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quinta-feira, 12 de agosto de 2021

O gaúcho Paulo José, ícone do cinema, teatro e TV, morre aos 84 anos

 


O ator gaúcho Paulo José morreu nesta quarta-feira (11), aos 84 anos, vítima de pneumonia. Ele sofria de Mal de Parkinson há mais de 20 anos e estava internado há quase um mês no Rio de Janeiro.

Paulo José deixa esposa Kika Lopes e quatro filhos, de uniões anteriores: Ana, Bel e Clara Kutner (frutos de seu casamento com a atriz Dina Sfat, falecida em 1989), além Paulo Henrique Caruso (de seu relacionamento com a atriz Beth Caruso). E o neto João, filho de Ana.

Trajetória

Em mais de 60 anos de carreira, Paulo José marcou a dramaturgia brasileira com trabalhos fundamentais no teatro, cinema e televisão. Além de interpretar personagens inesquecíveis, dirigiu e participou da criação de diversas obras.

Mesmo depois do diagnóstico de Mal de Parkinson, doença que o acompanhou por mais de 20 anos, ele sempre se preocupou com a valorização do ofício de ator. Ele lutou pela regulamentação da profissão no final dos anos 70.

Paulo José Gómez de Souza nasceu em Lavras do Sul (RS), no dia 20 de março de 1937. Ele teve seu primeiro contato com o teatro na escola em Bagé, aos dez anos de idade.

Paulo José mudou-se com a família para Porto Alegre e prestou vestibular para Medicina e, depois, Arquitetura, mas já começou a carreira no teatro amador.

Ele se mudou para São Paulo no início da década de 1960, onde começou a trabalhar com o revolucionário Teatro de Arena – lá foi ator, contrarregra, assistente de direção, produtor, diretor musical, cenógrafo e figurinista.

Sua estreia atuando no palco foi em 1961, na peça “Testamento de um cangaceiro”. Já no cinema, estreou em 1965, no filme “O padre e a moça”, de Joaquim Pedro de Andrade.

Nos anos 1960 ele atuou em diversos filmes fundamentais do Cinema Novo, como “Macunaíma”, de Joaquim Pedro de Andrade, e “Todas as mulheres do mundo”, de Domingos Oliveira.

Paulo José estreou na TV Globo em 1969, começando uma série de trabalho marcantes por mais de quatro décadas.

A primeira novela foi “Véu de Noiva”, de Janete Clair, em 1969. Seu primeiro personagem marcante foi o mecânico-inventor Shazan, que formava uma dupla cômica com Xerife, de Flávio Migliaccio, em “O Primeiro Amor” (1972), de Walther Negrão.

A dobradinha fez tanto sucesso que gerou o seriado “Shazan, Xerife e Cia.”, escrito, dirigido e interpretado por Paulo e Flávio, entre 1972 e 1974. Outros personagens inesquecíveis foram o comerciante cigano Jairo, em “Explode Coração” (1995), de Gloria Perez, e o alcóolatra Orestes de “Por Amor” (1997), de Manoel Carlos.

Atuou em mais de 20 novelas e minisséries, entre elas,”‘Roda de Fogo” (1986), de Lauro César Muniz; “Vida, Nova” (1988), de Benedito Ruy Barbosa; “Tieta” (1989), de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares; “Araponga” (1990), de Dias Gomes, Ferreira Gullar e Lauro César Muniz; “Vamp” (1991), de Antonio Calmon; “O Mapa da Minha” (1993), de Cassiano Gabus Mendes; “Agora é Que São Elas” (2003), de Ricardo Linhares, escrita a partir de uma ideia original do próprio Paulo José; “Senhora do Destino” (2004), de Aguinaldo Silva; “Um Só Coração” (2004) e “JK” (2006), minisséries de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira; “Caminho das Índias” (2009), de Gloria Perez; e ‘Morde & Assopra’ (2011), de Walcyr Carrasco.

Como diretor, participou de alguns episódios de “Casos Especiais” na década de 1980, e das minisséries “Agosto” (1993), adaptação de Jorge Furtado e Giba Assis Brasil do romance de Rubem Fonseca; “Memorial de Maria Moura” (1994), adaptação de Jorge Furtado e Carlos Gerbase da obra de Rachel de Queiroz; e “Incidente em Antares” (1994), adaptação de Nelson Nadotti e Charles Peixoto do livro homônimo de Erico Verissimo.

Ele também fez parte da equipe que implementou o programa “Você Decide”.

Mesmo com a carreira consolidada na TV, Paulo José nunca abandonou o teatro e o cinema.

Sua última e emocionante aparição na TV foi como o vovô Benjamin na novela “Em Família” (2014), de Manoel Carlos. Ele era o pai de Virgílio (Humberto Martins). Como na vida real, seu personagem sofria de Mal de Parkinson.

O Sul

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