Mostrando postagens com marcador Situação da Iesa assusta Charqueadas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Situação da Iesa assusta Charqueadas. Mostrar todas as postagens

Situação da Iesa assusta Charqueadas

Cerca de mil funcionários devem ser demitidos na próxima segunda-feira
Situação da Iesa assusta Charqueadas | Foto: André Ávila
Situação da Iesa assusta Charqueadas | Foto: André Ávila
Desde que a Petrobras rescindiu o contrato com a Iesa Óleo e Gás nesta terça-feira, lideranças de Charqueadas tentam reverter o quadro de prejuízos provocados pela paralisação da empresa, mas não devem conseguir evitar a demissão de 1 mil funcionários prevista para segunda-feira. Conforme o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da cidade, Jorge Luiz Silveira de Carvalho, o fechamento das vagas está confirmado. “A comunicação com a empresa não existe”, afirmou, lamentando que outros 3,5 mil empregos indiretos também serão afetados. “É trágico e muito grave, porque gera um impacto social na região”, destacou. 

A Iesa tinha um contrato de 800 milhões de dólares para a construção de 16 módulos para plataformas de petróleo na fábrica em Charqueadas. Os problemas financeiros começaram no ano passado, quando a planta foi instalada. Desde lá, ocorrem atrasos na entrega, além de problemas no pagamento de funcionários e fornecedores.

Nesta quarta, um grupo de trabalhadores se reuniu na sede da entidade para discutir formas de pressionar a Iesa a pagar os direitos trabalhistas. “Vamos entrar com uma ação na Justiça e fazer uma manifestação na segunda-feira”, observou Carvalho. Ele não sabe calcular quanto os trabalhadores têm a receber. “Havia disparidade de salários, de R$ 1 mil a 30 mil”, salientou.

O prefeito de Charqueadas Davi Gilmar Souza foi a Brasília junto com uma comitiva para pedir uma solução ao governo federal. Uma das sugestões levadas ao vice-presidente Michel Temer foi a substituição da Iesa por outra empresa da região. 

Conforme o diretor administrativo do sindicato da categoria, Daltro Medeiros, 60% dos trabalhadores eram de Charqueadas e os demais, de outras cidades e estados. “Muita gente havia saído do município e retornou pensando ser uma boa oportunidade”, disse. Esse foi o caso do caldeireiro Saulo Prates Lopes, 38 anos. Ele atuava no Polo Petroquímico de Triunfo e voltou à cidade natal para integrar a equipe da Iesa em Charqueadas. “Voltei com a promessa de que seria bom para trabalhar, mas desde que comecei há oito meses, o salário é pago com atraso”, disse. Ele relatou que a empresa não comunicou o sobre demissões. “Soube pelos jornais. Fui até lá, mas não tem ninguém, só o segurança. Agora quem dará baixa na minha carteira para procurar outro trabalho?”, questionou. 

Drama de trabalhadores migrantes

As pessoas que são de outros Estados estão com aluguel atrasado e boa parte não tem dinheiro para voltar. “Vou depender da ajuda da minha família”, declarou o soldador Adriano Alcantara, 31 anos. Ele saiu de Salvador com a noiva há quatro meses para tentar a vida no Rio Grande do Sul. “Ela largou um concurso da Polícia Militar para me acompanhar, mas não valeu a pena”, avaliou.

O também soldador Darlei Flávio Pereira, 35, trouxe a família de São Paulo e matriculou o filho de 5 anos na escola pensando em permanecer no Estado. “O aluguel é R$ 700,00. Não tenho como ir embora”, destacou. 

Iesa se diz surpreendida

A IESA Óleo & Gás informou, em nota, no final da tarde, que foi surpreendida com a carta da TUPI BV, enviada em 17 de novembro do ano passado, sobre notificação de rescisão do contrato celebrado entre a IESA Óleo & Gás e a TUPI BV (BG, Petrobras e Petrogal) para fornecimento do Pacote III de Módulos para FPSOs Replicantes. “Tal decisão surpreendeu, pois a IESA O&G vinha mantendo negociações com a TUPI BV para a entrada de parceiros para dar continuidade ao serviço e colaborar com a recuperação do equilíbrio financeiro do contrato”, diz a nota. O corpo jurídico da empresa está analisando o processo e tomará as medidas cabíveis ao caso.