No
dia 12 de janeiro de 2010 — há quase cinco anos, portanto —, publiquei a
lista de todas as pessoas que foram assassinadas pelos terroristas de
esquerda. Cheguei a 119. O Clube Militar fala em 120. Que fossem apenas
duas, pouco importa: suas respectivas mortes e seus respectivos nomes
tinham de estar na lista da Comissão da Verdade. Por que não estão? Pelo
visto, essa turma não leva a sério aquela história de que a morte de
qualquer homem nos diminui. Eles não se sentem diminuídos nem com mais
de 100.
E
que se note: entre os 434 mortos “do bem” (os assassinados pelas
esquerdas, pelo visto, são “mortos do mal”), há uma pessoa que já se
sabe estar, felizmente, viva. Trata-se de Dirce Machado da Silva. A
relação elaborada pelas esquerdas inclui, por exemplo, os que morreram
de arma na mão no Araguaia. Antes que prossiga, uma questão de
princípio: não deveria ter morrido uma só pessoa depois de rendida pelo
Estado. Ponto final. Não há o que discutir sobre esse particular.
Mas
o que é que os livros de história, boa parte da imprensa e, agora, a
Comissão da Verdade escondem de você, leitor? Apenas a… verdade! As
esquerdas alegavam até outro dia que o Regime Militar, ao longo de 21
anos, havia matado 424 pessoas — número agora ampliado para 434. É um
total provavelmente inflado. Mortos comprovados eram 293 (agora não
sei). Os outros constavam como “desaparecidos” e se dava de barato que
tenham sido eliminados por agentes do regime. Havia casos em que a
vinculação com a luta política não estava comprovada. E, como já
lembrei, estão na lista os mortos do Araguaia, que estavam lá para matar
ou morrer. Que corpos tenham sumido, é evidente, é inaceitável. Que
pessoas tenham sido executadas depois de rendidas, idem. Adiante.
O
que não se diz é que o terrorismo de esquerda matou nada menos de 119
pessoas, muitas delas sem vinculação com a luta política. Quase ninguém
sabe disso. Consolidou-se ainda outra brutal inverdade histórica,
segundo a qual as ações armadas da esquerda só tiveram início depois do
AI-5, de 13 de dezembro de 1968. É como se, antes disso, os esquerdistas
tivessem se dedicado apenas à resistência pacífica.
Neste
primeiro post sobre as vítimas dos terroristas de esquerda, listo
apenas as pessoas mortas antes do AI-5: nada menos de 19. Em muitos
casos, aparecem os nomes dos assassinos.
Se
vocês forem procurar, muitos homicidas estão na lista dos indenizados
do Bolsa Ditadura, beneficiados por sua suposta “luta em favor da
democracia”. Ou, então, suas respectivas famílias recebem o benefício, e
o terrorista é alçado ao panteão dos heróis. Os casos mais escandalosos
são os facinorosos Carlos Marighella e Carlos Lamarca. Quem fez a lista
dos assassinados pela esquerda é o grupo Terrorismo Nunca Mais. “Ah,
lista feita pelo pessoal ligado os militares não vale!!!” E a feita pela
extrema esquerda? Vale? Ademais, as mortes estão devidamente
documentadas. Seguem os nomes das 19 pessoas assassinadas antes do AI-5
e, sempre que possível, de seus algozes. Em outros posts, os outros 100
nomes.
Ah,
sim: PARA AS VÍTIMAS DA ESQUERDA, NÃO HÁ INDENIZAÇÃO. Como vocês sabem,
elas não têm nem mesmo direito à memória. Foram apagados da história
pela Comissão da Verdade, que é de mentira.
AS VÍTIMAS DAS ESQUERDAS ANTES DO AI-5
1 – 12/11/64 – Paulo Macena, vigia – RJ
Explosão
de bomba deixada por uma organização comunista nunca identificada, em
protesto contra a aprovação da Lei Suplicy, que extinguiu a UNE e a
UBES. No Cine Bruni, Flamengo, com seis feridos graves e um morto.
2 – 27/03/65 – Carlos Argemiro Camargo, sargento do Exército – Paraná
Emboscada
de um grupo de militantes da Força Armada de Libertação Nacional
(FALN), chefiado pelo ex-coronel Jeffersom Cardim de Alencar Osório.
Camargo foi morto a tiros. Sua mulher estava grávida de sete meses.
3 – 25/07/66 – Edson Régis de Carvalho, jornalista – PE
Explosão de bomba no Aeroporto Internacional de Guararapes, com 17 feridos e 2 mortos. Ver próximo nome.
4 – 25/07/66 – Nelson Gomes Fernandes, almirante – PE
Morto
no mesmo atentado citado no item 3. Além das duas vítimas fatais,
ficaram feridas 17 pessoas, entre elas o então coronel do Exército
Sylvio Ferreira da Silva. Além de fraturas expostas, teve amputados
quatro dedos da mão esquerda. Sebastião Tomaz de Aquino, guarda civil,
teve a perna direita amputada.
5 – 28/09/66 – Raimundo de Carvalho Andrade, cabo da PM, GO
Morto
durante uma tentativa de desocupação do Colégio Estadual Campinas, em
Goiânia, que havia sido ocupado por estudantes de esquerda. O grupo de
soldados convocado para a tarefa era formado por burocratas, cozinheiros
etc. Estavam armados com balas de festim. Andrade, que era alfaiate da
Polícia Militar, foi morto por uma bala de verdade disparada de dentro
da escola.
6 – 24/11/67 – José Gonçalves Conceição (Zé Dico), fazendeiro – SP
Morto
por Edmur Péricles de Camargo, integrante da Ala Marighella, durante a
invasão da fazenda Bandeirante, em Presidente Epitácio. Zé Dico foi
trancado num quarto, torturado e, finalmente, morto com vários tiros. O
filho do fazendeiro que tentara socorrer o pai foi baleado por Edmur com
dois tiros nas costas.
7 – 15/12/67 – Osíris Motta Marcondes, bancário – SP
Morto quando tentava impedir um assalto terrorista ao Banco Mercantil, do qual era o gerente.
8 – 10/01/68 – Agostinho Ferreira Lima, Marinha Mercante – Rio Negro/AM
No
dia 06/12/67, a lancha da Marinha Mercante “Antônio Alberto” foi
atacada por um grupo de nove terroristas, liderados por Ricardo Alberto
Aguado Gomes, “Dr. Ramon”, que, posteriormente, ingressou na Ação
Libertadora Nacional (ALN). Neste ataque, Agostinho Ferreira Lima foi
ferido gravemente, vindo a morrer no dia 10/01/68.
9 – 31/05/68 – Ailton de Oliveira, guarda penitenciário – RJ
O
Movimento Armado Revolucionário (MAR) montou uma ação para libertar
nove de seus membros que cumpriam pena na Penitenciária Lemos de Brito
(RJ) e que, uma vez libertados, deveriam seguir para a região de
Conceição de Jacareí, onde o MAR pretendia estabelecer o “embrião do
foco guerrilheiro”. No dia 26/05/68, o estagiário Júlio César entregou à
funcionária da penitenciária Natersa Passos, num pacote, três
revólveres calibre 38. Às 17h30, teve início a fuga. Os terroristas
foram surpreendidos pelos guardas penitenciários Ailton de Oliveira e
Jorge Félix Barbosa. Foram feridos, e Ailton morreu no dia 31/05/68.
Ainda ficou gravemente ferido o funcionário da Light João Dias Pereira,
que se encontrava na calçada da penitenciária. O autor dos disparos que
atingiram o guarda Ailton foi o terrorista Avelino Brioni Capitani.
10 – 26/06/68 – Mário Kozel Filho, soldado do Exército – SP
No
dia 26/06/68, Kozel atua como sentinela do Quartel General do II
Exército. Às 4h30, um tiro é disparado por um outro soldado contra uma
camioneta que, desgovernada, tenta penetrar no quartel. Seu motorista
saltara dela em movimento, após acelerá-la e direcioná-la para o portão
do QG. O soldado Rufino, também sentinela, dispara 6 tiros contra o
mesmo veículo, que, finalmente, bate na parede externa do quartel. Kozel
sai do seu posto e corre em direção ao carro para ver se havia alguém
no seu interior. Havia uma carga com 50 quilos de dinamite, que,
segundos depois, explode. O corpo de Kozel é dilacerado. Os soldados
João Fernandes, Luiz Roberto Julião e Edson Roberto Rufino ficam muito
feridos. É mais um ato terrorista da organização chefiada por Lamarca, a
VPR. Participaram do crime os terroristas Diógenes José de Carvalho
Oliveira, Waldir Carlos Sarapu, Wilson Egídio Fava, Onofre Pinto,
Edmundo Coleen Leite, José Araújo Nóbrega, Oswaldo Antônio dos Santos,
Dulce de Souza Maia, Renata Ferraz Guerra Andrade e José Ronaldo Tavares
de Lima e Silva. Ah, sim: a família de Lamarca recebeu indenização. De
Kozel, quase ninguém mais se lembra.
11 – 27/06/68 – Noel de Oliveira Ramos, civil – RJ
Morto
com um tiro no coração em conflito na rua. Estudantes distribuíam, no
Largo de São Francisco, panfletos a favor do governo e contra as
agitações estudantis conduzidas por militantes comunistas. Gessé Barbosa
de Souza, eletricista e militante da VPR, conhecido como “Juliano” ou
“Julião”, infiltrado no movimento, tentou impedir a manifestação com uma
arma. Os estudantes, em grande maioria, não se intimidaram e tentaram
segurar Gessé que fugiu atirando, atingindo mortalmente Noel de Oliveira
Ramos e ferindo o engraxate Olavo Siqueira.
12 – 27/06/68 – Nelson de Barros, sargento PM – RJ No
dia 21/06/68, conhecida como a “Sexta-Feira Sangrenta”, realizou-se no
Rio uma passeata contra o regime militar. Cerca de 10.000 pessoas
ergueram barricadas, incendiaram carros, agrediram motoristas, saquearam
lojas, atacaram a tiros a embaixada americana e as tropas da Polícia
Militar. No fim da noite, pelo menos 10 mortos e centenas de feridos.
Entre estes, estava o sargento da PM Nelson de Barros, que morreu no dia
27.
13 – 01/07/68 – Edward Ernest Tito Otto Maximilian Von Westernhagen, major do Exército Alemão – RJ
Morto
no Rio, onde fazia o Curso da Escola de Comando e Estado Maior do
Exército. Assassinado na rua Engenheiro Duarte, Gávea, por ter sido
confundido com o major boliviano Gary Prado, suposto matador de Che
Guevara, que também cursava a mesma escola. Autores: Severino Viana
Callou, João Lucas Alves e um terceiro não identificado. Todos
pertenciam à organização terrorista Colima – Comando de Libertação
Nacional.
14 – 07/09/68 – Eduardo Custódio de Souza, soldado da PM – SP
Morto com sete tiros por terroristas de uma organização não identificada quando de sentinela no Deops, em São Paulo.
15 – 20/09/68 – Antônio Carlos Jeffery, soldado da PM – SP
Morto
a tiros quando de sentinela no quartel da então Força Pública de São
Paulo (atual PM) no Barro Branco. Organização terrorista que praticou o
assassinato: Vanguarda Popular Revolucionária. Assassinos: Pedro Lobo de
Oliveira, Onofre Pinto, Diógenes José Carvalho de Oliveira, atualmente
conhecido como “Diógenes do PT”, ex-auxiliar de Olívio Dutra no Governo
do RS.
16 – 12/10/68 – Charles Rodney Chandler, capitão do Exército dos Estados Unidos – SP
Herói
na guerra com o Vietnã, veio ao Brasil para fazer o Curso de Sociologia
e Política, na Fundação Álvares Penteado, em São Paulo/SP. No início de
outubro de 68, um “Tribunal Revolucionário”, composto pelos dirigentes
da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), Onofre Pinto (Augusto,
Ribeiro, Ari), João Carlos Kfouri Quartin de Morais (Maneco) e Ladislas
Dowbor (Jamil), condenou o capitão Chandler à morte, porque ele “seria
um agente da CIA”. Os levantamentos da rotina de vida do capitão foram
realizados por Dulce de Souza Maia (Judite). Quando retirava seu carro
da garagem para seguir para a faculdade, Chandler foi assassinado com 14
tiros de metralhadora e vários tiros de revólver, na frente da sua
mulher, Joan, e de seus três filhos. O grupo de execução era
constituído pelos terroristas Pedro Lobo de Oliveira (Getúlio), Diógenes
José de Carvalho Oliveira (Luis, Leonardo, Pedro) e Marco Antônio Bráz
de Carvalho (Marquito).
17 – 24/10/68 – Luiz Carlos Augusto, civil – RJ
Morto, com um tiro, durante uma passeata estudantil.
18 – 25/10/68 – Wenceslau Ramalho Leite, civil – RJ
Morto,
com quatro tiros de pistola Luger 9 mm durante o roubo de seu carro, na
avenida 28 de Setembro, Vila Isabel, RJ. Autores: Murilo Pinto da Silva
(Cesar ou Miranda) e Fausto Machado Freire (Ruivo ou Wilson), ambos
integrantes da organização terrorista Colima (Comando de Libertação
Nacional).
19 – 07/11/68 – Estanislau Ignácio Correia, civil – SP
Morto
pelos terroristas Ioshitame Fujimore, Oswaldo Antônio dos Santos e
Pedro Lobo Oliveira, todos integrantes da Vanguarda Popular
Revolucionária (VPR), quando roubavam seu automóvel na esquina das ruas
Carlos Norberto Souza Aranha e Jaime Fonseca Rodrigues, em São Paulo.
Texto publicado originalmente às 22h13 desta quinta