Justiça torna réus PM e esposa por triplo homicídio da família Aguiar em Cachoeirinha

 


O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) apresentou uma denúncia que altera significativamente os rumos da investigação sobre o desaparecimento e morte de Silvana Germann de Aguiar e de seus pais, Isail e Dalmira Aguiar. Ao contrário do inquérito da Polícia Civil, que não havia indiciado Milena Ruppenthal Domingues por assassinato, o promotor Caio Isola de Aro incluiu a atual esposa do policial militar Cristiano Domingues Francisco como peça-chave nos crimes. Para o MP, embora não tenha executado o ato material, Milena teve participação imprescindível, sendo acusada de manipular inteligência artificial para emboscar as vítimas e de conduzir o enteado de nove anos ao local para facilitar o ataque contra Silvana.

A denúncia, já aceita pelo juiz Márcio Luciano Rossi Barbieri Homem, da 1ª Vara Criminal, reclassificou as mortes para duplo feminicídio (no caso de Silvana e Dalmira) e homicídio qualificado (Isail), endurecendo as possíveis punições. O PM Cristiano permanece preso preventivamente, enquanto Milena e o irmão do policial, Wagner Domingues Francisco, responderão ao processo em liberdade. Wagner é réu por ocultação de cadáver, fraude processual e associação criminosa. Por outro lado, três pessoas que haviam sido indiciadas pela Polícia Civil — Paulo da Silva, Ivone Ruppenthal e Maria Rosane Francisco — foram excluídas da denúncia principal por falta de elementos suficientes para a acusação de crimes graves.

As defesas dos réus rebatem as acusações de forma enfática. O advogado de Cristiano afirma que seu cliente nega qualquer envolvimento no sumiço da família Aguiar. A defesa de Wagner critica a divulgação de versões unilaterais e alega que ainda não teve acesso à integralidade dos dados mencionados pelo Ministério Público. Já a representante de Milena e dos demais familiares inicialmente indiciados sustenta a inocência de seus clientes e aponta a existência de supostas irregularidades e abusos cometidos durante a fase de investigação policial, garantindo que a fragilidade dos indícios será demonstrada durante o processo judicial.

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