imediato, mas logo geravam desabastecimento e crises de confiança.

Entre 1986 e 1994, foram oito planos de estabilização fracassados, incluindo o Plano Cruzado, o Plano Bresser e o Plano Collor. Este último, em 1990, ficou marcado pelo confisco das poupanças, medida que gerou revolta social e instabilidade política sem conter a inflação. Em março daquele ano, o índice mensal chegou a 82%, uma das maiores marcas já registradas.

O impacto no cotidiano da população

hiperinflação atingia diretamente a vida das famílias brasileiras. Salários perdiam valor no mesmo dia em que eram recebidos, obrigando trabalhadores e donas de casa a correrem para o supermercado assim que o dinheiro caía na conta. Pequenos comerciantes tinham dificuldade para remarcar preços, enquanto empresas maiores tentavam se proteger com reajustes automáticos.

Esse ambiente levou ao colapso de inúmeros negócios e à formação de um trauma coletivo. A cultura de “corrida contra o tempo” para preservar o poder de compra moldou o comportamento financeiro de toda uma geração, consolidando hábitos de consumo imediatistas e de desconfiança em relação à moeda nacional.

O fim da hiperinflação só ocorreu em 1994, com a implementação do Plano Real, que reconstruiu as bases monetárias do país. O plano criou a Unidade Real de Valor (URV), mecanismo que preparou a transição para a nova moeda, o real. Além disso, fortaleceu defesas institucionais, como a independência operacional do Banco Central e a separação entre política fiscal e monetária.

Essas mudanças, segundo Gustavo Franco e outros economistas, foram essenciais para quebrar a espiral inflacionária e restabelecer a confiança na moeda. A partir daí, o Brasil ingressou em um ciclo de maior estabilidade, embora a inflação siga sendo um risco estrutural e um desafio constante para a política econômica.

Lições de um trauma econômico

A experiência da hiperinflação brasileira é considerada um dos maiores desastres econômicos do mundo moderno, não apenas pelos números, mas pela sua duração incomum. Especialistas afirmam que o episódio deixou uma herança: a consciência de que políticas fiscais e monetárias devem caminhar juntas para preservar a estabilidade.

Hoje, embora o país esteja mais protegido contra crises semelhanteso risco inflacionário permanece latente. Choques externos, descontrole fiscal ou erros de política econômica podem reacender a pressão sobre preços, lembrando que o passado ainda serve de alerta para o presente e o futuro.

E você, viveu os anos da hiperinflação no Brasil? Como essa experiência marcou o seu dia a dia e a forma como lida com o dinheiro até hoje? Compartilhe nos comentários — queremos ouvir quem sentiu isso na prática.


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Expointer 2025: cabanha do Espinilho garante dobradinha de grandes campeões da raça Corriedale

 Cabanha de Bagé conquistou premiações máximas da raça com macho e fêmea da propriedade

Borregos da cabanha do Espinilho foram os grandes campeões da raça Corriedale | Foto: Mauro Schaefer


Pelo segundo ano seguido, a cabanha do Espinilho, de Bagé, teve um borrego premiado como grande campeão da raça Corriedale. Na Expointer 2025, foi a vez do ovino J.S.F. Do Espinilho 943, box 94, ser coroado como melhor exemplar da raça. Mas não parou por aí. A propriedade da região Campanha também teve a fêmea JSF Do Espinilho 898 como grande campeã Corriedale desta edição da feira.

O julgamento foi realizado nesta segunda-feira, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. O pecuarista Joaquim Soares Neto, proprietário da cabanha do Espinilho, aponta a genética e a dedicação no cuidado com o animal como motivo de mais uma vitória. Ao lado do filho, também Joaquim, ele desfilou os grandes campeões na pista de julgamento ovino da Expointer 2025.

“Essa conquista é fruto de um esforço muito grande de todos que fazem parte do dia a dia destes animais, desde a criação até a parte técnica. Tudo isso foi importante para chegar onde chegamos. Também é um compromisso muito grande ter essas premiações. Atualmente, buscam-se na raça Corriedale animais com boas conformações carniceiras, e estes borregos contemplam isso”, afirmou.

Confira os grandes campeões da raça Corriedale

  • Macho grande campeão

J.S.F. Do Espinilho 943

Tatuagem 943

Box 94

Criador Joaquim Soares Neto

Cabanha Espinilho

Bagé-RS

  • Macho reservado

Pimenteira 587

Tatuagem 587

Box 105

Criador Gustavo Petruzzi e Fernando Petruzzi

Cabanha Pimenteira

Santa Vitória do Palmar-RS

  • Fêmea grande campeã

JSF Do Espinilho 898

Tatuagem 898

Box 78

Criador Joaquim Soares Neto

Cabanha Espinilho

Bagé-RS

  • Fêmea reservada

Burity 5846

Tatuagem 5846

Box 83

Criador José Inácio de Andrade Freitas

Cabanha Escondida

Alegrete-RS

GRANDE CAMPEÃ E GRANDE CAMPEÃO CORRIEDALE Mauro Schaefer


Correio do Povo

Ataque hacker desvia mais de R$ 400 milhões de instituições financeiras pelo Pix

 De acordo com fontes ouvidas pela TV Globo, foram desviados R$ 380 milhões do banco HSBC e outros R$ 40 milhões da instituição financeira Artta.

Apesar do episódio, a infraestrutura central do Pix não foi atingida e segue operando normalmente, informou a Sinqia. A companhia confirmou o episódio em nota oficial. (veja íntegra abaixo)

Ataque hacker em empresa que opera o sistema Pix desvia R$ 420 milhões

Ataque hacker em empresa que opera o sistema Pix desvia R$ 420 milhões

O golpe ocorreu a partir de vulnerabilidades no sistema da Sinqia, empresa brasileira que fornece tecnologia de conexão entre instituições financeiras e o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central.

A invasão ocorreu apenas nos servidores da Sinqia, que apenas se comunicam com o Banco Central. Após detectar a tentativa, o Bacen cortou a ligação da operadora com a rede do sistema financeiro nacional para impedir que ela fosse uma porta de acesso às demais instituições.

A ação foi rápida a tempo de conseguir bloquear R$ 350 milhões. A Polícia Federal foi acionada e vai investigar o ataque. Agora, o Banco Central trabalha para reaver o restante do dinheiro desviado.

O banco HSBC, maior afetado pela invasão, afirmou que nenhuma conta foi afetada e que "medidas foram tomadas para bloquear as transações" suspeitas.

"Na última sexta-feira, 29 de agosto, o HSBC identificou transações financeiras via PIX em uma conta de um provedor do banco. Nenhuma conta dos clientes ou fundos foram impactados pela operação por elas terem ocorrido exclusivamente no sistema desse provedor. O banco esclarece ainda que medidas foram tomadas para bloquear essas transações no ambiente do provedor. O HSBC reafirma o compromisso com a segurança de dados e está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações", afirmou o banco.

A Artta, uma das instituições afetadas, afirmou que o ataque foi nas contas que mantém direto com o Banco Central para liquidação interbancária e que nenhum conta de clientes foi afetada. (veja íntegra abaixo)

"Não houve ataque ao ambiente da Artta nem às contas de nossos clientes As contas envolvidas são mantidas junto ao Banco Central e utilizadas exclusivamente para liquidação interbancária", afirmou a instituição em nota.

A informação foi divulgada inicialmente pelo portal Neofeed.

Justificativa da operadora

Em seu comunicado, a Sinqia afirmou que acionou especialistas forenses para investigar a origem do incidente e destacou que “um número limitado de instituições financeiras” foi afetado.

Ainda de acordo com a empresa, a atividade suspeita se restringiu ao ambiente Pix e não há indícios de movimentações fora desse sistema nem sinais de que dados pessoais tenham sido comprometidos.

— Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Sinqia acrescentou que está reconstruindo as plataformas atingidas em um novo ambiente, com monitoramento reforçado e camadas adicionais de segurança.

Na ocasião, valores que estavam em contas no Banco Central foram transferidos de forma irregular. Até o momento, não há indícios de que os dois ataques estão correlacionados.

Mecanismos de devolução

A instituição lembra que, pelas regras atuais, a devolução dos recursos é feita apenas a partir da conta originalmente utilizada na fraude.

24 milhões foram vítimas de golpe do PIX ou boleto falso, indica Datafolha

24 milhões foram vítimas de golpe do PIX ou boleto falso, indica Datafolha

Com os aprimoramentos na regra, com validade a partir de 23 de novembro de forma facultativa e de 2 de fevereiro de forma obrigatória, o mecanismo de devolução do PIX vai identificar os caminhos dos recursos.

"A segurança é um dos pilares fundamentais do Pix e seu aprimoramento é um processo contínuo. O BC atua de forma permanente para garantir a manutenção do elevado patamar de segurança do Pix", afirmou o Banco Central.

Veja a nota da Sinqia, na ÍNTEGRA:

No dia 29 de agosto, a Sinqia detectou atividade suspeita no ambiente Pix. Nossa equipe agiu rapidamente e iniciou uma investigação para determinar a causa do incidente. Estamos trabalhando com o apoio dos melhores especialistas forenses nisto. Já estamos em contato com clientes afetados, que compreendem um número limitado de instituições financeiras.

Neste momento, verificamos que o incidente se limita apenas ao ambiente Pix. Não há evidências de atividade suspeita em nenhum outro sistema da Sinqia além do Pix e esse problema afeta apenas a Sinqia no Brasil. Além disso, neste momento, não temos indicação de que quaisquer dados pessoais tenham sido comprometidos.

Enquanto nossa investigação ainda está em andamento, colocamos em prática um plano detalhado para alcançar uma restauração completa. Primeiro, isolamos o ambiente Pix de todos os outros sistemas da Sinqia e o desconectamos proativamente do Banco Central, enquanto conduzimos nossa análise.

Em segundo lugar, por precaução, estamos trabalhando ativamente para reconstruir os sistemas afetados em um novo ambiente com monitoramento e controles aprimorados. Também estamos trabalhando com especialistas externos adicionais para nos ajudar a acelerar esse processo e complementar os recursos de nossa própria equipe. Depois que o ambiente for reconstruído e estivermos confiantes de que está pronto para ser colocado de volta em funcionamento, o Banco Central irá revisá-lo e aprová-lo antes de colocá-lo novamente online.

Assim que tivermos uma previsão clara sobre quando o novo sistema estará online, forneceremos mais atualizações aos nossos clientes. A segurança das transações realizadas em nossos sistemas é nossa primeira prioridade.

Agradecemos o apoio de nossos clientes e pedimos desculpas pelo inconveniente. Estamos tratando essa situação com a maior seriedade e continuamos comprometidos com a transparência e em manter nossas partes interessadas informadas à medida que novas informações se tornem disponíveis.

Veja a nota da Artta, na ÍNTEGRA:

No dia 29/08, a Sinqia S.A., empresa homologada e autorizada pelo Banco Central para operar o SPB e o Pix, registrou um incidente em sua infraestrutura tecnológica que afetou diversas instituições financeiras, entre elas a Artta Sociedade de Crédito Direto S.A. e bancos como o HSBC.

Não houve ataque ao ambiente da Artta nem às contas de nossos clientes. As contas envolvidas são mantidas junto ao Banco Central e utilizadas exclusivamente para liquidação interbancária.

Como medida preventiva, interrompemos as transações de saída no mesmo dia, priorizando a segurança e a proteção integral dos recursos de nossos clientes.

Estamos em contato direto com o Banco Central e a Sinqia e atuando para que a normalização das operações aconteça com a máxima agilidade e total segurança.

Reafirmamos nosso compromisso com a integridade do sistema financeiro, a proteção dos clientes e a transparência em nossas comunicações.

Em caso de dúvidas, nossa equipe está disponível pelo e-mail: suporte@artta.com.br.


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