Guedes vê risco de "bandeiraço" e defende reajuste menor para taxa extra da luz

 Ainda não há previsão para quando a agência reguladora irá definir o novo valor da bandeira vermelha



A preocupação com o impacto de mais um aumento no preço da energia sobre a inflação foi o que fez o ministro da Economia, Paulo Guedes, entrar no debate da definição da bandeira vermelha nível dois, que terá de ser reajustada novamente em razão do agravamento da crise hídrica. A proposta do Ministério de Minas e Energia (MME) foi classificada de "bandeiraço" pela área econômica e levou até o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, a entrar nas discussões.

Ainda não há previsão para quando a agência reguladora irá definir o novo valor da bandeira vermelha 2. O órgão pode convocar reunião extraordinária para analisar o tema até terça-feira para que o reajuste já passe a valer em setembro. Também é possível que a diretoria colegiada se reúna ao longo da próxima semana e defina a correção com efeitos retroativos a 1º de setembro.

O tema passou a ser tratado como prioridade número um pela equipe econômica, diante do efeito sobre a inflação, que já acumula alta de 8,99% em 12 meses até julho, passando de dois dígitos em algumas capitais. A disparada de preços ocorre em um momento de queda de popularidade do presidente Jair Bolsonaro e levou o Banco Central a apertar o passo na elevação dos juros básicos da economia.

O Ministério da Economia defendeu uma bandeira mais baixa, entre R$ 14 e R$ 15 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos, a vigorar entre setembro e maio. O argumento é a manutenção de um patamar mais elevado para dar tempo de recompor os reservatórios. A interlocutores, o ministro da Economia tem dito que Bolsonaro apoia a ideia de um reajuste menor, porém mais duradouro, no valor da bandeira, embora o martelo ainda não tenha sido batido.

Já a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) calculou que seria necessário um valor mais alto, por volta de R$ 25 a cada 100 kWh, até dezembro deste ano, com possibilidade de retorno aos atuais R$ 9,49 em janeiro. Essa última possibilidade, no entanto, era vista como menos provável devido ao impacto de curto prazo que teria nas contas de luz e na inflação. Por outro lado, era a preferida das distribuidoras, que estão estranguladas por despesas muito elevadas e com dificuldades para carregar os gastos por muito tempo. Há ainda uma terceira alternativa em estudo, com um valor mais alto entre setembro e dezembro e um mais baixo entre janeiro e maio.

O impasse sobre o valor da bandeira esbarra em questões políticas e econômicas. Segundo apurou o <b>Estadão/Broadcast</b>, Guedes defendia que o reajuste na bandeira tivesse sido adotado mais cedo, mas o MME e a Aneel acabaram adiando a decisão. Diante da demora, o ministro da Economia passou a argumentar que a decisão deveria sair apenas depois do anúncio do Auxílio Brasil, novo programa social do governo, que vai substituir o Bolsa Família. Para o ministro, era necessário haver uma agenda positiva para rebater o impacto de mais um aumento na conta de luz em um momento de alta no preço da gasolina e do gás de cozinha.

Mesmo com a perspectiva de piora da crise hídrica entre setembro e novembro, o governo tenta evitar a todo custo um racionamento e impor meta de economia de energia para a população. A aposta é um programa voluntário de bonificação para os consumidores que pouparem energia a partir de setembro. Até agora, não há definições sobre como o programa vai funcionar, e novas reuniões devem ser realizadas ao longo dos próximos dias para tentar encontrar um modelo equilibrado.

O problema, nesse caso, é o financiamento do bônus. O governo não quer destinar recursos do Orçamento para premiar os consumidores conscientes. Até agora, a ideia de abrir um crédito extraordinário (possibilidade para gastos emergenciais e imprevisíveis) desagrada a equipe econômica e não tem tido respaldo.

Outra possibilidade, adotada no racionamento de 2001, era premiar quem poupa energia com os recursos das multas impostas a quem gasta demais. O governo, porém, descartou essa hipótese para afastar qualquer medida que pudesse remeter ao apagão de 20 anos atrás.

O agravamento da crise hídrica foi também tema de uma reunião entre Guedes, Roberto Campos Neto, Bento Albuquerque e o Bolsonaro na última segunda-feira, 23. Ficou definido que tudo que puder ser feito para evitar o racionamento deverá ser feito, ainda que os custos sejam elevados. Em seu estilo, Guedes tem deixado claro esse posicionamento em eventos públicos.

A preocupação é evitar impactos políticos que possam prejudicar a reeleição do presidente Jair Bolsonaro. O racionamento de 2001 e seus efeitos na economia são apontados como uma das causas da perda da popularidade do então presidente Fernando Henrique Cardoso e da derrota de seu candidato, José Serra, nas eleições de 2002.

A definição da bandeira sempre foi uma atribuição única e exclusiva da Aneel. Mas a agência decidiu envolver outras áreas do governo para não ter que arcar com o peso de uma decisão tão impopular sozinha. Isso porque boa parte dos motivos que levaram a um aumento ainda maior da bandeira estão relacionados a decisões recentes da pasta chefiada pelo ministro Bento Albuquerque.

Desde que a Câmara de Regras Excepcionais para a Gestão Hidroenergética (Creg) foi criada, o governo adotou diversas ações para tentar evitar apagões ou ainda a necessidade de um racionamento de energia. A termelétrica William Arjona, em Mato Grosso do Sul, por exemplo, tem um custo variável superior a R$ 2,4 mil por megawatt-hora (MWh), e a importação de energia da Argentina e do Uruguai, por exemplo, custa mais de R$ 2 mil por megawatt-hora (MWh). Por dia, o Brasil importa 2 mil megawatts dos países vizinhos. Novas ações com custos ainda mais elevados devem ser adotadas ao longo das próximas semanas.

As despesas com térmicas mais caras são pagas pelas distribuidoras praticamente à vista, e o repasse ao consumidor pode ser feito de duas formas: ou pelas bandeiras, ou no reajuste anual, com incidência de juros. Cálculos da agência indicaram que os recursos não seriam suficientes para cobrir os custos das térmicas. A Aneel projetou um déficit de R$ 8 bilhões na conta Bandeiras no final do ano. Somente as medidas adotadas pelo governo devem aumentar o rombo em mais de R$ 2,4 bilhões a R$ 4,3 bilhões. As empresas reclamam que estão com o caixa no limite e que não há como carregar valores tão elevados por tanto tempo.

Agência Estado e Correio do Povo

Bolsonaro desafia governadores: "Vamos zerar o ICMS?"

 Presidente usou o imposto estadual como justificativa para a alta nos preços da gasolina e do gás de cozinha



O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), começou a live desta quinta-feira jogando indiretas a governadores. Ele mostrou uma manchete de jornal que afirmava que ele teria dito que a gasolina está barata e se explicou. “O que eu falei é que, na refinaria, a gasolina está barata.” Ele desafiou governadores a zerar o ICMS.

Bolsonaro aproveitou o tema para falar do ICMS. O imposto virou uma estratégia para tentar responsabilizar os estados e o Distrito Federal pelo preço do combustível no posto e do gás de cozinha. “O imposto federal é R$ 0,74, mas no fim da linha chega a quase R$ 7. Aí tem o frete, a margem de lucro dos postos e o grande mistério que é o ICMS, um percentual que os governadores cobram em cima do preço final da bomba.  E não na origem”, disse.

Em seguida, emendou com o gás de cozinha, novamente, jogando a conta da alta no produto no colo dos governadores e cobrando que zerem o ICMS para que, posteriormente, seja possível a população comprar o produto sem passar por atravessadores. 

“A mesma coisa tenho falado do gás de cozinha. Arredondando pra cima, Um botijão custa R$50. Na ponta da linha, está chegando a R$ 130. Eu zerei os impostos federais para o gás de cozinha. O que pesa aí? ICMS, que é imposto estadual, o frete, e a margem de lucro da ponta da linha. Eu comentei com um governador e fiz uma proposta para ver se é possível zerar o ICMS. Toda vez que tem renúncia de receita, tem que apresentar uma fonte alternativa. Como fiz no PIS/Cofins no gás de cozinha. Se ele conseguir, vamos entrar em uma outra briga, propor a venda direta”, disse.

Bolsonaro disse que tem sido criticado por “alguns poucos governadores” pelo preço do gás. “Está caro. Mas não me critique. Eu zerei o imposto do gás de cozinha. E você, governador, está cobrando ICMS. Exatamente quem usa o botijão é o mais pobre. Vamos zerar o ICMS?  O parlamento vai nos apoiar, com certeza”, afirmou.

R7 e Correio do Povo

Conta de luz seguirá na bandeira vermelha 2 em setembro, define Aneel

 Custo de 100 kilowatt-hora permanece em R$ 9,492


A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu, nesta sexta-feira, manter a bandeira vermelha, patamar 2, para o mês de setembro. Com isso, o custo de cada 100 kilowatt-hora (kWh) consumido continua sendo de R$9,492. Segundo a agência, o mês de agosto, que está chegando ao fim, manteve o estado crítico dos reservatórios das usinas hidrelétricas do país. 

"Agosto foi mais um mês de severidade para o regime hidrológico do Sistema Interligado Nacional (SIN). O registro sobre as afluências às principais bacias hidrográficas continuou entre os mais críticos do histórico. A perspectiva para setembro não deve se alterar significativamente, com os principais reservatórios do SIN atingindo níveis consideravelmente baixos para essa época do ano", informou a Aneel.

Em períodos de seca, e consequente baixa nos níveis dos reservatórios, é necessário captar energia de outros tipos de usina, como as termelétricas. Esse tipo de usina gera energia a partir de combustíveis fósseis, como diesel e gás. Além de ser mais poluente, é mais cara. Por isso, quando as termelétricas são acionadas, o custo da geração de energia aumenta e a bandeira tarifária muda.

Dentre as dicas trazidas pela Aneel para reduzir o valor da conta de luz, estão o uso racional do chuveiro elétrico (banhos de até 5 minutos e em temperatura morna); do ar condicionado (manter os filtros limpos e reduzir ao máximo seu tempo de utilização); da geladeira (só deixar a porta da geladeira aberta o tempo que for necessário, regular a temperatura interna de acordo com o manual de instruções e nunca colocar alimentos quentes dentro da geladeira); e do ferro de passar (juntar roupas para passar de uma só vez e começar por aquelas que exigem menor temperatura).


Agência Brasil e Correio do Povo


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Estação de metrô na Suécia

 Fato engraçado: o metrô de Estocolmo é a maior galeria de arte do mundo. Várias das estações são cobertas por diferentes peças de arte.




Fonte: https://www.facebook.com/culturaemdoses/posts/1299373983811271

Pix terá limite de R$ 1 mil em transferências entre 20h e 6h

 Além do Pix, o limite também será aplicado em outras transferências, em compras pelo cartão de débito e em TED



O Banco Central (BC) anunciou, nesta sexta-feira, novas medidas para o Pix, meio de pagamento digital, para frear ação de criminosos em fraudes, golpes e sequestro-relâmpago. Uma delas é o limite de R$ 1 mil nas transferências noturnas, entre 20h e 6h. Além do Pix, o limite também será aplicado em outras transferências, em compras pelo cartão de débito e em TEDs.

Como mostrou reportagem do R7, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, entre janeiro a julho deste ano, houve um aumento de 39,1%, com 206 boletins de ocorrência de sequestro-relâmpago. 

Também haverá um prazo mínimo de 24 horas e máximo de 48 horas para a efetivação de pedido do usuário, feito por canal digital, para aumento de limites de transações com meios de pagamento (TED, DOC, transferências intrabancárias, Pix, boleto, e cartão de débito), impedindo o aumento imediato em situação de risco.

O BC também estabeleceu que os bancos vão oferecer aos clientes a opção de estabelecer limites transacionais diferentes no Pix para os períodos diurno e noturno, permitindo limites menores durante a noite. Outra mudança, de acordo com o BC, é que será determinado que as instituições ofertem uma funcionalidade que permita aos usuários cadastrarem previamente contas que poderão receber Pix acima dos limites estabelecidos, permitindo manter seus limites baixos para as demais transações.

As medidas ainda não têm prazo para a começar a valer. Segundo o BC, as instituições bancárias devem se preparar primeiro para implementá-las e, em breve, será anunciada a data para o início das novas regras.

"Os meios de pagamentos digitais sob a supervisão do Banco Central são seguros e trazem grandes benefícios para a população. O aumento de seu uso ao longo dos anos, e especialmente durante a pandemia da Covid-19, demonstra o valor dos meios de pagamentos digitais", afirma a instituição.

O BC também afirma que o Pix conta com vários elementos de segurança, como limites para transações que podem ser estabelecidos pelo próprio usuário e total rastreabilidade para auxiliar no combate a fraudes e a outros crimes.

O Banco Central e as instituições reguladas implementaram mecanismos adicionais de segurança no Pix e nos meios de pagamento digitais. Entre as medidas em implementação, estão:

Veja as novas medidas

- Limite de R$ 1 mil para operações entre pessoas físicas (incluindo MEIs) utilizando meios de pagamento em arranjos de transferência no período noturno (das 20 horas às 6 horas), incluindo transferências intrabancárias, Pix, cartões de débito e liquidação de TEDs;

- Prazo mínimo de 24 horas e máximo de 48 horas para a efetivação de pedido do usuário, feito por canal digital, para aumento de limites de transações com meios de pagamento (TED, DOC, transferências intrabancárias, Pix, boleto, e cartão de débito), impedindo o aumento imediato em situação de risco;

- Os clientes passam a estabelecer limites transacionais diferentes no Pix para os períodos diurno e noturno, permitindo limites menores durante a noite;

- Determina que as instituições ofertem funcionalidade que permita aos usuários cadastrar previamente contas que poderão receber Pix acima dos limites estabelecidos, permitindo manter seus limites baixos para as demais transações;

- Estabelece prazo mínimo de 24h para que o cadastramento prévio de contas por canal digital produza efeitos, impedindo o cadastramento imediato em situação de risco;

- Permite que os participantes do Pix retenham uma transação por 30 minutos durante o dia ou por 60 minutos durante a noite para a análise de risco da operação, informando ao usuário quanto à retenção;

- Torna obrigatório o mecanismo, já existente e hoje facultativo, de marcação no Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT) de contas em relação às quais existam indícios de utilização em fraudes no Pix, inclusive no caso de transações realizadas entre contas mantidas no mesmo participante;

- Permite consultas ao DICT para alimentar os sistemas de prevenção à fraude das instituições, de forma a coibir crimes envolvendo a mesma conta em outros meios de pagamento e com outros serviços bancários;

- Exige que os participantes do Pix adotem controles adicionais em relação a transações envolvendo contas marcadas no DICT, inclusive para fins de eventual recusa a seu processamento, combatendo assim a utilização de contas de aluguel ou "laranjas";

- Determina que os participantes de arranjos de pagamentos eletrônicos compartilhem com autoridades de segurança pública as informações sobre transações suspeitas de envolvimento com atividades criminosas;

- Exige das instituições reguladas controles adicionais sobre fraudes, com reporte para o Comitê de Auditoria e para o Conselho de Administração ou, na sua ausência, à Diretoria Executiva, bem como manter à disposição do Banco Central tais informações;

- Exige histórico comportamental e de crédito para que empresas possam antecipar recebíveis de cartões com pagamento no mesmo dia (D+0), para evitar ocorrência de fraudes.

R7 e Correio do Povo

Trensurb volta a operar depois de uma hora totalmente paralisada

 Conforme a empresa, os intervalos entre as viagens serão normalizados aos poucos



Depois de ficar totalmente paralisada por uma hora e vinte minutos, a Trensurb voltou a operar no fim de tarde desta sexta-feira. Uma tela caiu sobre a rede de energia do metrô no começo tarde, em razão de um acidente na ponte do Guaíba.

Apesar de a operação estar restabelecida em todo o sistema, ainda há elevado número de pessoas nas estações. Conforme a Trensurb, os intervalos entre as viagens serão normalizados aos poucos.

Um acidente envolvendo um caminhão carregado de madeira causou bloqueio parcial na ponte do Guaíba, no sentido litoral. Ao fazer a curva, a carreta tombou em uma das alças de acesso à ponte antiga do Guaíba e parte da carga caiu ao lado dos trilhos. O motorista não se feriu, mas a passageira, esposa do condutor, caiu de uma altura de cerca de sete metros e ficou gravemente ferida.

O caminhão, emplacado em Gravataí, atingiu o guard rail e deixou suspensa parte da tela e dos gradis no viaduto Leonel Brizola. Os fios do trem também foram atingidos, comprometendo a circulação.

Rádio Guaíba e Correio do Povo

Audiência encaminha acordo para manutenção parcial dos serviços da Carris em caso de paralisação

 Mediação no TRT definiu circulação de 80% em horários de pico e 30% nos demais horários


Uma audiência de mediação realizada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT-RS) definiu acordo de manutenção parcial dos serviços da Carris caso se confirme a paralisação dos funcionários nesta quinta-feira, 2 de setembro. A proposta é de circulação de 80% da frota entre 6h e 9h, e das 16h30min às 19h30min, e 30% nos demais horários.

O Sindicato dos Rodoviários de Porto Alegre irá levar os termos ao conhecimento da comissão de trabalhadores da empresa. Sem acordo, o próprio Tribunal irá estabelecer os percentuais mínimos por meio de liminar. 

Os empregados mantêm o estado de greve, em protesto contra a privatização da companhia. A mediação é conduzida pelo vice-presidente do TRT, desembargador Francisco Rossal de Araújo. Participam das negociações representantes do sindicato, da empresa e da prefeitura de Porto Alegre.


Correio do Povo

O DECLÍNIO DA TOLERÂNCIA

 Por Fernando Schüler

"as pessoas, e não o poder, é que devem decidir".
John Milton, polemista inglês do século XVII:
Nunca tinha ouvido falar da Bárbara. Sou meio alienado dessas coisas e há muito ando cansado do bate-boca político. Fui pesquisar. Bárbara era uma dona de casa que se tornou youtuber. Lançou o canal Te Atualizei e virou sucesso. Mistura bom humor e crítica política, apoia Bolsonaro, difunde as teses tradicionais da “nova direita”, bastante conhecidas aqui pelos trópicos nos últimos anos.
Agora seu canal foi “desmonetizado”, por uma decisão do ministro Luis Felipe Salomão, do TSE. Junto com ela, um amplo conjunto de canais digitais com perfil semelhante que basicamente se dedicaram, nos últimos tempos, a fazer campanha pelo voto impresso e criticar a urna eletrônica. De minha parte, nunca vi evidência de que nosso sistema de voto digital tivesse algum problema e penso que o país deveria andar para a frente, discutindo como melhorar o sistema, na linha do que vem fazendo o TSE, e não voltar no tempo.
Mas o ponto não é esse. Uma República não se faz a partir da definição, pelo Estado, do que pode ou não pode ser dito. Não se faz pela “tutela jurídica da opinião”, na boa definição que li dias atrás. Uma República não se faz com um órgão de Estado fazendo a “curadoria” da sociedade, signifique isso o que significar.
A decisão do TSE resolveu punir os sites dizendo que eles não fazem “críticas legítimas” nem “propõem soluções para aperfeiçoar o sistema”. Diz que os ataques são “infundados”, sem “provas concretas” nem “argumentos factíveis”, como seria “próprio da democracia e da liberdade de opinião”. E que tudo já foi “exaustivamente refutado”, pelo TSE e pela Polícia Federal. Por fim, diz que essas pessoas estão ganhando dinheiro com tudo isso, com a agravante de estarem agindo em conjunto, visto que “não apenas se conhecem, como também se apoiam mutuamente, pois não raras vezes mencionam-se ou replicam conteúdos”.
Confesso que quando li essas coisas me deu um certo cansaço. O ministro tem razão em dizer que boa parte daquelas críticas não tem pé nem cabeça, mas essa está longe de ser a questão relevante aqui. Não cabe à Justiça Eleitoral ou qualquer autoridade dizer que tipo de crítica tem ou não “legitimidade”. Cidadãos têm legitimidade para criticar, em uma democracia, independentemente da opinião dessa ou daquela autoridade. Igualmente não está escrito na Constituição que uma crítica deva vir seguida de “soluções” para esse ou aquele problema. Neste caso havia uma PEC em análise no Congresso, e era a seu favor que os tais sites faziam seu proselitismo. Por fim, não consta que exista em qualquer democracia algo como crime de “apoio recíproco e replicação de conteúdo”.
A liberdade de expressão está minguando, no Brasil, há algum tempo. Minguando porque não temos consenso sobre esse tema e porque nos falta uma tradição robusta de direitos civis. No inquérito das fake news, tivemos a volta da censura prévia. O próprio Congresso criou um novo tipo de crime, a “comunicação enganosa em massa”, para quem disseminar “fatos que sabe inverídicos”. Tudo isso vem acontecendo, mas nada se compara a essa recente decisão do TSE. Talvez seja a hora de parar e pensar um pouco a respeito.
Algumas lições vêm da história. Quando John Milton foi ao Parlamento inglês, no século XVII, pedir liberdade para a edição de livros, as razões da censura eram constrangedoramente parecidas. Como era possível editar livros com ideias falsas, desestabilizadoras, ofensivas a tudo o que há de sagrado, e ainda ganhar dinheiro com isso? Pacientemente, Milton explicou que não cabia ao reino a definição do que era verdade, que ninguém era infalível. E que as pessoas deveriam fazer esse julgamento, e não o poder. Com isso lançou as sementes que fizeram germinar o moderno direito à expressão.
A história brasileira também ensina. Quando observo o ministro Fachin dizendo, em uma sessão da Corte, ser “inadmissível a defesa da ditadura”, me lembro que esse mesmo argumento foi usado, 74 anos atrás, para pôr o PCB na ilegalidade. Estava tudo lá. Dizia-se que eram inadmissíveis manifestações “colidentes com os princípios democráticos”, que era um erro permitir que ideias autoritárias se alastrassem e que “o preço da liberdade é a eterna vigilância”. Hoje os sinais andam trocados, mas na forma tudo me lembra a ironia de Talleyrand: nada esquecemos, nada aprendemos.
O ingresso da política na lógica da guerra cultural vem gradativamente tornando a liberdade de expressão um tema incômodo. De um lado, cresceram as pautas identitárias e sua “reivindicação do absoluto”, como li dias atrás. Os ofendidos não admitem controvérsia. De outro, a reação conservadora e sua carga de ressentimento. Sua entrada em cena foi tomada largamente como ilegítima pelos centros hegemônicos de opinião. Se não há legitimidade do outro lado, por que o direito à palavra? Se já sabemos o que tem e o que não tem “fundamento”, por que perder tempo com o que essa gente tem a dizer? Como vaticinou David Goldberger, o advogado ícone da defesa das liberdades civis, “os progressistas estão deixando a Primeira Emenda para trás”.
Há um risco institucional nisso tudo. Em sociedades plurais, o direito à expressão é condição para a legitimidade do pacto político. Isso é há muito sabido. Em sua Carta sobre a Tolerância, Locke observava que não era a “diversidade de opiniões (que não pode ser evitada), mas a recusa da tolerância para com os divergentes que tem gerado toda a tensão e guerra em torno da religião”. Locke se referia à religião, que era a grande fonte de discórdia no século XVII. Essa mesma fonte, em nosso tempo, é a política. Não brigamos mais para saber se Deus é uno ou trino, se é a fé ou a igreja que nos livrará do inferno. Brigamos sobre o voto impresso, sobre Lula e Bolsonaro, sobre a Lava-Jato e até mesmo sobre os vídeos da Bárbara, no YouTube.
Tolerância e a liberdade de expressão nasceram, no mundo moderno, do reconhecimento de que a verdade explodiu. Que as pessoas passaram a cultivar ideias, deuses e valores diferentes, usando palavras distintas e um jeito de falar muitas vezes insuportável para os outros. Este mundo confuso requer igualdade na regra, e a ninguém é dado reivindicar autoridade sobre a verdade. Nem mesmo uma decisão de nossos mais altos tribunais. É essa a condição para que o pacto político seja inclusivo e as pessoas se sintam representadas pelas instituições.
Ajudar a resgatar esse sentimento talvez fosse, no longo prazo, a melhor contribuição civilizatória que nossa Suprema Corte, mas não só ela, poderia dar ao Brasil.
Fernando Schüler é cientista político e professor do Insper
Fonte Veja 25/08/21
Foto: PIONEIRO - John Milton, polemista inglês do século XVII: as pessoas, e não o poder, é que devem decidir – Ann Ronan Pictures/Getty Images




Fonte: https://www.facebook.com/culturaemdoses/posts/1305916976490305

Assembleia Legislativa entra na pauta do transporte

 Audiência pública deverá ocorrer na próxima terça-feira

Taline Oppitz



Em meio à polêmica envolvendo a privatização da Carris e a nova promessa de greve, em Porto Alegre, a Comissão de Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa aprovou requerimento da deputada Patrícia Alba (MDB) para realização de audiência pública sobre o assunto. O encontro será na próxima terça-feira, às 9h30min, e terá como foco o futuro do transporte metropolitano.

Com dificuldades devido à queda do número de passageiros nos últimos anos, o setor foi um dos mais atingidos pela pandemia da Covid-19. A audiência pública contará com a participação da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre (Granpal), que defende o envolvimento dos governos federal e estadual na solução do problema. 

Correio do Povo

RS terá sábado ameno com sol e nuvens

 Porto Alegre terá máxima de 22°C



O sol aparece em todo o Rio Grande do Sul neste sábado, entretanto no decorrer do dia devem esperadas nuvens em todas as regiões, segundo a MetSul Meteorologia. Períodos de maior nebulosidade ocorrem principalmente na Metade Norte, sobretudo em pontos próximos da divisa com o estado de Santa Catarina. 

O dia começa um pouco frio e novamente com bancos de nevoeiro ou neblina em diferentes áreas, mas aquece rapidamente durante a manhã e será um sábado ameno e agradável no território gaúcho com tempo por vezes ventoso. Em Porto Alegre, o sábado com sol e nuvens terá máxima de 22°C. 

Mínimas e máximas pelo RS: 
Porto Alegre 10°C / 22°C
Torres 12°C / 21°C
Caxias 6°C / 22°C
Santa Maria 7°C / 23°C
Santa Cruz do Sul 7°C / 23°C
Uruguaiana 9°C / 24°C
Pelotas 5°C / 21°C 

MetSul e Correio do Povo