O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou hoje (7) o vazamento de informações de processos que tramitam de forma oculta na Corte. Sem citar especificamente nenhum processo, o ministro disse que os vazamentos têm ocorrido e que são um abuso de autoridade.
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“Na verdade tem ocorrido, vamos dizer claramente, e aconteceu inclusive em processo de minha relatoria. Processos ocultos, que vêm como ocultos, e que vocês já sabem, divulgam no Jornal Nacional antes de chegar ao meu gabinete. Isso tem ocorrido e precisa ter cuidado, porque isso é abuso de autoridade”, afirmou o ministro aos jornalistas pouco antes do início da sessão de uma das turmas do STF.
“É preciso ter muito cuidado com isso e os responsáveis têm de ser chamados às falas. Não se pode brincar com esse tipo de coisa. ‘Ah, é processo oculto’. Pede-se sigilo, mas divulga-se para a imprensa que tem o processo aqui ou o inquérito. Isso é algo grave. Não se pode cometer esse tipo de... isso é uma brincadeira com o Supremo. É preciso repudiar isso de maneira muito clara”, acrescentou.
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Conselho de Ética adia para quarta-feira decisão sobre Eduardo Cunha
Carolina Gonçalves – Repórter da Agência Brasil
Depois de quase cinco horas de debates, o colegiado adiou para quarta-feira a decisão sobre o pedido de cassação do mandato do presidente afastado da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha Marcelo Camargo/Agência Brasil
Ficou para quarta-feira (8) a decisão sobre o futuro do presidente afastado da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A pedido do relator do processo, Marcos Rogério (DEM-RO), no final da sessão de hoje (7), que teve quase cinco horas de debate, foi adiada a votação do processo que pede a cassação do mandato do deputado. O processo tramita há oito meses no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara.
Entre os titulares e suplentes que integram o colegiado, 21 se inscreveram e 18 usaram a palavra por 10 minutos. A maior parte dos parlamentares defendeu, nos primeiros momentos da reunião, o relatório que pede o afastamento do peemedebista. Na defesa de Cunha, parlamentares como Laerte Bessa (PR-DF), Sérgio Moraes (PTB-RS) e Carlos Marun (PMDB-MS) afirmaram que não ficou comprovada a existência de contas no exterior em nome do representado.
Cunha é acusado de ter mentido à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, quando negou a existência de contas no exterior em seu nome, o que poderia caracterizar quebra de decoro parlamentar. O deputado, que foi o responsável por sua defesa no colegiado, negou ser o titular das contas e afirmou que é apenas beneficiário de recursos advindos de trustes. Cunha disse que essa situação ficou “comprovada na instrução do processo no conselho”.
A turma favorável a Cunha teve ainda um voto em separado apresentado pelo deputado João Carlos Bacelar (PR-BA) que propôs a suspensão do mandato por 90 dias em troca da cassação. Se aprovado, esta proposta provocaria uma nova eleição para a presidência da Casa. Cunha está afastado do mandato e da presidência desde maio por decisão do Supremo Tribunal Federal. O relator pediu o adiamento para analisar o voto em separado de Bacelar para ver se há algum ponto que possa ser incluído no parecer.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que será responsável pela análise dos recursos apresentados pela defesa de Cunha, no prazo de cinco sessões, marcou para a tarde de hoje reunião para analisar, entre outras propostas, o parecer sobre a consulta feita pelo deputado Welligton Roberto (PR-PB) sobre possibilidade de ser submetido ao plenário um projeto de resolução, em vez do relatório elaborado pelo Conselho de Ética. O parecer sobre essa consulta foi elaborado pelo deputado Arthur Lira (PP-AL).
São Paulo registra mais uma morte em decorrência da forte chuva
Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil
Os bombeiros localizaram na tarde de hoje (7), por volta das 16h30, o corpo de um homem que estava desaparecido após um desmoronamento no Itaim Paulista, na zona leste da capital paulista. O desmoronamento ocorreu na noite de ontem, na Rua Soares Bulhões. Segundo o órgão, é a terceira morte provocada pelas chuvas no estado desde o final de semana. As demais ocorreram nas cidades de Jarinu e São Roque.
No último domingo, em Jarinu, uma mulher morreu depois que a estrutura de um ponto de ônibus desabou, em decorrência de uma descarga elétrica causada por raio. Ontem (6) à tarde, um homem morreu no desabamento do galpão de uma fábrica de chocolate, na Estrada do Vinho, área turística de São Roque, município distante cerca de 60 quilômetros da capital paulista. A vítima trabalhava na reforma da construção ao lado de um outro operário que ficou ferido.
Chuva derruba casas e provoca deslizamento de terra em Osasco
Bruno Bocchini e Fernanda Cruz – Repórteres da Agência Brasil
As chuvas que atingiram o município de Osasco, região metropolitana de São Paulo, na madrugada de hoje (7), causaram o desmoronamento de duas casas e o deslizamento de terra na região do Morro do Socó. De acordo com a prefeitura, não há feridos ou vítimas. A Defesa Civil interditou sete moradias com risco de desmoronar. Segundo a prefeitura, as famílias estão sendo realocadas em locais seguros.
A chuva forte da madrugada deixou estragos também na capital, como ruas alagadas, e causou transbordamento de córregos, deslizamentos de terra e pelo menos 50 quedas de árvores em toda a região metropolitana. Segundo Michael Pantera, meteorologista do CGE, o grande volume de chuvas é resultado de uma zona de convergência de umidade vinda da Amazônia, incomum nesta época do ano. "Pode ser que até o fim do mês ainda volte a chover, mas a expectativa para esta semana é que a chuva diminua", disse.
Em São Miguel Paulista, na capital, um caminhão vai bombear hoje a água parada em sete ruas que estão completamente alagadas, informou a prefeitura. No bairro Itaim Paulista, uma pessoa ilhada precisou ser resgatada pelo Corpo de Bombeiros na Rua Manuel Martins de Melo. No final da tarde de hoje, o Corpo de Bombeiros localizou no bairro o corpo de um homem adulto nos escombros de um desmoronamento.
Houve deslizamento de terra também em Pirituba e no Campo Limpo, onde um muro desmoronou na Rua Benedito Domingues. O Córrego Ipiranga transbordou na altura da Praça Leonor Kaupa, na zona leste. O alagamento prejudicou o trânsito da Avenida Professor Abraão de Morais.
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Barueri e Vargem Grande Paulista
Com a chuva forte, um viaduto na divisa entre os municípios de Osasco e Barueri desmoronou. Apenas uma parte está aberta para pedestres e carros. O viaduto, que dá acesso ao bairro Parque Imperial, está com a estrutura comprometida devido a grades rachaduras.
Rajadas de vento causaram estragos no município de Vargem Grande PaulistaRovena Rosa/Agência Brasil
No município de Vargem Grande Paulista, rajadas de vento provocaram destelhamento de ao menos 30 casas e queda de 25 postes de energia, além de deixar 30 árvores com risco de cair. Doze famílias estão desalojadas. A prefeitura informou que a parte alta da cidade, como os bairros Bela Vista e Jardim Floresta, foi a mais afetada. O município ficou sem energia elétrica entre as 16h e as 20h de ontem.
Represa Paiva Castro
A precipitação dos últimos dias também aumentou a entrada de água na Represa Paiva Castro, que pertence ao Sistema Cantareira. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) informou que cortou a transferência de água de outros reservatórios do Sistema Cantareira para a tubulação ligada à Represa Atibainha.
A Paiva Castro cumpre agora, segundo a Sabesp, um papel de caixa-d’água, armazenando apenas o volume das chuvas para evitar que a água chegue às cidades. A Defesa Civil está acompanhando possíveis riscos.
STF envia inquérito contra Mercadante para a Justiça Eleitoral Paulista
Michèlle Canes – Repórter da Agência Brasil
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello determinou o envio dos autos de um inquérito contra o ex-ministro Aloizio Mercadante para a Justiça Eleitoral de São Paulo. Segundo a decisão, como Mercadante não é mais ministro, o processo não é de competência da Corte.
“Tendo em vista que cessou a investidura funcional do ora investigado em cargo que lhe assegurava prerrogativa de foro perante esta Corte, reconheço não mais subsistir, no caso, a competência originária do Supremo Tribunal Federal para prosseguir na apreciação deste procedimento de natureza penal”, diz a decisão, que tem a data de ontem (6).
No dia 12 de maio, a edição do Diário Oficial da União (DOU) publicou a exoneração de todos os ministros do governo da presidenta afastada Dilma Rousseff, entre eles, o então ministro da Educação, Aloizio Mercadante.
Na decisão, o ministro Celso de Mello diz ainda que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, se manifestou sobre “a questão ora em exame” e cita que o procurador pediu o envio dos autos do inquérito para a Justiça Eleitoral Paulista para “as providências cabíveis no que diz respeito à suposta prática, pelo ex-Ministro de Estado Aloizio Mercadante, dos crimes previstos no art. 350 do Código Eleitoral e no art. 1º, § 1º, I, da Lei 9.613/98”, traz a decisão. Na decisão o ministro diz que o seu entendimento leva em consideração outras decisões já tomadas pela Corte sobre o mesmo tema.
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Em setembro do ano passado, Celso de Mello abriu inquérito para investigar suposto crime eleitoral envolvendo o então ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante. A abertura foi solicitada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Na mesma ocasião, foi aberto, separadamente, um inquérito contra o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP).
O pedido de Janot se baseou em depoimentos de delação premiada do presidente da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa, investigado na Operação Lava Jato. Segundo a delação, o ex-ministro e o senador receberam doações em dinheiro para campanhas e não declararam tal recebimento. Na época da abertura do inquérito, Mercadante divulgou nota na qual reiterou que recebeu R$ 500 mil, sendo R$ 250 mil da UTC e R$ 250 mil da Constan Construções, e declarou o valor à Justiça Eleitoral.
Na noite de hoje, a assessoria de Mercadante divulgou nota segundo a qual o ex-ministro recebe "com serenidade" a informação de que o ministro Celso de Mello enviou para a Justiça Eleitoral de São Paulo a investigação acerca da delação premiada do senhor Ricardo Pessoa. "Mercadante prestou todas as informações sobre este processo, sempre que foi solicitado, e continua à inteira disposição das autoridades competentes para prestar quaisquer esclarecimentos e auxiliar em eventual processo investigatório. Mercadante tem a certeza que todas as questões serão devidamente esclarecidas e mantém a confiança na condução dos trabalhos pelo Ministério Público Federal e Justiça Eleitoral, diz o texto.
"Desde que teve acesso ao vazamento seletivo de trechos da delação premiada, há um ano, na qual Pessoa afirma que teria doado R$ 500 mil à campanha de Mercadante ao governo do estado de São Paulo, em 2010, sendo R$ 250 mil de forma legal e outros R$ 250 mil mediante recursos não contabilizados, Mercadante sempre defendeu que a tese é absolutamente insustentável, uma vez que são exatamente R$ 500 mil os valores declarados na prestação de contas da referida campanha, conforme os recibos eleitorais nº 13001092079 e nº 13001092017, ambos no valor de R$ 250mil."
A nota diz ainda que a prestação de contas da campanha de Mercadante ao governo de São Paulo, em 2010, foi aprovada integralmente e sem qualquer ressalva pela justiça eleitoral. Os dados são públicos e podem ser consultados por qualquer interessado, há seis anos.
Sob holofotes, presidente do Senado é visto como figura central tanto pelos aliados de Dilma quanto pelos de Temer. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Pedido de prisão de caciques do PMDB deixa governo e oposição em estado de alerta
Após solicitação de Rodrigo Janot, receio no Congresso é de abalo em acordosde bastidores no processo de impeachment de Dilma Rousseff. Para juristas, pedido de prisão testa os limites da Operação Lava-Jato.
Reunião que votará processo de cassação de Cunha é adiada mais uma vez
Após trocar a votação do processo de cassação de Cunha de terça para quarta-feira, um acordo entre lideranças adiou a votação novamente. A nova data ainda não foi definida.
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O Bela Vista Café Colonial vai ocupar a área das antigas cervejarias Continental e Brahma, no shopping Total. Confira o espaço por dentro, em vídeo 360°, na coluna de Marta Sfredo.
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Renan diz que Senado não será parte da crise institucional, e sim solução
Mariana Jungmann – Repórter da Agência Brasil
O presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse hoje (7) que o Senado será “parte da solução da crise” institucional, e não do agravamento dela. Cercado por jornalistas, ao chegar à Casa, ele foi questionado sobre o pedido de sua prisão feito pelo procurador Geral da República, Rodrigo Janot, com base na delação premiada do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado.
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“Vamos aguardar a decisão da Suprema Corte”, disse. “Toda vez que há exagero, extravagância, excesso, desproporcionalidade, expressões como democracia, Constituição, liberdade de expressão, liberdade de opinião, presunção de inocência, perdem prestígio. Nós não vamos colaborar com isso”, disse.
Renan Calheiros disse que a situação aumenta a temperatura política do país e contribui para o agravamento da crise. “Não adianta, o Senado não vai extrapolar seu limite, nem elevar a temperatura da crise institucional. O Senado não é parte da crise, o Senado será a solução da crise”, disse, insistindo que já havia se pronunciado mais cedo por meio de uma nota pública.
Segundo matéria do jornal O Globo publicada hoje, além de Renan, os pedidos de prisão que estão com Zavascki há pelo menos uma semana, incluiriam também o senador Romero Jucá (RR), o ex-senador José Sarney (AP) e o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), todos do PMDB. Ainda segundo o jornal, o procurador-geral pede a prisão dos quatro por suspeita de obstrução das investigações da Operação Lava Jato. Apesar da repercussão do caso, as assessorias do Supremo Tribunal Federal e da Procuradoria-Geral da República não confirmam os pedidos de prisão.
Mãe de menino morto por policiais em São Paulo nega que ele andasse armado
Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil
Em depoimento de pouco mais de duas horas hoje (7), no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a mãe do menino de 10 anos que foi morto na semana passada por policiais militares, após uma perseguição de carro, negou que ele andasse armado ou que soubesse dirigir.
Ao sair, por volta das 14h, Cintia Ferreira Francelino não quis responder a perguntas da imprensa, mas disse que o menino não atirou nos policiais. “Meu filho não atirou em ninguém. Ele não tinha nenhuma arma.” O depoimento de Cintia foi acompanhado por Ariel de Castro Alves, membro do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos (Condepe).
“Quem prestou depoimento foi a mãe do menino e um tio dele [Alex de Jesus Siqueira]", disse Alves. De acordo com o conselheiro, Cíntia reiterou que o filho não tinha, nem sabia manusear armas de fogo. Ela disse também o menino não sabia dirigir nenhum veículo”, informou Alves aos jornalistas após o depoimento. O conselheiro disse ainda que a mãe do menino contou que esteve presa, foi libertada em março e, desde então, tinha voltado a morar com o filho.
Segundo, Ariel de Castro Alves, o tio do garoto, que viveu com ele no período em que a mãe estava presa, disse também que desconhecia se o sobrinho sabia dirigir.
A ocorrência
De acordo com nota divulgada na semana passada pela Secretaria de Segurança Pública (SSP), o menino de 10 anos e um amigo de 11 anos furtaram um carro na garagem de um condomínio na região do Morumbi. Policiais perceberam a ação e saíram em perseguição ao veículo, um Daihatsu Terios.
Pela versão policial, o menino foi baleado em confronto após ter feito três disparos contra os policiais com uma arma calibre 38. Os dois primeiros disparos foram feitos com o veículo ainda em movimento, antes de o carro bater em um ônibus e depois em um caminhão que estava estacionado, até perder o controle. Conforme os policiais, o terceiro tiro foi disparado pelo menor após as batidas.
Vídeos de câmeras de segurança mostram o carro desgovernado, depois parado e um policial se aproximando e fazendo o disparo. O menino teria feito os disparos com o vidro do carro abaixado, mas teria subido o vidro pouco antes de ser baleado. Como o vidro era escuro [cominsulfilm], o policial, ao atirar, não teria visto que era um garoto ao volante.
Diferentes versões
O outro garoto, de 11 anos, que também estava no veículo, apresentou à polícia várias versões sobre o fato. Na primeira vez em que foi ouvido, acompanhado apenas pela mãe, ele disse à polícia que o outro menino atirou duas vezes contra os policiais e que, depois de bater o carro, disparou novamente, pouco antes de ser atingido e morrer.
Na segunda versão, ele contou que foram feitos dois disparos e que não houve o terceiro tiro, que indicaria o confronto. No último domingo, porém, em uma entrevista à Corregedoria da Polícia, acompanhado por uma psicóloga, o menino mudou novamente a versão dizendo que eles não estavam armados e que não foi feito nenhum disparo em direção à polícia. Segundo o menor, a arma que foi encontrada com eles foi plantada ali por policiais.
“É possível que agora, como ele foi ouvido por uma psicóloga, uma pessoa que conseguiu ganhar a confiança dele, de forma mais lúdica, em espécie de depoimento sem dano, ele pode ter tido mais condições de dizer a verdade. Essas mudanças [de versão] podem ter sido decorrência disso”, explicou Alves.
Procurada pela Agência Brasil, a Secretaria de Segurança Pública não confirmou que o garoto foi ouvido pela Corregedoria, mas tanto Ariel Castro quanto o ouvidor da Polícia, Júlio Cesar Fernandes Neves, disseram que o menino de 11 anos foi ouvido, mas não em depoimento, apenas em uma entrevista – e que ele, de fato, mudou a versão, afirmando que eles não estavam armados.
“Tive a confirmação de que esse depoimento ocorreu por meio da própria mãe do menino de 11 anos. Ela o acompanhou na corregedoria e deixou claro que uma psicóloga o entrevistou, de forma lúdica, em meio a brinquedos, e a criança teria, a partir do vínculo de confiança com a psicóloga, prestado essas informações de que eles não tinham nenhum tipo de arma”, relatou Alves.
“No domingo, o menor foi à corregedoria, junto com a mãe, e lá realmente disse que eles não estavam armados. Só que a corregedoria não pegou isso como depoimento, mas como entrevista junto com um psicólogo. No entanto, essa fala dele houve, sim, porque o corregedor da Polícia Militar assumiu isso perante a ouvidoria", ressaltou o conselheiro.
"Ele realmente falou que não tinha armas no carro”, disse o ouvidor Júlio César Neves hoje àAgência Brasil. De acordo com o ouvidor, essa entrevista deverá servir de prova no caso. “A entrevista deve ser usada para que haja um novo depoimento desse menino no DHPP.”
Ariel de Castro Alves informou ter pedido que a entrevista dada pelo garoto à corregedoria seja anexada à investigação. “A equipe do DHPP está analisando se o garoto fará novo depoimento,mas estamos requisitando que seja encaminhada, pela corregedoria, essa entrevista”, disse ele. Segundo Alves, o Condepe se preocupa com a proteção do menino, que é testemunha do caso, e pretende convencer a família do garoto a participar de um programa de proteção de crianças e adolescentes ameaçados de morte.
Demora no registro da ocorrência
O conselheiro destacou que causou estranheza o fato de o garoto que sobreviveu ao crime ter ficado mais de quatro horas com os policiais militares antes de o fato ter sido registrado em boletim de ocorrência.
“A ocorrência foi às 19h e só foi apresentado aqui, no DHPP, à meia-noite daquele dia. Nesse período todo, o menino ficou sob pressão dos policiais. E foi nesse momento que ele gravou aquele vídeo [feito pelos policiais militares logo após a ocorrência. No video, o menino relata que estavam armados e teriam atirado em direção aos policiais]. Ele relatou depois que foi ameaçado de morte. Em depoimento aqui [no DHPP], que eu acompanhei, disse que levou um tapa na cara logo no momento da abordagem no carro, no final da ocorrência. Entendo que essa pressão, esse constrangimento, esse temor que ele tinha podem ter contribuído para aquele primeiro depoimento prestado por ele”,explicou Alves.
Na opinião de Alves, o último depoimento do garoto de 11 anos ao DHPP apresenta indícios de que houve execução. “Podemos dizer, com base nas várias informações que se tem até agora, principalmente na última entrevista dada pelo menino que sobreviveu e no depoimento prestado no DHPP, afirmando que não houve nenhum confronto, que existem indícios de uma possível execução. Temos um homicídio a ser apurado, e os policiais precisariam provar que agiram em legítima defesa, mas as hipóteses hoje são muito fortes de que essa criança teria sido executada nessa abordagem.”
O ouvidor Júlio Neves defendeu uma investigação profunda, principalmente sobre o lapso de tempo entre a ocorrência e o registro dela, que foi das 19h até a 0h23.
"Ficamos cinco horas sem saber que houve esse crime. O que esses policiais fizeram nessas cinco horas e 23 minutos? É muito tempo para não apresentar uma ocorrência na mesma localidade. Eles [policiais] têm que justificar o que fizeram com o menino. Por que demoraram tanto para apresentar essa ocorrência no DHPP? Nunca acreditamos que um garoto de 10 anos pudesse, concomitantemente, atirar, acelerar um carro, abrir e fechar um vidro, sendo perseguido por policiais e levando tiro. Isso, para nós, é impossível”, afirmou o ouvidor. Segundo Neves, os policiais envolvidos na ocorrência estão, neste momento, afastados da corporação.
SSP analisa versões
Em nota à imprensa, a Secretaria de Segurança não confirmou que o menino de 11 anos esteve na corregedoria, mas informou que "todas as versões apresentadas sobre o fato estão sendo analisadas por meio de inquéritos policiais militares e civis".
Segundo a secretaria, o caso está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa por se tratar de morte em intervenção policial. "A Corregedoria da Polícia Militar instaurou procedimento administrativo e inquérito policial militar para apurar toda a conduta dos PMs durante a ocorrência. Os policiais militares envolvidos estão afastados do trabalho externo e estão à disposição da corregedoria da corporação", acrescenta a nota.
Ministério Público acompanhará inquérito sobre menino morto por policiais
Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil
O Ministério Público de São Paulo informou hoje (7) que vai acompanhar a investigação sobre a morte de um menino de 10 anos por policiais militares. De acordo com o órgão, a promotora de Justiça Maria Gabriela Ahualli Steinberg, titular do I Tribunal do Júri da capital, foi designada pela Procuradoria-Geral de Justiça para acompanhar o inquérito policial e começará a trabalhar amanhã (8).
De acordo com nota divulgada na semana passada pela Secretaria de Segurança Pública (SSP), o menino de 10 anos e um amigo de 11 furtaram um carro na garagem de um condomínio na Vila Andrade, zona sul de São Paulo. Policiais perceberam a ação e saíram em perseguição ao veículo, um Daihatsu Terios.
Pela versão policial, o menino foi baleado em confronto, após ter disparado três vezes contra os policiais com uma arma calibre 38. Os dois primeiros disparos foram feitos com o veículo ainda em movimento, antes de o carro bater em um ônibus e depois em um caminhão que estava estacionado, até perder o controle. Conforme os policiais, o terceiro tiro foi disparado pelo menor após as batidas.
O outros garoto que estava no veículo apresentou várias versões sobre o ocorrido à polícia. Na primeira vez em que foi ouvido, acompanhado apenas pela mãe, ele relatou à polícia que o outro menino atirou duas vezes nos policiais e que, depois de bater o carro, disparou novamente, pouco antes de ser atingido e morrer.
Na segunda versão, ele contou que foram feitos dois disparos e que não houve o terceiro tiro, o que indicaria o confronto. No último domingo, porém, em uma entrevista à Corregedoria da Polícia, acompanhado por uma psicóloga, o menino mudou novamente a versão, dizendo que ele e o amigo não estavam armados e que não foi feito nenhum disparo em direção à polícia. O garoto disse que a arma encontrada com eles foi plantada ali por policiais.
Hoje (7), a mãe do menino, Cintia Ferreira Francelino, prestou depoimento no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Ao sair, por volta das 14h de hoje, ela não quis responder a perguntas da imprensa, mas disse que o filho não atirou nos policiais. “Meu filho não atirou em ninguém. Ele não tinha nenhuma arma”, afirmou Cintia.
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