Governo permite que servidores comissionados imponham sigilo ultrassecreto a dados públicos | Clic Noticias

Mudança em regulamento da Lei de Acesso à Informação foi assinada por Hamilton Mourão. Antes, somente chefes do Executivo e membros das Forças Armadas podiam fazer esse tipo de classificação.

Por G1 — Brasília


Decreto permite a comissionados determinar sigilo a dados públicos
Um decreto publicado nesta quinta-feira (24), no “Diário Oficial da União”, permite que servidores comissionados e dirigentes de fundações, autarquias e empresas públicas imponham sigilo ultrassecreto a dados públicos. O texto, assinado pelo presidente da República em exercício, Hamilton Mourão, altera as regras de aplicação da Lei de Acesso à Informação (LAI).
Antes, essa classificação dos documentos só podia ser feita pelo presidente e vice-presidente da República, ministros de Estado e autoridades equivalentes, além dos comandantes das Forças Armadas e chefes de missões diplomáticas no exterior.
A LAI, que entrou em vigor em 2012, criou mecanismos que possibilitam a qualquer pessoa (física ou jurídica) o acesso às informações públicas dos órgãos e entidades, sem necessidade de apresentar motivo.
Informações classificadas como ultrassecretas podem se tornar públicas após 25 anos. Trata-se do grau máximo de sigilo. Além deste, há o grau secreto, que impõe 15 anos de sigilo, e o reservado, que protege a informação por 5 anos. Os demais documentos, sem nenhuma dessas classificações, devem ser disponibilizados ao público (veja, abaixo, o que dizia a regra anterior e o que diz a atual).
Os servidores comissionados que poderão gerenciar o carimbo do sigilo “ultrassecreto” são os DAS (Direção e Assessoramento Superiores) 101.6 e a classificação “secreto” os 101.5, com salários de R$ 16.944,90 e R$ 13.623,39, respectivamente.
Segundo o Ministério da Economia, até dezembro de 2018, o governo tinha 1.082 comissionados de DAS 5 e 206 de DAS 6. Dezembro é o último dado disponível, conforme a pasta.

Conflito com a LAI

No final da tarde desta quinta, um técnico da Subchefia para Assuntos Jurídicos (SAJ) da Casa Civil explicou que a mudança foi feita porque a redação anterior do decreto que regulamentou a Lei de Acesso à Informação proibia a possibilidade de delegar para comissionados a classificação de informações ultrassecretas ou secretas.
“§ 1o É vedada a delegação da competência de classificação nos graus de sigilo ultrassecreto ou secreto”, determinava o inciso primeiro do artigo 30 do decreto de 2012.
De acordo com o departamento jurídico da Casa Civil, esse item do decreto anterior estava em desacordo com trecho da Lei de Acesso à Informação:
“§ 1o A competência prevista nos incisos I e II, no que se refere à classificação como ultrassecreta e secreta, poderá ser delegada pela autoridade responsável a agente público, inclusive em missão no exterior, vedada a subdelegação”.
A Subchefia para Assuntos Jurídicos alega que o texto publicado nesta quinta-feira solucionou o conflito que existia entre as duas normas. No entanto, prevalecia o teor do decreto de 2012, que não permitia que essa decisão fosse delegada por altas autoridades.
O órgão da Casa Civil afirmou que as autoridades vão precisar formalizar a escolha dos comissionados que poderão classificar informações por meio de uma portaria. “O decreto não disse que todos o DAS 5 e DAS 6 vão poder classificar informação”, explicou o departamento jurídico da pasta.
Porém, o decreto desta quinta-feira não menciona literalmente a exigência de publicação de portaria.

‘Diminui a burocracia’

O vice-presidente Hamilton Mourão, que está no exercício da Presidência, afirmou nesta quinta-feira (24) que o decreto “diminui a burocracia” para “desqualificar” documentos sigilosos.
Segundo Mourão, a “transparência está mantida” e são “raríssimas” as informações no Brasil consideradas ultrassecretas.
“A transparência está mantida. E as coisas aqui no Brasil são raríssimas as que são ultrassecretas, normalmente são planos militares, alguns documentos do Itamaraty, alguns acordos firmados, são muito pouca coisa”, declarou.

Crítica

Membro do Conselho de Transparência Pública e Combate à Corrupção da CGU, Manoel Galdino diz que o assunto não foi discutido na última reunião do conselho, em dezembro, com a presença do ministro Wagner Rosário – ele não assina o decreto.
“Pegou a gente de surpresa. Precisamos pedir esclarecimentos ao governo de quais são as razões. É problemático que uma medida de alteração do que é sigiloso seja feita sem discutir com a sociedade civil. Eles não tiveram transparência para alterar um decreto justamente sobre o tema”, diz.
De acordo com a ata da reunião, Wagner Rosário, que foi mantido no comando da CGU pelo presidente Jair Bolsonaro, disse que seriam propostas algumas mudanças na Lei de Acesso à Informação, mas “nada que retire direitos”. “São somente alguns prazos de recurso, e alguns outros detalhes, que serão apresentados na próxima reunião (do conselho, marcada para março)”, segundo o resumo da declaração dele.
Galdino, que também é diretor-executivo da Transparência Brasil, avalia que o decreto do governo Bolsonaro pode aumentar o volume de informações classificadas como secretas e ultrassecretas.
Por outro lado, mais pessoas poderão ter acesso a informações que eventualmente precisem ser classificadas secretas e ultrassecretas. “[Isso] tem uma implicação de gestão dos riscos do governo.”
Alterar a classificação de sigilo esbarra na falta de conhecimento da Lei, avalia Joara Marchezini, coordenadora do programa de Acesso à Informação da ARTIGO 19.
“Nem todos os servidores tiveram treinamento nem estão capacitados, não entendem o prejuízo de guardar uma informação por tanto tempo. Nesse contexto, é prejudicial por não haver capacidade técnica, é uma análise difícil de ser feita”, diz.
A ONG aponta incoerência jurídica entre o decreto assinado nesta quinta e o texto da Lei de Acesso à Informação. “O Artigo 27 da LAI limita expressamente a que ocupantes de cargos comissionados classifiquem sigilo no grau reservado. O decreto muda isso. Além disso, o cargo comissionado é de confiança e temporário, a pessoa não está no cargo há muito tempo e não tem conhecimento da Lei. Por isso, ela pode fazer mal uso do sigilo, por falta de informação ou mesmo má fé”, explica Marchezini.

Como era e como ficou

Entenda de quem era competência da classificação de informações sigilosas e quais foram as mudanças decretadas por Mourão.
ANTES DO NOVO DECRETO
Art. 30. A classificação de informação é de competência:
I – no grau ultrassecreto, das seguintes autoridades:
a) Presidente da República;
b) Vice-Presidente da República;
c) Ministros de Estado e autoridades com as mesmas prerrogativas;
d) Comandantes da Marinha, do Exército, da Aeronáutica; e
e) Chefes de Missões Diplomáticas e Consulares permanentes no exterior;
II – no grau secreto, das autoridades referidas no inciso I do caput, dos titulares de autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista; e
III – no grau reservado, das autoridades referidas nos incisos I e II do caput e das que exerçam funções de direção, comando ou chefia do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores – DAS, nível DAS 101.5 ou superior, e seus equivalentes.
§ 1º É vedada a delegação da competência de classificação nos graus de sigilo ultrassecreto ou secreto.
§ 2º O dirigente máximo do órgão ou entidade poderá delegar a competência para classificação no grau reservado a agente público que exerça função de direção, comando ou chefia.
§ 3º É vedada a subdelegação da competência de que trata o § 2º.
§ 4º Os agentes públicos referidos no § 2º deverão dar ciência do ato de classificação à autoridade delegante, no prazo de noventa dias.
§ 5º A classificação de informação no grau ultrassecreto pelas autoridades previstas nas alíneas “d” e “e” do inciso I do caput deverá ser ratificada pelo Ministro de Estado, no prazo de trinta dias.
§ 6º Enquanto não ratificada, a classificação de que trata o § 5º considera-se válida, para todos os efeitos legais.
DEPOIS DO NOVO DECRETO
“Art. 30. (…)
§ 1º É permitida a delegação da competência de classificação no grau ultrassecreto pelas autoridades a que se refere o inciso I do caput para ocupantes de cargos em comissão do Grupo-DAS de nível 101.6 ou superior, ou de hierarquia equivalente, e para os dirigentes máximos de autarquias, de fundações, de empresas públicas e de sociedades de economia mista, vedada a subdelegação.
§ 2º É permitida a delegação da competência de classificação no grau secreto pelas autoridades a que se referem os incisos I e II do caput para ocupantes de cargos em comissão do Grupo-DAS de nível 101.5 ou superior, ou de hierarquia equivalente, vedada a subdelegação.
§ 3º O dirigente máximo do órgão ou da entidade poderá delegar a competência para classificação no grau reservado a agente público que exerça função de direção, comando ou chefia, vedada a subdelegação.
§ 4º O agente público a que se refere o § 3º dará ciência do ato de classificação à autoridade delegante, no prazo de noventa dias. (…)” (NR)
G1

Mourão, “por enquanto”, é contra privatizar Correios | Clic Noticias



Hamilton Mourão, presidente da República em exercício durante viagem de Jair Bolsonaro a Davos, declarou hoje que “por enquanto” não é favorável à privatização dos Correios.
Após um evento alusivo aos 356 anos dos Correios e de homenagem ao Dia do Carteiro, o general foi questionado se é a favor de privatizar a empresa e respondeu: “Por enquanto, não”.
Durante a corrida eleitoral, Jair Bolsonaro disse que a estatal “tinha grande chance” de ser privatizada se ele fosse eleito.
O Antagonista

Jean Wyllys desiste do mandato e deixará o país após ameaças de morte

O PT faturou alto com o chavismo | Clic Noticias



Gleisi Hoffmann defende Nicolás Maduro não só por cegueira ideológica, mas também porque seu partido foi um dos grandes beneficiados pelo autoritarismo na Venezuela, diz a Crusoé.
No auge da aprovação popular ao governo Lula, empresários brasileiros ganharam muito dinheiro exportando alimentos com a destruição da cadeia produtiva local. A Odebrecht e a Andrade Gutierrez financiaram campanhas eleitorais e pagaram propinas para os políticos chavistas com o objetivo de ganhar licitações de grandes obras, como teleféricos, pontes e linhas do metrô de Caracas.
Em parte, o dinheiro dos financiamentos saiu do BNDES.
O elo entre as construtoras e o governo venezuelano foi feito por José Dirceu, pelo marqueteiro do PT, João Santana, e por sua mulher, Monica Moura.
Projetos feitos em comum entre os dois países, como a Refinaria de Abreu e Lima, no Pernambuco, tocados pela Petrobras e pela PDVSA, não levaram a lugar algum, com o posterior calote da Venezuela. Os valores iniciais, contudo, foram devidamente embolsados pelos políticos e pelas empreiteiras. O PT faturou alto.
Leia a reportagem completa aqui.
O Antagonista

BETO RICHA PRESO | Clic Noticias



O tucano Beto Richa é alvo de prisão preventiva, informa o G1.
“A prisão foi decretada pelo juiz Paulo Sérgio Ribeiro, da 23ª Vara Federal de Curitiba.
O pedido foi feito pelo MPF em um desdobramento da Operação Integração – uma fase da Lava Jato que investigou a concessão de rodovias no Paraná.”
O Antagonista
Coluna do Estadão
Supercoluna
William Waack
Fausto Macedo
Coluna do Estadão
José Nêumanne

QUEM É JUAN GUAIDÓ, QUE SE AUTODECLAROU PRESIDENTE INTERINO DA VENEZUELA | Clic Noticias



(G1, 24) A oposição na Venezuela retoma seus protestos em 2019 impulsionada por uma nova figura. Jovem, determinada e conciliadora, com as reivindicações já conhecidas: transição democrática e eleições livres.
Em menos de um mês, Juan Guaidó passou de um rosto pouco conhecido do público à maior ameaça para o regime de Nicolás Maduro. Foi empossado presidente da Assembleia Nacional e, nesta quarta, ganhou o respaldo internacional de países como os EUA e o Brasil, depois de se autodeclarar o presidente interino do país.
Guaidó vem de uma família de pouco dinheiro. “Sei o que é passar fome”, afirma. Hoje, aos 35 anos, é formado em engenharia e tem mestrado em administração pública. É casado e tem uma filha de pouco mais de um ano.
Em 1999, quando tinha 15 anos e Hugo Chávez cimentava a sua revolução depois de somente 10 meses na presidência, Guaidó sobreviveu a uma das piores tragédias naturais da Venezuela. Inundações e enormes deslizamentos de terra no estado costeiro de Vargas mataram milhares de pessoas. Na época, Guaidó vivia com sua mãe e seus cinco irmãos mais novos.
Em 2009, Guaidó foi membro fundador do partido Vontade Popular (VP), do líder opositor Leopoldo López.
O jovem foi eleito deputado suplente em 2010 e legislador titular em 2015 pelo estado de Vargas, depois de participar de uma greve de fome para exigir que se fixasse a data das eleições parlamentares.
Assentou seu caminho com denúncias de corrupção na estatal petroleira Pdvsa, enquanto a produção de petróleo colapsava e a crise no país se agravava, com a hiperinflação e escassez de alimentos básicos e remédios.
Não era um homem de grandes discursos, mas resolveu assumir a liderança de uma oposição dividida, com seus principais dirigentes presos, exilados ou inabilitados.
“Guaidó é uma cara nova, considerado um homem de consenso pelos moderados e respeitado também pelos radicais”, disse à agência France Presse (AFP) o analista Diego Moya-Ocampos.
É um “jogo complicado”, disse Mejía. A Venezuela, acrescenta, “é um país acostumado com o personalismo e o caudilhismo, e estão colocando uma carga pesada sobre Juan. A mudança não depende só dele, depende de todos”.
Depois do triunfo eleitoral da oposição nas eleições parlamentares de 2015, que lhe permitiu ter a maioria da Assembleia Nacional, os principais partidos opositores decidiram se revezar na presidência da Casa a cada ano.
2019 era a vez do VP, mas seus principais líderes não podiam assumir o cargo: López está em prisão domiciliar pelos protestos contra Maduro em 2014; Carlos Vecchio, o número 2 do partido, está exilado nos EUA; e Freddy Guevara se refugiou na embaixada do Chile em Caracas, acusado pelas violentas manifestações de 2017.
Em 5 de janeiro, Guaidó foi empossado presidente da Assembleia Nacional, se comprometendo a liderar um governo de transição que convoque eleições. Em diversas declarações, convida os militares a romper com Maduro, a quem chama de “ditador” e cuja reeleição diz ser uma fraude.
Maduro, por sua vez, define Guaidó como “um menino brincando com a política” no Legislativo.
Apenas uma semana depois, foi detido durante uma hora por agentes do serviço de inteligência bolivariano, o que foi condenado pelo próprio governo chavista. A ação teria acontecido por uma interpretação de que Guaidó teria se autoproclamado presidente da Venezuela em um discurso confuso.
Sob sua direção, o Congresso declarou Maduro um ‘usurpador’ da presidência da Venezuela e aprovou uma “anistia” a militares que não reconheçam o chavista.
A oposição política venezuelana e diversos países – entre eles, os EUA, o Canadá e os membros do Grupo de Lima, do qual o Brasil faz parte – não reconheceram a legitimidade do novo mandato que Maduro assumiu no dia 10 de janeiro. Ele foi reeleito com quase 70% dos votos, uma eleição fortemente boicotada pela oposição e acusada de irregularidades.
Guaidó admite, entretanto, que desafiar um governo que controla a Força Armada lhe trará problemas. “Isso vai ter consequências”, admitiu. Contudo, todas as decisões do Legislativo são consideradas nulas pela Justiça, de linha governista.
Ex-Blog do Cesar Maia

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Não abriremos mão do liberalismo de Paulo Guedes | Clic Noticias



21 JAN ’19LUCAS BERLANZA
Estadão deu publicidade a um jantar oferecido pelo ex-estrategista de Donald Trump, Steve Bannon, ao filósofo Olavo de Carvalho, familiares e amigos, em sua casa em Washington. O assunto “governo Bolsonaro” não poderia deixar de estar nos holofotes.
De acordo com a reportagem, Bannon demonstrou preocupação com o ministro da Economia, Paulo Guedes, a quem se referiu como “o cara de Chicago” – evidente alusão à Escola de Chicago, de nomes como Milton Friedman, a que o grande liberal do governo Bolsonaro pertence. Ele teria dito ainda que o mercado financeiro ama mais a Escola de Chicago que ao próprio Bolsonaro, como se tal fosse algo ruim, e quis saber se Olavo poderia influenciar o economista, ao que o brasileiro respondeu negativamente.
Steve Bannon é o articulador de uma iniciativa internacional chamada “O Movimento”, que procura reunir forças políticas vagamente descritas como “nacionalistas” e “populistas de direita”, que teriam em comum a oposição ao “globalismo”, a George Soros, à União Europeia e à força das instituições supranacionais.
O inimigo identificado por Bannon é real. Meu problema com sua receita é que ela é muito simples e associa, como se fossem aliados naturais, forças muito diferentes, se for baseada apenas nesse único critério. Teríamos de nos ver, por exemplo, ladeados da “democracia iliberal” de Viktor Órban, do nacionalismo protecionista da francesa Le Pen, entre outras correntes políticas com que não temos a menor afinidade.
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O próprio Bannon é influenciado por autores como Julis Evola e René Guenón, com ideias abertamente avessas a tudo quanto é moderno, ao liberalismo e à democracia. Um liberal conservador como eu, na expressão de autores como José Guilherme Merquior, é, por definição, um liberal, e por isso não negocia as características institucionais e econômicas do liberalismo em prol de meras seduções estéticas. Não sou um aliado natural de nenhuma dessas pessoas ou grupos; o inimigo do meu inimigo não é meu amigo.
Ao mesmo tempo, o jornalista José Fucs, também no Estadãoescreveu uma matéria com sua visão dos diferentes grupos que comporiam a base do governo Bolsonaro, classificando alguns dos membros dos primeiros escalões dentro desses grupos e descrevendo alguns dos conflitos já travados entre suas visões e estratégias. Os grupos seriam o dos militares, nem sempre muito afeitos às pretensões econômicas liberais; o dos políticos, como Onyx Lorenzoni; o dos “lavajatistas”, figuras ligadas à operação de combate à corrupção, como o ex-juiz Sérgio Moro; o dos evangélicos, basicamente restrito ao – desnecessário – Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos; o dos “olavistas”, com alunos e ideólogos ligados ao pensamento de Olavo de Carvalho; e, finalmente, o dos liberais, ligados a Paulo Guedes.
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Tenho minhas ressalvas a essas classificações, muito embora entenda que Fucs está classificando as forças do modo por que foram dispostas e colocadas onde estão. O professor Ricardo Vélez Rodríguez é um nome histórico do Instituto Liberal, entusiasta de Roberto Campos, por exemplo, mas está classificado como “olavista” porque teria sido em função de Olavo e seus representantes no governo que ele chegou ao cargo. O general Mourão igualmente é um militar, mas às vezes denota posições econômicas mais liberais que o próprio presidente. Não é como se esses grupos fossem tão perfeitamente estanques e incomunicáveis.
De todo modo, as duas reportagens deixam claro que existem, inevitavelmente, dada a gama plural da coalizão que elegeu Bolsonaro, grupos de interesse que não se coadunam tão bem com as nossas ideias. Se os grupos não são estanques, é inegável que geram atrito e calor, o que tem provocado confusão nessas duas dezenas de dias de governo. Forço-me a lembrar que, por exemplo, um dos filhos do presidente, Carlos Bolsonaro, já publicou diversas mensagens de ataque ao Movimento Brasil Livre, aos “liberais” como um todo, bem como já defendeu seu pai de um suposto desmerecimento frente a Paulo Guedes, como se o presidente e o ministro liberal estivessem em disputa.
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Será necessária firmeza na sustentação inegociável dos nossos pontos. Um dos mais importantes, que se faz imperativo firmar agora, é a agenda liberal de Paulo Guedes. Sem as reformas, a começar pela da Previdência, o país se inviabiliza. Sem reformas, sem governo.
Paulo Guedes e sua agenda precisam estar acima de quaisquer picuinhas. São urgentes e indispensáveis para o Brasil. O interesse nacional não é “avançar a agenda do nacionalismo econômico”. O interesse nacional é equacionar as contas, comercializar com o mundo inteiro, gerar riquezas e empregos. Tudo com sobriedade e respeito às leis e à democracia, o que é nada mais que o óbvio. Se o governo, ou setores dele, se afastarem desses pilares, teremos que marcar posição – com sabedoria, com senso de espírito público, mas teremos. Não abriremos mão do liberalismo de Paulo Guedes.
Lucas Berlanza
Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Lucas Berlanza é carioca, editor dos sites “Sentinela Lacerdista” e “Boletim da Liberdade” e autor do livro “Guia Bibliográfico da Nova Direita – 39 livros para compreender o fenômeno brasileiro”.
Instituto Liberal

Um discurso sem firulas, e por isso louvável | Clic Noticias

Bolsonaro é um conhecido não-conhecedor de economia, se é que a polidez linguística me permite tal início de texto. Justamente por não ser nenhum Hayek à brasileira, sabia que se aprofundar em temáticas mais espinhosas e acadêmicas sobre o livre mercado não seria uma estratégia louvável e sequer esperado. Por isso mesmo, creio eu, que alguém corretamente o instruiu a ser sucinto em seu discurso; com 40 minutos para discursar, o discurso do Presidente não deve ter passado de 10 minutos — contando com as perguntas dirigidas posteriormente ao curto discurso.
Ponto para Bolsonaro, ele não tinha obrigação nenhuma de fazer um discurso memorável, os recados esperados pelos empresários e investidores foram claramente dados no tempo utilizado. Disse que Sérgio Moro está equipado para fazer o que for necessário a fim de caçar corruptos e corruptores. Disse que Ernesto Araújo está imbuído da missão de fazer ligações comerciais e diplomáticas com o mundo, sem distinção político-ideológica, tendo apenas o crivo da democracia como condição (um recado às ditaduras diversas, mas com certeza com ênfase à Venezuela). Por fim, enalteceu o Ministro da Fazenda, Paulo Guedes, o grande responsável pela alma econômica do governo conservador; disse o Presidente que o menino de Chicago está com a faca e o queijo na mão para abrir o mercado castrado até o momento, desburocratizando a máquina pública e preparando o terreno para ser plantado o dinheiro externo.
O que os investidores esperavam ouvir, eles ouviram. Ponto. Por hora é isso que esperamos de Bolsonaro: atrair o mercado para o Brasil, país que até hoje é visto como uma terra prometida impossível de se investir.
No entanto, não sejamos ingênuos: serão os trabalhos diplomáticos e cavalheirescos no pós-discurso que darão o tom e as esperanças de sucesso econômico já para os próximos meses. Por isso mesmo Paulo Guedes terá encontros importantes com bancos internacionais, investidores e os demais dinossauros da economia mundial; assim como Moro e Araújo também exercerão seus protagonismos em encontros diversos.
O ponto alto — assim como surpreendente — da participação de Bolsonaro no 39º Fórum de Davos foi o seu compromisso com a preservação ambiental, unido, como deixou claro após as perguntas no segundo momento do discurso, ao crescimento econômico. Era tudo que um liberal engajado e não ligado às pautas políticas do ambientalismo queria ouvir. Unir preservação com crescimento é a receita contra a lacrosfera que conversa com samambaias, ao mesmo tempo em que atrai os capitalistas que querem lucrar. O ponto baixo, no entanto, foi não falar explicitamente, a não ser de relance, da reforma da previdência; que, a meu ver, junto à CLT fascista, é o principal motivo de susto quando investidores vêm ao Brasil.
Bolsonaro foi preciso, tanto quanto consciente diante das suas limitações de conhecimento econômico; não jogou purpurina em suas falas e nem aureolou suas respostas com a sua típica acidez ao tratar de pautas como “armamento” e “intervenção militar de 64”. Não duvidaria que Bolsonaro pudesse achar um caminho para falar de 64 em Davos, você duvida?
Tivemos um estadista prudente em Davos; ufa… Limitado? Sim, bastante. Mas um homem consciente de seus limites consegue mais prodígios do que um galo achando que é pavão.
Boa, Presidente.
Pedro Henrique Alves
É Filósofo formado pela Faculdade Dehoniana; escritor na coluna de política do Instituto Liberal de Minas Gerais; editor e escritor do Blog Do Contra; além de estudioso de filosofia política com ênfase em políticas totalitárias.
Instituto Liberal

Propina pagou pesquisas para o PT, diz Palocci | Clic Noticias



Reprodução/TV Globo - 29.nov.2018
O ex-ministro Antonio Palocci
Fausto Macedo, Ricardo Brandt e Luiz Vassallo
Em São Paulo
O ex-ministro Antonio Palocci afirmou, em acordo de delação premiada, que um acerto de propinas com a empreiteira Andrade Gutierrez bancou pesquisas eleitorais para o PT em 2010, quando a sigla já havia definido a ex-ministra Dilma Rousseff como candidata à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva.
Palocci, que cumpre prisão domiciliar após fechar colaboração com a Polícia Federal, foi coordenador da campanha de Dilma. Segundo ele, o esquema, que teria se estendido até 2012, nas eleições municipais, não tinha por objetivo fraudar as pesquisas, produzidas pelo instituto Vox Populi, e sim ocultar recursos de corrupção em serviços que eram de interesse da campanha do PT.
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Segundo ele “as pesquisas que não eram favoráveis ao PT eram mantidas sigilosas, ao passo que pesquisas favoráveis eram amplamente divulgadas ao público”. Os contratos entre a empreiteira e o instituto chegaram a um valor de R$ 11 milhões.
O ex-presidente da Andrade Gutierrez Otávio Azevedo, que chegou a ser preso e depois virou delator na Lava Jato, confirmou, em colaboração, os pagamentos ao Vox Populi.
A assessoria da presidente cassada Dilma Rousseff disse que Palocci “mente” em seu acordo de delação premiada. Para a defesa de Lula, o ex-ministro trocou parte de seu patrimônio por “mentiras sem provas”. A reportagem não conseguiu contato com o Vox Populi até a conclusão desta matéria. As informações são do jornal “O Estado de S. Paulo”.
UO Notícias

Juiz intima Palocci para depor na ação contra Lula dos caças suecos | Clic Noticias

Ex-presidente é réu na ação em âmbito da Zelotes
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Depoimentos de Palocci e Jobim na ação haviam sido suspensos liminarmente, após pedido da defesa de Lula | Foto: Suellen Lima / FolhaPress / CP Memória
O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, intimou o ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci para depôr no dia 18 de março em ação, no âmbito da Operação Zelotes, em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é réu pelos crimes de tráfico de influência, organização criminosa e lavagem de dinheiro na compra de caças Gripen pelo governo federal em 2012.
Palocci citou Lula em delação premiada, atribuindo ao ex-presidente suposto “pacto de sangue” com a empreiteira Odebrecht no valor de R$ 300 milhões. O ex-ministro envolveu ainda seu antigo companheiro em propinas nas obras de Belo Monte. Vallisney também convocou o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim para depor no mesmo dia. Além de Lula, são réus na ação seu filho Luis Cláudio Lula da Silva e o casal de lobistas Mauro Marcondes e Cristina Mautoni.
Os depoimentos de Palocci e Jobim na ação haviam sido suspensos liminarmente, após pedido da defesa de Lula, pelo desembargador Néviton Guedes, do Tribunal Regional da 1ª Região, em novembro do ano passado. Denúncia Na denúncia, apresentada em 2016, o Ministério Público Federal acusou os réus por “negociações irregulares que levaram à compra de 36 caças do modelo Gripen, por cerca de R$ 5,4 bilhões, pelo governo brasileiro e à prorrogação de incentivos fiscais destinados a montadoras de veículos por meio da Medida Provisória 627”.
Os procuradores afirmam que os crimes aconteceram entre 2013 e 2015, quando Lula, já ex-presidente, “integrou um esquema que vendia a promessa de que ele poderia interferir junto ao governo para beneficiar as empresas MMC, grupo Caoa e SAAB, clientes da empresa Marcondes e Mautoni Empreendimentos e Diplomacia LTDA (M&M)”.
Em troca, afirma a denúncia, Mauro e Cristina, donos da M&M, repassaram a Luis Cláudio pouco mais de R$ 2,5 milhões. Em maio de 2017, o mesmo juiz Vallisney rejeitou um pedido da defesa de Lula para absolvição sumária do ex-presidente na ação.
Estadão Conteúdo e Correio do Povo
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