O dólar encerrou a terça-feira (2) em queda firme, cotado a R$ 5,3303, após mínima de R$ 5,3292, recuo de 0,54%. O movimento refletiu o maior apetite ao risco nos mercados internacionais, em meio às apostas de que o Federal Reserve (Fed) poderá reduzir os juros já na próxima semana.
Na segunda-feira, o real havia sido uma das moedas mais penalizadas, diante de fluxo negativo e ajustes em operações de carry trade com valorização do iene. Nesta terça, porém, a moeda brasileira registrou o segundo melhor desempenho entre emergentes e exportadores de commodities, atrás apenas do peso chileno.
O ambiente doméstico também contribuiu: houve entrada de recursos para a bolsa, que avançou mais de 1% e superou pela primeira vez a marca histórica de 160 mil pontos no Ibovespa.
🔹 Política e expectativas
Analistas apontam que a melhora nas intenções de voto do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, na corrida presidencial de 2026, segundo pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, pode ter favorecido o real. Parte do mercado acredita que uma eventual vitória da oposição poderia abrir espaço para um ajuste fiscal profundo a partir de 2027.
🔹 Avaliação dos especialistas
Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, destacou que o real se recuperou mais que outras moedas emergentes por ser mais líquido e ter caído mais na véspera. Para ela, o cenário é de menor aversão ao risco, sustentado pelas expectativas de corte de juros nos EUA.
André Valério, economista sênior do Banco Inter, ressaltou a aprovação no Senado de projeto que aumenta a tributação sobre fintechs e apostas online (bets). O texto estende a isenção de Imposto de Renda sobre dividendos de 2025 até abril de 2026, reduzindo a pressão por antecipação de remessas e contribuindo para a queda do dólar durante a sessão.
🔹 Desempenho acumulado
Nos dois primeiros pregões de dezembro, o dólar acumula leve depreciação de 0,08%.
Em novembro, a moeda já havia recuado 0,85%.
No acumulado de 2025, o dólar registra queda expressiva de 13,75% frente ao real.
📌 Em resumo, o dólar caiu abaixo de R$ 5,33 impulsionado pelo otimismo externo, pela entrada de recursos na bolsa e pelo impacto político das eleições de 2026, enquanto medidas fiscais no Brasil ajudaram a aliviar pressões sobre o câmbio.
Fonte: Correio do Povo

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