O presidente da República, Michel Temer, disse nesta quinta-feira que o objetivo do governo é fazer com que a inflação fique em 4,5%, centro da meta fixada pelo Banco Central para 2017. Ele ressaltou que em seu mandato já foram feitas duas reduções nas taxas de juros Selic e estimou que se as reduções continuarem a taxa deve sair dos dois dígitos.
As declarações foram feitas durante a inauguração da Escola Municipal de Ensino Fundamental Prof. Fued Temer, na Praia Grande, município da Baixada Santista. Temer lembrou ainda que a inflação caiu de 10,70% no ano passado para 6,29%, abaixo do teto estimado para a meta.
Na quarta-feira (11), o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, cortou a taxa Selic em 0,75 ponto percentual, de 13,75% para 13% ao ano.
“Nós já reduzimos a taxa de juros e há uma projeção, nada certo evidentemente, de que os juros venham caindo paulatinamente, porém responsavelmente. Isso já teve repercussão no mercado financeiro. Os bancos já começaram a reduzir também suas taxas de juros. Nosso trabalho já tem começado a dar resultados. Somado à questão da queda da inflação, que no ano passado era de 10,70% e agora está em 6,29%”, disse.
O presidente disse que o governo não reduziu o orçamento das áreas da educação e saúde. Segundo ele, basta saber ler para verificar que os recursos para as duas áreas são maiores este ano do que foram em 2016.
“Nós vemos algumas afirmações de que o presidente vai acabar com a educação e a saúde e reduzir as verbas. Contra o argumento, eu apresento o documento. Nós estamos revalorizando, para o Orçamento do ano que vem [2017], os valores da saúde e da educação. O documento que apresento é precisamente a peça orçamentária que nós estamos mandando para o Congresso Nacional”.
O orçamento foi sancionado na quarta-feira (11) , com uma previsão de R$ 115,3 bilhões para a saúde e R$ 85,7 bilhões para a educação, para o ano de 2017.
Prime Cia. Imobiliária - Imobiliária em Porto Alegre / RS
http://www.primeciaimobiliaria.com.br/
Estações cheias, câmeras e seguranças não são suficientes para impedir que mais de duas mulheres sejam agredidas por mês na rede do Metrô e trens em São Paulo.
Entre janeiro de 2012 e outubro de 2016, foram 147 boletins de violência doméstica. A estação com maior número de ocorrências foi a do Tatuapé, com 16 casos. Leia mais
O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, teve R$ 403 mil em bens bloqueados pela Justiça. Ele é processado por improbidade administrativa.
Maggi é acusado de participar de esquema que comprou vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Mato Grosso. Leia mais
Os segurados que recebem um benefício do INSS acima do salário mínimo já conseguem saber de quanto vai ser o reajuste deste ano. O valor depositado em fevereiro vai ter um aumento de 6,58%.
O índice é menor do que foi inicialmente previsto pela gestão Temer para 2017. Com isso, quem ganha R$ 2.000, por exemplo, passa a receber R$ 2.131,60. O teto também aumentará de R$ 5.189,82, válidos em 2016, para R$ 5.531,31. Leia mais
DF terá racionamento de água a partir da próxima semana
Heloisa Cristaldo - Repórter da Agência Brasil
Parte do Distrito Federal terá racionamento de água a partir da próxima segunda-feira (16), por causa do nível crítico de águas na Barragem do Descoberto, que abastece em torno de 1,8 milhão de pessoas. A medida, anunciada hoje (11) pela Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb), tem o objetivo de assegurar a capacidade hídrica para o próximo período de seca na cidade.
O nível do reservatório da Barragem do Descoberto, abaixo de 20%, e o índice de chuvas menor do que o esperado em dezembro e janeiro levaram a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa-DF) e a Caesb a adotar a medida, autorizada desde novembro do ano passado.
Segundo a Caesb, o calendário do racionamento será em ciclo de seis dias: um dia com interrupção completa, dois dias de estabilização e três de fornecimento normal. Na fase de estabilização, a água retorna ao consumidor gradativamente. Para evitar riscos de rompimentos da tubulação, o fluxo da água é religado de forma gradual, até o completo preenchimento das redes. No sétimo dia, o corte de abastecimento é retomado.
As áreas afetadas serão Águas Claras, Candangolândia, Ceilândia, Gama, Guará, Núcleo Bandeirante, Park Way, Recanto das Emas, Riacho Fundo I e II, Santa Maria, Samambaia, Taguatinga e Vicente Pires.
Além da interrupção do fornecimento de água, moradores do DF terão a pressão da água reduzida a partir de 30 de janeiro, na região abastecida pelo reservatório de Santa Maria. De acordo com a Caesb, esse reservatório está com nível de água em torno de 40%. Portanto, não haverá rodízio no fornecimento de água no Plano Piloto, Cruzeiro, Sudoeste, Octogonal, Lago Sul, Lago Norte, Paranoá, Varjão, Itapoã e Jardim Botânico.
O governo do Distrito Federal também vai cobrar tarifa de contingência sobre a conta de consumo, estabelecer restrição de horários para captação de água por caminhões-pipa e divulgar orientações para estabelecimentos como lava jato. Todas como forma de amenizar e controlar a crise hídrica na região.
Impacto da redução da Selic e da inflação não será imediato, dizem analistas
Débora Brito - Repórter da Agência Brasil
O anúncio de que a inflação de 2016 se manteve abaixo do teto da meta e da redução, pelo Banco Central, da taxa Selic, de 13,75% para 13% ao ano, gerou certo alívio para os consumidores, que têm reclamado nos últimos meses da alta dos preços e da dificuldade de acesso ao crédito. No entanto, os reflexos das medidas econômicas no dia a dia das pessoas ainda devem levar um tempo para aparecer, segundo especialistas.
Em relação à queda da inflação, por exemplo, os consumidores afirmam que ainda não sentiram mudança expressiva nos preços. “Não teve diferença, os preços continuam altos, principalmente nos supermercados”, disse a aposentada Silvana Souza. O entregador Adonias Alves também ainda não notou diferença nos preços. “Para mim, aumentaram muito. Eu vou no mercado com o mesmo valor que ia antigamente e não consigo comprar tudo, está tudo bem mais caro”, comparou
“Quando vamos no mercado a diferença das coisas é muito grande, de uma semana pra outra já vê muita diferença”, acrescentou o gari Carlos Oliveira.
Consumidores dizem ainda não ter percebido efeito da inflação menor nos preços nos supermercadosArquivo/Agência Brasil
Segundo economistas e especialistas em direito do consumidor, a diferença entre o resultado técnico da queda da inflação e a percepção das pessoas se deve à forma como o índice é medida, entre outros fatores. “Os efeitos não são sentidos de imediato, porque o IPCA [Índice de Preços ao Consumidor Amplo, que mede a inflação oficial] considera o preço médio dos produtos e serviços. E para determinadas faixas de renda, o impacto dos preços de determinados produtos é maior”, explicou Newton Marques, economista do Conselho Regional de Economia e Professor da Universidade de Brasília (UnB).
A economista e pesquisadora do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) Ione Amorim acrescenta que, em geral, os preços foram mantidos dentro da meta, mas muitos produtos mantêm preços elevados devidos a fatores pontuais. “Tecnicamente, a queda existe, mas, na prática, vai demorar para o consumidor perceber essa redução. Individualmente, é possível que ainda encontremos produtos com preços mais altos que o da inflação, seja por problemas de safra, mudanças climáticas ou outro fator que leve à redução da oferta do produto”, ponderou.
Segundo Ione, apesar de favorável, ter a inflação abaixo do teto da meta é reflexo do cenário econômico atual, de recessão. “O elevado índice de desemprego e a redução do poder de compra do consumidor levam o mercado a reajustar seus preços.”
Tendência
Os economistas avaliam que o índice deve se manter estável enquanto perdurarem os efeitos da crise econômica. “O desemprego ainda não deu sinais de paralisação. E o empregado assalariado não tem tido aumento real no salário. Tem também os fatores macroeconômicos, como a taxa de câmbio, que interfere no custo de alguns produtos, como medicamentos. Então a inflação deve ficar estável, dentro das metas”, avaliou Ione Amorim.
“Enquanto tiver queda da atividade econômica e se não ocorrer nenhuma grande alteração de preços, principalmente nas áreas de alimentação, habitação e transporte, a inflação deve se manter estável”, acrescentou Marques.
Para contornar os preços altos nos supermercados, a orientação do Idec é que os consumidores observem os aumentos isolados e busquem alternativas. “É importante que o consumidor esteja atento aos preços. No caso dos alimentos, o que a gente sempre recomenda é substituir quando a gente está diante de um produto em queda de oferta.”, alerta Ione.
Saiba Mais
Juros
Sobre a redução da taxa básica de juros, os consumidores parecem estar mais otimistas. A aposentada Silvana Souza, por exemplo, considerou a mudança anunciada ontem pelo Banco Central positiva. “Se tiver mesmo a redução vai ser muito bom, vai ajudar bastante.”
Segundo o economista Newton Marques, a redução da Selic para 13% ao ano pode trazer resultados positivos para a economia do país. “A partir do momento em que há uma redução da taxa Selic, as demais taxas podem baixar também. O que significa que as pessoas devem gastar com juros um valor menor. Cria-se um ambiente otimista.”
Os órgãos de defesa do consumidor, contudo, estão cautelosos e alertam que os juros no país continuam altos e podem contribuir para o endividamento. “A redução dos juros traz uma contribuição não imediata, mas importante. Para que haja um efeito significativo vai levar um tempo expressivo. E, independente da redução, no Brasil as taxas estão entre as mais altas do mundo. Então, a redução [anunciada ontem] tem impacto tímido”, ponderou a economista do Idec.
O diretor do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça e Cidadania, André Luiz Lopes dos Santos, também considera que a redução da Selic não terá efeito significativo a curto prazo. “Isoladamente, a redução da taxa básica de juros significa pouco. É uma boa sinalização de cenários, mas é preciso esperar um pouco mais para vermos os reais efeitos disso sobre os custos repassados ao consumidor, pelo mercado, em especial pelos bancos, e pelo setor financeiro em geral”, afirmou.
Inadimplência e planejamento
Para quem está endividado e tem empréstimos em aberto, os especialistas esclarecem que as taxas permanecem as mesmas do momento em que os contratos dos empréstimos ou acordos foram firmados, ou seja, não sofrerão redução como reflexo da queda da Selic.
A economista do Idec destacou que o consumidor brasileiro vem de um processo de endividamento que se acumula há anos e que, para sair das dívidas, está sempre se sustentando no crédito. Para quem se encontra nessa situação, a orientação é ter prudência ao tentar renegociar as dívidas, segundo Ione. “Se for refinanciar dívida, o consumidor deve observar as taxas oferecidas pelos bancos e a partir daí trocar a dívida cara por uma mais barata.”
Para o economista Newton Marques, a redução da taxa básica de juros, apesar de positiva, não terá efeito imediato sobre os índices de inadimplência dos brasileiros. “Para inadimplência, o fator determinante é o desemprego e a perda de renda. Enquanto continuar o nível de desemprego, continua a inadimplência. E as pessoas não podem achar que com a redução podem ficar consumindo sem planejamento financeiro. O consumidor tem que aprender a diferenciar o consumo compulsivo, supérfluo, do consumo necessário.”
Órgãos de defesa do consumidor recomendam cautela nas compras
Na plataforma de defesa do consumidor da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), as demandas que envolvem os temas renegociação de dívidas e dúvidas/contestações sobre cálculo de juros/saldo devedor representam cerca de 7% dos registros em 2016.
Para evitar o endividamento, o ministério orienta que o consumidor reflita antes de comprar e, se possível, compre à vista, além de ficar atento, em caso de necessidade de parcelamento, para o chamado Custo Efetivo Total (CET) da operação de crédito.
“Mesmo que a redução da taxa básica traga reduções para as taxas de juros cobradas do consumidor, e deverão trazer, em alguma medida, elas continuarão elevadas e, diante disso, é preciso tomar muito cuidado antes de assumir compromissos financeiros em decorrência do consumo”, alertou o diretor André Santos.