A comunista Jeannette Jara, candidata da ampla coalizão de centro-esquerda Apruebo Dignidad, e o ultradireitista José Antonio Kast, do Partido Republicano, irão ao segundo turno das eleições presidenciais do Chile, marcado para 14 de dezembro. Com quase 53% das urnas apuradas na noite deste domingo (16), Jara liderava por margem inferior a 3 pontos percentuais.O presidente Gabriel Boric (Frente Ampla) reconheceu rapidamente o resultado: “Parabenizo Jeannette Jara e José Antonio Kast pela classificação ao segundo turno”.Em terceiro lugar apareceu a surpresa da noite: o economista populista Franco Parisi (Partido de la Gente), que superou o ultraliberal Johannes Kaiser, apontado pelas pesquisas como possível terceiro colocado.Segurança dominou a campanhaPela primeira vez desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), o Chile pode eleger um presidente de extrema direita. A campanha foi inteiramente dominada pelo medo e pela percepção de insegurança, tema que a maioria da população associa à imigração irregular e à entrada do crime organizado.Apesar de o Chile ainda ser um dos países mais seguros da América Latina, os indicadores pioraram significativamente:
- Taxa de homicídios subiu 140% na última década (de 2,5 para 6 por 100.000 habitantes em 2024);
- Sequestros saltaram 76% entre 2021 e 2024, chegando a 868 casos no ano passado.
- Jeannette Jara (51), ex-ministra do Trabalho de Boric, foi obrigada a colocar a segurança no centro de sua campanha, relegando programas sociais ao segundo plano. Defende combate ao crime organizado com medidas como o fim do sigilo bancário para atacar as finanças das máfias, mas critica adversários por “exacerbar o medo”. “Para governar é preciso diálogo e capacidade de acordar”, afirmou neste domingo.
- José Antonio Kast promete deportação em massa de imigrantes irregulares, endurecimento penal e confronto direto com as gangues, propostas que ganharam enorme tração entre eleitores cansados da violência.
AFP e Correio do Povo

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