O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira, o relatório que recomenda a suspensão do mandato dos deputados Marcel van Hattem (Novo-RS), Marcos Pollon (PL-MS) e Zé Trovão (PL-SC) por um período de dois meses. A acusação de quebra de decoro parlamentar está ligada a um episódio ocorrido em agosto de 2025, quando parlamentares da oposição obstruíram fisicamente os trabalhos do Plenário e impediram o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), de iniciar a sessão em protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A votação no colegiado ocorreu de forma individual, após um requerimento de Van Hattem aceito pelo presidente do conselho, Fabio Schiochet (União-SC). Em sua defesa, o deputado gaúcho classificou a decisão como uma "perseguição política" e afirmou que não existem provas regimentais de sua participação direta na ocupação da Mesa Diretora, alegando que o pedido de suspensão configura censura à oposição. Os três parlamentares compararam o processo que enfrentam às condenações do 8 de janeiro, sustentando que as medidas carecem de base jurídica e individualização de condutas.
Por outro lado, parlamentares favoráveis à punição, como a deputada Maria do Rosário (PT-RS), defenderam que a medida é necessária para garantir a continuidade institucional e impedir que o funcionamento do Legislativo seja cerceado por atos de força. Para os defensores da suspensão, o motim de 2025 feriu a dignidade da Câmara e o livre exercício da atividade parlamentar. Após a aprovação no Conselho de Ética, o caso segue agora para o Plenário da Câmara dos Deputados, que terá a palavra final sobre a aplicação das sanções.
Lula e Trump buscam acordo estratégico em Washington para combater o crime organizado transnacional
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca para os Estados Unidos nesta semana para um encontro de alto nível com Donald Trump, agendado para quinta-feira (7), em Washington. Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, a reunião será marcada por uma agenda aberta e pragmática, tendo como um dos pontos centrais a proposta de um novo acordo bilateral para o combate a organizações criminosas transnacionais. O objetivo é intensificar parcerias em inteligência e investigação para o controle do tráfico de drogas, armas e combustíveis, além do monitoramento de fluxos financeiros ilícitos.
A aproximação ocorre após meses de negociações e a consolidação do projeto MIT (Mutual Interdiction Team), que integra a Receita Federal e a Polícia Federal do Brasil com a agência de fronteiras norte-americana (CBP). A iniciativa visa o compartilhamento de informações em tempo real para interceptar cargas ilícitas. Embora o governo brasileiro rejeite a classificação de facções como o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas — medida sinalizada pela gestão Trump —, ambos os países buscam um terreno comum para operações conjuntas de segurança e repressão ao crime organizado que atua entre os dois territórios.
Além da segurança pública, Alckmin destacou que Lula levará temas econômicos e regulatórios para a mesa, incluindo discussões sobre terras raras, data centers, políticas tarifárias e a regulação de big techs. O governo brasileiro pretende atrair mais investimentos dos EUA no setor tecnológico, enquanto defende medidas nacionais como o ECA Digital para a proteção de famílias no ambiente virtual. Para o vice-presidente, o encontro representa uma oportunidade histórica de alinhamento estratégico entre as duas maiores democracias e economias das Américas.


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