segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Compra da Latam pela Azul pode elevar preço da passagem aérea no Brasil

 


Se concretizada, a compra da Latam dará a Azul o controle de 60% do mercado de voos domésticos no Brasil, o que, claro, é um risco para o consumidor. Há especialistas que preveem um aumento médio de passagens de 30%. Atualmente a Azul tem 27% do mercado nacional.

Alguns trechos podem ter uma explosão no preço, sobretudo naqueles em que as duas companhias atuam juntas. Hoje, Azul e Latam têm 42 rotas com 3 operações/mês para cada companhia. Três delas chamam a atenção: Brasília-São Paulo, Rio de Janeiro-São Paulo e Brasília-Recife. Nestas rotas, o impacto pode alcançar 140%.

O levantamento foi feito com base no mapa de rotas da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e no impacto causado em todo o setor com o encerramento das operações da empresa colombiana Avianca, em 2019.

Em 2020, segundo relatório de tarifas aéreas domésticas da ANAC, a Azul registrou a maior tarifa média doméstica do setor, chegando a R$ 429. Em segundo lugar, está a Latam com tarifa de R$ 348. A empresa foi a segunda com maior queda de preço das passagens, com redução de 14,3% no preço das passagens. A Latam só fica atrás da Gol, que teve diminuição de 17,5% e tarifa média de R$ 340.

A possível compra já movimenta o Congresso Nacional. O controle de 60% do mercado aeroviário brasileiro por parte de uma única empresa pode diminuir a competitividade e impactar diretamente no setor. O deputado Eduardo Bismarck (PDT-CE) encaminhou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) um requerimento para investigação dos impactos de uma eventual fusão. Bismarck acredita que a operação levaria à falta de competitividade no setor aéreo e, segundo ele, quem vai pagar por isso é a população.

Para o consumidor

Com menos companhias aéreas disputando o mercado, é possível que os preços aumentem por falta de concorrentes – principalmente em trajetos que têm pouca participação da Gol. E também é necessário lembrar que, atualmente, os preços praticados estão abaixo dos últimos anos, principalmente por conta da crise no setor. Mas existe a possibilidade de maior eficiência favorecer o passageiro.

“A combinação das empresas permitirá otimizar malhas e reduzir a ineficiência do sistema, o que pode se traduzir em ganhos para os passageiros. Não somente em menores tarifas, mas também em melhor nível de serviço, seja nos destinos ou nas frequências. Fora que clientes Latam herdariam a capilaridade da Azul”, diz David Goldberg, sócio da Terrafirma, consultoria especializada em aviação.

Para quem é passageiro da companhia fundada por David Neeleman, haveria mais espaço e frequência em aeroportos disputados, como é o caso de Congonhas, em São Paulo (SP), e Brasília (DF). De qualquer forma, os mercados são, boa parte das vezes, complementares do ponto de vista operacional – sendo o maior desafio, neste caso, a integração de ambas, que pode trazer uma série de desafios.

“Não acho que dê para traçar uma regra geral. Porque, em algumas rotas/serviços, o ganho econômico será grande e, como há competição, pode significar ganhos para os usuários. Mas, em outras rotas, deve haver aumento de preços e isso demanda atenção. Com certeza, é uma operação que, caso vá adiante, deverá ser analisada e esculpida para maximizar benefícios ao mercado”, afirma Goldberg.

O Sul

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