Os Estados Unidos, que neste sábado (3) anunciaram a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro em um ataque militar, possuem um longo histórico de intervenções na América Latina e de apoio a regimes autoritários na região.
O ex-presidente Hugo Chávez e seu sucessor, Maduro, já haviam acusado Washington em diversas ocasiões de apoiar tentativas de golpe, incluindo a que afastou Chávez do poder por dois dias em 2002.
📌 Principais intervenções desde a Guerra Fria
1954 – Guatemala: O presidente Jacobo Arbenz Guzmán foi derrubado por mercenários financiados pelos EUA, após reforma agrária que afetava os interesses da United Fruit Corporation. Décadas depois, os EUA reconheceram o papel da CIA no golpe.
1961 – Cuba: A invasão da Baía dos Porcos, com 1.400 anticastristas treinados pela CIA, fracassou em derrubar o regime de Fidel Castro. Os combates deixaram centenas de mortos.
1965 – República Dominicana: Em nome do “perigo comunista”, os EUA enviaram tropas para sufocar um levante em favor do presidente deposto Juan Bosch.
Anos 1970 – Cone Sul: Washington apoiou ditaduras militares como a de Augusto Pinochet no Chile (golpe contra Salvador Allende em 1973) e a junta argentina em 1976. Documentos desclassificados revelaram incentivo de Henry Kissinger à repressão.
Nesse período, seis países (Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Brasil) coordenaram perseguições a opositores no Plano Condor, com apoio tácito dos EUA.
Anos 1980 – América Central:
Na Nicarágua, os EUA financiaram os Contras contra os sandinistas, em operação ligada ao escândalo Irã-Contras. A guerra civil deixou cerca de 50 mil mortos.
Em El Salvador, assessores militares americanos apoiaram o governo contra a guerrilha da FMLN, em conflito que matou 72 mil pessoas.
1983 – Granada: Após o assassinato do premiê Maurice Bishop, os EUA intervieram na ilha caribenha. A operação “Urgent Fury” foi considerada bem-sucedida por Washington, mas condenada pela ONU.
1989 – Panamá: A operação “Causa Justa” levou à captura do general Manuel Noriega, ex-colaborador dos EUA acusado de tráfico de drogas. Oficialmente, 500 pessoas morreram, mas ONGs estimam milhares.
O país também sediou a Escola das Américas, criada em 1946, onde foram treinados diversos militares que se tornaram ditadores na região.
Fonte: Correio do Povo

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