sábado, 3 de outubro de 2020

Furar teto para ganhar eleições é irresponsabilidade, afirma Guedes

Ministro da Economia avalia que a prioridade atual é atacar o desemprego e diz que a política é responsável pelo andamento das reformas

Guedes disse não acreditar que Marinho tenha lhe criticado

O ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a defender nesta sexta-feira o andamento das reformais estruturais, mas avaliou que a chegada a proximidade das eleições municipais tem travado o andamento das propostas. "Eu sempre disse que quem dá o timing das reformas é política", destacou.
Para ele, "furar o teto de gastos para ganhar eleições é irresponsável com as futuras gerações". A fala surge em meio a discussões sobre a forma de financiamento do Renda Cidadã, programa de transferência de renda que o governo Jair Bolsonaro quer criar em substituição ao Bolsa Família.
O ministro disse que ele vai tratar da consolidação de 27 programas em um.  "É uma consolidação de programas que funciona como uma transferência de renda dos mais ricos para os mais pobres", explicou. Guedes disse que o governo vai aumentar os recursos repassados no programa, mas ressalvou os limites. "Vamos ter que dar uma turbinada neste programa sim. Mas precisa furar teto? Não", disse.
Guedes avalia que a chegada da pandemia do novo coronavírus fez o governo identificar 40 milhões de invisíveis, o que aumenta a necessidade de atacar o desemprego. "Temos o problema do emprego e da renda e precisamos aterrissar o auxílio emergencial no Renda Brasil", pontuou.
O ministro disse que uma coisa é furar o teto porque se estava salvando vidas na pandemia, acrescentando que, se houver uma segunda onda de covid-19 "aí sim é o caso de furar o teto". "Agora furar o teto para ganhar eleição é irresponsável com as futuras gerações", afirmou Guedes.

Assessoria de Marinho nega que ele tenha criticado Guedes

Pela manhã, uma reunião com membros da equipe econômica preocupou o mercado financeiro após rumores apontarem críticas do ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, contra Paulo Guedes.
De acordo com os relatos, Marinho teria afirmado que o será lançado de qualquer forma — o que foi interpretado como uma disposição do governo de violar a regra do teto de gastos.
Já no fim da tarde, a assessoria de Marinho negou as críticas ao ministro da Economia e disse que o encontro polêmico "teve o intuito de reforçar o compromisso do governo com a austeridade nos gastos e a política fiscal". Guedes disse não acreditar que Marinho tenha lhe criticado, mas afirmou que, caso isso tenha ocorrido, o titular do Desenvolvimento Regional "é despreparado, é desleal e confirmou que é um fura-teto".

R7 e Correio do Povo

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