O ator e jornalista de Fortaleza Ari Areia foi alvo de ataques pela internet por conta de sua atuação em uma peça teatral que fala sobre homens transexuais. Idealizado como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), o monólogo Histórias Compartilhadas ganhou os palcos da capital cearense e vem sendo encenado há cerca de 1 ano pelo Outro Grupo de Teatro. Mas foi após ser exibida durante um seminário na Universidade Federal do Ceará (UFC) que o ator passou a receber ameaças na rede social Facebook.
Durante a peça Histórias Compartilhadas, o ator Ari Areia abre em si um acesso venoso e pinga gotas de sangue sobre a imagem de Jesus crucificado. A foto foi replicada na internet e o ator recebeu ameaças de agressão e morte Anderson Damasceno/Divulgação
Histórias Compartilhadas trata da dor e do sofrimento de pessoas que são discriminadasou impedidas de se reconhecerem como homens transexuais. A peça se desenha a partir de casos reais, como o de Riley Moscatel, transexual norte-americano que cometeu suicídio no ano passado, aos 17 anos, após assumir sua transexualidade, e o de João Nery, o primeiro homem transexual brasileiro a ser operado.
Durante o monólogo, Ari Areia trabalha com diversas formas de representar essas histórias. Uma delas se refere às dores dos transexuais devido à não aceitação do corpo e às cirurgias de mudança de sexo. O ator abre em si um acesso venoso e pinga gotas de seu sangue sobre uma imagem de Jesus crucificado. “Cristo foi morto por ser incompreendido e injustiçado. As pessoas transexuais são mortas diariamente, há relatos de estupros corretivos. A gente fez essa leitura de Cristo como um signo de mártir”, diz o ator.
Uma foto dessa cena do monólogo foi replicada em uma página do Facebook intitulada “Fortaleza sem prefeito” e maciçamente atacada. Entre os mais de 2 mil comentários, ataques de viés homofóbico e ameaças de agressão e de morte. Areia reuniu alguns dos posts mais duros para embasar um processo criminal.
Seminário
A polêmica se espalhou nas redes sociais após o ator apresentar o monólogo durante o 1º Seminário Conversas Empoderadas e Despudoradas sobre Gênero, Sexualidade e Subjetividades, realizada no dia 17 de maio pelo Núcleo de Pesquisas sobre Sexualidade, Gênero e Subjetividade (NUSS) do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFC.
O escritor, jornalista e doutorando em sociologia Júnior Ratts foi o realizador do evento. Segundo ele, a encenação de um trecho do monólogo fez parte de uma mesa que debateu a identidade trans e as fotos feitas durante a performance foram publicadas originalmente no convite online do evento e compartilhada na página do seminário, ambos criados no Facebook.
“O espetáculo foi uma forma prática de apresentar, de maneira lúdica, todas as discussões proferidas. O conteúdo apresentado foi muito bem aceito por todos os presentes, sendo aplaudido de pé por pessoas que já estavam comovidas pelas histórias de vida apresentadas pelos debatedores. Ou seja, a performance estava completamente contextualizada. Daí a surpresa com o surgimento da polêmica.”
A foto da cena do Cristo ensanguentado vem sendo compreendida especialmente como um ataque à fé cristã. Na sessão de terça-feira (31) da Assembleia Legislativa do Ceará, o deputado estadual Carlos Matos (PSDB) disse que a peça “debocha de um símbolo que representa a fé da maioria dos cidadãos brasileiros”.
Já a Comissão de Liberdade Religiosa da Ordem dos Advogados do Brasil - secção Ceará (OAB-CE) divulgou nota pública na sexta-feira (3) informando que vai acionar o Ministério Público Federal para investigar a conduta do ator e das demais pessoas envolvidas na exibição da peça.
No texto da nota, o presidente da comissão, Robson Sabino, considera que, "além de exceder os limites da liberdade de expressão, Ari Areia assumiu o risco de sua conduta incorrer em crime previsto no Artigo 208 do Código Penal: vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso."
Para Areia, a intenção da cena não é atacar a fé das pessoas. “A imagem do Cristo estava ali como signo deslocado. Eu não estava entrando no lugar de culto delas e tripudiando da imagem do sagrado dessas pessoas. Eu estava com um signo deslocado do seu lugar de origem, mas entendendo que aquele signo significava algo que ainda era comum à compreensão geral dele, que é o de uma pessoa que foi crucificada e morta. Independentemente do credo ou de não crer, é uma coisa universal.”
Manifestação da universidade
A reitoria da UFC emitiu nota pública defendendo a convivência entre as posições religiosas, políticas, filosóficas e científicas na universidade e na sociedade. Segundo a universidade, o seminário não tinha “qualquer conotação desrespeitosa e muito menos criminosa”.
“A um símbolo religioso que compunha o cenário da peça foi dado um significado que ultrapassa sua visão estática, recurso corriqueiro no cinema, no teatro, na televisão, em obras de arte, nos museus e exposições, em revistas e jornais e até em festas populares. Ao ser apresentado fora do contexto da encenação e manipulado em redes sociais, um evento simples, rico em significados, academicamente validado, foi transformado por alguns em ‘desrespeito’ e denunciado como ‘crime’.”
Para Ari, o fato de a polêmica em torno da peça ocorrer quase um ano após o início da encenação nos palcos da cidade revela a existência de um contexto favorável a ataques e a desrespeitos. “Acho que existe o avanço de um pensamento conservador que está se sentindo muito à vontade para constranger e ameaçar. É absurdo você ver uma pessoa ameaçando a sua existência e a sua integridade física por conta de uma obra artística.”
Ele espera ainda que a denúncia das ameaças à Polícia Civil tenha um viés didático, no sentido de estimular que outras pessoas que sofrem esse tipo de ataque procurem denunciar como também de mostrar que ataques virtuais têm consequências.
Júnior Ratts, idealizador do seminário onde foi apresentado o trecho de Histórias Compartilhadas, diz que vai continuar promovendo debates sobre gênero e sexualidade e que é preciso pensar em táticas para criar espaços de discussão sobre temas que ainda afetam a sociedade.
“Não temos como estimar os impactos de determinados gestos, artístico ou não, na sociedade em geral, mas nem por isso - ou mesmo por isso - podemos retroagir. O corpo, esta máquina maravilhosa de descoberta de prazeres e saberes, tem sido por séculos invisibilizado através de vários artifícios sociais e, por isso, é chegada a hora de situar este corpo no centro de toda a discussão, seja ela política, artística ou de qualquer outra ordem.”
Agência Brasil
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Deputada do PMDB é nomeada secretária de Políticas para as Mulheres
Yara Aquino – Repórter da Agência Brasil
A nomeação da secretária especial de políticas para as mulheres, Fátima Pelaes, está publicada na edição de hoje (3) do Diário Oficial da União. A secretaria é subordinada ao Ministério da Justiça e Cidadania.
A nova secretária de Políticas para as Mulheres, Fátima Pelaes, e o presidente interino Michel Temer, participam de reunião com os secretários de Segurança Pública de todos os estados, no Ministério da JustiçaMarcelo Camargo/Agência Brasil
O anúncio do nome de Fátima Pelaes para a secretaria provocou repercussão na imprensa por ela ter se manifestado contra a descriminalização do aborto quando exercia o mandato de deputada federal. Fátima divulgou nota afirmando que seu posicionamento não vai afetar o debate de qualquer questão durante sua gestão na secretaria e que a mulher vítima de estupro que optar pela interrupção da gravidez deve ter total apoio do Estado.
Fátima Pelaes é socióloga, foi eleita deputada federal pelo Amapá por cinco vezes e preside o PMDB Mulher Nacional.
Em um documento de novembro de 2012, obtido pela Agência Brasil, o então procurador-geral da República, Roberto Gurgel, requereu a instauração de inquérito em razão de indícios de suposta prática de crimes cometidos pela então deputada federal, Fátima Pelaes (PMDB-AP). De acordo com o documento da procuradoria, Pelaes foi autora de emenda parlamentar no valor de R$ 4 milhões para projeto de capacitação para o turismo no Amapá. Ela teria sido responsável pela escolha de instituição fantasma para receber o recurso. Depoimentos que constam no relatório da PGR apontam que Fátima Pelaes teria ficado com parte do dinheiro. A investigação está em andamento e foi devolvida à Justiça Federal do Amapá no ano passado depois que Pelaes deixou de ser deputada. Por meio da assessoria, Fátima Pelaes divulgou o seguinte posicionamento: "Eu confio no trabalho da polícia e da justiça e estou tranquila de que tudo será esclarecido".
Outras nomeações
Também estão no DOU de hoje as nomeações de Suely Mara Vaz Guimarães de Araújo para a presidência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e de cinco diretores para o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Para as diretorias do BNDES foram nomeados: Cláudia Pimentel Trindade Prates, Marilene de Oliveira Ramos Múrias dos Santos, Ricardo Baldin, Ricardo Luiz de Souza Ramos e Vinícius Carrasco.
Está publicada ainda a nomeação de Ana Paula Vitali Vescovi para o cargo de secretária do Tesouro Nacional, do Ministério da Fazenda, e a exoneração de João Pedro Gonçalves da Costa da presidência da Fundação Nacional do Índio (Funai).
Agência Brasil
Sem reforma prometida, Museu do Índio segue abandonado ao lado do Maracanã
Vinícius Lisboa - Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - Prédio do antigo Museu do Índio, ao lado do Maracanã, zona norte da cidade Tânia Rêgo/Agência Brasil
A pouco mais de dois meses do início dos Jogos Olímpicos, o Museu do Índio – próximo ao estádio do Maracanã – é um retrato do abandono. A promessa de transformar o local em um Centro de Referência da Cultura Indígena a tempo das disputas olímpicas ficou só no papel e líderes indígenas que moravam no prédio desde 2006 criticam a falta de interesse do Poder Público de resolver o problema.
O local foi alvo de disputa no início de 2013 quando o governo do estado do Rio anunciou a intenção de derrubar o prédio para construção do Complexo do Maracanã, que receberia partidas da Copa de 2014.
Um grupo de indígenas que ocupava o prédio desde 2006 – e deu ao museu o nome de Aldeia Maracanã – se recusou a deixar o local e duas determinações de reintegração de posse foram cumpridas pela Polícia Militar, uma em março de 2013 e outra em dezembro.
"Ficamos escondidos na Copa do Mundo. E, com a chegada das Olimpíadas, vão ser mostradas mais uma vez para o Brasil e para o mundo as ruínas do Museu do Índio, onde éramos para estar recebendo visitantes de 200 países", diz o cacique Carlos TukanoTânia Rêgo/Arquivo Agência Brasil
À época, o cacique Carlos Tukano preferiu apostar no diálogo para deixar a ocupação da Aldeia Maracanã - e recebeu críticas de outros indígenas por isso. O líder aceitou sair do prédio antes da primeira reintegração de posse. Meses depois, leu o decreto assinado pelo então governador Sérgio Cabral de que a antiga sede do Museu do Índio voltaria a ser destinada à cultura indígena. Por fim, marcou no calendário a data de abril de 2016 como a que voltaria a usar o espaço, a tempo de divulgar a tradição indígena brasileira para o público da Olimpíada e da Paralimpíada.
O prazo se esgotou e o Centro de Referência da Cultura Indígena prometido não tem projeto básico ou executivo, etapas anteriores ao início da restauração. Segundo a Casa Civil do governo do estado do Rio de Janeiro, a responsabilidade de custear a reforma do prédio estava a cargo do consórcio que assumiu a concessão do Maracanã. O contrato que previa essa obrigação, no entanto, está sendo renegociado, e, enquanto não houver uma definição, não haverá novidades para o prédio.
"Ficamos escondidos na Copa do Mundo. E, com a chegada das Olimpíadas, vão ser mostradas mais uma vez para o Brasil e para o mundo as ruínas do Museu do Índio, onde éramos para estar recebendo visitantes de 200 países. Está ficando vergonhoso para o governo, e muito mais para nós", diz Tukano, que se sente constrangido. "Fico passando de mentiroso, o cacique Tukano mentiroso".
Depois de saírem do Museu do Índio, os ocupantes que entraram em acordo com o governo do estado moraram por cerca de um ano e meio em contêineres na Colônia Curupaiti, em Jacarepaguá. Em junho de 2014, se mudaram para um condomínio do Minha Casa, Minha Vida, no centro do Rio. Essa mudança, conta Tukano, forçou a uma mudança de cultura do grupo que, acostumado à convivência coletiva desde 2006, quando iniciaram a ocupação e passaram a receber visitantes de diversas aldeias do país, passaram a ficar mais isolados.
"Ficamos isolados. Aqui é muito restrito. Não temos espaços como no Maracanã e no Curupaiti. Não temos espaço para fazer nosso trabalho e receber pessoas que vêm nos visitar e que acreditam na cultura indígena".
Renegociação com Consórcio Maracanã
Rio de Janeiro - Prédio do antigo Museu do Índio, ao lado do Maracanã, zona norte da cidadeTânia Rêgo/Agência Brasil
O projeto inicial de licitação do estádio do Maracanã previa a construção de um shopping e de um estacionamento, e a demolição do Estádio de Atletismo Célio de Barros e do Parque Aquático Júlio Delamare, o que não ocorreu devido à pressão popular. Em outubro de 2015, o secretário da Casa Civil, Leonardo Espíndola, reconheceu as dificuldades danegociação por conta da mudança no escopo do contrato e admitiu a possibilidade de um termo aditivo. A concessionária, cuja maior participante é a Odebrecht, informa apenas que as negociações para o "reequilíbrio do contrato" estão em andamento.
O governo do estado, por sua vez, enfrenta dificuldades financeiras. A Secretaria Estadual de Cultura, responsável pelo projeto do centro de referência, informou à Agência Brasil que não tem recursos para os projetos básico e executivo, e que, sem eles, não é possível estabelecer uma previsão de inauguração.
Os projetos também são necessários para que se possa viabilizar a realização de obras emergenciais, atualmente estimadas pela Secretaria Estadual de Cultura em R$ 2 milhões. Mais R$ 17,5 milhões são previstos para o restauro do prédio, e o orçamento total chega a R$ 23,5 milhões se adicionados os equipamentos e o mobiliário. O que se tem até o momento para a construção é um projeto preliminar do restauro, doado pelo escritório Azevedo Agência de Arquitetura.
A Secretaria Estadual de Cultura e representantes da associação indígena chegaram a procurar patrocinadores dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos para buscar recursos privados que viabilizassem as obras emergenciais antes da competição, permitindo que o espaço fosse usado. Estariam incluídas nessa fase a pintura no telhado, a reforma das paredes e a melhoria do piso.
"Fizemos essa proposta a alguns dos patrocinadores das Olimpíadas, e esse investimento inicial, de reforma, já abateria do restauro", explica Toni Lotar, indigenista da associação que participou das negociações. No entanto, ele reconhece que a tentativa foi levada às empresas com atraso. "Elas planejaram o investimento há 4 anos. Meses antes, elas já estavam na implementação do plano de marketing. E, com a situação do país, ninguém se dispôs a investir mais", explica.
Rio de Janeiro - Prédio do antigo Museu do Índio, ao lado do Maracanã, zona norte da cidadeTânia Rêgo/Agência Brasil
O pesquisador afirma ter uma "visão realista" de que o governo do estado não vai destinar os recursos ao prédio enquanto houver crise na saúde e atraso de pagamentos.
"Não há resignação. Infelizmente, essa realidade brasileira de crise absoluta se estabeleceu contra o processo de restauro", lamenta Lotar, que agora busca junto ao Poder Público ao menos a limpeza do prédio, que continua coberto de tapumes e sujo, ao lado do palco da abertura dos Jogos.
"Queria pelo menos conseguir, de algum órgão do governo do estado, que se faça uma limpeza, uma faxina. Pelo menos tirar aquela sujeira e impedir que o principal palco das Olimpíadas esteja poluído visualmente e moralmente por aqueles escombros."
Grupo divergente
Durante a disputa pelo espaço em 2013, um grupo de indígenas que ocupava a Aldeia Maracanã não fez acordo com o governo do estado e foi retirado à força pela Polícia Militar, que realizou duas operações para desocupar o local - uma em março e outra em dezembro de 2013.
No segundo embate, o indígena Urutau Guajajara ficou 48 horas em cima de uma árvore para resistir às tentativas do governo estadual de esvaziar o prédio, que tinha voltado a ser ocupado cerca de cinco meses depois da primeira reintegração. Ele afirma que até hoje o grupo volta ao prédio para fazer rituais e danças de diversas etnias sob um pé de jenipapo que fica no terreno.
"Quem acreditou nisso [na reforma prometida] foi um grupo", diz. "A gente sabia que não iam construir, porque o capital não quer o indígena ali, o movimento social", completa, defendendo que o consórcio privado responsável pela gestão pelo Maracanã seja o responsável pela reforma. O grupo afirma ainda que move uma ação na Justiça para recuperar a posse e do imóvel.
"O nosso objetivo é voltar para a aldeia", afirma Guajajara, que avalia que a mobilização indígena teve bons frutos. "Foi revolucionário. É uma referência nacional e outros movimentos se espalharam. Trouxe a questão dos indígenas no contexto urbano e não havia pesquisa nesse sentido".
Agência Brasil
Obras de Bispo do Rosário integram programa cultural da Olimpíada
Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil
Os turistas que visitarem o Rio de Janeiro para assistir aos jogos da Olimpíada e da Paralimpíada terão a oportunidade de conhecer obras ligadas à criatividade do artista plástico conhecido como Bispo do Rosário, na exposição Das Virgens em Cardumes e da Cor das Auras, que o Museu Bispo do Rosário de Arte Contemporânea inaugura hoje (4). A mostra ficará aberta ao público até o fim de janeiro de 2017 e faz parte do Circuito Cultural Rio, idealizado pela prefeitura carioca, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, para a programação cultural dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos.
O primeiro cortejo levará em uma caixa fechada de madeira e acrílico o famoso Manto da Apresentação, confeccionado pelo artista ao longo de toda a vidaRodrigo Lopes/Museu Bispo do Rosário
A diretora do museu, Raquel Fernandes, informou que a cada exposição, a instituição busca trazer curadores convidados para mostrar sempre diversos aspectos sobre a obra de Bispo. No ano passado, por exemplo, o professor de arte Marcelo Campos abordou as origens e o folclore envolvendo o passado do artista plástico brasileiro, internado como esquizofrênico na Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, zona oeste da capital fluminense, onde ficou durante 50 anos, até morrer, em 1989.
“Desta vez, a gente está pegando, com a curadora Daniela Labra, um viés de Bispo enquanto performer, na maneira como ele circulava e apresentava sua obra aqui, na Colônia Juliano Moreira, vestindo o manto, com seus estandartes, de alguma maneira funcionando como umperformer”. Raquel disse ainda que para o museu, é muito importante a possibilidade de oferecer múltiplos olhares sobre o artista e vários curadores poderem se aproximar e pensar sobre isso.
Raquel Fernandes destacou a importância de Bispo para o museu, não só pelo seu lado artístico, mas para levar a população a pensar em questões relativas à reforma psiquiátrica, “toda a forma como ele subverte a lógica do manicômio. Por isso, ele é importante para a gente, como é importante manter o museu dentro da antiga Colônia Juliano Moreira, devido a essa subversão que ele conseguiu fazer por meio da arte”.
O público poderá assistir, a cada final de mês, ações performáticas que produzirão resíduos que, tal como fazia Bispo, irão se acumulando ao longo da exposição, afirmou a diretora do museu. “É uma exposição em progresso que remete também, de certo modo, à maneira de Bispo funcionar, que era essa coisa colativa”.
Diálogo performático
Para a curadora Daniela Labra, o grande diferencial da exposição é fazer a relação da obra do Bispo do Rosário com a performance-arte das artes visuais contemporâneas. A exposição trata dessa questão da performance e de como ela dialoga com a obra de Bispo, não somente do ponto de vista formal, mas da relação da arte com a vida, que é explorada na arte moderna. “A vida do Bispo se sobressai, se singulariza por causa dessa obra, desse legado artístico que ele deixou para a gente. Acho que o grande diferencial é estar tratando dessa proximidade arte e vida na obra do Bispo e fazendo uma relação com a performance-arte”, explicou Daniela.
Documentação da obra de Arthur Bispo do Rosário, Museu Bispo do Rosário - Arte Contemporânea, Rio de Janeiro. Rodrigo Lopes/Museu Bispo do Rosário
A exposição reúne 15 artistas convidados, dos quais uma parte fará residência e oficinas na colônia. “Eu estou trabalhando com a ideia de obras de arte performáticas”, disse Daniela. “Serão artistas que estarão presentes na exposição com vídeos, com fotografias, mas não farão performances, e outros que terão obras expostas e farão ações ou residências que complementem os trabalhos”.
A abertura do evento hoje terá durante todo o dia, a partir das 6h, a apresentação de cinco ações da diretora e performer Eleonora Fabião, do Rio de Janeiro. “São cinco caminhadas em percursos diferentes pela colônia, sendo que três delas acontecem com obras do Bispo do Rosário”. O primeiro cortejo levará em uma caixa fechada de madeira e acrílico o famoso Manto da Apresentação, confeccionado pelo artista ao longo de toda a vida. Para assistir a essa primeira caminhada, o museu disponibilizou dependências em seu polo experimental para que pessoas interessadas passem a noite no local. Até o momento, há 34 inscritos para o pernoite, que se somarão à equipe de Eleonora Fabião e à equipe do museu. “Teremos aí, no mínimo, 50 pessoas acompanhando essa caminhada”. O último cortejo conduzido pela performer sairá às 18h.
Daniela Labra ressaltou que no momento em que a necessidade de cultura no Brasil é colocada em xeque, essa abertura da exposição significa uma homenagem à obra do Bispo do Rosário, de respeito à memória da Colônia Juliano Moreira, “compreendendo que tudo isso é cultura”. “Uma abertura que acontece assim, longa, é para a gente também expurgar esse discurso caído e atrasado que não compreende o patrimônio cultural como algo fundamental para melhora do ser humano”. A curadora assegurou que a melhora de uma nação passa pela valorização do seu legado cultural. “É isso que a gente está fazendo nessa abertura”.
O público poderá ver também registros fotográficos inéditos do Bispo do Rosário feitos no fim da década de 1950 pelo fotógrafo francês Jean Manzon. Serão exibidos na exposição oito estandartes que foram vistos juntos uma única vez há 30 anos, além de peças bordadas nas décadas de 1960 e 1970 pelo próprio Bispo.
Educação cultural
A partir da exposição, será iniciado um projeto paralelo de educação cultural e de cidadania, voltado a crianças de 5 anos a 12 anos de idade, alunos da rede pública municipal de ensino de Jacarepaguá, intitulado Merendeira Cor-de-Rosa: Rumo à Exposição, nome de um dos trabalhos de Bispo do Rosário.
Estandarte Colônia Juliano Moreira, é uma das peças de Bispo do Rosário exibida no museuRodrigo Lopes/Museu Bispo do Rosário de Arte Contemporânea
Já foi encerrado o processo de formação dos professores, bem como a inscrição das escolas. Participarão do projeto 800 estudantes de dez escolas da região. Raquel Fernandes disse que com a abertura da exposição, “a gente começa a ter as expedições com os alunos. Eles fazem o percurso na exposição e no Circuito Cultural Colônia, recém-criado”. Serão ao todo 20 expedições.
O nome do projeto foi escolhido para que se possa trabalhar com os alunos o que é a identidade cultural do carioca que não mora na zona sul da cidade. “Como se constitui a identidade cultural da zona oeste. Esse é o trabalho de reconhecer percursos, a história local, além de discutir também a obra de Bispo e trabalhar a questão de gênero”, disse a diretora do museu.
O projeto pretende debater com os estudantes a arte dos bordados feitos pelo artista e a cor rosa usada em várias obras. “A gente vai trabalhando esses dois vieses, a apropriação do território, a riqueza da região e da própria arte de Bispo”. Raquel esclareceu que o projeto Merendeira Cor-de-Rosa: Rumo à Exposição se estenderá somente até novembro, em função do calendário escolar, para concluir dentro do ano letivo. Ao final do projeto, será elaborado um livro sobre o percurso, ilustrado pelo premiado artista Roger Melo.
Agência Brasil
Com mesmos nomes de Londres, judô feminino chega mais experiente ao Rio
Vinícius Lisboa - Repórter da Agência Brasil
A judoca Rafaela Silva, de 24 anos, vai disputar em agosto a Olimpíada do Rio. Convocada pela Confederação Brasileira de Judô para representar o Brasil na categoria Leve, a atleta faz parte de um time de jovens mulheres que vai competir sua segunda olimpíada seguida. A primeira foi a de Londres.
A atleta Rafaela Silva durante apresentação dos judocas que foram convocados pela Confederação Brasileira de Judô para disputar os Jogos Olímpicos Rio 2016Tânia Rêgo/Agência Brasil
Os nomes convocados foram Sarah Menezes, na categoria Ligeiro; Érika Miranda, na Meio-Leve; Rafaela Silva, na Leve; Mariana Silva, na Meio-Médio; Maria Portelana Médio; Mayra aguiar, na Meio-pesado; e Maria Suelen Altheman, na Pesado.
As sete atletas saíram de Londres com o primeiro ouro do judô feminino, conquistado por Sarah Menezes, e um bronze, de Mayra Aguiar. Desde então, vieram dois títulos mundiais: Mayra Aguiar, em 2014, e Rafaela Silva, em 2013, que foi o primeiro de uma mulher brasileira na história do judô brasileiro. No caminho para o Rio, competições internacionais renderam outros pódios para todas elas entre 2013 e 2015.
Além da viagem para Londres, o que essas atletas têm em comum é a formação de base para o esporte de alto rendimento, disse Rafaela. "A equipe tem praticamente a mesma idade, cresceu todo mundo junto. Passamos todas pela equipe de base e viemos crescendo todo mundo junto", afirmou Rafaela Silva, a mais nova das sete.
No comando da seleção feminina de judô, a técnica Rosicleia Campos também considera que a juventude é uma característica compartilhada pelas atletas. "É uma equipe muito jovem, apesar de ser bastante experiente. Houve um investimento, elas trouxeram resultado, ficaram mais experientes e a equipe se repetiu", explica a técnica, que diz ainda que outras atletas tiveram oportunidade de conquistar a vaga.
Essa experiência adquirida nos últimos jogos e no ciclo de quatro anos entre uma Olimpíada e outra deixa Rosicleia ainda mais otimista. "Vejo bons ventos chegando. Não temos dúvida de que temos ótimas chances. Temos sete tiros, por disputar sete categorias. Então, a cada dia, as chances se renovam".
Campeã no Grand Prix de Dusseldorf, ocorrido este ano na Alemanha, Maria Suelen lembra que o judô brasileiro teve bons resultados no campeonato mundial de 2013, disputado no Rio, e que isso é um bom sinal para o que esperar de uma olimpíada em casaTânia Rêgo/Agência Brasil
Campeã no Grand Prix de Dusseldorf, ocorrido este ano na Alemanha, Maria Suelen lembra que o judô brasileiro teve bons resultados no campeonato mundial de 2013, disputado no Rio, e que isso é um bom sinal para o que esperar de uma Olimpíada em casa. Sobre reencontrar os mesmos nomes na lista de convocadas, ela afirma que a relação já é quase "de família":
"A gente convive como família. Passamos mais tempo juntas que com as nossas famílias. E essa união faz a diferença", disse a judoca, que mantém contato com as colegas quando cada uma está em seus clubes: "Temos grupo no Whatsapp".
Agência Brasil
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Fonte: http://www.activesearchresults.com/articles/695-seooptimization.php
Muhammad Ali, um dos maiores atletas do século 20, morre aos 74 anos
José Romildo - Correspondente da Agência Brasil
O lendário boxeador Muhammad Ali deixou registrado um grande número de vitórias no ringueReprodução Facebook
O lendário boxeador Muhammad Ali - um dos maiores esportistas do século 20 - morreu ontem (3) aos 74 anos. A informação sobre a sua morte só foi conhecida na madrugada de hoje (4). Ele estava internado em um hospital de Phoenix, capital do estado norte-americano do Arizona, desde o início desta semana, para tratar de problemas respiratórios.
Até o dia do enterro, previsto para quarta-feira, haverá homenagens ao boxeador em várias cidades dos Estados Unidos. Hoje haverá homenagem em Louisville, Kentucky, sua cidade natal.
Muhammad Ali, que há 30 anos foi diagnosticado com a doença de Parkinson, era conhecido como pelo título "O Maior" (The Greatest), por ter obtido três vezes - em 1964, 1974 e 1978 - o título de campeão mundial de pesos pesados em uma carreira de 21 anos. Ele ganhou o primeiro título mundial aos 22 anos, em 1964, em uma luta contra Sonny Liston, até então considerado um lutador praticamente invencível.
O boxeador se destacou também por lutar abertamente - com sua língua afiada - contra o racismo nos Estados Unidos, em uma época em que os atletas negros costumavam agradar a elite esportiva branca para buscar riqueza e se transformar em celebridades.
Muhammad Ali também desafiou a legitimidade da guerra do Vietnã, ao se recusar, em 1967, a se alistar no exército norte-americano em uma época em que poucos cidadãos ousavam protestar contra o serviço militar, um ato considerado de desobediência civil. Tal atitude custou caro a Muhammad Ali que foi suspenso do boxe por mais de três anos.
Em outra atitude de desafio à tradição cultural e religiosa dos Estados Unidos, o boxeador - que foi registrado com o nome de Cassius Clary em sua certidão de nascimento - mudou o nome para Muhammad Ali depois que anunciou, em 1975, a adesão ao islamismo, em um período em que parte da imprensa e agentes do FBI (a polícia federal norte-americana) consideravam a religião muçulmana como um culto destinado a destruir os Estados Unidos.
Antes de entrar no mundo das competições esportivas, o jovem Cassius Clay era um estudante pobre. Segundo sua esposa Lonnie Ali, ele lutava para conseguir ler, provavelmente porque tinha dislexia. Ele descobriu seu talento para o boxe por acaso: aos 12 anos, foi a uma delegacia de polícia para dar queixa de que sua bicicleta tinha sido roubada. Um policial convidou Cassius para se juntar a um grupo de jovens pugilistas, que treinavam em um ginásio no centro de Louisville.
Muhammad Ali foi considerado o maior esportista do século 20 pela revista Sports Illustrated e personalidade desportiva do século passado pela BBC. Ele escreveu alguns livros sobre sua carreira, entre eles, "The Greatest: minha própria história".
Agência Brasil
Planalto recomenda que Dilma use aviões da FAB apenas para ir a Porto Alegre
Paulo Victor Chagas e Daniel Isaia - Repórteres da Agência Brasil
A Casa Civil da Presidência da República recomendou que a presidente afastada Dilma Rousseff use os aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) somente nos deslocamentos de Brasília até Porto Alegre, onde mora sua família.
De acordo com parecer elaborado pela pasta a pedido do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, o transporte aéreo de Dilma deve ser concedido levando em conta que ela está afastada das funções presidenciais e não tem agenda oficial como chefe de governo, nem como chefe de Estado.
Conforme o documento, a aeronave da FAB deve destinar-se exclusivamente a Dilma e auxiliares imediatos "previamente apontados", entre eles um coordenador de segurança e um aéreo. Os demais integrantes da equipe devem pegar voos comerciais, mas terão despesas pagas pela União, "da mesma forma que ocorre com os demais servidores públicos", informa o parecer. O exame foi feito após consulta do GSI, órgão responsável pela segurança do presidente da República, do vice-presidente e de seus auxiliares.
A Casa Civil informou que o parecer será encaminhado também à Secretaria de Administração da Presidência e está embasada em notificação elaborada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), em maio, no dia em que os senadores aprovaram o afastamento de Dilma. Pela notificação, a presidente afastada deve manter as prerrogativas do cargo relativas à residência oficial, segurança pessoal, assistência à saúde, transporte aéreo e terrestre, remuneração e equipe a serviço no gabinete pessoal da Presidência.
O parecer da Casa Civil, aprovado na última quarta-feira (1), recomenda pagamento de remuneração integral com base em pressupostos constitucionais que pregam a irredutibilidade do salário. A Casa Civil entende também que a única residência oficial a que Dilma tem direito e,m um período de 180 dias é o Palácio da Alvorada, como já ocorria antes. O parecer detalha que os deslocamentos terrestres devem ser feitos com cinco veículos e uma ambulância, também como era de praxe.
Nesta sexta-feira (3), durante evento em Porto Alegre, a presidente afastada considerou a decisão "grave" e disse que o objetivo é "proibir" que ela viaje.
"Hoje houve uma decisão dessa Casa Civil ilegítima, provisória e interina. Não sei se vocês sabem, mas eu não posso, como qualquer outra pessoa, pegar um avião. Para eu pegar um avião, tem de ter toda uma segurança atrás de mim", disse Dilma. A presidente afastada lembrou que a Constituição garante sua segurança. "É a Constituição que manda. Estamos diante de uma situação que vai ter de ser resolvida. Porque eu vou viajar! Vamos ver como vai ser a minha viagem", afirmou Dilma, que participou, na capital gaúcha, do lançamento do livro A Resistência contra o Golpe em 2016.
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Dilma participou em Porto Alegre do lançmento de livro que critica o impeachment e atacou o relator do processo, senador Antonio Anastasia (PSDB-MG)Daniel Ito Isaia/Agência Brasil
A presidente afastada Dilma Rousseff criticou a decisão do relator da Comissão do Processante do Impeachment no Senado, Antonio Anastasia (PSDB-MG), de não permitir à sua defesa incluir no processo deimpeachment as gravações realizadas pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado com políticos do PMDB. A crítica foi feita hoje, em Porto Alegre, durante lançamento do livroA Resistência ao Golpe em 2016, no Teatro Dante Barone, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, organizado por movimentos ligados à Frente Brasil Popular.
“[Anastasia] teve uma atitude clara de tentar impedir que nós exerçamos o direito de defesa. Por que isso? Porque eles percebem que, a cada dia, também pelas próprias revelações gravadas dos que articularam o golpe, as dificuldades de legitimar e justificar o golpe são muito fortes”, afirmou Dilma. Ela aproveitou o momento para criticar, também, a gestão de Michel Temer como presidente interino: “Eles estão implantando um projeto de governo ultraliberal e ultraconservador que não foi votado nem sequer em uma reunião de condomínio, quanto mais pela população brasileira”.
A presidente afastada também buscou se defender de informações divulgadas pelo jornal O Globo, de que ela teria utilizado dinheiro do esquema de corrupção na Petrobras para pagar as contas e as viagens do cabeleireiro Celso Kamura. “O mais interessante é que eles ligam o cabelo à compra da refinaria de Pasadena. Esse caso foi em 2006, e nesse ano eu não conhecia o Celso Kamura. Não passava nem pelo meu sonho que eu seria candidata à presidência da República”, ressaltou Dilma. Ela afirmou, ainda, que conheceu o cabeleireiro durante a campanha eleitoral de 2010 e guardou todos os recibos dos pagamentos a Kamura, tanto das passagens aéreas quanto do serviço profissional.
Após o lançamento do livro, por volta das 18h, a presidenta afastada Dilma Rousseff seguiu para a Esquina Democrática, no centro histórico de Porto Alegre, para participar de um ato público que contou com milhares de pessoas. “Jamais esperei enfrentar um novo golpe. Eu não tenho contas na Suíça, minhas mãos não estão sujas com esse dinheiro [da corrupção]”, afirmou aos presentes. A presidenta afastada conclamou o povo a lutar para “vencer o golpe”.
Após o ato, Dilma foi para a acasa de parentes, na zona sul da capital gaúcha, onde deve passar o fim de semana.
Agência Brasil
Cardozo recorre ao STF contra redução do prazo do impeachment no Senado
Mariana Jungmann - Repórter da Agência Brasil
O primeiro dos quatro recursos anunciados hoje (3) pelo advogado da presidente afastada Dilma Rousseff, José Eduardo Cardozo, já foi protocolado na Secretaria Geral da Mesa do Senado. O recurso diz respeito ao prazo para alegações finais da defesa de Dilma, que ontem (2) ficou estabelecido em cinco dias, após o presidente da Comissão Processante do Impeachment, senador Raimundo Lira (PMDB-PB), acatar questão de ordem da senadora Simone Tebet (PMDB-MS).
Para José Eduardo Cardozo, o prazo para as alegações finais da defesa não pode ser menor que 20 diasDomingos Tadeu/Agência Brasil
Cardozo encaminhou o recurso ao presidente do processo e última instância recursal, ministro Ricardo Lewandowski, alegando que o prazo para as alegações finais da defesa não pode ser menor que 20 dias.
Em resposta à argumentação da senadora, Cardozo informou que, à época doimpeachment do ex-presidente Fernando Collor, havia um vazio legal em relação à questão no Código Penal, o que propiciou a adoção de prazo de 15 dias. De acordo com a senadora, o código foi alterado posteriormente e, agora, seria possível aplicar o prazo de cinco dias para acusação e mais cinco para defesa nas alegações finais.
“Não pode prevalecer o fundamento da eminente senadora no sentido de que, quando do julgamento do STF para o caso Collor em 1992, havia um vazio normativo do Código de Processo Penal”, afirmou o advogado.
Segundo ele, havia sim a previsão de prazo de três dias à época, mas o próprio STF determinou que fosse considerada como base a Lei 8.038/90 para os procedimentos de impeachment.
Cardozo esclareceu ainda que a Lei do Impeachment – Lei 1.079/50 – também estabelece que a Lei 8.038/90 deverá ser aplicada no processamento e julgamento dos crimes de responsabilidade cometidos por pessoas com foro privilegiado. Na época do julgamento de Collor, com base nesta lei, foi adotado prazo de 15 dias para as alegações finais da defesa.
O advogado acrescentou que as alegações finais são “a materialidade integral da defesa” e não podem ter prazo menor que o concedido para a defesa prévia, que foi de 20 dias. “Fora concedido para a defesa o prazo de 20 dias para apresentação da defesa prévia. Consequentemente, considerando que as alegações finais são, na realidade, a materialidade integral da defesa, tanto em seu sentido procedimental quanto em sentido substancial, não há como admitir fundamento para a concessão de prazo inferior ao de 20 dias”, alegou Cardozo.
O recurso é o primeiro de quatro que serão apresentados a Lewandowski pela defesa da presidente afastada. Eles são protocolados no Senado e posteriormente oficializados ao presidente do Supremo que, neste caso, atua como última instância recursal e presidente do processo de impeachment.
Lewandowski recebeu ontem o primeiro recurso referente ao processo, do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), solicitando redução do número de testemunhas a serem ouvidas. Ele deve responder esses recursos até segunda-feira (6).
Agência Brasil
Portugal é o segundo país que mais recebe refugiados em programa da UE
Marieta Cazarré - Correspondente da Agência Brasil
Mais de 300 refugiados, provenientes da Grécia e da Itália, chegaram a Portugal nas últimas semanas. O acolhimento dessas pessoas faz parte do compromisso assumido pelo país de receber, até o final do ano que vem, pelo menos 4,5 mil refugiados. Até o momento, o país ocupa o segundo lugar entre as nações da União Europeia que mais refugiados recebeu dentro do programa de recolocação. A França é o primeiro, com 700 refugiados realocados.
Diante da maior crise migratória desde a Segunda Guerra Mundial, os 28 países da União Europeia se comprometeram, em setembro do ano passado, a acolher 160 mil pessoas até 2017 por meio de programas de acolhimento de refugiados.
“Portugal, em termos absolutos, é o segundo país que mais recebeu refugiados. Foram cerca de 300 até agora. Mas isto corresponde a menos de 10% da nossa disponibilidade inicial [que era de acolher 4.500]. Os números mais recentes mostram que só foram disponibilizados, por todos os países da UE, cerca de 7 mil vagas”, disse o coordenador da organização não governamental Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR) de Portugal, Rui Marques.
De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), em 2014 o número de pessoas deslocadas por guerras atingiu o recorde de 59,5 milhões. Os conflitos obrigaram 42,5 mil pessoas a deixarem suas casas por dia, em média.
Em 2015, pelo menos 1 milhão de refugiados chegaram a Europa, a metade era composta de sírios fugindo da guerra em seu país.
Para Rui Marques, a Europa precisa de ações integradas que contribuam para solucionar os problemas migratórios. “No contexto da guerra da Síria, a União Europeia tem que ser participativa na construção de um processo de paz efetivo. Enquanto não houver paz na Síria, não terminará o fluxo de refugiados, porque as pessoas naturalmente fogem da guerra”, afirmou.
Ainda segundo ele, é necessário que a Europa apoie efetivamente, com mais recursos, os refugiados que estão abrigados em países vizinhos aos conflitos, como o Líbano, a Jordânia e a Turquia e também os campos de refugiados, onde há pessoas que querem permanecer próximas a seus países de origem, com condições dignas de vida, com escolas e serviços de saúde adequados.
“Como se sabe, na Europa, há uma grande tensão em relação ao acolhimento dos refugiados. Nós queremos, junto à opinião pública portuguesa, combater a ignorância e o medo, sensibilizando para uma cultura de acolhimento. O objetivo é que possa haver cada vez mais uma atitude positiva”, afirmou Marques à Agência Brasil.
De acordo com o Conselho Português para os Refugiados (CPR), a Europa tem desempenhado um papel modesto e o número de refugiados reinstalados no mundo anualmente tem ficado aquém das necessidades identificadas pela Acnur, raramente ultrapassando os 10% dos pedidos.
Rui Marques afirmou ainda que o processo de recolocação proposto pela UE tem se mostrado lento. “É muito lento e burocrático e faz com que aquele que era o objetivo europeu de reintegrar refugiados não atinja a quantidade que deveria. A UE não tem mecanismos para que esses processos corram rapidamente. Na Grécia, por exemplo, por causa da avalanche de pedidos, todo o procedimento é lento e eles não dão conta de processar.”
Portugal disponibilizou, até o momento, 700 vagas para refugiados em todo o país, 300 já foram preenchidas com pessoas vindas da Grécia (sírios e iraquianos) e da Itália (majoritariamente eritreus).
De acordo com a PAR, instituição composta por 320 organizações da sociedade civil, Portugal optou por não ter centros de refugiados. O modelo adotado pelo país é o comunitário, no qual instituições anfitriãs recebem famílias e as ajudam na integração e autonomia.
“Ajudar as pessoas no acesso à moradia; à aprendizagem do português; à inserção no mercado de trabalho, conforme forem aptas para isso; à integração no sistema de saúde; e [à inserção das] crianças no sistema de educação”, afirma Marques.
Para Marques, Portugal tem uma realidade atípica, diferente da da UE, pois todos os políticos, mesmo os de extrema direita, não fazem propaganda contra os refugiados.
Números
Segundo a PAR, mais de 4 milhões de refugiados fogem atualmente de guerras, metade deles são crianças. Além disso, 12,2 milhões de sírios precisam de ajuda humanitária, dos quais 7,6 milhões estão deslocados internamente.
De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), apenas nos primeiros sete meses de 2015, 133 mil crianças pediram asilo na Europa - uma média de 19 mil crianças por mês. Atualmente, mais de 5,6 milhões de crianças sírias precisam de ajuda humanitária. Cerca de 2 milhões de crianças continuam vivendo em zonas de difícil acesso no interior da Síria. Um quinto das escolas no país foram destruídas, danificadas ou são usadas como abrigos; 52 mil professores foram mortos ou fugiram do país. Mais de 2,6 milhões de crianças sírias e de países vizinhos continuam sem acesso à educação e mais de 100 mil crianças já nasceram em campos de refugiados.
De acordo com a Acnur, das 59,5 milhões de pessoas deslocadas forçadamente no mundo até o final de 2014, 19,5 milhões eram refugiadas; mais de 38 milhões foram deslocadas internamente e quase 2 milhões solicitaram refúgio. A Síria foi o país que gerou o maior número tanto de deslocados internos (7,6 milhões de pessoas) quanto de refugiados (3,88 milhões). Em seguida estão Afeganistão (2,59 milhões de refugiados) e Somália (1,1 milhão de refugiados).
Agência Brasil
Manifestantes protestam contra violência sofrida por crianças nas ruas de SP
Daniel Mello - Repórter da Agência Brasil
Garoto usa megaforne em protesto contra violência que atinge crianças em São PauloRovena Rosa/Agência Brasil
Um protesto lembrou hoje (3) as mortes de crianças e adolescentes em situação de rua no centro da capital paulista. Segundo entidades e organizações não governamentais que trabalham com esses jovens, foram pelo menos sete casos no último ano. Uma homenagem especial foi feita a João Victor, um adolescente de 13 anos, que morreu após ser espancado em frente ao Fórum João Mendes, na Praça da Sé, no dia 13 de março. A manifestação envolveu 20 organizações, além de jovens da região central.
“A gente resolveu homenagear e fazer um espaço para que eles possam relembrar essas mortes, fazer um luto. E também a vida dos que estão aqui até hoje”, disse o educador do Projeto Travessia Marcus Vinícius Alves, sobre o ato que começou no Vale do Anhangabaú. No local, foram montados cartazes com os nomes das vítimas da violência e mensagens dos jovens que vivem na região do centro paulistano.
Sobre João Victor, um dos participantes escreveu: “Mais um parceiro guardado no céu”. Outro jovem fez uma cobrança: “Quero justiça para todos os meus amigos que morreram”, dizia a mensagem. Os manifestantes saíram em passeata até a porta do Fórum João Mendes, onde o adolescente foi assassinado em março.
Além dos homicídios e brigas, Vinícius Alves disse que muitos dos jovens acabam morrendo em incidentes e por abuso de drogas. “Na nossa visão, até o uso abusivo de drogas, porque eles estão na rua e não têm muito atendimento, também é uma violência”, destacou o educador. “São várias violências, principalmente do Estado, que dá uma invisibilidade para a vida deles.”
Na opinião de Alves, as políticas públicas para combater o problema devem ter abrangência inclusive fora do centro. Apesar da região concentrar a maior parte da população de rua da capital paulista, muitas crianças e adolescentes têm família nos pontos extremos da cidade. “A gente também briga para que as comunidades e periferias sejam mais bem vistas pelo governo. Que eles não tenham que vir para o centro buscar espaço de lazer e outras coisas.”
Jovens mostram estrelas com nomes de amigos mortos nas ruas da capital paulistaRovena Rosa/Agência Brasil
Esse é o caso de Raquel, de 15 anos, que tem família na Cidade Tiradentes, no extremo leste da capital. Em uma estrela, ela escreveu o nome de cinco pessoas que considerava importantes e que perderam a vida de forma violenta. Uma delas era o irmão, morto pela polícia há poucas semanas. “Ele levou seis tiros”, contou a jovem.
No entanto, o maior medo de Raquel, que vive sob um viaduto, é dos skinheads (cabeças rapadas), como são conhecidos alguns grupos de neonazistas. A adolescente disse que outro irmão, que vive com ela, foi atacado recentemente por um desses bandos. “Os skinheadsquebraram o braço dele. Eles andam em gangues, em lugares que não anda ninguém.”
Agência Brasil