Refugiados venezuelanos no RS veem prisão de Maduro como liberdade, mas também como luto

 


A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, neste sábado (3), e os bombardeios que atingiram Caracas e outras regiões do país, repercutiram entre refugiados que vivem no Rio Grande do Sul. Para muitos, o momento é de celebração pela expectativa de mudança, mas também de preocupação com as perdas humanas.

📌 Vozes da comunidade

A refugiada Lisbeth Del Valle García Olivares, que vive há quase três anos em Esteio, afirmou que a prisão de Maduro simboliza liberdade, mas também dor:

“A captura de Maduro representa a liberdade do povo venezuelano, mas também um luto por todas as pessoas inocentes que perderam a vida.”

Ela relatou dificuldades em se comunicar com familiares em Caracas, devido ao corte de comunicações, e destacou que muitos venezuelanos comemoram a queda do regime, embora ignorem a gravidade da situação.

🏠 História de Lisbeth

Natural de Guayana, Lisbeth deixou o país em fevereiro de 2023 com o marido e quatro filhos, chegando ao Brasil em março. Hoje trabalha como pedreira e participa da Casa dos Imigrantes e Refugiados do RS, ONG que apoia migrantes. Ela recorda que saiu da Venezuela por não suportar ver os filhos passando fome:

“A gente conseguia um quilo de arroz para comer em um dia. Só arroz puro. Não havia educação nem hospitais adequados.”

Apesar das dificuldades de adaptação, afirma que no Brasil conseguiu reconstruir a vida e dar melhores condições às crianças.

📌 Outra voz: Gregoria Rodriguez

Também moradora de Esteio, Gregoria Rodriguez celebrou a prisão de Maduro como “uma ótima notícia”, lembrando que o presidente destruiu a economia em menos de um ano após assumir em 2013. Ela deixou San Félix em 2018, viveu em Manaus e Roraima, e desde 2020 está no RS.

“Na Venezuela a gente não tem futuro. Eu trabalhava, estudava, mas o dinheiro não valia nada. Não havia produtos nos mercados.”

Gregoria relatou que familiares em Caracas enfrentam tensão, com militares nas ruas e comércio fechado.

🌍 Expectativas

Apesar da dor pelas vítimas dos bombardeios, Lisbeth acredita que a Venezuela pode iniciar uma nova fase:

“Antes da ditadura de Maduro havia empregos, o dinheiro dava para viver. Ainda quero voltar, mas estou aqui para dar melhoria para meus filhos. O que passamos lá, não quero que eles voltem a passar.”

Fonte: Correio do Povo

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