Primeira Guerra Balcânica–História virtual


Primeira Guerra Balcânica

Parte da(o) Guerras Balcânicas

Balkanskata voina Photobox.jpg

Data
8 de outubro de 1912 - 30 de maio de 1913

Local
Península dos Bálcãs

Desfecho
Derrota otomana, Tratado de Londres

Combatentes

Império Otomano Império Otomano
Liga Balcânica:
Bulgária Bulgária
Reino da Grécia Grécia
Montenegro Montenegro
Sérvia Sérvia

Principais líderes

Império OtomanoMehmed V
Império OtomanoEnver Paxá
Império OtomanoNazim Paxá
Império Otomano Zekki Paxá
Império Otomano Essad Paxá
Império Otomano Abdulá Paxá
Império Otomano Ali Rizá Paxá
Império Otomano Hasan Tahsin Paxá
Bulgária Mihail Savov
Bulgária Ivan Fichev
Bulgária Vasil Kutintchev
Bulgária Nikola Ivanov
Bulgária Radko Dimitriev
Bulgária Georgi Todorov
Reino da Grécia Constantino I da Grécia
Reino da Grécia Panagiotis Danglis
Marinha Real da Grécia Pavlos Kountouriotis
Montenegro Nicolau I do Montenegro
Montenegro Danilo Petrović
Montenegro Mitar Martinović
Montenegro Janko Vukotić
Sérvia Radomir Putnik
Sérvia Petar Bojović
Sérvia Stepa Stepanović
Sérvia Božidar Janković

Forças

350 000 homens (inicialmente)
Bulgária: 370 000 homens (600 000 mobilizados)
Sérvia: 220 000 homens
Grécia: 115 000 homens
Montenegro: 35 000 homens

Vítimas

340 000 mortos, feridos ou capturados
~ 108 000 mortos ou feridos

A Primeira Guerra Balcânica, também conhecida como Primeira Guerra dos Bálcãs (português brasileiro) ou Balcãs(português europeu), foi um conflito militar que durou de outubro de 1912 a maio de 1913 e colocou a Liga Balcânica (Sérvia, Montenegro, Grécia e Bulgária) contra o Império Otomano. As forças combinadas dos Estados balcânicos conseguiram superar as forças otomanas, numericamente inferiores e em desvantagem estratégica, conseguindo um rápido sucesso. Como resultado da guerra, quase todos os territórios europeus do Império Otomano foram conquistados e divididos entre os aliados, e um estado independente albanês foi criado, por pressão da Áustria-Hungria e da Itália. Apesar deste sucesso, as nações balcânicas permaneceram insatisfeitos com o resultado da guerra, e as tensões internas que surgiram com a retirada da ameaça otomana, que até então os unira, logo resultou na Segunda Guerra Balcânica.

Índice

Antecedentes

As tensões entre os Estados balcânicos sobre suas aspirações às províncias da Rumélia ocupadas pelos otomanos, como a Rumélia Oriental, a Trácia e a Macedônia, foram interrompidas pela intervenção das grandes potências nos Bálcãs em meados do século XIX, que visavam garantir a proteção das maiorias cristãs da região e a manutenção do status quo. Em 1867, a Grécia, a Sérvia e Montenegro já haviam assegurado suas independências, confirmadas pelo Tratado de Berlim uma década mais tarde. Mas a questão da viabilidade do domínio otomano renasceria com a Revolução dos Jovens Turcos em julho de 1908, que compeliu o sultão Abdulamide II a restaurar a suspensa Constituição Otomana, e com os significativos desenvolvimentos ocorridos entre 1909 e 1911.

As aspirações sérvias sobre o território da Bósnia e Herzegovina foram defraudadas pela Áustria-Hungria, que anexou formalmente a província em outubro de 1908, pelo que os sérvios voltaram suas atenções para o Cosovo, que historicamente consideram sua terra natal, e para uma possível expansão para o sul. Oficiais gregos, que haviam se revoltado em agosto de 1909, haviam assegurado a indicação de um governo progressista liderado por Eleftherios Venizelos que, segundo esperavam, conseguiria resolver a questão da ilha de Creta a seu favor e reverter a derrota na Guerra Greco-Turca de 1897. A Bulgária, que ganhou sua independência do Império Otomano em abril de 1909 e tinha a amizade do Império Russo, também cobiçava territórios otomanos na Trácia e na Macedônia, para garantir sua expansão. Em março de 1910, uma insurreição albanesa eclodiu no Cosovo, e em agosto do mesmo ano o Montenegro seguiu o precedente aberto pela Bulgária e se tornou uma monarquia.

Em 1911, a Itália iniciou a invasão da Tripolitânia, no norte da África, à qual se seguiu a ocupação das ilhas do Dodecaneso. As decisivas vitórias militares italianas sobre o Império Otomano influenciaram os Estados balcânicos a preparar uma guerra contra os otomanos. Com esse fim, ocorreram diversos encontros entre os vários representantes das nações balcânicas durante a primavera de 1912, que resultaram em uma rede de alianças militares que se tornaria conhecida como a Liga Balcânica.

As grandes potências, sobretudo a França e a Áustria-Hungria, reagiram a estas reuniões diplomáticas tentando dissuadir a Liga de provocar a guerra, mas falharam. No final de setembro, tanto os Estados da Liga quando o Império Otomano haviam mobilizado seus exércitos. O Montenegro foi o primeiro país a declarar guerra, em 25 de setembro. Os outros três membros da aliança enviaram um ultimato ao Império Otomano em 13 de outubro, e declararam guerra no dia 17 do mesmo mês

Planos de batalha

Os quatro aliados não haviam planejado um plano geral de batalha, e não fizeram nenhum esforço para coordenar suas forças. Pelo contrário, a guerra acabaria por ser conduzida por cada Estado individualmente, e assim sendo, ela pode ser separada em quatro frentes de batalha geograficamente definidas. Búlgaros enfrentam a maior parte das forças otomanas, que protegiam as rotas para Constantinopla, especialmente na Trácia e na Macedônia. Sérvios e montenegrinos atuaram em Cosovo, em sanjaco, no norte da Macedônia e na região que viria a formar a Albânia. Os gregos concentraram seus esforços de guerra no sul da Macedônia e na direção de Salônica.

Bulgária

A Bulgária, então conhecida como a "Prússia dos Bálcãs",[1] era militarmente o mais poderoso dos quatro aliados, com um grande, bem-treinado e bem-equipado exército.[2] O exército de 60.000 homens foi expandido para 370.000 combatentes durante a guerra,[2] com uma mobilização total de 600.000 soldados, numa população de 4.300.000 de habitantes.[3] O suposto comandante das operações era o Czar Ferdinando, enquanto o atual comando estava nas mãos do General Michail Sakov. Os búlgaros também possuíam uma pequena marinha composta por seis navios torpedeiros, que estavam restritos a operações na costa do Mar Negro.[4]

As forças búlgaras concentraram seus ataques na Trácia e na Macedônia. Esta última viria a ser dividida entre Sérvia e Grécia, apesar de originalmente estas duas regiões pertencerem ao reino (foram retiradas do reino búlgaro em 1878, no Tratado de Berlim, no qual as potências europeias tentaram impedir o surgimento de um país poderoso nos Bálcãs). A maior força de ataque foi deixada na Trácia, formando três exércitos. O primeiro, sob o comando do general Vasil Kutinchev tinha três divisões de infantaria e foi deixado no sul de Jambol, com vistas a fazer operações ao longo do rio Tundzha. O segundo exército ficou sob o comando do general Nikola Ivanov, com duas divisões de infantaria e uma brigada, foi deixado a oeste do primeiro exército e designado a capturar a poderosa fortaleza de Adrianópolis (atual Edirne). De acordo com os planos, o terceiro exército, sob o comando do general Radko Dimitriev, foi deixado a leste do primeiro, e estava protegido pela divisão de cavalaria que o escondia das divisões turcas. O terceiro exército tinha três divisões de infantaria designadas a cruzar o monte Stranja e a tomar a fortaleza de Lozengrado (Kirk Kilisse). As divisões de número 2 e 7 receberam papéis independentes, operando na Trácia Ocidental e na Macedônia Oriental, respectivamente. Vievo foi um exemplo de vila da qual os turcos foram expulsos sob a eficácia da milícia búlgara.

Sérvia

Sérvia durante o conflito

Apesar de muito menor em números que o exército búlgaro, a força militar da Sérvia também era considerável. A Sérvia convocou aproximadamente 230.000 homens para formar dez divisões de infantaria, duas brigadas independentes, e uma divisão de cavalaria sob o comando do ex-Ministro da Guerra Radomir Putnik.[3] O Alto Comando sérvio, em suas previsões feitas antes do início da guerra, concluiu que o melhor campo para uma batalha decisiva contra o exército otomano seria o planalto de Ovče Polje, próximo a Escópia. Assim sendo, as principais forças formaram três exércitos que avançaram sobre Escópia, enquanto uma brigada independente ajudava os montenegrinos no Sanjaco de Novi Pazar.

O primeiro exército era comandado pelo general Petar Bojović, e era um dos mais poderosos em número de forças, enquanto se dirigia para tomar Escópia. O segundo exército era comandando pelo general Stepa Stepanović, e consistia em um exército mistro de sérvios e búlgaros. Formou-se a esquerda do primeiro exército e avançou contra a cidade de Stracin. A inclusão de uma força búlgara ao exército deveu-se a um acordo pré-guerra feito entre os comandantes dos exércitos sérvio e búlgaro, mas essa divisão recusou-se a obedecer o General Stepanović logo que a guerra começou, e seguiu apenas ordens do Alto Comando búlgaro. O terceiro exército era comandado pelo general Božidar Janković e, estando na ala direita do exército, tinha a tarefa de libertar o Cosovo e então juntar-se aos outros exércitos para a esperada batalha de Ovče Polje.

Grécia

O cruzador blindado Averof, nau capitânia da frota grega. Era, à data, o mais moderno navio de guerra das marinhas envolvidas no conflito, tendo cumprido um papel crucial nas operações no Mar Egeu.

A Grécia era considerada a mais fraca dos três principais aliados, desde que havia sofrido uma humilhante derrota contra os otomanos na Guerra Greco-Turca de 1897, e não se esperava que contribuísse decisivamente contra o exército turco. O reino grego mostrou-se capaz de juntar apenas 120.000 combatentes para suas forças de guerra. Entretanto, a Grécia possuía uma poderosa marinha, que acabou por se tornar vital para a liga, já que era a única forma de prevenir que reforços turcos chegassem aos Bálcãs transferidos da Ásia. Previamente, o embaixador grego em Sófia declarou, com exagero, durante as negociações que levaram a Grécia a ingressar na Liga: "A Grécia pode prover um exército de 600.000 combatentes para o esforço de guerra. (...) 200.000 homens em terra, e a marinha estará apta a impedir 400.000 homens de desembarcar [...] entre Salônica e Galípoli.[4]

O exército ainda estava sendo reorganizado por uma missão militar francesa quando a guerra começou. Com a mobilização, ele dividiu-se em dois. O Exército de Tessália, sob o comando do Príncipe Constantino I, ao lado do general Panagiotis Danglis, abrigava sete divisões da infantaria, uma brigada da cavalaria e quatro batalhões de evzones independentes, chegando a aproximadamente 100.000 homens. Esta força deveria tomar posições fortificados da fronteira turca e avançar contra a Macedônia, com o objetivo de tomar Salônica.

Além deste, de 10.000 a 13.000 homens divididos em oito batalhões foram designados a compor o Exército de Epiro, sob o comando do general Konstantinos Sapountzakis, que deveria avançar sobre a região de Epiro. Como não havia esperanças de captura da altamente fortificada capital Janina, sua missão inicial era simplesmente enfraquecer as forças turcas da área, até que reforços fossem enviados e o Exército de Tessália fosse bem-sucedido nas suas operações.

A marinha grega, neste ínterim, deveria isolar as ilhas do Mar Egeu que ainda estavam sob o domínio otomano e asseguradas pela supremacia naval do Sultão. A Marinha do Egeu, sob o comando de Pavlos Kountouriotis foi designada para esta tarefa, e consistia em três navios de guerra, sete destróiers e o novíssimo cruzador blindado Averof, nos quais os planos de dominação naval grega se baseavam.[5] Outras forças menores consistiam de navios torpedeiros que deveria atacar qualquer resistência otomana.

Montenegro

Os montenegrinos tinham uma reputação de experientes lutadores, mas seu exército era pequeno e antiquado.[3] Depois de completar a mobilização na primeira semana de outubro, Montenegro organizou seu exército de 35.600 combatentes em quatro divisões.[3] O comandante era supostamente o Rei Nicolau I, mas o comando efetivo estava nas mãos do general Lazorović. O principal foco montenegrino era a captura da importante cidade de Escodra, enquanto operações secundárias eram realizadas em Novi Pazar.

Império Otomano

Em 1912, os otomanos viram-se numa posição de extrema dificuldade. Ainda se encontravam envolvidos numa guerra com os italianos na Líbia, que durou até 15 de Outubro, poucos dias antes do início das hostilidades nas Balcãs. O Império Otomano estavaa então desprovido de capacidade de reforçar significativamente as suas posições na península balcânica e as relações com os Estados da região tinham-se degradado ao longo do ano.[6]

As capacidades militares otomanas também estavam minadas devido à instabilidade causada pela Revolução dos Jovens Turcos e pelo golpe contra-revolucionário levado a cabo vários meses depois. Um esforço foi feito para reorganizar o exército com a ajuda de uma missão alemã, mas os seus efeitos foram questionáveis.[3] O exército regular (nizam) era bem-equipado e treinado, mas as unidades de reserva (redif) que o complementava era geralmente composto de cidadãos locais não-muçulmanos, que tinha pouquíssimas habilidades para lutar.[6]

Em teoria, os otomanos poderiam sentir-se muito superiores numericamente contra a Liga Balcânica, mas com o Mar Egeu pela marinha grega, teriam que transportar todos os exércitos da Ásia por terra, por uma única linha férrea. Mesmo na Europa, os otomanos não possuíam um plano único contra os seus oponentes, e as suas forças lutaram isoladas, sem uma coordenação geral.

Batalhas

Batalhas da Primeira Guerra Balcânica

Nome
Atacante
Comandante
Defensor
Comandante
Data
Vencedor

Batalha de Sarantaporo
Gregos
Constantino I da Grécia
Otomanos
22 Out 1912
Gregos

Batalha de Kumanovo
Sérvios
Gen. Radomir Putnik
Otomanos
Gen. Zekki Paxá
23 Out 1912
Sérvios

Batalha de Kirk Kelesse
Búlgaros
Gen. Radko Dimitriev, Gen. Ivan Fichev
Otomanos
Mahmud Muhtar Paxá
24 Out 1912
Búlgaros

Batalha de Lule-Burgas
Búlgaros
Gen. Radko Dimitriev, Gen. Ivan Fichev
Otomanos
Abdulá Paxá
28-31 Out 1912
Búlgaros

Batalha de Giannitsa
Gregos
Constantino I da Grécia
Otomanos
Hasan Tahsin Paxá
1 Nov 1912
Gregos

Batalha de Prilepo
Sérvios
Otomanos
3 Nov 1912
Sérvios

Batalha de Pente Pigadia
Gregos
Ten. Gen. Konstantinos Sapountzakis
Otomanos
Esat Paxá
6-12 Nov 1912
Gregos

Batalha de Vevi
Gregos
Otomanos
15 Nov 1912
Otomanos

Batalha de Bitola
Sérvios
Gen. Petar Bojović
Otomanos
Gen. Zekki Paxá
16-19 Nov 1912
Sérvios

Batalha naval de Caliacra
Búlgaros
Cap. Dimitar Dobrev
Otomanos
Hyusein Rauf Bei
21 Nov 1912
Búlgaros

Batalha naval de Elli
Gregos
Con. Alm. Pavlos Kountouriotis
Otomanos
Alm. Ramiz Bey
16 Dez 1912
Gregos

Batalha naval de Lemnos
Gregos
Con. Alm. Pavlos Kountouriotis
Otomanos
18 Jan 1913
Gregos

Batalha de Bulair
Otomanos
Feti Bey
Búlgaros
Gen. Georgi Todorov
26 Jan 1913
Búlgaros

Batalha de Şarköy
Otomanos
Enver Bey
Búlgaros
Gen. Stiliyan Kovachev
26-28 Jan 1913
Búlgaros

Batalha de Bizani
Gregos
Constantino I da Grécia
Otomanos
Esat Paxá
5-6 Mar 1913
Gregos

Cerco de Edirne
Búlgaros e Sérvios
Gen. Georgi Vazov, Gen. Stepa Stepanovic
Otomanos
Gen. Ghazi Shulkri Paxá
11-13 Mar 1913
Búlgaros e Sérvios

Notas

  1. Ir para cima↑ DILLON, The Inside Story of The Peace Conference, cap.XV
  2. Ir para:a b HALL, The Balkan Wars, p.16
  3. Ir para:a b c d e HALL, The Balkan Wars, p.18
  4. Ir para:a b HALL, The Balkan Wars, p.17
  5. Ir para cima↑ ERICKSON, Defeat in Detail, p.155
  6. Ir para:a b HALL, The Balkan Wars, p.19

Bibliografia

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Primeira Guerra Balcânica

  • ERICKSON, Edward J.; BUSH, Bright C. (2003). Defeat in Detail. The Ottoman Army in the Balkans, 1912-1913 (em inglês). [S.l.]: Greenwood Publishing Group. ISBN 0-275-97888-5
  • HALL, Richard C. (2000). The Balkan Wars, 1912-1913. Prelude to the First World War (em inglês). [S.l.]: Routledge. ISBN 0-415-22946-4
  • SCHURMAN, Jacob Gould (2004). The Balkan Wars 1912 to 1913 (em inglês). [S.l.]: Kessinger Publishing. ISBN 1-4191-5345-5
  • DILLON, Emile Joseph (1920). The Inside Story of The Peace Conference (em inglês). Nova Iorque: Harper & Brothers Publishers (disponível online)


ve

Diplomacia das grandes potências entre 1871-1913

Grandes potências
Áustria-Hungria  · Império Britânico  · Terceira República Francesa  · Império Alemão  · Reino de Itália  · Império Português  · Império do Japão  · Império Russo · Império Otomano  ·Estados Unidos

Tratados e acordos
Tratado de Frankfurt  · Liga dos Três Imperadores  · Tratado de Berlim  · Aliança Germano-Austríaca  · Tríplice Aliança  · Tratado de Resseguro  · Aliança Franco-Russa  ·Entente Cordiale  · Aliança Anglo-Japonesa  · Tratado de Paris  · Entente anglo-russa  · Tratado de Anexação Japão-Coreia  · Tríplice Entente  · Conferência de Algeciras  ·Sistema Bismarckiano  · Acordo Taft–Katsura

Eventos
Guerra Russo-Turca  · Conferência de Berlim  · Partilha da África  · Grande Jogo  · Expansão ultramarina dos EUA  · Primeira Guerra Sino-Japonesa  · Incidente de Fachoda  ·Pan-eslavismo  · Anexação do Havaí  · Guerra Hispano-Americana · Guerra Filipino-Americana  · Levante dos boxers  · Primeira Guerra dos Bôeres  · Segunda Guerra dos Bôeres  ·Guerra Russo-Japonesa  · Primeira Crise do Marrocos  · Dreadnought  · Crise de Agadir  · Crise bósnia  · Guerra Ítalo-Turca · Primeira Guerra Balcânica  · Segunda Guerra Balcânica · Leis Navais Alemãs



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Segunda Guerra Balcânica–História virtual

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Segunda Guerra Balcânica

Parte da(o) Guerras Balcânicas

Serbian soldiers in Kratovo, 7 June 1913.jpg
Forças sérvias durante a Segunda Guerra Balcânica

Data
29 de junho de 191310 de agosto de 1913

Local
Península Balcânica

Desfecho
Derrota búlgara, Tratado de Bucareste

Combatentes

Bulgária Bulgária
Sérvia Sérvia
Grécia Grécia
Montenegro Montenegro
Roménia Romênia
Turquia Império Otomano

Principais líderes

Bulgária Mihail Savov,
Bulgária Nikola Ivanov,
Bulgária Vasil Kutinchev,
Bulgária Radko Dimitriev
Sérvia Radomir Putnik ,
Grécia Rei Constantino I ,
Roménia Príncipe Ferdinando,
Roménia Alexandru Averescu

Forças

Bulgária 500 221 – 576 878 combatentes
Roménia 330 000
Sérvia 348 000
Grécia 148 000
Montenegro 12 800
Turquia 255 000
Total: 1 093 800

Vítimas

~ 65 927 mortos ou feridos
~ 91 000 mortos ou feridos

A Segunda Guerra Balcânica, também conhecida como Segunda Guerra dos Bálcans (português brasileiro) ou Balcãs (português europeu) , ocorreu entre 29 de junho de 1913 e 10 de agosto de 1913 (no calendário gregoriano, mas de 16 de junho de 1913 a 18 de julho de 1913 no calendário juliano, que ainda vigorava nos países ortodoxos) e foi um conflito entre a Bulgária de um lado contra seus antigos aliados da Liga Balcânica - Sérvia, Grécia e Montenegro - somados a Romênia e o Império Otomano de outro. O resultado desta guerra tornou a Sérvia, um importante aliado da Rússia, em uma potência regional dos Bálcãs, alarmando a Áustria-Hungria e indiretamente tornando-se mais uma causa para a Primeira Guerra Mundial.[1]

Índice

Antecedentes

Durante a Primeira Guerra Balcânica, a Liga Balcânica (Sérvia, Montenegro, Grécia e Bulgária) atacaram e conquistaram as províncias europeias remanescentes do combalido Império Otomano (Albânia, Macedônia e Trácia) deixando-o com o comando apenas das penínsulas de Chataldja e Gallipoli. O Tratado de Londres, assinado em 30 de Maio de 1913, que pôs fim à guerra, reconheceu os ganhos dos estados balcânicos a leste da linha Enos-Medea e criou uma Albânia independente,[2] em parte devido às pressões austro-húngaras para que as pretensões sérvias de acesso ao mar fossem derrubadas.

Entretanto, o tratado acabou por não satisfazer ninguém.[3] Os estados balcânicos haviam feito um acordo preliminar de partilha dos territórios conquistados, especialmente no que dizia respeito à Macedônia, e a Conferência de Londres acabou apenas por reconhecer o status quo, mesmo que alguns territórios tivessem migrado para as respectivas potências ocupantes.[3] A Bulgária sentiu que seu ganhos territoriais concedidos depois da guerra, particularmente na Macedônia, eram insuficientes, e passou a reclamar a importante cidade de Salônica, onde um regimento búlgaro já estava estacionado.

Grécia e Sérvia já estavam desgostosas ao terem de evacuar a Albânia, e responderam a isto entrando ofensivamente na conferência com o objetivo de prevenir uma grande expansão búlgara. Os dois países resolveram suas diferenças mútuas e assinaram um acordo para uma aliança militar em 1 de Maio de 1913, seguido por um tratado de "amizade e proteção mútuas" em 19 de Maio/1 de Junho de 1913. Mais ao norte, uma outra disputa da Bulgária era com a Romênia, principalmente com a decisão desta de reclamar pela fortaleza búlgara de Silistra no rio Danúbio, como o preço da neutralidade do país durante a Primeira Guerra Balcânica.

A arbitragem russa, dada para o Tratado Sérvio-Búlgaro de 1912, progrediu muito lentamente, já que a Rússia não desejava perder nenhum dos seus aliados eslavos nos Bálcãs. Durante as negociações, disputas continuaram a ocorrer na Macedônia, principalmente entre tropas sérvias e búlgaras. Em 29 de Junho, o Alto Comando búlgaro, sem notificar o governo, ordenou que as tropas búlgaras atacassem posições sérvias e gregas, e a declaração de guerra estava dada.

O Reino da Bulgária esperava adquirir toda a região conhecida como "Macedônia búlgara" e assim dominar os Bálcãs,[4] como estava prescrito no Tratado de San Stefano,[5] enquanto a Sérvia e a Grécia esperavam tomar largas porções da Macedônia para impedir que a hegemonia búlgara se consolidasse.

Forças

Mapa mostrando as linhas demarcadas entre os estados balcânicos antes da Segunda Guerra Balcânica.

O exército do Reino da Bulgária tinha 500.000 combatentes divididos em cinco exércitos e que se concentravam entre quinhentos quilômetros abaixo do rio Danúbio ao norte até o mar Egeu ao sul.

O exército do Reino da Sérvia contava 230.000 combatentes divididos em três exércitos, com as principais forças concentradas na frente Macedônia que seguia ao longo do rio Vardar e de Escópia. O exército do Reino da Grécia era composto por 120.000 soldados, com sua maioria concentrada em Salônica. O Reino de Montenegro enviou uma divisão de 12.000 homens para a frente Macedônia.

O Reino da Romênia mobilizou 500.000 combatentes, que foram alocados em cinco divisões. O Império Otomano entrou na guera com um exército de 255.000 homens.

O início da guerra

O principal ataque búlgaro foi planejado a partir de ataques dos exércitos 1, 3, 4 e 5 contra forças sérvias, enquanto o exército de número 2 ficava responsável por atacar posições grega em Salônica. Os búlgaros foram visivelmente superados em números na frente grega e o baixo nível das batalhas iniciais logo transformou-se com um ataque grego em 19 de Junho. As forças búlgaras automaticamente deixaram suas posições no norte de Salônica (exceto por uma armada que ficou para trás e recuou às pressas posteriormente) e seguiram para posições defensivas entre Kilkis e o rio Struma. O plano era destruir rapidamente o exército sérvio na Macedônia central com um ataque concentrado, mas o envolvimento dos romenos ao norte não fez com que os planos saíssem com esperado.

Batalhas

Batalhas da Segunda Guerra Balcânica

Nome
Defensor
Comandante
Atacante
Comandante
Data
Vitória

Kilkis-Lahanas
Bulgária
Nikola Ivanov
Grécia
Constantino I
19–21 de Junho de 1913 (O.S.)
Grécia

Doiran
Bulgária
Nikola Ivanov
Grécia
Constantino I
22–23 de Junho de 1913 (O.S.)
Grécia

Bregalnica
Sérvia
Bulgária
17–25 de Junho de 1913 (O.S.)
Sérvia

Batalha de Kalimantsi
Bulgária
Sérvia
15–18 de Julho de 1913 (O.S.)
Bulgária

Batalha de Kresna Gorge
Bulgária
Grécia
Constantino I
8–18 de Julho de 1913 (O.S.)
Bulgária

Batalha de Kilkis-Lahana

O segundo exército búlgaro no sul da Macedônia comandado pelo general Ivanov estava numa linha que ia do Lago Doiran (um campo de batalha vital para as tropas inglesas três anos depois) ao sudeste do Lago Langaza (atualmente, Lago Koronia) e Beshik (atualmente, Lago Volvi), e então até o porto de Kavala no Egeu. O exército estava em posição desde maio, e havia lutado no cerco a Adrianople durante a Primeira Guerra Balcânica. Os búlgaros viam que suas tropas no local estavam desgastadas e com um moral baixo, e que também estavam em menor número, com apenas 40.000 combatentes divididos em duas fracas divisões. Muitas das falhas nas tropas eram preenchidas com recrutas da população local. Os gregos estimavam seus oponentes em pelo menos 80.000 homens, e então, comandados pelo rei Constantino I, organizaram um exército de nove divisões de infantaria e uma de cavalaria com aproximadamente 120.000 homens, deixando os búlgaros em situação perigosa, mesmo que estivessem fortemente fortificados.

Em Kilkis, os búlgaros haviam construído defesas poderosas, e ainda haviam conseguido capturar armas dos otomanos. Em 3 de Julho, três divisões da Grécia atacaram a planície com força, sendo apoiadas pela artilharia. Eles sofreram várias baixas, mas no dia seguinte continuaram a atacar. Enquanto isto, a Sétima Divisão do exército grego avançava sobre e capturava Nigrita e as Primeira e Sexta Divisões atacavam Lahana. Do lado búlgaro, Evzone capturou Gevgelija e Matsikovo. Como consequência, depois de Doiran ter ameaçado severamente o exército de Ivanov este passou a recuar desesperadamente com seu exército, sem conseguir achar uma rota de fuga. Reforços representados pela Décima Quarta Divisão chegaram muito tarde e acabaram por se juntar à recuada entre Estrúmica e a fronteira búlgara. Os gregos capturaram Doiran em 5 de Julho, mas não estavam aptos a cortar a recuada búlgara através da passagem de Struma. Em 11 de Julho, os gregos juntaram-se aos sérvios e então os empurraram para o rio Struma, até que chegaram a Kresna George em 24 de Julho. Neste ponto, as tropas gregas estavam exaustas e já haviam ido para muito além das linhas de suprimento, e por fim, foram forçadas a recuar.

Batalhas de Bregalnica, Kalimantsi e Kresna Gorge

Na frente da Macedônia central, os sérvios haviam empurrado as forças búlgaras para leste na batalha de Bregalnica (30 de Junho9 de Julho). Enquanto isto, no norte, os búlgaros começaram a avançar contra os sérvios na cidade de Pirot (próxima à fronteira servo-búlgara) e forçaram o Alto Comando Sérvio a enviar reforços para o Segundo Exército, que estava encarregado de defender Pirot e Nis. Isto fez com que a Bulgária foi capaz de impedir a ofensiva sérvia[6] na Macedônia em Kalimantsi no dia 18 de Julho.

Enquanto a situação na frente sérvia havia se acalmado, o Rei Constantino, acreditando que os búlgaros já haviam sido derrotados, ordenou que o exército grego marchasse sobre o território búlgaro e tomasse a capital Sófia. Constantino queria uma vitória decisiva nesta guerra, apesar das objeções feitas por Eleftherios Venizelos.

O exército grego pensava já ser vitorioso e que não precisava de precauções, então continuou a marchar sobre o território do Reino da Bulgária. Então, em Kresna, os gregos foram surpreendidos por duas divisões do exército búlgaro, que já havia tomado posições defensivas na cidade. Tanto gregos quanto búlgaros estavam fragilizados e haviam sofrido penas severas nos dias anteriores. No final, os governos búlgaro e grego estavam igualmente ansiosos pela paz, para que a guerra entre os dois países acabasse, e a Grécia propôs um cessar-fogo.[6]

Fim da Guerra

Mapa mostrando as principais batalhas entre os estados balcânicos durante a Segunda Guerra Balcânica.

Apesar de ter conseguido estabilizar a frente Macedônia, o governo búlgaro aceitou um armistício ao ser levado por eventos que ocorriam bem logo do coração dos Bálcãs. A Romênia invadiu a Bulgária entre 27 de Junho e 10 de Julho, datas do calendário juliano, ocupando o sul de Dobruja, que estava sem defesas, e marchando pelo norte da Bulgária tendo em vista uma invasão da capital, Sófia.[6] O Império Otomano também tomou vantagem da situação para recuperar algumas possessões da Trácia que havia perdido na Primeira Guerra Balcânica, e ordenou que seus exércitos marchassem para Yambol e a Trácia Ocidental.[6] Como os exércitos búlgaros estavam completamente ocupados com os exércitos sérvios e gregos, as armadas dos otomanos e romenos não sofreram nenhum dado de combate, apesar de uma epidemia de cólera ter se espalhado entre os soldados.

Um armistício geral foi planejado entre 18 e 31 de Julho de 1913 (datas segundo o calendário juliano, então em vigor nos estados ortodoxos), e os territórios foram redivididos sob os termos dos Tratados de Bucareste[1] e de Constantinopla. A Bulgária acabou por perder a maior parte do território conquistado na Primeira Guerra Balcânica, incluindo a Dobruja do sul (para a Romênia), boa parte da Macedônia e da Trácia Oriental para os turcos-otomanos. Ainda assim, os búlgaros conseguiram manter a Trácia Ocidental, o porto de Dedeagach e partes do litoral do mar Egeu sob seu domínio. A Sérvia ganhou territórios no norte da Macedônia,[7] enquanto a Grécia recebeu a parte sul do território.

As fronteiras definidas nos tratados de Bucareste[7] e Constantinopla foram apenas temporárias; dez meses depois elas começaram a mudar novamente, e uma nova guerra foi iniciada nos Bálcãs, levada pelo início da Primeira Guerra Mundial.[8]

  • The Balkan boundaries after 1913.jpg

  • Serbia1913 02.png

  • BulgariaComienzosSigloXX.svg

  • Greek history.png

Notas

  • FROMKIN, 2005, p. 102.
  • Colégio Anchieta - BA. «Primeira Guerra Mundial». Consultado em 6 de dezembro de 2008.
  • Encyclopædia Britannica. «Balkan Wars» (em inglês). Consultado em 6 de dezembro de 2008.
  • Klickeducação. «Macedônia». Consultado em 6 de dezembro de 2008.
  • ebrisa.com. «Conferência de Berlim» (em espanhol). Consultado em 6 de dezembro de 2008.
  • New World Encyclopedia. «Balkan Wars» (em inglês). Consultado em 6 de dezembro de 2008.
  • ciari.org. «A Guerra na Ex-Jugoslávia» (PDF). Consultado em 6 de dezembro de 2008.
    1. Grandes Guerras. «Os Grandes Conflitos do Século XX». Consultado em 6 de dezembro de 2008.

    Bibliografia

    • ERICKSON, Edward J.; BUSH, Bright C. (2003). Defeat in Detail. The Ottoman Army in the Balkans, 1912-1913 (em inglês). [S.l.]: Greenwood Publishing Group. ISBN 0275978885
    • FROMKIN, David (2005). O Último Verão Europeu. Quem Começou a Grande Guerra de 1914?. Rio de Janeiro: Objetiva. ISBN 85-7302-654-5
    • HALL, Richard C. (2000). The Balkan Wars, 1912-1913. Prelude to the First World War (em inglês). [S.l.]: Routledge. ISBN 0415229464
    • SCHURMAN, Jacob Gould (2004). The Balkan Wars 1912 to 1913 (em inglês). [S.l.]: Kessinger Publishing. ISBN 1419153455
    • M. Glenny, The Balkans: Nationalism, War and the Great Powers, 1804−1999, New York: Viking, 1999, 156.

    [Esconder]

    ve

    Diplomacia das grandes potências entre 1871-1913

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  • Wikipédia


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