quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Rússia bombardeia Kiev e outras grandes cidades da Ucrânia

 Movimento ocorre após humilhante retirada das forças de Moscou no Sul do país invadido

A Rússia disparou uma série de mísseis contra Kiev e outras cidades ucranianas nesta terça-feira, deixando metade da população da capital sem energia, poucos dias depois da humilhante retirada das forças de Moscou do Sul do país. Segundo o exército ucraniano, a Rússia lançou uma centena de mísseis, "do Mar Cáspio", da "região (russa) de Rostov" e "do Mar Negro", principalmente "contra infraestruturas energéticas".

A presidência ucraniana afirmou que a situação da rede elétrica em todo o país é "crítica". Em Kiev, os ataques deixaram pelo menos um morto e privaram "metade" dos habitantes de eletricidade, disse o prefeito, Vitali Klitschko, no Telegram. Sirenes antiaéreas soaram em toda a Ucrânia pouco antes das 15h30min (10h30min em Brasília). Minutos depois, explosões foram ouvidas em Kiev, Lviv (oeste) e Kharkiv (nordeste).

Um funcionário da administração presidencial ucraniana divulgou um vídeo mostrando um prédio de cinco andares em chamas. No nordeste, houve "um ataque com mísseis no distrito Industrialniy de Kharkiv", disse Igor Terekhov, prefeito da segunda maior cidade da Ucrânia.

No oeste, explosões foram ouvidas em Lviv. "Que todos fiquem seguros", pediu o prefeito, Andriy Sadovi, no Telegram, acrescentando que "parte da cidade (estava) sem eletricidade". Os últimos bombardeios contra a capital ucraniana datam de 10 e 17 de outubro e tiveram como alvo a infraestrutura de energia no início do inverno. O Kremlin alegou então que se tratava de uma retaliação pela destruição parcial da ponte que ligava a Rússia à península da Crimeia, anexada por Moscou em 2014.

Retirada russa

Estes ataques ocorreram quatro dias após a humilhante retirada das forças russas da região de Kherson, incluindo a capital regional de mesmo nome, após quase nove meses de ocupação. O Kremlin foi forçado a se retirar por uma contraofensiva ucraniana, apoiada pelo fornecimento de armas ocidentais.

A Rússia já teve que se retirar do norte do país há alguns meses e depois do nordeste, em setembro. Após a libertação de Kherson, na margem ocidental do Dnieper, a contraofensiva concentrou os seus ataques em Nova Kakhovka, na margem oriental, com fogo de "artilharia pesada e morteiros", segundo a administração da ocupação russa. "A vida na cidade tornou-se perigosa", acrescentou, assegurando que "milhares" de residentes partiram.


AFP e Correio do Povo

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