Maioria dos pacotes de serviços de bancos sobe mais do que a inflação

por FILIPE OLIVEIRA

Com lucro em baixa, os bancos estão cobrando mais dos correntistas pelos seus serviços. Levantamento da Proteste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor) mostra que, entre 119 pacotes de serviços, 75 tiveram aumento desde janeiro deste ano –a maior parte (67) subiu acima da inflação desde o reajuste anterior.
A Proteste analisou cestas de Bradesco, Caixa, BB, Itaú, Santander, Banrisul, HSBC e Citibank (os dois últimos não fizeram nenhum reajuste nas 19 cestas analisadas).
Procurados, os bancos dizem que a alta de tarifas é consequência da inflação e do aumento de custos operacionais. Também disseram que as tarifas são competitivas com o que é oferecido no mercado.
O maior aumento foi de 50,87%, no pacote Bom pra Todos Pleno, do Banco do Brasil e hoje fechado para novas adesões. A cesta de serviços custa R$ 60,95 ao mês.
A cesta mais cara é a Select Unique (para clientes de alta renda), do Santander, que tem custo mensal de R$ 99.
Cada um desses pacotes oferece uma quantidade diferente de serviços que podem ser utilizados sem custo adicional, entre eles saques em caixas eletrônicos e emissão de cheques.
A retração na oferta de crédito fez com que os bancos buscassem fontes alternativas de receita para diminuir o impacto da crise econômica do país em seus lucros.
E para Gilberto Braga, professor de finanças do Ibmec/RJ, eles levam vantagem no reajuste durante a crise.
Nesse período, muitos consumidores optam por manter o pacote mesmo que ele esteja mais caro. É uma espécie de estratégia para manter o bom relacionamento com o gerente de conta. Assim, o cliente tenta barganhar condições mais favoráveis para empréstimos, como taxas de juros menores e prazos mais longos para pagamento.
"O consumidor que precisa do banco faz a conta e pensa que o aumento é tolerável, se for revertido em outros produtos com condições melhores."

DESCONHECIMENTO
Mas, na prática, grande parte dos clientes não sabe quanto paga para ter conta-corrente em banco. Levantamento da empresa de pesquisas MeSeems feito neste mês pela internet com 800 consumidores das classes A, B e C indicou que 49% deles dizem estar nessa situação.
Dentre os que disseram conhecer o valor pago mensalmente, 25% afirmam ser isentos de qualquer tarifa.
Entre os que responderam à pesquisa, 29% disseram não saber os serviços que estão inclusos em seu pacote.
Renata Pedro, técnica da Proteste, afirma que a cobrança pelos pacotes de serviço deve vir discriminada no extrato da conta. Mas, caso o consumidor tenha dúvidas, deve pedir esclarecimentos ao seu gerente.
Ela lembra que o consumidor não é obrigado a pagar por um pacote para sua conta-corrente.
O Banco Central obriga que os bancos ofereçam o pacote de serviços essenciais de forma gratuita. Ele inclui um cartão de débito, quatro saques mensais, duas transferências por mês para contas no mesmo banco e consultas de saldo pela internet.
OUTRO LADO
Os bancos afirmam que o aumento de tarifas é consequência da inflação e da alta de custos operacionais. As instituições financeiras também dizem que as tarifas praticadas são competitivas com o que é oferecido no mercado.
O Banco do Brasil informou pautar sua política de tarifas de acordo com as normas do Banco Central. A instituição afirma monitorar constantemente os movimentos do mercado, para que suas tarifas estejam sempre entre as mais competitivas.
A Caixa Econômica Federal disse oferecer cestas de serviços que se enquadram entre as de melhor relação custo-benefício do mercado e que seus valores permanecem competitivos na comparação com os praticados pelos demais bancos.
Também disse que aumentos são necessários ao longo do tempo para suportar os custos na melhoria de produtos e serviços e na expansão dos canais de atendimento.
A instituição também informou que a cesta Simples foi a mais impactada pelo último reajuste por estar sendo descontinuada pelo banco, o que leva a um maior custo de manutenção.
Segundo o Bradesco, o ajuste de alguns itens da tabela teve como objetivo alinhar os valores aos seus custos operacionais.
CUSTO-BENEFÍCIO
O Itaú Unibanco disse que busca manter a melhor relação custo-benefício para o cliente, mantendo preços competitivos e serviços de boa qualidade.
De acordo com o Santander, os reajustes nas tarifas dos pacotes de serviços mencionados no levantamento da Proteste visaram acompanhar a inflação dos últimos 12 meses.
O Banrisul informou que o pacote Padronizado 3, que teve o maior ajuste do banco neste ano, não havia sido reajustado desde a sua implementação, em julho de 2013.
TIRE SUAS DÚVIDAS
1. O banco pode subir a tarifa?
Sim, mas o cliente precisa ser avisado com pelo menos um mês de antecedência
2. Não quero pagar mais, o que posso fazer?
O cliente pode pesquisar os outros pacotes do banco. Ele também pode escolher por migrar de banco em busca de serviços mais baratos
3. Existe uma conta sem tarifa?
Sim. O BC obriga os bancos a oferecer o pacote de serviços essenciais, sem custo. É possível, ainda, contratar as contas eletrônicas dos bancos. Os serviços digitais são gratuitos, mas, se o cliente precisar de atendimento presencial, pagará tarifa avulsa
Fonte: Folha Online - 06/06/2016 e Endividado

É CADA VEZ MAIOR NÚMERO DE LOJAS DE RUA E SALAS COMERCIAIS VAZIAS!

(Estado de S.Paulo, 05) 1. Com crise, é cada vez maior número de lojas de rua e de salas comerciais vazias
A crise derrubou no último ano o aluguel de imóveis comerciais e o preço de compra e venda na cidade de São Paulo. Apesar da queda, a quantidade de lojas e escritórios vazios continua em níveis recordes. Esse quadro é visível para quem percorre as principais vias de comércio da capital paulista e se depara com inúmeras placas de aluga-se ou vende-se.
2. Um indicador inédito, apurado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas(Fipe) em parceria com a Zap, mostra que, em 12 meses até maio, o valor pedido pelo metro quadrado do aluguel de salas comerciais caiu 9,1%. Para compra e venda, o recuo foi de 2,6%. Se for considerada a inflação do período, a queda no aluguel passa de 19% e para venda, vai a 12,5%. “Com dois anos seguidos de queda do PIB, é natural que as empresas fechem as portas e que haja um excesso de oferta de imóveis para locação e venda”, diz o coordenador da pesquisa, Eduardo Zylberstajn.
3. Mesmo com esse recuo de preços, a quantidade de imóveis comerciais vagos se mantém em níveis elevados e aparece nos índices de vacância. No primeiro trimestre deste ano, 25,9% dos escritórios de alto padrão destinados a locação estavam vagos na cidade de São Paulo, segundo a Cushman & Wakefield, empresa especializada em administração desses imóveis. “Esse indicador é um dos mais elevados dos últimos dez anos”, afirma André Germanos, executivo associado de mercado de capitais da Cushman.
4. Apesar da menor oferta de novos escritórios, ele não acredita em recuos significativos nos índices de vacância de escritórios neste ano e no próximo. O quadro é semelhante no caso das lojas de rua. Marcos Hirai, sócio-diretor da GS&BGH, calcula que entre 13% e 15% das lojas estejam vagas. “Esse índice é gritante. De um ano para cá, o quadro piorou e se estendeu para outros setores.” Um ano depois de ter percorrido os principais corredores comerciais de São Paulo, o Estado voltou na semana passada aos seis imóveis vagos visitados na época. Apenas dois estão alugados e por um preço menor do que o pedido inicialmente.

 

Ex-Blog do Cesar Maia

ELEIÇÕES DE VEREADORES COMO PREDITORES DAS ELEIÇÕES DE DEPUTADOS FEDERAIS E, ASSIM, DA DINÂMICA POLÍTICA!

1. Um estudo realizado, anos atrás, pelo cientista político Jairo Nicolau –IPERJ-RIO- analisou as correlações entre as diversas eleições – vereadores, prefeitos, deputados estaduais, deputados federais, senadores, governadores e presidentes da república. Basicamente, o resultado de suas investigações mostrou que a única correlação significativa é entre as eleições de vereadores e de deputados federais, tendo as eleições de vereadores como preditores das de deputados federais.
2. Ou seja, as eleições de vereadores num ano influenciam as eleições de deputados federais dois anos depois, etc. Fazendo uma leitura em diagonal em grandes cidades e em várias eleições, se pode verificar que isso é certo quando se trata de vetores político-partidários.
3. Ou seja, mesmo num quadro pluripartidário inorgânico como o nosso, quando se faz essa avaliação usando as forças políticas mais expressivas, vale dizer –PMDB, PT/PCdB, PSDB, DEM, PSB, PP, PDT, PSOL- esta tendência se confirma. A inexistente correlação com as eleições majoritárias de presidente e governador se explica pelo caráter personalista dessas eleições e no caso das eleições para prefeito as eleições são simultâneas às de vereador e podem até afetar as de vereadores.
4. Esta tendência é ainda mais nítida quando as eleições ocorrem em momentos de mudança. Então ficam mais claras as eleições de vereadores como preditores das eleições de deputados federais. Afetando, em especial, os vetores políticos mais significativos, e sendo esses aglutinadores de maiorias parlamentares, as eleições de vereadores, mesmo que indiretamente, terminam afetando a composição seguinte da câmara de deputados.
5. Na Cidade do Rio de Janeiro essa correlação ficou nítida nas eleições pós-constituinte. Uma curva com os vereadores eleitos pelos partidos mais expressivos e menos inorgânicos mostra isso claramente. Os pontos descendentes das curvas numa eleição de vereadores vão corresponder aos mesmos pontos descendentes na eleição seguinte de deputados federais.
6. E havendo estabilidade neste novo quadro, essa situação é reforçada tanto para vereadores como para deputados federais. No caso das eleições de vereadores e deputados federais, em relação às de governador e presidente, essa não é uma boa notícia para novos partidos com novas lideranças expressivas como a REDE. Pelo menos durante um ciclo.
7. No Rio, desde 2008, estes movimentos não deixam margens a dúvidas. As curvas do PSDB-DEM, do PSOL, do PT/PCdoB, do PDT, do PMDB, do PP, e do PSB, mostram isso claramente.  A janela aberta agora em 2016 e a migração entre partidos de deputados federais, mostrou que –mesmo por intuição- há essa expectativa nos deputados federais com as eleições de vereadores.
8. Deve-se incluir nesta análise a migração de vereadores em direção ao partido do prefeito eleito por outro partido. Estes devem ser excluídos dos vereadores preditores num pleito, das eleições de deputados federais, no próximo pleito.

 

Ex-Blog do Cesar Maia