terça-feira, 24 de agosto de 2021

Tensão política e risco fiscal fazem o mercado financeiro elevar a previsão de inflação no País

 


Os economistas do mercado financeiro elevaram a estimativa do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), a inflação oficial do País, pela vigésima semana seguida. A expectativa para o indicador em 2021 subiu de 7,05% para 7,11%. Ao mesmo tempo, os analistas estimaram uma alta menor do PIB (Produto Interno Bruto).

As previsões do mercado constam no relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira (23) pelo BC (Banco Central). O centro da meta de inflação, em 2020, é de 3,75%. Pelo sistema vigente no País, será considerada cumprida se ficar entre 2,25% e 5,25%. Com isso, a projeção do mercado fica cada vez mais acima do teto do sistema de metas.

A meta de inflação é fixada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia. Em 2020, pressionado pelos preços dos alimentos, o IPCA ficou em 4,52%, acima do centro da meta para o ano, que era de 4%, mas dentro do intervalo de tolerância. Foi a maior inflação anual desde 2016.

Para 2022, o mercado financeiro subiu de 3,90% para 3,93% a estimativa de inflação. Foi a quarta alta seguida no indicador. No ano que vem, a meta central de inflação é de 3,50% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2% a 5%.

PIB

No caso do PIB de 2021, os economistas do mercado financeiro reduziram estimativa para o crescimento de 5,28% para 5,27%. O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no País e serve para medir a evolução da economia.

Para 2022, o mercado baixou a previsão de alta do PIB de 2,04% para 2%. Apesar de a economia ter mostrado reação no fim de 2020 e começo deste ano, a despeito da pandemia da Covid-19, tensões políticas e “riscos fiscais” (dúvidas sobre a sustentabilidade das contas públicas) têm contido as previsões de alta da atividade nas últimas semanas.

Taxa básica de juros

O mercado financeiro também manteve em 7,50% ao ano a previsão para a Selic no fim de 2021. Com isso, os analistas seguem estimando alta nos juros em 2021. Em março, na primeira elevação em quase seis anos, a taxa básica da economia foi aumentada pelo BC para 2,75% ao ano. Em maio, o Copom elevou o juro para 3,5% ao ano e, em junho, a taxa avançou ara 4,25% ao ano. Na semana passada, a taxa subiu para 5,25% ao ano.

Para o fim de 2022, os economistas do mercado financeiro mantiveram a expectativa para a taxa Selic para 7,50% ao ano, o que pressupõe estabilidade do juro básico da economia no ano que vem.

O Sul

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