Os 15 maiores mitos da saúde — e a verdade por trás de cada um | Clic Noticias

Ela é a coisa mais importante da vida. Mas também é o assunto mais cheio de crendices e informações falsas – nas quais muita gente acredita. A seguir, veja quais são os equívocos mais persistentes; e saiba o que a ciência tem a dizer sobre eles.

Por Tiago Cordeiro e Bruno Garattoni
Mito 01: Homeopatia funciona
Se você pegar uma infecção, por exemplo, irá ao médico e ele vai receitar antibiótico: um remédio que mata as bactérias. Para curar um problema, você deve combater a causa dele.
Esse é o princípio da medicina científica, ou alopática – palavra que significa “oposto à doença”. Mas na homeopatia, que foi inventada em 1796 pelo médico alemão Samuel Hahnemann, a lógica é outra: para curar uma doença, você deve ingerir uma pequena quantidade do mesmo elemento que causa o problema (no nosso exemplo, a mesma bactéria que provocou a infecção). Daí vem o nome homeopatia, que significa “semelhante à doença”.
Mesmo se isso fizesse sentido, a homeopatia tem outra característica que desafia a lógica: a substância a ser ingerida pelo paciente deve ser hiperdiluída. Os remédios homeopáticos são diluídos pelo menos cem ou mil vezes, e frequentemente muito mais: Hahnemann recomendava a razão 10-60, que equivale a diluir a dose um sextilhão de sextilhão de sextilhão de vezes. Isso significa que você precisaria dar 2 bilhões de doses por segundo, para todos os habitantes da Terra, por 4 bilhões de anos para que apenas uma pessoa ingerisse uma única molécula do princípio ativo. E alguns remédios homeopáticos são ainda mais diluídos. Ou seja: trata-se de apenas água (que pode ser colorida e aromatizada). Os homeopatas defendem que sobra uma “energia vital” das moléculas originais. É como dizer que água potável, por exemplo, contém alguma “energia” deixada pelas impurezas que já estiveram nela.
<span>–</span>
(Dulla/Superinteressante)
Também já foi comprovado, na prática, que a homeopatia não é eficaz. Na maior análise já feita a respeito, cientistas australianos revisaram 176 estudos, que testaram a eficácia dela contra 68 doenças – desde as mais raras, como afasia de Broca (distúrbio neurológico que afeta a fala), até as mais banais, como diarreia. Resultado? Zero. Os tratamentos homeopáticos não se mostraram eficazes em nenhum caso. Homeopatia não funciona. Mesmo assim, ela continua popular no mundo inteiro. Por quê? Dois motivos.
Primeiro, porque os médicos homeopatas costumam dar atenção a seus pacientes. Só de ser ouvida, a pessoa já tende a se sentir melhor (a psicanálise que o diga). O segundo motivo é que a homeopatia cumpre muito bem o papel de placebo. Se você acreditar que está tomando um remédio eficaz, tem boas chances de melhorar de fato, simplesmente pelo poder da autossugestão.
Há algum mal nisso? Se o paciente também se tratar com remédios tradicionais, alopáticos, não. Por isso vários países, como o Brasil e a França, oferecem tratamentos homeopáticos em seus hospitais públicos. “Os consumidores da homeopatia se baseiam em crenças [pessoais]”, diz o médico australiano Paul Glasziou, autor do estudo que desmistificou a prática. Quanto mais a ciência prova que homeopatia não tem fundamento, mais essas pessoas se recusam a aceitar. Pois a grande utilidade da homeopatia é justamente essa: a fé que ela desperta nas pessoas.
Fonte: Evidence on the Effectiveness of Homeopathy for Treating Health Conditions. National Health and Medical Research Council, 2015.
Mito 02: Estalar os dedos faz mal
Convenhamos: estalar os dedos, e outras articulações, é gostoso. Mas também é meio assustador, porque faz um barulho completamente diferente dos ruídos normais do corpo. Por isso, o hábito de estalar as articulações é cercado por uma série de temores: dizem que desgasta as articulações, engrossa as juntas e pode até provocar artrite.
<span>–</span>
(Sarah Kamada/Superinteressante)
O hábito já foi objeto de vários estudos, com milhares de voluntários, ao longo de décadas. Todos chegaram à mesma conclusão: se feito com delicadeza, sem forçar, não causa nenhum mal.
O estalo é gerado pelo líquido sinovial, um fluido lubrificante que preenche os espaços entre as articulações. Com o movimento normal dos dedos, esse líquido vai ficando cheio de pequenas bolhas. Quando você puxa os dedos, as articulações se afastam e as bolhinhas estouram, provocando o som do estalo.
Fontes: Knucle Cracking and Hand Osteoarthritis. National Naval Medical Center, 2011. Knucle cracking looks explosive, but causes no detectable harm. Universidade da Califórnia, 2015.
Mito 03: Açúcar mascavo é mais saudável
Açúcar não é veneno, mas também não faz bem. Se consumido em excesso, ele engorda, vicia e pode causar diabetes. Mas isso independe do tipo – tanto faz se é o branco ou o mascavo. A única diferença é que o mascavo contém 5% a 10% de melado, um caldo marrom e viscoso da cana-de-açúcar.
O melado possui alguns minerais, como ferro, cálcio, potássio, sódio e magnésio, mas em quantidades pequenas – e que podem ser facilmente obtidas em alimentos mais saudáveis. O açúcar mascavo é tão calórico quanto o branco (e, como adoça um pouco menos, pode levar a pessoa a consumir mais). O refino do açúcar branco é feito por centrifugação e por reações químicas e, diferentemente do que muita gente acredita, não deixa nenhum resíduo – o produto final é 99,9% sucrose, ou seja, açúcar.
Aproveitando o tema, outro mito: açúcar deixa as crianças hiperativas. Não deixa, não. O açúcar é convertido em moléculas de glicose e frutose, que são usadas como combustível pelo organismo – e não têm efeito estimulante, como o álcool ou a cafeína. O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), que afeta uma pequena parcela das crianças, é uma desordem de base genética, não alimentar.
<span>–</span>
(Sarah Kamada/Superinteressante)
Mito 04: Vacinas causam autismo
Em 1998, o médico inglês Andrew Wakefield publicou um artigo, no jornal científico The Lancet, apontando uma suposta relação entre a vacina tríplice (contra sarampo, caxumba e rubéola) e autismo em crianças. O trabalho chamou muita atenção, e com ela veio a descoberta: Wakefield tinha manipulado os dados.
“A metodologia era equivocada e fraudulenta”, diz Marco Aurélio Safadi, professor de pediatria da Faculdade da Santa Casa de São Paulo. Não há nenhuma relação entre vacinas e autismo. O inglês teve a licença médica cassada e o artigo foi desmentido, mas o estrago já estava feito. Até hoje, muita gente (inclusive o presidente dos EUA, Donald Trump) acredita que vacinar as crianças pode deixá-las autistas.
Por conta disso, doenças que estavam praticamente extintas estão voltando: sete países da Europa voltaram a ter ondas de sarampo, e neste ano o Estado americano de Minneapolis teve o maior surto de rubéola em 30 anos, com 8 mil pessoas expostas ao vírus. “As novas gerações não sentem a importância da vacina porque nunca conviveram com amigos com sequelas de rubéola, de paralisia infantil. Nunca viram vizinhos serem internados por causa de sarampo”, diz Safadi.
Mito 05: Banho depois de comer é perigoso
Depois que você come, o seu corpo envia mais sangue (logo, mais energia) para o sistema digestivo. Mas se você fizer algum exercício físico os seus músculos também vão pedir energia. “Isso pode atrapalhar a concentração de sangue no sistema digestivo e provocar congestão”, explica Ricardo Nahas, coordenador científico da Associação Paulista de Medicina. Ou seja: o problema é nadar depois de comer, porque isso requer esforço físico. Banho de chuveiro não tem problema.
Mito 06: Vitamina C cura ou previne resfriado
O americano Linus Pauling foi um dos maiores cientistas do século 20. Fez descobertas importantíssimas, e ganhou o Nobel de Química em 1954. Mas também alimentava uma crença polêmica: os poderes milagrosos da vitamina C. Na década de 1970, Pauling cismou que ela podia prevenir ou curar várias doenças, de gripe a câncer.
<span>–</span>
(Dulla/Superinteressante)
Ele fez uma experiência com cem pacientes terminais de câncer, cuja sobrevida teria aumentado 400% devido à vitamina C. Mas o trabalho tinha uma falha grave: os pacientes que tomaram a vitamina estavam menos doentes do que os outros (que receberam um placebo), o que influiu na sua sobrevida.
De lá para cá, surgiram estudos mostrando que a vitamina C pode ajudar a prevenir certos tipos de tumor ou retardar sua evolução. Mas não é consenso – tanto que o uso dela contra câncer não é aprovado pela FDA (a Anvisa dos EUA). Contra gripe e resfriado, a vitamina realmente não adianta.
Uma análise de 29 estudos, feitos com mais de 11 mil voluntários, concluiu que o máximo que ela faz é abreviar a duração da gripe – em irrisórios 8%.
Fonte: Vitamin C and heart health. Universidade de Connecticut, 2016.
Mito 07: O micro-ondas mata os nutrientes da comida
Cozinhar os alimentos, de que jeito for, pode reduzir seu teor nutricional, porque o calor destrói vitaminas. Mas o micro-ondas é o método que menos provoca isso. É que ele cozinha os alimentos mais depressa, com menos calor e, principalmente, usando menos água (na qual os nutrientes tendem a se dissolver).
Um estudo feito pela Universidade de Illinois constatou que o espinafre cozido em micro-ondas retém toda a vitamina B9. Já quando é preparado no fogão, perde quase 30%. Há quem acredite que a comida preparada no micro-ondas dá câncer. Nada a ver.
<span>–</span>
(Sarah Kamada/Superinteressante)
“O forno de micro-ondas não emite radiação. Ele trabalha com ondas [eletromagnéticas], como os aparelhos de rádio. Se você aproximar um rádio de um forno de micro-ondas, vai observar a interferência”, diz Carmen Tadini, engenheira química da USP.
Fonte: Folacin and Ascorbic Acid Retention in Fresh Raw, Microwave, and Conventionally Cooked Spinach. Universidade de Illinois, 1981.
Mito 08: Omega-3 protege (e turbina) o cérebro
<span>–</span>
(Dulla/Superinteressante)
60% do cérebro humano é gordura. E boa parte dessa gordura pertence a uma classe de ácidos graxos chamada ômega-3. O organismo não produz essa substância, que precisa ser obtida por meio da alimentação. Esse é o consenso científico. Mas, nas últimas décadas, ele foi dando margem a outras interpretações, e hoje há inúmeras empresas que vendem ômega-3 em cápsulas, alegando que ele potencializa a memória e o raciocínio, além de proteger contra doenças neurológicas. Só nos EUA, isso movimenta US$ 15 bilhões por ano.
A verdade é que tomar cápsulas de ômega-3 não turbina o cérebro. Uma análise bastante detalhada, em que cientistas da Universidade de Pittsburgh dissecaram vários estudos sobre o tema, ilustrou bem isso. Em alguns testes, as cápsulas de ômega-3 aumentaram a performance cognitiva dos voluntários; mas, em outros casos, não fizeram nenhum efeito, e chegaram até a reduzir o desempenho em certas situações. São resultados contraditórios e inconclusivos, ou seja, não dá para dizer que elas funcionam.
Isso também vale para os supostos efeitos protetores do ômega-3. Um estudo feito pelo Instituto Nacional dos Olhos, nos EUA, acompanhou 3.073 idosos ao longo de cinco anos. Metade deles tomou cápsulas de ômega-3, e a outra metade, placebo. Os cientistas queriam testar o efeito da substância na visão dos velhinhos, mas também aplicaram testes para medir sua capacidade cognitiva. “O ômega-3 não desacelerou a perda dela”, diz a médica Emily Chew, líder da pesquisa. Com ou sem ômega, a senilidade avançou no mesmo ritmo. Uma equipe de médicos australianos também deu o suplemento para 2 mil mulheres grávidas, mas não percebeu nenhuma diferença significativa nelas nem em seus filhos.
Tem mais: não é garantido que o ômega-3 em cápsulas seja absorvido pelo organismo da mesma forma que a substância presente no peixe. Inclusive porque uma análise realizada pela Universidade Harvard constatou que 70% dos produtos continham menos ômega-3 do que o prometido no rótulo.
O segredo para a saúde do cérebro e da mente parece estar numa receita bem mais simples, e ao mesmo tempo mais difícil de executar: ter uma alimentação saudável e balanceada a vida toda (inclusive comendo peixe).
Fontes: Long-chain Omega-3 Fatty Acids and Optimization of Cognitive Performance. Universidade de Pittsburgh, 2014. Omega-3 fatty acid fish oil dietary supplements contain saturated fats and oxidized lipids that may interfere with their intended biological benefits. Harvard Medical School, 2016.
Mito 09: Pegar friagem deixa você resfriado
Você pode entrar num frigorífico ou numa piscina cheia de gelo, ou sair de um banho quente direto para uma ventania gelada, e nada disso elevará sua chance de ficar doente. Isso é comprovado por pesquisas científicas realizadas desde a década de 1950 (inclusive numa série de testes cruéis, em que presidiários dos EUA foram submetidos a baixas temperaturas). O resultado foi sempre o mesmo: quem se expõe ao frio não adoece com mais frequência. Tem mais: se a pessoa já estiver resfriada, expor-se ao frio não atrapalha sua recuperação. Pode até ajudar. “No frio, o organismo aumenta a produção das células que combatem infecções”, afirma a médica americana Rachel Vreeman, autora do livro Don’t Swallow Your Gum (“Não engula o chiclete”, sem versão em português), sobre mitos de saúde. Gripes e resfriados são transmitidos por vírus, não por frio.
Mas o que faz, então, sua incidência aumentar no inverno? Há algumas hipóteses. A principal é que, no clima frio, as pessoas passam mais tempo em ambientes fechados, próximas umas das outras, o que facilita a circulação de vírus. Isso foi constatado na prática por um estudo da Universidade de Tecnologia da Virginia, que comparou a incidência de gripe em dois tipos de alojamento estudantil: um com poucas janelas e outro bem arejado. Nos lugares menos ventilados, houve o dobro de resfriados.
Além disso, no inverno faz menos sol. Isso faz com que o seu corpo produza menos vitamina D, que é importante para o sistema imunológico. Outro possível motivo para a onda de gripes e resfriados no inverno é que, quando está frio, o corpo naturalmente produz mais muco, para proteger as vias aéreas. Só que mais muco significa mais espirros e mais tosse. E isso ajuda a propagar os vírus por aí. Depois que uma pessoa espirra, ela tende a limpar o nariz com a mão. Ao fazer isso, pode levar o vírus da gripe, que pegou ao encostar em alguma superfície contaminada, para dentro do seu organismo. E aí, sim, ficar gripada.
Fonte: Dynamics of Airborne Influenza A Viruses Indoors. Virginia Tech, 2011.
<span>–</span>
(Dulla/Superinteressante)
Mito 10: É imprescindível passar fio dental após as refeições
Nem sempre. Isso depende da distância entre os seus dentes e do que você comeu. Se eles forem juntinhos o suficiente para que não entrem fragmentos de comida (e você não tiver ingerido alimentos que geralmente ficam presos entre os dentes, como carne e milho), a escova de dentes é suficiente. Tanto que, em 2016, o Ministério da Saúde dos EUA parou de recomendar o uso de fio dental (orientação com a qual a Associação de Dentistas dos Estados Unidos não concordou).
Os cientistas costumam recomendar outros tipos de limpeza, como o uso de enxaguante bucal, chicletes sem açúcar, aparelhos que limpam a boca com jatos de ar ou água, ou escovas interdentais. É que até hoje, 200 anos após a criação do fio dental – que foi inventado pelo dentista americano Levi Parmly no início do século 19 –, não há estudos científicos provando, definitivamente, que ele remove placa bacteriana ou protege a gengiva.
<span>–</span>
(Sarah Kamada/Superinteressante)
O problema é que o fio dental nunca foi submetido a testes rigorosos, com muitas pessoas, e boa parte das pesquisas a respeito foi financiada pelos próprios fabricantes de fio dental. Nos últimos dez anos, três grandes análises identificaram esses problemas.
Se você estiver com comida presa entre os dentes, não há nada de errado em passar fio dental. Mas, se não estiver, não precisa se martirizar por não usá-lo. Falando em higiene bucal, outro mito recorrente é que se deve escovar os dentes logo depois de comer. Na verdade, o certo é esperar 30 minutos, para que o pH (teor de acidez) da boca se reequilibre. É que os alimentos mais ácidos, como sucos cítricos, enfraquecem temporariamente o esmalte dos dentes – e você pode danificá-lo se escovar logo de cara.
Fonte: The efficacy of dental floss in addition to a toothbrush. Inholland University, 2008. Efficacy of inter-dental mechanical plaque control in managing gingivitis – a meta-review. Christian-Albrechts University (Alemanha), 2015. Flossing for the management of periodontal diseases and dental caries. University of Split (Croácia), 2011.
Mito 11: Suco detox purifica o organismo
Não existe alimento detox. O corpo se desintoxica sozinho: é só parar de enfiar o pé na jaca e consumir coisas que fazem mal, como açúcares, gorduras, álcool ou nicotina.
Os sucos detox, que geralmente são feitos de couve misturada com frutas, podem até ser gostosos. Mas não têm o poder de eliminar nenhuma toxina (e seus ingredientes seriam mais bem absorvidos pelo organismo se fossem consumidos em suas formas naturais, não como suco).
Quem elimina toxinas são o fígado e os rins. Para ajudá-los, tudo o que você pode fazer é maneirar, com alimentação leve e bastante água.
Mito 12: Desodorante causa câncer de mama
A maior parte dos casos de câncer de mama surge na parte superior do seio, perto da axila – onde os desodorantes são aplicados. Além disso, os desodorantes antitranspirantes contêm sais de alumínio (eles tampam temporariamente os poros da axila, reduzindo a transpiração), e um estudo realizado na Suíça em 2016 encontrou uma relação entre essas substâncias e câncer de mama em ratos. Melhor jogar os antitranspirantes no lixo?
Calma. Não existe nenhum estudo que comprove relação entre sais de alumínio e câncer de mama em humanos. Isso já foi testado em alguns trabalhos científicos. Nenhum apontou risco nos antitranspirantes.
<span>–</span>
(Sarah Kamada/Superinteressante)
O câncer de mama é mais comum perto das axilas porque nessa região há mais nódulos linfáticos. Por ser um produto de uso contínuo, o desodorante pode, sim, aumentar a presença de alumínio na pele, principalmente se ela sofrer microcortes provocados pela depilação das axilas. Mas não existe nenhum indício de que os sais de alumínio sejam capazes de provocar alterações nas células de forma a provocar tumores.
Fonte: Antiperspirant use and the risk of breast cancer. Fred Hutchinson Cancer Research Center, 2002. Aluminium, antiperspirants and breast cancer. Universidade de Reading, 2005.
Mito 13: Kefir previne e cura doenças
O kefir é uma colônia de bactérias, que se multiplica no leite e na água com açúcar e é consumida na região do Cáucaso desde o final do século 19. Chegou ao Brasil há poucos anos, com fama de fazer milagres pela saúde: curar ou prevenir coisas tão diversas quanto osteoporose, câncer e infecções. Nada disso tem comprovação científica.
Também dizem que o kefir turbina o sistema digestivo, o que não é necessariamente verdade. Em sete testes com humanos, seis chegaram à mesma conclusão: após 24 semanas consumindo kefir, a flora intestinal das pessoas estava igual à de quem não comeu o produto.
O kefir só é útil para reequilibrar o intestino de quem está doente, com a flora intestinal prejudicada.
Fonte: Alterations in fecal microbiota composition by probiotic supplementation. Universidade de Copenhague, 2016.
Mito 14: Usar óculos aumenta o grau de miopia
Você já deve ter ouvido a história de que, quando a pessoa começa a usar óculos (ou troca as lentes por outras mais fortes), o grau de desvio da visão aumenta com o tempo. Não é verdade.
As lentes dos óculos, e as lentes de contato, não aumentam a miopia nem a hipermetropia, nem o astigmatismo, simplesmente porque não têm o poder de deformar a estrutura física do olho e causar o chamado erro refrativo, a causa desses problemas de visão.
As lentes simplesmente alteram o ângulo de incidência da luz sobre os olhos, ajudando a pessoa a enxergar.
<span>–</span>
(Dulla/Superinteressante)
Mito 15: O café da manhã é a refeição mais importante do dia
Em 1944 a General Foods, principal concorrente da Kellogg’s, criou uma campanha publicitária para vender mais cereal matinal. Ela se baseava num slogan que se tornaria lendário: “Segundo experts em nutrição, o café da manhã é a refeição mais importante do dia”. A ideia pegou, tanto que foi alçada à condição de verdade universal.
Mas não tem comprovação científica. “Ao longo do dia, a pessoa precisa consumir um mínimo de calorias, vitaminas, fibras. Não importa o horário”, explica David Levitsky, pesquisador da Universidade Cornell e autor de um estudo que acompanhou os hábitos alimentares de 300 pessoas durante seis semanas.
Os voluntários que ficaram sem café da manhã, mas distribuíram as demais refeições ao longo do dia, ingeriram em média 408 calorias diárias a menos, perderam peso e reduziram o colesterol. O mais importante não é o horário em que você come – é o que você come.
Fonte: Effect of skipping breakfast on subsequent energy intake. Universidade Cornell, 2013.
Superinteressante

Quanto pesa um quilo | Clic Noticias

A definição da unidade de massa será outra em 2019. É a principal mudança na forma como entendemos pesos e medidas, ciência que ainda tem um pé no século 19

Por Guilherme Eler
(Guilherme Henrique/Superinteressante)
O quilograma já não vale mais um quilo. E isso ficou evidente ainda em 1992. Foi quando funcionários do Escritório Internacional de Pesos e Medidas (BIPM) concluíram a penúltima série de medições daquele que é considerado o modelo oficial de quilograma: um pedaço de platina de 3,9 centímetros, que está trancafiado em um cofre nos subúrbios de Paris desde o século 19.
Uma dúzia de tomates, o meteoro de Chicxulub, você e tudo mais que tenha átomos o bastante para ser pesado só possuem uma massa própria em quilogramas por causa dele. O Protótipo Internacional do Quilograma (IPK) ou Le Grand K, como gostam de chamar os franceses, é a referência máxima para se estimar a massa de tudo que existe.
Medir um objeto em quilogramas nada mais é que compará-lo com essa amostra oficial. É como se, frente a uma balança capaz de pesar qualquer coisa, existissem infinitas réplicas originais do quilo. Para calcular a massa de um carro, por exemplo, bastaria equilibrar mil IPKs em um dos pratos. Voilá. A balança imóvel indica que o possante pesa uma tonelada.
Há, porém, um detalhe incômodo nisso: o quilograma francês ficou consideravelmente mais leve nos últimos anos.
A confecção de uma entidade física para definir o quilo remete à Revolução Francesa. Além de revirar as relações políticas na Europa, a mãe das revoluções emprestou seus ideais iluministas para inspirar a padronização universal das medidas. Em 1799, a França foi pioneira na adoção de um sistema assim. Entre outras definições, ele determinava o quilo como a massa de um decímetro cúbico de água líquida em sua densidade máxima, que corresponde à temperatura de 4°C. Mais tarde, essa relação seria incorporada também em outras partes do mundo.
Na 1ª Conferência Geral de Pesos e Medidas, em 1889, representantes de dezenas de países foram convencidos a substituir essa referência por outra, equivalente, só que mais precisa. Daí em diante, o papel de quilo oficial recaiu sobre um cilindro metálico do tamanho de uma bola de golfe. Feito de uma liga 90% platina e 10% irídio, era mais resistente à oxidação e deformação por variações de temperatura que amostras anteriores. Nascia, assim, o quilograma legítimo, que reina soberano desde então.
(Guilherme Henrique/Superinteressante)
Desde que se tornou “O” quilograma, o precioso Le Grand K leva uma vida reclusa, em uma prisão de vidro guardada por três chaves. O isolamento serve para prevenir que algum desavisado estrague ou dê um sumiço na amostra.
É por isso que, de seu esconderijo subterrâneo na cidade francesa de Sèvres, onde está a sede do BIPM, o quilo não sai nem sob decreto presidencial. Ou melhor, quase não sai. A cada 40 anos, o cilindro metálico passa por uma bateria de calibragens e higienização, que investiga se a amostra permanece valendo o mesmo desde quando foi feita, em 1880. Todo o processo é muito sensível e, por isso, performado por funcionários altamente treinados.
“Apenas encostar com as mãos sem proteção já pode alterar significativamente a massa do protótipo”, diz Rodrigo da Costa Félix, chefe do Laboratório de Ultrassom do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Metrologia (SBM). “A exatidão esperada para o quilograma é de 50 ppb (partes por bilhão), ou seja, cerca de 50 milionésimos de grama. Uma fina camada de gordura já tem essa massa.”
Em uma dessas medições, conduzidas entre 1988 e 1992, a discrepância de 50 microgramas se acusou pela primeira vez. Ao ser comparado a suas seis cópias mais fiéis, que também estão guardadas na sede do BIPM, detectou-se que o quilograma havia emagrecido esse total nos últimos cem anos. O único objeto no mundo que não pode variar de forma alguma estava com uma massa 0,00005% menor – e contando.
O porquê do quilo oficial ter evaporado parte de sua massa é incerto até hoje. As teses mais aceitas especulam sobre problemas na conservação: mesmo guardada sob três cúpulas de vidro e o tempo todo sob temperatura controlada, teria perdido átomos para o ar.
Tudo fica ainda mais nebuloso se olharmos para a última vez que o objeto foi calibrado, nos idos de 2014. Entre as pesagens de 1992 e 2014 a variação no IPK foi de apenas 10 microgramas, contra aqueles 50 entre 1988 e 1992. Para o Escritório Internacional de Pesos e Medidas, o fato da variação não ter sido proporcional nos dois períodos é mais um da lista de mistérios envolvendo o quilograma.
Veja também
Mas, afinal, que diferença poderia fazer uma alteração da ordem de microgramas? A rigor, é como se você resolvesse passar na farmácia para enfrentar a balança e ela não acusasse o grãozinho de areia que ficou preso nos sapatos.
A verdade é que a ciência é completamente avessa a imprecisões do tipo – e costuma usar balanças bem mais precisas que as que você encontra na farmácia. Para setores como a pesquisa nas áreas farmacêutica e de eletrônicos, que trabalham na casa dos nanogramas (10-9 g), a falta de precisão pode trazer problemas.
É tão importante ter rigor nas medições e unidades de medida que há um ramo específico da ciência para cuidar disso: a metrologia. E metrologistas de todo o mundo, unidos, resolveram não mais assistir ao quilo original perder massa de braços cruzados.
A 26ª Conferência Geral de Pesos e Medidas, que acontece entre 13 e 16 de novembro de 2018, deve oficializar uma definição de quilograma que começou a ser pensada em 2005. Após as conferências de 2011 e 2014 pavimentarem o caminho, amparadas por medições cada vez mais precisas, foi possível cravar uma data para a mudança. A partir de 20 de maio de 2019, o Dia Mundial da Metrologia, a unidade de massa deverá ser calculada a partir da Constante de Planck (falaremos mais sobre ela adiante, guenta aí).
Dessa forma, o quilograma oficial terá o mesmo destino do metro. Antes de ser definido, em 1983, como a distância que a velocidade da luz percorre no vácuo em 1/299,792,458 de segundo, valor que é constante e pode ser medido em qualquer laboratório minimamente equipado, a unidade de medida para distâncias era uma barra de metal feita de platina e irídio guardada em Paris.
O objeto em questão era ideia da Convenção do Metro, em 1875, evento que envolveu 17 países do mundo – incluindo o Brasil de D. Pedro 2º. Para criar o objeto que definia o primeiro metro, cientistas consideraram 10 milionésimos da distância exata entre o Polo Norte e a Linha do Equador, medida anos antes por astrônomos franceses.
Ter um referencial físico para o metro trazia tantos problemas quanto você possa imaginar. Para que os cidadãos de Paris não importunassem a sede do BIPM sempre que quisessem cortar um pedaço de tecido ou aferir o crescimento do filho, a solução foi instalar metros públicos em áreas movimentadas. Dezesseis placas de mármore fixadas em paredes, e construídas para ter exatamente um metro, eram acessíveis a qualquer parisiense em pontos estratégicos da capital francesa no final do século 18. A última placa que restou permanece no mesmo lugar até hoje.
Veja também
Algo parecido aconteceu com a unidade fundamental de tempo, o segundo. Ele surgiu com a civilização suméria há pelo menos 3.500 anos (como fruto da divisão do dia em 24 horas, da hora em 60 minuto e do minutos em 60 segundos), mas foi reinterpretado no século 19. Em sua primeira formulação moderna, o segundo equivalia à 31,556,925.9747ª parte de um dia do ano 1900.
O grande problema de uma definição que se orienta pela duração dos dias é que a rotação da Terra está perdendo velocidade. Desde sempre. Há 1,4 bilhão de anos, por exemplo, o dia tinha 18 horas. A perda na velocidade de rotação fez com que ela chegasse às atuais 24 horas. E a frenagem rotacional segue firme: a cada século, um dia fica 1,7 milésimo de segundo mais longo. Ter a unidade básica de segundo baseada no ano de 1900, então, significa olhar para ponteiros já defasados em quase 2 milésimos de segundo. Muita coisa em termos científicos.
Desde o final da década de 1960, no entanto, a unidade é calculada com a precisão de um relógio atômico: o tempo relativo a um segundo representa, grosso modo, 9.192.631.770 vibrações de um átomo de césio (sim, isso é plenamente mensurável).
Anos notáveis da metrologia
1799 – A França se torna o primeiro país a criar um sistema universal de medidas.
1875 – 17 países, incluindo o Brasil, assinam a Convenção do Metro. Barra de metal define unidade que mensura distâncias.
1889 – Acontece a 1ª Conferência Geral de Pesos e Medidas, que define o IPK como quilograma oficial.
1960 – Metro, segundo, quilograma, mol, kelvin e ampère: são definidas as unidades fundamentais do SI.
2018 – Quilograma, mol, kelvin e ampère são redefinidos. É a maior mudança do SI desde sua criação.
Para 2018, quatro das sete unidades fundamentais do Sistema Internacional de Unidades (SI) passarão a operar de forma parecida, baseadas no valor fixo de constantes da natureza. Além do quilograma, que deixará de ser a única unidade do SI associada a um objeto físico, representantes de 57 países aprovarão a redefinição do ampère, (corrente elétrica) do mol (quantidade de substância) e do kelvin (temperatura). Completam a lista de unidades fundamentais o segundo (tempo), a candela (intensidade de luz) e o metro (distância), que não devem sofrer mudanças.
Elas são chamadas de unidades básicas porque, quando combinadas, dão origem a qualquer outra unidade prevista no SI. O quilo atual, por exemplo, serve para definir outras 20, caso da candela, do ampère e do mol, três que aparecem entre as fundamentais. No SI, há mais 17 unidades que seguem a mesma relação. O newton, por exemplo, é tido como a força necessária para a acelerar um quilograma a uma taxa de um metro por segundo a cada segundo. Uma força em newtons, por sua vez, serve de base para definir o pascal, que mede pressão, e por aí vai.
Como era e como vai ficar
Agora calculado pela Constante de Planck, o quilograma não vai mais influenciar o mol – que dependerá da Constante de Avogadro. O ampère se definirá pelo total de elétrons em certo ponto de um fio a cada segundo. Já o kelvin, pela Constante de Boltzmann, que relaciona temperatura à energia das moléculas.
(Guilherme Henrique/Superinteressante)
Uma nova definição tornará o quilograma mais estável. Isso porque constantes físicas são universais e, como o próprio nome adianta, “constantes”. Sendo assim, não se alteram nunca, independentemente do que aconteça. Mesmo que algum dia o IPK se desintegre, o quilo continuará sendo o mesmo, não importa se medido aqui ou na Galáxia de Andrômeda. Amanhã ou daqui a um bilhão de anos.
A mudança deve resolver, assim, o problema da reprodutibilidade do quilo. “Eu posso definir o quilo como eu quiser. Posso dizer que ele equivale a 1 cm3 de matéria estelar que está lá em Andrômeda. Pronto, defini. Agora, quem irá até lá para buscar e comparar?”, explica Vanderlei Bagnato, diretor do Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP). Cientistas que não têm acesso à réplica de quilo ideal (em suma, todos os cientistas do planeta) poderão a partir de agora calculá-lo por conta própria. Tudo graças a um equipamento preciso, chamado balança de Kibble – ou balança de Watt.
A Constante de Planck, que determinará o quilo a partir de 2019, foi definida após medições em balanças do tipo, e é tida como o número mágico 6,62607004 × 10-34 m2kg/s. Em português: essa grandeza representa a menor quantidade possível de energia que pode existir na natureza de acordo com as leis da física – uma descoberta que o alemão Max Planck, pai da física quântica, fez no ano de 1900.
Bom, energia e massa são duas faces da mesma moeda (“massa” é só uma quantidade brutal de energia concentrada, conforme Einstein descobriu). O quilo, então, passará a ser um múltiplo (gigantesco) da menor quantidade de energia possível – nossa amiga Constante de Planck.
Veja também
Em outubro de 2018, o Inmetro aprovou o projeto para dar início à construção da primeira balança de Watt brasileira. “O alvo será uma balança com incerteza de cinco casas, ou seja, resolução de até 10 microgramas ao pesar algumas centenas de gramas”, explica Costa Félix. Enquanto não se adequam, os países têm um período de dez anos para seguirem se baseando em suas cópias oficiais. Quarenta países do mundo têm pelo menos uma dessas para chamar de sua.
Espera-se que a novidade seja incorporada de forma natural. E que quem não seja cientista nem se dê conta da troca, claro. “Diferente do que ocorreu na histórica Revolta do Quebra-Quilos entre 1872 e 1877, no nordeste brasileiro, desta vez, certamente não haverá confusão”, brinca Nelson Lage da Costa, pesquisador do Grupo de Pesquisa em História das Ciências e das Técnicas no Brasil da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
O episódio faz referência a uma insurreição popular contra mudanças no padrão de medidas do Brasil Colônia. Por ordem de D. Pedro 2º, o governante mais ligado em tecnologia que já tivemos, o País havia incorporado o Sistema Internacional. Revoltados pela obrigação de usar o sistema criado na França e esquecer medidas como a braça, a légua, a onça e o quintal, populares literalmente partiam para cima dos pesos e vasilhas de medição alugados pelos fiscais do Império. Para controlar os revoltados, foi preciso acionar as forças militares.
Por via das dúvidas, o melhor é manter a cópia número 66 do IPK, que desde 1983 fica na sede do Inmetro em Duque de Caxias (RJ). Como peça de museu, afinal, ela irá durar para sempre.
Superinteressante

Aparelho de Jantar Chá 20 Peças Biona Cerâmica – Redondo Donna | Clic Noticias



(cód. magazineluiza.com 143282000)
Aparelho de Jantar Chá 20 Peças Biona Cerâmica - Redondo DonnaAparelho de Jantar Chá 20 Peças Biona Cerâmica - Redondo DonnaAparelho de Jantar Chá 20 Peças Biona Cerâmica - Redondo DonnaAparelho de Jantar Chá 20 Peças Biona Cerâmica - Redondo DonnaAparelho de Jantar Chá 20 Peças Biona Cerâmica - Redondo DonnaAparelho de Jantar Chá 20 Peças Biona Cerâmica - Redondo DonnaAparelho de Jantar Chá 20 Peças Biona Cerâmica - Redondo DonnaAparelho de Jantar Chá 20 Peças Biona Cerâmica - Redondo DonnaAparelho de Jantar Chá 20 Peças Biona Cerâmica - Redondo DonnaAparelho de Jantar Chá 20 Peças Biona Cerâmica - Redondo DonnaAparelho de Jantar Chá 20 Peças Biona Cerâmica - Redondo DonnaAparelho de Jantar Chá 20 Peças Biona Cerâmica - Redondo Donna
de R$ 199,90
por R$ 119,90
em até 2x de R$ 59,95 sem juros no cartão de crédito
O aparelho de jantar Donna da Biona Cerâmica vai trazer à sua mesa mais beleza e praticidade na hora das refeições. Com 20 peças, ele é rico em detalhes florais, suas peças são de cerâmica, com formato redondo tornando-o ainda mais especial e que agrada a todos os gostos. Ele é todo colorido, e dá pra servir refeições mais informais ou fazer parte de composições de mesa mais elaboradas. Um produto de alta qualidade e durabilidade.