Roma/Lampedusa, 5 de abril de 2026 (AFP) — Uma embarcação de madeira com cerca de 105 migrantes a bordo naufragou no sábado (4) no Mediterrâneo Central, deixando pelo menos dois mortos e mais de 70 pessoas desaparecidas, informaram neste domingo as organizações não governamentais Mediterranea Saving Humans e Sea-Watch.Trinta e duas pessoas foram resgatadas com vida. O barco zarpou da Líbia no sábado à tarde e virou em uma zona de busca e salvamento controlada pelas autoridades líbias, segundo a Mediterranea Saving Humans.“Trágico naufrágio de Páscoa. Trinta e dois sobreviventes, dois corpos recuperados, mais de 70 pessoas desaparecidas”, escreveu a ONG no X (antigo Twitter). A Sea-Watch publicou um vídeo gravado por seu avião de vigilância Sea-Bird 2, no qual se veem homens agarrados ao casco do barco virado, até a chegada de um navio mercante para o resgate.Os sobreviventes foram recolhidos por dois navios mercantes e desembarcaram na manhã deste domingo na ilha italiana de Lampedusa.As ONGs atribuem a tragédia às políticas migratórias europeias. “Este último naufrágio não é um trágico acidente, mas a consequência das políticas dos governos europeus, que se recusam a abrir vias de acesso seguras e legais”, afirmou a Mediterranea Saving Humans.Balanço preocupante em 2026Desde o início do ano, pelo menos 683 migrantes morreram ou foram dados como desaparecidos na rota do Mediterrâneo Central, de acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM). No mesmo período, chegaram às costas italianas 6.175 migrantes, segundo dados do Ministério do Interior da Itália atualizados até 3 de abril.O Mediterrâneo Central, rota principal entre a Líbia e a Itália, continua sendo uma das passagens mais perigosas do mundo para a migração irregular. Casos como este reforçam o debate sobre a necessidade de operações de busca e salvamento mais robustas e de canais humanitários legais para evitar novas tragédias no mar.

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