Famílias pobres brasileiras levariam 9 gerações para alcançar renda média, diz OCDE

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O país ocupa segunda pior posição em um estudo sobre mobilidade social feito pela instituição com dados de 30 países e divulgado nesta sexta-feira.

A chance de uma criança de baixa renda de ter um futuro melhor que a realidade em que nasceu está, em maior ou menor grau, relacionada à escolaridade e ao nível de renda de seus pais. Nos países ricos, o "elevador social" anda mais rápido. Nos emergentes, mais devagar - no Brasil, ainda mais lentamente.

O país ocupa a segunda pior posição em um estudo sobre mobilidade social feito pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) com dados de 30 países e divulgado nesta sexta-feira.

De acordo com o estudo O elevador social está quebrado? Como promover mobilidade social, seriam necessárias nove gerações para que os descendentes de um brasileiro entre os 10% mais pobres atingissem o nível médio de rendimento do país. A estimativa é a mesma para a África do Sul e só perde para a Colômbia, onde o período de ascensão levaria 11 gerações.

O indicador da OCDE foi construído levando em consideração a "elasticidade intergeracional de renda". Ou seja, quanto o nível de rendimento dos filhos é determinado pelo dos pais. A instituição ressalta no estudo que a simulação tem finalidade ilustrativa - para dar dimensão da dificuldade de ascensão social - e que não deve ser interpretada como o tempo preciso para que um domicílio de baixa renda atinja a renda média.

Na média entre os países membros da OCDE, a chamada "persistência" da renda intergeracional é de 40%. Isso significa que, se uma família tem rendimento duas vezes maior o que de outra, o filho terá, em média, renda 40% mais alta que a da criança que veio da família de menor renda.

Nos países nórdicos, a persistência é de 20%. No Brasil, de 70%, conforme a pesquisa.

Mais de um terço daqueles que nascem entre os 20% mais pobres no Brasil permanece na base da pirâmide, enquanto apenas 7% consegue chegar aos 20% mais ricos. Na média da OCDE, 31% dos filhos que crescem entre 20% mais pobres permanecem nesse grupo e 17% ascendem ao topo da pirâmide

Pai pobre, filho pobre

Isso é o que o estudo chama de "chão pegajoso" (sticky floor): a dificuldade das famílias de baixa renda de sair da pobreza.

Filhos de pais na base da pirâmide têm dificuldade de acesso à saúde e maior probabilidade de frequentar uma escola com ensino de baixa qualidade.

A educação precária, em geral, limita as opções para esses jovens no mercado de trabalho. Sobram-lhes empregos de baixa remuneração, em que a possibilidade de crescimento salarial para quem tem pouca qualificação é pequena - e a chance de perpetuação do ciclo de pobreza, grande.

Nesse sentido, a desigualdade social e de renda, destaca o levantamento, é definidora do acesso às oportunidades que podem fazer com que alguém consiga ascender socialmente.

"Além do chão pegajoso, países como o Brasil têm também tetos pegajosos (sticky ceilings)", acrescenta Stefano Scarpetta, diretor de emprego, trabalho e assuntos sociais da OCDE, referindo-se às famílias de alta renda.

O nível elevado de desigualdade também se manifesta sobre a mobilidade no topo da pirâmide. Aqui, é pequena a probabilidade de que as crianças mais abastadas eventualmente se tornem adultos de classes sociais mais baixas que a dos pais.

Scarpetta pondera que, ao contrário da tendência global de aumento da desigualdade, o Brasil conseguiu reduzir suas disparidades na última década, até o início da recessão. O país fez pouco, entretanto, para corrigir os problemas estruturais que mantêm em movimento o ciclo da pobreza - a qualidade precária da educação e da saúde e a falta de treinamento para os milhões de trabalhadores de baixa qualificação.

"O Brasil fez um bom trabalho tirando milhões de famílias da extrema pobreza, com o Bolsa Família, por exemplo. Falta agora fazer a 'segunda geração' de políticas", disse o economista à BBC News Brasil.

A classe média

Quando se analisa a mobilidade apenas do indivíduo, e não de uma geração a outra, o estudo da OCDE verifica que, de forma geral, a classe média é o estamento com maior flexibilidade - para cima e para baixo.

No Brasil, a mobilidade da base da pirâmide para a classe média é maior do que em vários emergentes. Essa ascensão, contudo, é frágil.

A estrutura do mercado de trabalho, com uma participação elevada do emprego informal, intensifica os efeitos negativos das crises sobre a população mais vulnerável. Como aconteceu com parte da "nova classe média" durante a última recessão, o desemprego pode ser um caminho de retorno à pobreza.

Mobilidade social e crescimento econômico

O nível baixo de mobilidade social tem implicações negativas sobre o crescimento da economia como um todo, diz o estudo da OCDE. Talentos em potencial podem ser perdidos ou subaproveitados, com menos iniciativas na área de negócios e menos investimentos.

"Isso debilita a produtividade e crescimento econômico potencial em nível nacional", ressalta o texto.

Um elevador social "quebrado" também se manifesta sobre o bem-estar social.

A percepção de que a oportunidade de ascensão depende de fatores que estão fora do alcance - como a renda dos pais ou o acesso a educação - gera desesperança e sentimento de exclusão. Isso aumenta a probabilidade de conflitos sociais, diz a pesquisa.

Tendência global

O problema não é exclusivo dos países emergentes. Mesmo países ricos, com desempenho expressivamente superiores ao do Brasil nos indicadores de educação - França, Alemanha - estão acima da média da OCDE entre as estimativas do número de gerações necessário para que os 10% mais pobres atinjam a renda média.

"Por mais que esses países tenham bom desempenho no PISA (avaliação global do desempenho escolar), esses índices são uma média. Países como a França, por exemplo, são bastante heterogêneos", ressalta Scarpetta.

Fonte: G1 - 14/06/2018 e SOS Consumidor



SÍRIA: 5,6 MILHÕES DE REFUGIADOS!

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Mais de 920.000 deslocados em 2018. Um recorde desde o início do conflito
Estatísticas da ONU dão conta que, no total, 6,2 milhões de sírios abandonaram as suas casas no interior do país e cerca de 5,6 milhões continuam refugiados nos países vizinhos
Mais de 920.000 pessoas foram deslocadas na Síria durante os primeiros quatro meses do ano, um número recorde desde o início do conflito há sete anos, anunciou esta segunda-feira a ONU.
"Assistimos a um deslocamento em massa no interior da Síria (...) De janeiro a abril houve 920.000 novos deslocados", declarou Panos Moumtzis, coordenador humanitário da ONU para a Síria, numa conferência de imprensa em Genebra.
"É o maior número de deslocados num curto período de tempo desde que o conflito começou", adiantou.
No total, 6,2 milhões de sírios abandonaram as suas casas no interior do país e cerca de 5,6 milhões continuam refugiados nos países vizinhos, de acordo com os números das Nações Unidas.
Moumtzis precisou que os novos deslocados foram obrigados a partir devido à escalada dos combates no antigo bastião rebelde de Ghouta oriental, nos arredores de Damasco, e na província de Idleb (noroeste), que é quase na totalidade controlada por islamitas e grupos rebeldes extremistas.
Moumtzis teme que a situação em Idleb, onde vivem 2,5 milhões de pessoas, possa agravar a situação.
"Estamos preocupados por ver que 2,5 milhões de pessoas estão a ser cada vez mais empurradas para a fronteira turca", disse, receando que "talvez não se tenha visto o pior da crise".
Após a ofensiva bem-sucedida do regime contra a cidade de Alepo e na Ghouta oriental, os rebeldes e civis foram transferidos para Idleb, mas para os habitantes desta cidade "não há outra Idleb para onde os enviar", sublinhou Moumtzis.
A guerra na Síria, desencadeada em 2011 pela repressão de manifestações pacíficas a favor de reformas democráticas, causou mais de 350.000 mortos e obrigou milhões a abandonarem as suas casas.


Ex-Blog do Cesar Maia


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