Jogo questiona se quem está no comando não passa de uma peça no tabuleiro
Em termos históricos, o gênero roguelike remonta aos anos 1980, quando os videogames eram bem diferentes do que se vê hoje em dia. No entanto, a partir do final da década dos anos 2000, o estilo experimentou uma curva ascendente que parece ter se estabilizado no alto até agora.
Para quem é menos afeito ao universo gamer, trata-se de jogos em que paciência e insistência são essenciais, porque, sim, o jogador vai morrer inúmeras vezes – e isso faz parte da jornada de aprendizado, já que o cenário muda com constância e é preciso tempo para identificar o padrão dos inimigos. No entanto, a cada jogada vencida, seu personagem volta mais forte para enfrentar desafios maiores. Agora, uma empresa brasileira promete inovar no gênero com Bravo Gaspar, feito em parceria entre o influenciador e streamer Max Palaro e a Epopeia Games.
"O show é o jogo”
A ideia da união de forças entre as partes não era nova, mas faltava um aspecto essencial: dinheiro. A verba, contudo, foi viabilizada por meio da Lei Paulo Gustavo, que investe no setor cultural. A partir daí, o processo de criação acelerou. Primeiro com a história, centrada em Gaspar, um personagem que já foi rico, mas perdeu tudo e hoje depende da energia que suga da alegria alheia. E aí começa a inovação: para que as pessoas se alegrem, é preciso entretê-las. E este é o centro de tudo. “O show é o jogo”, adianta Gustavo Silveira, diretor de arte da Epopeia.
A missão de quem está do lado de cá é comandar um boneco que vai enfrentar diferentes tabuleiros. A cada rodada, novos desafios e ferramentas para agradar a audiência – “cada run é um novo tabuleiro”, lembra o diretor de arte. Se o público não ficar satisfeito, contudo, a morte é o destino. Ou talvez mais que isso, já que o game levanta questões ainda mais intrigantes, e daí vem o segundo ponto inovador. “Em dado momento, o jogo é dúbio de propósito. Você vai se perguntar se é o protagonista ou apenas mais uma peça no tabuleiro”, aponta Silveira.
Cultura brasileira está presente
Assim como Gaucho and the Grassland, outro jogo da Epopeia, Bravo Gaspar também bebe direto da fonte da cultura brasileira. A certa altura, por exemplo, o poder de atrair um inimigo no tabuleiro virá de um tamanduá. Quem foi criança nas décadas de 1980 e 1990 também vai identificar muitos dos brinquedos na carroça de Gaspar. Ainda assim, Silveira explica que a equipe sempre teve em mente deixar essas características do país ao mesmo tempo que o jogo mantém uma aura internacional, que o viabilize comercialmente no exterior.
Anunciado oficialmente há um mês, Bravo Gaspar já conta com mais de cinco mil sinalizações de wishlist na plataforma Steam. A previsão de lançamento para o ano que vem é no PC, mas outras plataformas como os consoles também estão no horizonte na sequência.
MULLET MADJACK CHEGA AO SWITCH
Se para jogar Bravo Gaspar ainda é preciso esperar alguns, outro jogo comemora dois anos com novidades. Mullet Madjack, criado pela Hammer95 e que tem a Epopeia como publisher, foi lançado em maio de 2024, já estava disponível para PCs e a linha XBox. Agora, também chega ao Switch.
Com ótimas avaliações por parte do público e crítica – supera os 95% na Steam e chega a 88 no Metacritic –, o jogo de tiro em primeira pessoa – e em ritmo frenético – está ao alcance dos jogadores da plataforma da Nintendo em sua versão mais robusta, já que vem com as atualizações lançadas ao longo dos últimos dois anos. No caso do Switch, inclusive já chega com a funcionalidade do suporte ao giroscópio, que possibilita mirar nos inimigos apenas movendo os controles do console.
Novo jogo está em desenvolvimento
O tempo entre o lançamento e a chegada ao Switch em parte se deve a desenvolver a versão para uma plataforma diferente. Mas também faz parte de uma estratégia de mercado. “É uma coisa que vários games independentes fazem, que é tentar separar os lançamentos mesmo, para reavivar o hype do jogo”, conta Alessandro Martinello, desenvolvedor e dono da Hammer 95.
Após tanto sucesso, a demanda por algo novo da empresa era de se esperar. E os fãs não devem se decepcionar. “Não posso falar muito, mas estamos conversando e vendo o próximo passo. Descobrimos o que o povo gostou e agora veremos como puxar esse formato de jogo rápido FPS em um novo nível”, diz Martinello, revelando que já existe uma demo. O desenvolvedor também aponta que há sim planos para o jogo ser lançado também para o Playstation 5: “A ideia é lançar sim. Só não sabemos ainda quando e como”.
Correio do Povo






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