A projeção para a inflação aproxima-se do centro da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional, que é 4,5% com margem de dois pontos percentuais para cima ou para baixoMarcello Casal Jr/Agência Brasil
O mercado financeiro projeta que a inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), terminará 2017 em 4,71%. Para a Selic, taxa básica de juros da economia, a previsão caiu de 9,75% para 9,5% ao ano. As estimativas foram divulgadas hoje (23) no boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central (BC) com instituições financeiras.
Saiba Mais
A projeção para a inflação aproxima-se do centro da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional, que é 4,5% com margem de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.
No caso da Selic, o mercado continua confiante de que a taxa básica de juros cairá para um dígito ainda este ano. No início do mês, as instituições financeiras previam Selic de 10,25% ao ano ao fim de 2017. Os bancos passaram a demonstrar mais otimismo após a primeira reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC.
Em lugar da queda de 0,5 ponto percentual projetada pelo mercado, o Copom reduziu a Selic em 0,75 ponto percentual, para 13% ao ano. Durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça, na semana passada, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, disse que esse seria o “novo ritmo” da taxa de juros. Ele ressalvou, no entanto, que as decisões do Copom dependeriam da inflação e crescimento.
A projeção das instituições financeiras para o crescimento da economia (Produto Interno Bruto – PIB – a soma de todas as riquezas produzidas pelo país) este ano permanece em 0,50%.
Prime Cia. Imobiliária - Imobiliária em Porto Alegre / RS
http://www.primeciaimobiliaria.com.br/
"Não podemos descartar a hipótese de acidente provocado"
Com 20 anos de Polícia Federal, o presidente da Fenapef, Luís Boudens, lembra o histórico de crimes políticos no país
Por Márcio Juliboni
Pode ter sido uma inimaginável coincidência que Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF, tenha morrido a poucos dias de homologar a “mãe de todas as delações” – a bomba armada pelos executivos da Odebrecht. Mas, para alguém com 20 anos de Polícia Federal, não é possível ignorar nenhuma hipótese, inclusive a de que a queda do avião não foi um infeliz acidente.
“O histórico recente do Brasil contém diversos casos de assassinato de cunho político”, afirma Luís Antônio de Araújo Boudens, presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef). Veja a conversa com O Antagonista:
O Antagonista: Quão importante é esclarecer as circunstâncias da morte de Teori?
Luís Antônio de Araújo Boudens: Teori era o relator da Lava Jato no STF, já que a operação investiga diversos políticos com foro privilegiado. Seu papel abrangia todas as requisições da Polícia Federal envolvendo essas pessoas, além da homologação das delações premiadas. Sua morte não pode trazer prejuízos à Lava Jato. Em segundo lugar, é necessário analisar tudo o que cerca o acidente para prestar contas à sociedade. Circulam relatos de ameaças a ele e à família.
O Antagonista: Há quem diga que falar de atentado é teoria da conspiração. O senhor concorda?
Boudens: O histórico recente do Brasil contém diversos casos de assassinato de cunho político. É a popular queima de arquivo. Temos o Celso Daniel, por exemplo. Isso mostra que o Brasil não está imune a essa prática. O contexto geral da morte de Teori justifica uma investigação muito precisa e muito cautelosa. Com 20 anos de Polícia Federal, sendo 15 na área de inteligência, digo que é preciso um trabalho muito apurado.
O Antagonista: Falando objetivamente, não se pode descartar que foi um atentado?
Boudens: Não se pode descartar essa hipótese. É preciso respeitar o luto da família; esse momento de dor. Mas não podemos esquecer de que há essa hipótese de acidente provocado. Não podemos desconsiderar que isso pode ter sido feito por uma organização criminosa.
O MELHOR DA SEMANA
O melhor caminho para o STF
Gilmar Mendes indicou o melhor caminho para o STF depois da morte de Teori Zavascki. Os acordos da Odebrecht devem ser homologados imediatamente. O ministro... [ leia mais]
- A equipe de Teori está viva
- Lula entusiasmado
- Atrasos na Lava Jato
- Cármen quer homologar delação
- Moro no STF seria péssimo para a Lava Jato
- Filho de Teori alertou sobre ameaças
- A amizade entre Teori e Carlos Alberto
- Temer: "Meus sentimentos de pesar"
- Teori, por Rodrigo Janot
- Teori, por Joaquim Barbosa
- "Ele costumava andar com pendrives debaixo do braço"
- "Torço para que tenha sido um acidente"
A prisão preventiva de Lula
A PF descartou a prisão preventiva de Lula. Se surgir uma conta no exterior relacionada ao esquema de propinas comandado por ele, porém, isso muda imediatamente. Lula vai em cana.
- Lula condenado daqui a poucas semanas
- Em primeiro lugar, a propina de Lula e do PT
- Mentiras plantadas por Lula
- Lula não é notícia
- Lula no TRF-4
- A primeira bomba de Marcelo Odebrecht contra Lula
- A segunda bomba de Marcelo Odebrecht contra Lula
- O sucessor de Lula
- O Super Bowl de Luleco
- Exclusivo: O banho de sol de Luleco
- Exclusivo: Luleco deixa hotel em Natal
Boulos debaixo do viaduto?
Guilherme Boulos disse o seguinte, após ser liberado (ele próprio, esclareceu-se finalmente, não atirou um rojão contra um policial, "apenas" estimulou...) [veja mais]
- Prisão de Boulos: "Conduta criminosa"
- Cúmplices da "conduta criminosa"
- "Algumas vidraças quebradas não são nada"
- Boulos não tem licença para ferir ou matar
- Exclusivo: Líder do MTST prega desobediência civil
- O companheiro Boulos
- Os defensores de sempre
- Guilherme Boulos é como Renan Calheiros
- Santo Boulos
- Boulos usa pobres como massa de manobra
A partir da demanda
As Forças Armadas, reforça o ministro da Defesa, só atuarão em estados que as demandarem. Michel Temer recebeu governadores de Rondônia, Roraima, Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Pará e Tocantins.
- Sem contato com os presos
- Um trabalho pontual
- "Não vamos substituir as forças locais de segurança"
- Enxugaremos gelo. De novo.
- Forças Armadas vão atuar em presídios
- Uso de militares em presídios não evitou massacre de Manaus
- "Para evitar um novo Carandiru"
- Os narcodeputados
- Guerra de facções nas ruas
- Sem cadeias
- Policiais permanecerão em Alcaçuz até a construção de muro
Ainda o aparelhamento da Petrobras
O Antagonista descobriu mais um funcionário da Petrobras – neste caso, uma funcionária -- que permanece em cargo executivo, apesar de ter ascendido... [ veja mais]
- Um jeitinho para acomodar os companheiros
- O desastre da Petros
- A gratidão de Luiza
- Petrobras, ministros e helicópteros
- A comodidade de Mantega
- Quando os negócios bombavam
- O PT assaltou os trabalhadores
Exclusivo: Atual presidente do BB, Caffarelli sabia do "Projeto Alfa"
O Antagonista obteve com exclusividade trocas de emails entre Henrique Peters, sócio de Victor Sandri, e executivos do Banco do Brasil e da seguradora... [ leia mais]
- Exclusivo: Os amigos de Guido e um aluguel muito suspeito
- Exclusivo: Os amigos de Guido e um contrato de 233 milhões
- Exclusivo: Amigos de Mantega foram beneficiados com contrato do Banco do Brasil
MOMENTO ANTAGONISTA
Reveja os vídeos gravados por Claudio Dantas durante a semana:
- Um escândalo maior que o Petrolão
- Guido Mantega e o Projeto Alfa
- Luleco e a Conexión Uruguay
- A morte de Teori é o fim da Lava Jato?
Tamanho e quantidade de fossas dificultam busca por corpos em Alcaçuz
Sumaia Villela – Correspondente da Agência Brasil
A busca por mais corpos na penitenciária estadual de Alcaçuz, em Nísea Floresta, Rio Grande do Norte, esbarra em um obstáculo invisível às câmeras da imprensa que, desde o massacre de 26 presos na semana passada, vigiam diariamente a unidade. São as 40 fossas de 18 metros cúbicos espalhadas pela área do presídio. Até mesmo procurar pelas cabeças de 13 corpos decapitados já retirados do local é uma tarefa difícil e, segundo o diretor-geral do Instituto Técnico-Científico de Perícia (Itep), Marcos Brandão, é provável que algumas nunca sejam encontradas.
Na primeira operação depois do massacre, 15 corpos foram resgatados sem cabeça e duas cabeças sem corpo. Identificadas as combinações entre as partes, restaram 13 mortos a serem completados. Ontem (21), o ITEP recolheu mais duas – uma delas incompleta – e um fragmento de crânio já em estado avançado de decomposição. O material será analisado para saber se correspondem a algum dos cadáveres já recolhidos ou se seriam de mortos ainda não contabilizados. Com o resultado positivo restariam ainda 11 cabeças a serem encontradas. Facções rivais disputam o controle do presídio.
Hoje (22), o diretor do presídio informou ao diretor do Itep que os presos apontaram uma fossa onde estaria mais uma delas. Ainda se espera a confirmação do local para que seja feita uma nova operação de resgate. No entanto, a grande quantidade de fossas e o tamanho delas, segundo Marcos Brandão, vai dificultar esse tipo de trabalho, a ponto de tornar provável que algumas cabeças fiquem para sempre debaixo daquele solo.
Saiba Mais
- Muro para separar facções rivais começa a ser erguido no presídio de Alcaçuz
- Em busca parcial, peritos encontram dois crânios em penitenciária de Alcaçuz
“São fossas muito grandes, 18 metros cúbicos, e são muitas. Demorou um dia inteiro só para esgotar uma delas. Lógico que as buscas vão continuar, mas acredito que não vamos achar todas. Em regra, nas fossas existe a parte líquida, mas tem a parte de lama que fica embaixo e não dá para tirar. E a cabeça em decomposição começa a soltar osso e fica muito difícil achar”, explica Brandão. “A gente tem que trabalhar com isso em mente”.
Atualmente existem quatro corpos dos 26 mortos no massacre do dia 14 de janeiro que ainda não foram identificados. Três deles, de presos que foram carbonizados, precisam de exames mais complexos. Caso as cabeças não sejam encontradas, as famílias vão receber os corpos assim mesmo. “É como em um acidente aéreo, que às vezes só se entrega uma mão”, compara. “Pelo menos vai haver a identificação de que houve a morte, que isso é importante”. O prazo legal para manter os cadáveres no Itep é de 45 dias, ou até que as buscas sejam encerradas.
Na avaliação de Brandão, é pouco provável que existam mais cadáveres ainda no interior do presídio, pois a área onde poderiam estar foi mapeada e analisada e nada foi encontrado. A vistoria, no entanto, só pôde ser feita nos prédios onde não há presos, já que os detentos controlam alguns pavilhões.
O diretor do Itep disse ainda que foram identificadas várias fogueiras na área. “Ainda vamos examinar se nessas fogueiras há algum material humano, porque lá realmente não deu para verificar. Mas elas foram feitas com muito combustível inflamável que tiraram da fábrica de bolas que tinha no presídio, solventes, essas coisas. Recolhemos um material que vamos analisar para saber se é corpo, mas não foi uma quantidade substancial. Se tiverem queimado pode ter sido um. Mas isso a gente ainda vai analisar, não estou dizendo nada conclusivo”, disse.
Ossos antigos
Na operação de ontem também foram encontrados fragmentos de ossos na fossa. Esse material, no entanto, não continha restos humanos, o que indica, de acordo com o diretor do Itep, que eles podem ser provenientes de uma rebelião anterior.
© Reuters