Alemanha acelera retorno à normalidade

Merkel considerou dados da pandemia no país como “muito satisfatórios”

Merkel destacou que resultados do combate ao coronavírus são positivos na Alemanha

A Alemanha deu mais um passo nesta quarta-feira em seu plano de desconfinamento, com a reabertura de todas as lojas e escolas e o retorno do futebol profissional em maio.
“Os dados mais recentes” sobre a evolução da pandemia do novo coronavírus “são muito satisfatórios”, disse a chanceler Angela Merkel ao final de uma reunião com os governadores do país. “Portanto, chegamos a um ponto em que podemos dizer que atingimos o objetivo de retardar a propagação do vírus”, anunciou ela, em entrevista coletiva.
A Alemanha planeja suspender quase todas as restrições impostas em meados de março para conter a disseminação de Covid-19, com a exceção do fechamento das fronteiras e da proibição de grandes eventos esportivos ou culturais com a presença de público.

Luz verde para a Bundesliga

No campo esportivo, o campeonato de futebol será retomado em meados de maio, embora os jogos sejam disputados sem a presença do público, o que vai permitir que os clubes recebam 300 milhões de euros em direitos de transmissão pela televisão.
A retomada da liga de futebol será precedida, no entanto, por uma semana de quarentena em um centro de treinamento, de acordo com o protocolo definido pela federação. 
O plano também prevê a reabertura, a partir da próxima semana, de todas as lojas, incluindo aquelas com áreas superiores a 800 m², que até agora permaneciam fechadas, e de todas as escolas. Isso afeta escolas primárias e jardins de infância, que ainda não foram beneficiados pelas medidas de desconfinamento lançadas em 20 de abril. No entanto, esses centros terão que adotar medidas preventivas.
Restaurantes e hotéis também vão poder abrir a partir da próxima semana, dependendo da região. “Temos que estar cientes de que ainda estamos no início da pandemia e que ainda temos um longo caminho a percorrer para combater o vírus”, afirmou Merkel.
Prevendo o risco de uma segunda onda de infecções, que os infectologistas consideram possível, a Alemanha vai preparar um plano de reconfinamento, de maneira muito mais localizada, por regiões, cidades ou mesmo por estabelecimentos, se for um lar de idosos ou um edifício residencial.
As medidas locais de confinamento serão ativadas se o contágio exceder 50 casos por 100 mil  habitantes em um período de sete dias em uma determinada área. No entanto, até 5 de junho, a obrigação de respeitar a distância física de pelo menos 1,5 metro permanecerá em vigor.
A Alemanha também espera contar com a ajuda de um aplicativo de rastreamento que alertará os usuários que decidiram participar, pois não é obrigatório, que eles entraram em contato com uma pessoa infectada. Os dados serão armazenados nos telefones dos usuários e serão mantidos por três semanas.
O governo e as regiões também decidiram que o código-fonte do aplicativo será tornado público para tranquilizar os críticos.

Asfixia

Essa normalização acelerada na Alemanha também é resultado de uma pressão crescente da população, do setor econômico e das regiões sobre Angela Merkel, que durante várias semanas tentou interromper a abertura devido ao risco de um surto.
Depois de ser elogiada por sua administração da crise de saúde, que resultou em uma mortalidade muito menor do que a de outros países europeus, a chanceler vinha sendo fortemente pressionada para iniciar o desconfinamento desde o final de abril. Ela até foi acusada, por sua prudência, de sufocar a economia e de violar liberdades individuais.
“Cada semana de paralisação custa à economia alemã centenas de milhões de euros”, alertou o presidente da federação industrial BDI, Dieter Kempf. Manifestações começaram a se espalhar por todo o país.

AFP e Correio do Povo

Fernández diz a Uruguai e Chile que pandemia no Brasil põe região em risco

Presidente argentino declarou que já conversou com líderes sobre a situação no país

Alberto Fernandez manifestou preocupação com situação do Brasil

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, disse na quarta-feira, 6, que o descontrole da pandemia de coronavírus no Brasil é um risco para a toda a região. Em entrevista à Rádio Con Vos, de Buenos Aires, ele afirmou que o assunto vem sendo tema frequente de conversas entre chefes de governo de países vizinhos. "Já falei com Piñera (presidente do Chile) e com Lacalle (presidente do Uruguai). É claro que o Brasil representa um risco", disse Fernández.
Desde o início da pandemia, o presidente argentino adotou uma política oposta à do governo brasileiro. O primeiro caso de coronavírus no país foi confirmado no dia 3 de março, quando um homem de 43 anos, que havia voltado da Itália, testou positivo. Os casos seguintes também foram de pessoas que haviam chegado da Europa. Em 15 de março, Fernández impôs uma quarentena obrigatória para todos que regressavam à Argentina, com multa de até 100 mil pesos (cerca de R$ 8,5 mil) e prisão de 6 meses a 2 anos.
Em 20 de março, quando as autoridades argentinas registravam 128 casos e 3 mortes, Fernández endureceu ainda mais o isolamento, decretando uma quarentena compulsória e fechando as fronteiras. Foi a primeira medida radical no combate à pandemia, adotada no momento em que o Brasil contabilizava quatro mortes e o presidente Jair Bolsonaro tentava minimizar o problema.
Assim como no caso brasileiro, Fernández enfrentou resistência de alguns setores da economia. Grupos ligados à oposição convocaram para hoje uma marcha para violar a quarentena imposta pelo governo. A senadora Felicitas Beccar Varela e Patricia Bullrich, que foi ministra de Segurança Pública do ex-presidente Maurício Macri, acusam Fernández de usar o coronavírus como desculpa para fechar a economia.
Sempre que foi questionado, o presidente argentino rebateu. "Da morte não se volta, mas a economia se recupera", declarou, no dia 30 de março. Duas semanas depois, ele defendeu o isolamento, alegando que a escolha entre quarentena e economia era "um falso dilema". "Prefiro 10% a mais de pobres do que 100 mil mortos pelo coronavírus na Argentina."
O rígido distanciamento social parece ter dado resultados. Até ontem, as autoridades de saúde da Argentina registravam 5 mil casos e 264 mortes - 6 óbitos em cada milhão de habitantes. Enquanto isso, a disseminação do vírus avançou um pouco mais no Brasil, ultrapassando 120 mil casos e 8 mil mortes - 38 óbitos em cada milhão de pessoas.
Na entrevista de ontem à Rádio Con Vos, Fernández voltou a dizer que a preocupação do governo argentino passa pelo desleixo com o qual o Brasil trata a pandemia. "Eu não entendo como (o Brasil) age com tanta irresponsabilidade", disse o presidente. "O Brasil faz fronteira com toda a América do Sul, menos com Chile e Equador. Na Argentina, entram muitos caminhões brasileiros que vêm de São Paulo, que é o lugar mais infectado do Brasil."
No dia 30 de março, Fernández já havia criticado a estratégia de Bolsonaro em relação ao coronavírus. "Lamento muito que não se entenda a dimensão do problema", disse o presidente argentino, ao ser questionado sobre o esforço do governo brasileiro para retomar a atividade econômica. "Temo que, com esta lógica, o Brasil entre no mesmo espiral de contágios em que entraram Espanha, Itália e EUA, que declararam a quarentena quando já era tarde."
A preocupação de Fernández é compartilhada por outros vizinhos. Na terça-feira, Luis Lacalle Pou, presidente do Uruguai, mandou reforçar os controles sanitários na fronteira com o Brasil. Álvaro Delgado, secretário da presidência, disse que via com "preocupação" a disseminação de casos do lado brasileiro. "O governo do Uruguai está preocupado com a situação em algumas cidades do lado brasileiro", disse Delgado, após reunião de emergência do gabinete de Lacalle Pou, para tratar do assunto.
O Paraguai adotou medidas parecidas. Na segunda-feira, o presidente Mario Abdo Benítez esteve em Ciudad del Leste para supervisionar o controle na fronteira. Segundo o governo, 85% dos 2.810 paraguaios que voltaram ao país após o início da pandemia vieram do Brasil e foram responsáveis pela maior parte da disseminação da covid-19 no país. Em Pedro Juan Caballero, o Exército colocou arame farpado e cavou valas em alguns trechos da fronteira com o Mato Grosso do Sul.
Procurado, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil não respondeu aos pedidos de entrevista feitos pelo jornal Estado de São Paulo.

Agência Estado e Correio do Povo

Vagas de emprego em Porto Alegre - 07.05.2020

MEC: Exame da educação básica será ampliado e servirá para acesso à universidade

Prova terá como público-alvo todos os alunos do ensino básico, das redes pública e privada

Portaria foi assinada pelo ministro da Educação



Os exames do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que mede qualidade da educação infantil ao ensino médio, serão aplicados anualmente e devem ser usados para acesso a universidades. Antes realizado a cada dois anos e restrito a algumas séries, o Saeb agora será ampliado para todos os alunos do ensino básico, tanto da rede pública quanto de escolas particulares.
A mudança foi publicada nesta quarta-feira, em uma portaria do Ministério da Educação (MEC). O documento, assinado pelo ministro Abraham Weintraub, também dá diretrizes para a aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que deve continuar sendo usado para aprovação em universidades.
A portaria diz que tanto o Enem quanto o Saeb devem servir como mecanismos "alternativos ou complementares" para o acesso à educação superior.

Mudanças

Com as mudanças, o Saeb terá como público-alvo todos os alunos de escolas públicas e privadas, em zonas urbanas e rurais. Até agora, a avaliação era aplicada apenas entre alunos do 5º e 9º ano do fundamental, e do 3º ano do ensino médio.
Cerca de 7 milhões fizeram a prova no ano passado. O orçamento ficou em cerca de R$ 500 milhões. Somadas as redes privada e pública, o Brasil tem mais de 34 milhões de estudantes nos ensinos fundamental e médio, segundo o último Censo Escolar, que passariam a ter de fazer o Saeb.
O sistema deve seguir como uma fonte de indicadores de qualidade para o ensino básico, segundo a portaria. Além de servir para o ingresso em universidades futuramente, o Saeb também deve servir para decidir o acesso a programas governamentais de financiamento ou apoio ao estudante da educação superior. O documento não detalha quais programas podem ser incluídos nesse item.
A adaptação do exame às novas regras será coordenada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). O órgão pode optar por aumentar a abrangência do Saeb gradualmente, por meio de regulamentos anuais.

Agência Estado e Correio do Povo

Uruguaiana (RS) decreta situação de emergência por conta da estiagem

Município da fronteira Oeste é o 22° a adotar medida devido a falta de chuvas

Uruguaiana decretou situação de emergência por estiagem

A prefeitura de Uruguaiana decretou, nesta quinta-feira, situação de emergência por conta da estiagem prolongada. O parecer das Coordenadorias Municipal e Estadual de Proteção e Defesa Civil baseou a decisão da prefeitura. 
O documento cita medidas de amparo à população voltadas às classes e segmentos mais afetados pela realidade climática. Isso inclui aqueles que dependem da agropecuária e famílias que dependem da pesca. 
As nascentes do rio Uruguai e seus afluentes e reservas naturais estão muito abaixo do ideal. Além disso, a seca interfere no cultivo de pastagens, provocando perdas ao setor. 
Aos pescadores prejudicados pelo baixo nível das águas, o texto resguarda o benefício da movimentação da conta vinculada ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, o FGTS. 
Outro auxílio revertido à Colônia de Pescadores será o da Secretaria de Desenvolvimento Social e Habitação, que destinará cestas básicas às famílias atingidas, benefício já concedido à Associação de Pescadores, entidade similar de profissionais da categoria. “Estamos cumprindo com a nossa obrigação de assistir os trabalhadores que, infelizmente, diante do atual cenário, estão impossibilitados de prover o seu sustento”, lamenta o prefeito Ronnie Mello. 
Uruguaiana se soma a outros 21 municípios gaúchos que já têm homologadas a situação de calamidade. 

Correio do Povo

MPF entra na Justiça contra despacho de Salles que anistia desmatadores da Mata Atlântica

Medida reconhece como consolidadas as áreas de preservação permanentes desmatadas e ocupadas até julho de 2008

MPF entrou com recurso contra decisão de Salles

O Ministério Público Federal, juntamente com a SOS Mata Atlântica e a Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa), entrou na Justiça nesta quarta-feira, 6, com uma ação civil pública para suspender os efeitos de um despacho do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles , que anistia desmatadores da Mata Atlântica.
A medida, adotada por Salles há um mês, reconhece como consolidadas as áreas de preservação permanentes (APPs) desmatadas e ocupadas até julho de 2008 em propriedades rurais no bioma Mata Atlântica. Com isso, margens de rios e topos de morro devastados para a colocação de agricultura e pecuária, por exemplo, não precisam mais ser recuperados com vegetação nativa.
Salles acolheu um parecer da Advocacia Geral da União (AGU) que considerou que devem ser aplicadas para as APPs do bioma as normas previstas na revisão feita em 2012 no Código Florestal.
O desmatamento é proibido nessas áreas em todos os tipos de vegetação no País porque elas são fundamentais para a manutenção dos recursos hídricos. Por isso, até a mudança da lei, era mandatório recuperar o que foi desmatado ilegalmente. O novo Código Florestal criou a chamada “escadinha”, que estabeleceu uma escala do quanto tem de ser recuperado conforme o tamanho da propriedade.
Mas havia um entendimento anterior do próprio Ministério do Meio Ambiente que, para a Mata Atlântica, permaneciam os preceitos estabelecidos em outra lei, a da Mata Atlântica, de 2006, muito mais rigorosa que o novo código.
Esta lesgislação “não reconhece a consolidação de uso indevido e, mesmo nas hipóteses de supressão autorizadas, exige compensação ambiental de área equivalente, não admitida em caso de supressão irregular de APP”, como explica a especialista em políticas públicas ambientais Suely Araújo, ex-presidente do Ibama , em nota técnica sobre o despacho elaborada para o Observatório do Clima. Com a nova medida, porém, isso cai por terra.
Segundo ela, a compreensão anterior do MMA, que é a também adotada pelo MP, é que uma lei geral como a Florestal não revoga uma especial e mais protetiva, como a da Mata Atlântica.
A mudança teve origem em um pedido da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária (CNA) feito a AGU. Para a entidade, a não aplicação dos dispositivos do Código Florestal à Mata Atlântica “estava ocasionando uma série de impactos negativos ao setor agropecuário, em relação à interpretação da legislação ambiental, gerando, por exemplo, a aplicação de multas ambientais para os produtores” – conforme assinalado pelo presidente da Comissão Nacional de Meio Ambiente da CNA, Muni Lourenço, no site da entidade.
Quando a AGU se manifestou, a CNA afirmou que “a norma traz alívio aos agricultores”.

Intervenções danosas 

Na ação civil pública, o Ministério Público Federal argumenta, que o cumprimento do despacho pelos órgãos estaduais e superintendências do Ibama nos 17 Estados onde ocorre a Mata Atlântica “traz como consequência o risco iminente do cancelamento indevido de milhares de autos de infração ambiental e termos de embargos lavrados a partir da constatação de supressões, cortes e intervenções danosas e não autorizadas” em APPs no bioma.
A procuradoria também entende que o despacho pode levar a uma “abstenção indevida da tomada de providência e do regular exercício do poder de polícia em relação a esses desmatamentos ilegais” e que “coloca em risco milhares de recuperações ambientais” de APPs no bioma “que têm sido efetuadas de modo voluntário ou por meio de cobrança dos órgãos públicos ambientais e do Ministério Público”.

Agência Estado e Correio do Povo

Abajur antigo à venda




Valor: R$ 480,00
Mais informações:
Judite Sandra La Cruz
(51) 9 8502.8080 
Teia de Aranha
Endereço: Av. João Pessoa, 1040 -  Porto Alegre - RS, 90040-001
A loja funciona de quarta a  domingo a partir das 10 horas.

Reunião com Bolsonaro sela permanência de Regina Duarte na Cultura

Atriz se reuniu com o presidente, na manhã desta quarta, no Palácio da Alvorada

Regina Duarte se reuniu com o presidente Jair Bolsonaro, na manhã desta quarta, no Palácio da Alvorada


Uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) selou a permanência da atriz Regina Duarte no cargo de secretária-especial da Cultura nesta quarta-feira. Ela se reuniu, às 11h, com o residente do Palácio da Alvorada e com Marcelo Álvaro Antônio, ministro do Turismo.
No encontro, segundo fontes, o presidente conseguiu reverter o desgaste que vinha tendo com a secretária. A conversa entre presidente, secretária e ministro foi classificada por auxiliares como "ótima". A atriz continua no cargo e aproveitou o encontro para apresentar projetos.
Bolsonaro afastou a possibilidade de volta de Dante Mantovani para a presidência da Funarte. A nomeação dele de volta ao cargo foi publicada e depois tornada sem efeito nesta terça-feira. O ato desagradava Duarte, que tirou Mantovani do cargo ao assumir a secretaria especial de Cultura.  
Duarte estava numa situação delicada por não ter muito diálogo com Bolsonaro e por não apresentar ações práticas em sua área. Críticos argumentam que não há, até o momento, um projeto de grande porte feito pela atriz, que comanda a secretaria há quase dois meses.
Antes de assumir o posto, Duarte tratava do pedido feito pelo presidente como um "casamento". A atriz foi convidada para assumir a pasta ao menos duas vezes. O "sim" dito pela atriz ocorreu em 29 de fevereiro e a posse, 4 de março. A expectativa inicial era de que Duarte apaziguasse a relação entre governo federal e a categoria. 
Regina Duarte assumiu o posto antes comandado por Roberto Alvim, demitido em 17 de janeiro após publicar um vídeo em que copiava trechos de um discurso nazista e utilizava diversos elementos em referência ao regime totalitário, como o música de Richard Wagner, artista antissemita associado ao nazismo.

R7 e Correio do Povo

Vazamento de gás deixa sete mortos e 1 mil hospitalizados na Índia

Acidente ocorreu durante a noite, na fábrica LG Polymers India

Acidente ocorreu em fábrica de químicos na Índia


Ao menos sete pessoas morreram e 1 mil foram hospitalizadas após um vazamento de gás em uma fábrica química no Sudeste da Índia, anunciaram as autoridades, que temem o agravamento do balanço de vítimas. O acidente aconteceu durante a noite na fábrica da LG Polymers India, nas proximidades da cidade industrial e portuária de Visakhapatnam, no estado de Andhra Pradesh.
A situação está "controlada", anunciou em Seul a empresa sul-coreana LG Chem, matriz da LG Polymers India. A empresa e as autoridades locais não revelaram que tipo de gás vazou da fábrica. Imagens exibidas pela televisão mostram vários corpos nas ruas próximas à fábrica, de onde saía uma espessa coluna de fumaça.
"A situação provocada pelo vazamento de gás está controlada e avaliamos todas as opções para atender rapidamente todos os que sofrem devido à inalação de gás", afirmou a LG Chem em um comunicado.
O gás escapou de dois tanques com capacidade para 5 mil toneladas que estavam sem vigilância devido à redução das atividades provocadas pelo confinamento decretado para conter a pandemia do novo coronavírus, em vigor na Índia desde o final de março, anunciou a polícia.
O gás ficou no local "por causa do confinamento. Isso levou a uma reação química, produziu calor dentro dos tanques e o gás vazou por causa disso", disse o policial Swaroop Rani. "Chegamos lá imediatamente. Era possível sentir o gás no ar e não era possível para qualquer um de nós ficar lá por mais de alguns minutos", completou Rani.

Espectro de Bhopal

A polícia e os serviços de emergência retiraram entre 3 mil e 4 mil pessoas de um raio de 1,5 km ao redor da fábrica. Os moradores da região alertaram a polícia às 3h30min locais de quinta-feira (19h de Brasília, quarta-feira).
"Até o momento podemos confirmar sete mortos", declarou RK Meena, comandante da polícia de Visakhapatnam. "Quatro pessoas morreram no hospital. Duas pessoas morreram quando tentavam sair da cidade. Uma caiu em um poço e outra do quarto andar de um edifício", completou,
Ao menos 1 mil pessoas feridas foram internadas, afirmou o médico B K Naik, coordenador dos hospitais do distrito, que teme o agravamento do balanço. "No momento do acidente, muitas pessoas estavam dormindo", disse Naik, antes de informar que os serviços de emergência organizavam buscas de vítimas casa por casa.
Gana Venkata Reddy Naidu, deputado do Parlamento de Andra Pradesh, afirmou que o balanço pode aumentar para entre "25 e 30 mortos". A LG Polymers India se apresenta em seu site como um dos principais produtores de poliestireno e de poliestireno expandido da Índia.
"Rezo pela segurança e pelo bem de todos em Visakhapatnam", afirmou no Twitter o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.
O acidente recorda a catástrofe de dezembro de 1984 na fábrica de pesticidas da cidade de Bhopal, centro da Índia, onde um vazamento de 40 toneladas de gás matou 3,5 mil pessoas em poucos dias. O acidente na fábrica da empresa Union Carbide em Bhopal, uma das maiores tragédias industriais da história, provocou milhares de mortes nos anos seguintes. 

AFP e Correio do Povo

Genética é fator de desigualdade frente à Covid-19

Estudiosos o porquê de vítimas fora do grupo de risco apresentarem quadros graves da doença

Genética contribui para variação nos casos de novo coronavírus


Por que pacientes jovens sem patologias anteriores estão em terapia intensiva por causa da Covid-19? Diante de um dos mistérios deste vírus, os cientistas investigam a predisposição genética.
A grande maioria dos pacientes gravemente doentes com Covid-19 é composta de idosos com outras patologias. Mas o geneticista Jean-Laurent Casanova estuda os 4% a 5% dos casos, ou seja, "aqueles com menos de 50 anos, com boa saúde" e que são vítimas de formas graves do coronavírus.
Por exemplo, "alguém que podia correr uma maratona em outubro de 2019 e que, em abril de 2020, está em terapia intensiva, intubado e com um respirador mecânico", disse Casanova à AFP.
"A hipótese é que esses pacientes tenham variações genéticas que permanecem silenciosas até encontrar o vírus", continua o codiretor do Laboratório de Genética Humana de Doenças Infecciosas, baseado no Instituto Imagine, em Paris, e na Universidade Rockefeller, em Nova Iorque.
Para isso, o consórcio "Covid Human Genetic Effort" começou a recrutar pacientes principalmente da China, Irã, Japão, Europa e América do Norte. Uma amostra de sangue é coletada desses pacientes, suas sequências de DNA são analisadas, e "variações genéticas candidatas são selecionadas para serem incriminadas, ou perdoadas", relata o dr. Casanova.
"Anos atrás", a existência de pacientes graves com Covid-19 sem motivo aparente "teria sido atribuída ao acaso, mas não é apenas uma questão de sorte", explica Jacques Fellay, pesquisador do Hospital Universitário Vaudois e da Escola Politécnica Federal de Lausanne.
"Hoje, temos a capacidade de dissecar o genoma dessas pessoas e ver se elas têm, ou não, uma mutação rara que pode torná-las especialmente suscetíveis ao SARS-CoV-2", explica à AFP o especialista em genômica e doenças infecciosas.
Nos últimos anos, a ciência identificou as variações genéticas responsáveis pelas predisposições a várias doenças infecciosas, da tuberculose às formas graves de influenza, passando por encefalites virais.
Mas a chave para a Covid-19 não está necessariamente relacionada a uma única mutação genética, de acordo com especialistas."Nossas defesas imunológicas funcionam um pouco como o mecanismo de um relógio", cujos elementos devem trabalhar juntos, diz Fellay.
"Pode haver grãos de areia em vários locais da engrenagem e cada um desses grãos pode ser diferente no mesmo grupo de pacientes, mas o resultado pode ser o mesmo", ou seja, uma forma grave de COVID-19, de acordo com esse médico suíço.

Terapia?

É por isso que "precisamos ter uma amostra muito grande e uma colaboração" entre pesquisadores de todo mundo, afirma Mark Daly, diretor do Instituto de Medicina Molecular, de Helsinque.
Assim, a iniciativa "Covid-19 Host Genetic" visa a recrutar pelo menos 10 mil pacientes e compartilhar os resultados entre cerca de 150 centros de pesquisa, com a esperança de obter "informações úteis durante o verão boreal (hemisfério norte)".
O tempo necessário para identificar as variantes genéticas envolvidas dependerá, no entanto, "daquilo que a Mãe Natureza reserva para nós", prevê Fellay."Às vezes, encontramos alvos fáceis de identificar, mas também podemos passar meses, revisando pacientemente, como monges copistas, nossos enormes arquivos e fazendo longas análises".
Se esse trabalho der frutos, pode levar a pistas terapêuticas."Se encontrarmos pistas que nos apontem para um gene para o qual um medicamento já existe, poderíamos simplesmente reconverter" o fármaco, de acordo com Daly. Mas não há garantia."Se não conseguirmos encontrar nada" contra a deficiência genética, "poderá levar cinco anos para desenvolver novas moléculas", insiste Fellay.
Ele também aponta outros dois cenários ruins neste caso: se nada puder ser feito contra a mutação, ou ainda, se os efeitos colaterais de um tratamento forem importantes demais.
A pesquisa genética sobre o novo coronavírus também lida com a diversidade de sintomas e resistência de algumas pessoas. Por exemplo, "enfermeiros, médicos, casais de pacientes que não desenvolvem a doença e nem a pegam", enumera Casanova.
Para esses casos, é a hipótese oposta: esses indivíduos podem "ter variações genéticas que os tornam resistentes" ao vírus, acrescenta. Este é o caso de outros vírus, como uma mutação do gene CCR5 que confere imunidade natural ao HIV.
Esse achado permitiu o desenvolvimento de estratégias terapêuticas: dois pacientes foram declarados curados em 2011 e 2020 do vírus da aids após um transplante de células-tronco de doadores portadores dessa mutação. Uma droga também foi desenvolvida nessa base, o maraviroc.

Como prevenir o contágio do novo coronavírus 

De acordo com recomendações do Ministério da Saúde, há pelo menos cinco medidas que ajudam na prevenção do contágio do novo coronavírus:
• lavar as mãos com água e sabão ou então usar álcool gel.
• cobrir o nariz e a boca ao espirrar ou tossir.
• evitar aglomerações se estiver doente.
• manter os ambientes bem ventilados.
• não compartilhar objetos pessoais


AFP e Correio do Povo